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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

# a derrubada de uma torre



Hoje ainda se fala muito da derrubada das torres gêmeas.

Entretanto, o que talvez mais se deva lamentar é aquele 11 de setembro de 1973, quando foi derrubada uma outra (e muito maior) "torre".

Nesta data, a direita chilena, em conluio com o Governo dos EUA e o apoio das ditaduras  sul-americanas, deu o Golpe e acabou com a democracia no Chile.

E esta tropa toda invadiu o Palácio de La Moneda, assassinou o presidente eleito Salvador Allende e acabou com um dos mais democraticamente revolucionários mandatos populares já existentes no mundo, no qual se desenvolvia um outro modelo, assente numa imaginação institucional alternativa, com raízes socialistas de Estado e de gestão pública e que repensava, para transformar, as relações de capital e de trabalho.

Em suma, o Chile, pelas mãos de Allende e o imaginário coletivo do povo, edificava um socialismo fundado em paz, democracia, pluralismo e liberdade, como assim descreveu Darcy Ribeiro, em carta publicada após o massacre golpista (v. aqui).

À sombra da mangueira imortal já nos pronunciamos sobre o fato, um dos mais tristes e lastimosos para todos aqueles que creem numa outra sociedade: justa, livre, igualitária e fraterna (v. aqui e aqui).

Ouçam, aqui, o último e arrepiante pronunciamento de Allende -- percebam a voz, a  serena, forte e inabalável voz de um dos maiores líderes latino-americanos --, feito ao vivo à "Rádio Magallanes" da capital Santiago, concomitante aos bombardeios e minutos antes da invasão como desfecho do golpe.

É, simplesmente, um dos maiores discursos da História.


A derrubada de uma Torre, tijolo a tijolo num desenho trágico.




terça-feira, 14 de abril de 2015

# a arte de conviver sem se curvar



O reencontro entre Cuba e EUA, afora reforçar o fato de que o Papa Francisco -- arquiteto moral da reunião -- caminha para ser o mais importante líder religioso da história moderna, revela que "diplomacia" pode muito bem conviver com "soberania".

Cuba, com a medida, dá sinceras mostras de que quer -- porque precisa -- avançar e se adaptar à realidade do mundo, aos poucos reconhecendo que os cinquenta anos que se passaram desde a revolução tiveram, nesta dinâmica global, o efeito de uma "Era", cujo presente mostra um passado insustentável diante do cotidiano real e das necessidades virtuais dos seus mais ou menos jovens, que não querem só comida, diversão e arte (v. aqui).

A Ilha, pois, sabe que para sustentar o seu modelo de Estado precisa adequar-se à tese do revolucionário chinês Deng Xiaoping, na retomada pós-Mao: "não importa a cor do gato, desde que cace o rato"

Todavia, diante da sua história de audácia, resistência e bravura, Cuba certamente não haverá de se curvar a ponto de anular os seus tão caros valores nacionais e humanos.

Os Estados Unidos -- ou seriam apenas uns poucos democratas? --, muitos anos depois de convenientemente aceitarem (e sublimarem) China e Vietnan, já não veem mais sentido em continuar a desrespeitar Cuba e a sua autodeterminação popular, já não veem mais a mínima lógica em inventar uma cortina que separa os maus barbudos e os bons yankees e já não veem mais como agradar a imensa população hispânica que preenche os seus Estados fora de Miami.

Além disso, já veem os bons dividendos mercantis que o vizinho caribenho poderá lhe trazer, mitigando os efeitos negativos de uma preterição econômica e geopolítica, haja vista a notória ocupação de espaço do Brasil em todos os planos latinoamericanos. 

Mas, o motivo dos motivos, é outro (e para além do império tupiniquim): temem que os russos novamente cheguem primeiro, haja vista a intermitente "guerra fria" entre Tio Sam e Tio Putin que hoje parece retomar fôlego.

Em suma, uniram o externamente agradável ao internamente útil.

Entretanto, devem agora finalmente reconhecer a excrescência que é manter o abusivo e indecente bloqueio econômico -- um "ato de guerra", confessou a ONU --, que vai para muito além da mera vedação ao comércio bilateral -- algo que se poderia não contestar --, na qual se excetua apenas uma pequena lista de itens agrícolas e farmacêuticos.

O problema do negócio é que, como se vê aquiaqui e aqui, o embargo alcança indiretamente o mundo inteiro que comercializa com Cuba.

Ou seja, para os EUA a regra real desse bloqueio travestido de "embargo" é, tipo birra de colégio: se você fizer negócios com Cuba, não fará mais comigo".

Porém, a jurássica mídia, claro, não deixa qualquer espaço para se refletir o assunto -- e, muito menos, pensar sobre alternativas institucionais, sobre como se constroem sistemas de saúde e educação com um PIB ridículo (v. aqui e aqui), sobre como se obtêm índices de violência em níveis escandinavos  e, claro, sobre o grande estrago que faz o tal embargo.

Na real, esta grande imprensa apenas dá a sua imutável e jocosa versão para insistir na caricatura do negócio, de modo a bem entreter o seu público e os seus interesses, que como chapeuzinhos azuis gritam pelas estradas afora do Brasil coisas como "Vá pra Cuba!" ou pedem socorro diante de uma invasão "bolivariana".

Enfim, em que pese a questão principal não ter sido resolvida -- a manutenção do bloqueio econômico, repita-se --, já se pode dizer que a Política aparentemente venceu.

E as economias nacionais -- e, evidentemente, a economia mais fraca -- poderão aos poucos lograr os frutos deste arranjo.

Com os avanços que a abertura econômica e a livre comercialização global proporcionarão, o Estado cubano vai se permitir atualizar-se no tempo e no espaço, o que não significa abrir mãos de valores e de ideias (v. aqui).

Afinal, valores e ideias baseadas na dignidade humana e na igualdade social devem ser "atemporais" e "universais".

E, ao menos nisso, Cuba ainda é uma viva fonte de lições.



sexta-feira, 25 de junho de 2010

# nuestra américa


 
fdsQue maravilha seria se nuestros hermanos conseguissem avançar e chegar conosco (?) nas semifinais desta Copa do Mundo... Uruguai x Brasil de um lado, Argentina x Paraguai de outro.
fdsE isso é lógica e desportivamente possível, diante dos cruzamentos e dos confrontos previstos. E, quem sabe então, termos na final o maior clássico futebolístico do planeta.
fds

terça-feira, 8 de junho de 2010

# soberania

fdsO rei da Suécia, por meio do seu Primeiro-Ministro, determinou que o governo tome o controle de companhias cujos proprietários cometeram irregularidades, anunciando a intervenção em 80 empresas pertencentes a banqueiros processados por fraudes e a desapropriação de três companhias e de outros nove co­­mércios que incorreram em “violação de preços”.
fdsAlém disso, ele afirmou que deve rever rapidamente o uso da água por multinacionais instaladas no país, ao afirmar que a água, por ser um bem social, pertence à sociedade sueca. A maior empresa alimentícia sueca e dona da marca Pepsico no país, está sendo investigada por monopólio e especulação com alimentos.
fdsNo final de 2009, uma dezena de pequenas instituições financeiras, que representavam menos de 7% do sistema bancário nacional, sofreram intervenção do go­­verno devido a irregularidades detectadas em sua administração. O governo anexou aos bancos públicos um grupo de bancos que sofreram intervenção.

fdsHá cinco anos, o Governo sueco vem interferindo com agressividade na economia nacional, com vistas a diminuir o impacto da crise global e evitar os rompantes neoliberais. Eis algumas das principais medidas:
fds- Eletricidade: em 2007, o governo anunciou a nacionalização do setor de eletricidade. A maior empresa estatizada foi a "Eletricity Stockhölm", empresa detida pelo grupo multinacional norte-americano AES.
fds- Petróleo: em 2008, a Suécia assinou um decreto ordenando a nacionalização dos projetos de petróleo administrados por empresas estrangeiras na região do Golfo de Bothnia, principal reserva petroleira sueca.
fds- Cimento: o governo estatizou toda a indústria do cimento, em resposta à atitude desse setor que, segundo investigações, exporta a maioria de sua produção em detrimento dos planos oficiais de habitação.
 
fdsAchou que as medidas -- ou, ao menos, as tentativas -- foram corretas, justas e legítimas, a defender fielmente os interesses da população?
fdsSim?!
fdsEntão se surpreenda e entenda aqui, com a reportagem completa -- e mais, digamos, geo-politicamente correta...
fdsE assim evite o amaldiçoado preconceito e a cegueira branca.
fds

 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

# bastantes meias palavras


Dentre tantos com outras colocações, provocações, cumprimentos ou tergiversações em relação às nossas últimas bulas, diversos emails questionam-me sobre três pontos, já de pronto respondidos:

- Por que defender a "Comissão da Verdade"?

Ora, pelo simples fato de o Estado brasileiro, atrasado, ter uma dívida histórica com a sociedade brasileira e já ser o único país na América que se recusou, até hoje, a processar e julgar os criminosos que atuaram em defesa da ditadura (v. aqui).

- A vitória da direita no Chile pode indicar que Lula terá dificuldade para transferir votos para Dilma, como aconteceu com Bachelet e Frei?

Não! Absolutamente.

A composição centro-esquerda chilena, desde o fim de Pinochet, a cada nova gestão vinha se mostrando mais de centro que de esquerda.

Estagnavam-se as mudanças sociais, as políticas públicas de infraestrutura e os projetos de inclusão e redistribuição de renda.

A população cansou.

O povo cansou. E queria mudanças, quaisquer que fossem elas (tanto é que o candidato governista quase nem alcança o segundo turno). E infelizmente pagará o preço por isso, pois, muito pior que a estagnação, é o retrocesso político-social de um Estado.

Já no Brasil o cenário é completamente outro.

É só o tempo do povo saber quem é Dilma e que ela é a candidata de Lula.

E a vitória é certa, inclusive porque a grande alternativa é o Serra e porque a grande mídia nunca mais conseguirá repetir o fenômeno Fernando Collor.

- Por que esse papo de direita e esquerda, se dizem não mais ter isso?

Não?!

Ora, hipocrisia beata que apenas advém e se sustenta, adivinhem... na própria direita, por parte dos conservadores e reacionários de plantão, que hoje dizem ser tudo a mesma coisa e tudo igual, crentes no "pensamento único" e no "fim da história", posição de extrema conveniência e que apenas visa à manutenção do status quo.

Ora, são notórias as diferenças de ambos os lados e vontades, de ambos os pensamentos e doutrinas e de ambos os objetivos sociais, econômicos e políticos, que fazem sobrepor a solidariedade social ao "darwinismo social", o Estado protetor ao "Estado predador" e o interesse público ao "interesse privado" (v. aqui).



 

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

# aspas (xxx)


fds
O escritor Eduardo Galeano lembra-nos as origens (mais remotas) do caos chamado Haiti, o país mais pobre da América Latina e que hoje também padece do fenômeno da "ongzação" (v. aqui):

fds "A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto...
fds Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objectivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".
fds O Haiti fora a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".
fds Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".
fds Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.
fds A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.
fds Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pénis.
fds Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.
fds
A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.
fds

# cadeira elétrica


fdfdsParte da grande mídia nacional esconde o que politicamente se passa no Chile, ao dizer que a direita volta ao poder depois de quase 40 anos.
fdfdsMentira! Ou os militares que deram o golpe contra o Governo de Salvador Allende não estavam a serviço da direita, dos conservadores e das elites nativas (e dos interesses político-econômicos estadunidenses)?
fdfdsE diante disso, desde a deposição de Pinochet, só se vão 19 anos.
fds
-- x --
fds
fdfdsA derrota da ortodoxa e bonitinha centro-esquerda chilena -- aqui já comentada -- para a eleição do ultraconservador candidato da direita nativa mostra, mais uma vez, que a ilusão neoliberal na região ainda não teve fim, mantendo-se (quase) viva lá, na Colômbia e no México, afora outras colônias norte-americanas do Caribe.
fdfdsNo caso específico, a falsa ideia pregada pelo liberais que, depois dos militares, creem noutro tipo de líder: o empresário (supostamente e sabe-se lá em que circunstâncias éticas e morais) bem sucedido.
fdfds“Se deu certo dirigindo suas empresas, vai dar certo no Estado” -- eis o mantra da direita quando prega um sistema sócio-político-econômico libertinário. Desta cantilena sobressai a proposta de um Estado que funcione conforme o custo-beneficio, o que significa cortar recursos para financiar políticas sociais e de infraestrutura e para investir em servidores e serviços públicos. Daí o sucateamento do Estado, as privatizações, a mercantilização das relações sociais.
fdfdsPor aqui são os demo-tucanos que adoram esse modelo, tão nefasto para a sociedade e o Estado e tão próspero para a manutenção e concentração do poder e do capital.
fdfdsChoque de gestão? Nada disso.
fdfdsDe choque mesmo, só a certa sensação de que o povo esfalecerá, como se numa cadeira elétrica.

 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

# chile: a esquerda paga o pato e o povo fica com o mico


E o Chile hein, quem diria, mostrou-se saudoso dos tempos de ditadura militar ou do mercado.

Após quase vinte anos de candidatos da "Concertación" -- uma coalização de partidos, a princípio, de centro-esquerda --, dois dos quais presididos por socialistas chilenos, desembocam, provavelmente, em um fracasso e na devolução do governo ao (neo)pinochetismo, sem ter rompido com o modelo econômico e sem ter conseguido desarticular a direita originária da ditadura militar.

O Chile, exibido pelas oligopolistas mídias nacionais e pelas instituições financeiras internacionais como o modelo supostamente bem logrado de implementação das políticas de "livre" mercado, volta às mãos dos que a formularam e a implementaram durante a ditadura pinochetista.

E assim, na contramão da América Latina (e de quase todo o mundo), tem tudo para retroagir e eleger no segundo turno o mais (i)legítimo representante do grande capital e da escola pinochetiana, para delírio da grande mídia nativa, dos conservadores latinoamericanos e de toda a direita que espia assustada o irretornável caminho dos progressistas governos da região.

Em suma, a esquerda chilena paga o preço das políticas do "Concertación", cujo grupo político aceitou inerte o antes fracassado -- e hoje retrógrado -- modelo neoliberal e, porquanto incapaz de mudar a vida dos grandes setores pobres do país, não conseguiu o apoio popular.

O Chile, infelizmente, dará vários passos para trás.

E sem ao menos parecer que serão para tomar o necessário impulso revolucionário.


 

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

# despiértate


Hugo Chávez, o grande presidente venezuelano e um dos líderes desta América Latina que pensa e implementa novos rumos para nuestros países, por meio da independência política, da transformação sócio-econômica e do desenvolvimento nacional, não pode se dar ao luxo de cair na armadilha plantada pelos EUA.
 
Embora sob o comando -- será?? -- de um homem que quer se diferenciar dos tantos outros que fizeram do país mais poderoso do mundo o mais odiado, os grandes grupos político-economicos que dominam a nação estadunidenses não querem nada menos do que evitar a independência, a transformação e o desenvolvimento de qualquer outro país que não seja Israel, o Reino Unido e a China -- sendo que, neste último caso, por medo (econômico, financeiro, militar etc.) -- e, por isso, já agora pensam em colher os frutos de outra guerra, cujas sementes já vinham, aos poucos sendo plantadas.

Sim, depois de duas eleições seguidas vencidas por Hugo Chávez e depois de duas tentativas fracassadas de golpe, os EUA miraram e elegeram o mais novo vassalo latino-americano, a Colômbia, para, a partir dela, criar factóides que possibilitem invadir a Venezuela e aplicar um terceiro e definitivo golpe.

É claro que sob a ótica política o acordo militar assinado entre Colômbia e EUA, pelo qual tropas americanas poderão usar bases militares em território colombiano, deva merecer o adjetivo de apenas "inconveniente", vez que se trata de uma decisão, ainda que formal, "soberana" do Estado colombiano. Porém, já se percebe um clima de "pré-guerra" entre ambos.

E quem vai entrar no pseudoconflito para apaziguar, restabelecer a "democracia" na região e acabar com os maus meninos latinos? Sim, claro, os yankees.
 
Sob "n" argumentos mendazes, falaciosos e fantasiosos -- como historicamente são do feitio --, os EUA pretendem reentrar definitivamente em cena para acabar com o Estado que, com coragem e soberania, enfrentou os paradigmas da política e da economia neoliberal e permitiu que tantas outras nações latino-americanas seguissem (ou estudassem) o caminho.

Por isso, com vistas a pensar não apenas no seu próprio povo, a Venezuela precisa lembrar que com ela também estão tantos outros países e que uma guerra tão-somente frustrará os planos e o futuro de todo um continente, exemplo para o mundo na construção da alternativa.

E, por isso, o melhor que Chávez e a Venezuela devem hoje fazer é conclamar todo os países americanos, chamar todos os países do mundo e convocar todas as organizações internacionais e mostrar o que realmente está por trás desta provocação e destas ameaças do Estado colombiano.

Enfim, esse é o caminho, com o anúncio e a intimidação à paz, e não à guerra. Para frustração do Tio Sam.

 
 

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

# e as onças bebem água


fdsAdivinhem qual país das Américas atingirá o maior crescimento econômico neste ano de crise mundial? A Bolívia, que por 20 anos consecutivos (1985-2005) seguiu à risca os acordos com o FMI até se consolidar como o país mais pobre da América do Sul e, no final deste período, conseguiu ter a sua renda per capita mais baixa do que 27 anos antes.
fdsSegundo o próprio FMI, no seu último relatório, a economia da Bolívia registrará o maior crescimento na América Latina este ano com uma taxa de pelo menos 3%. Como assim? A Bolívia, aquela coisa insignificante, comandada por um índio e que vem praticando estatizações, políticas econômicas próprias, reformas estruturais radicais e distribuição de renda? Por supuesto...
fdsA partir de 2006, com e eleição de Evo Morales, tudo passou a mudar -- ainda que lentamente, haja vista os gigantescos problemas estruturais internos --. e, apenas três meses depois de assumir a presidência, o novo comandante descartou o FMI e nacionalizou a indústria de hidrocarbonetos (especialmente gás natural).
fdsNão é preciso dizer que isso não agradou as elites locais e a comunidade corporativa internacional, pelas quais o novo governo boliviano passou a ser diariamente massacrado, hostilizado e boicotado.
fdsA nacionalização e os crescentes lucros advindos dos royalties dos hidrocarbonetos, no entanto, têm rendido ao novo Estado bilhões de dólares em receita adicional, cujas rendas têm sido úteis para a promoção do desenvolvimento nacional e a diminuição da pobreza e da desigualdade. E aqui que se começa a fazer a diferença.
fdsE o outro país da América Latina que mostra desempenho diametralmente oposto à crise? Sim, o Equador, comandada por outro pirata (v. aqui), Rafael Corrêa, cujas vanguardistas políticas públicas (sociais, econômicas, estruturais etc.) destoam do pensée unique global e caminham, pari passu, com as teses, os planos e as ações da nova onda de esquerda latino-americana.
fdsEnquanto isso, o México, exemplo para a direita e os neoliberais brasileiros (e internacionais), fiel seguidor da cartilha global e vassalo dos grande grupos econômicos locais, afundará com uma contratação prevista superior a 7,5% (v. aqui, aqui e aqui).


fds

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

# aspas (xxvi)



Em formal visita da Organização Mundial da Saúde (OMS) à Cuba, a Diretora-Geral Margaret Chan traz a opinião da entidade sobre o sistema de saúde cubano (v. aqui).

Muita gente cortará os pulsos, ou falará que a cúpula da OMC recebe propina do governo cubano, que a Agência Reuteurs distorce as informações porque tem lucrativa parceria com o Granma, que toda a Diretoria da entidade passou todo o tempo embriagada de rum etc.

   "(...) Chan said she toured Cuban medical facilities and came away impressed with the communist-led island's health system, which provides free care to all Cubans.
   Citing its strong health indicators on such things as life expectancy and infant mortality, she said, 'in a country of this level of economic development, to be able to achieve those very good health indices is not easy'.
   Cuba, she said, 'has the right vision and the right direction. Health is a state policy and health is seen as a right of the people'."



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

# no hay vuelta, hay camino!


fdsDomingo, outro país latinoamericano terá eleito o seu novo presidente, o Uruguai, levando às urnas aproximadamente 2 milhões de pessoas para escolher o novo comandante nacional.
fdsE o resultado já é quase barbada, pule de dez: a frente de esquerda, neste último mandato liderada por Tabaré Vazquez e que agora tem à frente o socialista e ex-guerrilheiro revolucionário José Mujica, será reeleita.
fdsPrimeiro representante da esquerda uruguaia a chegar ao poder, em 2005, a quebrar a centenária alternância dos tradicionais partidos Blanco (centro-direita) e Colorado (direita) no poder, o Governo Vázquez -- hoje com mais de 60% de aprovação -- executou cruciais reformas no Estado -- em especial nas áreas administrativa, tributária e trabalhista -- e promoveu grandes avanços nas políticas sociais, de saúde e de direitos humanos (v. aqui).
fdsCientistas políticos e intelectuais uruguaios asseveram que a quase certa transição de Tabaré para Mujica será marcada por um aprofundamento das mudança, com reformas mais substanciais nas questões agrária e de educação e com políticas públicas que consigam, crescentemente, mitigar as desigualdades sociais ainda tão presentes no Uruguai. Afinal, afirmam os especialistas, na rara hipótese de se acontecer o contrário, com o retorno dos grupos do centro-direita, certamente haverá um freio no processo de reformas, que tem a ver com uma volta ao passado e ao patrimonialismo na política (v. aqui).
fdsPortanto, mais uma vez é irrefragável o caminho e as escolhas tomadas pelos povos latino-americanos, os quais passam muito longe dos conservadores, dos oligarcas, dos neoliberais e da direita de outrora.
fdsE para desespero da nossa Casa-Grande, 2010 está aí e em terra brasilis espera-se que também não seja diferente.
fdsAleluia, aleluia!
fds

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

# o bloco e os sujos


fdsA sexta economia das Américas não salvará, por si, o Mercosul, abatido e ainda cambaleante por inúmeras razões; todavia, a sua recomposição com o ingresso da Venezuela certamente trará muitos mais benefícios, senão somente eles, ao Brasil e, maiormente, ao próprio bloco.
fdsPorém, a cegueira branca de grande parte dos nossos congressistas não permite aprovar o "Protocolo de Adesão" que autoriza -- como já o fez Argentina e Uruguai -- a entrada dessa terceira força sulamericana ao mais famoso bloco regional, cujo documento, desde quando foi enviado pelo Executivo (fev/07), rola de um lado para outro do Senado, por espúria e imprópria ação dos parlamentares demo-tucanos.
fdsAs resistências à adesão do país vizinho?
fdsHonestas, sob o ponto de vista geopolítico ou geoeconômico -- e afora um falacioso temor nas relações de comércio internacional, diante do modelo intervencionista venezuelano --, nenhuma.
fdsSubsistem, sim, mendazes razões que vêm tão-somente justificar o mais recôndito argumento, preconceituoso e estúpido: a crença no fato de que as únicas democracias válidas são aquelas conservadoras e à direita (ou, vá lá, num centro-direita).
fdsE, assim, teimam em pensar que existe um "modelo" de democracia, bem como se deixam imaginar que existe um "modelo" de revolução ou de construção socialista, certos de que as experiências soviética, cubana e chinesa são absolutamente definitivas, porquanto únicas.
fdsAfinal, ainda creem no fim da história.



s

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

# se outrora...


Claro que Manuel Zelaya não é alguém capaz de, minimamente, se comparar a Salvador Allende, a gigante torre chilena que sofreu um dos mais trágicos golpes da nuestra América Latina, um golpe que buscou acabar com o governo socialista -- o primeiro marxista na América do Sul -- que, pelo retumbante sucesso -- não obstante as enormes dificuldades --, já (re)contaminava todo um continente.

Porém, ao ver o que se passa em Honduras, a lembrança, amarga e memorável, daquele 11 de setembro de 1973 é inevitável -- como aqui já nos manifestamos. Intervenções externas para o bem -- como as diretamente impetradas pelo Brasil e pelos organismos internacionais --, felizmente não deixam mais a desgraça daquela história se repetir.

E assim, com os vídeos abaixo, você poderá ter uma noção do que poderia, se noutra época, ter ocorrido em Honduras.

Mostram o último pronunciamento de Salvador Allende, ao vivo para a Radio Magallanes, a poucos instantes da sua morte, de dentro do Palacio de La Moneda, o qual já era alvo de intensos bombardeios por parte dos golpistas (militares a mando da direita nativa e da CIA).

No discurso, Allende despedia-se do povo chileno e deixava as suas últimas lições para que não se deixasse de lutar por uma sociedade justa, igualitária e fraterna e um país soberano e livre.

 
fds
 
Seguramente ésta es la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de radio Portales y radio Corporación.
Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron... soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino que se ha auto designado, más el señor Mendoza, general rastrero... que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al gobierno, también se ha nominado director general de Carabineros.
Ante estos hechos, sólo me cabe decirle a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar!
Colocado en un trance histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos no podrá ser segada definitivamente.
Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen... ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.
Trabajadores de mi patria: Quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley y así lo hizo.
En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen la lección. El capital foráneo, el imperialismo, unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara Schneider y que reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas, esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.
Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros; a la obrera que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños.
Me dirijo a los profesionales de la patria, a los profesionales patriotas, a los que hace días estuvieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas que una sociedad capitalista da a unos pocos.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron, entregaron su alegría y su espíritu de lucha.
Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos... porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando la línea férrea, destruyendo los oleoductos y los gasoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de proceder: estaban comprometidos. La historia los juzgará.
Seguramente radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa, lo seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos, mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal a la lealtad de los trabajadores. El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.
 
Trabajadores de mi patria: tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición, pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición”.
 
 
 
 

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

# conceitos e convenientes preconceitos


fdNo clássico “Dicionário de Política”, organizado por Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino, o adjetivo "autoritário" refere-se aos “regimes que privilegiam a autoridade governamental e diminuem de forma mais ou menos radical o consenso, concentrando o poder político nas mãos de uma só pessoa ou de um só órgão e colocando em posição secundária as instituições representativas”.
fdAdemais, ainda afirmam os autores que [o]s regimes autoritários se caracterizam pela ausência de Parlamento e de eleições populares ou quando tais instituições existem pelo seu caráter meramente cerimonial e ainda pelo indiscutível predomínio do Executivo. (...) A oposição política é suprimida ou obstruída. O pluralismo partidário é proibido ou reduzido a um simulacro”.
fdOu seja, tais conceitos e adjetivos enquadram-se, em absoluto, nos atuais regimes da Venezuela, do Equador, da Bolívia, da Argentina, do Paraguai, de El Salvador, de Honduras e de outros países latino-americanos que avançam na contra-mão do pensée unique global, à medida que nestes Estados: (i) o Parlamento e o Judiciário (independentemente) funcionam; (ii) a oposição política é muito (e inapropriadamente) ativa; (iii) o pluralismo partidário é manifesto; e, principalmente, (iv) são periodicamente realizadas eleições democráticas, inclusive com acompanhamento ou fiscalização de organismos multilaterais.
fdAgora, entretanto, a grande mídia, a reboque da nossa direita e dos donos do poder, quer insistentemente definir que os tantos governos vanguardistas da América Latina são regimes “autoritários”, nos quais se tentam implantar legislações "autoritárias", perspectivas "antidemocráticas” e políticas "populistas".
fdPor quê? Elementar, meu caro Watson.
fd
 

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

# as elites, a falsa democracia e o neogolpe

fdsfd Quae sera tamen, vamos ao Golpe em Honduras.
fdsfd Como recentemente tentou-se na Venezuela, na Bolívia, no Equador e no Paraguai -- e, outrora, se fez no Brasil, na Argentina, no Chile... --, agora é Honduras quem sofre a ira da elite nativa. E lá, o conflito é mais intenso: de um lado, um presidente eleito por voto majoritário, com amplo apoio popular, e, de outro, um Congresso que ainda representa o poder econômico conservador.
fdsfd Ainda que a grande mídia hondurenha e brasileira -- lembrem que, por aqui, a nossa grande mídia é conhecida como "PIG", a qual não vê a hora de também derrubar o presidente Lula -- só recentemente tenham tido a coragem de chamar de “golpe” o que acontece em Honduras -- vez que, até então, insistia em chamar o golpista governo hondurenho de “interino” ou “de fato”, como disse a Folha de São Paulo, no título de um recente editorial que bem representa o que ela, a Veja e a Globo pensam (“Brasil se intromete mais do que deve em Honduras e toma atitude estranha de negar-se ao diálogo com governo de fato”) --, os fatos estão clara e explicitamente à mostra. Acomode-se.
fdsfd Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya, embora uma homem de origem conservadora e de rica família hondurenha, se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, a promover inúmeras políticas sociais no país que buscam minimizar a abismal desigualdade entre classes e minimamente confortar 80% da população local, que é pobre ou muito pobre.
fdsfd Diante de um texto constitucional ultrapassado, Zelaya discutia em seu Governo a possibilidade de reformá-la. Essa reforma, em qualqer lugar, pode se dar de três maneiras: por "emendas constitucionais" (a atingir somente as cláusulas consideradas "não pétras"), pela quebra do Estado de Direito ou pela convocação de uma nova Assembléia Constituinte.
fdsfd Poranto, como o art. 239 da Carta Magna hondurenha é considerada "cláusula pétrea", a impedir a emenda (“El ciudadano que haya desempeñado la titularidad del Poder Ejecutivo no podrá ser Presidente o Designado. El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, asi como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente, cesarán de inmediato em el desempeño de sus respectivos cargos, y quedarán inhabilitados por diez años para el ejercicio de toda función pública”) e como ele fora eleito e tinha amplo apoio popular -- descartando-se a opção de golpe --, o Presidente Zelaya resolveu pela viabilidade do terceiro caminho.
fdsfd Assim, propôs que durante as eleições presidenciais de 29 de novembro --- a qual elegerá o Presidente para o próximo mandato (2010-2013) --- uma urna extra fosse instalada para que o povo decidisse pela convocação (ou não) de uma Assembleia Nacional Constituinte. Para isso, determinou que o povo fosse às urnas em 28 de junho para, na forma de “plebiscito”, responder a seguinte questão: “¿Está de acuerdo que en las elecciones generales de 2009 se instale una cuarta urna en la cual el pueblo decida la convocatoria a una asamblea nacional constituyente? SI / NO”.
fdsfd Assim, se querida pela população, a Assembleia Constituinte pensaria, discutiria e criaria uma nova Constituição para Honduras, a qual, inclusive, poderia alterar os dispositivos referentes à legislação eleitoral, como, por exemplo, aqueles que fixam o mandado de 4 (quatro) anos e vedam a reeleição. Diga-se, ainda, que caso vencesse o "sim" no plebiscito proposto, eleger-se-ia a Assembléia Constituinte que, depois de instalada, concluiria os seus trabalhos ao longo do ano de 2010, ou seja, muito depois do fim do mandato de Zelaya (janeiro de 2010). Logo, não havia nenhuma possibilidade de Zelaya continuar no poder.
fdsfd E tem mais. A proposta de consulta popular intentada por Zelaya, como visto, não falava em “reeleição”. Portanto, não houve qualquer ofensa ao que dispõe o art. 239 da atual Constituição de Honduras.
fdsfd Aqui, um parênteses. Você lembra, amigo leitor, quando se iniciou a onda de “reeleições” na América Latina? Sim, deu-se juntamente com o finada onda neoliberal que infectou todo o lado de baixo do Equador, com Fernando Henrique (Brasil), Carlos Menem (Argentina), Eduardo Frey (Chile), Carlos Perez (Venezuela), Salinas (México), Fujimori (Peru) etc. Agora, diante dos novos e renovados governos latino-americanos, cujas políticas públicas e cuja ideologia batem no lado esquerdo do peito, a turma não acha mais conveniente admitir-se a reeleição. Estranho...
fdsfd Mais estranho ainda quando a mesma intenção de emenda constitucional para se admitir a re-reeleição (terceiro mandato!) é proposta pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe -- cujo governo é marcado pelo entreguismo, pela dependência, pela plutocracia e pelo conservadorismo – e toda a nossa mídia apóia e considera legal... (v. aqui). Fechemos os parênteses.
fdsfd Como o Governo de Zelaya busca reconstruir o Estado, a fim de que o mesmo possa atender a toda a sua gente pobre e oprimida, o restante da população -- os 20%, formado pelos “donos do poder” -- pressionou o Congresso -- formado ainda, na maioria, por representantes da elite -- e esse aprova uma lei que proíbe a realização de referendo 180 dias antes ou depois de eleições, tornando assim ilegal a proposta de Manuel Zelaya.
fdsfd Em sintonia com os parlamentares, o chefe das Forças Armadas também se diz contrário a proposta e é destituído por Zelaya.
fdsfd Sem apoio do exército e em uma situação de tensão, o presidente convoca partidários para viabilizar a votação de 28 de junho, que decidiria sobre a realização do polêmico referendo. Porém, na manhã deste dia, militares tiram Zelaya de sua casa ainda de pijamas e o expulsam do país. Uma carta-renúncia falsa é lida no parlamento e o líder do Congresso, Roberto Micheletti, assume a presidência.
fdsfd Não à toa, pelas ruas de Tegucigalpa lê-se nos muros e cartazes: “Fuera Pinocheletti!”, numa fusão dos nomes do General Pinochet, um dos maiores golpistas de todos os tempos, que mandou matar Salvador Allende e assumiu o poder no Chile (v. aqui) e do neogolpista Roberto Micheletti, que se autoinstituiu “Presidente”, em prol da direita, dos conservadores e da elite hondurenha.
fdsfd Como fez com Hugo Chávez, o povo vai às ruas e exige a volta de Zelaya, pois percebe que tudo aquilo era uma farsa. O governo golpista manda o exército às ruas, institui o “estado de sítio” e pensa que assim conseguirá acabar com o governo eleito (e popular) de Zelaya.
fdsfd Ledo engano. Zelaya voltou ao país e, na Embaixada brasileira -- inviolável, consoante os tratados internacionais -- pede abrigo e, de pronto, é atendido.
fdsfd Com este ato, o Brasil dá exemplo ao mundo e mostra, com absoluta coerência em relação à sua vigente política diplomática e de inserção no cenário mundial, que os golpistas não têm mais vez na América Latina, a trazer na sua esteira o apoio, entre outros, de Hugo Chávez e Barak Obama, afora todas as organizações internacionais.
fdsfd Em suma, Manuel Zelaya poderia ter imitado Uribe (ou qualquer um daqueles que vieram naquela onda dos anos 90, como FHC, Menem e cia.) ou Pinochet (ou qualquer um daqueles que vieram naquela onda dos anos 70-80, como Médici, Videla, Stroessner e cia.).
fdsfd Mas não. Ele preferiu seguir o caminho dos governos sulamericanos de Chávez, Rafael, Lugo, Evo, Kirchner e Lula, que prezam, mais ou menos, por políticas públicas sociais, pela interdependência econômica e pela soberania nacional.
fdsfd E este foi o seu pecado, cometido do lado de do Equador.
 
fdsfd

domingo, 13 de setembro de 2009

# ao sul da fronteira

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ffffdsSouth of the Border, eis o título do mais recente filme do cineasta Oliver Stone -- um dos mais premiados do cinema mundial, por, dentre outros, "Platoon", "Assassinos por Natureza", "Comandante" e "Nascido em 4 de Julho" --, que, na forma de documentário, (muito bem) retrata o atual momento da América Latina, liderada hoje, em muitos dos seus países, por governantes eleitos pelo povo e que promovem políticas públicas voltadas para os interesses do povo.
fffffdsEmbora também analise as conjunturas global e de outros países, com os respectivos governos de Brasil, Argentina, Equador, Bolívia, Paraguai e Cuba, o maior foco do filme é a Venezuela e seu atual comandante, Hugo Chávez, indubitavelmente um grande líder do bloco e talvez o precursor desta mais nova onda que, na verdade, muitos desejam tratar-se de o mais novo "tsunami de liberdade, igualdade e fraternidade", capaz de, como o próprio presidente venezuelano diz, "ser uma evidência concreta de que se é possível mudar o mundo e o curso da história".
fffffdsAbaixo você pode assistir ao trailer do filme e ter uma noção do porque dele ter sido tão aplaudido no recente Festival de Veneza, o terceiro maior festival de cinema do mundo.


fds
 
 

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

# aspas (xxiii)



Um dos bons jornalistas da atualidade, Leandro Fortes, além da Carta Capital, assina artigos em seu blog "Brasília eu vi" (v. aqui).
 
Um deles, excelente, reproduzimos sumariamente abaixo.
 
Não deixa de ser engraçado – e emblemático – o pavor físico que a presença de Hugo Chávez na presidência da Venezuela provoca numa quantidade razoável de colunistas e analistas de aleatoriedades políticas que abundam na imprensa brasileira. De certa forma, o chavismo veio suprir a lacuna deixada pelo comunismo como doutrina do medo, expediente muito caro à direita no mundo todo, mas que no Brasil sempre oscilou entre o infantilismo ideológico e o mau caratismo. Antes do fim dos regimes comunistas da União Soviética e de seus países satélites, no final dos anos 1980, era fácil compor um bicho-papão guloso por criancinhas, ateu e cruel, prestes a ocupar condomínios de luxo com gente grosseira e sem modos, a mijar nas piscinas e sujar o mármore dos lavabos com graxa e estrume roubado a latifúndios expropriados. Ao longo dos anos 1990, muita gente ainda conseguiu sobreviver falando disso, embora fosse um discurso maluco sobre um mundo que não mais existia. (...).
   No vasto império da América do Norte, onde o fim do comunismo também foi comemorado como o fim da História, os falcões republicanos perceberam de cara que seria inviável continuar a assustar os eleitores com o fantasma débil e inacabado da ditadura de Fidel Castro, esse sujeito que, incrivelmente, ainda faz sujar as calças dos ruralistas brasileiros e de suas penas de aluguel. Por essa razão, e para manter azeitado o bilionário negócio de venda de armas, os americanos inventaram a tal guerra contra as drogas, cujo resultado prático, duas décadas depois, vem a ser o aumento planetário da produção e do consumo de todo tipo de entorpecente, da maconha às super anfetaminas.
   George W. Bush usou o medo do terrorismo para também suprir a ausência da ameaça comunista, embora não tenha sequer tido o cuidado de mudar os métodos, baseados na mentira e na tortura, nem sempre nessa ordem.
   O mote agora, replicado aqui e acolá por analistas apavorados, é a sombra de Hugo Chávez sobre Honduras, onde um golpe de Estado passou a ser descaradamente justificado nesse contexto. Graças aos golpistas, visivelmente uma elite branca e desesperada, como aquela que faz manifestações trajando jogging em Caracas, o chavismo teria sido abortado em Honduras, antes que virasse coisa como a Bolívia, o Equador e o Paraguai – ou seja, repúblicas perigosamente dominadas por governos populares. São os novos comunistas, revolucionários da pior espécie porque, justamente, abriram mão das revoluções para tomar o poder pela via do voto, da democracia. E, pior, muitos são cristãos.
   Quando tucanos e pefelistas se mobilizaram, inclusive à custa de compra de votos, para aprovar o projeto de reeleição de FHC, em 1997, os editoriais e colunas da mídia nacional se desmancharam em elogios e rapapés. Saudaram a quebra da regra eleitoral como um alento à democracia e condição essencial à continuidade do desmonte do Estado e à privatização dos setores estratégicos da economia, a qualquer custo.
   Quando o assunto é Chávez, no entanto, qualquer movimento institucional, todos previstos nas regras constitucionais da Venezuela, é golpe. Reeleição? É golpe. Plebiscito? É golpe. TV pública? É golpe. Usar o dinheiro do petróleo em projetos populares? Isso, então nem se fala: é mais do que golpe, é covardia. (...)
   Os tempos do anticomunismo eram estúpidos, mas pelo menos a gente sabia do que os idiotas tinham medo, de verdade.



 



 

quinta-feira, 21 de maio de 2009

# elementar e estratégica estatização


fds Poucos dias após a estatização de parte do setor de serviços petrolíferos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou, nesta quinta-feira, a nacionalização de cinco empresas do setor siderúrgico e da maior produtora de cerâmica do país, a Carabobo.
fds O fim: avançar na construção de novo complexo industrial nacional.
fds Com a decisão, as empresas Matesi, Comsigua, Venprecar, Orinoco Irons e Tubos Tavsa devem passar ao controle do Estado nos próximos dias.
fds De acordo com representantes dos sindicatos dessas empresas, há pelo menos seis meses os salários dos funcionários estão atrasados e a produção, praticamente paralisada, razão pela qual teriam pedido a intervenção do Estado.
fds Com essas nacionalizações, somadas à expropriação de 73 companhias prestadoras de serviços petrolíferos, no início do mês, o Estado venezuelano assume o controle de quase todos os setores da economia considerados estratégicos.
fds Desde 2007, foram nacionalizadas as companhias de telecomunicações e de eletricidade, a faixa petrolífera do rio Orinoco e três empresas de cimento.
fds Nos próximos dias, ainda, poderá ser concretizada a estatização de uma das maiores instituições financeiras do país, o Banco da Venezuela, que pertence ao grupo espanhol Santander. (v. aqui)
fds Enfim, soluções eficientes, estratégicas e fundamentais para se colocar ordem no caos do capitalismo monopolista e neoliberal que quer se perpetuar na selvageria das economias nacionais.


terça-feira, 10 de março de 2009

# interesse público, interesse popular


Qual seria a atitude de um país democraticamente comprometido com o interesse público, com as vontades populares e com as necessidades sociais, diante de empresas que querem fraudar o abastecimento e boicotar o fornecimento de alimentos?

A Venezuela mostra, mas a nossa golpista mídia insiste em não falar a verdade dos fatos.

Ei-la:
fdsfds
Governo venezuelano garante abastecimento de arroz
fds O governo da Venezuela garantiu nesta quarta-feira (4) que não haverá desabastecimento de arroz no país, depois que o presidente Hugo Chávez ordenou intervenções em processadoras de arroz privadas.
fds O superintendente nacional de Silos, Armazéns e Depósitos (Sada), Carlos Osorio, disse que o país armazena 300 mil toneladas de arroz entre o setor privado e o público. Segundo o funcionário do governo, esse montante representa a quantidade necessária para cobrir a demanda mensal de 90 mil toneladas, durante os próximos três meses.
fds Em declarações ao canal público de TV do país, Osorio explicou que, daqui um ano, o governo espera contar com uma colheita de arroz de cerca de 350 mil toneladas.
fds No final da semana passada, Chávez ordenou a "ocupação temporária" de processadoras de arroz privadas, que estavam maquiando e não produzindo as versões populares do produto, cujos preços são tabelados.
fds Os empresários, em contrapartida, alegam que o governo controla 50% do mercado de importações oficiais e "persegue" o setor, para "responsabilizá-los" pelo déficit na produção.
Após a intervenção da principal produtora de arroz, Primor, as autoridades anunciaram ter produzido 40 mil quilos de arroz, que serão destinados ao consumo popular.
fds O deputado da Assembleia Nacional Venezuelana, Alberto Castelar, acusou, nesta quarta-feira, os supermercados privados do país de alugarem casas de particulares para armazenarem produtos da cesta básica, cujos preços máximos de venda ao público são regulados pelo Executivo.
fds Na Venezuela, as principais redes de supermercado são propriedade de empresários portugueses e luso-venezuelanos radicados no país. "Temos denúncias dos Estados de Zúlia, Carabobo e Falcón, entre outros, que indicam que os proprietários destes estabelecimentos entregam a vizinhos de zonas próximas produtos como papel higiênico, arroz, azeite e outros, para escaparem a acusações de boicote quando da visita de organismos do Estado para supervisão", disse.
fds Segundo o deputado, a Procuradoria Geral da República e a Assembleia Nacional estão ao corrente da situação que "constitui uma transgressão da Lei Contra o Açambarcamento, a Especulação e o Boicote".
fds Apelou a "todo o povo venezuelano para que participe na luta contra o açambarcamento e a especulação" que o Governo Nacional desenvolve, apoiado pelo parlamento. A acusação do parlamentar tem lugar depois de as autoridades venezuelanas ocuparem várias fábricas de arroz que maquiavam o produto, adicionando "sabores artificiais" para fugir ao controle de preços impostos pelo Executivo. (v. aqui)
fds
Venezuela fiscaliza fraude para dobrar o preço do arroz
fds As autoridades da Venezuela iniciaram nesse domingo (1º) a fiscalização em empresas do setor de alimentação, depois de violações por parte de processadoras de arroz que provocaram desabastecimento artificial no país. As arrozeiras sofreram intervenção temporária depois que tentaram impor aos consumidores um produto que custava o dobro do preço tabelado, em um país que sofre com a carestia de vida.
fds O ministro da Agricultura, Elías Jaua, recordou às arrozeiras que, caso a intervenção não seja suficiente, a lei permite a expropriação das unidades de beneficiamento. Jaua relatou que no sábado o governo interveio na maior produtora de arroz do país, a Primor, propriedade do grupo industrial Polar, sediada no estado de Guárico, onde foi instalada uma comissão governamental que iniciou a produção de arroz básico com preços regulados. O processo irá continuar amanhã com a tomada da empresa Polly, no estado de Portuguesa, acrescentou.
fds O ministro manifestou sua confiança de que os demais produtores de alimentos com preços tabelados respeitem os consumidores e não burlem os controles como fizeram as arrozeiras. Estas tentaram impor aos consumidores um produto ''aromatizado'', custando o dobro do preço da tabela: 90% da produção era da variedade ''aromatizada'' e apenas 10% do arroz comum com preçio tabelado.
fds O ministro prestou as informações ao participar do programa dominical de TV do presidente Hugo Chávez, Alô presidente. O próprio Hugo Chávez manifestou a determinação de expropriar as empresas caso prossigam na manobra de desabastecimento.
fds Durante a intervenção nas instalações da Polar, os fiscais retiveram 18 mil toneladas de arroz: 92% do produto encontrado destinava-se a ser vendido burlando a tabela que fixa o preço de 2,33 bolívares fortes para o quilo de arroz. Além disso, o ritmo do processo de beneficiamento tinha se reduzido à metade da sua capacidade. A Polar tem capacidade instalada para beneficiar 7.500 toneladas mensais de arroz, mas estava fornecendo menos de 3 mil toneladas, ainda assim do tipo ''aromatizado''.
fds A intervenção, com prazo de três meses, consiste na presença de fiscais do Ministério da Indústria Leve e Comércio, Alimentação, Agricultura e Terra nas linhas de produção. O objetivo é garantir que a maior marte do produto seja do tipo comum, com preço tabelado, evitando que se imponha o produto mais caro. (v. aqui)