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quarta-feira, 29 de abril de 2015

# centro cívico na democracia

 
 
Esta nossa “democracia” provoca coisas absolutamente incompressíveis.
 
Veja-se o caso deste Beto Richa.
 
Que história e que trajetória profissional, pública, política ou social ele tem para merecer o cargo que ocupa? Alguém lembra da sua atuação como parlamentar? E na Prefeitura de Curitiba, o que fez além de gastar milhões e milhões em narcisistas campanhas publicitárias, surfando na ultrapassada onda lernista de cidade-modelo? E o que falar do seu primeiro não-mandato de governador?
 
Ora, reeleito às custas de muita grana, de muito “apoio” de deputados em seus redutos eleitorais interioranos – afinal, foi por causa de verbas e cargos que a maioria dos canalhas do PMDB no Parlamento, cheia de votos no interior do Estado, apoiou e reelegeu Beto – e de muita alienação da massa conservadora curitibana, o sujeito a cada dia que passa consolida-se como um traste político e um infame administrador.
 
Dentre outras coisa, Beto Richa lembra muito aquela célebre personagem das crônicas de Nélson Rodrigues, a "Grã-Fina das Narinas de Cadáver", que, em pleno estádio, costumava olhar para o seu nobre acompanhante da hora e perguntar, sem titubear: “Hein, quem é a bola?”.
 
Ainda, parte da ópera bufa da reeleição reside na sua casca de bom-moço, de modos etiquetáveis, de limpinho-aromatizado-com-polo-de-jacaré-e-gel e de politicamente correto, cuja figura ainda se sustenta em relativa escala Paraná (e Curitiba, claro) adentro – mas que, evidentemente, não deveria ultrapassar os limites do Graciosa Country Clube ou do Iate Clube de Caiobá.
 
Depois, as “ideias” (sic) e a “gestão” (sic) de Beto escancara os efeitos ultranocivos das ladainhas neoliberais e de xoques de jestão propagadas pela turma demo-tucana, tudo e sempre em nome da mão divinal do mercado, do não-Estado e do vale-tudo nas relações público-privadas.
 
Resultado: quebrou o Paraná.
 
Mas isso tudo ainda não era suficiente.
 
E agora Beto e a sua equipe de pulhas, picaretas e piás de prédio deram para surrar e quebrar centenas de professores e servidores públicos, num dos episódios mais repugnantes que o Centro Cívico da capital paranaense presenciou.

Cenas de guerra, de um massacre absurdo promovido por um governo sem pés e, muito menos cabeças -- por sinal, registre-se: o "secretário" de Educação de Beto Richa era um agente do mercado historicamente envolvido nas privatizações das empresas de telecom...
 
Bem, jamais se esperou alguma coisa desta gente, mas confesso que se poderia esperar qualquer coisa, menos o que foi visto hoje.

Beto Richa, assim, se já podia ser considerado o pior governador que o Paraná já teve, depois desta quarta-feira também será lembrado como um dos mais indignos da nossa história.
 
A propósito, já pensaram o que se mostraria e falaria, Brasil afora, se o governo paranaense fosse do PT ou de alguém pouco afeito às colunas sociais?


 

terça-feira, 14 de abril de 2015

# quando a alma não se apequena



Com a confirmação do nome do Prof. Dr. Luiz Edson Fachin para o STF  a quarta baita indicação seguida deste Governo Dilma, depois de Mangabeira Unger (Min. Assuntos Estratégicos), Jessé Souza (IPEA) e Renato Janine (Min. Educação) , reproduzo abaixo um texto publicado em março de 2014 que ilustra um pouco este grande homem e jurista paranaense.


# quando a alma não se apequena

Há momentos na vida em que se aprende como nunca.

São lições de gratidão, de dedicação, de amizade, de humildade e de sabedoria que em nós se perenizam.

E esta noite de terça-feira  como convidado para estar na "Academia Brasileira de Letras Jurídicas", em sessão solene para a posse do paranaense Luiz Edson Fachin como mais novo "acadêmico" (cadeira nº 10, de Rui Barbosa) e para as condecorações de membro honorário ao português António José Avelãs Nunes  foi um desses momentos, tamanha a grandeza dos discursos por ambos proferidos na cerimônia.

Prof. Avelãs, da Universidade de Coimbra, é uma das maiores vozes de uma outra Europa,  hoje esvaziada do pensamento crítico, social e humano. É um dos maiores jus-economistas portugueses, intelecto eminente da Economia Política e um trilhar político-científico que faz invejar a sua nacionalidade (e me honrar com sua amizade).

Prof. Fachin, da Universidade Federal do Paraná, é um dos grandes orgulhos do meu Estado, árido de expoentes nacionais. É um dos maiores juristas pátrios, mente brilhante do novo Direito Civil e com uma trajetória acadêmico-intelectual que faz galhardear a conterraneidade (e que tive o prazer de conhecer).

Mas não são estes atributos o que mais importa, como aqui já se poderia confirmar.

Títulos, prêmios, cátedras, livros, tudo fica à margem de quem são, do que fazem e de como fazem.

Sim, porque estes dois senhores, mais do que singulares pensadores do Direito, são grandes homens, plurais e que idealizam o coletivo.

Hoje, vendo-lhes nas suas narrativas apaixonadas  daquelas que vêm da pura alma do bem-fazer e do bem-viver e de quem têm a ética como prumo e o social como horizonte , recrudesce o nosso sentimento de que a vida deve ser simples e vale simplesmente por isso.

Não por acaso, ao trazerem da memória o valor das suas origens, o conteúdo afetivo dos que sempre o cercaram, e, principalmente, o papel dos respectivos pais em suas histórias e em suas formações, as palavras vieram esculpidas em lágrimas, absolutamente sinceras, caídas com o orgulho de quem ali chegou de pé e pelas meritórias mãos do afago materno e do suor paterno.

Vê-los se declararem às ciências humanas, à humanidade e à família foi daquelas provas de que é no navegar destes homens que o mundo merece seguir.

Um navegar simples, cuja bússola é o amor.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

# grã-fino das narinas de cadáver



Agora, a palavra da moda no cenário político é "austeridade" – menos na Grécia, claro, onde o termo foi varrido pelo povo.

E por todo o Paraná, e especialmente na sua Capital, escancara-se os efeitos ultranocivos das ladainhas neoliberais e de xoques de jestão propagadas pela turma demo-tucana (e até copiadas em certa parte pela leviana retórica petista) e, no caso, pelo reeleito governador Beto Richa.

Entretanto, e não poderia ser diferente, a grande mídia nacional esconde e não tece uma só vírgula sobre o caos que se instala pela Administração Pública paranaense (v. aqui)  a propósito, já pensaram o que se mostraria e falaria, Brasil afora, se o governo paranaense fosse do PT?

Bem, afora o escandaloso dia a dia repleto de uma "nada" constrangedor, as trevas deste triste e terrível (des)governo estadual vem na forma de estouro no limite de gastos com salários, da paralisação de obras em escolas, presídios, moradias etc., da interrupção dos poucos programas sociais e de dívidas e mais dívidas a descoberto. 

Ademais, o nada deste governo sempre fora tão flagrante em termos de políticas públicas, que Beto, o Energúmeno, a todo instante se segura em factóides e se agarra na esposa para destacar ações filantrópicas vazias, tentando se expor em outdoors pelas ruas das cidades para ostentar o sorriso vacilante, o bronze de Vanuatu, o V de alguma vitória e o relógio de vistosa marca.

Contudo, em termos de atitude, políticas e governo, é um nada, um sombrio e rotundo nada

Este picareta que ocupa a cadeira de governador lembra muito aquela célebre personagem das crônicas de Nélson Rodrigues, a "Grã-Fina das Narinas de Cadáver" (v. outra delas aqui), que, em pleno estádio, costumava olhar para o seu nobre acompanhante da hora  um desses eternos que reinam nas colunas sociais – e perguntar, sem titubear: “Hein, quem é a bola?”.

Eleito e reeleito com a promessa de gastar menos e melhor – típico (e falso) mote desta turma –, Beto enganou até onde conseguiu,  hoje já sendo notória a sua incompetência administrativa, a sua ignorância política e a sua incapacidade de reger a coisa pública.

Porém, isso não surpreende, afinal, que história  francamente, seria essa aqui? – e que trajetória profissional, pública, política ou social ele tem para merecer o cargo que ocupa?

Alguém lembra da sua atuação como parlamentar? E na Prefeitura de Curitiba, o que fez além de gastar milhões e milhões em narcisistas campanhas publicitárias, surfando na ultrapassada onda lernista de cidade-modelo? E o que falar do seu primeiro mandato de governador?

Ora, tudo se resume à grana posta em jogo – afinal, foi por causa de "verbas" e "cargos" que a maioria dos canalhas do PMDB no Parlamento, cheia de votos no interior do Estado, apoiou e reelegeu Beto – e ao maquiavelismo às avessas, bem como à necessidade da população querer deslumbradamente a tal da "renovação" e iludidamente o "novo".

Mas a sua essência é oca ou bafeja naftalina: o que é novo não presta, e o que presta não é novo. 

Além disso, parte da ópera bufa da reeleição ainda reside na sua casca de bom-moço, de modos etiquetáveis, de limpinho-aromatizado-com-polo-de-golfe-e-gel e de politicamente correto, cuja figura ainda se sustenta em relativa escala Paraná (e Curitiba, claro) adentro.

Mas que, evidentemente, não deveria ultrapassar os limites do Graciosa Country Clube ou do Iate Clube de Caiobá.

Enfim, a população acabou de novo engolindo este outro conto do vigário tucano, esta outra fábula do governo-empresa e esta outra cantilena da gestão privada da res publica  e agora terá que aturar as desventuras deste mimado "piá de prédio" e seus deputados de quinta categoria.

Enquanto isso, o bom síndico que teríamos continua em Brasília, no meio daquele Senado...

Ossos, pois, da democracia.

E no final, o Governador articula e a Assembleia passa por cima do povo paranaense



segunda-feira, 10 de março de 2014

# peste bubônica


Beto Richa é o pior governador da história moderna do Paraná.

Esqueçamos, claro, todo aquele pessoal que governou um Estado ainda impúbere, por poucos meses, sem tempo e sem muito propósito de fazer alguma coisa – e só entre 1853 e 1900 foram mais de cinquenta (v. aqui).

Excluamos também aquelas figuras insólitas, aristocráticas – em cujas fotos oficiais invariavelmente posavam de fraque, relógio de bolso e cavanhaques , viventes de um país semicolonial, com um Paraná quase-comarca e cujos mandatos não se podia muito bem avaliar.

E, por fim, por óbvio deixemos de lado a turma de plantão indicada pelos milicos ou pelo governo central, em regra formada por paus-mandados logicamente incapazes de qualquer ato de autonomia, de enfrentamento e de promoção do interesse público.

voilà, temos o nosso Bebeto, de autêntica cepa demo-tucana, encabeçando a lista do pior de todos os tempos – v. aqui e aqui do que ele se (de)compõe.

O Paraná, meus caros, parou e desceu a ladeira, a restar abandonado num canto central do país, tudo fruto e arte da negligência, da imprudência e da imperícia de Beto Richa e sua trupe.

Um mandato cretino, um oco político e um vendilhão da alma e do sangue da coisa pública paranaense, basta ver hoje a nula presença do Estado como fonte de alternativas políticas no cenário nacional.

Uma gestão enfadonha, um despreparo pungente e um retumbante fracasso em qualquer área, em especial na economia e no trabalho, basta ver hoje os flagrantes números da indústria e do emprego.

Uma administração separatista, um andejo que meteu a pique todas as políticas sociais e que ignorou as áreas carentes do interior e da periferia da capital, basta ver hoje a abandonada realidade dessas regiões do Estado.

Beto Richa foi tão incompetente, mas tão incompetente, que nem mesmo implementar a cartilha do PSDB e seguir o evangelho liberal – "Estado não é nada, o mercado é tudo" (v. aqui– ele conseguiu.

Não conseguiu, mas, sejamos justos, até tentou levar a cabo as suas ideias – e as ideias da sua gente – de acabar com Sanepar, Copel, florestas, agricultura familiar... e de reduzir a pó a rede de hospitais regionais, as universidades estaduais, as micro e pequenas empresas e o aparelho policial, entre outras tantas coisas.

Pensando bem, o menino Richa consegue o prodígio de se encaixar naqueles dois grupos café-com-leite lá em cima indicados.

Afinal, foi um pau-mandado dos grandes interesses de classe, que nada fez no tempo que teve a não ser aparecer posando grácil para as colunas sociais da aristocracia curitibana que insiste em se aquartelar numa época medieval.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

# compunção


Este tal de mundo é mesmo muito estranho.

Por entre tantas outras razões, eis que agora, lá na minha Curitiba, do meu Paraná, vejo e ouço, aos borbotões, centenas de pessoas a detonar o piá de prédio que elegeram para ser Governador do Estado.

E pior, insistem agora em querer elogiar e ter saudades do tri-Governador Roberto Requião, outrora contumaz persona non grata no seio da nata gemente curitibana.

Ora, ora, esta gente toda que insistiu e defendeu a eleição do patrício e bon vivant, espécime da pior cepa tucana, imaginava o quê? 

Afinal, esta turma do castelinho sempre adorou este tipo de gente, sempre trabalhou dia-e-noite, em blá-blá-blás intermináveis, inventando teses e crendo em teorias estapafúrdias, armazenadas no mais fundo ranço conservador que há gerações carregam, para enfim justificar o injustificável apoio a este pseudopolítico, cuja fama não é de trabalho, de gestor público ou de intelectual (v. aqui).

A onda do cara é outra. A onda do cara é a mesma onda da encastelada turma que quis ele lá. A onda é tirar uma onda, posar de miguim do Curitibano e terceirizar o Estado na mão de asseclas e empresas privadas.

Aqui, em nossa seção "antifahrenheit 451 entabulada de março de 2007 a julho de 2010 , falávamos muito do governo Requião, lá de dentro, a funcionar com uma modesta trincheira contra os ataques odiosos de uma grande mídia que vivia sem a grana pública da propaganda e de uma burguesia que vivia sem os afagos de um político tradicional.

Sim, criticávamos e fazíamos o contraponto a várias medidas e, principalmente, a algumas podres laranjas que não honravam e que jamais poderiam fazer parte daquele trabalho; mas, para além disso, era um meio para mostrar tudo aquilo que a grande mídia escondia e aclarar tudo aquilo que os encastelados nativos teimavam em não querer ver.

E o que esta mesma gente, que hoje esbraveja contra um dos seus pupilos, fazia na época? Nada, nada, nem mesmo a atenção e um mísero voto de confiança naquilo tudo que falávamos e explicávamos sobre as políticas públicas do Governo e o jeito Requião de governar.

Pelo contrário, continuava apenas a desdenhar, a fazer chacotas ou, então, na sublime estupidez que invariavelmente a caracteriza, a tachá-lo de filhote da Venezuela, de réquiem brizolista ou de louco populista.

Uma gente, enfim, que merece este finado mandato de Beto Richa, o Bebeto do Soho Batel, e o seu "xoque de jestão". 

Uma pena para o povo paranaense.


Interior do Palácio Iguaçu, sede do Governo do Paraná





terça-feira, 8 de junho de 2010

# às armas, às armas



fdsO refrão do lindo hino português, traz, como quase todos os cantos nacionais europeus, um bélico mote: "Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar / Às armas, às armas! Pela Pátria lutar / Contra os canhões marchar, marchar!"
fdsEmbora devesse ser uma medida diária, incessante e ininterrupta da nossa gente e da nossa sociedade -- haja vista os podres poderes que impregnam por (quase) todos os lados o nosso país --, e não obstante sempre (sempre!) se desconfie das ideias que partem da aristocrática e conservadora OAB e da onipresente Gazeta/RPC, não deixa de ser digno e louvável o "ato cívico" desta noite.
fdsA partir das 18:00, na célebre "Boca Maldita" (Praça Osório, centro de Curitiba) -- e em mais 13 cidades paranaenses --, sindicatos, professores, estudantes, servidores públicos, donas-de-casa, músicos, camelôs, políticos, prostitutas, enfim, múltiplas classes e pessoas concentram-se para, concretamente, bradar por atitudes e decisões éticas e legais das instituições públicas responsáveis pela investigação e pela punição aos potencialmente bandidos que mandam (ou comandam) as falcatruas na Assembleia Legislativa do Paraná (v. aqui), nomeadamente Nelson Justus e Alexandre Curi (neto do finado, diz tudo, Anibal Curi), presidente e primeiro-secretário daquela Casa.
fdsContudo, sublinhe-se, esses não são (e nem devem ser), claro, os únicos deputados que mereçam ser expurgados para sempre da vida pública; afinal, senão partícipes -- quando devem criminalmente responder --, todos os demais deputados que até aqui silenciaram-se merecem nas urnas a máxima reprovação popular (v. aqui).
fdsPortanto, hoje (e sempre) o lema deve ser: "Às ruas, às ruas, pelo Estado do Paraná lutar / Às urnas, às urnas, para os picaretas não votar".
fdsEssas, pois, neste nosso momento histórico, são as nossas maiores armas.

 
neste momento históicofds

quinta-feira, 22 de abril de 2010

# elementares

f
dsRevolta-se com a atual situação da nossa Assembleia Legislativa, mergulhada em crimes, fraudes, falcatruas e improbidades?
fdsOra, é simples: nas eleições de outubro de 2010, não vote em nenhum deputado estadual que lá está e ajude a não permitir que nenhum deles se reeleja.
fdsAfinal, mesmo os deputados bons e probos têm culpa e responsabilidade: foram omissos com toda a picaretagem que por lá impera.
fdsE, se não fosse o jornal "Gazeta do Povo" -- e, doravante, as nossas instituições republicanas --, os bandoleiros continuariam a prevaricar, a roubar, a se locupletar e a se eternizar nos cargos, intocáveis, vez que os parlamentares impolutos não tiveram a coragem e a independência necessárias para investigar e denunciar os colegas pecadores.
fdsPorém, há aqui um sério problema para a grande parte dos eleitores e cidadãos: os convenientes avatares de cada um.
fdsÉ que poucos têm a bravura cívica e moral de não votar no Deputado que, no próximo mandato, continuará a arranjar os esquemas para a sua empresa (com contratos, licitações, empréstimos...) ou para a sua vida pessoal (com cestas básicas, antipó, cadeiras de roda, circos, gorjetas... se no grupo de baixo, ou com super-salários, nepotes, sacos de dinheiro, viagens, comissões... se no grupo de cima).
fdsViva a nossa "democracia"!
fds

quinta-feira, 8 de abril de 2010

# guaratubando


fdsO Sr. Nelson Justus, deputado e presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, criou a "Guaratubanda", o maior bloco de carnaval da maior cidade do litoral paranaense; porém, a "Guaratubanda" derivou para um grupo menor, o "Guaratubando".
fdsQuem cunhou a expressão foi o "Maxblog", ao enfatizar que o Guaratubando não pula carnaval, mas pula a Constituição, a Lei contra a Improbidade Administrativa, as leis ambientais, entre outras, pois, dentre tantas mutretas, cria cargos públicos e extrai palmito ilegalmente; no blog, ainda, um résumé do que o "nobre" Deputado faz e desfaz com a nossa Guaratuba (v. aqui).


fds

quarta-feira, 7 de abril de 2010

# justus e ímprobos


fdsSob a ótica cristã, em princípio ninguém é o mal, vez que à imagem e à semelhança divina -- na verdade, a existência do mal advém, pois, do "livre arbítrio", como ensina Santo Agostinho. E, diz o adágio popular, ninguém é de todo o mal, na medida em que, ao menos no interesse dos seus, parece que a pessoa consegue, quase sempre, demonstrar e agir com bondade.
fdsA "Gazeta do Povo", o maior jornal do Paraná, é notório pela campanha crítica (e negativa?) que faz do Governo do Paraná, não pelo viés de esquerda e estatizante das políticas públicas implementadas -- e, portanto, não pelo viés ideológico, o que até justificar-se-ia --, mas, fundamentalmente, porque talvez não receba um tostão de dinheiro público para propaganda, vendo secar uma fonte milionário dos tempos de Jaime Lerner.
fdsEntretanto, honra seja-lhe dada pela série de reportagens cirúrgicas, investigativas, jornalísticas e de máximo interesse público que está a promover sobre as falcatruas, a corrupção e as picaretagens existentes na Assembleia Legislativa do Paraná. São, portanto, absolutamente imperdíveis, dignas daquelas de serem lidas para os cegos e analfabetos, explicadas para os néscios e repercutidas por todos os cidadãos do nosso brasil-sil-sil-sil (v. aqui).
fdsA apresentar como il capo di tutti capi o Sr. Nelson Justus -- já que, além da "qualidade" (?) de Presidente da nossa Assembleia, mostra-se bastante "envolvido" no enredo --, a Gazeta do Povo a cada dia revela, mais e mais, a ganância e a escatofagia de grande parte dos agentes parlamentares e dos diretores daquela Casa -- como a figura bizarra e caricata do tal "Bibinho" (Abib Miguel), diretor-geral e serviçal de todos por 20 anos, antes onipresente e hoje um quase foragido... --, a podridão e a luxúria nas quais se sustentam, o descaso e a sacanagem com a causa pública, os desvios e a apropriação de dinheiro público e a falta de vergonha, de honradez, de ética e de moral (v. aqui).
fdsAs reportagens mostram centenas de pessoas a se beneficiarem das influências e do poder dos homens que comandam a Assembleia; as reportagens escancaram a rede de influências dos deputados nos municípios do Estado -- como, p. ex., a zombaria à moralidade pública que se promove na nossa querida Guaratuba; as reportagens, ainda, demonstram o enriquecimento incompatível com as respectivas realidades profissional e salarial (e, pois, potencialmente ilícito) de tantos picaretas e bandidos que se julgam acima do bem-e-do-mal ou, pior, creem que fama&fortuna não tem preço; as reportagens, enfim, deixam a nu o que todos nós sempre desconfiamos: os parlamentares pensam que o serviço público é um favor e que o dinheiro público é da Mãe Joana.
fdsNão me importa a razão para tão certeira autópsia, para tão fantástica dissecação, não cadavérica, ao vivo e a cores. Sim, os fins justificam os meios e os seus motivos determinantes, caso tenha-se por objetivo, real e imediato, o interesse público e popular e desde que tudo esteja apartado e distante do locupletamento pessoal.
fdsResta, agora, que as instituições públicas responsáveis pela investigação criminal, pela tutela dos interesses da sociedade e pela repercussão jurídico-política dos fatos, nomeadamente as polícias civil e federal e os ministérios públicos estadual e federal, arregacem as mangas e não deixem restar pedra sobre pedra naquele templo, destruindo até os seus alicerces... (Mt, 24:1-3).
fdsÀ Gazeta do Povo, os devidos lauréis pelo jornalismo investigativo e combativo.


domingo, 21 de março de 2010

# walkover


fdsQuando eu era pequenino, lá em Barbacena, lembro-me muito bem que no mundo esportivo infantil nada era tão vexatório (e infantil) quanto um W.O.
fdsPara nós crianças, não havia goleada que fosse mais imoral do que o não comparecimento ao jogo, seja por parte da equipe inteira -- o mais clássico walkover --, seja pela maioria dos atletas, naquela nervosa expectativa dos que aguardam a chegada do número mínimo admitido pelo regulamento.
fdsE eis que neste domingo, num campeonato profissional do maior e mais importante esporte do país, a time da cidade de Engenheiro Beltrão resolve não aparecer em Curitiba para o jogo contra o Malutrom. E, insólito, dá-se o W.O.
fdsBem, se alguém ainda tinha dúvida sobre a qualidade e os méritos deste Campeonato Paranaense e achava-o páreo para os torneios sergipano, piauiense, matogrossense ou rondoniense, agora não mais pairam tais suspeitas.
fdsAfinal, nunca um fato tão bem representou o pior campeonato regional do país.
fds
 

quinta-feira, 4 de março de 2010

# zé xede


Ele trabalhava (quase) ao lado de um ser "com dorso duro e inúmeras patas".
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Mais do que isso, avizinhava-se de um ser vil (e, claro, nunca um servidor).

E assim ele tinha, cotidianamente, por detrás do muro baixo, o ar de um idiota de dorso duro e inúmeras patas, cuja estupidez era quase extrema, a ignorância pulsante, a utilidade quase nula e o caráter inexistente.

Em suma, era uma espécie típica daquela raça, que parece ainda longe da extinção.

Era invejável e incrível como a besta não sabia de nada.

Não dominava uma única ciência, e, mal-e-mal, conseguia escrever a língua-mãe.

Porém, não poderia ser injusto: a sua madre superiora gostava de, nas entrelinhas, dizer que ninguém carregava tão bem as malas e ninguém pedia tão bem uma carona.

Era uma chefe contida, via-se.

Na verdade, ninguém sabia tanto como puxar um saco, como passar um tempo à toa e como fazer arranjos escatofágicos. 

Afora isso, fazia o ócio, puro, não criativo.

E neste ritmo agradava a maioria daqueles que colambiam as sobras dos frutos proibidos e desagradava aqueles que não tinham o direito de desgostar.
f
E, entre os momentos em que não fazia nada, dissimulava a participação em convenções intergalácticas -- vez que, senão o silêncio, os comentários eram extraterrenos -- e passava horas e horas entretido com a sua anteninha, falando num daqueles tons asquerosos de quem fuxica, pensando ser inescutável

Mas nem isso percebia.
f
Assim, além do peculiar cheiro, todos em volta também percebiam o teor dos assuntos de que tratava: futilidades e outras coisas típicas de ungulados hermafroditas, conforme ensina a literatura.

Entre discutir o uso do tênis de jacaré do filhote, pedir favores imorais, combinar arranjos carnais e encomendar bolos para os banquetes vicinais, o dito cujo pensava-se, além de inodoro, invisível.

Mas não, isso não.

Parecia, na verdade, um novo tipo de fantasma: um pestilencial e fedido fantasma em carne-e-osso, daqueles que, quase microscopicamente e com nenhuma alegria, costumam assustar nos trens-de-terror.

Era, vê-se, um dia a dia de show, mas de horrores.

E ele, na expectativa de pôr fim à assombração de carne e osso, não via a hora de, um dia, ver a criatura isolada num canto e então poder usar a ponta fina do seu sapato novo, para a própria alegria e para a felicidade geral da nação.

Sim, ele seria um herói ao esmagar aquele verme mal-cheiroso.

Um verme muito abaixo de um zé ninguém.




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

# lista de schindler

fdsHá uma falsa concepção de "talento" em nossa sociedade, a brasileira fundamentalmente.
fdsDe tempos (eternos) pra cá, a competência e o talento de qualquer um vem traduzidos em pecúnia, em coisas -- é a coisificação do homem e das relações sociais, em suma. Ganhar e acumular dinheiro -- embora a depender das circunstâncias, das razões e das causas, claro, jamais deva ser considerado um crime terreno -- ou exibir marcas e bens elegem-se como as maiores provas para que alguém possa ser considerado competente ou talentoso.
fdsA republicana medida adotada pelo Governo do Paraná, ao tornar público os vencimentos percebidos por todos os servidores do Poder Executivo, traduz ainda mais a falsidade e a improcedência de tal relação.
fdsNão me ative à tal lista -- afinal, cabe ao próprio Governador do Estado, de modo a justificar e dar uma raison d'être a tal medida, criar uma comissão que examine a situação, os descompassos e os absurdos ético-profissionais no âmbito dos planos de cargos e salários, a fim de propor o que deve (e pode) ser feito --, mas tive sim a pecaminosa curiosidade de ver a remuneração de um "servidor", um daqueles ainda responsáveis por firmar a (secular) figura do servidor público brasileiro -- medíocre, inútil (quando não contra-producente) e, ainda pior, ímprobo --, e lá estão, cumulativamente, injustificáveis e imorais R$ 16.769,45.
fdsEssa excrescência, um exemplo entre tantos, apenas evidencia (i) a malemolência estatal com este tipo de situação -- pois, por culpa própria, não reestrutura as suas "árvores de gestão" e, pior, aguenta toda essa gente tosca e não faz uso da prerrogativa constitucional de mandar embora servidor ineficiente e com baixo desempenho -- e (ii) o descalabro entre o que se paga para serviços e funções de mesma hierarquia em termos de importância estatal.
fdsAfinal, neste último caso, se a intenção de se ter um Estado é justamente para promover (e induzir) o desenvolvimento, fomentar (e exigir) a justiça econômico-social e o bem-estar e reequilibrar as distâncias de classes, nada justifica as brutais diferenças de remuneração existentes e que muito privilegiam, por exemplo, delegados, auditores fiscais e procuradores -- e os "advogados" --, em detrimento dos professores e dos profissionais da base da saúde e da segurança pública.
fdsAnos de estudo para se chegar naqueles primeiros cargos? Grandes responsabilidades que eles exigem? Bull shits. É, sim, apenas mais um ranço da nossa República que dá oportunidades distintas e cria reservas de mercado perenes à nata estatal e àqueles nascidos em berços (mais ou menos) esplêndidos. É, sim, apenas uma hipocrisia beata daqueles que ignoram as bases da educação, da saúde e da segurança pública como motores para o desenvolvimento nacional e, então pessoal.
fdsE não é só isso: há inúmeros casos, a priori inexplicáveis, de pessoas que muito bem poderiam ser substituídas por um ventilador, uma samambaia, um bebedouro ou um porquinho-da-índia, mas que, tão apenas pelo princípio da física, estão a ocupar um lugar no espaço, para nada servindo e, ainda pior, para desespero do erário, ganhando uma sobrenatural remuneração.
fdsO cidadão paranaense é o patrão dos servidores e tem todo direito de saber para quem paga salários e quanto paga, diz acertadamente o Governador Requião; todavia, a medida será inócua e superficial, além de esdrúxula, se apenas servir como ferramenta de curiosidade ou de vazias comparações.
fdsLogo, uma comissão deveria ser criado para investigar e saber o que (não) faz cada um dos seus servidores, quais são as suas (in)capacidades técnico-curriculares e qual (e como se mostra) o seu desempenho histórico nas atividades e no serviço dentro do Estado; porém, registre-se, grandes e paradigmáticas mudanças serão difíceis, pois os pseudoprejudicados serão certamente socorridos pelos braços convenientemente afáveis do Poder Judiciário, o qual manda equiparar, reintegrar, aumentar...
fdsAssim, em suma, tão-somente com a ficha corrida (e completa) de cada um dos servidores públicos, a cobrança da sociedade e a definitiva reflexão estatal acerca da configuração do seu plano estrutural-sistemático de cargos e salários, tal lista será útil, eficaz e funcional.
fdsCaso contrário, para nada servirá, senão apenas para catalisar os pecados capitais, acirrar o preconceito e mostrar que o talento quer significar a competência para se conquistar (e dissimular) outras coisas.
fdsEspera-se, pois, que dessa lista não sobrevivam todos.
fds

terça-feira, 6 de outubro de 2009

# 24 frames por segundo



Em 2005 foi inaugurada a Escola Superior Sulamericana de Cinema e TV do Paraná – CINETVPR, a qual criou o 1º. Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino.
Assim, a dar continuidade a este consolidado prêmio, de 5 a 11 de Outubro, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba/PR, acontecerá o "4° Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino".
Participando do festival de 2009 estarão concorrendo 06 (seis) filmes de longa metragem nacionais e 05 (cinco) filmes de países latinos - Itália, Moçambique, México, Bolívia, Argentina. Entre os filmes de curta metragem concorrem 09 (nove) nacionais e 03 (três) espanhóis.
A grande ideia deste Festival é propiciar aos participantes e ao público em geral, momento de reflexão com espaço para ponderar sobre as obras que serão apresentadas permitindo através de palestras, oficinas, debates, seminários e encontros, ocasião pródiga para despertar a criatividade, por se considerar que a inovação na criação, e consequentemente a descoberta de novos caminhos, seja o componente primordial para a abertura do mercado. Nesse ano haverá diversas oportunidades para fortalecer essa opinião através da "Mostra Leon Hirszman" (4 filmes), da "Mostra Pietro Germi" (5 filmes), da "Mostra Eros Inteligente" (15 filmes) todas seguidas de debates e o "Seminário Chris Marker" ministrato pelo autor Robert Grelier, com apresentação de importantes obras desse ícone do documentário mundial, atividades essas que permitirão, a todos, análises críticas e criativas.
Pode-se constatar claramente o crescimento da produção paranaense de cinema ao ponto de, a partir deste ano, ser instituída no festival,a "Mostra Paranaense de Cinema", na qual concorrem 10 filmes, entre curtas e longas metragens.
Essa mostra, inclusive, contará com a participação selecionada (e já premiada) de uma grande curta-metragem, "Balada da Cruz Machado"
, com roteiro e direção do cineasta e bacharel Terence Keller, e que estreou vitoriosa no primeiro semestre deste ano. O filme? Um "mergulho em uma rua de não ir a parte alguma", que vale a pena conferir. (v. aqui)

 
fds

segunda-feira, 29 de junho de 2009

# xô, vigília privada!

Chega na Assembléia Legislativa um Projeto de Lei do Governo do Estado para colocar um fim na picaretagem que em regra cerca a prestação de serviços de vigilância patrimonial, substituindo essa atividade privada, exclusivamente no âmbito do patrimônio público, mediante a convocação de policiais militares da reserva remunerada.
Evidentemente, o lobby dessa turma já mostra a força, e não faltam parlamentares que querem discutir essa lei, repugnando-a. Não falta, também, gente da grande imprensa, que, financiada pelos altos investimentos em propaganda que tantas dessts empresas de vigilãncia fazem, insistem em reproduzir vendidas matérias que desabonam essa ideia do Governo do Estado.
Atualmente, a segurança das instalações físicas utilizadas pela Administração é feita por empresas terceirizadas, cuja prestação custam um valor expressivo aos cofres públicos e, a despeito do alto custo, parece não corresponder às expectativas e a necessidade dos órgãos públicos.
Ora, os transtornos, a deficiência e a desnecessidade na prestação dos serviços pela iniciativa privada são notórias. E, assim, com essa "convocação" dos militares da reserva, o Estado pretende suplantar uma realidade que, por vezes, dissona do intentado pela Administração Pública nos processos de contratação oriundos dos procedimentos licitatórios realizados, os quais, embora hodiernamente inovadores e formatados sob um modelo que melhor caracteriza o estrito cumprimento dos basilares princípios administrativos, infelizmente ainda não conseguem reproduzir a melhor e mais eficaz maneira de se obter a prestação dos serviços de vigilância patrimonial.
Na Administração Pública são contumazes os problemas trazidos por essas empresas, baseados (i) na disponibilização de pessoas (“vigilantes”) visivelmente despreparadas, mal equipadas e completamente descomprometidas com as funções que lhe são cometidas, (ii) no registro de casos de faltas ao serviço sem a necessária substituição do vigilante -- ou seja, o "posto" fica vago --, (iii) nos não-repasse de vantagens (alimentação, transporte, etc) destinadas aos trabalhadores, na utilização dos mesmos trabalhadores em turnos sucessivos sem os intervalos de descanso e folga e em várias outras situações que, por vezes, já redundaram na condenação do Estado a determinados passivos trabalhistas.
Ademais, sabe-se que na última licitação realizada pelo Estado para a contratação de empresas de vigilância, essas, capitaneados pelo sindicato patronal da categoria, conseguiu evitar que se realizasse o certame por quase 9 (nove) meses, mediante a impetração de vários mandados de segurança cujo cunho era manifestamente protelatório, a intentar apenas que a Administração promovesse a “prorrogação” dos contratos então vigentes – que beneficiavam tão-somente um cartelizado grupo de empresas – ou efetivasse a “contratação emergencial” de empresas, sem licitação.
Enfim, fica muito evidente que não há a necessidade do Estado continuar a se submeter aos ditames impostos pela iniciativa privada, restando à mercê dos arranjos corporativos que prejudicam o interesse público, na medida em que já dispõe de um vasto e experiente contigente que se encontra na reserva e está apto, para, querendo e mediante uma necessária contraprestação pecuniária, prestar estes serviços que são manifestamente condizentes com o seu perfil laboral e profissional (“segurança”).
Sendo assim, a convocação do policial militar da reserva remunerada que ainda possua higidez física compatível com o serviço de guarda patrimonial otimizaria a prestação dos serviços, à medida que se aproveitaria todo o seu cabedal de conhecimento técnico, de treinamentos intensos e de experiências vivenciadas ao longo da carreira, a resultar em serviços de melhor qualidade e de maior confiança, seja para os servidores ou seja mesmo para a população que freqüenta os respectivos prédios e espaços.
Ainda, resolver-se-ia também um grave problema de segurança patrimonial naqueles órgãos onde há a indiscutível necessidade de “vigilantes armados”. Como a atual política governamental não autoriza a contratação desta espécie de segurança – e tão-somente a “vigilância desarmada” –, a adoção dos militares isso solucionaria, pois os mesmos desempenhariam essas novas atividades fardados e com o porte normal de armas.
Afora essa indiscutível melhoria da qualidade da prestação de serviços que a convocação de policiais militares da reserva remunerada representa, os aspectos financeiros que advirão dessa nova prestação ainda mais reveladores, visto que o custo direto seria, também, muito menor, pois o Estado desembolsaria, por pessoa -- ou seja, por militar da reserva convocado --, um valor inferior à metade do que atualmente é gasto com a contratação de um a empresa para fornecer um vigilante privado -- o que, num ano, resulta algo em torno de 15 milhões de reais. Ou seja, a Administração Pública gastaria bem menos e contaria com um serviço bem melhor.
Ainda, o Estado conseguiria promover a reinserção dos servidores militares da reserva no mercado de trabalho, afinal, faz-se inevitável que a idade na qual os militares alcançam a “reserva” é bastante baixa e, por isso, buscam outros afazeres profissionais neste período. Assim, nada mais lógico que, ao invés de criar um exército de desocupados ou desempregados – ou mesmo, de modo nonsense, deslocá-los para empresas de vigilância que depois serão contratadas pela própria Administração –, o Estado ofereça a oportunidade a estes profissionais de continuar a exercer uma atividade, incrementando a renda deste agente com o “bônus” percebido e otimizando um serviço que deve ser encarado como um “serviço público”.
Por fim, sob o ponto de vista jurídico, não se vislumbra nenhum óbice legal, sendo necessário, apenas, proceder aos ajustes necessários, especificamente com a elastificação fático-conceitual dos institutos da “convocação” e da “agregação”, à medida que o direito consuetudinário e a própria legislação militar já contemplam tal possibilidade.
Outrossim, esse valor extra a ser percebido pelos militares convocados da reserva em nenhuma oportunidade considerou-se ofensivo ao preceito constitucional do art. 37, § 10, vez que não há alteração do status jurídico do militar – ele continuará como policial-militar da reserva –, não tendo a “retribuição financeira” oferecida qualquer relação como outro (ou novo) cargo, emprego ou função– na medida em que, a título de pro labore, perceberá um outro valor juntamente aos seus vencimentos de aposentadoria (“reserva remunerada”) –, e, logo, não havendo acúmulo de proventos.
Ainda, não há qualquer ofensa ao art. 37, II, da Constituição Federal, na medida em que não haverá o “ingresso” de pessoas de fora do serviço público; logo, descabe o concurso público, pois o militar, federal ou estadual, possui direitos e prerrogativas que lhe são assegurados pela Cartas Constitucionais Federal e Estadual – e também pelas leis inferiores – , à medida que a transferência para a reserva remunerada não impede que seja convocado para o serviço ativo, desde que exista a necessidade e o interesse público.
Ademais, essa medida não se trata de uma novidade legislativa. A presente idéia e o tratamento legal oferecido é um arranjo de leis estaduais que regem essa matéria, nomeadamente Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Sergipe e Mato Grosso.
Enfim, trata-se de uma medida absolutamente necessária, que traz excepcional eficiência na prestação dos serviços de vigilância do patrimônio público e uma substancial economia aos cofres públicos, em patente privilégio aos princípio da moralidade e da economicidade.
 
 
 

sábado, 21 de março de 2009

# mausoléu


fd... um homem que queria "erguer escolas, construir pontes e acabar com a fome do mundo".
fdAcreditem se quiser, mas foi assim que a Gazeta do Povo estampou na capa de hoje a morte do seu "dono", o qual, me parece, preferiu por toda a sua vida construir um conservador império midiático, à sombra do poder moderado e reacionário e a mercê da elites política e burguesa de toda a época.
fdOu não?

 
 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

# a grande imprensa nua


fAlguns amigos indagam-me sobre os documentários indiretamente citados que demonstram o que quer a grande mídia, como fiel escudeira da elite e dos "donos do poder".
 
fIndico, por hora, dois, ambos disponíveis na rede pelo youtube.com e produzidos, respectivamente, pelas Agências de Cinema da Irlanda e da Inglaterra:
 
f- "A Revolução Não Será Televisionada" (The Revolution Will Not Be Televised, 2003), sobre o Golpe na Venezuela, no terceiro ano do Governo Chávez, co-comandado pela maior rede de televisão venezuelana e que durou apenas 2 dias (v. aqui); e,
 
f- "Muito Além do Cidadão Kane" (Beyond Citizen Kane, 1993), sobre a importância da maior rede de televisão brasileira na manutenção do Golpe da Direita que tirou Jango e o seu grupo político do poder e que durou longos 20 anos (v. aqui).
 
fAh, e querem saber o por que do Governo Requião ser diariamente defenestrado no Paraná pela grande imprensa?

Veja aqui, em cifras.


fd

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

# aqui já não é caso de ficção


fdsfds Alguns amigos perguntam-me o que significa o título da nossa série "Antifahrenheit 451"; aqui respondo-lhes.
fdsfds Em 1953, Ray Douglas Bradbury publicou uma das mais célebres obras de ficção científica do séc. XX, intitulada "Fahrenheit 451" -- que uma década depois virou filme, dirigido por Truffaut -- e que fez tornar essa expressão-título uma referência para tudo aquilo que se deseja apagar, obscurecer, negar ou tergiversar -- o cineasta americano Michael Moore, por exemplo, intitulou o seu documentário sobre as mentiras expostas e as verdades escondidas nos atentados de onze de setembro com o título "Fahrenheit 9/11".
fdsfds A (breve) idéia da obra e do nome? Um futuro (distante?) no qual todos os livros são proibidos, todas as opiniões próprias são consideradas heréticas e todas as idéias ou pensamentos críticos e dissidentes são exterminados. Na obra, o protagonista trabalha como um queimador de livro ("bombeiro", segundo o livro) e o número "451", assim, refere-se à temperatura, em graus Fahrenheit, na qual o papel incendeia.
fdsfds Hoje, tal personagem é representado pela grande mídia nativa, que insiste numa ideologia neoliberal, numa sociedade do "pensamento único" e num modelo conservador, patriarcal e reacionário de Estado.
fdsfds Numa imprensa que, em nome (ou na pessoa) dos "donos do poder" (Raymundo Faoro), queima a realidade e as mudanças políticas, sociais e econômicas promovidas por governos vanguardistas e comprometidos unicamente com o interesse público e popular, de forma a evitar que toda uma população tome conhecimento do que acontece nestes admiráveis mundos novos, conforme Aldous Huxley intitulou outro clássico da literatura de ficção científica.
fdsfds


 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

# o futuro do presente da crise (ou, "rumos e verdades")



Com a participação de intelectuais, em sua maior parte pertencente às ciências econômicas, das mais diversas partes do mundo -- Brasil, China, Rússia, Argentina, Venezuela, Equador, México, EUA, Inglaterra, Itália e Alemanha --, o Governo do Estado do Paraná está a promover, desde ontem, o excelente seminário internacional "Crise - Rumos & Verdades" -- o qual, certamente, não merecerá a melhor (ou, talvez, a menor) cobertura da podre mídia golpista nacional --, com o fim de debater, elucidar e abrir os olhos para os verdadeiros rumos e causas da presente crise, a maior crise da história do capitalismo e que definitivamente afunda o neoliberalismo (v. aqui a programação completa do Seminário).


 

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

# gralhas e coxos (ou "à la recherche du temps perdu")

Vila Capanema, 4 de dezembro de 2005.
Tenho sempre sido encarado como um patinho feio, horroroso. Uma desgarrada ovelha negra, obscena. O burro primo pobre. A zebra indecorosa e estúpida. Ou mesmo o cão pulguento, sem dono, sem lar.
Hoje, alegre, e com um sorriso malandro e de viés, posso assegurar que sou apenas uma gralha rubro-celeste que sobrevoa todo este acontecimento à distância e, quase de camarote, enxerga tudo por cima, a rir. Vaticino que a vingança, à galope, veio e ficará.
Por anos e anos estive embaixo, desprezado e mal-amado por tudo e por todos, pelos media e pelo povo; na verdade, por poucas vezes - e vezes tão somente regionais - estive a vê-los por um ângulo diferente deste.Eis que, deste domingo e pelos certos próximos trezentos-e-sessenta-e-tal dias, o verde-e-branco curitibano afunda no lado b, na paisagem obscura, na vida baldia do rude esporte bretão nacional, lá mesmo onde as luzes são poucas, não há graça, ninguém é feliz.
Zoam e caçoam da nossa vida em kombis, da nossa relva de várzea, das nossas equipas de aluguel e da nossa curta história; humilde e quase-réu confesso, sempre segui em frente, à espera de um grande dia, deste grande final de tarde.
Não sei do meu futuro, disse ter um muito breve passado, mas meu presente é, agora, em outra dimensão, pois posso afirmar, categoricamente, que, nesta seara, pelo menos em todo dois-mil-e-seis, não estarei a conviver com a turma de baixo.
E pior - para eles - foi querer o destino que o momento para a queda fosse este, que significará longos anos de espera para voltar a ver a luz. Pode escrever: tal qual no mundo, em pindorama o futebol está completamente nivelado, são ossos duros e equilíbrio intenso.
Resultado: os coxas penarão e clamarão pelas almas-penadas de outrora, amargarão no futuro esta decepção do presente e contemplar-se-ão com os versos de vida, minha vida, olha o que é que eu fiz...
Temo pelo que resta dos seus torcedores com menos de trinta-e-dois dentes, que pouco viram do sol mas que sofrerão com a constante presença sombria de um longo inverno, um inferno.
Trata-se, talvez, do mais certo reflexo do mundo, que gira, que dá voltas. Dos anos sessenta até oitenta-e-cinco, toda a minha árvore genealógica, ainda que sob outras insígnias, padeceu o infortúnio das glórias do ex-glorioso. Finalmente acabou.
De agora em diante, sine die, os seus adeptos necessitarão viver as agruras de uma divisão de segunda e de jogos na terça com (e contra) times de quinta, excitar-se-ão apenas com os desprezados títulos domésticos e vibrarão com o consolo de torcer pelos infortúnios de nossa gente humilde e de nossas cores que figuram na primeira-classe.
Ass.: João da Silva, um paranista.