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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

# voy remando



Na vida, há situações em que devemos tomar firme partido.

Assim, como naquele aforismo kafkaniano, se o ponto a se chegar é o ponto a partir do qual não há mais retrocesso, eis que nele chegamos.

E então escolhemos um lado, posto que não se trata de um maniqueísmo qualquer.

Ora, acredito no Estado Social e Democrático de Direito, na Constituição e nas idéias em construção de República e de cidadania.

Acredito nos valores da presunção de inocência, do contraditório, da ampla defesa e de uma justiça independente e imparcial, cláusulas fundamentais da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

E acredito -- para não dizerem que não falei das flores -- no sério e justo combate aos crimes contra a ordem econômico-financeira e contra a Administração Pública (os "crimes de colarinho branco"), com investigação, ação e decisão lastreadas no nosso estrito ordenamento jurídico.

E, por isso, acredito que o obscurantismo, o autoritarismo e o arbítrio de agora, em nosso quintal e a um palmo dos nossos narizes, precisam ser imediatamente controlados e repugnados, com a mais absoluta veemência.

Afinal, se hoje é contra os "petralhas" -- e parece só com eles, monopolistas de todo o mal e da má política nacional --, amanhã será contra qualquer um de nós, ao bel-prazer dos senhores celestiais de toga ou dos meninotes concurseiros metidos a Rambo, tal qual foi ontem, naquela escuridão dos anos 60 e 70 com toda aquela sua besta gente fardada.

Mas hoje, infelizmente, uma maioria ainda não percebe isso, porque é incapaz de refletir os fatos para além dos plim-plins platinados e das notas de whatsappcooptada e manobrada pela narrativa fácil que fantasia uma realidade cuja retórica rocambolesca dissemina-se em tons de ódio, fúria e frases-feitas sem sentido.

Uma maioria incapaz de perceber o seu real "lugar de fala" e o seu "campo social", afinal, toda esta trama se trata, sim, de luta de classes no plano nacional -- como assim é a vida em sociedade desde que a Idade Média acabou -- e de geopolítica no cenário global.

E, principalmente, uma maioria incapaz de perceber que esse julgamento não é o dia final de um juízo que persegue simplesmente um homem, sob o ardil de um processo que, nascido das mãos bem enluvadas de uma piazada de prédio e de um justiceiro de ocasiãomistura Kafka e Camus para produzir um conto do vigário.

É, sim, o julgamento que condenará aquela promessa de democracia que tentamos construir, "aos trancos e barrancos" -- assim escreveu Darcy Ribeiro --, há trocentos anos.

É, sim, o julgamento que condenará aquela ideia de um país para todos, capaz de extirpar a miséria, a fome e as vidas secas de milhões de escravos sociais que invisíveis sempre perambularam por toda a nossa macunaímica Oropa, França e Bahia, uma terra única, praticamente intocada em matéria de desigualdade e de privilégios.

É, sim, o julgamento que condenará aquelas esperançosas políticas públicas que, a fim de alcançar pretos, pobres e putas, buscavam quase quixotescamente transformar a nossa sociedade de castas para então fazer rodar o moinho, o pião, a roda-gigante historicamente travados pela nossa "elite do atraso", como dissecou Jessé Souza.

Está muito claro, pois, que não se trata de fulanizar a defesa em uma pessoa ou a luta por um grupo político.

Trata-se de admitir, à luz do ordenamento jurídico brasileiro, que não houve crime, que não houve provas e que não houve um devido processo legal: o caso é uma fraude penal e se prestará como fraude eleitoral. 

Trata-se, eis a verdade, de resguardar um mínimo de dignidade às já tão combalidas regras do jogo democrático vigentes em um Estado que quer se reputar de direito. 

Trata-se, de novo, de reconhecer que nunca antes uma orquestração jurídico-política que condenará um inocente restou tão evidente e por razões tão óbvias: Lula da Silva, pelo (pouco?) que fez, pelo (muito?) que deverá fazer, pelo que representa e por quem é, tornou-se absolutamente imbatível nas urnas.

E se trata, enfim, ao se promover esta defesa e esta luta, de poder, lá na frente do tempo, com os netos ao colo e o brilho cansado dos olhos de um velho, afiançar-lhes de que lado estivemos nesta nossa história.


segunda-feira, 2 de maio de 2016

# indecência vulgar



Não há dignidade no ato de aceitar o bando que pretende assumir o Brasil.

Todavia, a massa de beócios que mira seus umbigos para enxergar com “naturalidade” que Temer, Cunha e os sem-voto do PSDB vistam a faixa presidencial flerta com a falta de razão, a falta de sanidade e a falta de vergonha na cara, a ultrapassar qualquer prazer de uma mixoscopia sádica.

Não cansamos de repetir: a fonte é um ódio avassalador que tomou conta desta gente (v. aqui) e que dá suporte à maior vigarice da nossa História, como à frente assim se registrará nos livros e nas salas de aula.

Logo, pelos olhos cegos e analfabetos desta turma que tanto me cerca, nada, nada, nada, nada será pior do que manter o “governo-mais-corrupto-da-história” – algo meio slogan, meio jingle, que não sai da cabeça de milhões de brasileiros lobotomizados por uma mídia tradicionalmente nefasta quando em jogo estão os interesses público e popular – no poder.

Uma lástima esse raso e complacente raciocínio,  resultante de uma resistente ignorância  de quem, definitivamente, não quer se atentar para os fatos e para os tempos verbais em que isso tudo foi construído, e que desemboca em contagiante incivilidade.

Ora, o caos institucional que se provoca no Brasil não pode imaginar resolução por meio de quaisquer medidas ilegítimas, incabíveis numa ordem democrática e impraticáveis numa sociedade séria – o perigo, pois, tem proporções de hecatombe.

Por mais culpa que o governo, o PT e Dilma tenham – e têm, haja vista a péssima composição ministerial e a tímida aplicação das pautas da esquerda (v. aqui e aqui) –, são eles quem devem, inclusive como desafio e compromisso de mandato e eleitoral,  procurar os caminhos e oferecer as soluções para isso, com mudanças de pessoas, de planos, de políticas, de princípios programáticos, de projeto etc.

E não outros!

E, especialmente, não esses que são corresponsáveis por este estado caótico, na medida em que traições, revanchismos, vendetas, sabotagens e um explícito boicote institucional – basta verificar  o comportamento absolutamente antirrepublicano e antinacional da Câmara de Deputados no exercício da sua função constitucional nos últimos, pelo menos, dois anos – são notórios na paralisação geral.

E por isso a indecência desta situação toda, que permitirá a assunção desta corja ao poder na base do berro, sem base jurídica e à revelia do voto e da soberania popular.

Afinal, querem discutir "política(s)", como se tratasse de um processo eleitoral, e não "crime(s)" – posto que não há! –, como exige um processo de impeachment.

Ademais, não cabe, como se num lamento mendaz, suspirar pelo surgimento de um salvador da pátria capaz de agregar tudo e todos, numa grande "congregação nacional" e blá-blá-blá...

Ora, antes de se vislumbrar qualquer arremedo de verdade nesta tese-vontade, o que deve ficar claro é que há governo eleito e oposição derrotada.

E isso não se pode esquecer e tão-pouco confundir, porque isso é da política, isso é da democracia – e justamente por isso que uma das coisas que se faz no nosso país é, de quatro em quatro anos, ir "votar".

A propósito, note-se bem: a alternância não é propriamente um princípio fundante da democracia, como resultado, inevitável ou não, do funcionamento pleno do "sistema democrático".

Ou seja, a alternância de poder não se reveste como um atributo ou fundamento da democracia, mas, sim, trata-se de consequência quase natural do debate e da participação políticas em uma sociedade aberta.

Assim, no seu limite, consiste (apenas) em um elemento integrante da "oposição" – e para ela vital, não obstante possa haver oposição sem alternância (e sem poder), quando a oposição é fraca ou mesmo quando o povo está satisfeito com a situação, expondo nas urnas a sua vontade cívica.

Nestes termos, portanto, não há que se falar em "impeachment", em "pacto", em "nova eleição" ou outros eufemismos falsamente legitimadores de uma ideia nacional que deixa de cumprir a estrutura edificante (e retórica?) da democracia: governo do povo, para o povo e eleito pelo povo, tudo sob a estrita obediência à ordem constitucional.

Há que se dar nome aos bois: é golpe.

Golpe que ainda resisto e que, acredito, não passará. 

Se for um copo é um copo / se for um cão é um cão


quinta-feira, 21 de abril de 2016

# mea culpa (e a máxima lupa)



O PT, ao menos nos últimos quatro anos, tem errado muito.

Erra e errou tanto que, não fosse este sopro de vida dado pela oposição – tiro pela culatra de um esquema oposicionista montado por bancadas conservadoras, grande mídia e Lava-Jato que a todo custo e aos atropelos ético-jurídicos obstinou-se pela “destruição vermelha” –, provavelmente estaria sem perspectivas para um hipotético 2018.

E só não estará por que Luiz Inácio sairá candidato – desibernando de uma aposentadoria tranquila e pesqueira, viajando o mundo sob o registro histórico de ter deixado a presidência com um índice de aprovação (ótimo/bom) de quase 85% – e com ele a devoção quase messiânica que arrasta uma multidão eterna e justificadamente grata.

Afinal, nunca antes nesse país os pobres fizeram tão parte do orçamento público, nunca antes alguém resolveu encarar tão a sério a miséria, a fome e a seca que marcavam a ferro a “vida” de milhões de brasileiros.

Entretanto, não deveria precisar do socorro dele.

Bastaria, naquele auge, ter começado a pavimentar outro caminho, radical na democracia e na busca por uma sociedade mais igualitária.

Embora tenha sido essencial para, lá atrás, ter ganho a eleição e a governabilidade, já era tempo do PT ter repensado a estratégia e, aos poucos, ir desprezando o tradicional jogo político de coligações inchadas e coalizões vazias, de barganhas pantanosas e conchavos chatos
jogo por todos jogado mundo afora, numa comodidade diabólica que afoga fingindo afagar.

E assim se (re)aproximar, como tatuagem, das suas bases sociais, populares e ideológicas, única solução sadia e robusta para se governar com autonomia, altivez e segurança.

Tratou-se, portanto, de uma questão de escolha.

E pelas veredas escolhidas, ainda que em parte resultado da traição e da perversão de muitos e não obstante os tantos programas que assistem a tanta gente, os frutos que antes eram colhidos em abundância agora parecem se liquidificar, evaporar, findar.

Uma liquidificação consequência da miopia político-institucional inapta para entender as reformas necessárias para a transformação nacional.

E não me refiro às "reformas" boicotadas por um Congresso Nacional desqualificado, mas àquelas que o Governo jamais apresentou e que obviamente se justificam pela comunhão de interesses a que se subjugava – e que, mesmo depois de 2006, jamais se preocupou em descontruir.

Uma evaporação motivada pela acomodação de ideias e de pessoas, imaginando que as políticas públicas e os programas de governo implementados com o grande êxito da primeira década bastariam por si, infinitamente, estagnando o progresso de pautas tão caras à esquerda.

E não me refiro às "pautas-bomba" promovidas por este Congresso Nacional descompromissado com o país, mas àquelas fundamentais para desacorrentar a massa pobre, precarizada e periférica do círculo vicioso que bens materiais e diplomas sem lastro são incapazes de suplantar.

Um fim do modelo de desenvolvimento e de Estado crente em tortas avaliações de interesses: os pequenos e médio negócios reféns dos desejos do grande capital e do rentismo, a produção do campo de cócoras diante da superprodução do agronegócio, a indústria nacional à mercê do fetiche das commodities e da globalização e a realidade dos fatos e do interesse públicos escondida numa mídia privada e pirata.

E não me refiro, assim, a um modelo de paz-e-amor, necessariamente republicano e democrático, até meio frouxo perante alguns interesses e meio vacilante em firmar certas posições, mas às ideias centrais de uma esquerda cujo vermelho tanto tem desbotado e se apequenado que aquela onda popular responsável pela vitória nas eleições já nem mais consegue enxergá-lo.

Ora, arrocho não é política de ajuste econômico; descuidar da indústria nacional, das relações de trabalho e da gestão das empresas públicas não são políticas de desenvolvimento; não tributar e não controlar o grande capital não é política fiscal; não promover reforma agrária, reforma urbana, reforma habitacional e reforma tributária não são políticas sociais; manter-se refém de grupos midiáticos e cristalizar os latifúndios da comunicação não são políticas que fomentam a democracia e a liberdade de expressão. 

Não se enfrenta o capital vadio – bancos, especuladores e monopólios – sem ações e políticas construtivistas que desafiem destinos e libertem os brasileiros do jugo conservador arquitetado pelo pensamento refratário às mudanças estruturais.

Não se enfrenta a sanha mercantil dos cartéis e dos grandes grupos econômicos sem um Estado forte e com serviços públicos de qualidade, que sirvam de real alternativa (ou solução) aos caros e péssimos serviços privados e privatizados – bem distantes, pois, desta pútrida lógica de "agências reguladoras" em um pseudo-Estado que nada regula – e como chave para reorganizar um novo ciclo de desenvolvimento.

Não se enfrenta um ranço feudal, patriarcal e conservador sem alternativas, sem experimentalismo, sem imaginação e sem transformação institucional, capazes de empoderar técnica e politicamente a massa e de redesenhar as relações público-privadas.

Não se enfrentam quinhentos anos de periferia, de plutocracia e de preconceitos sem um firme projeto nacional que abrace o passado, dê asas para o presente e concretize um novo futuro para a nossa gente.

Portanto, esse elenco de graves falhas e omissões do PT durante os últimos anos não pode mais ser tolerado.

O que não significa, contudo, o seu réquiem.

Afinal, esse projeto e essas ideias para o país jamais caberão no ideário da direita, dos conservadores e da turma que, por exemplo, hoje faz a "revolução moral" no Brasil.

Eles pulsam, sim, nas veias de partidos e programas progressistas, de uma esquerda comprometida, desacomodada e não festiva.

E é aí que o PT – e toda a linha de centro-esquerda brasileira – precisa voltar a se encaixar.

Por isso, o que acabou é este "modelo" – outrora exitoso , com base em commodities e consumo, em planos sôfregos para o chão e cômodos para o teto.

O que acabou é o tempo de se cozinhar em banho-maria toda a vitalidade brasileira que agora exige chama e pressa.

O erro, contudo, foi não querer enxergar esse escorrer da ampulheta.

Inclusive porque, se mudanças estruturais e conceituais dependem de crises para serem implementadas, a "crise" estava aí, dentro, pulsante.

E restava-lhe trabalhar no caos, diante do qual pouco poderia ser feito.

Porém, caberia ao Governo fazer deste pouco, muito.

Tratava-se, portanto, de dimensão e perspectiva.

E de uma corajosa vontade.



quinta-feira, 10 de março de 2016

# o ovo da serpente


E destes nossos últimos e tristes acontecimentos, que nos parecem revelar uma republiquetazinha de quinta categoria, lembro do vaticínio que fizemos ainda naquele famoso junho de 2013, quando o ovo da serpente, chocado há muito tempo, começou a trincar.

# o ovo da serpente

Não, você não está na Europa dos anos 30, nem nas trevas da América Latina dos anos 70.

Também não está no mundo das arábias com seus ditadores mafiosos de turbantes e diamantes; tampouco no Sudão, na Islândia ou na Grécia pós-modernas e pouco olímpicas.

Por mais globalizado que esteja, você provavelmente está no Brasil, país hoje pulsando na roda-viva do planeta Terra e no qual um governo, há menos de dois meses, tinha 65% de aprovação popular, com ótimo ou bom (v. aqui).

Localizado no tempo e no espaço, pergunte-se: qual o real sentido desta onda que enche ruas, praças, orlas, emails e redes sociais? Claro que ainda tanta coisa não funciona, que um mar de gente está à busca de novos sentidos para a vida, que novos valores estão em jogo sem a melhor participação estatal... Mas, parece, não é bem isso.

Na real, a bandeira concentra-se na "luta contra a corrupção", expressão da moda que vem e vai no balanço do "mar de lama", mas que se trata, sim, de uma velha ideia démodé que sempre causou mais estragos que consertos por conta do seu errado foco.

Disformes e esquisitos, esses protestos, com passeatas e manifestações, parecem os testes de Rorschach: cada um vê neles o que quer e, assim, se revela no que vê – isso até soa meio complexo, mas não é, garanto.

Antes de tudo, porém, registre-se a complexidade de tudo e de todos: cá estamos, afinal, longe de um terreno raso deglutido em coraçõezinhos e 140 caracteres das redes sociais.

Depois, não desprezemos de pronto e por completo as vozes que ecoam em cada esquina mais ou menos periférica e suburbana do país, pois, se tem uma coisa que há milênios provoca nojo e náuseas é o modus operandi das empresas de transporte coletivo país afora: estas empresas de ônibus são mafiosas, canalhas de um "setor" que se caracteriza pelo que de mais perverso há nestas relações públicos-privadas, típicas de uma sociedade patrimonialista.

Depois, claro, até se compreende também dois outros da "ideia em potência", marcados (i) na insatisfação pela ausência de reconhecimento dos cidadãos nas representações políticas e dos trabalhadores nos seus meios e locais de trabalho, bem como (ii) na certa (certíssima!) frustração pelos limites das promessas de ascensão social dos governos petistas, não tocando nos pilares deste neoliberalismo que sufoca, segrega e sucumbe 90% da população, ainda concentrando muita renda e riqueza e, fundamentalmente,  (iii) na marca de um governo que insistiu em repetir modos de (des)funcionamento político e institucional do passado.

Mas isso, vê-se, não é o foco. Seria como se assim pensassem: "olha, não sabemos o que seja, não entendemos o que possa ser, mas, na boa, tem algo nos incomodando..."

Ou seja, incapazes de pretenderem uma utopia ou um sonho revolucionário, traduzem o incômodo assim, numa sopa difusa de gritos e cartazes sem sentido, talvez decifráveis em divãs de psicanalista ou rodas de haxixe, mas que querem mostrar um descontentamento, uma tristeza, uma melancolia por uma broxada astral só reerguida por pílulas azuis de pseudocivismo.

Mas, à margem disso, agora já parece – verdadeiramente!  trazer evidências transformadoras que se sustenta no seguinte clamor pseudo-popular: "tudo contra a política!” e “tudo contra o Estado!” – inclusive o âncora matutino da rádio BandNews assim denomina a coisa, com aplausos gerais...

Ora, por favor, não me venham transformar um protesto legítimo – revisão dos preços e das concessões dos serviços de transporte público e, até, a frustração quase metafísica por um estado de coisas – em uma ação despolitizante contra tudo e todos, afinal, bem se conhece a famosa frase da obra "Il Gattopardo" (Tomasi di Lampedusa): “mude-se tudo, para que tudo permaneça como está”.

Ora, não se vê ninguém a pedir a Reforma Política ou a Reforma Agrária. Ninguém está a falar em se fazer, pra valer, a Reforma Tributária, Previdenciária, dos Meios de Comunicação e do Poder Judiciário, que redistribua a grana e o poder, todas absolutamente cruciais para o avanço do país.

Menos ainda, longe passa o pensamento que efetivamente conteste o óbvio: a necessidade  de se transformar a ordem vigente, enterrando o capitalismo e fazendo nascer, a fórceps, outro sistema, outro modelo, outra forma social capaz de unir e incluir e toda uma multidão.

Por quê? Ora, porque se trata, na maioria, de uma turma apolítica, despolitizada e que se cria em chatsnets e quejandos virtuais de discussão, reflexão e estudos, tudo muito volúvel, muito superficial e muito “líquido”, como diria Bauman.

Afora o mesmo pessoal de sempre – aquele que tem horror às mudanças sociais e econômicas efetivamente construídas no país e que representam os eternos 25% da população –, (não) surpreende a profusão de "revoltados on-line" a ajudar a chocar este ovo ou a embalar este cavalo troiano.

Sim, bandeiras, cirandas, plumas e paetês contra a corrupção, "pela paz" e em favor da vida são vertigens sociais e realisticamente inúteis.

Na verdade, o que políticos e endinheirados filhos da puta mais desejam são, justamente, manifestações “contra tudo o que está aí”, “contra a política”, "contra partidos", “contra instituições” etc., tudo sem imiscuir no real e no concreto.

A história recente é sempre farta em exemplos e em nos ensinar, para não nos deixar esquecer: nos anos 60, pré-Golpe, as “filhas de Maria” também queriam um estado democrático e um país melhor – mas sem o Jango (e o povo).

Sim, ironia pura, os reacionários daquela época entupiam as ruas de Rio e São Paulo clamando e marchando por Deus, “pela Tradição, pela Família, pela Liberdade” e, claro, pela Democracia e pelo Brasil-sil-sil.

Naquele golpe, portanto, os clamores também eram belos e justos na sua formosura, com um blá-blá-bla bonitinho (e sempre ordinário).

Porém, a “democracia” deles só servia sem um presidente da República legitimamente eleito, popular e de centro-esquerda, no caso Jango – e o golpe, a reboque da grande mídia, foi questão de minutos.

Logo, qual o efeito político desta marcha, desta onda e destas cartazes atuais? A quem interessa? Quem banca e está por trás disso? Qual o sentido desestabilizador disso tudo (v. aqui)?

Não sejamos tolos: basta ver a redireção tomada pela grande mídia diante dos movimentos, as edições de texto e imagem, as manchetes associativas e as mensagens subliminares de culpa que promovem.

Ora, os "donos do país" já se apropriaram dos caras-pintadas 2.0, a versão high tech de uma turma que nos anos 90 mimetizava o impacto dos “anos rebeldes” da tv e pedia a excomunhão de Fernando Collor por motivos que interessavam muito mais à grande e velha indústria multinacional aqui instalada e a uma boa parte do Congresso frustrado pelos rompantes monarquistas de um arrogante Presidente do que à população em geral. 

A história, inclusive, hoje detalha muito bem isso.

Logo, que insatisfação seria essa de agora, justamente num momento em que o Brasil parece acordar, resgatando a dívida secular com a dignidade de dezenas de milhões de brasileiros e inserindo-se definitivamente como co-protagonista no cenário político e econômico mundial? 

E, mais, num momento em que, mesmo com o insano e diário bombardeio midiático, o atual governo continua a gozar de alta popularidade (ótimo/bom/regular com mais de 70%, segundo as últimas pesquisas) e cujo partido passa a governar a maior cidade da América Latina (São Paulo)?

É óbvio que há muitas e muitas (...) coisas a melhorarem; são, sim, notórias as nossas desgraças sociais, os nossos problemas e deficiências, as nossas carências humanas e estruturais, os nossos desequilíbrios institucionais e a nossa decepção com o freio centrista e conservador do governo federal em várias áreas  sim, o PT atua como o partido da ordem.

Como também há uma "crise de representatividade", que quer redimensionar a via direta do exercício do poder, uma "crise de esperança", que quer mudar a dinâmica política para (re)ver o concreto das relações cotidianas, e uma "crise de futuro", que quer outro norte para a sociedade.

Contudo, mesmo que se vá às ruas na busca deste caminho – ação condicionalmente legítima –, é absolutamente obrigatório o olhar para o presente, para o conquistado e para o que está em jogo, aspectos esquecidos pelos bandos que invadem as nossas ruas e Casas, com suas cabeças ocas ou já bem programadas. 

Atenção: ainda que a pequenos e lentos passos, Brasil está mudando, e isso precisa ficar claro, e isso precisa ser visto – e não enxergado pelas lentes turvas de quem não tem interesses populares, coletivos, cívicos e republicanos.

E isso precisa ser feito por vias efetivamente democráticas, assentadas na militância, na participação, no voto e nos desejos de governo de cada um de nós.

Portanto, minha gente, por maior que seja a inconsistência das posições políticas e a ausência de efetivas propostas e demandas, do que se vê o resultado será apenas um.

Na marra, será o começo do fim deste governo de centro-esquerda e das pautas conciliatórias  até quando esse papo-furado!?  desta "social-democracia petista", com as consequências mais desgraçadas para a nossa República e para o nosso povo: um mergulho ao abismo cívico-institucional sob a agenda neoliberal de uma gente disposta a tudo.

E neste caso nada surpreendente ou sem querer, exatamente como naquele último golpe militar em que se arregaçou a nossa rarefeita democracia para dar espaço às vontades da elite empresarial, sustentadas pelos interesses da geopolítica estadunidense e reverberadas pelos gritos reacionários da imensa parcela da classe média que sempre curtiu manter no país um exército de escravos. 

Daqui para frente, flertamos com o caos e o terror.

(publicado originalmente em junho de 2013)


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

# chios da gruta



"O Brasil não quer mais o PT!"

Legítimo desejo, inclusive.

Afinal, isso é democracia e 40% da população assim se manifestou nas urnas em outubro de 2014.

Esquece-se, contudo, que para "não querer mais" é preciso esperar três anos e votar de novo.

E tentar ganhar as eleições.

E isso também se chama democracia.

Ocorre que o mantra entoado por múmias paralíticas, zumbis, planárias, juristas de aluguel e, claro, pela velha mídia de sempre, não quer saber desse negócio de "democracia".

E, pois, vale-se da raiva, do preconceito, da vigarice e do "vamos-tirar-este-bando-de-petralhas-do-poder-em-nome-de-jesus-da-família-e-do-brasil" para virar o tabuleiro, romper com as regras do jogo e tirar na marra uma mulher legitimamente eleita e sobre a qual não paira nenhum -- nenhum! -- fato criminoso.

Há dezenas e dezenas de textos por aí que já bem explicaram, em detalhes, que não existe nenhum -- nenhum, repita-se -- fato criminoso que possa ser imputado à Presidenta Dilma.

Sob o ponto de vista das ciências jurídico-políticas, qualquer interpretação diversa dessa não é exercício hermenêutico, mas, simplesmente, um escárnio.

O achismo popular, a rapinagem midiática, a vagabundagem técnica, o oportunismo barato do baixo clero e a má-fé cínica dos adversários, entretanto, não dão ouvidos a isso.

Querem, ao contrário, com o circo republicano já em chamas, aproveitar as brechas abertas a fórceps pelo deputado-chefe do Congresso -- cuja envergadura moral não alcança as cócoras de um anão -- para ir na jugular do Governo e da soberania popular.

Pelas redes sociais, pelos blogs da direita e pelos portais da velha mídia, escorre o chorume que hipnotiza e do qual se lambuza a malta revoltada.

Para este bando que empunha faixas e vestes verde-amarelas pelas orlas brasileiras pedindo "impeachment", o que importa é simplesmente materializar o ódio (v. aqui).

Não, o "impeachment" não serve como instrumento para cassar mandato de quem não gostamos.

Tão-pouco serve como desculpa para encerrar precocemente governo ruim -- o "recall", adotado em países como, vejam só, a Venezuela, não tem aplicação no Brasil.

O "impeachment", meus poucos mas fiéis leitores, é medida extrema, constitucionalmente prevista, com especificidade e rito legais, que serve para destituir quem dolosamente comete crime de responsabilidade.

Não serve, jamais, para romper com o Estado Democrático de Direito.

Porém, isso não importa.

O que importa é a fúria que, desde a quarta vitória petista, há doze meses, infecta as mentes pouco lúcidas de uma parte do Brasil em busca do caos (v. aqui).

O que importa é não deixar Dilma governar -- e, a propósito, o que me parece a sua tese: podem não me deixar governar, mas se investigará tudo e todos até não sobrar pedra sobre pedra da arquitetura carcomida, secularmente mal-acabada, desta nossa República.

O que importa é tirar o foco do sistema político-econômico para se fartar sobre o fetiche da "corrupção", um mal descoberto há doze anos e grão-responsável por tudo e todos (v. aqui e aqui).

O que importa é o contínuo desgaste e constrangimento institucionais para a perpetuação de políticas econômicas absolutamente contrárias àquelas que o norte vencedor das eleições apontava (v. aqui).

O que importa é perenizar o "toma lá, dá cá" do jogo político de coalizão, levado à risca pelo Governo na busca quixotesca de uma tal governabilidade -- aliando-se inclusive aos mentores, patrocinadores e capitães deste golpe -- que muito bem serve às máfias e à plutocracia de plantão (v. aqui).

E mais do que isso: o que importa mesmo é fazer de tudo para que Lula não saia candidato em 2018 (se houver...).

Sim, para a direita brasileira imaginar a volta de Lula é o maior pesadelo da Terra.

Mal sabem que, derrubando Lula, ganhará Ciro Gomes -- e talvez ninguém abomine tanto os tucanos (e a lógica conservadora) quanto Ciro (v. aqui) -- ou mesmo um dos dois melhores governantes da atualidade: Flávio Dino (Governador do Maranhão, do PCdoB) ou Fernando Haddad (Prefeito de São Paulo, do PT).

Afinal, pelas urnas, esta gente que hoje chia de suas cavernas a melodia do golpe paraguaio nunca mais volta.

E, por isso, das trevas saem para querer sequestrar o Brasil.

No pasarán!







quinta-feira, 8 de outubro de 2015

# greves, governo, kapital e kafka



A greve é, historicamente, um dos mais espetaculares instrumentos à disposição dos trabalhadores organizados, um raro meio de minimamente equilibrar as forças em luta e mitigar os danosos efeitos da exploração humana via o labor capitalizado.

Existe, portanto, para que o lado hipossuficiente não padeça e, mais, se fortaleça no embate com o outro lado, detentor do poder, usurpador da mão-de-obra e cujo maior compromisso é maximizar a mais-valia, invariavelmente às custas do trabalho humano.

Eis, então, o espírito maior da greve: mais do que conter os desenfreados abusos dos donos do capital, exige a revisão dos seus lucros mediante a oferta de melhores condições de trabalho e de uma melhor repartição dos resultados.

É, assim, um constrangimento legal, moral, justo e fundamental à disposição dos trabalhadores para dignificar as relações sociais, não obstante se revele cada vez menos eficaz no ambiente pós-globalização.

Afinal, nas mais diversas atividades em que escasseiam peões e sobram bytes, os frutos da revolução industrial viraram sucata.

E, cada vez mais, parar de trabalhar não significa parar as máquinas.

Logo, as greves de hoje já não prejudicam tanto o patrão, como me lembrou o jornalista e geógrafo Wagner Aragão (o Macuco).

E, enquanto não se muda o “sistema” – e não se enxerga a insensatez da lógica deste sistema –, é preciso pensar e experimentar, a fim de se achar uma forma da união e da coletividade de trabalhadores efetivamente enfrentarem, como nas lutas grevistas pré-globalização, a mesquinhez e o individualismo dos donos do capital.

Entretanto, quando o negócio parte de trabalhadores do Estado, as condicionantes são outras.

E sobre este sentido axiológico é que me debruçava para tanto estranhar, numa ordem contraneoliberal, as greves da grande maioria dos servidores públicos, vez que vazio o antagonismo de fins e interesses e inexistente a exploração pelo máximo retorno.

Razão pela qual em todos estes anos do PT no Governo -- ainda que num ambiente de "pacto social", no qual se manteve a estrutura político-econômica, não se atacou os privilégios históricos, não se expurgou os espectros do neoliberalismo e, ainda, não se resolveu o imenso descompasso entre os salários de diversos agentes públicos, tão elevados para certos feudos (Judiciário e certas carreiras do Executivo) e tão miseráveis para baixas castas (professores e policiais, em especial) --, ceder ou não ceder, atender ou não atender da melhor maneira financeira possível os trabalhadores da Administração Pública sempre exorbitaram o conflito entre capital e trabalho, entre lucro e bem-estar.

Logo, cruzar os braços nestes casos de governos populares e com políticas populistas -- cujo máximo apoio ao Estado e aos seus trabalhadores seria a via para construção, aplicação e realização do seu mandato --, nunca trouxe a razão de ser da greve e, por conseguinte, parece-me mais como uma chauvinista chantagem, própria para terrorismos eleitoreiros, para a preguiça luxuriosa de vários agentes (v. aqui) ou para palanque de servidores candidatos a mandatos políticos.

Em suma, nos últimos doze anos a Place de Grève refutava as greves no setor público.

E disse sempre estive convicto, não obstante o tema mereça ir bem mais a fundo na reflexão, é claro.

Entretanto, como encarar o espírito da greve num ambiente em que privilégios, propósitos e práticas já não mais se sustentam na valorização do serviço público e na realização das políticas públicas eleitas, e passam a se agarrar no velho mantra neoliberal de priscas eras tucanas, sob a ordem do príncipe FHC?

Como se disse aqui e aqui, a bússola de agora parece insistir em voltar-se para outros interesses, arrochando um lado para atender às vontades e à pressão de certos e exclusivos grupos.

O dinheiro público não dá em árvore, e como escolhas a toda hora são feitas, Dilma, sua equipe e suas alianças não têm titubeado em rearranjar o destino do capital, subjugando-se às cretinices da cartilha do mercado em detrimento do lado que a elegeu.

Tira-se das políticas sociais, tira-se dos trabalhadores, tira-se do serviço público, e dá-se à nobreza que se esbalda pelas PPPs, pelos grandes conglomerados e pelos casinos financeiros do mundo virtual.

Infelizmente, certas teses neoliberais, nomeadamente sob o famigerado tripé macroeconômico (superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação), tem jeitão de apetecer este Governo Dilma.

E aí, kafkaniana não seria mais a greve no setor público, mas a política deste Governo que, eleito para navegar à esquerda, insiste em derivar à direta.

E daquela convicção eis que hoje resta-me apenas a dúvida.



 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

# faça-se o caos



Não é (ainda) para se sentir "traído" por este novo início de Governo.

Não há dúvidas de que ele afunda na melancolia, de que está muito mal e de que cedeu muito fácil às pressões da direita e da agenda neoliberal, na ilusão de se que conformaria um melhor "plano de governo" e uma "governabilidade", inevitavelmente aliada aos piores interesses. 

Entretanto, dúvida não há de que hoje (ainda) seja a única opção minimamente viável para se seguir na reconstrução do país.

E de que não somos uma única ilha rodeada de crise por todos os lados -- basta lembrar que a atividade industrial na China está no nível mais baixo em seis anos e que na Europa o negócio se arrasta há quase uma década.

Por isso a ideia é pensar nas bases e nas ações pós-ajuste (ou pós-arrocho).

Sendo assim, insistir na propagação do cenário de terror é contribuir no coro da massa que rumina pelas cercanias das metrópoles aburguesadas, não aceitando (ainda...) a quarta vitória de Lula e Dilma.

No palco de novela global, uma oposição político-partidária sem pé e muito menos cabeça, o óbvio trabalho sujo da grande mídia como alavanca e, claro, as manifestações fantasiosas orquestradas pela elite de plantão, à qual se alia uma classe média que esquece as suas origens e se agarra no sonho de uma vaga na garagem do country club alheio.

Mas, antes, uma pergunta: que "esquerda" é essa que o conservadorismo coxinha tanto quer combater?

Ora, nos últimos anos o Governo esteve, progressivamente, equidistante dos espectros políticos clássicos, não se podendo dizer que aqui se faz uma gestão progressista e políticas públicas de esquerda, basta ver os nomes e as estratégias postas no tabuleiro.

Vamos além: quão diferente (e pior) seria, já neste quarto mandado petista-pmdbista, um alternativo governo tucano-pmdbista?

Logo, em nosso caso não se trata de ideologia ou partidarismo.

É, sim, do lado de lá, preconceito, racismo e ódio: ódio de classe, de cor e de origem.

Ódio do lado que se escolheu e pelo qual se imagina lutar.

Ódio em ver que um partido popular, com bases populares e sob a liderança populista de Lula -- sim, o  "populismo" pode ser bom -- está há doze anos no poder, intransigente na ideia de pôr fim na miséria e de reduzir a redução da desigualdade social.

E, principalmente, ódio em saber que, sem golpe, as perspectivas são desalentadoras e a chance é zero de retomar o poder nas urnas.

Afinal, só há uma candidatura com chance de vitória em -- se houver eleições -- 2018: uma que se faça pelo lado esquerdo do peito, com Lula (PT), Ciro (PDT), Flávio Dino (PCdoB) ou Fernando Haddad (PT).

Depois, o problema está no que diferencia as forças reacionárias do Brasil -- a direita, a grande mídia e a alta burguesia -- e algumas políticas deste Governo.

Claro que tudo ainda é pouco, uma vez que a expectativa era radicalizar para transformar a vida brasileira, como aqui se demonstrou.

Contudo, ora, nunca antes se enfrentou tão a sério o nosso mais grave problema: a desigualdade social, o abismo que separa e segrega a nossas gente -- e nesta esteira vem dezenas de ações que buscam aplacar esta nossa chaga, como "Prouni", "Pronatec", "Pronaf", "Mais Médicos", "Minha Casa, Minha Vida", "Bolsa Família" etc.

E, depois, temos ainda a Petrobras -- como aqui já dissemos, desde Vargas um objeto de desejo nada obscuro das multinacionais e dos países ricos.

Enfim, lá e cá, embora na superfície e em alguns aspectos possam se parecer, o que está em jogo não são apenas os interesses de um Governo que fora eleito com a visão de centro-esquerda e de toda uma sociedade esperançosa em oposição às ideias da direita e dos seus donos de engenho.

O que está em jogo é a nossa construção democrática.

E contra ela se quer o caos.