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quarta-feira, 11 de junho de 2014

# malígrina


Depois de 2006 jurei nunca mais fazer juras de amor pelo futebol da seleção canarinho.

Aquele escrete  circense, negligente, fanfarrão e desidioso  formou as nossas "chuteiras apátridas", que provocaram traumas, ódio e lições (v. aqui).

Passou 2010 como se jamais houvesse acontecido, a ficar esquecido no tempo como ficou aquele 1990.

E cá estamos na Copa do Mundo no Brasil.

Entre tantos desgostos, misturada a tanta contrariedade e temperada com muito dissabor, aqui estamos na nossa Copa do Mundo.

Sim, vingaremos 50.

Vingaremos cada Barbosa, Ademir, Friaça, Zizinho e Jair, chuteiras da nossa pátria de 64 anos atrás; e vingaremos o nosso povo, os nossos tantos avôs que choraram aquela guerra perdida, como muito bem aqui já se escreveu. 


Cada minuto sangrado, cada lágrima largada, cada coração partido por aquela derrota será devidamente vingado agora, ao vivo e a cores.

E disso não tenho dúvidas.

Não só pelo que ocorrerá dentro das quatro linhas, mas pelo clima de festa e guerra, ideias antagônicas que bem devem preparar e temperar uma Copa do Mundo em casa e que parecem pairar no ar.

Salve, a seleção!


sexta-feira, 25 de junho de 2010

# nuestra américa


 
fdsQue maravilha seria se nuestros hermanos conseguissem avançar e chegar conosco (?) nas semifinais desta Copa do Mundo... Uruguai x Brasil de um lado, Argentina x Paraguai de outro.
fdsE isso é lógica e desportivamente possível, diante dos cruzamentos e dos confrontos previstos. E, quem sabe então, termos na final o maior clássico futebolístico do planeta.
fds

sexta-feira, 11 de junho de 2010

# chuteiras nacionais & chutes universais


fdsA primeira imagem que tenho de Copa do Mundo é a de 82, com 5 anos, a minha mais antiga Casa repleta de amigos, familiares, fogos e orgulho, e eu a vestir a camisa amarelinha, sem marca, sem patrocínio, com apenas o antigo símbolo da CBF à frente e o número 8 às costas, bordado com zelo por minha mãe como homenagem ao meu grande ídolo da época -- cuja idolatria, diga-se, não durou mais que os meus dentes-de-leite.
fdsDesde então, sempre acompanhei com emoção e devoção a todos os jogos do nosso escrete. O meu mundo parava, literalmente.
fdsForam lágrimas de alegria e tristeza, sentimentos de amor e ódio que despertavam a cada hino nacional, a cada grito ou lamento de gol, a cada final de 90 ou 120 minutos, a cada disputa de pênaltis.
fdsIsso tudo até a última partida de 2006.
fdsEssa derradeira Copa foi, para mim, o grande "corte epistemológico" do meu jeito de ver e torcer pela seleção brasileira de futebol, nosso patrimônio cultural.
fdsO time daquele ano representou o que chamei de "as chuteiras apátridas" (v. aqui), tamanho o desleixo, o descomprometimento, o descaráter e a desídia com que se prepararam e se empenharam para os jogos. Restava claro que o Brasil estava neles, mas eles nem aí estavam para o Brasil.
fdsE foi desse mundial em diante que resolvi não mais me dar ao luxo de vibrar e me emocionar com a nossa seleção.
fdsEssa Copa de 2010, portanto, será vista e acompanhada com os críticos e líricos olhos de quem ama o esporte, mas que deixou de amar a seleção nacional.
fdsNão se trata de torcer contra. Mas, apenas, de não torcer -- bem, pelo menos até 2014.
fds
j
---- xx ----
fds
fdsTecnicamente, não acredito em grandes surpresas: será (quase) a mesma velha turma de sempre que avançará no início dessa Copa.
fdsNa fase de grupos, aposto algumas fichas no Uruguai (no mais equilibrado grupo) e Paraguai classificados, na Sérvia à frente da Alemanha, na Costa do Marfim no lugar de Portugal (uma tristeza...) e na Inglaterra, Holanda e Espanha passando por cima dos seus respectivos (e fracos) adversários. Dos africanos, Camarões também avança; do novo mundo da bola, os sul-coreanos e os yankees. Franceses, italianos e brasileiros, sem arte e sem brilho, classificar-se-ão nos seus grupos. E, para fechar os palpites, os suíços garantem a última vaga.
fdsNas oitavas, pelos embates previstos, passam os melhores ou os clássicos, sem zebras.
fdsA seguir, já nas quartas-de-final, a Inglaterra despacha a França, num soporífero jogo, a Argentina supera a ajeitada Sérvia, a Espanha esmaga a irritante Itália e a Holanda passa pelo esforçado (e melancólico) Brasil.
fdsPara a decisão, Holanda de um lado e... bem, na outra semifinal, Argentina e Espanha prometem o maior espetáculo da Terra. Um jogo que se terminar 7 a 7 não parecerá mentira, e do qual sairá a campeã ou a tricampeã mundial.
fdsSim, são os deuses do futebol que me asseguram...
fds

segunda-feira, 3 de maio de 2010

# picadeiro


Se Paulo Henrique Ganso insiste em mostrar classe, competência e maturidade, Neymar gosta de abusar do showbusiness, do marketing e do merchandising.
 
Para o primeiro, uma técnica espetacular, uma postura tática incrível e uma liderança, uma humildade e uma inteligência invejáveis; para o segundo, a entrada em campo midiática (com direito a um óculos promocional, ao pior estilo Ronaldinho), as lágrimas crocodilianas e as declarações impertinentes e estúpidas.

Porém, ambos se completam, como raras as vezes se viu.

Um o arco, o outro a flecha.

Um pensa, outro extravasa; um a razão, o outro a emoção.

Um é o mágico, o outro o palhaço.

E de ambos o circo vive, e é dependente, para alegria do grande público.

Por isso, é uma daquelas duplas para entrar na história, e na história que já começará em junho, na África do Sul. Sim, ambos merecem (e devem) estar na Copa.

Como titulares, inclusive.
fds

 

domingo, 18 de abril de 2010

# tecnécio


fdsNesta onda de véspera de Copa do Mundo, quando todo mundo que gosta de futebol quer ser técnico -- artificial, radioativo e denso --, não nos furtamos a indicar o escrete que levaríamos para a África do Sul, cuja lista é um pouco diferente daquela do Dunga (entre parênteses as alternativas que acredito serem levadas pelo treinador):
fdsGoleiros: (1) Júlio César, (12) Victor e (22) Marcos.
fdsLaterais: (2) Maicon, (6) Daniel Alves e (15) Michel Bastos.
fdsZagueiros: (3) Lúcio, (4) Juan, (13) Thiago Silva e (14) Alex.
fdsVolantes: (5) Gilberto Silva, (8) Hernanes (Kleberson), (16) Felipe Melo e (17) Lucas.
fdsMeias: (10) Kaká, (11) P.H.Ganso (Julio Baptista), (18) Elano e (19) Paulo Baier (Ramires).
fdsAtacantes: (7) Neymar (Gilberto), (9) Luís Fabiano, (20) Adriano, (21) Nilmar e (23) Robinho.
fds
fdsExplicações:
fds- O terceiro goleiro nem de rachão participa; logo, só serve para fazer parte do grupo. E, por isso, tem que ser um cara boa praça, com experiência e com moral para por ordem nas coisas.
fds- Para que levar dois laterais esquerdos se não temos nem um? Convoque-se só um, e abra-se uma vaga para o ataque (no caso para o Neymar). Solução? Coloca-se o Daniel Alves na esquerda (lembremos que os grandes Nilton Santos e Leovegildo Junior eram destros e sempre jogaram na esquerda) e leva o Gilberto, por exclusão (e por ter experiência em Copa, saber jogar no meio etc.).
fds- Hernanes (no São Paulo) está em muita melhor fase que Kleberson.
fds- Para que levar quatro volantes brucutus? Leve-se só três...
fds- Julio Baptista é médio. E médio não adianta e não resolve. Leve-se um cara diferente e que pode mudar um jogo (Ganso).
fds- Adriano tem que ir. Precisamos de um atacante com este perfil, para um jogo apertado e que exija pressão, chuveirinho etc. Ou ele, ou Washington, Hulk, Grafite, Ronaldo...
fds- Paulo Baier? Ora, o melhor jogador do meu time tem que ser convocado. Além do que, é experiente, é um dois melhores meia-armadores que tem no futebol brasileiro e ninguém aqui bate faltas e escanteios como ele...
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fdsPaulo Victor (86); Edson (86), Anderson Polga (02), Gonçalves (98), Ronaldão (94) e Junior (02); Doriva (98), Vampeta (02) e Tita (90); Paulo Sergio (94) e Luizão (02).
fdsSe você achou bizarro algumas das "peças" a serem convocadas pelo Dunga, pode crer: entre 1986 e 2006, a turma acima também já representou o Brasil em Copa do Mundo.
fdsP.S. Diante deste nightmare team, o técnico bem que poderia ser o Sebastião Lazaroni, a ser formado naquela sua ideia muito mal pensada e esquematizada de três zagueiros.fds


 

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

# punhal & garfo

--- x ---
fdsOs últimos -- embora, nesta área, sejam os de sempre -- acontecimentos no mundo do futebol já não mais deixavam dúvidas acerca da imperiosa necessidade de se ter um verdadeiro "quarto árbitro", disposto em campo com um monitor que o permita, mediante os recursos tecnológicos que a televisão dispõe, interferir nos (in)vulgares erros dos trios de arbitragem que percorrem o esporte em todo o planeta.
fdsAgora, o que o mundo viu -- à exceção do árbitro e dos seus auxiliares -- no decisivo jogo de qualificação à Copa do Mundo de 2010, entre França e Irlanda, foi definitivo para que doravante assim a FIFA passa a exigir, ao menos nos torneios internacionais oficiais e nos campeonatos nacionais de primeira divisão.
fdsO bizarro erro da arbitragem, que validou o grotesco gol classificatório da França no final do primeiro tempo da prorrogação, deu cabo a 4 (quatro!) anos de intensa preparação por parte da seleção irlanadesa. Repita-se: o tosco gol, todo preparado com a mão esquerda do atacante francês, jogou no lixo 4 (quatro!) anos de jogos, treinos, viagens etc. aos quais a Irlanda se submeteu em toda essa pré-qualificação à Copa.
fdsInsistir nisso tudo como está, com todos à mercê dos bons&maus olhos humanos é, no mínimo, querer lavar as sujas mãos para deixar que os grandes e mais poderosos sejam (sempre) beneficiados por inescrupulosos arranjos que invariavelmente dependem do apito amigo.
fds

sábado, 10 de outubro de 2009

# onze canários


fdAinda repercutem as nossas bulas "reis & magos" (v. aqui) e "58 vs. 70" (v. aqui), à medida que muitos emails contestam, viajam, xingam, concordam, sugerem e, finalmente, pedem a minha seleção amarelinha.
fdNa linha do que lá se expôs, devo indicar uma que mistura o que vi, o que não vi e o que vivi, num esquema 3-2-5, a merecer um asterisco*.
fd"Ah, mas este time não marca...", vem sempre a voz dissonante.
fdE então me conte: quantos zagueiros, laterais e volantes o time adversário precisaria ter para marcar a minha linha de frente?
fdAdemais, estamos a falar da Seleção Brasileira de Futebol, genial, brilhante e atacante, que não pode se limitar a conformação táticas e ideias defensivas.
fdEi-la:
fd(1) Gilmar dos Santos Neves;
fd(2) Djalma Santos, (3) Lúcio* e (6) Nilton Santos;
fd(4) Didi e (5) Gérson;
fd(7) Garrincha, (8) Ronaldo, (9) Romário, (10) Pelé e (11) Rivelino.
fdO treinador... João Saldanha.
 
fd* Além do Brasil não ser pródigo em mostrar unânimes zagueiros - os tempos de Domingos da Guia não podem contar -, o fato dele ser o único beque da nossa história que terá 3 Copas do Mundo como titular absoluto (2002, 2006 e 2010) deve pesar.


 
fds

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

# 58 vs. 70

fds Diante dos diversos emails que recebi e que comentaram a nossa bula "reis & magos" (v. aqui), podemos mesmo, num talvez pedante e leviano exercício comparativo, indicar a melhor seleção nacional de futebol da história?
fds Bem, já partamos das seguintes premissas, objetivas: as seleções que não venceram as respectivas Copas não merecem o título -- assim, a Hungria de 54, o Brasil de 50 e 82, as Holandas de 74-78 e a França de 82 estão fora -- e, tampouco, as seleções que não a disputaram, razão pela qual a Argentina da década de 40 -- considerada imbatível em tantos trabalhos jornalísticos que estudaram o futebol na época da Segunda Guerra -- também está eliminada.
fds Sob o aspecto subjetivo, como tivemos algumas seleções campeãs mundiais absolutamente esquecíveis (Uruguai de 30, Itália de 82 e 06, Alemanha de 90 e Brasil de 94), outras pouco empolgantes (Uruguai de 50, Argentina de 78 e França de 98) e outras pouco brilhantes (Inglaterra de 66 e Brasil de 02 ), restariam as Itálias de 34-38, o Brasil de 58, 62 e 70, a Alemanha de 54 e 74 e a Argentina de 86.
fds Bem, agora desclassifiquemos a Itália bicampeã mundial -- pois pouco se tem de concreto sobre ela, além do fato de, à época, o futebol ainda ser meio lúdico... --, ambas as Alemanhas -- já que, embora formada por estupendos craques (Fritz Walter, Rahn, Beckenbauer, Gerd Muller, Sepp Maier, Overath) e tenham, nas respectivas decisões, vencido duas máquinas de jogar futebol, a Hungria (54) e a Holanda (74), convenhamos que o futebol alemão nunca foi de se empolgar muito -- e a Argentina de 86 -- afinal, está aqui, neste rol, só por causa de Maradona, no seu espetacular auge.
fds Pronto. Sem qualquer (qualquer?) patriotismo ou exacerbado nacionalismo restam as seleções brasileiras de 58, 62 e 70. Eliminemos a segunda, pois era quase cópia da primeira, sem Pelé em sua boa parte, e ficamos com o Brasil de 58 vs. o Brasil de 70. E agora?
fds Talvez a maneira menos injusta de comparação seja fazê-la por posição, um a um, ainda que sobrem contestações sobre a real figura tática de cada jogador. Vamos lá:
fds 1. Goleiro: sem dúvida, Gilmar (58) era muito superior a Félix, o qual, embora realizador de alguns milagres em 70, costumava vacilar.
fds 2. Lateral direito: Djalma Santos, apesar de ter participado apenas da final -- pois ficou na reserva em todos os demais jogos --, foi titularíssimo dali em diante (e por mais duas Copas!) e Carlos Alberto foram os maiores do mundo na posição. Mas Djalma ganha por meio palmo.
fds 3. Beque central: Bellini e Brito. Ambos eram muito parecidos, mais voluntariosos que habilidosos, embora muito competentes. Bellini foi capitão de fato -- embora Brito também o fosse, mas sem braçadeira -- e tecnicamente melhor.
fds 4. Quarto zagueiro: Orlando e Piazza. Apesar deste ter muito mais classe que aquele, jogava fora de posição e não foi tão bem. Empate.
fds 6. Lateral esquerdo: Nilton Santos. Indiscutível e incomparável.
fds 5. Centro-médio: Zito e Clodoaldo. Apesar de excelente, Clodoaldo não era tão leão, tão tático e tão líder quanto Zito.
fds 8. Armador: Didi e Gerson. Ambos os comandantes dos dois times, ambos compositores impecáveis da bola, ambos modernos e artistas. Tem dias que acho que Didi foi melhor, noutros Gerson. Preferia ter os dois. Não dá? Não sei.
fds 10. Ponta-de-lança: Pelé em ambas. Numa, citius; noutra, fortius. Na primeira, genial; na segunda, gênio. Empate.
fds 7. Ponta-direita: Garrincha e Jairzinho. Apesar de Jairzinho ter sido um dos melhores jogadores da Copa de 70, Mané só vinha atrás de Pelé.
fds 9. Centroavante: Vavá e Tostão. Em 70, o craque Tostão jogou fora da sua posição real (ponta-de-lança), enquanto Vavá foi o matador, o artilheiro e o homem de referência na área. Foi inapelável quando o assunto era fazer gol. Empate, por justiça, embora preferisse o mineiro.
fds 11. Ponta-Esquerda: Zagalo e Rivelino. Aquele era meio europeu, muito obediente taticamente e pouco criativo. Riva foi mais brasileiro, menos obediente e muito mais brilhante.
fds Portanto, salvo na ponta-esquerda, em nenhuma outra posição o escrete de 70 supera a Seleção Brasileira de 58.
fdsfAo menos para mim, a melhor seleção de todos os tempos é a do Brasil de 1958.
fds

quarta-feira, 5 de julho de 2006

# razzies

 
Dentre tantas bobagens que os estadunidenses promovem, há o troféu "Razzies" - ou, na versão tupiniquim, "Framboesas de Ouro" -, que anualmente premia os piores no mundo do cinema.
 
E, assim, como essa Copa traz tantas más impressões e tantas más apresentações, nada tão justo como fazer, de um a onze, a lista dos que mais decepcionaram, prejudicaram ou não apareceram nos jogos de suas seleções. Ei-la:
 
Kahn (deu medo); Cafú (deu ódio), Pujol (deu amarelão), Gamarra (deu pena) e R. Carlos (deu nojo); Émerson (deu cãibra), Lampard (deu sono) e Ronaldinho (deus do marketing e da mídia); Pauleta (deu raiva), Rooney (só deu confusão) e Van Nistelrooy (não deu em nada).
 
Técnico? Parreira, claro.
 

domingo, 2 de julho de 2006

# as chuteiras apátridas


Formada por uma quase integridade de atletas que vivem já bastante distantes do mundo brasileiro, o escrete verde-e-amarelo já consolidava um significativo (mal) presságio, pois a essa distância da realidade nacional assomava-se o fato de sermos uma nação repleta de “homens cordiais”, em sua maioria pacatos, silenciosos e inertes, dentre os quais aqueles onze homens não poderiam esconder qualquer segredo diferente.

E foi isso mesmo que aconteceu.

Estrelas do show businnes global, astros do merchandising internacional e popstars do faz-de-conta mundial, a preocupação de cada um apenas com a vida própria e de seus familiares justifica-se plenamente, nos mesmos moldes em que é (pretensamente) justificado o individualismo egocêntrico do regime anti-social vigente em quase todo o resto da Terra.

Toda essa maldita realidade – a misturar a “cordialidade” do selecionador com os seus comandados, a “inércia” de quatro futebolistas em linha a olhar o gol adversário e, novamente, de um parvo gestor de talentos (sic) cagado e mumificado perante a realidade campal, o "egocentrismo" de um pseudocapitão na busca de recordes pessoais, e, finalmente, o “espírito do capitalismo” simbolizado em uma faixa na cabeça do mercadológico melhor do mundo (mas, na verdade, uma rara espécie de homem-foca do Cirque de Soleil) –, apenas fora ratificada, talvez em definitivo, naquele estádio alemão.

No estágio e, principalmente, no formato atual de globalização, talvez seja hora de rever a política de destacamento de atletas nacionais para a disputa de competições deste porte, afinal, os pensamentos, as motivações e as necessidades estampadas no cotidiano e nas atitudes de cada um daqueles homens em (quase) nada representava esta terra brasilis, pois a sua maioria era formada por cidadãos que não buscavam mais nada no futebol ou no reconhecimento pela terra-mãe.

Não há nenhum misticismo, nenhuma teoria conspiratória, nenhum pacto diabólico ou mesmo nenhuma enfermidade físico-psíquica coletiva que pretendam justificar o vexame deste final de semana, pois o que houve apenas está a representar o mero produto cartesiano do sistema que rege as relações humanas atuais.

Não se tenham devaneadoras dúvidas: o que está em jogo é muito mais que uma partida que pára o Brasil, e muito menos que uma vil partida que possa macular cabeça, tronco e membros destes atletas-propaganda.

Embora não assente na mente sapiente de poucos milhares de cidadãos instruídos – ainda que a emoção às vezes suplante a razão –, machuca saber que em milhões de pessoas a tristeza e o desespero de ver desonrada as cores da bandeira em um campo de futebol sobressaia à tristeza e ao desespero de ver diuturnamente maculada as cores nacionais no campo da política, com a falta de democracia econômica e a desigualdade humana; porém, tratar com descaso e desídia um jogo que para a maioria de nossa gente é o único momento de retificação social – em cujo quadriênio aponta para um carnaval de trinta dias e para uma temporária unificação nacional –, é o maior e mais epidêmico dos males.

Agora, resta acreditar que aos poucos a nossa civilização desprende-se deste fúteis laços e fita-se de modo mais realista e importante nas verdadeiras questões nacionais, bem diferente da não observada nesta Copa do Mundo.

Enfim, deve-se abrir e roçar os olhos para enxergar o que realmente apareceu neste último sábado, pois o que se viu não foi uma “pátria de chuteiras”.

Viu-se, simplesmente, um amontoado de chuteiras multinacionais, sem pátria, sem corpo e com a alma alugada.