terça-feira, 30 de junho de 2015

# ordem ou progresso



Na bandeira nacional um dístico positivista que, talvez, revele a ambiguidade, a paradoxalidade e as antíteses deste país em desenvolvimento. 

Afinal, diante do contexto histórico brasileiro, faz-se notória a arduidade hercúlea, a dificuldade odisseica e a complexidade quimérica  -- só para ficar na mitologia grega -- de se conseguir, lado a lado, "ordem e progresso".


Ora, é evidente que um mundo que conjuga ordem com progresso tem para as suas sociedades a solução (quase) perfeita, certamente fruto de uma combativa espera ou de um longo caminhar histórico-civilizacional.

Logo, por hora, nesta nossa conjuntura e dinâmica, a refletir no caos das relações sociais deste espaço-tempo o marasmo institucional e a volúpia capitalista, tal binômio apresenta-se irrealizável a um mínimo contento.


Assim, para que o hoje possa ser efetivamente realizado, nos estritos termos morais e constitucionais estabelecidos, deve-se definir a política prioritária: o "progresso".


Acontece que, salvo repentinos momentos de revoltas -- em especial nos sécs. XVIII e XIX -- ou de sérias reformas -- anos 30 a 60 --, o Brasil tem privilegiado a ordem, pois desse modo sempre quiseram os "donos do poder" e sempre deixou o nosso incerto "homem cordial".

O progresso, pois, ficava para os textos das leis, para os discursos públicos e para as tímidas reivindicações dos tímidos movimentos sociais, sindicais e estudantis.

Não era, efetivamente, uma missão estatal; na verdade, e é evidente, tal caminho (ou manejo principiológico) nunca fora, a priori, uma proativa diretriz de nenhum Estado antes de se encontrar com as suas revoluções, da francesa à bolivariana.

O desenvolvimento, ou seja, o "progresso" econômico e social é colhido tão-somente por intermédio de uma contraordem, nascida da transformação institucional -- logo, das ideias --ou de um grupo  logo, dos homens --, de modo a enfrentar a "ordem" e a pax nacional com o intuito de questionar e tornar passado o status quo ante privilegiante, segregador e desigual.

Quer os "progressistas", contrariamente aos "ordeiros", um passo à frente em menos tempo, quer ver balançar as estruturas -- a desordem democrática -- em prol de uma marcha para adiante; quer ver, logo, o progresso, mas certo e concreto, e não à mercê de uma ordem que o estanca e o adianta para o eterno futuro.

Quer-se, portanto, o fim deste estado estratificado, estático, aristocrático; quer-se o fim da nobreza republicana, conservada em formol de feudos amalgamados nas relações antibióticas de poder-capital-sociedade.

Mas o PT, eleito pela esquerda e para a esquerda para um quarto mandato, titubeia neste enfrentamento, provocando efeitos e consequências crueis no cenário progressista nacional.

Ora, diante da imponente inscrição no pendão pátrio, deve-se pender para o valente caminho do desenvolvimento e da justiça social (igualdade), debater e lutar pelo "progresso" nacional, cuja via perpassa pela mitigação da "ordem" e, como queria Auguste Comte, pela concretização do "amor como princípio".

E então, talvez somente assim, nos tornaremos aptos a romper os paradigmas conservadores que sempre orientaram o nosso Estado e capazes de não tergiversar as diretrizes normativo-principiológicas que desde 1988 regem e consolidam a República Federativa do Brasil.

Afinal, infelizmente, hoje ainda nos firmamos num Estado pouco democrático, guardião da ordem e tirano do progresso.


E por isso o nosso lema vai mostrando um vazio no horizonte, com base e sem fim.