sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

# sueño



Não durmo mais,
  na verdade, desdurmo todos os dias desvividos.

 Não sonho mais,
 na realidade, desisti de sonhar
para continuar sonâmbulo de uma rotina nauseante.

E no meu calabouço calo a boca e ouço o grito que alhures agoniza.
  
Não, não escuto mais 
  e agora engulo o choro intranquilo que sempre fora meu.
 
Ora, já não me sinto,
 apenas afundo plúmbico em baldes de absintho,
torrando a pele que doura anestesiada e enferrujada à beira-mar.

Enquanto borbulho o ar rarefeito de naftalina que me impregna.

Não respiro,
 mas transpiro a dor da saudade da idade antiga desabitada.
 
 E fujo, 
 sujo na teia matreira do destino que algema a liberdade de barro
num sopro envenenado que tira a última costela.

E a vida.
  
Não acordo mais  
 e desacordo.
 
 Enforco-me nas tripas desembuchadas
 de um corpo cansado
que descaminha trôpego sobre o cadafalso da existência.
  
Do sangue embutido que vendo, o vermelho é das minhas lágrimas.