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domingo, 8 de março de 2015

# retratos molhados


Acostumado ao turbilhão de lá, não desabito do meu calmo e bom retiro.

Quando venho, já esmaga a dor da saudade do rio.

Quando vou, jazo como um velho pinheiro dolorido.

Ah, me dera cá e lá viver duplicado, e não numa presença dividida.

Sob um novo atributo da física, estar nos dois lugares ao mesmo tempo.

Ou fundi-los numa mais-que-perfeita ordem espacial.

Queria trazer o sol de julho pra cá, e levar pra lá as noites mais suaves de janeiro.

Trazer a brasilidade e levar a pontualidade, trazer o histórico e levar o bucólico, trazer um centro do mundo e levar o meu centro para o mundo.

O chopp ao mar e a onça do bar.

Mas o que mesmo queria era de novo ter junto toda a minha gente.

A mesma que nas antigas fotos agora revistas sempre parecia nunca se desgrudar.

Ora, nestas fotografias, como disse Tom, estamos sempre tão felizes...

Tira-se, daqueles momentos, tudo o que se vivia e todas as expectativas do que se tinha pra viver.

Dentre elas, a mais inocente era tentar prever o futuro e garantir a alegoria do poeta máximo curitibano: "pinheiro não se transplanta".

E por isso os frutos seriam sincronicamente colhidos e os galhos seriam diariamente podados.

Apertados no cotidiano, sem as interrupções de espaço e tempo, os laços das nossas relações jamais flertariam com o frouxo desenlace.

Entretanto, diante das pororocas da vida, hoje ainda estamos felizes, mas infelizmente longe.

E os amigos que se perdem pelas estradas, os familiares que se vão pelo destino e a parte da Casa que se copacabaniza ou que vira noiva do cowboy pra falar inglês não desmitificam -- e só qualificam -- o poder da saudade.

Por isso, neste ponto, lá e cá parecem estar em eras distintas.

E a cada avião que pego parece uma volta num tempo que jamais recuperarei.


domingo, 1 de março de 2015

# rio


  






Copacabana, meu jardim e meu quintal.

E nela saúdo todo o Rio de Janeiro, cidade-ícone da identidade cultural brasileira.

Viva o Rio e os seus 450 anos!




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

# uma catedral



O Rio é uma ilha cercada de botequins por todos os lados.

Sujos, limpos, clássicos, desbeiçados, rebeldes, frescos, com purpurina e lantejoula, com aura olímpica, com histórias medievais, com mensagens subliminares, com fedor grã-fino, da moda, démodé, de cerveja, de conhaque, de cachaças, de acepipes, de porções, de pratos feitos, de pratos fartos, de pratos babacas, no estilo clássico, carioca, caído, carnavalizado, art déco, art nouveau, habitados por artesãos de cais do porto, boêmios, bêbados, boçais, bossas-novas, biltres, burgueses, mendigos, bichas, damas, putas, piás, pivetes, velhos, velhacos, e a preços de banana, módicos, honestos, ultrajantes, sem-vergonha, salafrários, de todo o salário.

Enfim...

Sábado, na companhia de uma cáfila de bons amigos, com Edu Goldenberg no timão, estive, depois de um longo jejum -- é a distância geográfica que tanto nos separa -- num dos melhores bares do Rio de Janeiro.

Ele, o "Cachambeer", no (outrora bucólico) bairro do Cachambi, nas cercanias de Del Castilho.

Não bastasse ter uma das maiores e suculentas carnes de gente grande destes trópicos, e o chopp insistente e minuciosamente tirado do traseiro das focas que se espraiam pelos balcões, o dono, Marcelo, é uma das figuras ímpares desta cidade.

Um lord de botequim, autêntico, num atendimento que te faz pensar estar na churrasqueira do lar ou no sítio do avô.

Na casa, nada falta, tudo farta e, mesmo que digam que a mistura toda enfarta, a travessia por línguas, porcos, cabritos, moelas, linguiças e bois no bafo é daquelas que poderiam durar vários transatlânticos.

Seu tipo, pasmem, acabou por convencer palacianos e jornalões que por lá costumam dar as caras, com fotos, encomendas, prêmios e matérias -- contudo, a genuinidade do lugar não cedeu um só centímetro, um só grama de autenticidade se perdeu na já famosa "birosca".

É daqueles lugares para se passar uma vida a beber e comer -- ou melhor, mesmo depois dela, nele continuar.

"Aqui, jaz um portentoso cliente", se escreveria num epitáfio, à porta do lugar, com as cinzas misturadas ao resto de guimbas, espumas e ossos de costelas que a cada fim de noite decoram a alma do butiquim.

Sim, ali é quase um pórtico que te conduz para um outro espaço, como uma fenda a te propor uma dimensão diversa daquilo que se perpetua pelas zonas suis do dia a dia.

Afinal, enche-nos de esperança ver que ali não se cederá à babaquização geral de bares que remete às coisas do tipo gourmet, no afã de "dialogarem" com pratos e cardápios e "harmonizarem" com cervejas (!?), num festival di etiquetas, hábitos, poses e preços que causam náuseas.

Nestes tempos em que tudo se força para ser único e todos se maquiam para serem diferentes, mas que toda ação, ao cabo, se reduz ao um próprio fim de pasteurização e mimetização geral, comove estar num lugar desses, que navega como se único, como se dos últimos.

O Cachambeer, meus caros, é uma espécie de Arca de Noé.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

# sabiá e o meu ser de então (fragmentos)

 
 
Não há, oh gente, nem luar e nem nada como na minha Pasárgada.
 
Lá, onde tenho a mulher que eu quero com os filhos que acolherei.
 
É que em Maracangalha, onde de chapéu de palha estou, ainda me sinto um forasteiro, um cowboy fora da minha lei, aquela em que a gente era obrigado a ser feliz.
 
Afinal, disse o conterrâneo poeta, pinheiro não se transplanta, embora o quintal em mar desta Copacabana diariamente se esmere em docemente regar as mudas que dele ali crescem.
 
E agora, neste avião que com razão corro para pegar, vejo chegar de saudade, numa realidade em que sem ela e sem eles já não mais pode ser.
 
E muito em breve como um dia vejo um berço e eu a me debruçar sobre o novo filho que virá, com o pranto a me correr num sonho lindo de morrer -- é querido, não só parece que te direi te amo, pois ainda que afobado não lembre você haverá de saber que eu sempre vou te amar, e chorar a cada ausência e presença suas.
 
E neste moinho da vida hoje triturarei toda a mesquinhez desta distância que me cobre tudo, em chumbo, e que só o coração pode entender, e derreter.
 
Vou voltar, e a solidão vai se acabar.
 
Num acalanto longe do adeus.
 
 
 
 

domingo, 8 de junho de 2014

# do pó


Meus poucos (mas fiéis) leitores, só os profetas enxergam o óbvio, cunhou Nelson Rodrigues.

No rádio, na tv, na rede, nas bancas, na calçada, nos sonhos, vê-se tudo mirar o Brasil, mas tudo mira mais ainda esta minha aldeia, o onphalos nestes trintas dias que nos seguirão.

Copacabana borbulha, queima, arde, sufoca, contamina, pulsa e quase explode.

E vai ficando cada vez mais frenética, indecente, barulhenta, gosmenta, multicolorida.

Verde-amarelo a todo canto, em toda esquina, em todos os milhares de bares que a cada passo me atropelam, me sugam, me desassossegam.

Nela se escancara o óbvio da brasilidade, a explicitar, a eclodir e a fazer a nossa espuma de pátria amada brilhar em raios mais fúlgidos. 

E eis-me aqui, nesta capital do Brasil, neste Rio de Janeiro (e de todos os meses do ano), a morar neste bairro e a ter como meu literal quintal esta mais amada praia desta maravilhosa cidade do mundo.

Pois é, ano passado já tive uma especial visita, cuja jornada aos arredores me tentaram fazer compreender isso tudo (v. aqui).

Mas é só agora, no microcosmos deste caos, que finalmente o enxergo.

Salve, salve a Copa.


sábado, 18 de janeiro de 2014

# todo dia, todo dia...



A minha raiz, ao fundo e à esquerda, sob a sombra do "Recanto das Mangueiras" (Jardim Botânico, RJ)







domingo, 15 de dezembro de 2013

# e o rio passa...


                                                                                 
Madrugada de sábado, em Madureira, no G.R.E.S.Portela.
Paulinho da Viola, Marisa Monte e a Velha Guarda.
Este é, também, o Rio de Janeiro.
O rio que passa em minha vida.



sábado, 14 de dezembro de 2013

# primeiro círculo



O Rio, não diferente do Brasil, é repleto de pessoas que se amontoam pelos cantos, flancos, bancos e tantos buracos e lapas da cidade.
 
E neste cotidiano avassalador, há um evento que sempre me faz parar para pensar muito sobre tudo: os cafés da manhã com os moradores de rua, todas as quintas-feiras, na Glória, região central da cidade.
 
Na verdade, este trabalho institucionaliza-se no PROAMOR (v. aqui) e os cafés da manhã, a cada dia da semana em um ponto fixo do Rio, são apenas os canais de entrada de todo o incipiente processo de amparo às pessoas que têm as suas vidas na rua. 
 
Nesta quinta-feira, nada diferente do que se vê em todas as vezes, o mundo mostrou as suas vísceras, o seu outro lado, o lado B, o lado que não se quer ver.
 
Aqui, não é a "revolução" que não se televisona (v. aqui).

Aqui é a vida desta gente largada, ignorada e estuprada a cada minuto por uma ampulheta que insiste em escorrer cada vez mais devagar. 

Um easy rider sem fetiche, sem o glamour do lsd e sem as pompas de Woodstock.
 
É o retrato explícito, ao vivo e à cores, sobre o cúmulo deste ilógico sistema que acumula e desta ilógica vida que lamuria, o que nos dá a certeza da mais absoluta lógica cartesiana de que outro mundo é possível e de que outro plano existe.

E, por isso, ainda não consigo entender aqueles que comentam sobre a falta de lógica na crença divina, haja vista que nada é mais ilógico do que a forma desta vida terrena.
 
E ontem, em mais outra prova acachapante sobre isto tudo, no meio das mais de 150 pessoas que ali estavam, três velhos em frangalhos me saltam aos olhos.
 
Neste dia, afora uma razoável quantidade de roupas, tinha eu três mochilas usadas para distribuir; e, após o rito tradicional daquelas manhãs, chamei e me reuni com os três barbas brancas para entregá-las.
 
Cada qual já com a sua, sugeri que se livrassem dos sacos de estopa onde carregavam trapos, ratos e coisas podres – sim, carregavam a vida em enormes e sujos sacos pendurados às costas. 
 
Pensaram, titubearam, mas aceitaram a dica.
 
E começaram a esvaziar: cobras, lagartos, vermes, protozoários, afora restos e detritos de toda sorte.
 
O gesto de um deles, ao tirar um imenso embrulho de papel bolha azul-claro, me intrigou.
 
Tolo, perguntei "para quê" aquilo, e disse para ele jogar fora também.
 
"É meu colchão!", o vovô responde.
 
E por aí foi... uma coisa pior, mais triste e mais descartável que a outra – mas, é assim, juntando tudo que encontram que se sentem possuidores de alguma coisa, materialmente mais confortáveis.
 
Novamente, insistia para que começassem do zero e descartassem (quase) tudo. E mesmo ressabiados, aceitavam eliminar um a um daquele chorume.
 
Ao final, quase reduzido a pó todo aquele lixo que antes entupia os seus sacos, fechamos tranquilamente as mochilas.
 
E poucas vezes vi três pessoas tão felizes. 
 
Rodavam-se e desfilavam pela praça, a mostrar as novidades.
 
Agora, vejam só, carregavam as suas vidas literalmente nas costas.
 
Afortunados, já não seriam mais os “homens do saco”, cujas figuras os pais usam para amedrontar as crianças.
 
E como se eu fosse um rei mago, agradeceram-me muito.
 
Até saírem, de novo tomando o rumo em direção ao nada de sempre.
 
Como suspiraria Villa-Lobos no início da sua Valsa da Dor: “Êta, vida!”.



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

# da gema


O Rio é uma ilha cercada de botequins por todos os lados.
 
Mas, na companhia de um fraternal casal – e da própria dona do lugar, um gênio da arte e da simpatia, que passou horas conosco à mesa , conheci nesta noite um daqueles que, não fosse pela distância de casa, seria o meu lugar, daqueles de bater ponto, de fazer hora-extra e de nunca pedir a conta. 
 
É o Bar da Gema, na gloriosa Tijuca.
 
E mais não ouso falar.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

# baratas, moscas e a lama


E não é que o frustrante "Campus Fidei", aquele ex-local da grande marcha de peregrinos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), foi escolhido a dedo por motivos não tão peregrinos assim?
 
Uma das donas do terreno – uma área maior que o bairro de Ipanema – é a multicitada família Barata, aquela mesma que no ano da graça de 2013 finalmente apareceu ao mundo, famosa por ser dona do transporte público viário carioca há séculos e por prestar serviços com "eficiência" e "preços módicos" à população (v. aqui e aqui).
 
E assim, como se numa visão santificada, a Prefeitura e o Governo do Estado convenceram a organização da JMJ de que lá, bem perto de onde Judas perdeu as suas botas, na famosa caixa-prego, nos calabouços desvalidos do município, seria o local ideal para melhor simbolizar o evento. Tudo, é claro, com ares de sacrossanto desinteresse econômico e comercial.
 
O fato de ser área de proteção ambiental? De ser aterro clandestino? De exigir investimento público para preparar a infraestrutura de um terreno de mangue? Ah, detalhes que a jovial marcha e a sociedade não dariam importância.
 
E assim, apesar do cancelamento do evento no local, toda aquela área foi trazida à luz, quase por fórceps, para finalmente (e forçosamente) justificar uma intervenção financeira do Estado.
 
Afinal, com todo o grande coração republicano que lhes acometem, Governo e Prefeitura prometem agora lá investir para criar um grande bairro, para delírio das baratinhas de plantão, que se desbundarão com as reviravoltas da terra naquela região.

E aquele mar de lama que se formou em Guaratiba passa a ter também um sentido figurado.

Mas tudo, claro, é mera coincidência.

Como também é absoluta coincidência a reviravolta do caso "Maracanã", justamente num momento em que a pressão sobre o Governador atinge níveis bizarros e que o distinto público deu claros sinais de que não pagará o valor dos ingressos que o consórcio achava que poderia cobrar (e muito lucrar). 
 
Em três jogos, prejuízo inesperado e a expectativa de que encheria o estádio com R$ 100 per capita foi frustrante, assim como os reveses dos negócios anexos ao Estádio, que fizeram o grupo privado se compadecer com a situação de inimigo público imposta a Sergio Cabral.
 
E neste cenário, como se iluminado pela luz dos anjos e do Papa, o próprio Governador resolve rever algumas questões do contrato de concessão do ex-Maracanã. 
 
Sim, séculos e séculos depois de muitos estudos, de muitas discussões e de muitas reuniões, quando já tudo resolvido e enfiado goela abaixo, resolve-se que alguns "conceitos" merecem ser revistos. E sobrou até para os quase-índios, em vias de serem reincorporados à terra sagrada. 

E diante de tudo, o consórcio recuou, estrategicamente, coincidentemente. E ardilosamente desejado? 

Ora, é claro que ter uma velha opinião formada sobre tudo não é sempre legal, e que a metamorfose ambulante é por vezes fundamental.
 
Porém, "ai, porém...", há casos diferentes. 

Há situações em que os sujeitos apenas se fantasiam de camaleão, e a mimetização, portanto, é falsa, é dissimulada, é trapaceada, é de araque. 

No caso, uma antiarapuca da incompetência privada, que se recusa a engolir as moscas no meio de mais outra lama.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

# um vizinho


Hoje fará 6 pm e não verei o meu novo amigo Francisco.

A soar como surreal, este diário encontro me deixou ter com a figura papal uma intimidade ímpar, quase pecadora.

Afinal, desde quinta-feira, dentre outras rotinas passei a ter uma curiosa: antes do pôr-do-sol, vestia-me – sim, o Rio não está só para bermudas –, calçava uns pisantes e atravessava a minha rua para, a poucos metros, chegar à Av. Atlântica e aguardar a visita do Papa.

Voilà, pontualmente às 5:30 da tarde lá estava ele, passando a um braço na minha frente, esguio, em pé e eufórico, com toda aquela simpatia de vovô contador de causos, sábio e sem pressa no mundo, contente por estar ali com a sua gente e com a saúde renovada de um jovem de setenta e seis anos.

Nuns dias mais rápido, noutros bem devagar, noutros com paradas que meu pareceram eternas, em seu papamóvel o meu platônico amigo trazia nos gestos e no olhar um sentimento indescritível de paz, de otimismo e de alegria.

Era como se ele conseguisse olhar profundamente para cada uma da centenas de milhares de pessoas que formavam todo aquele corredor entre o Forte de Copacabana e o Leme e dissesse: "Que bom te ver!".

E ali, naqueles instantes, era como se estivéssemos sendo olhado por ele, numa injeção de sortidos sentimentos do bem que reanima, rejuvenesce e nos enche de vida. Não eram, enfim, apenas acenos e sorrisos.

Eu acredito que Francisco seja um simples homem, humano e especial como cada um de nós.

Mas é um dos homens mais especiais que já vi – e que por alguns dias morou no meu bairro, quase na minha rua, e que vai deixar saudades...


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

# eu sou o samba...



fds2 de dezembro, Dia Nacional do Samba.

fdsMas, aqui, na sua terra, natal ou por adoção -- e lá se vai infinita discussão... --, nem precisava.
fdsHoje, por exemplo, programaço no Clube dos Democráticos -- onde desde 1870 (!) faz-se baile de carnaval... --, em homenagem à Cartola e a tantas velhas guardas cariocas. Ou então na Estação Leopoldina, com Arlindo Cruz, Maria Rita e o grupo Bambas de Berço. Ou quem sabe no Centro Cultural Carioca, em cujo salão, desde o começo do século passado (à época como "Dancing Eldorado"), se canta a grande música popular brasileira, hoje com o Pagode da Tia Doca.
fdsMas melhor ainda é neste sábado, com o já clássico "Trem do Samba".
fdsJá a partir das 11 horas, grande show na Central do Brasil, com Wilson Moreira, Nelson Sargento, além das ilustres Velhas Guardas da Portela, Império Serrano, Mangueira, Salgueiro e Vila Isabel e a Bateria do Mestre Faísca.
fdsDepois, três trens (sem tigres tristes) sairão da Central em direção a Oswaldo Cruz (13h30, 14h e 14h30).
fdsChegando em Oswaldo Cruz, três palcos estarão montados para a festa continuar.
fdsNo palco ao lado da via férrea estão confirmadas as apresentações de Noca da Portela, Delcio Carvalho e o Pagode da Tia Doca.
fdsOutro palco da Rua Átila da Silveira será feita uma homenagem ao Cacique de Ramos com Partideiros do Cacique e Sombrinha, além das apresentações de Toninho Gerais, Tia Surica e Zé Luiz do Império.
fdsNo palco da Praça Paulo da Portela, se apresentarão o grupo Descendo a Serra, Ari do Cavaco, as Velhas Guardas do Império Serrano, Salgueiro, Mangueira e Vila Isabel. Neste palco, Marquinhos de Oswaldo Cruz e a Velha Guarda da Portela darão o grande fecho ao evento.
fdsMas calma, não vai ter só show em palco. Durante todo o dia acontecerão rodas de samba pelo bairro, com o Bloco dos Cachaças, o Clube do Samba, o Grupo Galeria da Velha Guarda da Portela, na Carvoaria, na Pirapora etc.
fdsPortanto, a programação é o de menos: o bacana é ficar indo lá-e-cá, passeando, conversando e parando para cantar samba onde estiver mais animado (ou mais melancólico), numa peregrinação que nos fará ouvir Donga, Cartola, Pixinguinha, Noel, Ary, Ataulfo, Adoniran, Nelson, Wilson, Cachaça, Sargento, Geraldo, Vinicius, Candeia, Monarco, Clementina e toda a jovem, ou nem tão jovem assim, nata sambística.
fdsEsse é, também, o Rio de Janeiro...
fds

 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

# razão de ser


fdsVendo o que acontece na baixada fluminense, e aos poucos nos arredores nobres da cidade, pergunto-me: e por que cargas d´água essa gente toda, estes bandos de criminosos, esta podre turma toda que vê o Estado chegar e reocupar o território, realmente não entra para detonar, para realmente aterrorizar, para uma guerra?
fdsPor que ficam só nessa de atear fogo num carro ali, num ônibus acolá? De fazer um arrastão hoje, outro amanhã? O que temem? O que têm a perder? O que os leva a não "quebrarem tudo"?
fdsPorém, não se tenha ilusão: isso irá acontecer. E não como uma mera onda. O narcotráfico não irá se render antes do seu all in.
fdsFeche-se a cortina.
fdsDo mesmo modo, embora na contramão do comportamento acima, e nunca distante da realidade das coisas vistas no mundo extramuros que, por vezes, arriscamos nos meter, surge o enigma presente nas atitudes e no ser de toda aquela gente sofrida, humilhada, destruída, arruinada, vilipendiada pela miséria econômico-social, mas que, diuturnamente, vive dentro da lei, no mundo da ética e... em paz.
fdsE vem à mente, pela enésima vez, aquela velha discussão entre Hobbes e Rousseau, entre o nascer e o tornar-se, entre o homem e o meio, entre o homem-mau e a sociedade-perversa.
fdsDilema que, não fosse a maior premissa dogmática que me acalenta, a cristã, deixar-me-ia pairado sob essa eterna dúvida existencial.
fdsPor quê?


 

quinta-feira, 1 de julho de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

# nem do morro, nem da cidade


Passada a comoção popular -- invariavelmente vulnerável aos arroubos midiáticos -- que adveio da tragédia ocorrida no Rio de Janeiro e que vez (re)pulular a tese dos conservadores idiotas, na esteira do que pretendia o canalha Carlos Lacerda (ex-governador e deputado da UDN, nos anos 50-60), a exigir a imediata remoção de todas as favelas e a expurgação de todos os favelados, preferencialmente para a Conchinchina, deve-se, agora, examinar com o devido desvelo essa situação.

Ora, é óbvio que a solução para o caso não é simples e imediata, sob pena de, senão pouco inteligente, ser de cunho insensato ou elitista.

Sim, é indefensável a ideia de remover toda uma comunidade, indiscriminadamente, sem considerar que aqueles que não estão em área de risco não só não precisam sair como vão se amontar em outros locais, talvez ainda mais insalubres e perigosos.

Claro que boa parte precisa ser realocada, pois, já não dispondo de condições de seguranças antes, tudo piorou com o dilúvio; porém, nada justifica a retirada anárquica de milhares de pessoas: primeiro, porque é inútil, à medida que o troco oferecido como indenização levá-las-ão para morar em outras favelas da região, as quais também estão em áreas de risco -- remove-se, pois, tão-somente o problema --, e, depois, porque não se trate de medida isonômica, igualitária e justa, e nem legal.

Pelas fotos divulgadas nos jornais e na internet, há no entorno dos morros várias mansões ameaçadas pelos deslizamentos de terra.

Mas, ali, a solução é imediata: obras de contenção, muros de arrimo e uma série de artimanhas mais custosas e complexas (e menos chatas...) do que, como tantos querem, simplesmente dar alguns mil réis para os pobres e enxotá-los dali, pois, claro, a Zona Sul não lhes pertencem.

Seria um quase exorcismo.

Portanto, assim como é inadmissível promover esse êxodo -- como se ainda fossem um povo de Israel às avessas --, faz-se evidente que não se pode consentir com o atual estado das coisas, que clama por uma imediata e progressiva intervenção estatal, nos moldes do que se faz com o PAC e as UPPs (v. aqui) e com o "Programa de Regularização Fundiária" -- premiado pela ONU, por meio da sua agência HABITAT, e pelo qual se dá a posse e a propriedade da terra aos moradores das favelas --, diante dos quais os assentados (e os reassentados) passarão a efetivamente viver.

Com base nestes instrumentos, por exemplo, conseguir-se-á urbanizar e civilizar os morros (e, claro, as cidades), cujas medidas, então sim, passariam a se revestir de "urbanidade" e "civilidade", bem distantes, portanto, daquela panaceia branca que se reconhece na remoção aleatória dos pobres favelados, como se todas as suas moradias fossem de risco ou inviáveis.

A regularização, a gentrification e a inclusão e integração político-social dessas áreas, com a firme e solidária intervenção estatal -- a levar água, luz, esgoto, dignidade e segurança (pública e jurídica) às famílias das favelas cariocas --, são, em suma, as humanas alternativas ao torpe remédio das remoções indiscriminadas.

Novidades? Não. À sua época, Leonel Brizola já expunha o problema e oferecia aquelas soluções, as quais, ainda bem, eram sim populistas e populares, e, por isso, mal vistas pela elite carioca, que preferia o tal remédio demagógico, conservador, racista e feudal.

Caso contrário, insistindo-se com esse discurso encampado pela grande mídia, veremos apenas fomentada e perpetuada (i) a escatofágica política de compra de votos na região -- na qual o sufrágio é alienado por efêmeros benefícios individuais --, (ii) a criminalidade e, em especial, (iii) esta nossa sociedade do apartheid sócio-territorial.


 

quarta-feira, 31 de março de 2010

# sopa de letrinhas (e de desenvolvimento)


Um dos morros mais tradicionais da cultura brasileira, berço do samba e de bambas, enaltecido em letras de sambas memoráveis e vizinho do maior estádio de futebol do mundo, a Mangueira tem um projeto de reurbanização pronto para acompanhar a iminente instalação de uma "Unidade de Polícia Pacificadora" (UPP).

Com a perspectiva de receber recursos da segunda fase do "Programa de Aceleração de Crescimento" (PAC-2) do Governo Federal, o governo e a prefeitura do Rio fizeram um projeto em conjunto e ambicioso: para conectar o morro eternizado por Cartola e Carlos Cachaça com outros pontos da cidade, está prevista, a construção de um teleférico, de passarelas, de ciclovias e de calçadas ecológicas, obras urbanas que, como nunca integrarão de vez a comunidades daquelas favelas com a cidade, de forma sensível, cívica e civilizada.

É o PAC e as UPP's tornando-se as siglas mais importantes para o povo carioca (v. aqui).


 

segunda-feira, 22 de março de 2010

# dies lunae



Não, não foi desta vez que larguei meu mundo pela vida na Mangueira, à sombra imortal, imerso em samba, saraus, sinfonias e sagatibas.

Não, o ano sabático também não seria neste momento.

E agora, pois, já voltamos, com alguma coisa do que neste interregno escrevemos e não publicamos.

E o resto de tudo fica para a infinita posteridade.





 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

# cariocas


Em meio a sambas, saraus, sapucaí, morros, mojitos e melódicas marchinhas, estamos no Rio, para mais um Carnaval, donde a abstinência internetica será total.

Saudações verde-e-rosa a todos.

E até às cinzas, deste e da quarta-feira.
fd