quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

# sueño



Não durmo mais,
  na verdade, desdurmo todos os dias desvividos.

 Não sonho mais,
 na realidade, desisti de sonhar
para continuar sonâmbulo de uma rotina nauseante.

E no meu calabouço calo a boca e ouço o grito que alhures agoniza.
  
Não, não escuto mais 
  e agora engulo o choro intranquilo que sempre fora meu.

Ora, já não me sinto,
 apenas afundo plúmbico em baldes de absintho,
torrando a pele que doura anestesiada e enferrujada à beira-mar.

Enquanto borbulho o ar rarefeito de naftalina que me impregna.

Não respiro,
 mas transpiro a dor da saudade da idade antiga desabitada.

 E fujo, 
 sujo na teia matreira do destino que algema a liberdade de barro
num sopro envenenado que tira a última costela.

E a vida.
  
Não mais acordo
 e desacordo.

 Enforco-me nas tripas desembuchadas
 de um corpo cansado
que descaminha trôpego sobre o cadafalso da existência.
  
Do sangue embutido que vendo, 
o vermelho é das minhas lágrimas.