quarta-feira, 4 de março de 2015

# defumado



Sou o nada.

Soa triste
se não sonhasse
diferente de tudo
o que não sou.

Sobra da xepa
que resta da feira,
só me desbasto.

Sobram-me sisos,
faltam-me risos
na segunda assada
de cada dia.

Não gargalho,
e no meu galho
sofro e golfo
o cotidiano acre
que não trago.

Tranco-me
na gaveta abafada
da pasteurizada voz alheia.

Ensurdo-me
na retórica bovina babada
da cegueira vizinha.

Lá e cá
calo incerto
das pegadas que faço
ao meu presépio.

E nada vejo.
 
A minha estrela
é um buraco negro.

Decadente,
sou guiado para dentro do meu labirinto.