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terça-feira, 19 de abril de 2016

# radio magallanes



“Nós estamos no início da luta. Ela será longa e demorada (...) É uma luta de todos os brasileiro, uma luta pela democracia".

Assim Dilma Rousseff se pronunciou, muito claramente, na entrevista coletiva desta segunda-feira, com a dignidade da resistência (v. aqui).

E por isso o desespero reinante da chusma que, primeiro, pensava que a votação de domingo seria definitiva e significaria o último dia do mandato da Presidente – ah, essa ignorância... –, depois, porque tinha uma “certeza absoluta” de que ela tinha que renunciar – ah, essa lógica...

Não para minha surpresa, ao meu redor a malta desde cedo vociferava, com invejável autoconfiança no que exclamava: “Ela tinha que renunciar... mas é muito orgulhosa e por isso não vai!”.

Sim, eis a convicção bem-cheirosa para explicar o fato de que a Presidente vai enfrentar os golpistas e não irá fugir: ela é "orgulhosa".

Confundem, talvez por serem conceitos bem distintos aos que praticam, coragem com orgulho, confundem a busca por justiça com a covardia já cômoda de se submeter aos ditames de uma matilha coordenada por Eduardo Cunha.

Ora, neste contexto, o ato da não-renúncia é heroico porque, simplesmente, se distancia do ambiente da porta dos fundos.

Nos anos 70, num mesmo quadro de fatos, Salvador Allende, resistindo ao golpe no Chile, de dentro do “Palacio de la Moneda” já alvo de bombardeio pelos militares, pronunciou um dos mais célebres discursos da História, por meio de uma rádio comunitária, a Radio Magallanes (v. aqui).

O centro do seu discurso, que impactou o sonho socialista de milhões de latino-americanos?

O ato de não renunciar, em nome do povo chileno que democraticamente o elegeu.

Eis o início da sua fala, e percebam o tom sereno, forte e incrivelmente inabalável das palavras deste gigante líder latino-americano, concomitantemente aos aviões que já sobrevoavam e minutos antes da invasão ao palácio e da sua morte como desfecho do golpe:

“Seguramente ésta es la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de radio Portales y radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron... Ante estos hechos, sólo me cabe decirle a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar!

Já agora, neste dia seguinte à "derrota" na Câmara, Dilma nos deu o ânimo e mais uma vez o exemplo de coragem necessários e suficientes, os quais servirão como munição para, no dia a dia deste infausto processo de impeachment, enfrentarmos os batalhões e os seus canhões.

E não, não fugiremos não deste chamado da História.


"(...) víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas, esperando con mano ajena
reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios".



sexta-feira, 11 de setembro de 2015

# a derrubada de uma torre



Hoje ainda se fala muito da derrubada das torres gêmeas.

Entretanto, o que talvez mais se deva lamentar é aquele 11 de setembro de 1973, quando foi derrubada uma outra (e muito maior) "torre".

Nesta data, a direita chilena, em conluio com o Governo dos EUA e o apoio das ditaduras  sul-americanas, deu o Golpe e acabou com a democracia no Chile.

E esta tropa toda invadiu o Palácio de La Moneda, assassinou o presidente eleito Salvador Allende e acabou com um dos mais democraticamente revolucionários mandatos populares já existentes no mundo, no qual se desenvolvia um outro modelo, assente numa imaginação institucional alternativa, com raízes socialistas de Estado e de gestão pública e que repensava, para transformar, as relações de capital e de trabalho.

Em suma, o Chile, pelas mãos de Allende e o imaginário coletivo do povo, edificava um socialismo fundado em paz, democracia, pluralismo e liberdade, como assim descreveu Darcy Ribeiro, em carta publicada após o massacre golpista (v. aqui).

À sombra da mangueira imortal já nos pronunciamos sobre o fato, um dos mais tristes e lastimosos para todos aqueles que creem numa outra sociedade: justa, livre, igualitária e fraterna (v. aqui e aqui).

Ouçam, aqui, o último e arrepiante pronunciamento de Allende -- percebam a voz, a  serena, forte e inabalável voz de um dos maiores líderes latino-americanos --, feito ao vivo à "Rádio Magallanes" da capital Santiago, concomitante aos bombardeios e minutos antes da invasão como desfecho do golpe.

É, simplesmente, um dos maiores discursos da História.


A derrubada de uma Torre, tijolo a tijolo num desenho trágico.




quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

# bastantes meias palavras


Dentre tantos com outras colocações, provocações, cumprimentos ou tergiversações em relação às nossas últimas bulas, diversos emails questionam-me sobre três pontos, já de pronto respondidos:

- Por que defender a "Comissão da Verdade"?

Ora, pelo simples fato de o Estado brasileiro, atrasado, ter uma dívida histórica com a sociedade brasileira e já ser o único país na América que se recusou, até hoje, a processar e julgar os criminosos que atuaram em defesa da ditadura (v. aqui).

- A vitória da direita no Chile pode indicar que Lula terá dificuldade para transferir votos para Dilma, como aconteceu com Bachelet e Frei?

Não! Absolutamente.

A composição centro-esquerda chilena, desde o fim de Pinochet, a cada nova gestão vinha se mostrando mais de centro que de esquerda.

Estagnavam-se as mudanças sociais, as políticas públicas de infraestrutura e os projetos de inclusão e redistribuição de renda.

A população cansou.

O povo cansou. E queria mudanças, quaisquer que fossem elas (tanto é que o candidato governista quase nem alcança o segundo turno). E infelizmente pagará o preço por isso, pois, muito pior que a estagnação, é o retrocesso político-social de um Estado.

Já no Brasil o cenário é completamente outro.

É só o tempo do povo saber quem é Dilma e que ela é a candidata de Lula.

E a vitória é certa, inclusive porque a grande alternativa é o Serra e porque a grande mídia nunca mais conseguirá repetir o fenômeno Fernando Collor.

- Por que esse papo de direita e esquerda, se dizem não mais ter isso?

Não?!

Ora, hipocrisia beata que apenas advém e se sustenta, adivinhem... na própria direita, por parte dos conservadores e reacionários de plantão, que hoje dizem ser tudo a mesma coisa e tudo igual, crentes no "pensamento único" e no "fim da história", posição de extrema conveniência e que apenas visa à manutenção do status quo.

Ora, são notórias as diferenças de ambos os lados e vontades, de ambos os pensamentos e doutrinas e de ambos os objetivos sociais, econômicos e políticos, que fazem sobrepor a solidariedade social ao "darwinismo social", o Estado protetor ao "Estado predador" e o interesse público ao "interesse privado" (v. aqui).



 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

# chile: a esquerda paga o pato e o povo fica com o mico


E o Chile hein, quem diria, mostrou-se saudoso dos tempos de ditadura militar ou do mercado.

Após quase vinte anos de candidatos da "Concertación" -- uma coalização de partidos, a princípio, de centro-esquerda --, dois dos quais presididos por socialistas chilenos, desembocam, provavelmente, em um fracasso e na devolução do governo ao (neo)pinochetismo, sem ter rompido com o modelo econômico e sem ter conseguido desarticular a direita originária da ditadura militar.

O Chile, exibido pelas oligopolistas mídias nacionais e pelas instituições financeiras internacionais como o modelo supostamente bem logrado de implementação das políticas de "livre" mercado, volta às mãos dos que a formularam e a implementaram durante a ditadura pinochetista.

E assim, na contramão da América Latina (e de quase todo o mundo), tem tudo para retroagir e eleger no segundo turno o mais (i)legítimo representante do grande capital e da escola pinochetiana, para delírio da grande mídia nativa, dos conservadores latinoamericanos e de toda a direita que espia assustada o irretornável caminho dos progressistas governos da região.

Em suma, a esquerda chilena paga o preço das políticas do "Concertación", cujo grupo político aceitou inerte o antes fracassado -- e hoje retrógrado -- modelo neoliberal e, porquanto incapaz de mudar a vida dos grandes setores pobres do país, não conseguiu o apoio popular.

O Chile, infelizmente, dará vários passos para trás.

E sem ao menos parecer que serão para tomar o necessário impulso revolucionário.


 

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

# se outrora...


Claro que Manuel Zelaya não é alguém capaz de, minimamente, se comparar a Salvador Allende, a gigante torre chilena que sofreu um dos mais trágicos golpes da nuestra América Latina, um golpe que buscou acabar com o governo socialista -- o primeiro marxista na América do Sul -- que, pelo retumbante sucesso -- não obstante as enormes dificuldades --, já (re)contaminava todo um continente.

Porém, ao ver o que se passa em Honduras, a lembrança, amarga e memorável, daquele 11 de setembro de 1973 é inevitável -- como aqui já nos manifestamos. Intervenções externas para o bem -- como as diretamente impetradas pelo Brasil e pelos organismos internacionais --, felizmente não deixam mais a desgraça daquela história se repetir.

E assim, com os vídeos abaixo, você poderá ter uma noção do que poderia, se noutra época, ter ocorrido em Honduras.

Mostram o último pronunciamento de Salvador Allende, ao vivo para a Radio Magallanes, a poucos instantes da sua morte, de dentro do Palacio de La Moneda, o qual já era alvo de intensos bombardeios por parte dos golpistas (militares a mando da direita nativa e da CIA).

No discurso, Allende despedia-se do povo chileno e deixava as suas últimas lições para que não se deixasse de lutar por uma sociedade justa, igualitária e fraterna e um país soberano e livre.

 
fds
 
Seguramente ésta es la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de radio Portales y radio Corporación.
Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron... soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino que se ha auto designado, más el señor Mendoza, general rastrero... que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al gobierno, también se ha nominado director general de Carabineros.
Ante estos hechos, sólo me cabe decirle a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar!
Colocado en un trance histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos no podrá ser segada definitivamente.
Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen... ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.
Trabajadores de mi patria: Quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley y así lo hizo.
En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen la lección. El capital foráneo, el imperialismo, unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara Schneider y que reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas, esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.
Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros; a la obrera que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños.
Me dirijo a los profesionales de la patria, a los profesionales patriotas, a los que hace días estuvieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas que una sociedad capitalista da a unos pocos.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron, entregaron su alegría y su espíritu de lucha.
Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos... porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando la línea férrea, destruyendo los oleoductos y los gasoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de proceder: estaban comprometidos. La historia los juzgará.
Seguramente radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa, lo seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos, mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal a la lealtad de los trabajadores. El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.
 
Trabajadores de mi patria: tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición, pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición”.
 
 
 
 

domingo, 14 de dezembro de 2008

# o golpe no chile: uma trilogia única


Simplesmente espetacular, emocionante e arrepiante.

Neste final de semana concentrei-me em ficar mais de 7 horas à frente da tv para, enfim, assistir ao documentário tido por muitos -- e, doravante, por mim também -- como um dos melhores documentários políticos já realizados: "A Batalha do Chile", de Patrício Guzmán, concluído em 1979 após quase 10 anos de meticuloso trabalho.

Trata-se de um registro impecável, com uma análise absurdamente próxima e completa do que foram os quase 3 anos do governo de Salvador Allende como presidente do Chile, eleito pelo povo após a união de toda a esquerda chilena -- era a "Unidade Popular", com os partidos socialista e comunista, entre outros -- e que se traduziu no primeiro país do mundo a caminhar ao socialismo pela via democrática, já aqui entendida em sua mais ampla acepção -- e não apenas no "sufrágio universal" --, vez que atende aos verdadeiros interesses público e do povo, a exemplo do que hoje já acontece na Venezuela, na Bolívia, no Equador e, no prélio, no Paraguai.

Allende, com lealdade à Constituição e, maiormente, inteligência, amor, coragem e vontade, levou o Chile a transformações jamais vista em um país sul-americano, a cuidar de temas e problemas difíceis e complexos pelos quais todo o povo -- salvo as elites burguesa e política, claro... -- esperava já há 500 anos, adotando medidas inéditas para o lado de cá abaixo do Equador, em especial ligadas às nacionalizações dos recursos naturais (em especial o cobre), ao apoio irrestrito (mas, claro, condicional) ao processo de construção do "poder popular", com as ocupações de fábricas e latifúndios, e à construção da participação direta através de assembléias locais e regionais.

Porém, a insurreição da burguesia nacional e do capitalismo estadunidense -- raivosos desde a vitória de Allende nas urnas, em 1970 -- com múltiplas e cruéis ações de sabotagem, lideradas financeiramente pela CIA, politicamente pela mídia e postas em prática por um Congresso Nacional que tinha maioria conservadora e da direita, conseguiu, não obstante o esforço das classes populares, literalmente paralisar o Estado, levando ao Golpe Militar e à morte de Salvador Allende (v. aqui, como lembrança aos 35 anos da sua morte). Em suma, tudo muito parecido com o que aconteceu por aqui, no Golpe Militar de 64, com exceção ao fato de que João Goulart, ao contrário do que Allende fez e do que Leonel Brizola queria fazer, não resistiu e se acovardou.

Sobre o filme, especificamente, o cineasta foi além dos temas espetaculares, filmando desde assembléias de fábricas, passando por trabalhadores do campo, moradores de bairros construindo um abastecimento alternativo, até militantes de direita, as manifestações da burguesia nacional e os projetos de intervenção articulados pelos EUA. Mostra, enfim, a luta de um homem e de um povo para se livrar das amarras históricas e selvagens que, com toda a injustiça, relegavam à pobreza e à miséria toda uma explorada população, em espúrio privilégio de uma elite burguesa burra, arrogante e reacionária.

São 3 partes: o "Poder Popular", a "Insurreição da Burguesia" e o "Golpe de Estado", além de uma quarta parte, repleta de especiais, inclusive com um mini-documentário, de 1 hora, sobre as últimas horas de Salvador Allende dentro do Palácio de La Moneda (aqui um trailer).

E, como prévia, ouça, aqui, o último e arrepiante discurso de Allende, feito à "Rádio Magallanes", de Santiago do Chile, concomitante aos bombardeios e minutos antes da invasão promovidos pelos militares em nome da burguesia nacional e do capitalismo estadunidense. Outrossim, transcrevo-o aqui, para uma leitura reflexiva e contagiante que muito vale:fd

“Seguramente ésta es la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de radio Portales y radio Corporación.
Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron... soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino que se ha auto designado, más el señor Mendoza, general rastrero... que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al gobierno, también se ha nominado director general de Carabineros.
Ante estos hechos, sólo me cabe decirle a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar!
Colocado en un trance histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos no podrá ser segada definitivamente.
Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen... ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.
Trabajadores de mi patria: Quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley y así lo hizo.
En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen la lección.
El capital foráneo, el imperialismo, unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara Schneider y que reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas, esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir
defendiendo sus granjerías y sus privilegios.
Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros; a la obrera que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños.
Me dirijo a los profesionales de la patria, a los profesionales patriotas, a los que hace días estuvieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas que una sociedad capitalista da a unos pocos.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron, entregaron su alegría y su espíritu de lucha.
Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos... porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente en los atentados terroristas,
volando los puentes, cortando la línea férrea, destruyendo los oleoductos y los gasoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de proceder: estaban comprometidos. La historia los juzgará.
Seguramente radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa, lo seguirán oyendo.
Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos, mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal a la lealtad de los trabajadores. El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.
Trabajadores de mi patria: tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición, pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.
¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición”.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

# aspas (iii)



Na excelente revista virtual espanhola "Sin Permiso" (v. aqui), Luís Sepúlveda, escritor e professor chileno, ex-membro da guarda pessoal do presidente Salvador Allende, sintetiza o "moderno" Estado chileno, que é idolatrado por boa parte da tosca elite burguesa e política brasileira como o (?) "grande modelo latino-americano a ser seguido"...:

"Chile es un país sin escuela pública, porque la escuela fue privatizada, como la sanidad. Si tienes dinero, te curas, si no, te mueres. La inflación avanza, pero Chile no es todavía un país en crisis; sin embargo, el crecimiento económico sólo ha beneficiado a una parte de la población, y todavía somos un país económicamente dependiente. (...)
La verdad es que la chilena es una democracia vigilada: no por los militares, sino por una constitución herdada de la dictadura".