sábado, 27 de setembro de 2008

# meu chapa 13 x 0 oabola f.c.

Embora desfalcado do guarda-redes titular e de vários outros chapas, a equipa alvi-rubra não deu chances ao adversário na partida de estréia: 13 a 0, contra o OABola.
Com um relvado horrível e um primeiro-tempo sonolento e abaixo das expectativas, o MEU CHAPA FUTEBOL E REGATAS precisou de quase 15 minutos para abrir o placar, com Grabicoski, em interessante triangulação com o compatriota Sandroski e o romeno Román.
O ritmo do jogo continuava lento e com poucas emoções, até que o excessivo número de faltas do time adversário fez o árbitro iniciar a distribuição de cartões amarelos -- no total foram 4 para o OABola -- e, ato contínuo, logo no primeiro cartão, um destemperado (e inepto) atleta adversário perdeu a cabeça, disse que não queria brincar mais, que ia levar a bola embora, que era amigo do dono do campo e que -- aí foi o problema -- todo mundo em campo era "#$@&!#", discurso esse que lhe causou a espulsão (clássica grafia nórdico-iratiana, que significa "expulsão" na língua camoniana).
Com tal desequilíbrio numérico, ao contrário do que poderia parecer, em nada a partida mudou, continuando medíocre e enfadonha. O OABola, que em menos de 20 minutos de jogo já trocava incessantemente de atletas, mostrava boa obediência tática e ficava com todos os jogadores atrás da sua intermediária, o que dificultava a penetração dos nossos chapas -- houve, inclusive, para espanto de todos, o pedido de se incluir mais um goleiro, justificado como "goleiro-linha" pelos oabolianos, mas que fora de pronto recusado pelo bom árbitro da partida, que apenas fez cumprir a regra.
A mencionada dificuldade vermelho-e-branca era aumentada pela indolência e pela pouca criatividade dos seus alas e atacantes, que causavam uma irritação generalizada -- em especial ao Mr. Donald ("Le Petit Roger", como entoa a claque), embora a sua exasperação não significasse a vontade de mexer na equipa --, até que, num lateral muito bem cobrado por Griza, Sandroski cruza e Román, esperto, faz o seu primeiro gol. Mal foi dado o reinício, Z. Samsa roubou a bola, em slow-motion driblou o adversário e lançou Grabicoski que, fintando o seu incansável marcador, desferiu um potente chute de fora da área, acertando o canto da trave e fazendo a bola cruzar rente a linha do gol até entrar mansamente do outro lado, marcando o terceiro tento meuchapense -- entreatos, houve alguns que não viram o gol e até tiveram a caradura de dizer que fora venal invenção do árbitro... pura bobagem, pois rapidamente essas opiniões foram abafadas e tidas como mera perseguição à arbitragem e à sorte do bom atacante polaco.
E assim terminou o primeiro-tempo: como em toda "primeira vez", foi (i) duro de entrar, (ii) um pouco atrapalhado e (iii) meio chato.
No intervalo, após o deitar sob um aprazível sol -- "o sol é o melhor desinfetante", diz-se --, os atletas meuchapenses pareceram revigorados e verdadeiramente dispostos ao jogo; outrossim, Le Petit Roger também contribuiu, alterando a disposição tática e promovendo duas alterações: deixou a equipa citius, com a entrada de Serginho na ala-direita, e altius e fortius, com o ingresso do islandês Irräti na zaga, o qual precisava mesmo ganhar ritmo de jogo, já que as estatísticas mostram que o back titular Royce é o chapa que acumula mais minutos na bagagem.
Foi batata. Em menos de 12 minutos, 4 gols de Román, com jogadas pelos flancos -- com os alas bem abertos -- e pelo miolo -- com a dupla polaca inspiradíssima -- que sempre encontravam o oportunista avançado romeno livre na área. Daí pra frente, ainda que com múltiplas defesas do bom goleiro adversário, vários gols perdidos e, principalmente, jogadas de extremo e estéril exibicionismo e malabarismo -- as quais só servem aos patrocinadores, na ânsia de quererem sugar os dividendos na exposição dessas imagens, e à claque, em regra iludida com o pão e o circo --, a equipa alvi-rubra jogou por música e, com belas triangulações, tabelas e assistências -- a consagrar Sandroski como o garçom da tarde --, jogadas ensaiadas e constantes manejos individuais pelo meio e pelas pontas, a sinfônica meuchapense construía um elástico placar: Sandroski e Z. Samsa fizeram 2 gols cada um, em belas trocas de passes; Oliva, que voltou na terça parte do segundo tempo, fez o seu, num bonito chute cruzado; e, num único contra-ataque possível, Román fez mais um para fechar o placar no cabalístico número 13 (treze), o qual, diga-se de passagem, foi injusto, haja vista tantos outros gols perdidos deste momento em diante -- em especial pela fome de gol de Román, pelo preciosismo de Grabicoski e pela preguiça do Griza -- e tamanha era a debilidade do escrete adversário.
E, por fim, na última volta do ponteiro, o momento mais emocionante do jogo: um único e surpreedente arrastão oaboliano para cima de um já apagado MEU CHAPA fez deixar 5 atletas cara a cara com o goleiro Haríate que, num ato heróico digno das melhores fábulas lafontainianas e operando um verdadeiro milagre, salvou a meta alvi-rubra e pôs a bola para escanteio.
Visto isso, maravilhados, o homem-de-preto trilou o apito final, a claque quase às lágrimas aplaudiu em pé e todos viveram felizes para sempre.

Meu Chapa Futebol e Regatas 13 x 0 OABola F.C.
MCFR*: Haríate; Royce (Irräti) e Oliva (Serginho); Sandroski, Z. Samsa e Griza; Román e Grabiscoski. Téc.: Mr. Roger Donald
Gols: Román (6), Grabiscoski (2), Sandroski (2), Z. Samsa (2), Oliva (1).
Cartões amarelos: 4 (OABola)
Cartões vermelhos: 1 (OABola)
Renda e público: não divulgados