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sexta-feira, 10 de junho de 2016

# a boca no trombone



Abelardo Barbosa cunhou a célebre frase: "quem não se comunica, se trumbica".

E o Governo Federal – tal qual todo governo, de qualquer instância, que insiste em enfrentar os alemães e seus canhões e as grandes questões nacionais – parece que só agora quis enxergar o tamanho deste problema e como isso funciona.

Nesta noite, a ótima entrevista do jornalista Luis Nassif, na TV Brasil, foi apenas outra amostra disso (v. aqui).

É verdade que neste nosso sideral espaço virtual já se falou aos montes sobre isso (v. aqui, aqui, aqui...); entretanto, nunca é demais voltar ao tema. 

Bem, andiamo.

Ainda pior do que não (saber) se comunicar, é insistir com o autoflagelo e a falta de esforço – aquela não proposital, é claro – que murcha as ideias e frustra as intenções.

Não voltemos, porém, ao lamento cândido e inocente que anseia por "justiça" nos meios de comunicação, por uma grande mídia "imparcial e independente", por informações "isentas de interesses privados" e por uma imprensa cujas notícias são os fatos e não as opiniões.

Certos de que isso, como diria o alegórico Pe. Quevedo, "no ecziste" – afinal, meus caros, é um negócio indevidamente regido pelo "mercado" , coloquemos a mão na massa para implementar formas de mitigar os efeitos daninhos desta erva que corrompe a mente e o ideário da população e que mina o bom governo.

Não se fala aqui de se fazer propaganda ou promover hagiolatria, fala-se simplesmente em "informação".

Ora, encaremos a realidade: nada, nada ou quase nada do que o Governo fazia chegava aos olhos e ouvidos da massa.

Tudo, tudo ou quase tudo que se faz em termos de políticas públicas, de ações governamentais e de avanços, de alcances e de alvissareiro não chegava massificado em nossas casas.

Pelo contrário, a alvorada que diariamente surgia era vestida de sordidez, era maquiada de um turvo preto e se fixava como sinistro espantalho, sempre a anunciar o caos e a massacrar fatos, dados, nomes e notícias.

E o Governo, de verdade e concreto, se calava e se afastava cada vez mais da nossa gente. 

E, enfim, não se adonava da própria voz.

É claro que muita – muita! – gente vê e sente na pele o braço estatal de apoio, de amparo, de ajuda e de fomento.

E para estes milhões a farsa midiática é desnuda e os surtos da imprensa são em vão.

Mas para toda uma outra multidão, o silêncio e a ineficácia comunicativa do Estado sempre foram constrangedores e nefastos.

E suicidas.

E homicidas.

O Governo do PT, pródigo em cometer erros inconcebíveis em diversos planos, também insistia em conformar um Ministério das Comunicações doce e manso, cordial como o homem brasileiro descrito nas "Raízes do Brasil"; a SECOM, por sua vez, esvaziava-se no seu fim e se anulava nos seus meios; e a EBC trabalhava mal, muito mal, com uma NBR e uma TV Brasil fracas, chatas e brochantes  salvo raras aparições em idéias excepcionais que confirmam a regra – que faziam por merecer a microscópica audiência que sempre tiveram.

Em suma, meus raros leitores, isto que temos na estrutura de comunicações nunca bastou para levar o balanço, as obras e as políticas de Governo aos brasileiros, e para libertar ambos das amarras canalhas dos donos da informação.

No plano interno já se sabe que isso só tem conserto com o fechamento das torneiras que sustentam e fomentam os grandes grupos do país – lembre-se que são torradas fortunas em publicidade masoquista que, ao cabo, só engordam o bando – e, elementar meus caros, uma Ley de Medios, ampla, intensa e irrestrita (v. aqui).

E não se venha com a ladainha de "censura" ou coisas do gênero;trata-se, sim, de medida que radicaliza a democracia e a república, nos estritos termos do Capítulo V, Título VIII, da nossa Constituição.

E fora, como fazer para levar esse nosso mundo ao resto do globo, opondo-se à avalanche reacionária e colonialista dos gigantes conglomerados de mídia que insistem nas deslavadas mentiras de um pensamento único e unilateral?

No âmbito dos BRICS, China e Rússia montaram poderosos meios de difusão de informações: a agência de notícias Xinhua é um grande exemplo de competência e efetividade (v. aqui), a televisão estatal chinesa (CCTV) exibe programas em diversas línguas com material de notória qualidade – e até em espanhol (v. aqui) – e a Rússia já tem uma TV em língua inglesa que, vejam só, contrata ilustres âncoras e jornalistas mundo afora (v. aqui).

Pois bem, e o Brasil?

Continua trancafiado na Globo, nos jornalões, nos grupos regionais (e internacionais) de mídia e na cabeça conservadora da elite "formadora" de opinião.

Em suma, Dilma, Lula e todo governo popular e de centro-esquerda tinha que ir à TV -- como aqui se ensina.

Toda semana, em horário nobre, 10 ou 15 minutos dizendo o quê e como faz.

Tintim por tintim, nos mínimos detalhes, de modo claro, corajoso e contagiante.

E explicando, deixando claro as responsabilidades e atribuições de um Congresso que insistia em boicotar e chantagear a todo instante.

Metia o Poder Legislativo na vitrine, para que toda a população veja e saiba o que faz.

E acabava com a falsidade dos discursos e a dissimulada ação de parlamentares que sempre chegavam maquiadas aos holofotes da grande mídia.

E por que não expor o Judiciário, o nosso irresponsável (a quem responde?) e irreparável (por que nunca erra?) poder? Diz, fala das grandes ações que o Estado perdeu e das grandes decisões que os tribunais superiores tomaram.

Isso tudo é pressionar ou mitigar a independência destes dois poderes?

Não, isso é transparência, na TV, na veia, de verdade, para todos verem, ouvirem e refletirem.

E também a sobrevivência prática e moral da nossa democracia.




quarta-feira, 1 de junho de 2016

# uga-uga



Não entendo de muitas coisas, muitas.

Uma delas, e a qual tem me causado uma certa angústia, é o jeito e a dinâmica desse negócio  de redes sociais, uma doente vitrine humana (v. aqui).

Talvez por não ser muito ligado à elas  tenho apenas um tímido perfil no twitter, nunca estive no ~face~ ou no ~insta~ e não uso whatsapp , acho bem estranho, por exemplo, os desenhinhos que pululam por todos os cantos, colorindo as conversas on-line constrangedoramente e que mais parece um processo de reinfantilização ou um retrocesso às cavernas.

Saramago, pouco antes de morrer, já disse isso, ao se deparar com o hábito pós-moderno da comunicação (v. aqui), e realmente parece que regredimos a ponto de, daqui a pouco, voltar a nos comunicar por “grunhidos”.

O gosto, ora, é imenso por essa nova modalidade de arte rupestre: são “carinhas com sorriso” para dizer, por exemplo, obrigado, são “palmas estaladas” para falar, simplesmente, parabéns, são “polegares para baixo” para falar não gostei... parece-me, pois, a bancarrota da comunicação escrita.

Por quê?

Dia desses dois bons amigos comentavam a loucura do “twitter” e seus pistoleiros mastodontes à caça de homo sapiens (v. aqui).

A mim, meio curumim nisso, me parece que boa parte desta mais nova ágora pós-moderna funciona mezzo como um palanque para tipos celenterados que buscam ali seus 140 caracteres de fama, mezzo como um divã para verdadeiras anêmonas despejarem seus recalques e frustrações, tudo sempre sob uma lógica funcional ausente de racionalidade e de crítica, sem corpo e sem eco, finada em si, numa tola ilusão de que podem alcançar os seus destinatários.

Em ambos os casos, mero reflexo disentérico de uma gente capenga, de quengas incapazes de construir ideias e, principalmente, de aceitar a conversa, a dialética, de querer ouvir, de saber falar e de ousar pensar, unidimensionalmente movida pelo instinto narciso de posar ou covarde de ofender.

Portanto, se não está a gritar debilmente, esta massa está despejando palavras sem pés, sem mãos, sem cabeça, sem tronco, sem nada, simplesmente pelo "prazer" de comentar, retrucar, dar pitacos sobre o que não parou segundos para refletir, num arraial de frases feitas e burras que apenas revelam para o mundo quem são (seus valores) e o que representam (seus fetiches).

Claro que não pretendo qualquer ruptura no avanço tecnológico que tão bem faz na dose certa das nossas necessidades – inclusive para aquelas que ainda nem criamos... –, como também não imagino que todo bate-papo informal deva exigir teses, ritos e uma pomposidade medieval.

Contudo, o abuso no uso dos meios virtuais e o repúdio à falta de inteligência e de decência no trato com tantos involuntários interlocutores devem merecer máxima atenção.

E, por vezes, o recuo neste campo de jogo e o pujante silêncio diante dos indesejados ataques de ratos e rampeiras que se escondem no anonimato formal ou material da internet sejam as melhores soluções.

Afinal, estricnina e antirrábica só funcionam, por ora, no mundo real.



quarta-feira, 11 de março de 2015

# vaga-lume



(...)

- Mas e por que a mídia, então, não fala toda a verdade?

- Porque não lhe é conveniente, por se tratar de uma mídia corporativa, uma mídia comercial, uma empresa que visa aos seus interesses e, claro, ao lucro. 

- Como assim?

- Esta mídia que a senhora vê aí, neste canal e nos outros, neste e nos outros jornais da tv, faz tudo por dinheiro, com fins mercantis, de negócios e, principalmente, faz tudo pelo poder (v. aqui e aqui).

- Ah... é tipo uma loja de shopping? 

- Exato, vendem notícias (e fatos) como o Burger King vende sanduíche.

- Entendi. Mas estranho... e eles podem fazer isso?

- Não, mas fazem.

- Não entendi.

- A tv é uma concessão pública, e por isso tem regras de uso, de transmissão, de conteúdo etc. O problema é que as concessões de rádio e tv sempre funcionaram no Brasil como meros "mimos políticos"... Além disso, quase nunca ninguém ousa enfrentar estes grandes grupos de comunicação  – que são verdadeiros "latifúndios eletromagnéticos" , grupos que tem braços em rádios, jornais, revistas... e que podem destruir qualquer um a qualquer momento. (v. aqui)

- Hum...

- Tem gente que enfrenta isso... basta lembrar do Brizola, o maior de todos os inimigos da Globo, e, lá fora, do Chávez, dos Kirschner... E, claro, do Requião, que no governo dele zerou os gastos em propaganda e publicidade nas tvs comerciais, na CBN, na Gazeta... e era diariamente massacrado por todos os veículos de comunicação do Paraná, que deixavam todo ano de embolsar milhões e milhões de reais. E foi por isso que ele investiu na "TV Educativa", uma tv pública, um órgão oficial do Estado e cujo interesse público pautava as notícias, as reportagens e os programas . O problema é que era tudo muito chato, em regra mal feito, e por isso ninguém assistia... e por isso ninguém sabia do que se fazia no Paraná, nas mudanças todas e nas inúmeras políticas públicas que se promoviam e que mudavam a vida dos paranaenses (v. aquiaqui).

- Como assim "gastos em propaganda"?

- Pois é, o governo federal, para piorar, insiste não apenas em deixar como está  sendo incapaz de avançar no projeto de regulação da mídia , como coloca cada vez mais dinheiro em propaganda nestes canais...

- Como pode... masoquismo isso! Paga para alguém falar mal!

- É... mas o problema nem tanto é falar mal ou bem, pois este é o "jogo", mas sim falar as verdades pela metade, o que tangencia a "mentira", só revelando a parte que interessa, e também falar sobre os fatos convenientemente selecionados, à la carte, como se o Brasil ficasse escondido por debaixo da programação das tvs. Mas isso está a mudar... (v. aqui)

- Será? Por quê?

- Não só pelo fato de que o Brasil está, mesmo com todos os seus erros e percalços, melhor para todos. É porque a internet está aí e está mudando tudo. O mundo dos fatos está disponível "on line", escancarado, sem intermediários historicamente privilegiados por regerem a pauta e a verdade... Qualquer um hoje é e pode ser um noticiante, um veículo.

- Ah, mas a tv ainda é a tv...

- Claro. O poder dela ainda é enorme, e por isso a necessidade urgente de se regular a mídia, de implementar tvs públicas de qualidade e de se reduzir a mamata da gigante verba publicitária entregue aos grandes grupos. Sem isso o interesse público continuará refém da vontade e do desejo financeiro destes grupos... (v. aqui e aqui)

- Claro, claro... é tudo tão claro isso meu filho...




sexta-feira, 21 de junho de 2013

# na mosca (e nas varejeiras)


Em rede nacional de rádio e tv, Dilma foi ótima, quase tão brilhante como, nestas horas, era o seu ex-companheiro de partido, Leonel Brizola.

A Presidenta de todos nós brasileiros falou e disse, dando uma lição em quem a imaginava irritada detonando os legítimos e objetivos pleitos populares e as honestas participações nas ruas; fulminando as pretensões de quem a imaginava tensa temendo as articulações golpistas; e decepcionando quem a imaginava volúvel e ensaboada querendo agradar a todo mundo.

Ponto a ponto, foi direta como sempre, destacando o que fez, faz e fará em relação aos assuntos mais combatidos, inclusive ao dar sonoros avisos a quem possa interessar, pegando muita gente de calça curta e, sem se furtar dos compromissos, apontando para outros corresponsáveis.

Ao falar que exigirá a aplicação da Lei de Acesso à Informação – diploma normativo que dá máxima transparência das contas, compras e custos de todos os poderes da República – por parte de todos os poderes, por exemplo, desagradará os impolutos, imaculados e onipotentes senhores do Poder Judiciário, historicamente (auto)reconhecidos como acima de tudo; e, saibam os senhores, a corrupção também corrói em larguíssima escala este Poder, nada diferente do que ocorre com os nossos Legislativo e Executivo.

Ao falar que abriremos as portas aos médicos estrangeiros – devidamente capacitados, sublinhe-se –, acabará a reserva de mercado e o corporativismo dos "doutores" e seus conselhos, fazendo chegar a saúde nos rincões do país onde os nativos não querem ir ou mesmo naqueles onde querem mas não vão.

Ao falar que está aguardando o Congresso Nacional se coçar para aprovar a sua lei que exige 100% dos recursos do petróleo (pré-sal) aplicados na educação, faz nascer brotoejas na turma que não quer um Brasil desenvolvido e um sistema educacional com professores, métodos e estruturas de qualidade.

Ao falar que, de imediato, mais uma vez receberá todos os representantes dos movimentos e organizações sociais, para saber, tête-à-tête, o que querem e o que pensam, frustou aqueles que nada pensam e nada querem, frustrou aqueles apolíticos e aqueles apartidários que vivem de preconceito, birra, umbigo e apocalipse.

Ao falar que os gastos com estádios da Copa não são tão gastos assim, lembrou que foram empréstimos e financiamentos – e não investimentos – e, ao cabo, que se trata de uma condição criada por vocês mesmos para realizar o evento (bem... na verdade aqui é mais ou menos isso... este negócio todo é estranho e nebuloso... e já aqui faço uma particular observação, que de novo percebo: ninguém me tira da cabeça que a Dilma, se na época fosse ela a Comandante, vetaria a ideia da Copa no Brasil, tal qual o ex-Governador Requião...).

Ao falar que é necessário oxigenar o “velho sistema político” e encontrar mecanismos que tornem as instituições mais transparentes, resistentes aos malfeitos e permeáveis à influência da sociedade, ela reforça que é um equívoco achar que qualquer país pode prescindir de partidos e do voto popular – a base de qualquer processo democrático –, frustrando quem via nela e no PT o prenúncio do fim da nossa democrática República Federativa do Brasil.   

(Só senti a falta, confesso, de ouvir ela falar que acabara de mandar pra rua algumas múmias paralíticas que ocupam cadeiras ministeriais tão importantes, tão próximas a ela e ligadas tão diretamente ao partido – e, pois, que assim independem do tal arranjo governista com a base aliada para serem demitidos –, nomeadamente o quinteto irreverente formado por Gleise Hoffman, Ideli Salvati, Gilberto Carvalho, Paulo Bernardo e José Eduardo Cardoso).

Por fim, a Presidenta da República falou com firmeza, coragem, serenidade e, melhor, com a postura de quem se coloca como referência de Estado e como liderança efetiva de uma nação.  

E vocês se perguntam: “Pô, mas precisava acontecer isso tudo pra ela agir?”. 

Não... e a pergunta é errada. 
E por uma simples razão: isso tudo já era feito, pari passu, no ritmo (lento) que o sistema democrático-institucional exige.

Ora, percebam que tudo o que foi acima dito e escrito já está acontecendo, já foi pensado e já foi proposto pela Presidenta.

O problema é que não estamos num país com partido único ou com unicidade de poderes, razão pela qual (quase) tudo deve passar por negociações políticas, debates partidários e chancelas do Legislativo (e mesmo, por vezes, do Judiciário).
É, não é tão simples tudo isso, mas acho que dá para entender... 
E, quem sabe, para ajudar, ao invés de ir às ruas para tirar fotos em facebooks ou para contar aos colegas no recreio do dia seguinte ou para se pintar de arara e sorrir à imprensa com frases-feitas a tiracolo, este pessoal começasse a estudar, a ler e a refletir mais sobre todo este estado de coisas?
Duvido que ainda continuassem a querer brincar de Turquia ou de Praça Tahrir pelas avenidas brasileiras.

Ao fundo, o caos da noite de ontem; à frente, um grupo de gigantes acordados e
bastante preocupados com as "reformas" no país.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

# sin ternura


fdsNão importa a inclusão social de uma Espanha inteira dentro de uma situação de decência, muito menos uma iminente atuação político-pública que a estenda para mais duas Espanhas.
fdsNa verdade, se depender da grande mídia nacional, o próximo ano do novo Governo será um inferno, razão pela qual é urgente e imperiosa a criação de uma agência e de uma lei que efetivamente regule e regulamente a atuação dos meios de comunicação no Brasil, nos termos previstos pela nossa Constituição e, exemplarmente, nos moldes do implementado na França, com o “Conseil Supérieur de l´Audiovisuel” (v. aqui), e na Argentina, com a “Ley de Medios” (v. aqui).
fdsA presidente Dilma Rousseff, em suma, terá a responsabilidade de garantir à população o direito à comunicação.
fdsE, por isso, além de ambas as medidas citadas, é tão importante a multiplicação exponencial do sistema público de banda larga.
fdsDilma precisa, urgentemente, constatar que a forma de atuação de diversos veículos de rádio e televisão – não vem importar, sob essa ótica, a imprensa escrita (v. aqui) – são indiretos atentados à democracia e, por isso, deve agir desde o primeiro dia de gestão, e não esperar o babante golpe midiático.
fdsE por isso já não entendemos – senão pelo viés maquiavélico (ou da linha paz&amor) – toda a predisposição da presidente eleita, Dilma, com a Rede Globo, veículo que diuturnamente detonou a sua candidatura e o seu governo: na primeira oportunidade após eleita, foi ao Jornal Nacional. Para quê? Por quê?
fdsOra, o Presidente Lula salvou o Governo dele, mas quase não faz a sucessora.
fdsE isso é grave.
fdsE, por isso, um (bom) começo é evitar entrevistas exclusivas, estúdios platinados, páginas amarelas e espaços reservados em jornalões.
fdsE assim colocá-los nos seus devidos lugares.
fdsAlguém, enfim, precisa continuar o que Brizola começou – e que seja ela, oriunda do mesmo PDT.
fdsCaso contrário, muito provavelmente cairá.
fdsAfinal a turma virá babando ódio e veneno...
fds

 

sexta-feira, 12 de março de 2010

# meu querido diário: piu-piu...



Parece que, nestes tempos de 140 caracteres, qualquer texto que passe de dois parágrafos passa a ser considerado prolixo, difuso, longo, verboso ou fastidioso.

Porém, isso não me espanta.

Afinal, a imediatização da vida, a publicização da vida privada e a inconscientização pela brevidade com que se reflete os fatos e as fotos desta vida parecem exigir dos interlocutores uma comunicação não menos virtual, instantânea, superficial e explícita que o espaço de poucas e curtas sinapses.

Não, não trabalharei as minhas ideias, as minhas reflexões, os meus pontos-de-vista e o meu cotidiano por meio desta ferramenta que tudo arreganha, que tudo abrevia, que tudo (menos) diz e que tudo (mais) sintetiza, como se num jogral monossilabicamente robótico.

Naturalmente, não serei... "sintético".

E, muito menos, farei da minha vida um colegial diário pessoal.

Mas não apenas por não querer, e sim, especialmente, por não ser capaz de fazê-lo.


 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

# aspas (xxxiii)

f
    José Saramago, sobre o twitter -- e que cabe também, e principalmente, para as conversas virtuais (v. aqui):

     "Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."





 

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

# aspas (xxvii)



Nesta oportunidade em que (i) se discute a urgência de se refundar as comunicações e a mídia no país e (ii) se acredita que a queda do Muro é a queda fatal das utopias, um pensamento intransitivo de Érico Veríssimo -- publicado na primeira parte da sua autobiografia “Solo de Clarineta: Memórias” --, cujo texto, inclusive, consta na epígrafe do recente livro escrito pelo editor deste blog (v. aqui e aqui):

fds"Tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror.
fds
Mas, se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos o nosso posto".


 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

# latifúndio eletromagnético

s
fdsfdsO Governo do Paraná, na esteira do que os outros 25 Estados da Federação fazem -- e o Governo Federal fará, em dezembro --, promove, de hoje a domingo, no "Canal da Música" e com transmissão ao vivo da TV Educativa, a Conferência Estadual de Comunicação (v. aqui), com vistas a pensar e debater um novo marco regulatório para as comunicações (a mídia, os veículos, as tecnologias etc.) no Brasil, (re)criando um sistema sob os estritos moldes constitucionais, de modo verdadeiramente livre e democrático.
fdsfdsA apresentar uma composição tripartite -- governo, empresas de mídia e telecom e "sociedade civil" -- e a ter três eixos de discussão -- meios de distribuição, produção de conteúdo e cidadania --, a Conferência tem, encrostado um fim maior: combater o "latifúndio do ar" e por um fim na maneira oligopolista, oligarca e patriarcal de se fazer comunicação no Brasil, na esteira do que vários países da América Latina vem fazendo (v. aqui, por exemplo, o que a Argentina já fez, com a sua nova "Ley de Medios").
fdsfdsO caminho? Visar à relativização da libertina liberdade de imprensa, a qual, por ser meramente mercantil e, portanto, refém do mercado, assenta-se não no interesse público e no seu compromisso constitucional, mas na conveniência da verdade, no obscurantismo da informação e no viés coronelista e golpista da existência.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

# na mosca (ou, "antifahrenheit 451")


fdBrilhante a idéia da Petrobras -- a maior empresa do país e uma das mais eficientes do mundo no setor -- em responder à altura toda e qualquer mentira ou calúnia propagada pelas grande imprensa golpista nacional, mediante a criação de um espaço virtual, um jornal virtual no qual explica e comenta todas as manchetes criadas e as perguntas difamatórias feitas pelos senhores da globo, folha, veja e estadão. Perfeito!
fdDoravante, o blog da Petrobras permitirá uma comparação entre o que a estatal brasileira divulgou aos jornalistas e jornalões e o que foi publicado, sendo possível, assim, identificar (quase) todos os erros e sacanagens promovidas pela grande imprensa.
fdAssim, para você que quer realmente saber o que se passa na Petrobras -- e evitar que o seu cérebro acumule-se de deslavadas mentiras, como interessa aos privatistas de plantão que desejam fulminar essa grande companhia com a tosca CPI que se instala --, acesse aqui ("Petrobrás - Fatos e Dados") e pense por si, e não pela cabeça rentista e pelos desejos coprofágicos dos contumazes vendilhões do Brasil.
fds


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

# oligopólios golpistas e grotescos


fds Como lição que deve ser disseminada pelo resto do país -- e, especificamente, em cada uma das "regionais" que monopolizam informações, manipulam os fatos e pervertem o interesse público --, o Ministério Público Federal (MPF) de Santa Catarina ingressou, no último dia 10 de dezembro, com uma ação civil pública contra o oligopólio da empresa "Rede Brasil Sul" (RBS), formado no dois Estados mais ao sul do Brasil.
fd sEntre outras providências, o MPF requer (i) a diminuição do número de emissoras da empresa em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a fim de se adequar ao que exige a lei, e (ii) a anulação da compra do jornal "A Notícia", de Joinville, que resultou no virtual monopólio da empresa em jornais de relevância no Estado de Santa Catarina, e que foi mal admitida e analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), do Governo Federal.
fds Assim, finalmente se discutirá essa questão do oligopólio -- embora no caso da RBS seja uma posição praticamente monopolista -- à luz da lei que regula a ordem econômica.
fds Esses grupos midiáticos -- e, repita-se, em suas várias facetas regionais --, comandados por famílias e com base em conceitos e operações quase mafiosas -- lembre-se que, conforme a lei, a emissora de rádio ou TV deve estar em nome de "pessoa física", não de "pessoa jurídica", e cada pessoa só pode ter duas por Estado... --, são verdadeiros escândalos em matéria de desregulação e desregramento (e desfaçatez, despudor, desinteresse público etc.), num laissez-faire da pior espécie que os permitem (quase) controlar diretamente as respectivas populações -- em suas vontades, idéias e dogmas -- e, indiretamente, o próprio Estado, tão claro é o temor estatal em enfrentá-los e puni-los.
fds A concessão dos serviços de radiodifusão precisa ser energicamente fiscalizada e deixar de ser um mero mimo político, que tão-somente beneficia as nossas elites burguesa e política. Se não traz utilidade pública, pune, suspende e caça, como faz anualmente os EUA -- que, em média, cancela a concessão de 50 canais de rádio ou televisão por ano -- ou como fez a Venezuela, não renovando a concessão dada ao maior grupo de comunicações do país, o qual, logo após a vitória de Hugo Chávez nas eleições presidenciais, promoveu a tentativa, quase exitosa, de golpe de Estado, em conjunto com a burguesia nacional e os EUA.
fds Enfim, trata-se de uma ação imprescindivel e urgente, à medida que o Brasil precisa definitivamente acabar com essas espúrias concentrações de mercado e, principalmente, de poder -- o já notório quarto poder --, instaladas há aproximadamente quinhentos anos, que emburrece, chantageia e não deixa o nosso povo ser verdadeiramente livre.