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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

# aspas (xl)


Férias, até 13 de janeiro.

E à sombra da nossa imortal mangueira, desejo aos poucos, mas fiéis leitores, os melhores votos de um 2014 espetacular, com muita saúde e alegrias isso tudo, claro, para quem aprecia e, logo, entende este negócio todo de anos novos e da paralisação geral para se festejar calendários, coisas que para mim já são de relativamente difícil compreensão...
fds
Por fim, aproveitando o ensejo da chegada de mais um Santo Natal e eis aqui um grande e atemporal momento , as máximas e poéticas palavras do maior escritor evangelista, João (1, 1-18): 

1. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.
2. Ele estava no princípio junto de Deus.
3. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.
4. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.
5. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
6. Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João.
7. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.
8. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
9. [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
10. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu.
11. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.
12. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,
13. os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.
14. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.
15. João dá testemunho dele, e exclama: Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim.
16. Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.
17. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
18. Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

# natal

Na festa do Nascimento, na terra ainda muito pouco a se comemorar.

Na vida daqui, o ser continua, mais do que nunca, a querer sucumbir ao ter, em duas vertentes: você não tem, você não é; e você não tem o básico, e então você é menos ainda.

E nesse caos quase paradoxal, ao qual lutamos no combate diário -- afinal, o ter nada significa, senão quanto ao mínimo fundamental -- milhões não têm e não são.

Mas apenas aqui, porque na perspectiva da outra banda o Natal é para todos, igual, cada qual sendo pelo que é e cada qual tendo o que todos precisamos, fundamentalmente, ter.



São Paulo, região central. Morumbi, em laje e zinco, em jacuzzis e varandas. E um muro, num cenário de céu e inferno. É Deus e o Diabo na Terra da Garoa. E todos nós num purgatório. De que lado estamos? Para onde vamos? Até quando?

fds

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

# cartas aos amigos bem depois de 74



Daqui, longe da terra, a lembrança dos amigos faz sair daquela bela carta do Vinícius ao Tom algo mais ou menos assim...

Coimbra, 19 de dezembro de 2005.

Amigos Queridos,

Estou aqui, num quarto de pensão, que dá para um mosteiro, que dá para toda a solidão do mundo.


São 10 horas da noite e não se vê viv’alma. 

Meu avião só sai em março e é impossível alguém estar mais triste do que eu. E como diferente de sempre, nesta hora, escrevo para vocês uma carta que, finalmente, irei mandar-lhes.

Deixei Londres para trás com pouca saudade de algumas semanas de pesquisas, estudos e festas e pela frente tem o Brasil, que é uma paixão permanente em minha vida de ora exilado.

A coisa ruim é que hoje é quase Natal, a data maior, e sei que em algum lugar de nossa cidade haverá uma festa que me cairia muito bem, com todos vocês mandando brasa nos comes-e-bebes, nas conversas e nas musiquinhas. Pois é, com certeza queimaríamos um óleo firme...

Vocês já passaram um 24 de dezembro, amigos, sozinho num país estrangeiro, numa noite sem qualquer perspectiva? É fogo maestros...

Estou doido para ver vocês e recomeçar a trabalhar. Imaginem que este ano foi praticamente dedicado à tese, pois Coimbra não é brincadeira.

Mas agora o tremendão aconteceu mesmo: esta histórica cidade teve que se curvar. Estou a fazer uma obra interessante – modéstia à parte, naturalmente – e vocês vão ver, deu um trabalhão.

Parece até que quando você apresenta trabalhos longe de sua terra algum sentimento patriótico está em jogo, não é engraçado... Mas, como diria o Sérgio Buarque, são as raízes...

Vou agora escrever para casa e pedir dois menus diferentes para a minha chegada. 

Para o almoço, uma feijoadinha com farofa de bacon, bistequinhas de porco (bem tostadinhas), uma couvinha mineira, e doce de coco. 

Para o jantar, um grande churrasco com direito a aperitivos, uma farofa bem soltinha, e papos de anjo... mas daqueles que só a mãe da gente sabe fazer. Daqueles que se a pessoa fosse honrada mesmo, só devia comer metida num banho morno e em trevas totais, pensando, no máximo, na mulher amada. Por aí vocês vêem como estou me sentindo... nem cá, nem lá...

Fiquei muito contente com o sucesso das tarefas, dos trabalhos e das traquinagens de vocês por aí. E a vindoura filha do Jeco hein... que negócio tão direito! Vamos ver se desta vez o rapaz toma jeito...

Fiquei muito contente também com a notícia do insucesso do Coritiba aí no Brasil. Dizem que estão achincalhando o timinho pra valer! Isso me alegra muito pelo Baiano, pelo Neto e pelo Black... e pra que mentir, por mim também! É bom saber que aos poucos este time vai sendo esquecido, que o povo passa a ficar cantando outras coisas... pois, no fundo mesmo, é para o bem deles que aquele time se decompõe.

Ainda, por ser quase época de Copa do Mundo, lembro-me tão bem quando fizemos um samba, uma madrugada, na praia, há uns seis anos atrás, por aí... Eu disse a Chico, a Zappa e a Gerson: “Isso tem pinta de sucesso!”.

E ficamos dançando e cantando samba, até o sol raiar...