UM ESPAÇO LÍRICO-SIDERAL SOBRE TURFE, UTOPIA, LIVROS, LEIS, NÓS, MARX, FILMES, POEMAS, TORRONES, DRONES, DEUS, DESTILARIAS, EGO, GOLS, FAROESTE, FAZ-DE-CONTA, METAFÍSICA E A VIDA, COMO ELA É...
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domingo, 20 de setembro de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
# a arte de conviver sem se curvar
O reencontro entre Cuba e EUA, afora reforçar o fato de que o Papa Francisco -- arquiteto moral da reunião -- caminha para ser o mais importante líder religioso da história moderna, revela que "diplomacia" pode muito bem conviver com "soberania".
Cuba, com a medida, dá sinceras mostras de que quer -- porque precisa -- avançar e se adaptar à realidade do mundo, aos poucos reconhecendo que os cinquenta anos que se passaram desde a revolução tiveram, nesta dinâmica global, o efeito de uma "Era", cujo presente mostra um passado insustentável diante do cotidiano real e das necessidades virtuais dos seus mais ou menos jovens, que não querem só comida, diversão e arte (v. aqui).
A Ilha, pois, sabe que para sustentar o seu modelo de Estado precisa adequar-se à tese do revolucionário chinês Deng Xiaoping, na retomada pós-Mao: "não importa a cor do gato, desde que cace o rato".
Todavia, diante da sua história de audácia, resistência e bravura, Cuba certamente não haverá de se curvar a ponto de anular os seus tão caros valores nacionais e humanos.
Os Estados Unidos -- ou seriam apenas uns poucos democratas? --, muitos anos depois de convenientemente aceitarem (e sublimarem) China e Vietnan, já não veem mais sentido em continuar a desrespeitar Cuba e a sua autodeterminação popular, já não veem mais a mínima lógica em inventar uma cortina que separa os maus barbudos e os bons yankees e já não veem mais como agradar a imensa população hispânica que preenche os seus Estados fora de Miami.
Além disso, já veem os bons dividendos mercantis que o vizinho caribenho poderá lhe trazer, mitigando os efeitos negativos de uma preterição econômica e geopolítica, haja vista a notória ocupação de espaço do Brasil em todos os planos latinoamericanos.
Mas, o motivo dos motivos, é outro (e para além do império tupiniquim): temem que os russos novamente cheguem primeiro, haja vista a intermitente "guerra fria" entre Tio Sam e Tio Putin que hoje parece retomar fôlego.
Em suma, uniram o externamente agradável ao internamente útil.
Entretanto, devem agora finalmente reconhecer a excrescência que é manter o abusivo e indecente bloqueio econômico -- um "ato de guerra", confessou a ONU --, que vai para muito além da mera vedação ao comércio bilateral -- algo que se poderia não contestar --, na qual se excetua apenas uma pequena lista de itens agrícolas e farmacêuticos.
O problema do negócio é que, como se vê aqui, aqui e aqui, o embargo alcança indiretamente o mundo inteiro que comercializa com Cuba.
Ou seja, para os EUA a regra real desse bloqueio travestido de "embargo" é, tipo birra de colégio: se você fizer negócios com Cuba, não fará mais comigo".
Porém, a jurássica mídia, claro, não deixa qualquer espaço para se refletir o assunto -- e, muito menos, pensar sobre alternativas institucionais, sobre como se constroem sistemas de saúde e educação com um PIB ridículo (v. aqui e aqui), sobre como se obtêm índices de violência em níveis escandinavos e, claro, sobre o grande estrago que faz o tal embargo.
Na real, esta grande imprensa apenas dá a sua imutável e jocosa versão para insistir na caricatura do negócio, de modo a bem entreter o seu público e os seus interesses, que como chapeuzinhos azuis gritam pelas estradas afora do Brasil coisas como "Vá pra Cuba!" ou pedem socorro diante de uma invasão "bolivariana".
Enfim, em que pese a questão principal não ter sido resolvida -- a manutenção do bloqueio econômico, repita-se --, já se pode dizer que a Política aparentemente venceu.
E as economias nacionais -- e, evidentemente, a economia mais fraca -- poderão aos poucos lograr os frutos deste arranjo.
Com os avanços que a abertura econômica e a livre comercialização global proporcionarão, o Estado cubano vai se permitir atualizar-se no tempo e no espaço, o que não significa abrir mãos de valores e de ideias (v. aqui).
Afinal, valores e ideias baseadas na dignidade humana e na igualdade social devem ser "atemporais" e "universais".
E, ao menos nisso, Cuba ainda é uma viva fonte de lições.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
# disk-pizza
- Alô!?
- Alô?! É da Associação Médica Brasileira?
- Sim, bom dia! Em que podemos ajudar?
- É sobre o “Programa de Apoio ao Médico Estrangeiro”...
- Sim, um minuto, passarei a tua ligação. Lembro que esta
chamada é gratuita. Obrigada.
Em menos de 3 segundos uma gravação vem ao telefone: “Si usted es un médico extranjero y está en situación de riesgo en Brasil,
pida ayuda y...”.
E tão rápido quanto, atende uma plácida e animada voz:
E tão rápido quanto, atende uma plácida e animada voz:
- Hola! Buenos dias! Muchas gracias por...
- Oi, não precisa tentar falar em espanhol não, eu já entendo o
português.
- Ok. Em que podemos ajudar?
- Olha, sou cubano, estou no Tocantins, na fronteira com o Piauí, e um médico brasileiro veio aqui ontem e ficou o dia
inteiro me falando deste 0800, e resolvi ligar, pois ele não me
respondeu uma coisa. E por isso preciso do apoio. Eu queria saber se...
- Ah, fez muito bem! Me fale, hein!? ´Tá muito ruim este
negócio, né? Um absurdo!
- Hã?! Como assim? Eu só...
- Uma vergonha! Uma vergonha este governo mandar a nossa classe pra um lugar desses, onde não tem aparelho de ultra-radio-tomografia, não tem super-power-doppler, não tem medical center de diagnóstico computadorizado... E, pior, em cada cidadezinha viu... não tem shopping, não tem clube, não tem cinema megavip plus thunder-3D, não tem nada! É um tal de meio de floresta
aqui, um sertão ali, uma beira de rio acolá! Não dá! O que pensam que nós de branco somos!?! E vocês então?!?! Ah, receberem este valor pra ser médico! O que é isso!?!
- Sei...
- Por isso, para o caso da turma de vocês, uns deputados ´tão aí pra ajudar, né! Sabe, gente do bem, gente que entende de democracia... E até firmamos uma parceria com a "Cuban
Medical Professional Parole", uma ONG dos States, e prometemos que em 3
dias arranjamos um visto humanitário.
- Como assim? É que eu só...
- É! Você não precisa ficar mais nenhum dia
neste fim de mundo aí, ficando de escravo daquela gente! Tanta coisa diferente pra se fazer por aí, tanta coisa bacana, descolada...
- Hã?!
- Veja, a Associação está com um
programa muito legal: a gente te busca, te hospeda no melhor hotel da
região, te oferece um jantar de gala de cortesia e, em dois dias, você pode
escolher para onde quer fugir. Afinal, você deve querer, né! (risos)
- Desculpe, é que eu...
- Ah! E não é só isso! Confirmando a-go-ra a
gente te coloca num desses congressos que os laboratórios
fazem pra gente, num fim de semana... É um luxo só, tudo free, você vai ver!
- Não, não, é que eu só queria saber se aqui
no Brasil é normal isso de...
- E me diga, você conhece Miami?
Tuu-tuu-tuu-tuu-tuu-tuu-tuu....
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
# a arara e o pau-de-arara
Demorou para, num universo de 7 mil médicos cubanos que vieram para acudir os rincões deste Brasil, aparecer alguém a tentar desestabilizar o sistema, o qual expõe às vísceras a relação entre demandas do mercado (e particulares), de um lado, e necessidades das pessoas (e coletivas), de outro (v. aqui).
Tem, claro, todo direito do mundo ao chororô e ao nhe-nhe-nhém, mas, no fundo, no fundo, além de querer aparecer e lançar bravatas, o que pretende esta médica que sai nas capas da grande mídia chorando as suas pitangas contra o programa?
É a Política, estúpido (v. aqui).
------- x -------
E não demorou para, como volta-e-meia ocorre, voltar a turma de "justiceiros" país afora.
Eis, o art. 345 do Código Penal Brasileiro:
"Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite.
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência".
Portanto, o que aquele bando carioca fez é crime (v. aqui), cujo liame com a conduta própria do agente (lesão corporal, homicídio, sequestro etc), inclusive, é deveras estreito.
E, pelo simples fato de ser crime, a premissa já seria não admitir a sua apologia – mais um crime – e, pois, ser contra qualquer pretenso fazimento privado de justiça, típico protótipo de milícia – e já também outro crime.
Terrível, tenebroso, para um Estado Democrático de Direito, em pleno séc. XXI.
E vamos além.
Se o Poder Judiciário, o sistema penal e a segurança pública são falhos, lentos ou pífios, a questão não é de contorcionismo ideológico para validar a vingança social ou para legitimar o exercício arbitrário das próprias razões.
Tão-pouco de se dar eco à infantil tese que sugere a adoção de marginais por defensores da lei e dos direitos humanos.
De novo, a questão é de Política, estúpido.
E não de apoiar rolezinhos da tropa de zona sul carioca.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
# sem magia
Ninguém, absolutamente ninguém, que não queira tentar compreender uma sociedade cujos valores são tão distantes dos nossos será capaz de entender este negócio todo da medicina e dos médicos cubanos, nomeadamente este convênio entre Brasil e Cuba, intermediado pela Organização Mundial de Saúde (v. aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).
A falta de vontade, aliada a uma concepção vazia (alienada) ou repleta de preconceitos, desemboca num festival de besteiras, incapaz de compreender como funciona esta missão de salvar e cuidar de vidas naquele país caribenho.
Cuba tem uma das melhores e uma das mais eficientes (relação custo-benefício) medicinas do planeta porque é independente, porque tem foco e fim no paciente e porque visa a tratar dos elementares problemas de saúde pública (v. aqui e aqui). E divulga, reparte e ganha com isso.
É independente porque construída sob alicerces republicanos, não-capitalistas e não-privados. Sem patentes, é barato custear problemas graves (v. aqui e aqui); sem a pressão dos gigantes laboratórios multinacionais, não se faz dos tratamentos uma pirotecnia, da cura um composto químico, dos pacientes uns robôs ou cobaias e da prevenção um não-assunto; sem o lobby dos grupos médicos privados, faz da saúde pública algo efetivamente de interesse público; e sem a mercantilização do negócio saúde, faz-se simplesmente medicina.
Tendo por objetivo tratar da saúde – e não ganhar dinheiro –, fazer medicina constitui um sacerdócio, uma entrega, uma oportunidade de tratar e salvar a vida das pessoas. E isso não tem dinheiro que pague, pois com a expertise de uma formação humanista, sob o ponto de vista da ética, e técnica, com ênfase na medicina familiar, os médicos cubanos não tem o preço e o custo dos médicos mundo afora, tão-pouco resultados com a mesma eficiência. Ora, como o mundo deles não gira em torno dos compromissos financeiros e pessoais, os médicos cubanos atendem, consultam, conversam, clinicam, tocam, examinam... e não resumem tudo isso a noventa segundos de questões e uma dispensa para exames laboratoriais, sempre rentáveis e de diagnóstico autodidata. Vivem, portanto, para a medicina, e não dela (v. aqui).
E, como a maioria das doenças e das mortes por problemas de saúde advêm do cotidiano sanitário (atendimentos primários), é nele que são envidados todos os esforços, todos os estudos e toda a pouca grana que se têm. Nele e em medicina preventiva. E por isso a profusão de médicos, de ambulatórios, de postos, de clínicas e da incessante busca pela excelência no tratamento da saúde básica. E por isso os melhores índices do mundo em mortalidade infantil, desnutrição, vacinação, gestação, expectativa de vida etc. (v. aqui)
Por fim, com um contingente médico enorme (v. aqui), Cuba exporta a sua medicina com os seus médicos. E não apenas para fazer dinheiro – e então reinvestir em toda a estrutura nacional –, mas para promoção do seu jeito de fazer medicina e para cumprir o seu princípio constitucional da solidariedade ente os povos, e por isso estão onde os nativos não querem e vão para os nativos precisam.
Por fim, com um contingente médico enorme (v. aqui), Cuba exporta a sua medicina com os seus médicos. E não apenas para fazer dinheiro – e então reinvestir em toda a estrutura nacional –, mas para promoção do seu jeito de fazer medicina e para cumprir o seu princípio constitucional da solidariedade ente os povos, e por isso estão onde os nativos não querem e vão para os nativos precisam.
Tudo isso sem mágica, e sem a ilusão de que esteja tudo ótimo ou de que lá seja o paraíso.
O problema está em acreditar que tudo o que se relatado, inclusive pelas organizações sociais e institucionais internacionais, seja ilusão, e que os mágicos somos nós, em nosso sistema e em nossas verdades.
Aí é pura demagogia, em especial daqueles encastelados.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
# navegar é preciso
fds As medidas anunciadas recentemente em Cuba não significarão o fim do socialismo, e não se tratam, em absoluto, de mera conveniência midiático-política.
fds Muito mais que uma forma ou um sistema sócio-político-econômico – e muito menos que uma mera utopia mecanicista –, o socialismo é um valor. E, por isso, já enraizada numa sociedade que há 50 anos vê-se construída sobre pilares éticos e principiológicos, públicos e privados, comunitários e particulares, bastante diferentes daqueles sob os quais as sociedades capitalistas – auto-afirmadas evoluídas – firmam-se.
fds Tratá-lo um ser humano como um ser político e coletivo por natureza, reafirmá-lo como livre e igual e fazê-lo fraterno e solidário, foi, senão os maiores, os grandes méritos da revolução e da reconstrução do Estado e da sociedade cubanos.
fds Tanto para aqueles que pensam Cuba como uma falida e falsa ilusão, como para aqueles que zombam por pretenderem-na o protótipo imaculado do paraíso, neste nosso sideral espaço virtual já nos debruçamos e pusemos a nu os gravíssimos erros de tais concepções (v. aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).
fds Ora, acreditar numa ou noutra definição, absoluta, é, antes de tudo, ser uma besta quadrada, pois, como tudo que transcende o dogmático, Cuba tem erros e acertos, é exemplo e mau-exemplo, é êxito e fracasso.
fds As propostas e as medidas de despedir meio milhão de trabalhadores estatais, de incentivar as pequenas iniciativas privadas, as cooperativas e os trabalhos autônomos, de absorver as evoluções tecnológicas, de reduzir ou eliminar gratuidades e subsídios indiscriminados, de ampliar o mercado interno, de promover o arrendamento de terras e de pequenos estabelecimentos a seus trabalhadores, de potencializar os seus recursos humanos altamente qualificados, de coprotagonizar as técnicas tributárias e monetárias, e de flexibilizar o trânsito de cidadãos. A grande meta – tardia, sublinhe-se – de tais políticas é recuperar a sustentabilidade e a eficiência da economia cubana, que vem se deteriorando aceleradamente desde a franca recuperação pós-Período Especial – como se denomina a época que se seguiu à queda da União Soviética – e, em especial, normalizar os efeitos causados pela hipertrofia do sistema comunista como projeto socialista.
fds Tais idéias – idéias postas em prática –, em nada, porém, se confundem com a perda do poder estatal, com a perda da propriedade pública sobre os meios de produção fundamentais e, principalmente, com a perda dos valores socialistas, tão impregnados na sociedade e tão cruciais para as políticas públicas do país.
fds E, por isso, tais transformações têm no protagonismo popular pluripartite (forças populares, sociais, sindicais, estatais etc.) o seu foco e a sua força causal, e não no tecnocracismo que despreza o consenso real e os interesses legítimos dos diversos atores sociais – bem distante, portanto, do que se costuma observar nas ditas "democracias ocidentais".
fds Nunca a definitiva solução ou a cega negação, o socialismo assente no comunismo cubano é um caminho, um caminho de todos e um camiño muito mais justo, sempre sob a inolvidável máxima que exige “de cada um segundo as suas capacidades e a cada um segundo as suas necessidades”...
fds As propostas e as medidas de despedir meio milhão de trabalhadores estatais, de incentivar as pequenas iniciativas privadas, as cooperativas e os trabalhos autônomos, de absorver as evoluções tecnológicas, de reduzir ou eliminar gratuidades e subsídios indiscriminados, de ampliar o mercado interno, de promover o arrendamento de terras e de pequenos estabelecimentos a seus trabalhadores, de potencializar os seus recursos humanos altamente qualificados, de coprotagonizar as técnicas tributárias e monetárias, e de flexibilizar o trânsito de cidadãos. A grande meta – tardia, sublinhe-se – de tais políticas é recuperar a sustentabilidade e a eficiência da economia cubana, que vem se deteriorando aceleradamente desde a franca recuperação pós-Período Especial – como se denomina a época que se seguiu à queda da União Soviética – e, em especial, normalizar os efeitos causados pela hipertrofia do sistema comunista como projeto socialista.
fds Tais idéias – idéias postas em prática –, em nada, porém, se confundem com a perda do poder estatal, com a perda da propriedade pública sobre os meios de produção fundamentais e, principalmente, com a perda dos valores socialistas, tão impregnados na sociedade e tão cruciais para as políticas públicas do país.
fds E, por isso, tais transformações têm no protagonismo popular pluripartite (forças populares, sociais, sindicais, estatais etc.) o seu foco e a sua força causal, e não no tecnocracismo que despreza o consenso real e os interesses legítimos dos diversos atores sociais – bem distante, portanto, do que se costuma observar nas ditas "democracias ocidentais".
fds Nunca a definitiva solução ou a cega negação, o socialismo assente no comunismo cubano é um caminho, um caminho de todos e um camiño muito mais justo, sempre sob a inolvidável máxima que exige “de cada um segundo as suas capacidades e a cada um segundo as suas necessidades”...
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
# aspas (xxvi)
Em formal visita da Organização Mundial da Saúde (OMS) à Cuba, a Diretora-Geral Margaret Chan traz a opinião da entidade sobre o sistema de saúde cubano (v. aqui).
Muita gente cortará os pulsos, ou falará que a cúpula da OMC recebe propina do governo cubano, que a Agência Reuteurs distorce as informações porque tem lucrativa parceria com o Granma, que toda a Diretoria da entidade passou todo o tempo embriagada de rum etc.
"(...) Chan said she toured Cuban medical facilities and came away impressed with the communist-led island's health system, which provides free care to all Cubans.
Citing its strong health indicators on such things as life expectancy and infant mortality, she said, 'in a country of this level of economic development, to be able to achieve those very good health indices is not easy'.
Cuba, she said, 'has the right vision and the right direction. Health is a state policy and health is seen as a right of the people'."
terça-feira, 6 de outubro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
# ao sul da fronteira
f
ffffdsSouth of the Border, eis o título do mais recente filme do cineasta Oliver Stone -- um dos mais premiados do cinema mundial, por, dentre outros, "Platoon", "Assassinos por Natureza", "Comandante" e "Nascido em 4 de Julho" --, que, na forma de documentário, (muito bem) retrata o atual momento da América Latina, liderada hoje, em muitos dos seus países, por governantes eleitos pelo povo e que promovem políticas públicas voltadas para os interesses do povo.
fffffdsEmbora também analise as conjunturas global e de outros países, com os respectivos governos de Brasil, Argentina, Equador, Bolívia, Paraguai e Cuba, o maior foco do filme é a Venezuela e seu atual comandante, Hugo Chávez, indubitavelmente um grande líder do bloco e talvez o precursor desta mais nova onda que, na verdade, muitos desejam tratar-se de o mais novo "tsunami de liberdade, igualdade e fraternidade", capaz de, como o próprio presidente venezuelano diz, "ser uma evidência concreta de que se é possível mudar o mundo e o curso da história".
fffffdsAbaixo você pode assistir ao trailer do filme e ter uma noção do porque dele ter sido tão aplaudido no recente Festival de Veneza, o terceiro maior festival de cinema do mundo.
ffffdsSouth of the Border, eis o título do mais recente filme do cineasta Oliver Stone -- um dos mais premiados do cinema mundial, por, dentre outros, "Platoon", "Assassinos por Natureza", "Comandante" e "Nascido em 4 de Julho" --, que, na forma de documentário, (muito bem) retrata o atual momento da América Latina, liderada hoje, em muitos dos seus países, por governantes eleitos pelo povo e que promovem políticas públicas voltadas para os interesses do povo.
fffffdsEmbora também analise as conjunturas global e de outros países, com os respectivos governos de Brasil, Argentina, Equador, Bolívia, Paraguai e Cuba, o maior foco do filme é a Venezuela e seu atual comandante, Hugo Chávez, indubitavelmente um grande líder do bloco e talvez o precursor desta mais nova onda que, na verdade, muitos desejam tratar-se de o mais novo "tsunami de liberdade, igualdade e fraternidade", capaz de, como o próprio presidente venezuelano diz, "ser uma evidência concreta de que se é possível mudar o mundo e o curso da história".
fffffdsAbaixo você pode assistir ao trailer do filme e ter uma noção do porque dele ter sido tão aplaudido no recente Festival de Veneza, o terceiro maior festival de cinema do mundo.
fds
quarta-feira, 18 de março de 2009
# eram 32 dentes...
No "blog do Macuco" (v. aqui), dispõe-se um dado estatístico triste e alarmante: só 40% da população usa escova de dente.
Sim, é verdade. Segundo uma pesquisa do Ministério da Saúde, mais da metade da população brasileira não usa escova de dente, número este (in)justificável pela falta de condições financeiras e de instrução da população. Acredite, se quiser...
Assim, enquanto no Brasil o "mercado" oferece escovas de dente grande, média, mini, da Minie, azul, roxa, de bolinha, de oncinha, com cerdas moles ou de plumas ou com vibrador, e cremes dentais de methol, de frutas silvestres, de pistache, verde-uva, superbranco, super-super branco, power-extra branco e outros, em Cuba, por outro lado, os mercadinhos (privados ou estatais) oferecem escovas e pastas magnificamente simples e eficientes, mas ao alcance de todos, pois o Estado ensina, exige e cuida do seu uso.
Sim, em Cuba, o ato de escovar os dentes e não tê-los podres não é privilégio de classe social.
Lá, há décadas, tem-se níveis de excelência em praticamente todos os dados relativos à saúde da população. Mas, coitada, não consegue oferecer a sua gente uma escova elétrica com cerdas de pelo de urso ou uma pasta com sabor de tâmaras maduras, veja só...
Sim, são por estas e outras que Cuba é destratada e menoscabada pelos idiotas de plantão que, sentados cada qual em seu barril, insistem nas maravilhas que o "mercado" pode proporcionar e nas agruras de uma vida sem um enorme corredor de supermercado com centenas de pastas e escovas para escolher.
O Estado? Ora, o Estado só nos atrapalha, só quer o nosso mal, o nosso sangue, a nossa alma! Vade retro! "Nos deixem sós!", brada a elite branca nacional.
Todavia, esquecem que apenas poucos brasileiros permitem-se essa freedom to choose, essa que é a maior cantilena neoliberal e que também vem refletida na pesquisa em comento, cuja realidade, estupidamente esquecida pela nossa burguesia, jamais a deixará a sós e em paz.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
# cuba libre
fds Amigos já me cobram manifestações acerca do grande evento comemorativo político do ano (talvez ao lado das votações para reformas nas Constituições de alguns países sul-americanos e da posse de Obama): os 50 anos da Revolução Cubana.
fds Não foi esquecimento, claro, e o fato certamente merecerá, durante todo o ano, diversos comentários por todos os cantos e para todos os gostos.
fds E, como o assunto é vasto e complexo, no decorrer deste mês iremos aos poucos comentando e analisando o que se passa, o que se passou e o que se passará na mais famosa ilha do mundo, onde, naquele janeiro de 1949, Fidel Castro, Raúl Castro, Ernesto Guevara e Camilo Cienfuegos lideraram a revolução.
fds Uma revolução que (i) decretou o fim de um governo não democrático -- em todos os sentidos -- de direita, dependente dos EUA, sem soberania político-econômico-cultural e no qual uma minoritária elite burguesa tinha tudo de tudo e o povo apenas uma mascarada liberdade para o nada, e (ii) que iniciou um governo democrático -- em todos os sentidos, salvo o ligado ao pluripartidarismo... -- de esquerda, acabando com os divinos privilégios da elite, com a luxúria das grande propeidades privadas e com hedonismo da secular burguesia nativa, finalmente libertando o povo da falta de cinco necessidades básicas fundamentais: comida, saúde, moradia, educação e segurança.
fds Uma revolução que (i) decretou o fim de um governo não democrático -- em todos os sentidos -- de direita, dependente dos EUA, sem soberania político-econômico-cultural e no qual uma minoritária elite burguesa tinha tudo de tudo e o povo apenas uma mascarada liberdade para o nada, e (ii) que iniciou um governo democrático -- em todos os sentidos, salvo o ligado ao pluripartidarismo... -- de esquerda, acabando com os divinos privilégios da elite, com a luxúria das grande propeidades privadas e com hedonismo da secular burguesia nativa, finalmente libertando o povo da falta de cinco necessidades básicas fundamentais: comida, saúde, moradia, educação e segurança.
fds Há 50 anos, Cuba passou a fazer parte da história.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
# aspas (vi)
Raúl Castro, Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da República de Cuba, em discurso no ato pelo aniversario de 50 anos da Revolución, em Santiago de Cuba, no dia primeiro de janeiro de 2009:
- "¡Nunca más volverán la miseria, la ignominia, el abuso y la injusticia a nuestra tierra! ¡Jamás regresará el dolor al corazón de las madres ni la vergüenza al alma de cada cubano honesto! Es la firme decisión de una nación en pie de lucha, consciente de su deber y orgullosa de su historia."
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
# sessão dupla: o gênio e o império
Nesta encamada terça-feira -- causada por uma febril gripe que, como um direto no queixo, me derrubou --, usei a tarde para assistir a dois documentários há tempos na estante: "Cartola" e "Sicko - $.O.$. Saúde", ambos excelentes.
O primeiro simplesmente brilhante, menos pelo filme, mas sim pela figura que representa este ícone da cultura nacional.
Ainda que com uma direção titubeante, consegue mostrar Cartola (e o samba, os seus mestres e a imortal Mangueira) a nu, sem eufemismo e com choques que traduzem melhor ainda a vida, num passado pouco remoto, dos grandes gênios da nossa maior música.
Um lindo espetáculo.
O segundo, de Michael Moore ("Fahrenheit 11/9" e "Tiros em Columbine"), mostra às claras o podre sistema de saúde "pública" estadunidense, a comparar o quão desumano é este capitalizado modelo, em especial quando comparado como o humano, ainda que pobre, sistema socializado vigente em boa parte do mundo, como, mostra ele, no Canadá, na França e... em Cuba! (ainda que, neste caso, com um certo exagero, quase ufanista...).
Ainda que com uma direção titubeante, consegue mostrar Cartola (e o samba, os seus mestres e a imortal Mangueira) a nu, sem eufemismo e com choques que traduzem melhor ainda a vida, num passado pouco remoto, dos grandes gênios da nossa maior música.
Um lindo espetáculo.
O segundo, de Michael Moore ("Fahrenheit 11/9" e "Tiros em Columbine"), mostra às claras o podre sistema de saúde "pública" estadunidense, a comparar o quão desumano é este capitalizado modelo, em especial quando comparado como o humano, ainda que pobre, sistema socializado vigente em boa parte do mundo, como, mostra ele, no Canadá, na França e... em Cuba! (ainda que, neste caso, com um certo exagero, quase ufanista...).
Em síntese, revela, em mais outro aspecto, como se resume o american way of life: cada um por si e o mercado por todos, num sistema de socialização dos custos e riscos e máxima privatização dos lucros.
Uma ignominiosa nojeira.
Uma ignominiosa nojeira.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
# oxalá
Obama foi eleito, o mundo viu e sorriu.
E agora perguntaram para José Saramago qual seria a primeira medida de governo que ele, um dos maiores intelectuais vivos, proporia ao futuro presidente dos EUA.
Eis o que ele respondeu (v. aqui):
"[d]esmontar a base militar de Guantánamo, mandar regressar os marines, deitar abaixo a vergonha que aquele campo de concentração (e de tortura, não esqueçamos) representa, virar a página e pedir desculpa a Cuba. E, de caminho, acabar com o bloqueio, esse garrote com o qual, inutilmente, se pretendeu vergar a vontade do povo cubano. Pode suceder, e oxalá que assim seja, que o resultado final desta eleição venha a investir a população norte-americana de uma nova dignidade e de um novo respeito, mas eu permito-me recordar aos falsos distraídos que lições da mais autêntica das dignidades, das quais Washington poderia ter aprendido, as andou a dar quotidianamente o povo cubano em quase cinquenta anos de patriótica resistência. Que não se pode fazer tudo, assim de uma assentada? Sim, talvez não se possa, mas, por favor, senhor presidente, faça ao menos alguma coisa. Ao contrário do que acaso lhe tenham dito nos corredores do senado, aquela ilha é mais que um desenho no mapa. Espero, senhor presidente, que algum dia queira ir a Cuba para conhecer quem lá vive. Finalmente. Garanto-lhe que ninguém lhe fará mal".
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
# oba?!
A vitória de Obama vai muita além do fútil oba-oba de sorriso amarelo da grande mídia nativa, como assim escreveu o grande uruguaio Eduardo Galeano, o primeiro cidadão ilustre do Mercosul (v. aqui) a exigir ponderada reflexão, ainda que se tenha tal eleição como um marco em termos de equilíbrio e igualdade racial.
Sim, o bloqueio (v. aqui) não cessará, como bem sabemos
"Obama provará no governo que suas ameaças de guerra contra o Irã e o Paquistão não foram mais do que palavras, proclamadas para seduzir ouvidos difíceis durante a campanha eleitoral?
Oxalá. E Oxalá não caia por nenhum momento na tentação de repetir as façanhas de George W. Bush. Ao fim e ao cabo, Obama teve a dignidade de votar contra a guerra do Iraque, enquanto Democratas e Republicanos ovacionavam o anúncio da carnificina.
Durante sua campanha, a palavra “leadership” foi a mais repetida nos discursos de Obama. Durante seu governo, continuará crendo que seu país foi escolhido para salvar o mundo, tóxica idéia que compartilha com quase todos seus colegas? Seguirá insistindo na liderança mundial dos Estados Unidos e na sua messiânica missão de mando?Oxalá esta crise atual, que está sacudindo os cimentos imperiais, sirva ao menos para dar um banho de realismo e de humildade a este governo que começa.
Obama aceitará que o racismo seja normal quando exercido contra os países que seu país invade? Não é racismo contar um por um os mortos dos invasores no Iraque e ignorar olimpicamente os muitíssimos mortos entre a população invadida? Não é racista este mundo onde há cidadãos de primeira, segunda e terceira categoria, e mortos de primeira, segunda e terceira?
A vitória de Obama foi universalmente celebrada como uma batalha ganha contra o racismo. Oxalá ele assuma, a partir de seus atos, tal formosa responsabilidade.
O governo de Obama confirmará, uma vez mais, que o Partido Democrata e o Partido Republicano são dois nomes de um mesmo partido?
Oxalá a vontade de mudança, que estas eleições consagraram, seja mais do que uma promessa e mais que uma esperança. Oxalá o novo governo tenha a coragem de romper com essa tradição de partido único, disfarçado de dois partidos, que, na hora da verdade, fazem mais ou menos o mesmo ainda que simulem uma disputa entre eles.
Obama cumprirá sua promessa de fechar a sinistra prisão de Guantánamo? Oxalá, e Oxalá acabe com o sinistro bloqueio a Cuba.
Obama seguirá acreditando que está certo que um muro evite que os mexicanos atravessem a fronteira, enquanto o dinheiro passa livremente sem que ninguém lhe peça passaporte? Durante a campanha eleitoral, Obama nunca enfrentou com franqueza o tema da imigração. Oxalá a partir de agora, quando já não corre o risco de espantar votos, possa e queira acabar com esse muro, muito maior e vergonhoso que o Muro de Berlim, e com todos os muros que violam o direito à livre circulação das pessoas.
Obama, que com tanto entusiasmo apoiou o recente presente de 750 bilhões de dólares aos banqueiros, governará, como é costume, para socializar as perdas e para privatizar os lucros. Temo que sim, mas oxalá que não.
Obama firmará e cumprirá o protocolo de Kyoto, ou seguirá outorgando o privilégio da impunidade à nação mais envenenadora do planeta? Governará para os automóveis ou para as pessoas? Poderá mudar o rumo assassino de um modo de vida de poucos no qual se rifam o destino de todos? Temo que não, mas Oxalá que sim.
Obama, primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos [bem como de qualquer outro país rico], concretizará o sonho de Martin Luther King ou o pesadelo de Condoleezza Rice? Esta Casa Branca, que agora é sua casa, foi construída por escravos negros. Oxalá ele não se esqueça disso, nunca."
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
# cuba (permanece) libre
A mostrar o grande – e sempre criticado – homem político que é, Fidel Castro reconheceu que o corpo venceu a sua alma e a sua mente e resolveu não dispor o seu nome para a próximas eleições cubanas, em março.
As seguintes palavras deverão ser talhadas em bronze: "A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré – repito – no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe", pois, após meio século comandando Cuba – e sendo intransigente às tantas novas ordens mundiais que, medusicamente, conseguem perverter o mundo –, Fidel não será mais, oficialmente, o próximo líder cubano.
Já foi dito e confirmo: é o único mito político vivo, talvez ao lado do sul-africano Nelson Mandela.
Não entrarei nos pormenores heroicos deste homem, deste país e desta gente; não explanarei sobre todas as questões que os cercam, do bem e ainda que heterodoxas; e, principalmente, não discorrei sobre quem foi, é e será este grande herói.
Na verdade, a presente observação serve apenas para, mais uma vez, aplaudir a sábia decisão de Fidel, que assim se qualifica por duas razões principais.
Primeiro, porque as "hienas" e os "abutres" de plantão não terão o gosto de ler (ou ouvir) que Fidel renunciou – uma manifestação patentemente negativa e que denotaria fraqueza. Sim, o que a imprensa golpista insiste em colocar nas manchetes é uma mentira, pois não há "renúncia".
Convém lembrar que a recusa em concorrer aos cargos de Comandante-Chefe e Presidente do Conselho de Estado em disputa nas próximas eleições não significa uma "renúncia" de Fidel. Não há renúncia, porque Fidel não "renuncia" ao poder – e isto está claro na sua carta-mensagem.
Repita-se, não se renuncia algo que (ainda) não se tem, à medida que haverá uma nova eleição em março para se eleger a nova direção do partido (e do país).
O fato de não querer disputar as próximas eleições, uma vez que teria condições (visto que fora um dos eleitos para o Parlamento) – e ainda que se pressuponha que, se candidato aos cargos máximos, seria certamente escolhido –, não significa uma renúncia, pois cumprirá até o fim o mandato que lhe outorgaram. Simplesmente reconheceu não ter mais condições físicas de disputar novas eleições, e, então, liderar o povo cubano e a frente alternativa global para algo diferente desta desigualdade, com mãos fortes e com inoxidáveis algemas para as mãos livres do mercado.
Segundo, porque as "hienas" e os "abutres" de plantão não terão o gosto de esperar a sua morte para pretenderem "tomar o poder" e "tornar livre o povo cubano". Sim, era isso que todos esperavam. Agora, com tal decisão, haverá uma transição natural do poder – logicamente que com todas as dificuldades naturais que qualquer mudança ocasiona –, talvez exercido na ponta por Raúl Castro – um dos poucos do grupo remanescente de 1953 –, e não acontecerá o que seria a pior coisa para Cuba (e para a humanidade), ou seja, o vácuo provocado pela sua morte, a possibilitar toda uma pressão internacional, maiormente da mídia e das "fiesp´s", pelo "necessário" (sic) desprezo aos princípios da soberania e da autodeterminação dos povos, e a ingestão estadunidense para, com seus tanques e yankees, "ocuparem" o comando geral.
Assim, com o grande comandante por perto, ainda ativo com a sua doutrina, a sua experiência e a sua voz, e a direção do estado cubano devida e tempestivamente preenchida – e não vacante, como causa certa (e crónica) de uma morte anunciada –, os ideólogos do pensamento único (e dos "restos" cubanos) deverão procurar outras freguesias para impor as suas idéias: quem sabe a China, destratando-a também por ter um partido único (o "Partido Comunista Chinês) e não gostar dessa pseudo-democracia ocidental...
Já foi dito e confirmo: é o único mito político vivo, talvez ao lado do sul-africano Nelson Mandela.
Não entrarei nos pormenores heroicos deste homem, deste país e desta gente; não explanarei sobre todas as questões que os cercam, do bem e ainda que heterodoxas; e, principalmente, não discorrei sobre quem foi, é e será este grande herói.
Na verdade, a presente observação serve apenas para, mais uma vez, aplaudir a sábia decisão de Fidel, que assim se qualifica por duas razões principais.
Primeiro, porque as "hienas" e os "abutres" de plantão não terão o gosto de ler (ou ouvir) que Fidel renunciou – uma manifestação patentemente negativa e que denotaria fraqueza. Sim, o que a imprensa golpista insiste em colocar nas manchetes é uma mentira, pois não há "renúncia".
Convém lembrar que a recusa em concorrer aos cargos de Comandante-Chefe e Presidente do Conselho de Estado em disputa nas próximas eleições não significa uma "renúncia" de Fidel. Não há renúncia, porque Fidel não "renuncia" ao poder – e isto está claro na sua carta-mensagem.
Repita-se, não se renuncia algo que (ainda) não se tem, à medida que haverá uma nova eleição em março para se eleger a nova direção do partido (e do país).
O fato de não querer disputar as próximas eleições, uma vez que teria condições (visto que fora um dos eleitos para o Parlamento) – e ainda que se pressuponha que, se candidato aos cargos máximos, seria certamente escolhido –, não significa uma renúncia, pois cumprirá até o fim o mandato que lhe outorgaram. Simplesmente reconheceu não ter mais condições físicas de disputar novas eleições, e, então, liderar o povo cubano e a frente alternativa global para algo diferente desta desigualdade, com mãos fortes e com inoxidáveis algemas para as mãos livres do mercado.
Segundo, porque as "hienas" e os "abutres" de plantão não terão o gosto de esperar a sua morte para pretenderem "tomar o poder" e "tornar livre o povo cubano". Sim, era isso que todos esperavam. Agora, com tal decisão, haverá uma transição natural do poder – logicamente que com todas as dificuldades naturais que qualquer mudança ocasiona –, talvez exercido na ponta por Raúl Castro – um dos poucos do grupo remanescente de 1953 –, e não acontecerá o que seria a pior coisa para Cuba (e para a humanidade), ou seja, o vácuo provocado pela sua morte, a possibilitar toda uma pressão internacional, maiormente da mídia e das "fiesp´s", pelo "necessário" (sic) desprezo aos princípios da soberania e da autodeterminação dos povos, e a ingestão estadunidense para, com seus tanques e yankees, "ocuparem" o comando geral.
Assim, com o grande comandante por perto, ainda ativo com a sua doutrina, a sua experiência e a sua voz, e a direção do estado cubano devida e tempestivamente preenchida – e não vacante, como causa certa (e crónica) de uma morte anunciada –, os ideólogos do pensamento único (e dos "restos" cubanos) deverão procurar outras freguesias para impor as suas idéias: quem sabe a China, destratando-a também por ter um partido único (o "Partido Comunista Chinês) e não gostar dessa pseudo-democracia ocidental...
Enfim, vê-se que hoje, em Cuba, não há espaço para essas "hienas" e esses "abutres", pois o terreno cubano ainda pertence aos seus leões que, não obstante a aposentadoria de um deles, buscam exemplarmente um mundo melhor para os seus filhos, hipossuficientes à carnificina do mercado desregrado e (auto)proclamado onipotente.
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