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sexta-feira, 28 de junho de 2013

# imunizados


É claro que a Espanha não é o Barcelona, e não só por não ter o gênio Messi ao lado.

E isto fica ainda mais claro quando os jogadores espanhóis que não são do escrete catalão pegam na bola, quando então a Espanha parece mostrar ser difícil lidar com o conflito interno entre a turma da terra de Gaudí e o resto, ainda não tão adepto e adaptado com o jeito de ser daquele futebol de dois-toques, de por na roda e de mandar no jogo, dando a impressão de que, a qualquer momento, desdourará o convívio fraterno entre cains e abéis.

Mas não é só isso.

O corte epistemológico deste futebol barcelonista, ocorrido com o banho alemão da semifinal na Champions League deste ano, serviu para o resto do mundo entender como (tentar) jogar contra aquele estilo, absolutamente espetacular e que há tanto tempo admiro (v. aquiaqui).

Como fez o Bayern, a Itália abriu mão de reduzir a posse de bola dos espanhóis, mas a tornou estéril, dispondo-se muito bem estruturada no seu clássico catenaccio – sim, a Itália jamais deve abrir mão de jogar no seu jeito historicamente vitorioso –, com um meio-campo coeso e entupido de azul, responsável por manter os ibéricos mofando num tiki-taka da sua intermediária para trás.

Embora não tenha uma composição ofensiva nem parecida com o do Bayern, a Itália ainda inovou no seu sistema de jogo para, com razoável frequência, avançar muito os seus laterais – que em regra não ousam largar a linha de cinco defensiva, surpreendendo assim o lado esquerdo espanhol, que ataca muito com Jordi Alba e em cuja vazia retaguarda Pirlo e De Rossi viam largos espaços para lançamentos –, e investir com insistentes diagonais nas costas do próprio miolo defensivo espanhol, caracterizado por uma desencontrada e rivalizada dupla de zagueiros (mezzo Barça, mezzo Real) e pela proteção espartana de Busquets (ainda que seja o maior volante do planeta).

Não acredito e não desejo o fim desta forma de jogo do Barcelona, em termos copiada pela Espanha e que encanta parte do mundo.

Mas, de novo ontem, vimos que o antídoto para este estilo – que expressa literalmente o futebol associado e coletivo, que tem a bola como sua  e que parece querer e poder ganhar a hora que bem entender – não é dos mais difíceis de serem colocados em prática.

Não se trata de uma solução mágica, tão-pouco covarde ou desleal, mas uma linha de 3 ou 4 zagueiros e um meio-campo compacto, com 5 jogadores marcando entre as duas intermediárias, parece ser a forma de tornar inútil o toque e a posse de bola espanhola, que assim passa a jogar como se criasse o paradoxo da “retranca ofensiva”, com milhões de inglórios passes laterais lá atrás, no seu campo, sem perigo e sem destino, tamanha a dificuldade de achar espaços e, em especial, tamanha a intransigência de querer se aventurar à frente e arriscar perder o domínio do jogo.

Porém, não é fazer como fez, de modo ridículo, o Chelsea, naquela semifinal europeia de 2012, com 10 jogadores trancados e retrancados, dando chutão a toda hora e explorando de vez em quando uma tímida corrida em contra-ataque. Tudo bem, deu certo, mas e aí? Seria esta uma forma minimante louvável e consistente de tratar o rude esporte bretão e enfrentar o problema? E a honra? E a dignidade?

Ora, Bayern e Itália mostraram que podem controlar o ímpeto soberano dos espanhóis e, com a bola, jogar futebol e fazer o jogo fluir, em especial abusando das brechas nas costas dos laterais e do bloco defensivo espanhol, que, por avançarem muito ou marcarem bem à frente, jogam bastante adiantados.

E domingo, o Brasil poderá fazer isso?

Pelos laterais e avançados que tem, sim.

Só faltaria trazer para o jogo algum dos nossos camisas 8 de outrora, aqueles grandes meio-armadores que produzíamos aos montes e que, pensando o jogo à frente dos zagueiros e do volante, ditavam e controlavam o ritmo do jogo, passando e lançando como, quando e onde bem queriam – tal qual Pirlo, Xavi e Schweinsteiger fazem hoje, para encher os nossos olhos de inveja.


quinta-feira, 1 de abril de 2010

# novo carrossel


fdsQuase duas da manhã. Acabo de assistir ao jogo gravado desta tarde, pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa, entre Barcelona e... um coadjuvante.
fdsHá tempos, ou melhor, nunca, nunca vi um time de futebol -- e conte-se de 1990 pra cá, época a partir da qual passei a mais conhecer o futebol -- jogar o que o Barcelona jogou nos 30 minutos iniciais da partida. Um espetáculo. Uma máquina de jogar futebol. Uma máquina que enfrentou, fora de casa, um time que parecia saído do interior de São Paulo ou de algum rincão do Brasil.
fdsNum esquema capaz de causar convulsão e agravar qualquer labirintite, o time catalão deu aula, colocou na roda e esmagou o adversário como nunca vi numa partida deste nível.
fdsSe alguém ainda não viu aquela Holanda de 74 jogar -- e, claro, veja! --, ouso afirmar que assistir o time espanhol -- desde o ano passado, sublinhe-se (v. aqui) -- pode ser suficiente. Marcação pressão, time sempre avançado, alas-ponteiros, jogadores a se misturar e a se deslocar incessantemente, um maestro (Xavi), um craque (Messi), uma trinca de marcadores afinadíssima (Piquet, Puyol e Busquets), um treinador inteligente e criativo, e, principalmente, uma equipe capaz de promove uma troca de passes ao mesmo tempo robótica, medúsica e genial, 24 frames por segundo.
fdsUma delícia, um desbunde. O rude esporte bretão na sua mais esplêndida acepção. O rude esporte bretão como sonhamos ser sempre.
fdsPorém, por alguma preciosidade dos deuses do futebol, o jogo acabou empatado. Mas a submissão e o massacre impostos pelo Barcelona ficarão na memória de qualquer um que presenciou este jogo.
fdsE em especial dos ingleses torcedores do multimilionário Arsenal, o tal do time coadjuvante.
fds

quinta-feira, 28 de maio de 2009

# vieram, viram e venceram


fdsCoincidência ou não, ambos os times campeões dos dois grandes torneios europeus jogam um belíssimo futebol: bem pensado, bem armado, bem tocado, categórico, imperial, pra frente e envolvente. Um primor.
fdsA jogar com 4 zagueiros, 1 volante e 5 hábeis armadores&avantes, medusicamente envolveram os times adversários que, em regra, não conseguiram mostrar reação. E assim, com um futebol vistoso e virtuoso, ambos vieram, viram e venceram.
fdsO Shakhtar, da Ucrânia, joga do meio pra frente como jogava, guardadas as devidas proporções, aquelas famosas linhas de 5 jogadores dos anos 50/60 -- quem não lembra de Durval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe?? Assim, com Ilsinho, Fernandinho, Luis Adriano, Jadson e William -- isso mesmo, são cinco brasileiros (!) --, o escrete ucraniano atua pressionando o adversário, com toques rápidos, frequentes e certeiros, até chegar, eficaz e invariavelmente, à meta adversária -- no jogo final, v.g., o quinteto finalizou espantosas 18 vezes contra o gol alemão.
fdsO Barcelona, um pouco diferente, não atua com essa linha de cinco, mas se dá ao luxo de ter a melhor dupla de jogadores do mundo da atualidade, os armadores Iniesta e Xavi, os quais abastecem eficaz e incessantemente a dupla de avantes Eto'o e Henry e libera o ponta-de-lança Messi para fazer&desfazer o que bem entender em campo, como assim se deve permitir para um craque como ele. O resultado: a supremacia da equipe catalã em todos os campeonatos que disputou na temporada.
fdsEm suma, por todo o mundo a tendência parecer mesmo ser essa, com os times e seleções a jogar com grandes armadores, ponta-de-lança, centroavante e ponta(s) muito bem distribuídos, sepultando a perseverante idéia de se jogar com dois ou três brucutus no meio-campo e um centroavante enfiado, como serelepe ou boneco de posto de gasolina.
fdsOra, o meio-campo é o lugar de se pensar-agir-matar o jogo, é onde as coisas devem ser&acontecer, é o habitat natural de pensadores, hábeis e craques. Volante? Um, fundamental, e ponto. Ademais, sacrificar os laterais um jogo todo, em idas-e-vindas infindáveis e infinitas entre ataque&defesa, é uma grande estupidez tática, uma atrocidade física e um desperdício técnico. A César o que é de César, e aos laterais o que é dos laterais.
fdsSeja no esquema destes clubes europeus ou seja no revolucionário 4-1-4-1 da Espanha, o negócio é que 3-5-2 ou 4-4-2 já tiveram os seus dias de glória e hoje já merecem ser sepultados. Aleluia, aleluia!
fdsEntre poucos, falta o Brasil (e alguns clubes nacionais) também querer enxergar isso.
fds