quarta-feira, 2 de abril de 2014

# órbita alta


A revista Carta Capital traz impressionantes e surpreendentes números sobre a questão do estupro e da violência à mulher (v. aqui), ainda na linha da última pesquisa do IPEA (v. aqui).

E deles conclui-se: o perigo mora muito, muito mais perto, muito mais ao lado da vítima, pois 2/3 dos casos de abuso sexual ocorrem na própria casa das vítimas, pelos seus familiares ou pessoas da sua intimidade, sendo que metade dos crimes é contra crianças de até 13 anos -- e não no lado B do Brasil varonil, como mero reflexo da violência periférica.

E aí, meus amigos, não há formosura, não há vestes luxuriosas, não há comportamento, cuidado ou zelo feminino que bem resolvam a situação.

E aí, meus amigos, não há teses sociológicas, antropológicas, econômicas ou jurídicas que bem expliquem o caso.

E aí, meu amigos, não há Estado, educação e segurança pública que bem conduzam este horrendo fato. 

A coisa está em outro nível, num patamar muito mais alto de crueldade, de monstruosidade, de desumanidade -- e de machismo.

E aí sei lá como tentar tratar e explicar isso.