sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

# pólvora



A flecha que atiro 
atravessa minh'alma.

O ectoplasma que escorre
entope o meu vazio.

De pus, suor e lágrimas, 
o que me corre não mais socorre.

Na veia navega a sobra 
do sangue passado.

Mal passado.

De gente que de bem não sei, 
nem de onde, 
nem a que ponto.

Raízes já secas 
soterradas 
sem a mais remota vida.

Sou fruto 
já muito longe disso.

Hoje saio 
de alguma costela 
e agora nas costas 
a corcova 
é o meu cupim 
a corroer-me.

Espeto-me 
para servir na cova 
onde repousarei.

Em pó.

Em paz.