segunda-feira, 10 de novembro de 2008

# meu chapa 10 x 1 habeas canas fc

(como estive ausente, o bravo chapa Haríate, nascido em Lilliput e criado em Grayskull, deu-me a honra de prencher este caderno virtual para oferecer o relato "crônico" do jogo de sábado -- com uma modesta contribuição, em arremates finais, deste impertinente subscritor --, cuja rodada fechou a participação do MEU CHAPA FUTEBOL E REGATAS na primeira fase da V Copa OAB -- v. aqui como ficaram as oitavas-de-final)

Consternados pela tristeza causada com as ausências de Sautxuxa, Z. Ilijitsch Samsa (nosso poeta maior), M. Salomones, ausente momentaneamente da batalha futebolística e definitivamente da guerra travada nas baladas, e Gabricoski -- afora Mestre Kisha, alijado de todo o campeonato --, o técnico Mr. Roger Donald queimou o pequeno e achatado cucuruto para formar a equipa, alertou em preleção de que possíveis erros perdoados seriam somente naquela tarde e não mais, e decidiu levar a campo: Haríate na meta, Rick Royce como the last man, Griza e Serginho -- o mutante de 6 pulmões --, respectivamente à esquerda e à direta, Juscelino DeNixon na cabeça-da-área, Capanêltima na armação e, no ataque, Sandroski -- que já cumula as funções de garçom e de co-artilheiro -- e o mortal e acrobático Pavel Román.
Recém iniciado o embate, 2 minutos antes do nada -- como diria o Nélson... --, o meio-campo habeacanense, aproveitando-se do já tradicional torpor vespertino meuchapense -- uma equipa que postava tão-somente corpos sem alma --, faz aparecer dentro da sagrada área alvi-rubra um performático atacante que, como um serelepe saci, matreira e saltitante arremata no canto esquerdo do gol, a exigir de Haríate -- já devidamente pronto em face do aquecimento promovido à la Manga -- uma eficiente intervenção.
À frente, ainda em contínuo estado hipnótico de hibernação, a defesa meuchapense não corta o cruzamento adversário, a sobrar a redonda no pé de outro atacante adverso que a chuta, de bate-pronto, fazendo-a quicar no solo e, num lance que só a física quântica consegue explicar, tomar a direção da dita "gaveta" e parar, no ar. (silêncio ensurdeceder em todo Iraí Arena). A casa quase caía... mas, mesmo sem ser um pássaro ou um avião, Haríate, num lance que agora lembrou Jairo, a "Muralha de Ébano", salta junto à forquilha, espalma a bola e coloca-a para corner.
Nesse exato e inacreditável momento, uma injeção de adrenalina tarantiniana faz com que a equipa finalmente desperte do topor e, jogando ao natural, inicia a goleada, sendo que só no primeiro tempo, sete -- número cabalísitico da perfeição -- foi o número de gols vazados pelo arqueiro adverso. Sandroski, em tarde inspirada, serviu duas vezes o ataque e fez 3 gols, Román, fez outros 2, e Capenêltima, de fora da área, e DeNixon, em oportunista e possessa jogada, fizeram 1 gol cada. Enfim, o duelo ganhava ares de um confronto entre Holanda, com sua laranja mecânica, e Íbis, com seu histórico know-how.
No segundo tempo, logo de início, Le Petit Roger promove alterações e faz entrar Irräti de Camões e Oliva Itaipava, para dar uma consistência mais etílica ao escrete, e Leonidas Rudi, que depois de um longo tempo de molho faz a sua reestréia na equipa meuchapense.
Já nos primeiros toques, o centroavante chileno fez jus ao esforço da Diretoria do MEU CHAPA na sua contratação: em 5 minutos, fez dois gols, em belas jogadas individuais que levantou o público. Já combalida com a consolidada goleada, aos 15 minutos o Habeas Canas assistiu ainda, incrédulo, Irrati de Camões lançar primorosamente a bola para o mesmo Rudi que, por excesso de prudência, perdeu o gol mais feito do milênio.
Depois disso, parecia que o jogo seguiria burocraticamente para o final, quando, despretensiosamente, o back canadense Royce vacila ao atiçar a ira dos deuses, tecendo o seguinte comenário: Haríate... ainda estamos invictos, não tomamos nenhum gol...".
Neste exato momento, o vento mudou de direção, a chuva chegou, os pássaros pararam de cantar, as joaninhas metamorfosearam-se e todo o universo conspirou para que a soberba meuchapense parasse de reinar -- inclusive interferindo na visão do árbitro, que passa a não mais enxergar --, pois, ele, o mago Román, autorizado por Mr. Roger Donald, recua para o meio de campo e, a afrontar o celibato da retaguarda alvi-rubra, tenta um bizonho elástico e perde a bola para o atacante habeascaniano que, com a mão, ajeita o esférico e arremata na linha da grande área. A bola seguia nitidamente a linha de fundo, mas, ao tomar um efeito tridimensional, bate nas costas de Royce, sobe no montinho artilheiro e cai caprichosamente no canto direito da trave, a milimetros da six finger hand de Haríate, finalmente vencido.
Neste instante, no canto, Sobrenatural de Almeida sarcasticamente sorri, agora satisfeito com um placar que fatalmente tiraria o primeiro lugar geral do MEU CHAPA FUTEBOL E REGATAS.

Meu Chapa Futebol e Regatas 10 x 1 Habeas Canas F.C.
MCFR: Haríate; Royce (Irräti); Serginho (Oliva), DeNixon e Griza; Sandroski e Capanêltima; Román (Rudi). Téc.: Mr. Roger Donald.
Gols: Román (3), Sandroski (3), Rudi (2), Capanêltima (1) e DeNixon (1).
Cartões amarelos: Royce e Serginho.
Renda e público: não divulgados.