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terça-feira, 20 de março de 2018

# vitrines e espelhos: a vertigem hipersocial



A cada dia se nota a constrangedora evolução dos hábitos e do comportamento humano, demasiadamente humano, no universo das relações sociais da internet.

Em cada detalhe, em cada gesto, em cada canto, em cada esquina virtual, mais e mais pessoas parecem insistir em não entender o espírito da coisa – como aqui destacamos sobre uma das ágoras pós-modernas, o twitter, o qual é por muitos usado, infelizmente, ou como palanque de tipos celenterados que antes rastejavam pelos porões urbanos e que agora buscam ali seus 140 caracteres de fama, ou como um divã onde ácaros e anêmonas despejam seus recalques e frustrações.

Ou então, e muito mais perigoso, o tal do facebook, uma máquina de destruição social em massa e o maior big brother orwelliano jamais imaginado do planeta Terra

O que leva a massa a desabrochar seus sentimentos, vidas e vontades, tudo e a todo instante, em rede mundial, na busca de ver e ser visto  eis, então, a princípio, a cultura do grande irmão, trazendo seres que rompem continuamente a sua privacidade, os seus dados, a sua alma.

Só porque você encontrou aquele sujeito que nem se lembrava, lá da quarta série, acha bacana? Ou somente porque você é fã daquele seu amigo superbacana acha interessante derramar algumas palavras ali, na tela, bacana? Ou será que toda essa gente se engana ou então finge que não vê?

Ora, para que me interessa saber o que fulanos, beltranos e cicranos fazem das suas vidas? 

E o que dizer do “perfil” que cada um oferece: gosto de ler nietzsche, sou parda e simpática, tenho aracnofobia e uso pasta dental crest menthol extra-light, como produtos etiquetados postos em vitrine para consumo ou deleite?

As pessoas têm amigos e relacionamentos que permitem e velam por tal abertura, por tais (re)conhecimentos, por tais intimidades recíprocas... agora, fazer desse clubinho uma vitrine humana, que nos fazem reféns diários de novos contatos, de um encarniçado networking e de mais números entre parêntesis é certamente execrável. 

E, então, eis que surge o maior caos, o caos social, que vai sim, rechear-se de demagogia, de hipocrisia, de superficialidade, de mecanização das relações. 

E como piora, se degrada e não tem fim o poço da falta de razão com que se apresentam, à toa, atochadas numa casca de noz que representa um universo da falta de noção.

Ou, pior ainda, da sobra de vaidade, de auto-estima, de "autoemesia".

Neste terremoto civilizacional das tais redes sociais, como, pior ainda, o instagram, um contingente incrível que se tatua online para tentar tatear a própria realidade – e até estes dias, acreditem, a onda era o selfie after sex.

E assim avoluma, avulta, vaza e entope cada carótida das teias nervosas da rede uma imensa gente com os seus auto-retratos, seus pós-retratos ou os retratos autônomos das suas vidas que vivem de descartes, do que se tem que fazer ou ter e do que está out ou in, conforme as bancas de revista e as coca-colas da vida anunciam e dita a "modernidade líquida" de Bauman.

O "nada" adquire poderes sobrenaturais: o ar respirado, a comida engolida, o visto dos olhos, tudo se motiva para entrar na esfera do público, para o público, pelo público  e até os pêlos tornam-se públicos.

A exposição é gratuita, é ordinária, é vazia e é cheia de uma futilidade que assombra, em versões digitais e sociais da mais rasteira lenda narcisista. 

Ora, intriga-me saber o quê e como se enxergam estas pessoas, que no mais simples, cotidiano e mesmo íntimo ato da vida fazem máxima questão de, num quase ato de extrema-unção, colocarem-se à mostra para o fim abençoado da plateia.

Uma "vitrine humana", desnecessária e sem sentido, como aqui já falamos, numa época em que a moda era outra passarela.

Vê-se espelhos pra cá, poses pra cá, pratos acolá, abraços com micos, emas e estátuas vivas, tudo é visto, selado, registrado, carimbado e explicitamente disposto se quiser voar para a boca e olhos de todos, para consumo mundial, vinte e quatro horas no ar.

É a vida à la carte, a vida em pedaços, a vida fatiada e servida nas suas melhores partes, num banquete enfetichezado.

Eis a máxima: “o que não está postado no mundo da redes sociais não está no mundo”, prega esta gente com os seus luxuriantes frames, quadros e quadrantes, na profunda patologia do barulho e da irrelevância do tudo.

Ou, como diria o filósofo Guy Debord e a sua "sociedade do espetáculo", o hiperreal é onde está a verdade.

E isso tudo aliena, enfastia, engana e finge-se natural, fruto de uma geração que se empanturra com uma curtição alheia, acrítica, aviltada, atabalhoada, sofrida, sôfrega, quase sonâmbula, típica de quem anda está perdido na caverna platônica.

Não sei, talvez essa gente toda esteja afundada após mergulhar na entorpecida imagem refletida na lagoa.


Ou, então, no vácuo da psyché pobre e vazia que faz cada um "ser" somente naquele ato ou naquele objeto fotografado e espalhado para o mundo.


Para assim seguirem, etiquetados e diariamente presos num estranho processo que faz corar qualquer iluminista do séc. XVIII.

Até que, um dia, enfim uma maioria perceba do que é feita esta árvore da vida  e mais, de que os seus envenenados frutos nunca recompensaram.

E aí voltaremos a sentir, a pensar, a dialogar.

Voltaremos a ser.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

# surdos e bocas



As pessoas não estão dispostas a ouvir.

E as que ouvem, ouvem aquilo que lhes apetece, aquilo que lhes deixa na zona do conforto, aquilo que lhes evitam pensar, refletir, aquilo, enfim, que as fazem senhoras da situação.

Por outro lado, as pessoas querem "falar", se acotovelam no falar a esmo, se lambuzam de frases feitas (como aqui) e se contorcem para tentar confirmar tudo e aparentar tudo saber. 

E por terem vergonha do silêncio contemplador -- que escuta para refletir e propor --, tornam-se matracas do vazio, do oco, do vão, do estéril.

Esta gente, pois, raramente ousa discutir este " saber" -- evidentemente, é claro.

Por isso, o que mais se vê é aquele sem números de interlocutores fingindo escutar, a balançar repetidamente a cabeça de modo a concordar com o que (não) se ouve e assim acabar rapidamente com a conversa. 

Talvez isso seja parte desta geração networking, google ou selfie made, a qual insiste em se antenar em tudo mas alienar-se no nada.

Infelizmente, rodas sérias de grandes conversas -- que jamais precisariam se limitar ao meio acadêmico ou, cruz-credo, num outro tipo de ambiente de trabalho -- em mesas de bar, em salas de jantar ou em qualquer lugar do microcosmo da vida estão cada vez mais raras.

Afora a ânsia de só-falar ou de não-querer-discutir-por-não-concordar-e-não-conseguir-argumentar, este comportamento repelente e ensimesmado reflete a impaciência pelo controverso, a intolerância ao desconhecido, o preconceito pelo novo, o rancor pelo alheio e a soberba do ego.

São indigentes do processo de conhecimento, a desprezar um dos mais caros legados gregos: a dialética.

Sim, este "caminho entre as ideias" -- em cujas lógicas de aparente conflito extrai-se o aprendizado --, revela-se algo cada vez mais distante da nossa sociedade.

A revelar um comportamento que cada vez mais aproxima ao dos outros bichos.

Mas, em nosso caso, como ventríloquos enjaulados em egocêntricas e impermeáveis vitrines.



 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

# racio símio



Como sempre, o fundo do poço é ainda mais embaixo  e neste momento lembro dos Titãs, na fase "Õ Blesq Blom" da minha adolescência e daquele raciocínio simiesco musicado (o que, já por ora, me faz sentir ofender a inteligência dos primatas não-humanos...).

É que num destes pormenores que recheiam a vida, de novo me deparo com este "big brother brasil", um dos maiores shows de horror televisivo da história do planeta, e que noto sempre se superar.

A cada edição do troço, inclusive, ouso imaginar que o (nosso) fim esteja perto.

Bem, nestes prolegômenos devo antes admitir que, muito pior do que os animais  sim, "zoológico humano" é a expressão usada por gente da própria mídia global quando se refere ao evento e seus participantes – que se expõem naquilo tudo, as piores espécies são mesmo as que assistem, fomentam e sustentam o degradante espetáculo.

Degradante e mendaz, na medida em que, para aquilo tudo que pretende, o programa global é muito mais (hipocritamente) obsceno que toda a programação daqueles canais para "adultos", pois age com dissimulação, desfaçatez e desonestidade.

Finge, pois, ser algo que não é.

Fomenta aquele oba-oba sem sentido como se natural, como se cotidiano, como se o mundo realmente fosse feito daqueles dias e dias de orgia platinada, daquelas noites e noites de venustas festas. 

É, o tempo inteiro, a todo instante, um desfile de carnes sem sentido, à exaustão, para todos os tipos, para todos os gostos; é, num tempo triste, a escatologia na tela aberta brasileira e na voz infausta de um locutor poente.

E como nunca antes, a busca frenética pela grana da audiência abusa de qualquer mínimo sentido e açoita os mais básicos princípios que deveriam orientar um meio de comunicação cuja natureza é de utilidade pública.

Ah, mas o interesse público está justamente no interesse do público em acompanhar o reino animal em estado bruto, puro, selvagem...

Não, não.

Para isso tem-se os canais adequados para se promover e ostentar um ambiente dionísico e de luxúria o quanto quiser e como se queira  afora, claro, os canais da Discovery

Agora, para devassar e arrombar a retina de quem vê TV às dez da noite, isso não é legal. 

É imoral e engorda  pode soar piegas ou carola, mas não vejo como razoável o maior veículo de comunicação do país invadir os lares, em uma hora dessas, para despejar um rio pútrido de frases e imagens com ares de imaculada naturalidade e de inocente diversão.

Se, afinal, é este entretenimento que o distinto público curte, use-se dos canais da "TV a cabo", com suas regras e características próprias, abuse-se dos meios minimamente pertinentes às categorias de sinal, de ambiente, de programação e de horário para expor aquilo tudo  e os urubus e abutres, ávidos pela fortuna do patrocínio publicitário, continuarão saciados.

Mas o que não se pode admitir é a candidez de se promover, à exaustão, mensagens mais ou menos (ou nada) subliminares da vida sem sentido, da contracultura social, da idiotização plena, como se tudo não passasse de uma grande festa sem raiz (e crise) existencial.

Nesta TV, as pedras que rolam são cabeças vazias, para indiscreto delírio dos telespectadores enjaulados em si.

Sim, a jaula está do lado de cá da tela.




sexta-feira, 5 de julho de 2013

# memórias de um estudante sem malícias


Em “Memórias de um Sargento de Milícias”, por muito pouco meu reino não ruiu.

E foram estas “memórias” que hoje me vieram à tona, quando, para desasnar, conversava rapidamente com uma amiga sobre literatura, mais precisamente sobre parte da literatura brasileira dos séculos XVIII e XIX.

Inicialmente, uma conclusão já óbvia: por que cargas d´água nós, no auge dos 12 anos, somos obrigados a ler Manuel Antonio de Almeida, Raul Pompéia, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e outras feras, em cujos livros pouco de significativo há para quem (ainda) não quer começar a ter o gosto pela literatura?

E de pronto sempre vem uma contra-pergunta, a afirmar que ninguém nesta fase infanto-juvenil gosta de estudar coisa alguma. Porém, é diferente: aqui temos coisas que se avolumam em duzentas ou trezentas páginas e que se rastejam para se impregnarem em nossas almas por luas e mais luas, quase meses, tudo muito diferente de um estudo com fórmulas químico-físicas, exercícios matemáticos ou curtos contos de história e geografia com começo-meio-fim e que duram alguns parágrafos ou páginas.

Sendo assim, vejamos: o que falar da poesia arcadista a ser decorada em todos os seus quadrantes? E dos parnasianos da gema que nos mandavam ler e a eles nos prostrar?

Ora, a leitura desta nossa antiga e arcaica literatura, quase pré-socrática, parece durar seis vidas, tempo suficiente para quereremos largar tudo e ir direto para o Inferno, ou ir lutar contra moinhos gigantes, ou ir tentar fugir de uma baleia enfurecida, ou quem sabe ir tomar chá com algum chapeleiro tresloucado. No mundo literário, todas estas opções são muito mais gratificantes.

Enquanto a nossa prosa pré-realista jamais conseguirá ser recebida pelos olhos juvenis, o que veio antes dos modernistas também poderia passar sem deixar vestígios. Ouso, inclusive, ser radical e dizer que, não fosse o brilhantismo máximo de Machado de Assis e de mais uns e outros da sua época, o nosso mundo literário iniciar-se-ia com a Semana de Arte Moderna, em cuja contemporaneidade temos a chegada dos nossos grandes gênios de verso e prosa.

Não estamos a exaltar o desconhecimento da nossa história, tão-pouco se trata de uma apologia à ignorância ou uma renegação aos estudos da nossa língua.

Mas, creio eu, se poderia dispensar um aprofundamento impertinente para aquele alucinante momento da vida, cujos efeitos, ainda que num ponto de vida utilitarista, são negativos, pois afasta potenciais leitores da nossa inculta e bela, afasta aqueles que, talvez poucos anos à frente, poderiam mergulhar no passado literário da última flor do lácio sem dor e sem preconceitos.

Foi então que minha amiga trouxe à nossa conversa a obra de Camilo Castelo Branco, escritor lusitano de dois séculos atrás e cujos textos confessei jamais ter lido.

“Relaxe e dispense, não perde nada”, disse ela, com uma segurança ímpar.

Meu mundo, oh, meu mundo por esta frase naquela tarde dos idos de 1985, quando o professor de Língua Portuguesa, ao invés de pular esta fase da literatura – que, é claro, está umbilicalmente relacionada à nossa – e os seus autores, obrigou-nos a leitura e a apresentação de um complexo trabalho daquela obra (resumo, análise dos personagens, aspectos sociais, culturais...) que fala das lembranças e desventuras de um milico de araque.

Era coisa para uma vida, pensava eu. E talvez tenha sido a partir dali meu ressábio quando sujeitos de verde-oliva me aparecem, a carregar o mau-agouro daquele período em que fiquei semanas e semanas trancafiado em meu quarto com aquele livro e com aqueles histórias absolutamente chatas e longas de um sujeito que militava em torno da funesta turma da farda.

Mas não foi este o fato mais significativo daquele momento.

Na verdade, o meu desespero foi ainda maior em razão da certeza que passava a ter: era eu uma besta, um jumento incapaz de compreender uma frase daquele livro se não lida seis vezes, ou um parágrafo se não repetido à exaustão. Confesso que até o título eu tive que ler e reler para sacar.

Assim, desesperava-me o fato de que, dali a poucos meses, não conseguiria traduzir meia-dúzia de vírgulas acerca daquilo que se passava como aquele sujeito naquele Rio de Janeiro quase medieval; angustiava-me a certeza de que não iria enxergar nenhum aspecto – ainda mais "aspectos" das mais variadas estirpes – para relatar; e saíam-me brotoejas por imaginar não conseguir escrever bulhufas de nenhum daqueles toscos personagens.

Impotente em buscar a exegese da obra ou de entender os objetivos do autor, peguntava-me, absoluto: o que serei no futuro, diante de tanta incapacidade de leitura? O que será de mim perante todos os meus colegas, com certeza mais sabichões e que muito bem entenderam as aventuras do sargento e cia?

E passados tantos e tantos dias, e passadas dezenas de folhas de papel-almaço num mequetrefe manuscrito, eis que na véspera da entrega supus finalizar aquilo que mal sabia como tinha começado.

Chegado o dia, adentra o professor em classe.

A sala muda, mas ninguém mais mudo do que eu, numa mudez que chegava a me cegar, impossibilitando-me sequer olhar para o colega ao lado e comparar forma ou tamanho. Era como se eu estivesse num mictório, em repouso e acabrunhado com o momento.

Ele faz a chamada e, ato contínuo, pede para cada um se levantar e deixar o trabalho feito sobre a mesa.

Ele termina a chamada, pega a pilha de trabalhos e passa a chamar um a um para devolvê-los, sem correção, sem contestação, sem comoção – e sem a minha humilhação.

Sim, era um blefe para provar a nossa leitura e os nossos estudos. E passa aquela aula toda, e parte da seguinte, a explicar a obra e seus texto e contextos.

E assim, mais do que aliviado pela minha ignorância ter sido resguardada e rasgada no silêncio da lixeira do pátio externo, vi que talvez eu não era tão asnil assim, pois coisa ou outra até havia captado daquilo tudo. 

Embora ainda hoje continue sem saber: afinal, por que Leonardo-Pataca foi abandonado pela cigana?



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

# eu sou o samba...



fds2 de dezembro, Dia Nacional do Samba.

fdsMas, aqui, na sua terra, natal ou por adoção -- e lá se vai infinita discussão... --, nem precisava.
fdsHoje, por exemplo, programaço no Clube dos Democráticos -- onde desde 1870 (!) faz-se baile de carnaval... --, em homenagem à Cartola e a tantas velhas guardas cariocas. Ou então na Estação Leopoldina, com Arlindo Cruz, Maria Rita e o grupo Bambas de Berço. Ou quem sabe no Centro Cultural Carioca, em cujo salão, desde o começo do século passado (à época como "Dancing Eldorado"), se canta a grande música popular brasileira, hoje com o Pagode da Tia Doca.
fdsMas melhor ainda é neste sábado, com o já clássico "Trem do Samba".
fdsJá a partir das 11 horas, grande show na Central do Brasil, com Wilson Moreira, Nelson Sargento, além das ilustres Velhas Guardas da Portela, Império Serrano, Mangueira, Salgueiro e Vila Isabel e a Bateria do Mestre Faísca.
fdsDepois, três trens (sem tigres tristes) sairão da Central em direção a Oswaldo Cruz (13h30, 14h e 14h30).
fdsChegando em Oswaldo Cruz, três palcos estarão montados para a festa continuar.
fdsNo palco ao lado da via férrea estão confirmadas as apresentações de Noca da Portela, Delcio Carvalho e o Pagode da Tia Doca.
fdsOutro palco da Rua Átila da Silveira será feita uma homenagem ao Cacique de Ramos com Partideiros do Cacique e Sombrinha, além das apresentações de Toninho Gerais, Tia Surica e Zé Luiz do Império.
fdsNo palco da Praça Paulo da Portela, se apresentarão o grupo Descendo a Serra, Ari do Cavaco, as Velhas Guardas do Império Serrano, Salgueiro, Mangueira e Vila Isabel. Neste palco, Marquinhos de Oswaldo Cruz e a Velha Guarda da Portela darão o grande fecho ao evento.
fdsMas calma, não vai ter só show em palco. Durante todo o dia acontecerão rodas de samba pelo bairro, com o Bloco dos Cachaças, o Clube do Samba, o Grupo Galeria da Velha Guarda da Portela, na Carvoaria, na Pirapora etc.
fdsPortanto, a programação é o de menos: o bacana é ficar indo lá-e-cá, passeando, conversando e parando para cantar samba onde estiver mais animado (ou mais melancólico), numa peregrinação que nos fará ouvir Donga, Cartola, Pixinguinha, Noel, Ary, Ataulfo, Adoniran, Nelson, Wilson, Cachaça, Sargento, Geraldo, Vinicius, Candeia, Monarco, Clementina e toda a jovem, ou nem tão jovem assim, nata sambística.
fdsEsse é, também, o Rio de Janeiro...
fds

 

quarta-feira, 31 de março de 2010

# sopa de letrinhas (e de desenvolvimento)


Um dos morros mais tradicionais da cultura brasileira, berço do samba e de bambas, enaltecido em letras de sambas memoráveis e vizinho do maior estádio de futebol do mundo, a Mangueira tem um projeto de reurbanização pronto para acompanhar a iminente instalação de uma "Unidade de Polícia Pacificadora" (UPP).

Com a perspectiva de receber recursos da segunda fase do "Programa de Aceleração de Crescimento" (PAC-2) do Governo Federal, o governo e a prefeitura do Rio fizeram um projeto em conjunto e ambicioso: para conectar o morro eternizado por Cartola e Carlos Cachaça com outros pontos da cidade, está prevista, a construção de um teleférico, de passarelas, de ciclovias e de calçadas ecológicas, obras urbanas que, como nunca integrarão de vez a comunidades daquelas favelas com a cidade, de forma sensível, cívica e civilizada.

É o PAC e as UPP's tornando-se as siglas mais importantes para o povo carioca (v. aqui).


 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

# coelho branco


fdsfdsCuritiba tem a sina de ser um Portugal no Brasil, tamanha a sensatez e a alegria com que faz a maior festa do mundo, o Carnaval.
fdsfdsPorém, no final da tarde ensolarada deste domingo, em despretensiosa, pero no mucho, passagem pelo Largo da Ordem -- centro histórico-cultural da cidade --, um baque, um susto.
fdsfdsEis que me deparo com uma pequena multidão em êxtase, em esfuziantes danças&cantorias e num amontoado ziriguidum&telecoteco, a lotar a praça histórica da capital. "Quanto riso, oh quanta alegria!", eu me disse.
fdsfdsNum microtrio liderado por meia-dúzia de tenores e uma simpática charanga, o povo -- na sua maioria jovens e mulheres, belas e alternativas --, sem resfolegar-se, pulava, cantava, sorria, beijava e bebia ao som das grandes marchinhas de carnaval e dos nossos mais clássicos sambas-enredos.
fdsfdsNão sei o que foi, nem quem inventou ou promoveu. Mas quero registrar aqui a grande ideia e o grande barato do negócio.
fdsfdsPor alguns instantes, eu parecia ter entrado no buraco de Alice e caído noutro lugar, noutra terra.

 
fds

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

# aspas (xxxii)

f
dsNa linha do que à profusão escrevemos neste nosso sideral espaço virtual, o sociólogo gaúcho Cristóvão Feil (v. aqui) brinda-nos com o texto abaixo:
 
fds"Há um visível recrudescimento na idiotização das pessoas.fdsA mídia é a principal usina de produção em série de idiotas e tolos de todos os calibres. O nivelamento por baixo e o achatamento geral do imaginário médio é a principal contribuição dos modernos meios de comunicação de massas. Hoje, é muito fácil encontrar o que eu chamo de idiota triunfante, aqueles sujeitos que se orgulham da própria ignorância e pobreza de espírito. O tolinho jactancioso tira prazer onanista da sua condição, e se basta.
fdsO espírito de nossa época --o Zeitgeist, como diz apropriadamente o alemão -- flutua numa emulsão formada por dois elementos: a ciência (as tecnologias) e a idiotice. Os idiotas de nosso tempo se projetam nos gadgets que encontram pelo caminho.fdsObservem: todo o tolo que se preza porta pelo menos um artefato mecânico ou eletrônico. Não vive sem essas muletas. É a sua forma de se referenciar com o mundo, de comunicar a sua estupidez relativa ('afinal, estou conectado ao futuro!').fdsMas o fenômeno não é original. Gustave Flaubert, o corrosivo crítico da burguesia, ainda no século 19 já havia detectado o fenômeno da tolice social. Para tanto, começou a colecionar os ditos correntes do senso comum e reuniu-os no famoso 'Dictionnaire des idées reçues'. O escritor francês comentou -- e publicou nesta pequena obra de pouco mais de cem páginas -- todas as bobagens ditas pelas pessoas que queriam parecer inteligentes e atualizadas. Aliás, Flaubert seria o descobridor da tolice.fdsQuem garante é Milan Kundera, para quem a tolice é a maior descoberta de um século - o 19 - tão orgulhoso de sua razão científica. Antes de Flaubert não se duvidava da existência da tolice, embora esta fosse compreendida de um modo diferente. A tolice era considerada como uma simples falha do conhecimento, um vazio provisório, passível de ser preenchido pela instrução.fdsMas Flaubert insiste, e praticamente sustenta a sua obra baseada no tema da tolice e da idiotia. Ema Bovary é uma tola que aspirava ser amada por todos os homens. Bouvard e Pécuchet são dois pequenos idiotas que aspiram conhecimentos enciclopédicos acerca de tudo. Leio agora na Wikipédia que Barthes considerou 'Bouvard e Pécuchet' como 'uma obra de vanguarda'. A considerar a idiotia galopante de nossos dias, pode ser.fdsKundera brinca afirmando que 'a descoberta flaubertiana é mais importante para o futuro da humanidade que as ideias mais perturbadoras de Marx ou de Freud'. Pois podemos imaginar o futuro do mundo -- prossegue Kundera -- sem a luta de classes ou sem a psicanálise, mas não a invasão irresistível das ideias feitas, estandardizadas, pasteurizadas, que, 'inscritas nos computadores, propagadas pela mídia, ameaçam tornar-se em breve uma força que esmagará todo o pensamento original e individual e sufocará assim a própria essência da cultura européia dos Tempos Modernos'.
fdsO mais chocante -- constatado pelos geniais romances de Flaubert -- é que a tolice não se apaga diante da ciência, das altas tecnologias, da pósmodernidade (seja lá o que isso signifique). Milan Kundera ousa afirmar que 'ao contrário, com o progresso, ela também progride!'.
fdsArrisco a dizer que os bobalhões e as baratas sobreviverão ao próprio planeta. 'Coisas da vida' - como diria Kurt Vonnegut, outro escritor especialista em tolos e idiotas."
fds


 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

# sabáticas




fdsNestes quinze dias de férias, a oportunidade para a (quase) derradeira leitura de quatro excelentes livros: "O Mito da Propriedade", de Liam Murphy e Thomas Nagel (publicado no Brasil pela Martins Fontes); "Le fondement de la morale", de Marcel Conche (Ed. PUF); "Democracia e Marxismo: Crítica à Razão Liberal", de Juarez Guimarães (Ed. Xamã); e, por fim, "Para uma Revolução Democrática da Justiça", de Boaventura de Souza Santos (publicado no Brasil pela Editora Cortez).
fdsTodos absolutamente recomendados, inclusive para quem não está del otro lado del rio.

fds
 

terça-feira, 6 de outubro de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

# um "cagüeta" de carteirinha vestido de canarinho


Assisti ao filme "Ninguém Sabe o Duro que Dei", que retrata a vida do cantor Wilson Simonal, um cantor-dançarino que foi ícone da juventude brasileira dos anos 60-70.
 
Além de ter se tornado famoso pelo que cantava (?) e dançava (???), recebeu a alcunha de notório dedo-duro, de ser -- e, dizem, de se vangloriar como -- o grande delator do universo cultural-intelectual do Brasil que, nos anos de chumbo, opunha-se à ditadura militar. Enfim, uma espécie de candinha-mor dos milicos e de toda a direita de plantão.

Dúvidas pra lá, defesas e argumentações pra cá, saí com a certeza: o cara foi sim um traíra e uma baita "alcagüeta", como gosta o vernáculo.
 
E tenho tal convicção com base num único fato: não foi só pela simpatia e pela amizade que Simonal nutria com os craques da Seleção Brasileira de 70 -- entre eles Pelé -- que o fizeram ter estado lado-a-lado e juntinho de toda a delegação brasileira na Copa do México, bem distante dos outros noventa milhões em ação que sofriam aqui no país. Teria que ter havido algo mais.... bingo!

Em troca de dedurar uma penca de artistas, escritores e intelectuais da esquerda, comunistas ou não -- e, ipso facto, contrários ao regime da "tradição, família e propriedade" que perdurava nestes tristes trópicos --, ele teria cadeira cativa na delegação brasileira que iria ao México disputar a Copa do Mundo.

Dito e feito.

Já que o General Emilio Médici e sua bizarra trupe em tudo mandava, inclusive na CBD (hoje CBF) -- quando então mandou demitir o técnico João Saldanha, notório vermelho, e convocar o folclórico centrovante Dadá Maravilha --, não lhe custaria nada exigir a presença do alegre fofoqueiro.

E, cantando e dançando para todo o grupo, lá foi Wilson Simonal como o mais divertido "aspone" da delegação do Brasil, que muito intimamente -- e em troca de muitas cabeças -- conseguiu acompanhar o melhor time de futebol de todos os tempos.


 

segunda-feira, 2 de março de 2009

# aspas (viii)



Já questionamos -- várias vezes e em diversas áreas -- a validade jurídica da "propriedade" e, maiormente, das "patentes".

Eis, agora, o que disse Gilberto Gil, ex-Ministro da Cultura (2002-2008), acerca da pirataria na indústria fonográfica, da hegemonia e da dominância do modelo industrial-capitalista da cultura e dos interesses e dos "direitos" dos grandes produtores (v. aqui, na íntegra):
 
   "Eles [os grandes homens da indústria da cultura] querem resistir.
   Porque isso é natural, eles são refratários, são acomodados, e são ciosos dos seus interesses, que eles tendem a interpretar como seus direitos. Acham que seus interesses têm que ser interpretados como seus direitos. Às vezes não são seus direitos, são só seus interesses, que não precisam ser respeitados como direitos. Não são direitos, não.
   A pirataria tem direito a desafiá-los. Pirataria é desobediência civil. Tem que ser vista assim, também. Não tem que ser vista só como criminalidade. Tem que ser vista como desobediência civil! Assim como os protestos das esquerdas, dos sindicatos..."



 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

# e atrás do trio elétrico só não vai quem não pode pagar...

 
Mais uma vez o Brasil avaliza, tacitamente, um desserviço à sua gente.

A triste realidade que pouco encanta nos quentes trópicos da Bahia finalmente clama – e já não mais se desengana – por um revigorado programa: o lampejante e autofágico fim de um modelo, um modelo até então assente nos versos de Caetano Veloso que dizia "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu".

Concomitante a todos os efeitos neoliberais que assolam a sociedade, os (agora findados) vinte anos de reinado de partidos de direita – oligárquicos e conservadores – em Salvador, na Bahia, ultrapassou as searas sócio-político-econômicas e desembocou na constituição cultural da maior festa do planeta, uma vez que, literalmente, viu ser privatizado o seu carnaval, a deixar que apenas uma ínfima parcela da sociedade permita-se pagar e, como se pisasse em chão de esmeraldas, ir atrás de um trio elétrico, enquanto a imensa maioria da população fica, perifericamente, num (sub)mundo extra-blocos, longe do tapete vermelho.

De um passado que buscou justamente oferecer ao povo quatro dias de festa – e então propiciar à senzala momentos de alegria&alegria tal qual àqueles gozados nos salões da casa-grande –, o cotidiano traz um festival de preceitos privatistas e elitistas: sim, o fim veio a galope e, enfim, parece ter transformado a máxima festa do povo em um vil mercadoria, bem ao gosto da liberalidade dos neoconservadores.

Ao longe, pode-se notar pelos jornais, pelas tevês e, principalmente, pelos vastos depoimentos de amigos, nativos ou visitantes, que se pratica na capital baiana o outro gênero da segregação, a segregação social, que faz o carnaval, se visto a olhos puros, parecer um baile aristocrata, com a nobreza bem definida, cuidada e protegida ao centro e os serviçais carcomendo-se pelos lados, pelo cantos e pelos subterrâneos das ruas.
Com vestimentas e cordas, escolhe-se o bem e o mal, separam-se gregos e troianos, segrega-se o sangue azul do sangue vermelho, divide-se o branco do preto, aponta-se – erradamente – o joio do trigo.

Com “abadás” (t-shirts usadas para identificar o "bom" do "mau") e “cordeiros” (seres humanos que são pagos, com trocados, para juntos segurarem as "cordas" que envolvem e separam os "eleitos" do "resto") pretende-se expor toda uma população – que inventou, criou, fez e se apaixona pela idéia – à barbárie de ruas e ruelas congestionadas e inescapáveis e à selvageria de fazer homens e mulheres esmagarem-se e disputar a tapas os centímetros quadrados restantes com outras dezenas de crianças e idosos, uma vez que tudo (percurso) e todos (segurança) ficam reservados à fidalguia intra-cordas, com benesses, bar e banheiro privés.

Com preços exorbitantes e convites vip, retorna-se ao tempo de suseranos e vassalos, de corte e plebe, de homens e de ratos, pois, em prol de uma gente – em sua maioria da burguesia sulista e paulista ou do mass media – que se (e)leva e (a)voa por se abundar em milhares de reais, alija-se o povo daquelas suas terras, das suas ruas e da sua festa. E quem ganha com isso?
 
Os homens de black-tie, as “pessoas muito importantes” (?) e, não se esqueça, os músicos, os quais jogam banana e cospem os seus chicletes na cara do povo, uma vez que são silentes e coniventes com a esfoliação praticada pelo show business, outrora um simples “carnaval de rua”.

Com urgência, antes de uma possível catástrofe urbana ou de um motim popular – já saturada ou intransigentes diante da indécora realidade –, os órgãos e as empresas estaduais precisam se movimentar, reassumir as rédeas delegadas ao mercado e promover a sequiosa regulação e reorganização dessa grande festa.
 
Afinal, diante da imperiosidade e da inalienabilidade do espaço e do interesse públicos, deve-se rechaçar a usurpação e a capitalização que hoje, infelizmente, caracteriza a maior folia da terra.
 
 
 
 

domingo, 30 de outubro de 2005

# uma vitrine humana


Finalmente fizeram-me conhecer o tal orkut.

Há tempos, neste horizonte da internet, não constatava tamanha aberração, pluri-sensorial: mental, cultural, social, físiológico etc. Enfim, algo bizarro.

Antes, de início, soube que os brasileiros somos os maiores utentes deste troço.

Péssimo sinal: em linguagem nada criptografada, significa sermos, talvez, o povo mais desocupado do planeta.

Há quem diga que este clube não passa de mais uma conseqüência inútil da vida online. 

Há quem o considere uma vil panelinha virtual. 

Se entendi um pouco da sua idiota mecânica, afora àquela ladainha de que entra quem quer, trata-se da quase-perfeita união entre estas duas teses e outras tantas bestialidades, nas quais não consigo encontrar um pouco justificado motivo para o ingresso.

No clubinho há espaço para tudo -- um breve conhecido, a concunhada gente fina, a nora da irmã da calista da secretária, o moço que traz o gás, adolescentes, vigários-gerais, cães...

Ora, o que leva a massa a desabrochar seus sentimentos em busca de relações minguadas em um fel contagioso onde qualquer um entra e pode ver - eis, então, a princípio, a cultura do grande irmão, trazendo seres que rompem continuamente a sua privacidade, os seus dados, a sua alma; e, a posteriori, o universo das sacanagens atômicas, ou melhor, à bits, indecifráveis, indestinadas e imbecis.

Na esteira, vêm as anomalias cultural, mental e física havidas neste tal clubinho. 

O que interessa-me pensar é: por quê? O que são aqueles porta-retratos virtuais que os selecionáveis dispõem no ecrãn? Vêem-se poses mil, com roupas e nus estrategicamente expostos, com pinturas na cara e muques constrangedores que fazem a autofagia de cada clubenauta. 

E as “citações testemunhais”? Percebo que o brilhante clube tem um espaço para recados do coração, no qual todos os clubenautas sabem, com nome, cara e quase cpf, de quem e para quem vão as declarações. 

Assim, com tudo isso visceralmente exposto, acabam-se as cartas intimamente dirigidas, acabam-se as descobertas à dois, olho no olho, instigantes, particulares, românticas -- tudo em prol de uma rede de centenas de "friends" que surgem após meu nome, entre meus parênteses, restando em números frios, vazios e que, no máximo, nos remetem à uma época rançosa, traduzidas em uma operação de soma zero.

E os "fãs"? Como grande consolo para os não-artistas ou não-boleiros, eis que surgem, de um nada (absoluto ou relativo), seres que te assumem como tal e, mesmo com tamanha puxada-de-saco, permanecerão olvidados em algum canto baldio da tua vida. E as risonhas carinhas amarelinhas ao lado de pulsantes coraçãozinhos vermelhinhos que ilustram o perfil do infeliz?

E, então, eis que surge o maior caos, o caos social, que vai sim, rechear-se de demagogia, de hipocrisia, de superficialidade, de mecanização das relações. 

Só porque você encontrou aquele estúpido que nem se lembrava, lá da quarta série, acha bacana? Ou somente porque você é fã daquele seu amigo superbacana acha interessante estrumar algumas palavras ali, na tela, bacana? Ou será que toda essa gente se engana ou então finge que não vê?

E o que dizer do “perfil” que cada um oferece: gosto de ler nietzsche, sou parda e simpática, i don't need labels, tenho aracnofobia e uso pasta dental crest menthol extra-light.

Ora, para que me interessa saber o que fulanos, beltranos e cicranos fazem das suas vidas? 

As pessoas têm amigos e relacionamentos que permitem e velam por tal abertura, por tais (re)conhecimentos, por tais intimidades recíprocas... agora, fazer desse clubinho uma vitrine humana, que nos fazem reféns diários de novos contatos, de um encarniçado networking e de mais números entre parêntesis é certamente execrável. 

E lastimável, pois, da mesma forma que não podemos perder ou mascarar nossa indentidade, não permitamos escancará-la -- e ninguém me convencerá deste contrário.

Em breve, a realidade dirá quanto desta árvore virtual restará inútil (ou criminosa) para estes prosélitos e, comme il faut, se verá que esta rede não passou de outro funesto modismo acolhido por um infausto contingente humano e que não deixou restos, úteis ou recompensadores.

Porém, são modas, que vem e que vão, assim como a moda de não-ser-do-orkut...