quarta-feira, 11 de outubro de 2017

# náufrago



Atiro-me pedras
porque teimo tanto errar


Engulo-as


E na rede do meu luar
as vomito com os sapos que também não cansam de me judiar


Agora concentrado nesta verve velha
vejo as válvulas já vacilarem num comovente descanso


E a dinâmica do espantalho inveja-me
em face ao corcovado que me prende ao tapete borrado desta sala 
amarrado alado aos ácaros que me sufocam na eterna meia-noite de uma rotina em vão


Eis que por detrás daquela janela
do alto deste arranha-céu
flerto com o cheiro da liberdade que não tenho


Asas fritas em óleo ranço,
apenas roo o osso ao sebo das minhas sobras


E num balde gasto
guardo a carcaça fria para o mesmo dia de amanhã