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segunda-feira, 2 de maio de 2016

# indecência vulgar



Não há dignidade no ato de aceitar o bando que pretende assumir o Brasil.

Todavia, a massa de beócios que mira seus umbigos para enxergar com “naturalidade” que Temer, Cunha e os sem-voto do PSDB vistam a faixa presidencial flerta com a falta de razão, a falta de sanidade e a falta de vergonha na cara, a ultrapassar qualquer prazer de uma mixoscopia sádica.

Não cansamos de repetir: a fonte é um ódio avassalador que tomou conta desta gente (v. aqui) e que dá suporte à maior vigarice da nossa História, como à frente assim se registrará nos livros e nas salas de aula.

Logo, pelos olhos cegos e analfabetos desta turma que tanto me cerca, nada, nada, nada, nada será pior do que manter o “governo-mais-corrupto-da-história” – algo meio slogan, meio jingle, que não sai da cabeça de milhões de brasileiros lobotomizados por uma mídia tradicionalmente nefasta quando em jogo estão os interesses público e popular – no poder.

Uma lástima esse raso e complacente raciocínio,  resultante de uma resistente ignorância  de quem, definitivamente, não quer se atentar para os fatos e para os tempos verbais em que isso tudo foi construído, e que desemboca em contagiante incivilidade.

Ora, o caos institucional que se provoca no Brasil não pode imaginar resolução por meio de quaisquer medidas ilegítimas, incabíveis numa ordem democrática e impraticáveis numa sociedade séria – o perigo, pois, tem proporções de hecatombe.

Por mais culpa que o governo, o PT e Dilma tenham – e têm, haja vista a péssima composição ministerial e a tímida aplicação das pautas da esquerda (v. aqui e aqui) –, são eles quem devem, inclusive como desafio e compromisso de mandato e eleitoral,  procurar os caminhos e oferecer as soluções para isso, com mudanças de pessoas, de planos, de políticas, de princípios programáticos, de projeto etc.

E não outros!

E, especialmente, não esses que são corresponsáveis por este estado caótico, na medida em que traições, revanchismos, vendetas, sabotagens e um explícito boicote institucional – basta verificar  o comportamento absolutamente antirrepublicano e antinacional da Câmara de Deputados no exercício da sua função constitucional nos últimos, pelo menos, dois anos – são notórios na paralisação geral.

E por isso a indecência desta situação toda, que permitirá a assunção desta corja ao poder na base do berro, sem base jurídica e à revelia do voto e da soberania popular.

Afinal, querem discutir "política(s)", como se tratasse de um processo eleitoral, e não "crime(s)" – posto que não há! –, como exige um processo de impeachment.

Ademais, não cabe, como se num lamento mendaz, suspirar pelo surgimento de um salvador da pátria capaz de agregar tudo e todos, numa grande "congregação nacional" e blá-blá-blá...

Ora, antes de se vislumbrar qualquer arremedo de verdade nesta tese-vontade, o que deve ficar claro é que há governo eleito e oposição derrotada.

E isso não se pode esquecer e tão-pouco confundir, porque isso é da política, isso é da democracia – e justamente por isso que uma das coisas que se faz no nosso país é, de quatro em quatro anos, ir "votar".

A propósito, note-se bem: a alternância não é propriamente um princípio fundante da democracia, como resultado, inevitável ou não, do funcionamento pleno do "sistema democrático".

Ou seja, a alternância de poder não se reveste como um atributo ou fundamento da democracia, mas, sim, trata-se de consequência quase natural do debate e da participação políticas em uma sociedade aberta.

Assim, no seu limite, consiste (apenas) em um elemento integrante da "oposição" – e para ela vital, não obstante possa haver oposição sem alternância (e sem poder), quando a oposição é fraca ou mesmo quando o povo está satisfeito com a situação, expondo nas urnas a sua vontade cívica.

Nestes termos, portanto, não há que se falar em "impeachment", em "pacto", em "nova eleição" ou outros eufemismos falsamente legitimadores de uma ideia nacional que deixa de cumprir a estrutura edificante (e retórica?) da democracia: governo do povo, para o povo e eleito pelo povo, tudo sob a estrita obediência à ordem constitucional.

Há que se dar nome aos bois: é golpe.

Golpe que ainda resisto e que, acredito, não passará. 

Se for um copo é um copo / se for um cão é um cão


quarta-feira, 29 de abril de 2015

# centro cívico na democracia

 
 
Esta nossa “democracia” provoca coisas absolutamente incompressíveis.
 
Veja-se o caso deste Beto Richa.
 
Que história e que trajetória profissional, pública, política ou social ele tem para merecer o cargo que ocupa? Alguém lembra da sua atuação como parlamentar? E na Prefeitura de Curitiba, o que fez além de gastar milhões e milhões em narcisistas campanhas publicitárias, surfando na ultrapassada onda lernista de cidade-modelo? E o que falar do seu primeiro não-mandato de governador?
 
Ora, reeleito às custas de muita grana, de muito “apoio” de deputados em seus redutos eleitorais interioranos – afinal, foi por causa de verbas e cargos que a maioria dos canalhas do PMDB no Parlamento, cheia de votos no interior do Estado, apoiou e reelegeu Beto – e de muita alienação da massa conservadora curitibana, o sujeito a cada dia que passa consolida-se como um traste político e um infame administrador.
 
Dentre outras coisa, Beto Richa lembra muito aquela célebre personagem das crônicas de Nélson Rodrigues, a "Grã-Fina das Narinas de Cadáver", que, em pleno estádio, costumava olhar para o seu nobre acompanhante da hora e perguntar, sem titubear: “Hein, quem é a bola?”.
 
Ainda, parte da ópera bufa da reeleição reside na sua casca de bom-moço, de modos etiquetáveis, de limpinho-aromatizado-com-polo-de-jacaré-e-gel e de politicamente correto, cuja figura ainda se sustenta em relativa escala Paraná (e Curitiba, claro) adentro – mas que, evidentemente, não deveria ultrapassar os limites do Graciosa Country Clube ou do Iate Clube de Caiobá.
 
Depois, as “ideias” (sic) e a “gestão” (sic) de Beto escancara os efeitos ultranocivos das ladainhas neoliberais e de xoques de jestão propagadas pela turma demo-tucana, tudo e sempre em nome da mão divinal do mercado, do não-Estado e do vale-tudo nas relações público-privadas.
 
Resultado: quebrou o Paraná.
 
Mas isso tudo ainda não era suficiente.
 
E agora Beto e a sua equipe de pulhas, picaretas e piás de prédio deram para surrar e quebrar centenas de professores e servidores públicos, num dos episódios mais repugnantes que o Centro Cívico da capital paranaense presenciou.

Cenas de guerra, de um massacre absurdo promovido por um governo sem pés e, muito menos cabeças -- por sinal, registre-se: o "secretário" de Educação de Beto Richa era um agente do mercado historicamente envolvido nas privatizações das empresas de telecom...
 
Bem, jamais se esperou alguma coisa desta gente, mas confesso que se poderia esperar qualquer coisa, menos o que foi visto hoje.

Beto Richa, assim, se já podia ser considerado o pior governador que o Paraná já teve, depois desta quarta-feira também será lembrado como um dos mais indignos da nossa história.
 
A propósito, já pensaram o que se mostraria e falaria, Brasil afora, se o governo paranaense fosse do PT ou de alguém pouco afeito às colunas sociais?


 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

# grã-fino das narinas de cadáver



Agora, a palavra da moda no cenário político é "austeridade" – menos na Grécia, claro, onde o termo foi varrido pelo povo.

E por todo o Paraná, e especialmente na sua Capital, escancara-se os efeitos ultranocivos das ladainhas neoliberais e de xoques de jestão propagadas pela turma demo-tucana (e até copiadas em certa parte pela leviana retórica petista) e, no caso, pelo reeleito governador Beto Richa.

Entretanto, e não poderia ser diferente, a grande mídia nacional esconde e não tece uma só vírgula sobre o caos que se instala pela Administração Pública paranaense (v. aqui)  a propósito, já pensaram o que se mostraria e falaria, Brasil afora, se o governo paranaense fosse do PT?

Bem, afora o escandaloso dia a dia repleto de uma "nada" constrangedor, as trevas deste triste e terrível (des)governo estadual vem na forma de estouro no limite de gastos com salários, da paralisação de obras em escolas, presídios, moradias etc., da interrupção dos poucos programas sociais e de dívidas e mais dívidas a descoberto. 

Ademais, o nada deste governo sempre fora tão flagrante em termos de políticas públicas, que Beto, o Energúmeno, a todo instante se segura em factóides e se agarra na esposa para destacar ações filantrópicas vazias, tentando se expor em outdoors pelas ruas das cidades para ostentar o sorriso vacilante, o bronze de Vanuatu, o V de alguma vitória e o relógio de vistosa marca.

Contudo, em termos de atitude, políticas e governo, é um nada, um sombrio e rotundo nada

Este picareta que ocupa a cadeira de governador lembra muito aquela célebre personagem das crônicas de Nélson Rodrigues, a "Grã-Fina das Narinas de Cadáver" (v. outra delas aqui), que, em pleno estádio, costumava olhar para o seu nobre acompanhante da hora  um desses eternos que reinam nas colunas sociais – e perguntar, sem titubear: “Hein, quem é a bola?”.

Eleito e reeleito com a promessa de gastar menos e melhor – típico (e falso) mote desta turma –, Beto enganou até onde conseguiu,  hoje já sendo notória a sua incompetência administrativa, a sua ignorância política e a sua incapacidade de reger a coisa pública.

Porém, isso não surpreende, afinal, que história  francamente, seria essa aqui? – e que trajetória profissional, pública, política ou social ele tem para merecer o cargo que ocupa?

Alguém lembra da sua atuação como parlamentar? E na Prefeitura de Curitiba, o que fez além de gastar milhões e milhões em narcisistas campanhas publicitárias, surfando na ultrapassada onda lernista de cidade-modelo? E o que falar do seu primeiro mandato de governador?

Ora, tudo se resume à grana posta em jogo – afinal, foi por causa de "verbas" e "cargos" que a maioria dos canalhas do PMDB no Parlamento, cheia de votos no interior do Estado, apoiou e reelegeu Beto – e ao maquiavelismo às avessas, bem como à necessidade da população querer deslumbradamente a tal da "renovação" e iludidamente o "novo".

Mas a sua essência é oca ou bafeja naftalina: o que é novo não presta, e o que presta não é novo. 

Além disso, parte da ópera bufa da reeleição ainda reside na sua casca de bom-moço, de modos etiquetáveis, de limpinho-aromatizado-com-polo-de-golfe-e-gel e de politicamente correto, cuja figura ainda se sustenta em relativa escala Paraná (e Curitiba, claro) adentro.

Mas que, evidentemente, não deveria ultrapassar os limites do Graciosa Country Clube ou do Iate Clube de Caiobá.

Enfim, a população acabou de novo engolindo este outro conto do vigário tucano, esta outra fábula do governo-empresa e esta outra cantilena da gestão privada da res publica  e agora terá que aturar as desventuras deste mimado "piá de prédio" e seus deputados de quinta categoria.

Enquanto isso, o bom síndico que teríamos continua em Brasília, no meio daquele Senado...

Ossos, pois, da democracia.

E no final, o Governador articula e a Assembleia passa por cima do povo paranaense



sexta-feira, 24 de outubro de 2014

# arranjo final

 
A velha mídia, claro, não dá ponto sem nó.
 
E bem articulada com a oposição traz consequências explosivas.
 
Por isso, soa por demais estranho, a esta hora e neste dia, o resultado destas pesquisas -- até dessa aqui, cujo dono faz campanha tucana... --, estampado em letras garrafais nas capas e manchetes da tv, das rádios e dos jornalões.
 
Não acredito no tal descolamento, embora o processo de desconstrução da candidatura tucana seja algo muito fácil de se levar adiante.
 
Afinal, não foi por outro motivo que o PT preferiu, primeiro, "revelar" ao mundo o que era, o que defendia e o que (não) pensava a Sra. Marina Silva (v. aqui), pois já sabia que desbancar o PSDB seria algo menos complexo.
 
Ora, lembrando Marx, se "tudo que é sólido desmancha no ar", os tucanos se desmancham em pleno solo, em pleno confronto no rés-do-chão da política, tamanha a pobreza e a obsolescência das suas teses, teorias, planos, programas e ações mundo afora.
 
Portanto, não precisa ser nenhum gênio da propaganda, e nenhum Cícero da oratória, para mostrar na campanha e nos discursos a absoluta distância que separa, sob qualquer viés comparativo, o Brasil do PT e o Brasil do PSDB (v. aqui e aqui).
 
Mas, até agora, apesar disso tudo, grande parte da população ainda se ilude com o fetiche das passeatas de junho, compra a versão midiática que colou na testa do PT o selo exclusivo da corrupção (v. aqui e aqui) e quer... "mudança", ainda que o PSDB esteja a léguas de qualquer projeto real e verdadeiro de mudança, uma vez que representa o retrocesso para algo que já se conhece e já se sabe ser ruim -- se mudar é mesmo o verbo, então seria mudar para pior (v. aqui).
 
Logo, por todas estas circunstâncias, a disputa será voto a voto, urna a urna, bairro a bairro.
 
Nada disso de "deslocamento".
 
Por isso creio na absoluta mentira -- muito além de mero erro -- dos institutos de pesquisa, arranjada pela mídia e pela oposição para vencer, tudo bem orquestrado, pari passu, com a torpe repercussão da capa do panfleto da Abril.
 
A tese?
 
Criar um clima de "já ganhou" e motivar marineiros, marinheiros e indecisos a pensarem assim: "Ah.... a Dilma já ganhou mesmo... vou votar no Aécio...".
 
Com isso, ficariam com a consciência "limpa" e ainda obedeceriam ao "clamor-das-ruas" que pediram "mudança".

A ver.


 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

# sem estereótipos

 
Ele é um playboy preguiçoso e bronzeado; ela, guerrilheira e grosseira.

Ele cheira e sua muito; ela não usa perfume e sua muito.

Ele bebe e usa celular ao volante; ela não sabe dirigir e não sabe conversar.

Ele não fez bafômetro; ela tem bafo.

Ele é machista e mulherengo; ela é feminista demais.

Ele é demagogo; ela, mal-humorada.

Ele se preocupa demais com o espelho; ela não usa espelho.

Ele com 25 anos pega um avião e vira diretor da Caixa no governo Sarney; ela com 23 anos pega em armas e coordena grupos rebeldes contra a ditadura.

Ele é um instrumento a serviço dos interesses privados; ela, um poste que interessa ao Lula.

Ele não gosta de grande parte do Brasil; ela gosta de muitos aliados que não gostam do Brasil.

Ele é seguido por Bolsonaro, Feliciano, Beto Richa, múmias paralíticas e celebridades de quinta; ela não vai à missa, não sabe falar e não segue ninguém nas redes sociais.

Ele desviou dinheiro da Saúde e considerou vacina para cavalo como gasto em saúde pública, quando Governador; ela aceitou privatizar portos e aeroportos e permitiu empréstimos a grandes oligopólios privados, quando Presidenta.

Ele empregou nove parentes no seu governo em Minas; ela ajudou a dar emprego para o irmão na Prefeitura de Belo Horizonte.

Ele promoveu a construção de dois aeroportos em áreas da família com dinheiro público; ela autorizou cargos em comissão para um bando de pulhas.

Bem, pouca coisa acima importa para escolher quem comandará o Brasil nos próximos quatro anos.

Afinal, não se pode falar de pessoas -- como se fosse a escolha de um amigo ou uma companheira -- e pouco se deve falar do comportamento delas, pois atire a primeira pedra quem nunca errou.

Na verdade, a questão está em outro nível de reflexão, muitíssimo maior e mais sério.

De um lado, o embolorado PSDB e o seu xoque de jestão, com a sacralização do "laissez-faire, laissez-passer", o desprezo às políticas sociais e a impávida rendição ao interesses privados em detrimento do interesse público, o que, dentre outras coisas, criou as agências reguladoras, causou o apagão elétrico no Brasil, causa o apagão de água na maior cidade da América Latina e autorizava o funcionamento de um país com os maiores juros do planeta.

E, do outro, o PT e a sua "opção preferencial pelos pobres", as políticas de inclusão social e a reconstrução moral de um país com a maior desigualdade do planeta, equilibrando capital e trabalho, estimulando as causas privadas e assegurando o interesse público e promovendo o desenvolvimento e a soberania nacionais.

Enfim, em jogo estão planos, programas e projetos de país absolutamente díspares e com setas opostas que apontam para o retrocesso e para o progresso do Brasil.

E é sobre isso, exclusivamente, que deve pesar a nossa escolha.

Mesmo sabendo que somos humanos, demasiadamente humanos.

 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

# a retórica e os mitos


Números e mais números bem podem resumir os governos do PT e do PSDB, como aqui e aqui se mostra e cujos estudos abaixo reproduzimos.

Números, entretanto, que não podem falar por si, pois a ciência em jogo não é uma ciência “positiva”, não é uma ciência “neutra” em relação aos fins, não é uma ciência "apolítica”. Afinal, esta ciência, muitas vezes adornada com elegantes e sedutoras construções matemáticas -- para dar um ar de ciência “séria” e “infalível”, ignorando ou não querendo assumir que a matemática não é uma ciência, mas uma lógica --, mostra-se muitas vezes um “deserto de pedras”, onde não há lugar para os homens de carne e osso, como ensinou o Prof. Avelãs Nunes no prefácio desta obra aqui.

Por isso, para muito além dos números, é todo o manancial da economia politica que melhor diferencia a gestão e as políticas do PT e do PSDB.

Mesmo assim, entretanto -- e já pela enésima vez --, dando ouvidos aos pragmáticos, vamos aos números, os quais desmentem toda a desfaçatez que rodeia o discurso tucano, criando lendas que, pelas vozes midiáticas, transformam-se em verdades.

Entre 1995 e 2002 -- com FHC (PSDB) no governo --, a "renda domiciliar" per capita caiu, segundo  dados do IBGE (Pnad), fulminando a tese tucana de que, por meio da privatização de estatais, da desregulamentação do mercado de trabalho e da liberalização comercial e financeira se ampliaria o papel do mercado e da competição para então selecionar os melhores e punir preguiçosos, prometendo crescimento.

Pelo contrário, a partir de 2003 -- com os governos de Lula e Dilma (PT) --, a "renda domiciliar"  aumentou mais de 50%, com a recuperação do papel do Estado, conforme o próprio IGBE aponta.

Depois, a "desigualdade", com base no Coeficiente de Gini, enquanto se manteve inalterada com o FHC, caiu 10% com Lula e Dilma diante da valorização do salário mínimo, da defesa e formalização do emprego e ampliação do gasto social

Na "educação", o PSDB vetou o 1º Plano Nacional de Educação (PNE), que determinava investimentos de 7% do PIB até 2010, deixou o País sem meta de financiamento e concluiu mandato com 3,5% do PIB; em 2014, Dilma aplica 6,4% do PIB em educação e sanciona o 2º PNE com destino de 10% do PIB até 2024. Ainda neste tema, Lula e Dilma promoveram a significativa ampliação das transferências de renda condicionadas à matrícula escolar, além de bolsas e crédito subsidiado para ensino técnico e universitário e a criação de 18 novas universidades federais -- contra zero com FHC -- e 178 novos centros universitários. Com isso, as matrículas no ensino superior elevaram-se de 2 milhões (2002) para 7,5 milhões (2014), complementados por 8 milhões de alunos no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

A respeito da "dívida pública", essa explodiu no governo FHC -- e não pela assunção de dívidas passadas não contabilizadas, mas, sim, pelos juros mais altos do planeta e títulos indexados em dólar para evitar a crise da âncora cambial, naquela conhecida artimanha antes da reeleição tucana, em 1998. Assim, entre 1995 e 2002, a correção cambial e os juros altos contribuem com mais do que cinco vezes o valor da dívida... e que só não aumentou mais por causa das privatizações e do superávit primário, pedras angulares da gestão do PSDB.

Sobre "inflação", o PSDB conseguiu reduzir a inflação a menos de 2%  a.m. em 1998, às custas de juros bizarros e muito arrocho para o trabalhador; mesmo assim não conseguiu mantê-la nesse nível e, no fim do governo inflação chegou aos 12%, quase o dobro dos 6,5% que temos hoje com Dilma, que a manteve sempre dentro das metas, mesmo aumentando os salários e garantindo mais direitos aos trabalhadores.
 
Em relação ao "desemprego", Dilma, em 4 anos, criou mais postos de trabalho do que FHC em 8: uma média de 1,8 milhões ao ano, contra 620 mil na era tucana. O Brasil de Dilma tem as menores taxas de desemprego da sua história: 5,4% em 2013, contra 12,2% no fim do governo do PSDB. E isso enfurece os donos do capital, pois desemprego baixo aumenta o poder de barganha do trabalhador, que não se sujeita a qualquer trabalho e por qualquer valor.
 
Quanto ao "salário mínimo", as diferenças são vexatórias: no fim do governo do PSDB (2002), o mínimo era de R$ 200, o equivalente a 1,4 cesta básica; hoje, é de R$724, o que permite comprar 2,2 cestas básicas. Ou seja, 65% a mais do poder de compra do trabalhador. Em dólar, o contraste é constrangedor: com os tucanos, em 2002, o salário mínimo valia 86 dólares, com Dilma, em 2014, vale 305 dólares.
 
No tocante aos "juros", cuja política tanto impacta o bem-estar financeiro do trabalhador e tanto contribui para os negócios, vê-se claramente o que move cada uma das gestões. No tempo do PSDB, a política de juros exorbitantes -- os maiores do planeta -- era o paraíso para o grande capital vadio e baldio: a taxa foi de 45% ao mês no fim do governo. E quem era o Chefe das Finanças na época? Armínio Fraga, o responsável pela elaboração do programa econômico de Aécio e candidato oficial a futuro Ministro da Fazenda. Já nos governos do PT a ciranda foi outra. E  Dilma mudou as regras da poupança e usou os bancos públicos para baixar muito os juros e pressionar os privados a seguirem, chegando em 2% ao mês e, hoje, em 11% ao ano, o que ainda é ruim.
 
E agora mais uma sopa de números, cujas fontes estão aqui e aqui:
 
- Produto Interno Bruto => R$ 1,48 trilhões (2002) e R$ 4,84 trilhões (2013)
- PIB per capita => R$ 7,6 mil (2002) e R$ 24,1 mil (2013)
- Investimento Estrangeiro Direto (em dólares) => 16,6 bilhões (2002) e 64 bilhões (2013)
- Reservas Internacionais (em dólares) => 37 bilhões (2002) e 375 bilhões (2014)
- Gastos Públicos em Saúde => R$ 28 bilhões (2002) e R$ 106 bilhões (2013)
- Valor de Mercado da Petrobras => R$ 15,5 bilhões (2002) e R$ 104,9 bilhões (2014)
- Lucro médio da Petrobras => R$ 4,2 bilhões/ano (PSDB) e R$ 25,6 bilhões/ano (PT)
- Capacidade Energética => 74.800 MW (2001) e 122.900 MW (2013)
- Falências Requeridas (em média/ano) => 25.587 (PSDB) e 5.795 (PT)

São, pois, números...

Que não podem -- e nem devem -- dizer tudo, mas algo dizem.

# grã-fino das narinas de cadáver


 
Às duras penas, Dilma continua participando dos debates.
 
O dom da oratória, ou a mínima aptidão para ser bem treinada no enfrentamento do público e das câmeras, fica sempre claro que a Presidenta da República não tem.
 
Mas isso até se aceita, pois a embalagem não pode ser maior e melhor que o conteúdo -- embora, gize-se, o discurso sempre ajude a vender melhor as ideias, como já fez aqui.
 
Entretanto, o que causa real repulsa é a postura demagógica, desfaçada, dissimulada, histriônica e vazia do candidato Aécio Neves, bem típica daquelas da grã-fina das narinas de cadáver (v. aqui).
 
Aécio, com toda a sua verve purpurinada, desenvolve uma apresentação perversa, rasteira, traiçoeira e reticente, que se funda na aparência para esconder as vontades mais genuínas em jogo.
 
A cada fala, a cada intervenção, a cada olhar, o sujeito abre os braços, simula a revolta, abusa das frases feitas e insiste com um festival de mesmices sem qualquer conteúdo -- tal qual aqui.

Ora, como disse Dilma no debate, Aécio "viu o galo cantar mas não sabe onde...", o que deve justificar o fato de o PT ter vencido, em Minas Gerais, para Presidente e para Governador.
 
Afinal, retire-se o falacioso e gasoso mote da "corrupção" -- e do xoque de jestão, e da "meritocracia" etc. --  e se estanque o bilionário gasto em propaganda estatal, e notem, caros leitores, se subsistirá algo na plataforma política do PSDB.
 
Ou, melhor, se subsistirá algo do Estado brasileiro, pois o fim é sobrar pouca coisa, como já advertiu o candidato a futuro Ministro da Fazenda de Aécio (v. aqui).
 
Enfim, ao olhar o jeito tucano, e do seu representante, em se apresentar, nele enxergo toda a massa bem-cheirosa que abusa da hipocrisia, da maquiagem, da pomposidade, da demagogia, dos gestos teatrais e da para defender os seus interesses.
 
É do jogo, diz-se -- e concordo.
 
Mas enoja, pois nele vejo o que vi na Av. Atlântica neste domingo de manhã: um bando de brancos coxinhas com grifes, blushes, flashs, cruzes e lapelas das forças armadas exaltando palavras de ordem em prol do candidato udenista, digo, tucano.
 
Tal qual veria nos bairros bem-cheirosos de Curitiba, de São Paulo, de Salvador...



 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

# no bico do corvo


Falar em medo é estranho.

Pode-se ter medo de bicho, de bicho-gente, de lugar, de não-lugar ou de qualquer coisa que existe, que se conhece ou ainda que só se ouviu falar, ainda que nesse caso se torne um medo prévio -- eu, por exemplo, tenho medo de tamanduá, depois dos relatos experimentais de uma amiga bióloga, e de ir passar um verão na Faixa de Gaza, pois dela há notícias pouco alvissareiras.

Depois, pode-se ter medo do que não existe, do que não se conhece ou do que só se ouve falar no mundo da ficção ou da religião -- é o medo da morte, de fantasma ou da Cuca.

Na política, até 2002 tinha-se medo do PT.

Era puro preconceito, sacanagem bruta, pois ninguém podia dizer o que viria a ser um governo do Partido dos Trabalhadores.

Afinal, nunca antes neste país um partido de centro-esquerda assumira as rédeas da nação. E, ainda, tinha Lula lá, a insistir em debutar na chefia de um Executivo.

À época, uma atriz aparecia na tv e no rádio para dizer: "tenho medo".

Em vão, indo fundo na tese, a direita provocava um dos mais primitivos instintos humanos para tentar, sob um preconceito atroz, não perder as eleições.

Ora, com ter medo de algo que nunca houve, que nunca se viu e que nunca se ouviu falar? E como ter medo de algo não-metafísico, ou seja, de algo que pode ser objeto de prova -- no caso uma "não-prova"?

O funesto episódio passou. E Lula venceu.

Com ele, o fim do modelo neoliberal, do Estado mínimo e do Brasil sem políticas sociais, sem desenvolvimento e sem soberania. E o início de um Brasil para todos.

Hoje, doze anos depois, a tese do medo volta, conforme aqui predizemos.

Mas é outro medo.

Repagina-se no medo do bicho tucano.

Sabe-se quem é, sabe-se o que fez, sabe-se o que fará e sabe-se quem e o quê defende, pois faz questão -- honra lhe seja -- de não esconder o bico (v. aquiaqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

Não por acaso, nunca os candidatos tucanos, pós-Lula, quiseram debater para comparar as gestões do PT e do PSDB.

Eles fogem dessa discussão, simplesmente, com o argumento infantil de não querer olhar o passado, como se pudessem desprezar aquela tese quase bíblica: "diga-me o que tu fizeste que te direi quem és".

Logo, neste momento o "medo" é real, lógico e imediato.

Afinal, já bem conhecemos o que estamos a ver, a ouvir e a sentir.

E num agouro que antes só os corvos apresentavam.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

# caçador de corruptos


E o caçador de marajás do fim dos anos 80 se tornou o "caçador de corruptos" de 2014.

A exímia atuação da grande mídia, tatuando na testa de Dilma, Lula e do PT a propriedade exclusiva da corrupção, dentre outros fins e outras consequências, resultou, pari passu, na criação deste personagem, Aécio Neves, como se um mocinho de novela global num cenário de sci-fi.

Já dissemos aqui que corrupção não se combate com mera retórica, que não pode ser fulanizada e que tão-pouco é a desgraça brasileira.

A corrupção fetichizada, tal qual a grande mídia propaga, a reboque dos reacionários de plantão, objetiva desqualificar a política, visa a mostrar que a coisa pública ("res publica") não funciona e que a democracia, portanto, é um pastiche.

É óbvio que tal crime é um mal e que deve ser enfrentado com a máxima e incondicional firmeza, mas não por meio de um super-homem qualquer -- e, muito menos, por um de araque e sem qualquer envergadura moral para tal.

Ora, a corrupção deve ser tratada institucionalmente, com mecanismos de controle, apuração e punição que envolvam vários órgãos e todos os Poderes da República, como hoje já se começa a fazer -- mas que não se quer enxergar, pelo contrário, dissimula-se a questão.

Assim, esta lenga-lenga diária da grande mídia, atribuindo ao candidato tucano a pecha de imaculado conceição, além de ser caricatural e jocosa, é mentirosa.

Fingem, desavergonhadamente, que no âmbito do PSDB nunca houve e nem há malfeitos.

Que a sopa de alianças partidárias -- fio condutor maior dos casos de corrupção -- não está no PSDB, ampliada ainda mais agora, no 2º turno, com todos os "apoios" recebidos.

Que Aécio Neves é o novo, que nasceu ontem, em uma manjedoura mineira, sob o brilho de uma estrela cadente e ao redor de reis magos.

Fingem esquecer que o passado e o presente dele não são flores que se cheiram.

E que a políticas e as ideias do PSDB, de ontem e de hoje, são absolutamente decadentes.

Os tucanos, minha gente, só funcionam na tela da tv e nas manchetes dos jornais.

E nas rodinhas mágicas dos reis e rainhas da elite nativa (v. aqui).

terça-feira, 7 de outubro de 2014

# cheiro do ralo


E o Governo tanto demora a fazer que aí está o resultado.

Os tais manifestos de junho do ano passado (v. aqui, aqui, aqui e aqui), a reboque da direita, e o ódio de classe, figurado no "tudo menos o PT", eram retumbantes sinais da ameaça de perder a eleição presidencial, ainda que a concorrência fosse débil.

Primeiro, a turma que parou o país por algumas semanas de 2013, ao cabo, votou sim em projetos e senhores capazes de promover mudanças.

Mudanças para voltar no tempo.

Mudanças para bem-fadar Jair Bolsonaro (o deputado mais votado do Rio), Pastor Feliciano (o 3º mais votado de SP), Ratinho Jr. (o mais votado do PR), Lasier Martins (senador eleito no RS), Beto Richa (v. aqui e aqui) e Aécio Neves, só para ficar em alguns.

Toda uma turma que, flagrantemente, está a representar teses e programas do chorume da política, dos anos de chumbo, dos anos de chupa-que-a-cana-é-doce, dos anos que se pensavam guardados para sempre nas páginas tristes dos nossos livros de História (v. aqui).

Agora, vejam só, muda-se tudo para tudo voltar ao que era em priscas eras.

Reacionários, conservadores e neoliberais numa geleia geral que revela o quanto foi oportunista e safada a espetacularização daquelas manifestações. E quão vazias essas foram nos seus fins, pois Luciana Genro, Plínio Sampaio, comunistas e operários -- os profetas dos novos tempos, sabe-se lá o que queiram ser e dizer com isso -- continuaram a não ter votos.

A grande mídia, desregulada, alimentada e protegida como um mico-leão dourado, foi exímia ao colar na testa do PT a propriedade plena da incompetência e da corrupção, sem querer levar esse assunto para o debate sério e verdadeiro (v. aqui).

E com tamanha eficiência levou Dilma e o partido para o canto do ringue, apanhando muito, apanhando tanto quanto bastasse para que a população não se desse conta de que o Brasil, de 2003 para cá, é outro.

E de que há sim uma pessoa e um partido responsáveis por isso: Lula e o PT, bastante competentes neste propósito de tirar da fome e da miséria abjeta o equivalente a dois Chiles.

Mas, infelizmente, isso hoje vai se apagando a cada manchete sensacionalista, a cauda pauta negativa, a cada fato a dedo escolhido para desancar toda estes feitos, tudo sem um contraponto, sem uma resposta eficaz do Governo.

O PT, embora seja o maior partido político do Brasil, segue contraditoriamente acuado, sem comunicação, sem espaço, sem jeito e sem tempo para mostrar tudo o que bem faz -- não obstante as devidas críticas aos vários erros do mandato atual, como aqui (aquiaqui e aqui) já se disse, em especial pelo flagrante esgotamento deste modelo de commodities e consumo -- e então reagir.

Embora ainda continue com o maior número de representantes, perdeu espaço no Congresso Nacional. E embora tenha vencido o 1º turno, vê renascer do inferno a direita com os tucanos e seus canhões.

A bala de prata contra o maior partido da oposição -- a troika dos sistemas Globo, Veja e Folha -- seria a imprescindível  "Lei de Meios de Comunicação", que colocaria ordem no bandido mundo midiático, mas que está engavetada (v. aqui). Uma lei que no mundo inteiro já existe, menos por aqui, onde é vista como "censura", como "ditadura", como "cubanismo" ou como qualquer outra coisa que zombe para dissimular a verdade.

Mas, se ainda insistisse em não querer dispará-la, o Governo Federal ao menos deveria ter mexido na gestão da comunicação, criado e aperfeiçoado meios de dialogar e de se apresentar à população, como aqui e aqui já se explicou. E, ainda, deveria ter estancado o mar de dinheiro que, por meio das suas tantas empresas públicas, a cada ano despeja nas grandes redes em venturosas publicidades sem sentido.

Enfim, um vacilo atrás do outro.

Depois, na eleição presidencial, o voto em Aécio não é seriamente explicado, mas motivado pelo mais pueril (e juvenil) argumento: "não gosto" do PT, como se tratasse de um pudim, e "não gosto" da Dilma, como se fosse uma escolha de amiga de escola ou para miss simpatia.

Ora, em jogo está a discussão do Brasil, a discussão de um projeto de Estado e de ações políticas que está, qua sera tamen, transformando o país, bem ao contrário do retrocesso, da estagnação, da elitização e do vazio social dos programas pilotados pela direita de hoje e de sempre.

Ademais, eis então a verdade recôndita nesta onda conservadora (e reacionária) que vota no candidato do PSDB: o ódio de classes, o ódio de castas, algo bem mais sórdido, simples e direto do que tentar entender ou compartilhar do modelo neoliberal que escancara as políticas desse partido.

A imensa parcela dos 33% que votou em Aécio tem nojo de se ver no outro, tem ojeriza do convívio com quem não nasceu de sangue azul e nem habitou a casa-grande, mas que hoje pode estudar, viajar e conjugar o infausto verbo do pertencimento pós-moderno: consumir.

Uma gente que se indigna com o fato da senzala já não aceitar se servir como escravos domésticos, já não admitir perder direitos e já poder se enxergar, minimamente, como dona de cidadania.

Uma gente que tem pavor ao ver que seu país está a dar oportunidades de emprego, estudos, de cursos técnico-profissionalizantes, de microcrédito e na agricultura familiar a dezenas de milhões de brasileiros, e que isso é obra de um partido que na sua história, mais ou menos, sempre teve um lado.

Uma gente que não suporta um governo social e que se governa pelo lado esquerdo peito.

Que não aceita políticas públicas populares, populistas e para ao povo. 

Que não acredita na política, na república e na democracia.

Que tem chiliques ao perceber que o país deve ser de todos.

Afinal, para esta gente o Brasil não somos nós.


domingo, 5 de outubro de 2014

# o pulso da direita


O pulso tucano ainda pulsa... O pulso tucano ainda pulsa.

Peste bubônica, câncer, FMI, precarização.

Raiva, arrocho, anemia, privatização.

Rancor, latifúndio, passado, penumbra, apagão.

Livre-mercado, super-mercado, deus-mercado, terceirização.

E o pulso tucano ainda pulsa... E o pulso tucano ainda pulsa...

Choques, miséria, meritocracia, fetiches, paralisia.

Ódio, retrocesso, castas, pirâmide, esquizofrenia.

Fome, entreguismo, petrobrax, coques de luxo, afasia.

Elite, branqueamento, individualismo, plutocracia.

Conservadorismo, pirataria, especulação, hipocrisia.

E o corpo ainda é pouco... E o corpo ainda é pouco...

Minas, miopia, mito, mínimo, misticismo, raquitismo estatal.

Washington, culpa, crise, cárie, cãimbra, banco mundial.

Armínio, Aécio, agências, alienação, apolítica, torniquete fiscal.

Tétano, ralo, juros, jaula, joelho, globo, gado, capital.

Desigualdade, desemprego, viralatismo, estado neoliberal.

E o pulso ainda pulso.

E o corpo ainda é pouco.

Pulso... Pulso...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

# primeiro ou segundo turno


E a nossa Gandhi de saia já era.
 
Sim, passou a onda e o blá-blá-blá dos últimos trinta dias -- sem sentido, turvo e desconexo da realidade -- promovido pela "Madre Teresa da Amazônia" virou um nada, recolhendo-se ao imenso oceano da medíocre insignificância política.
 
Hoje, Marina tem tantas chances de ir ao 2º turno quanto o energúmeno Levy Fidelix -- até nome de personagem de gibi o sujeito tem... --, ou seja, nenhuma.
 
E, surpreendentemente, quem ressuscita dos mortos é a candidatura tucana e a sua plataforma de xoque de jestão para "arrendar o Brasil", algo que se imaginava engavetado e trancado para sempre no passado triste da nossa história, o que mostra a aptidão de parte da população ao sadomasoquismo.
 
Porém, ainda que o zumbi Aécio e o projeto neoliberal flertem com o renascimento, o fim de Marina torna muito grande a chance de uma vitória de Dilma no 1º turno.
 
E isso é ótimo para o Estado brasileiro, pois já a partir de segunda-feira se poderia reiniciar um renovado governo com o novo mandato.
 
Novos ministros, novas equipes política e técnica, novas pautas, novas ações e o mesmo norte: "País rico é país sem miséria".

Mas, ainda que não seja no 1º turno, a eleição certamente se dará no 2º, haja vista a absoluta distância, em todos os sentidos, para as demais candidaturas. 

E aí a reempossada Presidenta precisará arregalar os olhos e fazer um tête-à-tête com o espelho, narcisisticamente às avessas.
 
Já se disse aqui (e aqui, e aqui, e aqui) sobre a necessidade premente de que, agora ou nunca, Dilma Rousseff precisa reforçar o seu nome na História, já não apenas como a brava militante que nos anos 60 enfrentou heroicamente os milicos e os seus canhões, mas como uma grande Chefe da nossa República.

Dilma precisa, a exemplo do que faz Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo,  promover um governo cuja gestão não tenha outros fins senão a transformação do país, ainda que para isso o custo político, e de enfrentar os donos do poder, seja bastante elevado, quase num limite do temerário.

Precisa compreender todos os recados das ruas e dos votos protestantes para energizar e intensificar a democracia, trazer a população para o centro das decisões, abusando da participação direta com referendos, plebiscitos e audiências públicas concretas, de modo a vitalizar o povo brasileiro, como tão bem ensinam Boaventura Santos e Mangabeira Unger.

Precisa recompor o velejar e recriar instituições, comprometendo-se em aprofundar questões chaves do nosso Estado: revoluções agrária, na mobilidade e moradia urbanas, na regulação da mídia, nas agências reguladoras, nas políticas fiscal e industrial, nas políticas de acesso à renda e às oportunidades, na segurança pública, na saúde e, claro, na educação média e fundamental.

Precisa, definitivamente, parar de dançar com o diabo, em alianças cuja inevitabilidade já tem um preço com custos perigosamente irrecuperáveis.

Precisa fazer do PT, e das políticas e lutas históricas do partido, o núcleo capital da navegação, convocando os quadros técnica e politicamente comprometidos com o projeto do Governo e, pois, mitigando ao máximo a influência nefasta daquela gente fruto de coligações e apoios sem pé e muito menos cabeça.

Precisa dizer que a garantia é ela, que a vitória é deles e, ainda que muito doa, que a banda passará a tocar de outro jeito, demonstrando à população, claramente, de que lado o Congresso Nacional passará a estar -- e, para isso, a urgente necessidade de se adonar da própria voz (v. aqui).

Precisa perceber o fim de um ciclo e que a hora é de avançar para "mudar mais".

Precisa, enfim, reguiar o leme à esquerda.

Avante, Dilma!