quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

# talho


broca puída
a perfurar intestinos delgados
por onde pasto e rumino os sonhos del hombre
muerto, na câmara fria de um destino sem luz
inação pela cauda que chicota em estilingues homicidas


vida abatida
sob mochos doloridos como suspiros mal acabados de um ente en vitro
sou despejado na esteira rolante de onde nunca saí
vem, baixa o cutelo que mira o córtex
sinapses somem pelo sangue jorrado como chuva de serpentinas entrudas


corpo moído
em pedaços dependuro-me à vitrine do meu açougue
em ganchos onde a realidade é de uma carne pálida
às moscas, já não valho o que peso
e no silêncio sou descartado como matéria vencida