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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

# disk-pizza


- Alô!?

- Alô?! É da Associação Médica Brasileira?

- Sim, bom dia! Em que podemos ajudar?

- É sobre o “Programa de Apoio ao Médico Estrangeiro”...

- Sim, um minuto, passarei a tua ligação. Lembro que esta chamada é gratuita. Obrigada.

Em menos de 3 segundos uma gravação vem ao telefone: “Si usted es un médico extranjero y está en situación de riesgo en Brasil, pida ayuda y...”.

E tão rápido quanto, atende uma plácida e animada voz:

- Hola! Buenos dias! Muchas gracias por...

- Oi, não precisa tentar falar em espanhol não, eu já entendo o português.

- Ok. Em que podemos ajudar?

- Olha, sou cubano, estou no Tocantins, na fronteira com o Piauí, e um médico brasileiro veio aqui ontem e ficou o dia inteiro me falando deste 0800, e resolvi ligar, pois ele não me respondeu uma coisa. E por isso preciso do apoio. Eu queria saber se...

- Ah, fez muito bem! Me fale, hein!? ´Tá muito ruim este negócio, né? Um absurdo!

- Hã?! Como assim? Eu só...

- Uma vergonha! Uma vergonha este governo mandar a nossa classe pra um lugar desses, onde não tem aparelho de ultra-radio-tomografia, não tem super-power-doppler, não tem medical center de diagnóstico computadorizado... E, pior, em cada cidadezinha viu... não tem shopping, não tem clube, não tem cinema megavip plus thunder-3D, não tem nada! É um tal de meio de floresta aqui, um sertão ali, uma beira de rio acolá! Não dá! O que pensam que nós de branco somos!?! E vocês então?!?! Ah, receberem este valor pra ser médico! O que é isso!?!

- Sei...

- Por isso, para o caso da turma de vocês, uns deputados ´tão aí pra ajudar, né! Sabe, gente do bem, gente que entende de democracia... E até firmamos uma parceria com a "Cuban Medical Professional Parole", uma ONG dos States, e prometemos que em 3 dias arranjamos um visto humanitário. 

- Como assim? É que eu só...

- É! Você não precisa ficar mais nenhum dia neste fim de mundo aí, ficando de escravo daquela gente! Tanta coisa diferente pra se fazer por aí, tanta coisa bacana, descolada...

- Hã?!

- Veja, a Associação está com um programa muito legal: a gente te busca, te hospeda no melhor hotel da região, te oferece um jantar de gala de cortesia e, em dois dias, você pode escolher para onde quer fugir. Afinal, você deve querer, né! (risos)

- Desculpe, é que eu...

- Ah! E não é só isso! Confirmando a-go-ra a gente te coloca num desses congressos que os laboratórios fazem pra gente, num fim de semana... É um luxo só, tudo free, você vai ver!

- Não, não, é que eu só queria saber se aqui no Brasil é normal isso de...

- E me diga, você conhece Miami?

Tuu-tuu-tuu-tuu-tuu-tuu-tuu....

(o diálogo é mera ficção; a realidade está aqui, aquiaqui)

O retrato-falado de um dos atendentes do disk-pizza da AMB


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

# a arara e o pau-de-arara


Demorou para, num universo de 7 mil médicos cubanos que vieram para acudir os rincões deste Brasil, aparecer alguém a tentar desestabilizar o sistema, o qual expõe às vísceras a relação entre demandas do mercado (e particulares), de um lado, e necessidades das pessoas (e coletivas), de outro (v. aqui).

Tem, claro, todo direito do mundo ao chororô e ao nhe-nhe-nhém, mas, no fundo, no fundo, além de querer aparecer e lançar bravatas, o que pretende esta médica que sai nas capas da grande mídia chorando as suas pitangas contra o programa?

É a Política, estúpido (v. aqui).

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E não demorou para, como volta-e-meia ocorre, voltar a turma de "justiceiros" país afora.

Eis, o art. 345 do Código Penal Brasileiro:
"Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite.
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência".

Portanto, o que aquele bando carioca fez é crime (v. aqui), cujo liame com a conduta própria do agente (lesão corporal, homicídio, sequestro etc), inclusive, é deveras estreito.

E, pelo simples fato de ser crime, a premissa já seria não admitir a sua apologia – mais um crime – e, pois, ser contra qualquer pretenso fazimento privado de justiça, típico protótipo de milícia – e já também outro crime.

Terrível, tenebroso, para um Estado Democrático de Direito, em pleno séc. XXI.

E vamos além. 

Se o Poder Judiciário, o sistema penal e a segurança pública são falhos, lentos ou pífios, a questão não é de contorcionismo ideológico para validar a vingança social ou para legitimar o exercício arbitrário das próprias razões.

Tão-pouco de se dar eco à infantil tese que sugere a adoção de marginais por defensores da lei e dos direitos humanos.

De novo, a questão é de Política, estúpido.

E não de apoiar rolezinhos da tropa de zona sul carioca.



sábado, 13 de julho de 2013

# mérdicos


E a turma dos médicos, liderada pelo nobre "conselho" da categoria, mostra que não está para brincadeira.
 
Ao menos parte dela, é claro, pois conheço inúmeros profissionais de máxima retidão e caráter que jamais se submeteriam à tal baixeza moral – sim, como os advogados, uma parte sempre se salva.
 
E aqui não estamos a falar de partido, política ou ideologia, mas de ética e cidadania.

Veja aqui, em matéria de hoje do Correio Braziliense, e abaixo, o tom do texto que resume parte da ópera, uma tentativa de mobilizar a massa branca para detonar o programa do Governo Federal e do Ministério da Saúde, o "Mais Médicos", que acaba com a falsa questão colombina para mostrar o óbvio: se algo deve surgir antes, são os médicos, e não equipamentos (v. aqui).


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sábado, 6 de julho de 2013

# aspas (xxxix)

 

A reportagem da revista "Isto É" desta semana, fundamental e esclarecedora para que todos entendam do problema e das razões que levaram o Governo Federal a tomar as recentes medidas, em parte absolutamente certas e pontuais – e méritos totais ao muito bom Min. Alexandre Padilha –, para enfrentar a questão da saúde pública Brasil afora, nomeadamente a falta de médicos e de cuidados à saúde básica da população, e que tanto desgostou a corporação nativa.
 
Nesta didática matéria está o verdadeiro jornalismo: noticiar o fato, colocar os problemas existentes e as soluções apresentadas e ouvir as partes envolvidas, sem fazer juízo de valor. E assim passamos a ter esperança que de que nem tudo no jornalismo advindo da grande mídia está perdido, e a certeza de que o corporativismo – seja de que classe for, no caso a médica – é mesmo uma praga.

Abaixo, a manchete da boa reportagem, que pode ser lida aqui:

   "O Brasil tem metade dos médicos que precisa.
   Conheça o retrato dramático da saúde pública no Brasil e saiba por que o programa do governo de importação de médicos pode ajudar a resolver esse flagelo".



 

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

# aspas (xxvi)



Em formal visita da Organização Mundial da Saúde (OMS) à Cuba, a Diretora-Geral Margaret Chan traz a opinião da entidade sobre o sistema de saúde cubano (v. aqui).

Muita gente cortará os pulsos, ou falará que a cúpula da OMC recebe propina do governo cubano, que a Agência Reuteurs distorce as informações porque tem lucrativa parceria com o Granma, que toda a Diretoria da entidade passou todo o tempo embriagada de rum etc.

   "(...) Chan said she toured Cuban medical facilities and came away impressed with the communist-led island's health system, which provides free care to all Cubans.
   Citing its strong health indicators on such things as life expectancy and infant mortality, she said, 'in a country of this level of economic development, to be able to achieve those very good health indices is not easy'.
   Cuba, she said, 'has the right vision and the right direction. Health is a state policy and health is seen as a right of the people'."