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quarta-feira, 20 de abril de 2016

# a unicórnio



E eis que ressurge, sempre em momentos estrategicamente pensados, a Fada Verde, a nossa Madre Tereza da Amazônia, a gloriosa Marina Silva.

Dantes uma eco-fundamentalista xiita e hoje o proto-objeto de consumo da turma que faz dela a evolução da espécie (a)política, Marina anuncia, como sempre, “ser-contra-tudo-isso-que-aí-está”.

E para múltiplos delírios da plateia, ela chega toda mitológica, com um sorriso franciscano e ares de um dócil mico-leão dourado.

Se antes Marina saiu do PT (e do Governo) para não entrar na história, a cada momento eleitoral ela assim faz: salta do alto da montanha para dar rasantes cheios de sabedoria e, com a força dos ventos uivantes, é carregada para junto sabe-se bem de quem e do quê.

Eternamente raivosa pelo fato de Lula tê-la preterido como candidata presidencial de 2010, Marina entrega-se de corpo e alma à tarefa de sempre ressurgir do nada, ressair do ostracismo e resplandecer para as luzes globais como "a" candidata  mesmo que isso signifique, como em 2014, perder no seu próprio quintal, o Acre.

Sabe-se, claro, que no Brasil os "verdes" nunca federam e nem cheiraram o orgânico sabor de um partido ideológico e independente.

Mesmo assim, Marina há anos debandou do PV e criou um novo partido, uma REDE que pesca indecisos, andróginos e pirilampos da política alternativa e sem cor – atributos ignorados, claro, quando quis escancaradamente apoiar Aécio Neves na última eleição.

Ora, nestes nossos tempos, tipos como os ex-verdes olorizam-se pelo aroma prosecco das cheias taças que desfilam sobre as mesas e rodas de networking, sob o distintivo de se fazer algo "diferente", tal qual pregam e buzinam as pessoas-descolada-e-cansadas-e-do-bem-que-querem-fazer-política-mas-sem-dizer-que-é-política do "Agora!", como se viventes n´A Vila do M. Night Shyamalan.

E desta cepa, como indefectível fruto, brota Marina Silva como a herdeira única do trono político-episcopal.

Marina, a reboque da grande mídia, que por sua vez é a porta-voz dos grandes interesses econômicos e da ignorância da classe média, flerta com uma meta: aliar-se aos golpistas e, numa hipótese de vácuo, fulminar a centro-esquerda e assumir o atentado como um "recado divino", sendo ela, claro, a salvadora.

Marina, antes defensora de índios, boitatá e pirarucus e da política evangelista – e não da evangelização na política –, quer se tornar a maior esperança da cavalaria anti-esquerda e consigo carregar várias das políticas mais atrasadas e reacionárias do mundo político.

Marina, com o mote de sair-se bem aos olhos do povo, nega a política, pretendendo que se despolitize a política – e, assim, cai no gosto populesco com as teses do mundo privado, privatista e não-governamental, de fácil deglutição.

Marina, catapultada como a grande herdeira de um espólio mítico, acalanta os interesses de quem quer ver um holograma no comando do Estado, exibindo-se como a profética madrinha capaz de convencer a "isentolândia" de que o novo mundo chegou.

Marina, sob a cantilena da "terceira via", veste um capuz mágico para iludir que há outro caminho além da direita ou da esquerda, num blá-blá-blá turvo, volúvel e vazio.

Marina não tem visão estrutural, não tem disposição para transformações institucionais e não tem traços, nem atitudes e nem história para enfrentamento dos interesses dominantes.

Marina, meus caros, embora com um passado que não a faça ser de direita, é apenas mais uma destas figuras que se tornaram da direita.

Sim, depois do golpe exumado, a ex-chapeuzinho verde posa-se como capaz de “legitimar” os interesses (conservadores) daqueles que fingem não ter invadido o Planalto e assaltado o poder no processo de "impeachment".

Ocorre que o buraco é mais embaixo.

Ora, independentemente da carga trágica que carrega, votar no bloco PT-PSDB é votar em teses, teorias e ideologia concretas; é votar em algo fisicamente possível, em algo quântico, quantificável, possível de ser selado, registrado e carimbado, por mais que o voo seja restrito só para as primeiras classes.

Sim, no plano da política e da conformação estatal, estes partidos e suas extensões existem, as suas vontades e ações são pertinentes e coerentes com os seus interesses  e os seus interesses, por sua vez, não se escondem e nem se dissimulam na demagogia existencial.

E tudo isso porque se fala de "política", e não de religião, na qual crer no metafísico ou na fé movedora de montanhas não permite discussão sobre razões ou porquês.

E tudo isso porque se fala de "projeto político", e não de ficção científica, na qual o imaginário, o impossível e o inverossímil seriam naturais e funcionais.

Portanto, o voto tucano está numa dimensão real e humana, razão pela qual os seus ex-eleitores não precisam fugir da raia para se esconder na obnubilação alheia.

Ao contrário, votar em Marina Silva é entressonhar um mundo de fantasia.

Porém, não da fantasia utópica, horizonte de todas as ideias e ações revolucionárias e eterno destino em construção para o engrandecimento humano  é, sim, o mundo da fantasia como aquele arquétipo jungiano.

Assim, nesta miragem mais ou menos inconsciente, Marina passa a servir como uma unicórnio de Troia, a travestir os farrapos da trupe neoliberal  a mesma que atravessou a "ponte para as trevas" e chegou ao castelo Temer para dar as cartas e agora se entranhar nas candidaturas zumbis da direita brasileira –, mas com uma larga dose de "açúcar" que edulcora o caldo conservador

É então nesta fúnebre alquimia que cria uma candidata sobre-humana, a qual satisfará "indecisos" na “escolha” que serão obrigadas a fazer, fingindo .

Marina, com o seu jeito vaga-lume de ser, diz, desdiz, contradiz e rediz coisas, as mesmas coisas, a todo instante e sobre variados temas, numa metamorfose anódina e histriônica: é a favor do golpe, mas é contra os que dão o golpe; quer um Banco Central independente, e ao mesmo tempo quer a soberania econômico-financeira nacional; não aceitava, mas também não recusava, doações de empresas de bebida, de tabaco e de agrotóxicos; é contra as políticas de direitos de homossexuais, mas ao mesmo tempo é contra a discriminação de orientação sexual; não quis que o país despencasse no abismo, mas fugiu e não foi capaz de dar uma mão para segurá-lo; não é a favor e nem contra os transgênicos, nem quer e nem desquer a reforma agrária; ama piracemas e não quer odiar as grandes hidrelétricas, come puritanismo e eructa mineirinhos; apoia e desapoia as lutas no campo, enaltece e constrange o sistema financeiro, acaricia e sufoca o monopólio midiático...

Marina Silva, enfim, cai do céu para vagar numa onda espiritual que prometerá um conto de fadas sob a ideia de reino encantado e celestial que, porém, só cabe para se discutir e pensar ficção, como se uma novela fosse.

Mas dela poderão fazer justamente a mocinha, a namoradinha do gigante adormecido.

Plim-plim. 


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

# e la nova va...




A França -- e o mundo todo, como a Itália de Federico Fellini --, vejam só, também já entendeu o que tem de "novo" na política de Marina, a nossa Madre Teresa da Amazônia (v. aqui), e para onde vai: é a nova direita...


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

# aspas (xliii)


Boaventura de Souza Santos -- cientista social de escol, professor catedrático da Universidade de Coimbra e coordenador do "Projeto Alice" (v. aqui) --, a respeito da candidatura da Gandhi de saias, a nossa Madre Marina da Amazônia (v. aqui):


Marina Silva é um 'instrumento' da direita brasileira, que entendeu ser muito difícil voltar ao poder diretamente por meio de uma disputa ideológica entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.
A direita descobriu, muito rapidamente, que Aécio Neves não é de forma nenhuma uma alternativa, porque faria uma disputa ideológica entre esquerda e direita.
As forças que sempre governaram o Brasil viram que era mais fácil chegar ao poder sem fazer essa disputa ideológica, utilizando uma terceira pessoa, que combina em sua ambiguidade alguns elementos de esquerda, não pelo que diz hoje, mas pelo que foi.
Tem que usar um desvio e o desvio necessário é buscar alguém que tem um perfil de esquerda para depois instrumentalizá-la. Marina Silva é, neste momento, esse instrumento. É, portanto, um desvio a que a direita é forçada para conquistar o poder.
Para nós, que viemos da Europa, basta quando vem aquela frase mágica da independência do Banco Central... É a grande marca do modelo neoliberal.
Tive o cuidado de ver o programa da Marina Silva e, obviamente, uma das coisas que diz o programa de política externa é, no fundo, voltar ao tradicional alinhamento do Brasil com os Estados Unidos.  
É só saber ler seu programa. As perspectivas são as políticas neoliberais.
Penso que essa fulguração de Marina atingiu seu máximo. As pessoas começam a ver os riscos por trás de uma política nova que, afinal, é bastante velha; a ver a fragilidade da Marina com as oscilações perante aqueles que controlam sua campanha e que lhe dão apoio.
Continua a haver uma esperança de que, no segundo mandato, a presidente Dilma vá fazer o que se espera de um governo do PT.
Ao passo que da Marina Silva, francamente, não há nada a esperar. 


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

# zumbília


Apesar de todo o blá-blá-blá sem sentido algum, muito bem se sabe o que se terá com Marina Silva na presidência da República: uma sopa rança temperada com raspas de tucano.

Não é medo preconceituoso, mas simples fobia conceitual da nossa recente história. 

E se Marina, a Gandhi amazônica, não precisava de mais provas do que pretendia sob os escombros do seu discurso vago, lunático e dissimulado, eis que pululam fatos.

Marina, com esteio no seu merchand da "nova política", traveste os farrapos da trupe neoliberal que se imaginava trancafiados num baú ou presos para sempre num passado (ainda) remoto.  

Marina, uma espécie de unicórnio da política, quer um banco central independente, e ao mesmo tempo quer a soberania econômico-financeira do Brasil.

Marina, herdeira única do trono episcopal, é contra as políticas de direitos de homossexuais, mas ao mesmo tempo é contra a discriminação de orientação sexual.

Marina, uma metamorfose anódina e histriônica, não aceita, mas também não recusa, doações de empresas de bebida, de tabaco e de agrotóxicos.

Marina, no seu jeito vaga-lume de ser, não é a favor e nem contra os transgênicos, nem quer e nem desquer a reforma agrária, apoia e desapoia as lutas no campo..

Marina, a Viúva Branca (v. aqui), diz, desdiz, contradiz e rediz coisas, as mesmas coisas, a todo instante e sobre variados temas, num circunlóquio constrangedor.

E não bastassem estas (e outras tantas) peripécias da candidata canonizada pela classe média brasileira e pelos discípulos de junho de 2013 (v. aqui e aqui), eis que Marina vem se superando.

Agora, vejam só, ela é contra a revisão da lei de anista aos torturadores da ditadura militar (v. aqui).

Diante de tão inusitada postura, os velhos milicos do Clube Militar do Rio de Janeiro, antro mofo dos reacionários de carteirinha, declaram-se fiéis eleitores da mítica candidata (v. aqui). 

E nada mais é preciso dizer.

A não ser cogitar o próximo ressuscitado: o barbeiro, da doença de Chagas. 


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

# falso atalho




Marina Silva, a Ghandi amazônica, é a infundada opção para a turma apolítica que se finge ser "contra tudo isso que aí está", mas que na verdade tem apenas vergonha de vestir o luto tucano e ir às ruas declarar seu fúnebre apoio ao PSDB – por isso, fica muito mais fácil e descolado aceitar goela abaixo esta midiática operação "besta de Troia".



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

# mundo de oz


Devo fazer uma confissão, doída, mas precisa: a fina massa votante no projeto demo-tucano de sociedade e de país é merecedora dos meus respeitos.

Sim, como se trata de política, os cidadãos que votam no PSDB e no seu candidato, Aécio Neves, acreditam em algo corpóreo, em algo palpável, que existe, que tem forma, que tem cor, que tem gosto, que se pode ver, ouvir e cheirar. 

Independentemente de serem qualificadas sob os piores adjetivos possíveis, votar no PSDB é votar em teses, teorias e ideologia concretas. É votar em algo fisicamente possível, em algo quântico, quantificável, possível de ser selado, registrado e carimbado, por mais que o voo seja restrito só para as primeiras classes.

Sim, no plano da política e da conformação estatal, o PSDB e as suas pautas existem, as suas vontades e ações são propositadas, pertinentes e coerentes com os seus interesses, e os seus interesses, por sua vez, não se escondem e nem se dissimulam na demagogia existencial.

E tudo isso porque se fala de "política", e não de religião, na qual crer no metafísico ou na fé movedora de montanhas não permite discussão sobre razões ou porquês.

E tudo isso porque se fala de "projeto político", e não de projeção de ficção científica, na qual o imaginário, o impossível e o inverossímil seriam naturais e funcionais.

Portanto, votar no PSDB está numa dimensão real e humana, razão pela qual os seus ex-eleitores não precisam ter vergonha e fugir da raia para se esconder na obnubilação alheia.

Ao contrário, votar em Marina Silva, sem partido, sem lógica e sem noção, é votar numa onda espiritual, num mundo de fantasia, num conto de fadas, numa ideia de reino encantado e celestial que só cabe para se discutir e pensar religião e ficção.

E não política, e não o Estado.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

# a aranha e a tábua de salvação


Dantes uma mera eco-fundamentalista neandertal, eis que a grande mídia (e a classe média) redescobre Marina Silva e faz dela a evolução da espécie política para recarimbá-la como a “queridinha do Brasil”.

Mas, convenhamos, não há nenhuma surpresa nesse fato: há quatro anos a estratégia foi a mesma e, há oito, até em Heloísa Helena a onda midiática depositou certas esperanças de conter Dilma e Lula.

O que não se esperava, porém, é a mesma tática com a mesma pessoa (v. aqui).

Hoje, com a morte da plataforma Eduardo Campos e seus pífios 8%, a coisa transmuda e novamente vem esverdeada, com um sorriso franciscano e com ares de mico-leão-dourado.

Se antes Marina saiu do PT (e do Governo) para não entrar na história, agora os ventos parecem soprar com mais força e carregá-la junto sabe-se bem para onde.

Ainda raivosa pelo fato de Lula ter preterido-a em relação à Dilma como candidata presidencial de 2010, Marina entregou-se ao ardiloso e insistente assédio do afoito Campos, pois nele enxergou a oportunidade de ressurgir do nada, ressair do ostracismo e resplandecer para os holofotes platinados e midiáticos globais. 

Sabe-se, claro, que no Brasil os verdes nunca federam e nem cheiraram o orgânico sabor de um partido ideológico e independente. 

Aproveitando-se disso, Marina debandou para tentar ficar mais moderninha e livre para criar um novo partido, uma tal de REDE que até hoje não saiu do papel e não enredou ninguém.

Logo, o real foco, agora, é outro, e nada sócio-filosófico-ideológico-antropológico-ecológico... 

E ela passou a ser bastante (e convenientemente) pragmática, com a sua filiação à uma ensopada legenda (PSB) e com um discurso ubíquo e umbilicalmente ligado a tudo e a todos. 

Em suma, se na lente da Globo a candidata Marina condena o pragmatismo do PT, fora dela faz o mesmo, travestido de "alternativa".

Ora, nestes nossos tempos, os ex-verdes olorizam-se pelo aroma prosecco das cheias taças que desfilam sobre as mesas enfeitadas da malta pequeno-burguesa, sob o arrepio de se fazer um "nova política"  é, segundo eles, a lógica da darwinização.

E desta cepa, como indefectível fruto, brota Marina Silva.

Marina, a reboque da grande mídia, que por sua vez é porta-voz dos grandes interesses econômico-financeiros e da ignorância da classe média, tem uma meta: matar a gestão Lula e Dilma, usando como arma a comoção geral em face do episódio trágico, a atmosfera de pena e de velas transmitida a toda hora sob um ar de "recado divino". 

Marina, coitada, antes defensora de índios, boitatá e pirarucus e da política evangelista – e não da evangelização na política –, torna-se agora a última esperança de um 2º turno e a última bala de prata da oposição retrógrada. E, assim, torna-se a heroína defensora das políticas mais atrasadas e mais reacionárias do mundo político.

Marina, com o mote de sair-se bem aos olhos do povo, nega o desenvolvimento e nega a política, pretendendo que se despolitize a Política (v. aqui). E, assim, cai no gosto populesco com as teses do mundo privado, privatista e não-governamental.

Marina não tem senso administrativo, não tem noção de gestão pública e não tem governança alguma, e por isso - sim, por isso! - foi catapultada como a grande herdeira de um espólio ainda bastante raso. E, assim, acalanta os interesses de quem quer ver uma marionete no comando do Estado.

Marina, ainda, com esta cantilena da "terceira via", veste um capuz mágico para iludir que há outro caminho além da direita ou da esquerda

Ora, ora... se não vou para lá e nem para cá – ainda que mais ou menos próximo das extremas e do centro –, fico no meio e, então, passo a ser um conservador. E é desse jogo que as famiglias nacionais gostam, e dos seus resultados são dependentes. E é este clima que os revoltosos nacionais curtem, e do seu chorume é que se fartam (v. aqui).

Marina, meus caros, embora com um passado que não o faça ser de direita e com algumas convicções do presente que não a façam estar à direita, é apenas mais uma destas figuras que se tornaram da direita (v. aqui).

Diante da atual conjuntura nacional que não engole mais o papo da turma demo-tucana e que já prepara o seu funeral – salvo, ainda, no Estado de São Paulo –, Marina traveste-se como a exótica musa capaz de convencer alienados e descolados de que o projeto petista não pode mais seguir em frente.

E, assim, nela se vê a única (e última) esperança de derrotar Dilma que, de chapeuzinho do MST e vestida de vermelho, finalmente dançará a sua dança para, neste seu próximo mandato, propor um governo sem o diabo (v. aqui).

Sim, apenas a ex-chapeuzinho verde será agora capaz de levar os interesses conservadores para um 2º turno, momento em que se tentará, a todo custo, promover a reviravolta eleitoral e insistir com a "ordem" em um país que precisa retomar o progresso (v. aqui).

E, por isso, desconfia-se até que a tosca candidatura de Aécio Neves seja abandonada e que a banda tucana e todo o turbilhão da grande mídia pule de cabeça na débil teia da "Viúva Branca", uma espécie rara, inapta para atacar e incapaz de armar e sustentar a sua própria estrutura, agindo apenas por meio de um blá-blá-blá turvo, volúvel e vazio, bem a gosto das co-espécies verdadeiramente venenosas

O jogo, assim, está com essa gente toda que, não tendo a mínima coragem de votar no ideal retrógrado e vendilhão do PSDB – e de admitir, pelas vias diretas, a volta do mercado na condução do Estado – e tendo máximo hor-ror aos acertos e erros do PT – e de reconhecer, nas urnas, os progressistas governos que Lula e Dilma fizeram –, preferirá sair do “nulo”, do “branco” ou da “abstenção” para cair no conto da vigária.

Enfim, nesta fúnebre alquimia que está a criar uma candidata sobre-humana, finalmente há um certo risco de Dilma não ser eleita, para júbilo da oposição.

E para agonia do Brasil.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

# pouca luz, pouca voz...


fds Não importa e é absolutamente irrelevante para onde vai e para quem Marina Silva declará o seu apoio neste 2º turno (e, vejamos bem, em qualquer eleição).
fds Salvo para a meia-dúzia de correligionários do PV, os outros 20 milhões em ação vão pra frente independentemente do que ela pensa, diz ou quer.
fds A candidata que menos propôs, que menos resolveu e que menos se posicionou nas campanhas eleitorais presidenciais -- só páreo, talvez, para Afif Domingues em 1989 -- é, pois, irrelevante para o pleito. E muito em breve o seu blá-blá-blá não será mais ouvido.
fds Lembre-se: faltam 16 dias para que acabem os seus 15 minutos de holofotes.

fds

domingo, 3 de outubro de 2010

# com que roupa?


fds Do total, 27% dos eleitores abstiveram-se, anularam ou alvejaram os seus votos. É, pois, um número bastante considerável.
fds Do que restou, nunca antes na história deste país a coligação centro-esquerda tão bem elegeu tanta gente, e nunca a bancada centro-direita viu-se em tão maus lençóis, a perder em redutos dantes intocáveis, em especial nas regiões mais pobres do país, outrora um paraíso dos coronéis burgueses, dos latifundiários escravocratas e das aristocráticas famílias.
fds No âmbito estadual, salvo a eleição de Alckmin para o Governo e de Aloysio Nunes para o Senado paulistas e num ou noutro caso Norte-Nordeste afora, a tropa de elite (branca) demo-tucana não pode comemorar, pois, dos outros grandes agentes estaduais, Aécio (e o seu governador) em Minas e Beto no Paraná ainda não podem ser considerados pertencentes ao lado sujo da força oposicionista nacional, vez que (ainda) não cooptados pela direita reacionária (e antidemocrática), como assim foi José Serra, um dos últimos destes moicanos.
fds Portanto, e ainda que só por isso, Lula e o seu governo foi um bem-vindo fenômeno para a república brasileira, vencendo na maior parte dos Estados e já com maioria no Senado Federal e na Câmara de Deputados. E por que isso ocorreu? Ora, porque o Brasil mudou, melhorou, tornou-se menos injusto, menos desigual e menos ordinário.
fds Além do expressivo número de ausentes, brancos e nulos – que poderá sim ter influência no pleito –, foi, claro, o “epifenômeno” Marina (v. aqui) – que será tão duradouro quanto o cometa Halley – que decisivamente influenciou no resultado de não-vitória de Dilma no 1º turno. Mas, sublinhe-se, não por ela, mas pelo coisificado espectro que se criou em torno dela.
fds Para onde vão e o que quiseram os milhões que nela votaram, porém, não se sabe, pois desse bolo vê-se um emaranhado complexo de tendências, gostos e desgostos: verdejantes, evangélicos, centro-esquerdistas light, antipetistas, anti-serristas, tucanos frustrados, demos quase convertidos, artistas, anárquicos alienados... uma sopa indigesta que representa tudo (e todos), menos, por favor, uma “onda ecológica”, o “futuro” ou coisas do gênero – prove-se, também, com a inexpressiva votação do PV país afora.
fds Marina Silva, a candidata global da inflamada direita-evangélica-eco-capitalista – como bem definiu Plínio de Arruda Sampaio –, fez dos seus votos um esdrúxulo e insosso patê conservador, a arrebanhar um contingente cuja maior parte gaba-se de ser considerada neoconservadora, ou, como queiram (e gostam), “neo-alguma coisa”. Sim, está na moda, é chique, é descolado ser “neo”, seja lá o que lhe complemente. Ser “neo”, creem, é avant-garde.
fds Como não se trata, portanto, de voto ideológico-partidário – muito pelo contrário, posto que muito mais relacionado à costumeira alienação ou acomodação, convenientes ou não, da classe média-alta brasileira, a qual não se importará com o que Marina decidir –, resta difícil saber para onde migrará este eleitorado, decisivo para o futuro do país.
fds Porém, no que tange à “líder” do movimento – não obstante se duvide do quão importante será a sua escolha perante seus eleitores –, pelo seu recentíssimo passado de simbólica bandeira petista e integrante do Governo, muito mais lógico (e honesto) seria Marina migrar para a esquerda e apoiar o projeto do PT, com Dilma Roussef, ao invés de ficar na tosca sombra da “abstenção” ou, muito pior, debandar para o lado negro da força e se juntar àquelas coisas do ultrapassado ardil demo-tucano.
fds Todavia, a verdade é que quaisquer trinta moedas no bolso ou meros quinze minutos à luz são capazes de fazer muitas (e muitas, e muitas) cabeças – então voltadas para o bem e para o interesse público – se reprogramarem, se readequarem e mudarem de time, não importando o que se faz e o que se fez, nem para quem e nem para quê. Tudo, doravante, num medúsico e doce balanço a caminho do mal.
fds A eleição neste 2º turno, meus amigos, poderá ser a (pen)última tão ideologicamente dividida entre dois projetos, entre dois programas, entre dois caminhos.
fds E, portanto, o contínuo progresso ou o amargo retrocesso do Brasil está nas mãos de, pelo menos, 20 milhões de indecisas pessoas.
fds
 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

# o epifenômeno verde

fdsDantes uma mera eco-fundamentalista neandertal, eis que a grande mídia (e a classe pequeno-burguesa) descobre Marina Silva e faz dela a evolução da espécie política e a nova “queridinha do Brasil”.
fdsMas, convenhamos, não há nenhuma surpresa nesse fato: há quatro anos, até em Heloísa Helena o Grupo Globo-Folha-Abril depositou as esperanças de conter Lula; porém, agora, a coisa vem esverdeada, com um sorriso fransciscano e ares de mico-leão-dourado.
fdsMarina, frustrada pelo fato de o Presidente da República ter preterido-a em relação à Dilma como candidata presidencial, e, em especial, balançada diante do antigo e insistente assédio dos verdes, enxergou a oportunidade de, numa atitude egóica (como diria um amigo meu...), finalmente sair do ostracismo e despontar para os holofotes platinados e midiáticos globais. Há alguns meses, portanto, ela saiu do PT (e do Governo) para não entrar para a história.
fdsSabe-se, claro, que no Brasil os verdes já não fedem nem cheiram o orgânico sabor de um partido alternativo e independente. Foi-se aquele tempo. O real foco, agora, é outro, menos sócio-filosófico-ideológico-antropológico-ecológico. Nestes nossos tempos, os verdes olorizam-se pelo aroma prosecco das cheias “taças” que desfilam sobre as mesas enfeitadas da malta pequeno-burguesa e já nem bem se lembram mais. É, segundo eles, a lógica darwinização.
fdsHoje, capitaneados pelo neo-tucano-de-plumagem-esmeraldina Gabeira, os verdes vêm insistir, com Marina, naquela cantilena da "terceira via" (A. Giddens), uma ladainha que fantasia ao mostrar que há outro caminho para além da direita e da esquerda. Ora, ora... e um parêntesis: se não vou para lá e nem para cá – ainda que mais ou menos próximo das extremas e do centro –, fico no meio e, então, passo a ser um conservador (e, pois, da direita, que é quem luta por, no mínimo, manter o status quo, afastar reformas e estancar mudanças). E é desse jogo que as famiglias nacionais gostam, e é dos seus resultados que são dependentes.
fdsE, assim, eis que a grande mídia – grã-porta-voz dos interesses desses suseranos tupiniquins e eco dessa nossa elite branca – nela vê a única (e última) esperança de derrotar a famigerada Hidra que, de chapeuzinho do MST e vestida de vermelho, virá com as suas cabeças e o seu hálito venenoso matar e comer as criancinhas do nosso Brasil varonil.
fdsSim! Agora, só a Senhora-do-Capuz-Verde será capaz de levar o prélio (e Serra) para um segundo turno, momento em que se tentará, a todo custo, promover a reviravolta eleitoral e devolver a ordem num país que, veja só, bem progride (v. aqui).
fdsAfinal, como o candidato da direita (v. aqui) não conseguirá ultrapassar a barreira dos 30%, somente esta exótica nova musa será capaz de convencer a classe média-alta, os prosélitos do TFP (“tradição, família e propriedade”) e a turma dos demais alienados e descolados, de que o projeto Lula – o Menino-do-Dedo-Vermelho – não pode seguir em frente.
fdsMas, digo aos meus, não tenhamos "medo" (ou o anti-medo), pois, ainda assim, mesmo que essa gente toda resolva sair do “nulo”, do “branco”, da "indecisão" ou da “abstenção” – vez que, definitivamente, não têm coragem de ir votar no ideal demo-tucano e se re-cu-sam (e têm hor-ror) a votar numa ex-guerrilheira (e então admitir, nas urnas, que Lula fez, embora com falhas e pouco sangue, um dos melhores governos da história deste país), preferindo, pois, “lavar as mãos” e confirmar esse seu modus vivendi –, o contingente não será suficiente diante da grande onda avermelhada (ainda não vermelha, infelizmente) que atinge todos os cantos do país. .
fdsDilma, meus caros, com uma surra, já está eleita.
fdsE então restará à Marina poucos holofotes, o amarelo sorriso e, claro, um grande mico.
fds