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quarta-feira, 22 de junho de 2016

# toucinho



Cadê o lucro todo que estava ali? O gato comeu.

Cadê o gato? Foi pro mato das Bahamas.

Cadê o mato? Os advogados queimaram.

Cadê os advogados? No uísque on the rocks afundaram.

Cadê a uísque? Os laranjas beberam.

Cadê os laranjas? Foram pra cadeia.

Cadê a cadeia? Tá cheia de preto e pobre.

Cadê os pretos e pobres? Os ricos vêm chupando.

Cadê o ricos? Foram à busca de outro trambique.

Por onde é o caminho do trambique?

É por aqui... por aqui... por aqui...

[cócegas]

É, pois, a velha e velhaca lógica deste sistema: privatiza-se o lucro nas franjas do Estado,
socializa-se a quebra nas barbas da sociedade.

Neoliberalismo na veia, à moda da casa.

E o pulso, ainda pulsa.



sexta-feira, 3 de junho de 2016

# e o auditório sabe como o elefante se suicida?


Fruto nada proibido do neoliberalismo – e cá no Brasil de cepa demo-tucana –, tem-se a tese de que a função de regulação deve ser prosseguida não propriamente pelo Estado, mas por agências reguladoras independentes, saindo do controle direto e se assentando numa pseudo-equidistância de interesses públicos e privados... 

E agora você dorme ou gargalha.

Ora, esta solução só tenta se justificar porque a velha cantilena liberal entende – e assim age para manipular a consciência popular – que o Estado, declarado por puro preconceito ideológico como incapaz de administrar o setor público da economia – ou se acredita que os setores de telefonia, de energia, de água etc. estão em melhor estado hoje sem o Estado? –, é  também considerado incapaz de exercer bem esta função reguladora, razão pela qual terceiriza para as ditas "agências".

Ao substituírem o Estado no exercício desta função reguladora, as agências concretizam uma poção mágica que contém os ingredientes do dogma liberal, da separação entre Estado e Economia: aquele deve manter-se afastado dessa, porque essa é a esfera privativa dos privados e aquele é uma pura instância política – é, como querem, o “conteúdo mínimo” do “estado mínimo”, na lição do Professor António Avelãs Nunes.

Com o argumento de que as funções das entidades reguladoras são funções meramente  técnicas e não-políticas, o que se pretende é subtrair à esfera da política – ou seja, à competência dos órgãos políticos democraticamente legitimados – a ação destas entidades ditas independentes, alegando-se que só assim se consegue a sua neutralidade.

Só assim – invocam os mais afoitos – o Estado pode ser,  como  regulador, um  "árbitro  imparcial" (ou "neutro", como um sabonete).

E mais: nesta subtração, pressupõe a Política como uma coisa indecorosa, feia, diabólica, uma chaga, uma perigosa praga egípcia reloaded e merecedora do isolamento e confinamento.

Ademais, quer-se trazer a substituição do "Estado democrático" por um "Estado tecnocrático", novamente neutro, governado por pessoas que não pensam em outra coisa que não seja o interesse público, sob os primados da suprema eficiência e retidão... zzzzz...

Parece óbvio que não se pode esperar de um Estado "neutro" – que age segundo critérios técnicos e que rejeita as opções políticas – a definição e execução de políticas públicas, que visam, é claro, a promover interesses públicos e coletivos e escolhas políticas assim comprometidas.

Ora o chamado Estado regulador revela-se, afinal, um estado pseudo-regulador – ou um "pseudo-estado regulador", como sempre sublinhou o Professor Avelãs, inclusive aqui, no seu último livro , um Estado  que renuncia ao exercício desta sua função, a qual é transferida para sacrossantas entidades e agências “independentes”, “politicamente puras”, atuando apenas em função de critérios “técnicos” e com ímpar "eficiência", a sublinhar que o seu ethos radica na "imparcialidade" da atuação sobre o mercado.

Seria, pois, outro ser apolítico, como os amarelinhos que até recentemente desfilavam pelas orlas brasileiras.

Trata-se de um esforço inglório, por ser por demais evidente que essas agências exercem  funções políticas e tomam decisões políticas com importantes repercussões econômicas e sociais.

Na verdade, as autoridades reguladoras independentes vêm chamando (e recebendo) para si parcelas importantes da soberania, flertando com a sobrevivência do próprio Estado de Democrático de Direito, que se vê substituído por essa espécie de estado oligárquico-tecnocrático para atuar sob a chancela de “técnicos especialistas independentes” que “governam” este tipo de “estado”, mas que não é politicamente (e legitimamente) responsável perante ninguém, embora tome decisões que afetam a vida, o bem-estar e os interesses de milhões de pessoas.

E assim, a imitar o caos cívico de hoje, provoca o caos institucional, numa república democrática esquizofrênica em suas partes e funções.

Vários  argumentos  têm  sido  invocados  para  justificar  a regulação  “amiga  do mercado” e a sua entrega a entidades independentes, mas há raros espaços para se debater as múltiplas reservas que vêm sendo levantadas a esta concepção da função reguladora e ao modo como é exercida.

Por quê? Ora, são negócios da China nas mãos de poucos, poucos que controlam toda a mídia, e toda uma grande mídia que não dá lugar a nada que rediscuta o modelo – e o Estado brasileiro enxerga subserviente e calado este estado de coisas. 

Mais do que isso, este Estado (Estado regulador, ou garantidor, ou ativador, ou incentivador, ou contratualizador... são inúmeros os eufemismos) conforma-se como um "super-Estado feudal" – consoante, de novo, acepção do professor coimbrão –, a assegurar aos novos senhores feudais (os parceiros privados das PPPs, as concessionárias...) verdadeiras rendas feudais: em vez de terras, concede-lhes direitos de exploração de bens e serviços públicos ou patrocínios, comprometendo-se, inclusive, a pagar-lhes (com o dinheiro dos tributos cobrados dos “súditos”) o que faltar para complementar as “rendas” contratadas.

É o capitalismo sem falências, fruto deste modelo intervencionista pós-moderno e desenvolvido para aqueles que são “too big to fail” (v. aqui), consoante o mote adotado para livrar da bancorrata parte do sistema financeiro estadunindense pós-crise – esse negócio todo é também mostrado e desenhado nos premiados documentários "Trabalho Interno" (v. aqui) e e "Capitalismo - a Love Story" (v. aqui).

E assim, enfim, neste grande espetáculo, assistimos os seus produtores na incessante busca de tentar disfarçar o estado capitalista com as suas tantas e sempre renovadas vestes, e que agora vem sob o adorno de "estado-regulador" e as suas "agências reguladoras".

Porém, estes mesmos senhores são incapazes de esconder o seu maior propósito: por a nu o Estado, paralisarem-no e asfixiarem-no, provocando a morte da Política e exaltando a ubiquidade onisciente do "Mercado", para aplausos delirantes da galera.

Pois é, até as piadas de Ary Toledo tinham mais graça (e sentido) do que isso.



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

# greves, governo, kapital e kafka



A greve é, historicamente, um dos mais espetaculares instrumentos à disposição dos trabalhadores organizados, um raro meio de minimamente equilibrar as forças em luta e mitigar os danosos efeitos da exploração humana via o labor capitalizado.

Existe, portanto, para que o lado hipossuficiente não padeça e, mais, se fortaleça no embate com o outro lado, detentor do poder, usurpador da mão-de-obra e cujo maior compromisso é maximizar a mais-valia, invariavelmente às custas do trabalho humano.

Eis, então, o espírito maior da greve: mais do que conter os desenfreados abusos dos donos do capital, exige a revisão dos seus lucros mediante a oferta de melhores condições de trabalho e de uma melhor repartição dos resultados.

É, assim, um constrangimento legal, moral, justo e fundamental à disposição dos trabalhadores para dignificar as relações sociais, não obstante se revele cada vez menos eficaz no ambiente pós-globalização.

Afinal, nas mais diversas atividades em que escasseiam peões e sobram bytes, os frutos da revolução industrial viraram sucata.

E, cada vez mais, parar de trabalhar não significa parar as máquinas.

Logo, as greves de hoje já não prejudicam tanto o patrão, como me lembrou o jornalista e geógrafo Wagner Aragão (o Macuco).

E, enquanto não se muda o “sistema” – e não se enxerga a insensatez da lógica deste sistema –, é preciso pensar e experimentar, a fim de se achar uma forma da união e da coletividade de trabalhadores efetivamente enfrentarem, como nas lutas grevistas pré-globalização, a mesquinhez e o individualismo dos donos do capital.

Entretanto, quando o negócio parte de trabalhadores do Estado, as condicionantes são outras.

E sobre este sentido axiológico é que me debruçava para tanto estranhar, numa ordem contraneoliberal, as greves da grande maioria dos servidores públicos, vez que vazio o antagonismo de fins e interesses e inexistente a exploração pelo máximo retorno.

Razão pela qual em todos estes anos do PT no Governo -- ainda que num ambiente de "pacto social", no qual se manteve a estrutura político-econômica, não se atacou os privilégios históricos, não se expurgou os espectros do neoliberalismo e, ainda, não se resolveu o imenso descompasso entre os salários de diversos agentes públicos, tão elevados para certos feudos (Judiciário e certas carreiras do Executivo) e tão miseráveis para baixas castas (professores e policiais, em especial) --, ceder ou não ceder, atender ou não atender da melhor maneira financeira possível os trabalhadores da Administração Pública sempre exorbitaram o conflito entre capital e trabalho, entre lucro e bem-estar.

Logo, cruzar os braços nestes casos de governos populares e com políticas populistas -- cujo máximo apoio ao Estado e aos seus trabalhadores seria a via para construção, aplicação e realização do seu mandato --, nunca trouxe a razão de ser da greve e, por conseguinte, parece-me mais como uma chauvinista chantagem, própria para terrorismos eleitoreiros, para a preguiça luxuriosa de vários agentes (v. aqui) ou para palanque de servidores candidatos a mandatos políticos.

Em suma, nos últimos doze anos a Place de Grève refutava as greves no setor público.

E disse sempre estive convicto, não obstante o tema mereça ir bem mais a fundo na reflexão, é claro.

Entretanto, como encarar o espírito da greve num ambiente em que privilégios, propósitos e práticas já não mais se sustentam na valorização do serviço público e na realização das políticas públicas eleitas, e passam a se agarrar no velho mantra neoliberal de priscas eras tucanas, sob a ordem do príncipe FHC?

Como se disse aqui e aqui, a bússola de agora parece insistir em voltar-se para outros interesses, arrochando um lado para atender às vontades e à pressão de certos e exclusivos grupos.

O dinheiro público não dá em árvore, e como escolhas a toda hora são feitas, Dilma, sua equipe e suas alianças não têm titubeado em rearranjar o destino do capital, subjugando-se às cretinices da cartilha do mercado em detrimento do lado que a elegeu.

Tira-se das políticas sociais, tira-se dos trabalhadores, tira-se do serviço público, e dá-se à nobreza que se esbalda pelas PPPs, pelos grandes conglomerados e pelos casinos financeiros do mundo virtual.

Infelizmente, certas teses neoliberais, nomeadamente sob o famigerado tripé macroeconômico (superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação), tem jeitão de apetecer este Governo Dilma.

E aí, kafkaniana não seria mais a greve no setor público, mas a política deste Governo que, eleito para navegar à esquerda, insiste em derivar à direta.

E daquela convicção eis que hoje resta-me apenas a dúvida.



 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

# cheiro do ralo


E o Governo tanto demora a fazer que aí está o resultado.

Os tais manifestos de junho do ano passado (v. aqui, aqui, aqui e aqui), a reboque da direita, e o ódio de classe, figurado no "tudo menos o PT", eram retumbantes sinais da ameaça de perder a eleição presidencial, ainda que a concorrência fosse débil.

Primeiro, a turma que parou o país por algumas semanas de 2013, ao cabo, votou sim em projetos e senhores capazes de promover mudanças.

Mudanças para voltar no tempo.

Mudanças para bem-fadar Jair Bolsonaro (o deputado mais votado do Rio), Pastor Feliciano (o 3º mais votado de SP), Ratinho Jr. (o mais votado do PR), Lasier Martins (senador eleito no RS), Beto Richa (v. aqui e aqui) e Aécio Neves, só para ficar em alguns.

Toda uma turma que, flagrantemente, está a representar teses e programas do chorume da política, dos anos de chumbo, dos anos de chupa-que-a-cana-é-doce, dos anos que se pensavam guardados para sempre nas páginas tristes dos nossos livros de História (v. aqui).

Agora, vejam só, muda-se tudo para tudo voltar ao que era em priscas eras.

Reacionários, conservadores e neoliberais numa geleia geral que revela o quanto foi oportunista e safada a espetacularização daquelas manifestações. E quão vazias essas foram nos seus fins, pois Luciana Genro, Plínio Sampaio, comunistas e operários -- os profetas dos novos tempos, sabe-se lá o que queiram ser e dizer com isso -- continuaram a não ter votos.

A grande mídia, desregulada, alimentada e protegida como um mico-leão dourado, foi exímia ao colar na testa do PT a propriedade plena da incompetência e da corrupção, sem querer levar esse assunto para o debate sério e verdadeiro (v. aqui).

E com tamanha eficiência levou Dilma e o partido para o canto do ringue, apanhando muito, apanhando tanto quanto bastasse para que a população não se desse conta de que o Brasil, de 2003 para cá, é outro.

E de que há sim uma pessoa e um partido responsáveis por isso: Lula e o PT, bastante competentes neste propósito de tirar da fome e da miséria abjeta o equivalente a dois Chiles.

Mas, infelizmente, isso hoje vai se apagando a cada manchete sensacionalista, a cauda pauta negativa, a cada fato a dedo escolhido para desancar toda estes feitos, tudo sem um contraponto, sem uma resposta eficaz do Governo.

O PT, embora seja o maior partido político do Brasil, segue contraditoriamente acuado, sem comunicação, sem espaço, sem jeito e sem tempo para mostrar tudo o que bem faz -- não obstante as devidas críticas aos vários erros do mandato atual, como aqui (aquiaqui e aqui) já se disse, em especial pelo flagrante esgotamento deste modelo de commodities e consumo -- e então reagir.

Embora ainda continue com o maior número de representantes, perdeu espaço no Congresso Nacional. E embora tenha vencido o 1º turno, vê renascer do inferno a direita com os tucanos e seus canhões.

A bala de prata contra o maior partido da oposição -- a troika dos sistemas Globo, Veja e Folha -- seria a imprescindível  "Lei de Meios de Comunicação", que colocaria ordem no bandido mundo midiático, mas que está engavetada (v. aqui). Uma lei que no mundo inteiro já existe, menos por aqui, onde é vista como "censura", como "ditadura", como "cubanismo" ou como qualquer outra coisa que zombe para dissimular a verdade.

Mas, se ainda insistisse em não querer dispará-la, o Governo Federal ao menos deveria ter mexido na gestão da comunicação, criado e aperfeiçoado meios de dialogar e de se apresentar à população, como aqui e aqui já se explicou. E, ainda, deveria ter estancado o mar de dinheiro que, por meio das suas tantas empresas públicas, a cada ano despeja nas grandes redes em venturosas publicidades sem sentido.

Enfim, um vacilo atrás do outro.

Depois, na eleição presidencial, o voto em Aécio não é seriamente explicado, mas motivado pelo mais pueril (e juvenil) argumento: "não gosto" do PT, como se tratasse de um pudim, e "não gosto" da Dilma, como se fosse uma escolha de amiga de escola ou para miss simpatia.

Ora, em jogo está a discussão do Brasil, a discussão de um projeto de Estado e de ações políticas que está, qua sera tamen, transformando o país, bem ao contrário do retrocesso, da estagnação, da elitização e do vazio social dos programas pilotados pela direita de hoje e de sempre.

Ademais, eis então a verdade recôndita nesta onda conservadora (e reacionária) que vota no candidato do PSDB: o ódio de classes, o ódio de castas, algo bem mais sórdido, simples e direto do que tentar entender ou compartilhar do modelo neoliberal que escancara as políticas desse partido.

A imensa parcela dos 33% que votou em Aécio tem nojo de se ver no outro, tem ojeriza do convívio com quem não nasceu de sangue azul e nem habitou a casa-grande, mas que hoje pode estudar, viajar e conjugar o infausto verbo do pertencimento pós-moderno: consumir.

Uma gente que se indigna com o fato da senzala já não aceitar se servir como escravos domésticos, já não admitir perder direitos e já poder se enxergar, minimamente, como dona de cidadania.

Uma gente que tem pavor ao ver que seu país está a dar oportunidades de emprego, estudos, de cursos técnico-profissionalizantes, de microcrédito e na agricultura familiar a dezenas de milhões de brasileiros, e que isso é obra de um partido que na sua história, mais ou menos, sempre teve um lado.

Uma gente que não suporta um governo social e que se governa pelo lado esquerdo peito.

Que não aceita políticas públicas populares, populistas e para ao povo. 

Que não acredita na política, na república e na democracia.

Que tem chiliques ao perceber que o país deve ser de todos.

Afinal, para esta gente o Brasil não somos nós.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

# sobre virtudes e impaciência


Confesso já não ser alguém com grande paciência.

E se há um negócio que me consome em cólera e náuseas é o sujeito que cospe frases sem ideia e ideias sem conteúdo, ou, ainda pior, "frases feitas", decoradas de manuais ou meramente repetidas de comentaristas televisivos, aqueles que falam e escrevem à la carte.

É lamentável ler, ver e ouvir aquela gente que regurgita palavras pré-moldadas, palavras que cabem num quadrado semi-racional, palavras que se entopem de pré-conceitos, palavras incapazes de sair do lugar-comum e que facilmente desabam num teto de zinco quente.

Sem profundidade, sem fidelidade e sem proposições, estes tipos são contumazes fazedores da crítica pela crítica, que se torna acrítica.

E dia desses recebi por email um vídeo – v. aqui, é ótimo – que exemplifica isso tudo de modo absolutamente didático: trata-se de uma surra dada por um dos grandes "intelectuais orgânicos" deste país, o deputado federal Ciro Gomes, em um pequeno economista neoliberal alçado a ídolo nacional pelas páginas da Veja e do Globo

Bem, a discussão não dá nem pra saída, em típico caso de absoluta vergonha alheia, com cenas de espancamento intelectual explícito. 

São cenas de um massacre em que Ciro Gomes come com farinha e maxixe o blá-blá-blá de frases feitas e vazias do caricato economista carioca, colocando-o no seu devido lugar, para desespero e incômodo de toda a mesa-redonda que, calculem o cenário, era ainda formada por aquele folclórico Henry Maksoud – um misto de Mestre dos Magos com Mr. Magoo , por um âncora gaúcho, possivelmente ex-militante da Arena ou daquele finado movimento "Tradição, Família e Propriedade", e por um ambientalista meio hippie

Cheio dos típicos sorrisinhos de quem não sabe por que sorri – até que leva um pito do deputado e resolve parar , o tal protótipo de pensador constrange a mesa e visivelmente provoca os mais primitivos instintos de Ciro – e como bufava o político cearense, não acreditando que aquilo tudo que ouvia era de verdade... –, tamanha a quantidade de bobagens e, repita-se, de ideias (mal) feitas e (bem) ocas despejadas por alguém que parece não saber o que diz e que parou no tempo. 

Sim, a cria neoliberal parece não cansar (e não se envergonhar) de propalar um discurso démodé, disforme da realidade e sem se ater minimante aos fatos e aos dados. E, ainda pior, sem quaisquer propostas, pois "todas" se resumem no vazio genérico do Estado mau (!), da Administração inchada (?) e do paraíso estadunidense (!?).

Ao cabo, mesmo sem peixeira, vê-se Ciro só usar das palavras (e dos fatos, e das ciências sociais, jurídicas e econômicas) para desbagoar o aprendiz de escoteiro-mirim, expondo-lhes as vísceras e o bucho, sem sarcasmo e sem cinismo.

Afinal, na verdade, o pequeno infante é só mais um destes sujeitos que dá pena, que criados e alimentados com toddynho pela grande mídia apenas fomentam ainda mais a nossa impaciência.

Já Ciro Gomes, por sua vez, é um desses político-intelectuais cujas virtudes fazem muita falta no cenário nacional.

Inclusive a de não ter paciência com este tipo de gente.


Proibidas para menores, as cenas a seguir contêm sangue, violência e forte conteúdo apelativo


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

# café no bule


fds Não obstante as múltiplas bulas invariavelmente expostas, à sombra da mangueira imortal, ao longo destes anos, agora, neste período pré-segundo turno, receitaremos, muito brevemente e de modo a tornar ainda mais didática a incomparável comparação entre o que foram os oito anos do Governo Fernando Henrique/PSDB e o que são os oito anos do Governo Lula/PT, sobre seis temas tão caros ao nosso país: EDUCAÇÃO, SAÚDE, ECONOMIA&FINANÇAS, POLÍTICA EXTERNA, MISÉRIA&RENDA e DEMOCRACIA.
fds Com elas, deixaremos bem claro ambos os projetos: de "retrocesso", com a direita oligarco-neoliberal de José Serra, e de "progresso", com a força centro-esquerda de Dilma Roussef.
fds Insiste-se: não são pessoas; pelo contrário, são propostas, são modelos, são caminhos para o Brasil que se constroi e que se mostram absolutamente distintos.
fds "A partir de certo ponto não há mais qualquer possibilidade de retorno; esse é o ponto que devemos alcançar” (F. Kafka)

 
fds

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

# cadeira elétrica


fdfdsParte da grande mídia nacional esconde o que politicamente se passa no Chile, ao dizer que a direita volta ao poder depois de quase 40 anos.
fdfdsMentira! Ou os militares que deram o golpe contra o Governo de Salvador Allende não estavam a serviço da direita, dos conservadores e das elites nativas (e dos interesses político-econômicos estadunidenses)?
fdfdsE diante disso, desde a deposição de Pinochet, só se vão 19 anos.
fds
-- x --
fds
fdfdsA derrota da ortodoxa e bonitinha centro-esquerda chilena -- aqui já comentada -- para a eleição do ultraconservador candidato da direita nativa mostra, mais uma vez, que a ilusão neoliberal na região ainda não teve fim, mantendo-se (quase) viva lá, na Colômbia e no México, afora outras colônias norte-americanas do Caribe.
fdfdsNo caso específico, a falsa ideia pregada pelo liberais que, depois dos militares, creem noutro tipo de líder: o empresário (supostamente e sabe-se lá em que circunstâncias éticas e morais) bem sucedido.
fdfds“Se deu certo dirigindo suas empresas, vai dar certo no Estado” -- eis o mantra da direita quando prega um sistema sócio-político-econômico libertinário. Desta cantilena sobressai a proposta de um Estado que funcione conforme o custo-beneficio, o que significa cortar recursos para financiar políticas sociais e de infraestrutura e para investir em servidores e serviços públicos. Daí o sucateamento do Estado, as privatizações, a mercantilização das relações sociais.
fdfdsPor aqui são os demo-tucanos que adoram esse modelo, tão nefasto para a sociedade e o Estado e tão próspero para a manutenção e concentração do poder e do capital.
fdfdsChoque de gestão? Nada disso.
fdfdsDe choque mesmo, só a certa sensação de que o povo esfalecerá, como se numa cadeira elétrica.

 

segunda-feira, 13 de abril de 2009

# vou deitar e rolar


fdsfdsfdsAntes da crise ter eclodido -- a crise que rói o corroído modelo capitalista vigente, sublinhe-se --, alguns idiotas de plantão a minha volta, sentados cada qual em seu barril, insistiam, cheios de soberba e graça, em vir com zombarias para o meu lado.
fdsfdsfdsSim, fingiam ou imaginavam que tudo aquilo que tentávamos falar e lhes explicar sobre o "neoliberalismo" e a sociedade "pós-moderna" era bobagem, coisa de socialista ou papo de gente da Academia.
fdsfdsfdsLembre-se amigo leitor, estes amigos não tinham a sede do diálogo e do discurso crítico apresentado por aquele avestruz, que na sua humildade se interessava em aprender e escutar (v. aqui).
fdsfdsfdsBem, eis que agora -- e desde o final do ano passado, quando o mundo viu que as veredas pelas quais os sistemas econômicos nacionais seguiam era burra, ineficaz e imoral --, estes senhores, em especial os mais apequenados nas suas coisas pequeno-burguesas, em todas as oportunidades que temos para nos encontrar, tergiversam e falam de tudo.
fdsfdsfdsDe quase tudo, pois não ousam tocar em assuntos de macropolítica, macroeconomia e macro-qualquer-coisa, dignificando-se a ficarem, ainda que corados, só falando de futebol, fofocas, frutas e fêmeas, como se esquecidos daqueles mais recentes tempos em que era cômodo (e fácil, legal e da moda) zombar de um insistente crítico do neoliberalismo.
fdsfdsfdsE hoje, perante estes amigos (ou não), fico eu como naquela inesquecível música de Baden Powell e Paulo Cesar Pinheiro, consagrada na voz de Elis:

 
fdsfdsfdsfds
fdsfdsfds Não venha querer se consolar / Que agora não dá mais pé / Nem nunca mais vai dar
fdsfdsfds Também, quem mandou se levantar? / Quem levantou pra sair / Perde o lugar
fdsfdsfds E agora, cadê teu novo amor? / Cadê, que ele nunca funcionou? / Cadê, que ele nada resolveu?fdsfdsfds
fdsfdsfds Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu
fdsfdsfds Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu
fdsfdsfds
fdsfdsfds Você já entrou na de voltar / Agora fica na tua / Que é melhor ficar
fdsfdsfds Porque vai ser fogo me aturar / Quem cai na chuva / Só tem que se molhar
fdsfdsfds E agora cadê, cadê você? / Cadê que eu não vejo mais, cadê? / Pois é, quem te viu e quem te vê
fdsfdsfds
fdsfdsfds Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu
fdsfdsfds Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu



fdsfdsfdsfds

quarta-feira, 11 de março de 2009

# óbvio ululante


fdsfdsMatéria da revista inglesa "The Economist" publicada na semana passada reconhece o equívoco de um dos principais pilares do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB): a venda indiscriminada de empresas e bancos estatais.
 
fdsfdsA reportagem se refere à manutenção da gestão estatal, por parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), instituições financeiras líderes de empréstimos para empresas e que FHC tentou, sem sucesso, privatizar.
 
fdsfdsNo texto, a publicação ainda afirma que até há pouco tempo no Brasil se acreditava que um dos fatores prejudiciais à economia brasileira seria a influência estatal no setor financeiro. Segundo a revista, entretanto, esse controle estatal é o que dá hoje ao País uma situação favorável perante os demais países e, diante da crise mundial, confere uma “situação favorável incomum ao Brasil".

fdsfdsÉ óbvio que a mídia golpista não noticiará isso; porém, ainda mais óbvio era essa verdade, antes tida como "verdade absoluta" pelos prosélitos do neoliberalismo: as consequências desastrosas da privatização de empresas de minerais, energia e de telecomunicações no governo FHC. (v. aqui)


 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

# o futuro do presente da crise (ou, "rumos e verdades")



Com a participação de intelectuais, em sua maior parte pertencente às ciências econômicas, das mais diversas partes do mundo -- Brasil, China, Rússia, Argentina, Venezuela, Equador, México, EUA, Inglaterra, Itália e Alemanha --, o Governo do Estado do Paraná está a promover, desde ontem, o excelente seminário internacional "Crise - Rumos & Verdades" -- o qual, certamente, não merecerá a melhor (ou, talvez, a menor) cobertura da podre mídia golpista nacional --, com o fim de debater, elucidar e abrir os olhos para os verdadeiros rumos e causas da presente crise, a maior crise da história do capitalismo e que definitivamente afunda o neoliberalismo (v. aqui a programação completa do Seminário).