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terça-feira, 23 de junho de 2015

# alta fidelidade



Sou uma pessoas de listas.

De fazer listas para tudo, de tudo, com tudo.

Contudo, sempre atualizando, sempre remexendo, sempre cutucando para me convencer de que nelas não há engano.

Mas, de uns tempos pra cá, uma delas está a me perturbar muito.

É aquela que faço dos cinco maiores brasileiros vivos – o gênero é a praxe da língua –, na qual figuram, desde a morte do nosso genial Oscar, apenas Pelé, Lula, Chico e João Gilberto.

E diante dela, sem um dos nossos arquitetos do pensamento, relutava em fechá-la.

Entretanto, tem um pessoa que toda vez que vejo, que ouço ou que sei o que anda aprontando, me convence mais.

João Pedro Stédile, cérebro do maior movimento social do planeta – o MST – e um dos líderes globais da "Via Campesina", orgulhece o nosso país.

Aqui e aqui, as suas mais recentes missões, uma delas na Academia de Ciências do Vaticano, ambas a convite do Papa Francisco, para falar sobre a reinvenção da terra e os trabalhos dos sem-terra, inclusive nas áreas da educação e da agricultura, sempre desenvolvidas para o alcance de todos.

Nestas audiências com o Papa, as lições e ideias de Stédile serviram, inclusive, como base racional para a última e revolucionária encíclica papal, a Laudato sí (v. aqui).

Ainda, aqui apenas uma dentre as tantas ameaças de morte que este grande líder nacional tem sofrido -- e não percam, no vídeo, um já clássico discurso que recentemente fez contra a direita, trazendo à memória a clássica adjetivação de Evita Perón para os oligarcas argentinos; aqui, uma resposta ao que a elite racista e a direita acéfala tem insistentemente tentado dele falar, ainda mais quando, junto do MST, se aproxima dos governos progressistas latino-americanos.

E, por fim, aqui e aqui você pode saber o que grandiosa e verdadeiramente faz o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, sob a liderança histórica de Stédile.

Ele, em suma, é um sujeito gigante.

Mas a grande mídia, é claro, prefere associá-lo exclusivamente a um idiota qualquer que em algum ligeiro e tosco protesto queimou certos pés de rabanete no interior de um sítio bacana do rincão paulista.

Stédile, enfim, fecha a minha lista. 



Acima, o nó que Stédile insiste em desatar com os dentes.



sábado, 10 de outubro de 2009

# onze canários


fdAinda repercutem as nossas bulas "reis & magos" (v. aqui) e "58 vs. 70" (v. aqui), à medida que muitos emails contestam, viajam, xingam, concordam, sugerem e, finalmente, pedem a minha seleção amarelinha.
fdNa linha do que lá se expôs, devo indicar uma que mistura o que vi, o que não vi e o que vivi, num esquema 3-2-5, a merecer um asterisco*.
fd"Ah, mas este time não marca...", vem sempre a voz dissonante.
fdE então me conte: quantos zagueiros, laterais e volantes o time adversário precisaria ter para marcar a minha linha de frente?
fdAdemais, estamos a falar da Seleção Brasileira de Futebol, genial, brilhante e atacante, que não pode se limitar a conformação táticas e ideias defensivas.
fdEi-la:
fd(1) Gilmar dos Santos Neves;
fd(2) Djalma Santos, (3) Lúcio* e (6) Nilton Santos;
fd(4) Didi e (5) Gérson;
fd(7) Garrincha, (8) Ronaldo, (9) Romário, (10) Pelé e (11) Rivelino.
fdO treinador... João Saldanha.
 
fd* Além do Brasil não ser pródigo em mostrar unânimes zagueiros - os tempos de Domingos da Guia não podem contar -, o fato dele ser o único beque da nossa história que terá 3 Copas do Mundo como titular absoluto (2002, 2006 e 2010) deve pesar.


 
fds

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

# 58 vs. 70

fds Diante dos diversos emails que recebi e que comentaram a nossa bula "reis & magos" (v. aqui), podemos mesmo, num talvez pedante e leviano exercício comparativo, indicar a melhor seleção nacional de futebol da história?
fds Bem, já partamos das seguintes premissas, objetivas: as seleções que não venceram as respectivas Copas não merecem o título -- assim, a Hungria de 54, o Brasil de 50 e 82, as Holandas de 74-78 e a França de 82 estão fora -- e, tampouco, as seleções que não a disputaram, razão pela qual a Argentina da década de 40 -- considerada imbatível em tantos trabalhos jornalísticos que estudaram o futebol na época da Segunda Guerra -- também está eliminada.
fds Sob o aspecto subjetivo, como tivemos algumas seleções campeãs mundiais absolutamente esquecíveis (Uruguai de 30, Itália de 82 e 06, Alemanha de 90 e Brasil de 94), outras pouco empolgantes (Uruguai de 50, Argentina de 78 e França de 98) e outras pouco brilhantes (Inglaterra de 66 e Brasil de 02 ), restariam as Itálias de 34-38, o Brasil de 58, 62 e 70, a Alemanha de 54 e 74 e a Argentina de 86.
fds Bem, agora desclassifiquemos a Itália bicampeã mundial -- pois pouco se tem de concreto sobre ela, além do fato de, à época, o futebol ainda ser meio lúdico... --, ambas as Alemanhas -- já que, embora formada por estupendos craques (Fritz Walter, Rahn, Beckenbauer, Gerd Muller, Sepp Maier, Overath) e tenham, nas respectivas decisões, vencido duas máquinas de jogar futebol, a Hungria (54) e a Holanda (74), convenhamos que o futebol alemão nunca foi de se empolgar muito -- e a Argentina de 86 -- afinal, está aqui, neste rol, só por causa de Maradona, no seu espetacular auge.
fds Pronto. Sem qualquer (qualquer?) patriotismo ou exacerbado nacionalismo restam as seleções brasileiras de 58, 62 e 70. Eliminemos a segunda, pois era quase cópia da primeira, sem Pelé em sua boa parte, e ficamos com o Brasil de 58 vs. o Brasil de 70. E agora?
fds Talvez a maneira menos injusta de comparação seja fazê-la por posição, um a um, ainda que sobrem contestações sobre a real figura tática de cada jogador. Vamos lá:
fds 1. Goleiro: sem dúvida, Gilmar (58) era muito superior a Félix, o qual, embora realizador de alguns milagres em 70, costumava vacilar.
fds 2. Lateral direito: Djalma Santos, apesar de ter participado apenas da final -- pois ficou na reserva em todos os demais jogos --, foi titularíssimo dali em diante (e por mais duas Copas!) e Carlos Alberto foram os maiores do mundo na posição. Mas Djalma ganha por meio palmo.
fds 3. Beque central: Bellini e Brito. Ambos eram muito parecidos, mais voluntariosos que habilidosos, embora muito competentes. Bellini foi capitão de fato -- embora Brito também o fosse, mas sem braçadeira -- e tecnicamente melhor.
fds 4. Quarto zagueiro: Orlando e Piazza. Apesar deste ter muito mais classe que aquele, jogava fora de posição e não foi tão bem. Empate.
fds 6. Lateral esquerdo: Nilton Santos. Indiscutível e incomparável.
fds 5. Centro-médio: Zito e Clodoaldo. Apesar de excelente, Clodoaldo não era tão leão, tão tático e tão líder quanto Zito.
fds 8. Armador: Didi e Gerson. Ambos os comandantes dos dois times, ambos compositores impecáveis da bola, ambos modernos e artistas. Tem dias que acho que Didi foi melhor, noutros Gerson. Preferia ter os dois. Não dá? Não sei.
fds 10. Ponta-de-lança: Pelé em ambas. Numa, citius; noutra, fortius. Na primeira, genial; na segunda, gênio. Empate.
fds 7. Ponta-direita: Garrincha e Jairzinho. Apesar de Jairzinho ter sido um dos melhores jogadores da Copa de 70, Mané só vinha atrás de Pelé.
fds 9. Centroavante: Vavá e Tostão. Em 70, o craque Tostão jogou fora da sua posição real (ponta-de-lança), enquanto Vavá foi o matador, o artilheiro e o homem de referência na área. Foi inapelável quando o assunto era fazer gol. Empate, por justiça, embora preferisse o mineiro.
fds 11. Ponta-Esquerda: Zagalo e Rivelino. Aquele era meio europeu, muito obediente taticamente e pouco criativo. Riva foi mais brasileiro, menos obediente e muito mais brilhante.
fds Portanto, salvo na ponta-esquerda, em nenhuma outra posição o escrete de 70 supera a Seleção Brasileira de 58.
fdsfAo menos para mim, a melhor seleção de todos os tempos é a do Brasil de 1958.
fds