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quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

# que só tem o sol que a todos cobre



Por que ainda vivemos em um país com índices de desordem relativamente baixos?

Por que não vemos diuturnamente arrastões, avalanches, explosões, sangue e tsunamis de quebradeira e violência pelas praças, praias e pradarias das polis, eminentes sobreviventes dos espaços públicos das nossas cidades?

O olhar e olfato comuns, sob o senso midiático, faz acreditar que estamos todos sofrendo igual.

Mentira.

É a favela e a periferia que vivem sob o diário domínio do medo, num caos e com a selvageria aos borbotões, intrépida e incessantemente batendo às suas portas, dos dois lados: "mocinhos" e "bandidos" atiram para matar.

E, ora, aqui era para ser diferente: isso aqui era para ser muito pior.

Era para ser uma Síria em todos os lugares, uma Faixa de Gaza a todo tempo – e não apenas nas nossas Sírias e Faixas de Gaza de sempre.

Afinal, arromba a retina a brutal e catastrófica desigualdade no Brasil, uma distância medida a anos-luz entre nossos dois mundos, entre as nossas duas cidades-realidades.

Duas sentenças resumem bem este estado de coisas e nos permitem refletir os porquês: primeiro, com Noam Chomsky, quando diz que "a grande maioria da população não sabe o que está acontecendo e sequer sabe que não sabe"; depois, com Leonardo Boff, ao dizer algum tempo atrás que "se os pobres soubessem o que estão preparando para eles, não teríamos ruas suficientes para tanta luta". 

De um lado, ricos, brancos e encastelados em uma vida fidalga que vagueia por um consumo hedonista e que se desbunda na busca da maximização da boa vivência, com seus umbigos como centro de tudo.

Do outro, um contingente de pobres e pretos emputecidos com o cotidiano dantesco que margeia a miséria e que faz suar sangue em busca da mínima sobrevivência, umbilicalmente ligados ao nada periférico.

No primeiro Brasil, a nobreza goza um padrão de vida superior ao daquela parte de um planeta em que o padrão é todos terem, a gozar de uma vida cheia, com mais ou menos exageros – esta nossa elite é a máxima elite de países ricos.

No segundo, a malta estropia-se sob uma ordem social semelhante àquela dos parturidos nos bolsões onde o vazio impera e cujos padrões de desprezo e descaso são, sem exagero, simplesmente trágicos – esta nossa gente é aquela gente das regiões mais miseráveis do planeta.

Por isso repito: neste nosso Brasil, uma desigualdade tão atroz e abismal deveria produzir catarses diárias, inconsequentes e revolucionárias, ataques incondicionais e diuturnos, em todo canto e a cada minuto da madrugada.

Mas não só do outro lado, na terra feita de ninguém para "subcidadãos", no chão batido do subúrbio e sob os tetos de zinco das favelas onde tentam sobreviver contra a violência do Estado, da milícia, do narcotráfico, da sociedade... enfim, contra tudo e todos.

Por isso não falo desta luta; falo do "caos".

E não de um caos particularizado, daquele no qual está mergulhada a massa brasileira invisibilizada.

Eu falo do amplo e generalizado caos.

Sim, o Brasil seria digno de sofrer sob trevas e escuridão infindáveis (v. aqui).

Afinal, não estamos a tratar de nações uniformemente pobres, igualitariamente miseráveis; somos, ao contrário, a sétima maior economia do mundo na qual pulula uma diferença social avassaladora, uma disparidade econômica ultrajante e uma dessemelhança humana quase pecaminosa.

Em suma, falamos de polos positivo e negativo, de dignidade e indignidade, de tudo e nada convivendo juntos, lado a lado, com poucos choques, com poucos sentimentos e com pouca mescla.

E mesmo assim o Brasil de cartão-postal (ainda) não se vê em frangalhos, não é atingido pela pulsante guerra no seu interior e não revela uma revolta bélica – a não ser o de "classe" – incapaz de aceitar este nosso tradicional estado de coisas.

Bem se sabe que há espaços urbanos onde, tal qual na órbita do grande capital, vigem códigos de conduta e ética de convivência alternativos, sob o império da legalidade à la carte, à mercê de regras e instituições paralelas que fazem destas áreas nossas múltiplas sírias.

Mas, mesmo assim, fora destes outros mundos, no "centro" não se nota a descortinação do Direito.

Não se vê a ameaça constante por parte dos excluídos sobre os superincluídos, não se vê a multiplicação de Robins Hoods do bem e do mal – como aqui lembramos – e não se verifica a atuação costumeira de rebeldes sociais em busca do brioche nosso de cada dia, certamente preocupados em tentar comer as migalhas do pão que o diabo amassou.

E por quê? Por que esta bomba-relógio insiste em não explodir nuclearmente? Qual o freio inibitório desta nossa gente?

Há o argumento "policialesco", pela mais ou menos agressiva (e burra) presença da força militar no meio das comunidades pobres miseráveis, que mata para impor uma pseudo-ordem e fantasia uma ordem matando. Uma ordem que aprisiona na ilusão da liberdade e prende a torto e a direito para acabar com sonhos e vidas. Mas será que este medo é suficiente para não encorajar a rebeldia da transgressão, haja vista o que está em jogo para toda a abandonada ralé?

Depois, o argumento "religioso", pela fé divina no comportamento honesto que leva à salvação, ou "bíblico", sob a tese já anunciada no Gênesis, naquele longínquo sexto dia ("e criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou"), e com isso temos visto tudo quanto tinha feito, e com isso tem nos parecido que, apesar de tudo e de todos, é muito bom. Ora, se por um lado é muito metafísico para suportar toda a carência real de tantos milhões de cidadãos sem nada e absolutamente entregues à própria sorte nascitura; certamente, por outro lado, o estratégico papel das igrejas neopentecostais na formação psíquico-ideológica deste gente tem lhes abastecido de esperanças para a realização das suas necessidades físicas, o que lhes exige como contraprestação a cessão do corpo e da alma traduzida em obediência e ordem.

O "familiar"? Talvez, mas, não sejamos ingênuos: como os pais, os filhos e e todos os espíritos de outros exemplos intramuros haveriam de ser páreos para tudo o que se vê ao redor de luxo e luxúria?

O "pessoal" e "histórico-antropológico", ou seja, o ethos assente em proposições como a cordialidade, o adoçamento e outras raízes? Balela, eles até ajudam a esclarecer algumas coisas a partir do ofendido, mas nunca do opressor, basta ver o nosso imenso ranço e amargor de quinhentos anos da mais vil exploração.

O "prático-político", pela própria maneira que os progressistas encaram as potenciais chamas de rebelião, geralmente não participando da organização e contestando parte do repertório mais radical que se costuma adotar em manifestações e mobilizações contra a ordem vigente, e assim freiam uma real escalada do caos, unindo-se à fala conservadora? Talvez.

O "educacional" e "cultural", pela ausência de consciência da sua condição e da realidade nacional, resumida na ideia de alienação que faz deste povo incapaz de compreender a estrutura e as engrenagens da nossa sociedade e de se organizar politicamente, e a partir disse rebelar-se? Sim, mas há tantos outros sítios mundo afora com base educacional-cultural similar mas com outra resposta popular. Ademais, a grande massa não pode ver na educação, no trabalho e na vida obreira dos seus pares fontes (e pontes) para o futuro, muito provavelmente incapazes de tirá-la do chão de miséria, de assegurá-la as mais básicas necessidades e de atender ao consumismo platinado que tanto incita o desejo felino de ter para ser.

O "Estado Democrático de Direito", a "Carta Magna", os "códigos", as "consolidações" e os "comitês" de marchas, sindicatos e circos? Um pouco, um pouco, quase nada.

Mas, além, creio que isso tudo possa estar resumido numa ideia maior, absolutamente abrangente (e talvez simples): a "dominação ideológica" tão enraizada nestes trópicos, na qual o dominado não se vê nessa condição e compartilha da "visão de mundo" do dominador, sublimando a luta de classes para em grande medida fatalizar o futuro, aceitar o presente e  naturalizar o passado.

Algo que, talvez, só assim ajudasse a melhor compreender o sentido pouco notado da nossa imagem e semelhança divina.


A centelha da vida



quarta-feira, 25 de março de 2015

# praxes e trouxas



Surge à tona a questão dos "trotes", quando a mídia vem mostrar as festas & festividades nas quais os calouros universitários são castigados, humilhados e coisificados, como aqui.

Lembro-me bem do meu tempo universitário, e acho meio óbvia a questão: tanto quanto os "veteranos", os grandes idiotas dos casos são também os próprios calouros.

Afinal, por que ir aos tais eventos de "boas-vindas" promovidos com claros e manifestos propósitos de castigar e humilhar?

E, ainda que de modo mais ou menos masoquista queiram lá ir, por que aceitar, serenos e cordiais, a submissão animal a eles imposta?

Freud explica?

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É óbvio ululante que, nos primeiros meses de vida universitária, toda reunião extramuros tem por alvo esculhambar com os calouros.

Cocô, lixo, blush, tinta, mijo, raspagens, agressões, lesões, roubos e extorsões, tudo conspira para que os calouros sejam humilhados.

Repergunto: por que ir a estes negócios?

À minha época, quando calouro na UFPR, lembro-me de alguns esfuziantes colegas que tinham a plena (in)consciência do que aconteceria nas tais "recepções" e, mesmo assim, iam para depois curtirem a experiência do que sofreram -- e, às vezes, lamentarem, como se não fossem responsáveis pelo que haviam cativado, quase Pequenos Príncipes às avessas... -- e se creditarem, orgulhosos, para fazer nos calouros do ano seguinte tudo aquilo a que se submeteram.

Dizem que isso tudo faz parte da jovem idade; encaro, porém, como parte da imbecilidade.

Afinal, só otários vão para "eventos" desta natureza, ou enxergam algo de sublime em dar ou receber "trotes" desta natureza diante de uma massa de desconhecidos.

E, se antes das redes sociais essa coisa toda já era ultrabadalada, imaginem agora, tendo à mão um facebook que instantaneamente mostra ao mundo a sua "nova fase", a tua badalada testa pichada de bosta e o teu corpo banhado de ovo bento... não é o máximo isso?

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E, ainda mais estúpido que ir, é aceitar aquilo tudo, submisso.

Será que o calouro rebelde seria submetido a tratamento tão degradante quanto aquele oferecido à coletividade (ou à manada) de calouros?

Certamente não, afinal, poucas humilhações públicas (crimes?) restariam para além daqueles normalmente praticados pelos veteranos nesses tipos de "eventos".

Repergunto: por que não recusar? Por que não se rebelar? Por que não mandar todo mundo tomar no olho do cu?

No meu início de competições desportivas, com 12 ou 13 anos, eram frequentes as viagens com atletas mais velhos -- frequentemente viajava e jogava com atletas dois ou três anos mais velhos, o que praticamente significava a distância entre as eras cenozoica e paleozoica -- e, não raras as vezes, havia o conflito entre "veteranos" e "calouros".

Numa delas, para alguma cidade do interior do Paraná, na noite em que toda a chefia da delegação havia saído para jantar, eu já sabia que coisa boa não viria.

Dito e feito.

Atenienses de um lado -- uns dez -- e nós três calouros do outro.

Os veteranos queriam impor um jogo: "cubol", uma aberração cujo nome mistura a parte interna das nádegas e algo tipo bola.

Ainda mais novo que os outros dois colegas calouros, fui o primeiro a ser apontado como um dos "jogadores".

Insurgi-me: "Não!".

E negava por várias vezes três.

Desaforos, ofensas, pequenos tapas e empurrões, grandes ameaças... e nada me desabalava e nada me faria ir para aquele "jogo".

"Não vou!", insistia em alto e bom som.

Era, ali, um digno espartano.

E não fui e não fiz -- e acho que não me mataram.

Hoje, duas décadas depois, ainda me vem à memória a imagem dos outros dois colegas, mezzo descontraídos, mezzo deslumbrados pelo momento, correndo pelados, de cócoras, de um lado para outro daquela imensa sala, com uma tampa de xampu (ou uma bolinha de ping-pong ou um naco de sabonete, já não lembro) enfiada por entre as nádegas e com o objetivo de empurrar para um tênis como simulacro de "cesta".

À frente, já veterano e líder de time, comprei inúmeras brigas por jamais admitir que tal prática -- e outras deste nível, meras aberrações infanto-juvenis -- fosse feita nas tantas viagens em que estive presente.

Mas, confesso, não faltavam aqueles calouros que lamentavam não ter todo aquele nauseabundo ritual.

Seriam aquelas que faziam porque queriam.




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

# deus ou mamon?



Na seara pública, trabalhar para instituições e órgãos estatais nos quais haja crimes não te faz, necessariamente, alguém conivente com tais atos.

Salvo se você esteja convenientemente ali, convidado para ocupar cargos num "governo" (e não no "Estado") e contribuindo voluntariamente para aquele estado de coisas, em regra o fim da sua atuação como servidor público é o interesse público, você trabalha e dedica-se para realizar e alcançar o bem coletivo, restando o comportamento criminoso de beltranos e sicranos como falha (condição?) do sistema, à margem do grande objetivo.

Ao cabo, e na medida do possível, você inclusive contribui (e denuncia, e reza) para que os filhos da puta de plantão – que malversam, tergiversam e se locupletam – sejam expurgados, presos e mandados ao inferno.

Agora, na iniciativa privada, a situação adquire outras formas.

O trabalho em uma empresa picareta, bandida e corrupta, ainda que não te faça um sujeito com tais adjetivos ou conivente, acaba, ao cabo, sem sentido.

Ora, se o fim daquela meia-dúzia que comanda a entidade empresarial é o "lucro", a qualquer custo, doa a quem doer, que depende de maracutaias para maximizar a "mais-valia" e que por isso passa por cima de qualquer código normativo ou ético, qual o sentido de se continuar a produzir para ela?

Sim, porque neste caso o fim não é o interesse público e o objetivo não é se dedicar e se empenhar para que a coletividade – apesar dos pesares  seja melhor atendida: o fim, pois, é apenas enriquecer donos e acionistas do negócio.

Feita esta divagação, o que justifica alguém empreender a sua mão-de-obra, por exemplo, num banco como este tal de HSBC?

Uma farta documentação, condenações judiciais, confissões silenciosas e inúmeras denúncias referentes às mais torpes e vis condutas, caracterizaram esta "instituição financeira" – e aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui você pode entender um pouco tudo isso.

Hoje, brota nos noticiários e nos órgãos judiciais, policiais, fiscais e de controle de várias partes do mundo as contas secretas de milhares de bont vivants que tinham os seus crimes e pecados acobertados pelo tal banco inglês.

Mas isso vem de longa data -- e já me recordo da discussão que há poucos anos tive com um executivo do banco, em Curitiba (sede do HSBC no Brasil), o qual achou que a minha fala de então era de alguém "comunista", era uma "lenda" e que tudo estava "esclarecido".

Pois é...

Ora, no decurso da última década, o HSBC colaborou com os cartéis da droga do México e da Colômbia – responsáveis por (dezenas de) milhares de assassinatos com armas de fogo –, com as máfias da Rússia – responsáveis por fraudes e piratarias nas privatizações pós-URSS – e com as ditaduras do Oriente Médio, em operações de lavagem de dinheiro cujo montante alcança "trilhões" de dólares, um valor que enrubesceria o somítico Tio Patinhas.

As relações comerciais do banco britânico com os cartéis da droga perduraram, apesar das dezenas de notificações e avisos de diversas agências governamentais dos EUA (entre as quais o OCC - "Office of the Comptroller of the Currency").

Os lucros obtidos não só levaram o HSBC a ignorar os avisos, mas, pior ainda, a abrir balcões especiais no México, na Rússia, na Líbia, na Nigéria e onde mais se podia lucrar com os depósitos em caixas cheias de dinheiro líquido.

Apesar da atitude abertamente provocatória do HSBC contra a lei, as consequências legais da sua colaboração direta com as organizações criminais foram praticamente nulas. Em dezembro de 2012, o HSBC teve de pagar uma multa de quase 2 bilhões de dólares – o que equivale a uma semana de receitas do banco – para encerrar o processo de lavagem.

Nem um só dirigente ou empregado foi sujeito a procedimento criminal, embora a colaboração com organizações terroristas ou a participação em atividades ligadas ao narcotráfico sejam passíveis de cinco anos de prisão.

O HSBC parece caminhar sobre a mesma sórdida trilha que anuncia o lema neoliberal, ostentado na crise de 2008 em prol dos grandes bancos: "são grandes demais para quebrar" (v. aqui e aqui).

Em julho de 2013, numa das reuniões da comissão senatorial que investigou o caso HSBC, Elizabeth Warren, senadora democrata do Estado de Massachusetts, apontou o dedo a David Cohen, representante do Ministério das Finanças e subsecretário responsável pela luta contra o terrorismo e a espionagem financeira. A senadora disse, grosso modo, que governo dos EUA leva muito pouco a sério a lavagem de dinheiro, que é possível encerrar um banco que se dedica ao lavagem de dinheiro, que em dezembro de 2012 o HSBC lavou 881 milhões de dólares dos cartéis mexicanos e colombianos da droga, que o banco admitiu igualmente ter violado as sanções, que o HSBC não o fez apenas uma vez e que é um procedimento recorrente. Ao cabo desta (só desta) investigação, o HSBC pagou uma multa mas nenhuma pessoa foi banida do comércio bancário e não se ouviu falar de um possível encerramento das atividades do HSBC nos EUA (v. aqui).

Em suma, põe-se a seguinte questão: quantos bilhões de dólares um banco (ou uma empresa bandida qualquer) tem de lavar (e sujar), antes de se considerar a possibilidade de encerrar a prática?

Ora, afora tudo, o mastodonte HSBC deveria ser fechado, os controladores responsabilizados e os diretores presos; em seguida, ele (e qualquer empresa bandida) deveria ser retalhado, sob controlo cidadão, em uma série de bancos públicos de pequena e média dimensão, cujas missões seriam estritamente definidas e exercidas no quadro de um estatuto de "serviço de interesse público", de modo a fomentar a economia produtiva e o trabalho.

Afinal, é para isso que serve a lógica deste capitalismo, já urgindo tempo de reverter a perversa dinâmica do jogo.

Caso contrário, "empresas" desta estirpe – gigantes ou não, do ramo financeiro ou não –, na onividência da impunidade, na onisciência do negócio e na onipresença em todos os rincões do planeta, continuarão pensando serem Deus.

Bem, podem não chegar a tanto.

Mas não duvidemos de que sejam mesmo diletos filhotes de Mamon.




segunda-feira, 9 de junho de 2014

# réguas


Aqui já dissemos: no Brasil a criminalidade e a desordem são pequenas. 

E me refiro aos crimes contra o patrimônio, coisas como furto, roubo e extorsão, e às greves e manifestações que discutam trabalho e salário.
 
Ora, o que se vê é fruto muito miúdo diante da nossa desigualdade, incomparável mundo afora, inimaginável em qualquer sociedade minimamente decente.
 
E recentemente mais um dado que me colabora: a única capital nordestina que não está entre as 20 cidades mais violentas do país é... Teresina, no Piauí.
 
Sim, a capital do Estado mais pobre do país não figura na lista de um trabalho promovido por uma ONG mexicana (v. aqui).
 
Não creio que seja pelo exímio aparato policial; tão-pouco que seja resultado da máxima eficácia da gestão pública piauense; e, menos ainda, que represente um povo melhor abastecido de educação, de saúde e das necessidades básicas.
 
A tese é que lá a "desigualdade" é menor, resultado de uma generalidade pobre, sem bolsões de riqueza, com (quase) todos num mesmo nível de escassez.
 
É o que acontece com as grandes nações ricas do Atlântico Norte, com (quase) todos num mesmo patamar de abundância e nas quais a desigualdade é mínima – e, tal qual, os índices de crimes e desordem.

Somos, pois, o avesso do avesso do avesso.
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Para além disso, se nota nas capitais arranjos para a paralisação geral de motoristas, cobradores e de toda a gente que trabalha nos ônibus, metrôs e trens das grandes cidades.
 
Primeiro, não se esqueça que uma coisa é a greve de servidores públicos – em regra, uma atrocidade e um não-fim em si mesma (v. aqui); outra, bem diferente, é a greve daqueles que trabalham em empresas que (mal) prestam serviços públicos.
 
Mal prestam os serviços, mal remuneram e mal dão satisfação do que fazem, em regra (des)reguladas pela falácia da regulação.
 
Ao cabo, querem os trabalhadores grevistas condições e salários mais dignos para o trabalho – no mínimo, e ao menos, proporcional às fortunas que os seus patrões (os senhores concessionários de serviços públicos) amealham com os contratos que detêm à nossa revelia.
 
E convenhamos: se este é o propósito, a massa está absolutamente certa.
 
Afinal, enquanto a picaretagem nas licitações e nos contratos que envolvem o transporte coletivo persistirem – v. aqui sobre a máfia dos ônibus , jamais a sociedade (e, também, os trabalhadores) poderão estar minimamente satisfeitos no atendimento das suas necessidades.
 
Já passa da hora de o Estado esclarecer à população como isso tudo funciona e escancarar as as engrenagens sujas de uma graxa vezeira em manchar o interesse público.
 
Porém, para isso acontecer, será necessário que nossos comandantes, chutando a porta e erguendo a mesa, se convençam de abrir mão dos milhões ofertados por tais "grupos empresariais" para financiar as campanhas eleitorais.

Resta-nos, pois, rezar pelos nossos mártires.

 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

# bala na agulha


Quem mais mata no mundo, manda mais?

China e EUA encabeçam listas de comandos político, econômico, produtivo e, também, de extermínio legalizado.

Já, já aparecerão estudos que ligam poder, grana e eficiência pública à matança estatal... (v. aqui).




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

# a arara e o pau-de-arara


Demorou para, num universo de 7 mil médicos cubanos que vieram para acudir os rincões deste Brasil, aparecer alguém a tentar desestabilizar o sistema, o qual expõe às vísceras a relação entre demandas do mercado (e particulares), de um lado, e necessidades das pessoas (e coletivas), de outro (v. aqui).

Tem, claro, todo direito do mundo ao chororô e ao nhe-nhe-nhém, mas, no fundo, no fundo, além de querer aparecer e lançar bravatas, o que pretende esta médica que sai nas capas da grande mídia chorando as suas pitangas contra o programa?

É a Política, estúpido (v. aqui).

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E não demorou para, como volta-e-meia ocorre, voltar a turma de "justiceiros" país afora.

Eis, o art. 345 do Código Penal Brasileiro:
"Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite.
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência".

Portanto, o que aquele bando carioca fez é crime (v. aqui), cujo liame com a conduta própria do agente (lesão corporal, homicídio, sequestro etc), inclusive, é deveras estreito.

E, pelo simples fato de ser crime, a premissa já seria não admitir a sua apologia – mais um crime – e, pois, ser contra qualquer pretenso fazimento privado de justiça, típico protótipo de milícia – e já também outro crime.

Terrível, tenebroso, para um Estado Democrático de Direito, em pleno séc. XXI.

E vamos além. 

Se o Poder Judiciário, o sistema penal e a segurança pública são falhos, lentos ou pífios, a questão não é de contorcionismo ideológico para validar a vingança social ou para legitimar o exercício arbitrário das próprias razões.

Tão-pouco de se dar eco à infantil tese que sugere a adoção de marginais por defensores da lei e dos direitos humanos.

De novo, a questão é de Política, estúpido.

E não de apoiar rolezinhos da tropa de zona sul carioca.



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

# mito de sísifo


Após um necessário período de hibernação, retomemos. 
 
E, en passant, tratemos da vida, ou da morte, direto das arquibancadas do jogo entre Atlético e Vasco, em Joinville. 
 
É que os acontecimentos deste triste domingo para a espécie humana provocaram-me a refletir sobre isso.
 
Os bichos que se violentaram, numa selvageria anojosa, gratuita, estúpida e voluntária, estavam dispostos a ter qual fim? 
 
Abstraindo-me, se possível fosse, de questões religiosas, defendo que a morte de todos  sim, todos, literalmente todos os que diretamente ansiavam por aquele momento, para se evitar que, sendo só de um ou outro desgraçado, não se faça injustiça ou, pior, façam-se mártires  os envolvidos naqueles atos seria natural, algo óbvio, calculado e pertinente. 
 
Note-se que se falou desejar ou querer a morte de outrem – para ainda tentar mais uma vez resgatar o fundamento cristão que sempre me move –, mas em respeitar o desejo de cada um dos bichos que se entreveram naquele cenário de cimento e ódio

Ora, eles estavam ali naquele meio porque queriam – não foram perseguidos, não foram abandonados, não foram surpreendidos e não foram iludidos até o local. 
 
Ora, eles foram para lá porque quiseram – não foram coagidos, não foram por dinheiro, ou por deus, pela pátria, pela liberdade ou pela revolução. 
 
Eles, sedentos e famintos como javalinas no cio, estavam à disposição para aquilo tudo. O fim, a morte, não lhes era algo caro ou diferente
 
Na verdade, eram indiferentes a ela. Era, sim, o maior barato ali estar. 
 
Se Hanna Arendt desenhou a “banalidade do mal”, as dezenas de animais que envergonharam a espécie humana banalizaram, ali, a vida
 
A vida entre eles, só deles e desprezada por eles, já não lhes tinha uma razão de ser, nem de existir; a morte entre eles, só deles e provocada por eles, já não seria um acaso, mas mero ocaso
 
Estavam, pois, dispostos a tudo: engolir, estrangular, marretar, ralar, rolar, roer, socar, quebrar, cortar, perfurar, pisotear, atropelar, amassar, morder e moer tudo, todos, inconsequentemente.
 
Não havia, portanto, qualquer causa ou consequência aos seus atos que os proibissem ou os impossibilitassem de agirem daquele modo. 

E se pergunta: pena? 
 
Alguém, não sendo um doente mental, que pela adrenalina senta num veículo de passeio para seguir pela estrada afora a 200 km/h e morre sem ver o lobo-mau? Suicídio involuntário? 
 
Alguém, não sendo um doente químico, que pela curtição se tranca num quarto para se entupir de heroína veia adentro e morre sem ver a fada-dos-dentes? Suicídio indireto? 
 
Alguns, não sendo doentes ou escravos civis, que pela adrenalina, pela curtição e pelo ódio, se dirigem a uma praça vazia para se agredirem incessantemente com tacapes, lanças e chutes, e morrem? Suicídio coletivo? 
 
Não, não me parecem casos de pena (salvo, é claro, em relação aos familiares, que em tese nada tiveram com aquilo e deverão sofrer pela perda dos respectivos entes amados...). 
 
Pelo contrário, são casos em que devemos respeitar os autodesígnios de cada um – o "livre-arbítrio", como ensinou Santo Agostinho  e os desejos felinos de curtirem as suas histórias.

São casos, como o de Joinville, em que até se chegaria num (insensato) nível de se lamentar o não-ocorrido  e tudo pelo bem da sociedade, pelo bem do futebol brasileiro e, repita-se, pelo bem de cada um dos envolvidos, uma vez que estavam bem dispostos a morrerem pelas cores vãs das suas facções. 

Lembremos: o futebol inglês, ou melhor, todo o estado de coisas que circundava (e preenchia) o futebol inglês, só mudou depois que dezenas de pessoas morreram – e lá a grande maioria injustamente! – em razão das podres condições do superlotado estádio e do enésimo confronto entre hooligans, os marginais torcedores nativos; hoje, a Inglaterra tem o maior, o mais rico, o mais cheio e o mais seguro futebol do planeta. 
 
O Brasil, portanto, precisa e clama pelos seus kamikazes, por seres dispostos a se entregarem  como ontem  para a redenção do nosso futebol. 

Logo, neste domingo parece que se perdeu uma grande chance disso acontecer, tamanha a sanguinária e voluptuosa vontade dos envolvidos, afinal, no baixio das bestas lá estavam elas, saltitantes, encubadas num terreno só delas para orgulhosamente morrerem. 
 
E, consumado o ato, lá na frente, talvez por piedade, poderíamos oferecer nomes de pontes, de pracinhas, de bosques ou criar um muro das lamentações em homenagem a cada um dos finados que prestaram um grande serviço à nação.

Como diria Fernando Pessoa, "absurdemos a vida, de leste a oeste".

 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

# baseado em ciências


Em vias de ser aprovada a nova lei que regulamentará a plantação, a distribuição e o consumo de maconha ("Ley de Regulación  de la Marihuana"), o Uruguai está a dar um crucial passo no controle da violência das periferias, no descaminho de milhares de jovens, na retomada de territórios apartados do Estado e, principalmente, no fim da guerra ao narcotráfico.

Absolutamente longe de se intentar qualquer apologia ao uso, não há qualquer justificativa razoável e minimamente técnico-científica para que continuemos a renegar a erva às sombras e à escuridão, rotineiramente trazida e montada pelos esgotos das cidades, habitualmente distribuída e comercializada por ratos, corvos e bandidos, e invariavelmente consumida a doses industriais em todas as festas, campings e circos da Oropa, França & Bahia.


Os estudos, as pesquisas, os dados, os dossiês, os astros, as bulas, os espelhos, os evangelhos, os orixás, tudo aponta para a irracionalidade da medida da sua proibição.


Claro que ela não dá tanto lucro quanto as drogas químicas, as patentes farmacêuticas (v. aqui), o transporte público viário (v. aqui) e os pedágios nas estradas brasileiras – refiro-me àquelas rodovias cujos contratos de concessão foram firmados antes de 2003, na época neolibelô, já que depois disso as regras e os preços ajustados foram absolutamente diferentes (v. aqui) –, porém, ainda assim, nos moldes de hoje, traficar cannabis constitui um negócio fabuloso para a criminalidade, e péssimo para o Estado e a sociedade.

Como aqui, aqui e aqui já enfatizamos, há muita base e inteiro respaldo das ciências biológicas, sociais, econômicas e jus-criminais para afirmar que, jamais desprezando os seus múltiplos malefícios, a maconha não pode receber um tratamento diferente daquele dispensado às outras maiores drogas sociais (álcool e cigarro), ainda mais prejudiciais e viciogênicas.

A questão, pois, parece se sustentar em contas mal feitas acerca dos custos públicos da medida – e de um erro crasso na solução desta public choice, que trata o problema da maconha como questão de polícia e segurança pública, e não de saúde pública; ou, então, em aspectos metafísicos, meio dogmáticos, meio carola, tese reducionista de uma turma puritana que acha o baseado simplesmente uma coisa do capeta.

E é, se continuar a ser monopólio do crime organizado, a causar milhares de mortes todos os anos e a custar milhões em aparato e corrupção policialescos.

Mas acredito no bom senso e no progresso da Política.


E que a liberação controlada, selada, carimbada, registrada e fiscalizada do cultivo e distribuição da maconha pelo Estado uruguaio (e de modo ainda mais rigoroso do que acontece com fármacos, destilados e tabaco) é uma prévia do que virá, muito em breve, a acontecer América Latina afora.

Além do jeito desprendido de lidar com o poder e o dinheiro, o presidente Pepe Mujica passa assim a ser também exemplo na forma independente, altiva e eficaz que encontrou para enfrentar os narcotraficantes.

Afinal, a guerra contra eles já foi perdida há muito tempo.


O vídeo-bomba que liquida o narcotráfico no Uruguay



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

# medo?

f
dsNuma escala (um pouco) maior, o que acontece aqui no Rio nada mais é do que aquilo que, a todo instante, pinta nas periferias e subúrbios do Brasil, embora em ritmo mais lento, menos intenso e com menos holofotes.
fdsNa região de Colombo ou da Fazenda Rio Grande, na área metropolitana de Curitiba -- aquela cidade autoproclamada (e autoanunciada) como a Estocolmo tropical --, todo dia vê-se dezenas de aberrantes, aterrorizantes e absurdos casos de violência, de selvageria e de criminalidade, mas, não com carros queimando, e sim com corpos queimados, retalhados, decapitados...
fdsE o curioso é que o incessante alarde que se promove hoje, pelas seis da tarde, no Rio de Janeiro, parece partir daquela mesma gente que, nos dois últimos anos, considerou a Gripe H1N1 (a "suína") a oitava praga do Egito (v. aqui, aqui e aqui).
fdsCapitaneada pelas bandeiras da grande mídia, a nossa própria gente dissemina o pânico, o desespero e a solidão.
fdsAqui, ao lado, colegas de trabalho, em poucos minutos, fazem dezenas de ligações para os seus, exigindo que todos agissem como se num estado de sítio, numa terra em transe tomada por zumbis. "Vão para casa!", "Tranquem-se lá!", "Não aceitem doce de estranhos!", pregava um dos mensageiros do apocalipse. O que pensam, ora pois?
fdsSabemos da gravíssima questão do narcotráfico -- v. aqui, aqui, aqui e aqui o que já se faz, de concreto, humano e desenvolvimentista, como alternativa à nossa gente que sofre nas favelas, e aqui e aqui uma das soluções reais para o negócio virar um "negócio" -- e das consequências que advirão da cirúrgica e cada vez mais intensa política pública das UPPs -- como, especialmente, a debandada marginal para os subúrbios e o interior do Rio e a simples alocação dessa força bandida para outros tipos de crimes --, cujas reações organizadas são, sob essa ótica, absolutamente esperadas; porém, mais do que isso, esta sensação de mal-estar e de vulnerabilidade apenas corresponde ao atual estado de coisas em que, encastelados, vivemos.
fdsE mais. Traz à luz outra variável, indireta, encrostada no comportamento de boa parte desta gente, desta midiática sociedade pós-moderna que dá ouvidos (e a alma) aos jornais nacionais e aos datenas, mas que jamais crê nas sérias e competentes autoridades públicas, como assim se mostra o secretário de segurança carioca para o caso presente ("Não entrem, por que não precisa e não se justifica entrar, em pânico!", repetiu ontem doze vezes), e se mostraram o secretário da saúde paranaense e o ministro da saúde para o caso da pseudogripe dita espanhola ("Nada de desespero, pois é menos perigosa e mata muito menos que a gripe comum!", repetiram aos borbotões).
fdsRegize-se: não significa que não desconfiemos que, com o aprofundamento das UPPs e a reestatização da segurança e do espaço públicos, a guerrilha civil-social definitivamente chegará e que se terá que viver, por longos dias, numa mini-Bósnia (v. aqui); porém, o momento ainda não é este.
fdsO Estado prepara-se e, definitivamente, parece que não retroagirá, não se omitirá e não negociará. Porém, tudo planejado e implementado com cautela, parcimônia e responsabilidade.
fdsOra, o Estado não pode disputar quem é mais violento ou brutal, mesmo numa situação de limite, afinal, é muita, muita, muita gente do bem que habita e (sobre)vive nos pobres morros e que está nos tiros cruzados disso tudo, vizinha da escatofagia social e imersa, coagida na lama da bandidagem. As ações, portanto, têm de ser pensadas, sérias, calculadas. Mas tem de, claro, serem "ações".
fdsNas circunstâncias atuais, porém, ao pregar a intolerância humana, o caos urbano, a covardia estatal e as trevas no fim do túnel, caminha-se para uma sociedade cada vez mais reclusa, conservadora, arcaica, alienada e irresponsavelmente social. E, nunca, nunca é um bom caminho.
fdsEsta sensação de agora, portanto, tão animadamente propagada por aquela mesma turma de sempre, parece apenas fazer clarear a tese de Simone de Beauvoir: "a ideologia da direita é o medo".


fds

# razão de ser


fdsVendo o que acontece na baixada fluminense, e aos poucos nos arredores nobres da cidade, pergunto-me: e por que cargas d´água essa gente toda, estes bandos de criminosos, esta podre turma toda que vê o Estado chegar e reocupar o território, realmente não entra para detonar, para realmente aterrorizar, para uma guerra?
fdsPor que ficam só nessa de atear fogo num carro ali, num ônibus acolá? De fazer um arrastão hoje, outro amanhã? O que temem? O que têm a perder? O que os leva a não "quebrarem tudo"?
fdsPorém, não se tenha ilusão: isso irá acontecer. E não como uma mera onda. O narcotráfico não irá se render antes do seu all in.
fdsFeche-se a cortina.
fdsDo mesmo modo, embora na contramão do comportamento acima, e nunca distante da realidade das coisas vistas no mundo extramuros que, por vezes, arriscamos nos meter, surge o enigma presente nas atitudes e no ser de toda aquela gente sofrida, humilhada, destruída, arruinada, vilipendiada pela miséria econômico-social, mas que, diuturnamente, vive dentro da lei, no mundo da ética e... em paz.
fdsE vem à mente, pela enésima vez, aquela velha discussão entre Hobbes e Rousseau, entre o nascer e o tornar-se, entre o homem e o meio, entre o homem-mau e a sociedade-perversa.
fdsDilema que, não fosse a maior premissa dogmática que me acalenta, a cristã, deixar-me-ia pairado sob essa eterna dúvida existencial.
fdsPor quê?


 

quarta-feira, 31 de março de 2010

# sopa de letrinhas (e de desenvolvimento)


Um dos morros mais tradicionais da cultura brasileira, berço do samba e de bambas, enaltecido em letras de sambas memoráveis e vizinho do maior estádio de futebol do mundo, a Mangueira tem um projeto de reurbanização pronto para acompanhar a iminente instalação de uma "Unidade de Polícia Pacificadora" (UPP).

Com a perspectiva de receber recursos da segunda fase do "Programa de Aceleração de Crescimento" (PAC-2) do Governo Federal, o governo e a prefeitura do Rio fizeram um projeto em conjunto e ambicioso: para conectar o morro eternizado por Cartola e Carlos Cachaça com outros pontos da cidade, está prevista, a construção de um teleférico, de passarelas, de ciclovias e de calçadas ecológicas, obras urbanas que, como nunca integrarão de vez a comunidades daquelas favelas com a cidade, de forma sensível, cívica e civilizada.

É o PAC e as UPP's tornando-se as siglas mais importantes para o povo carioca (v. aqui).