quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

# náufrago


Atiro-me pedras
porque teimo tanto errar

Engulo-as

E na rede do meu luar
as vomito com os sapos que também não cansam de me judiar

Agora concentrado nesta verve velha
vejo as válvulas já vacilarem num comovente descanso

E a dinâmica do espantalho inveja-me
em face ao corcovado que me prende ao tapete borrado desta sala 
amarrado alado aos ácaros que me sufocam na eterna meia-noite de uma rotina em vão

Eis que por detrás daquela janela
do alto deste arranha-céu
flerto com o cheiro da liberdade que não tenho

Asas fritas em óleo ranço,
apenas roo o osso ao sebo das minhas sobras

E num balde gasto
guardo a carcaça fria para o mesmo dia de amanhã