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quinta-feira, 5 de maio de 2016

# brazil, 2016



O surreal retrocesso que já vive o Brasil é de dar dó.

Afinal, apagar um estereótipo, se possível, leva um longo tempo... e reapagar?

Historicamente, nosso país sempre fora encarado como “não sério”, por inúmeras razões que não nos cabe descrever.

E foram décadas para, primeiro, assumir definitivamente o protagonismo político-econômico na América Latina; depois, o estratégico papel no BRICS, a posição de liderança na Organização Mundial do Comércio, a expoente atuação em vários organismos multilaterais, a importante presença nos espaços de conflitos globais...

Enfim, frutos de uma “nova visão” da comunidade internacional em relação ao Brasil, que passou a ser merecedor -- ao menos um pouco -- do respeito, porque com respeito tratava as suas instituições.

Contudo, agora joga-se na vala estes últimos vinte anos de uma quase transfiguração, prejudicando a credibilidade do país enquanto nação soberana (instabilidade política), país democrático (desordem institucional) e destino de recursos e investimentos (insegurança jurídica), como se flertasse com um cenário que mistura medievalismo e faroeste.

Hoje não há mais certeza, não há mais lógica, não há mais racionalidade, não há mais certeza de nada.

Pepe Mujica, recentemente, com certa ironia disse que foi um erro o Brasil ter liberado as imagens daquela fatídica e patética sessão dominical da Câmara (v. aqui), afinal, ali foram expostas, para toda a Oropa, França e Bahia, as vísceras de um poder parlamentar putrefato formado por uma maioria de cretinos e hipócritas, revelando, talvez, a maior República da Bananada do planeta.

Mais claro ainda, o mundo inteiro passa a perceber a motivação golpista de todo este processo de impeachment, porquanto absolutamente insustentável e ilegítimo, e de flagrante ruptura da ordem democrática.

Dizem, pois, se tratar de um “suicídio” do Brasil, a esta altura, admitir tamanha desconsideração pela ordem, pelo progresso e pelo Estado Democrático de Direito.

Não, não é suicídio.

Trata-se, sim, de “homicídio”, qualificado, cometido em coautoria pela oposição sem votos, pelas classes reacionárias brasileiras e pelos interesses geopolíticos internacionais.

Como sou um homem de fé, espero enlutado pela nossa ressureição, pela nossa re-existência.

E, blasfemo, farei de tudo para ajudar nesse processo.


Hieronymus Bosch, Christ's Descent Into Limbo, 1575.



segunda-feira, 6 de julho de 2015

# não!



Aprendi desde cedo com meus pais: nunca diga "amém" para tudo.

Ou seja, o "não!", por tantas vezes, é o melhor caminho; por vezes, a única saída.

No âmbito do Estado, particularmente o brasileiro, a conversa é outra: não se enfrenta, não se discute, não se questiona e não se pensa a coisa e sobre as coisas.

Pelo contrário, a regra é dobrar-se aos interesses privados, às vontades mesquinhas, ao oportunismo de umbigo (e pequeno burguês) de quem ocupa o cargo público para defender esse, exclusivamente esse, interesse.

É evidente que na história há exceções e se conhece casos e pessoas que, no poder, de tudo fizeram ou tentaram fazer para quebrar a corrente e distribuir o ouro, construindo alternativas, transformando o presente e fulminando a vontade bandida e secular, com todos os seus custos e ônus, por meios em cujo fim estaria uma nova sociedade.

Entretanto, acaba-se encarando com naturalidade -- pois politicamente aceitável (ou correto) -- o ajoelhar-se diante da realidade, o comer no prato de quem explora e a submissão a toda e qualquer regra imposta goela abaixo pelos donos do capital.

Ao cabo, as migalhas para o "social", o tal açúcar que doura a pílula deste modelo político-econômico, como metaforiza Mangabeira Unger.

E eis que ressurgem os gregos.

E eis que os gregos, diante das décadas de desespero sob os chicotes e as algemas da mesma turma de sempre, elegem a saída para a esquerda, como num resgate inesperado de uma reflexão filosófica milenar.

Sim, à esquerda, volver!

E o Syriza, o mais jovem, audacioso e intelectualizado partido político nacional, vence as eleições presidenciais de 2014.

Como primeira medida, esta esquerda, eleita para mudar tudo para que tudo mude -- ao contrário da proposta lampedusiana ("mude-se tudo para tudo permanecer como está") --, resolve estancar a sangria do povo grego, devastado socialmente.

Resolve, pois, enfrentar o tridente do capiroto (FMI, Banco Europeu e Comissão Europeia), a lógica neoliberal e, de uma só vez, acabar com os desmandos desequilibrados de Bruxelas e desafogar-se do mar alemão que dia a dia afundava gregos e troianos para o abismo.

Mas o Syriza, eleito para trazer a luz à tragédia grega, vai além.

E, diante da indigna "proposta" dos credores da absurda dívida pública helênica -- dívida essa que foi criada por culpa de uma pseudo-esquerda, de uma pseudo-União Europeia, de um pseudo-sistema de bem-estar social e, mais do que tudo isso, por culpa de um gigante esquema corrupto-rentista que, em 5 anos, transformou 100 bilhões em mais de meio trilhão de euros --, este seu governo energiza a democracia (ah, os gregos...) para convocar um plebiscito: "povo, nós recém-eleitos não queremos, mas, e vocês, aceitam a proposta que nos fizeram?"

E, neste domingo, um rotundo -- apud Leonel Brizola -- "NÃO" venceu (v. aqui).

Ora, chega de uma austeridade e de um servilismo atrozes que apenas alimentam o grande capital.

Chega de especuladores e de privilégios que se sustentam às nossas custas e pela nossa dor  e suor.

Chega de sangrarmos, assim escolheu grande parte do sofrido povo grego.

Este "NÃO" terá um custo, é claro.

Afinal, os donos do capital internacional e das rédeas europeias, em conluio com a plutocracia grega, não aceitarão tamanha rebeldia.

Mas será um custo superável, um custo temporário, um custo que em contrapartida resgata a estima e a dignidade de um povo usado e abusado por décadas e que dará o impulso para a reconstrução de uma nação.

E o resultado virá, alcançado por modelos alternativos de transformação institucional promovidos pelo transgressivo e progressista comando eleito grego.

Por aqui, enfim, urge ao PT mirar-se nas mulheres e nestes homens de Atenas.

Pois já é hora de entendermos, minha gente: na história, a obediência raramente compensa.






terça-feira, 14 de abril de 2015

# a arte de conviver sem se curvar



O reencontro entre Cuba e EUA, afora reforçar o fato de que o Papa Francisco -- arquiteto moral da reunião -- caminha para ser o mais importante líder religioso da história moderna, revela que "diplomacia" pode muito bem conviver com "soberania".

Cuba, com a medida, dá sinceras mostras de que quer -- porque precisa -- avançar e se adaptar à realidade do mundo, aos poucos reconhecendo que os cinquenta anos que se passaram desde a revolução tiveram, nesta dinâmica global, o efeito de uma "Era", cujo presente mostra um passado insustentável diante do cotidiano real e das necessidades virtuais dos seus mais ou menos jovens, que não querem só comida, diversão e arte (v. aqui).

A Ilha, pois, sabe que para sustentar o seu modelo de Estado precisa adequar-se à tese do revolucionário chinês Deng Xiaoping, na retomada pós-Mao: "não importa a cor do gato, desde que cace o rato"

Todavia, diante da sua história de audácia, resistência e bravura, Cuba certamente não haverá de se curvar a ponto de anular os seus tão caros valores nacionais e humanos.

Os Estados Unidos -- ou seriam apenas uns poucos democratas? --, muitos anos depois de convenientemente aceitarem (e sublimarem) China e Vietnan, já não veem mais sentido em continuar a desrespeitar Cuba e a sua autodeterminação popular, já não veem mais a mínima lógica em inventar uma cortina que separa os maus barbudos e os bons yankees e já não veem mais como agradar a imensa população hispânica que preenche os seus Estados fora de Miami.

Além disso, já veem os bons dividendos mercantis que o vizinho caribenho poderá lhe trazer, mitigando os efeitos negativos de uma preterição econômica e geopolítica, haja vista a notória ocupação de espaço do Brasil em todos os planos latinoamericanos. 

Mas, o motivo dos motivos, é outro (e para além do império tupiniquim): temem que os russos novamente cheguem primeiro, haja vista a intermitente "guerra fria" entre Tio Sam e Tio Putin que hoje parece retomar fôlego.

Em suma, uniram o externamente agradável ao internamente útil.

Entretanto, devem agora finalmente reconhecer a excrescência que é manter o abusivo e indecente bloqueio econômico -- um "ato de guerra", confessou a ONU --, que vai para muito além da mera vedação ao comércio bilateral -- algo que se poderia não contestar --, na qual se excetua apenas uma pequena lista de itens agrícolas e farmacêuticos.

O problema do negócio é que, como se vê aquiaqui e aqui, o embargo alcança indiretamente o mundo inteiro que comercializa com Cuba.

Ou seja, para os EUA a regra real desse bloqueio travestido de "embargo" é, tipo birra de colégio: se você fizer negócios com Cuba, não fará mais comigo".

Porém, a jurássica mídia, claro, não deixa qualquer espaço para se refletir o assunto -- e, muito menos, pensar sobre alternativas institucionais, sobre como se constroem sistemas de saúde e educação com um PIB ridículo (v. aqui e aqui), sobre como se obtêm índices de violência em níveis escandinavos  e, claro, sobre o grande estrago que faz o tal embargo.

Na real, esta grande imprensa apenas dá a sua imutável e jocosa versão para insistir na caricatura do negócio, de modo a bem entreter o seu público e os seus interesses, que como chapeuzinhos azuis gritam pelas estradas afora do Brasil coisas como "Vá pra Cuba!" ou pedem socorro diante de uma invasão "bolivariana".

Enfim, em que pese a questão principal não ter sido resolvida -- a manutenção do bloqueio econômico, repita-se --, já se pode dizer que a Política aparentemente venceu.

E as economias nacionais -- e, evidentemente, a economia mais fraca -- poderão aos poucos lograr os frutos deste arranjo.

Com os avanços que a abertura econômica e a livre comercialização global proporcionarão, o Estado cubano vai se permitir atualizar-se no tempo e no espaço, o que não significa abrir mãos de valores e de ideias (v. aqui).

Afinal, valores e ideias baseadas na dignidade humana e na igualdade social devem ser "atemporais" e "universais".

E, ao menos nisso, Cuba ainda é uma viva fonte de lições.



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

# eu não sou charlie



Vários dos sujeitos que produziam o panfleto intitulado "Charlie Hebdo" foram vítimas de brutal morticínio na manhã de hoje -- v. aquiaqui e aqui.

Obviamente, rechaça-se com veemência a violência, o modo máximo de censura e, pois, a atitude extrema dos muçulmanos acusados da autoria dos crimes -- ainda que paire dúvidas nisso (Al Qaeda?!), tamanho o avanço da ultradireita xenófoba e racista europeia que, disposta a tudo, muito colherá do episódio.

Absolutamente execrável, afinal, nada justifica desconsiderar o supremo direito à vida em nome seja lá de quem (e do que) for.

Nenhum dos artistas mereceu levar tiros. Ninguém, ninguém merece morrer. 

Entretanto, o que significa e quais os limites da tal "liberdade de expressão" (e "de imprensa")? 

Claro que isso conduz ao dilema sobre se há e quais seriam os limites da arte: a tipologia penal? A arquitetura social? As circunstâncias ideológicas? 

Não se irá muito à frente, contudo.

O limite aqui é o fato em si.

A que ponto os tais cartunistas satíricos, os desenhistas cômicos e os desbocados e destemidos jornalistas podem ir para alcançar a sua fama, a sua grana e a sua "liberdade"?

A que ponto qualquer um de nós pode chegar na sociedade propagando mensagens no mais baixo nível da chacota, do abjeto e, sim, do ódio, do "ódio a quem tem uma religião"?

A que ponto a religião, assente em dogmas e paixões divinais dos seres humanos, pode ser objeto do mais flagrante desrespeito e da mais profunda humilhação alheia?

Não sei se respondem a alguma ou a muitas ações judiciais, mas, quem se importa, se tais "artistas", mesmo usando palavras e desenhos que ofendiam meio mundo -- tudo em prol de uma onisciência ocidental e dos seus superiores valores --, continuavam dispondo de muita mídia e de muitos anunciantes? Sabe-se bem, esta é uma tática velha e conhecida, inclusive por aqui muito abusada.

É claro que pagar com a própria vida não tem cabimento, mas a turma do "Charlie Hebdo" -- e qualquer um -- não tem o direito de expor ao planeta afora mensagens expressas, diretas e exclamativas que soam como um "fascismo às avessas", desgraçando a fé de bilhões em prol de um fanatismo ateu.

Será que é aceitável desenhar judeus esquálidos em fila indiana a caminho de um forno de pizza?

Será que é aceitável desenhar Deus levando uma cenoura no traseiro, em tom de galhofa e com uma mensagem engraçadinha ao lado? Ou Jesus Cristo, ou Nossa Senhora, sob as mais baixas cenas e os mais vis diálogos? (v. aqui ou aqui)

Será que é aceitável desenhar Alá sendo estuprado por um camelo, com uma legenda estúpida embaixo? Ou Maomé pelado, de quatro e sob as mais torpes piadas? (v. aqui)

Será que tudo isso é aceitável sem se atropelar os direitos humanos, o direito humano à fé? 

Será que um cristão fanático ou um judeu ortodoxo também aceita isso tudo que o bando do jornal francês babaca vem criando? Finge aceitar? A que preço?

Enfim, o contexto todo torna muito complexa a reflexão e a análise, muito longe de simplismos, reducionismos e rasas conclusões.
 
Afinal, jamais se tolera ou admite uma chacina como a de hoje.

Entretanto, também já está na hora desta turma toda que não vê limites pela audiência (e expressão) repensar os seus conceitos, os seus modos e as suas ações.

Ofender quem quer que seja não pode ser tolerável -- é a ética do respeito e a consciência fundamental da responsabilidade que exigem serem lembradas.

Muito pior, ofender o que há de mais sagrado e intangível para bilhões de cristãos, muçulmanos ou judeus é inadmissível.

E também não tem graça alguma.




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

# sapos me mordam


fds E, lá fora, vê-se a chuva de 600 bilhões de dólares.
fds Deste último (e já decadente?) império, nada original: simplesmente imita-se o que as potências do Antigo Oriente, Roma e os grandes países coloniais-navegadores (Portugal, Espanha, Inglaterra e Holanda) outrora fizeram, liquidando a sua moeda para (tentar) liquidar a sua gigantesca dívida, que só a interna atinge os estratosféricos 14 trilhões de dólares, cujas cifras nem mais o Tio Patinhas -- muito menos o Tio Sam -- suporta.
fdsComo? Para reduzir a proporção de "ouro" (valor) na cunhagem ("valorização") das moedas, fabricam dinheiro e despejam na praça milhares de milhões de dólares, dólares e mais dólares, a fazer dessa espécie meras notas de um "Banco Imobiliário".
fds Tudo falso, absolutamente falso -- como, a propósito, é bem o american way of life.
fds E os EUA exportam inflação para o mundo inteiro, para reduzir sua gigantesca dívida, pagando os credores com dólares desvalorizados.
fds Mais do que isso, o dólar depreciado faz crescer as exportações norte-americanas e prejudica as nações que exportam para os EUA, cuja predatória prática muito bem remonta à depressão mundial dos anos 30.
fds E, ainda, além de desestabilizar o câmbio e o comércio, o tsunami de moeda estadunidense invade os mercados emergentes, na busca do fácil dinheiro dos viciados cassinos financeiros, cujo efemeridade dos "investimentos" detonam as economias domésticas.
fds Diante de todo o cenário, a chuva de dinheiro certamente se confunde com aquela chuva que dramatiza o final do filme "Magnólia".
fds Afinal, lá e cá fazem todo o sentido.


 
 
 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

# cinema, ja mein herr!


Reza a lenda que, certa feita, Carlos V (Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, no séc. XVI), ao discorrer sobre as línguas faladas aos arredores, disse mais ou menos assim: "o italiano é para se falar com os amigos; o francês, com a mulher amada; o alemão, com os soldados; o latim, com Deus; e o húngaro com o diabo".

Lembrei-me desta frase ao assistir o belíssimo filme "A Fita Branca", outro da grande safra do cinema alemão deste nascente século.

Mas, diferentemente do que sustentou aquele imperador, tudo no filme soa muito bem, inclusive o som dos diálogos, num suave alemão.

Após a grande (e já longínqua) fase do "expressionismo", eis que o cinema germânico parece ter alcançado um dos seus melhores momentos, ao menos em termos de audiência e de proposta cinematográfica que se faz chegar até nós, pequenos e esquecidos consumidores da sétima arte.

E, numa rapidíssima retrospectiva, não me furto a indicar 10 filmes absolutamente imperdíveis, cujos nomes e anos seguem abaixo, em ordem de apresentação do mosaico (e não de minha preferência).

Diminua a pipoca, não dispense fosfato, ajeite o encosto, relaxe o cinto e... Gute Fahrt!
 
E melhor: você não precisará se sentir recebendo ordens ou chamados militares.

Afinal, o cinema transcende e relativiza qualquer língua.
 



fdsf1 - "A Vida dos Outros" (2006).
fdsf2 - "Corra Lola, Corra" (1999).
fdsf3 - "A Fita Branca" (2009)
fdsf4 - "Adeus, Lênin" (2004).
fdsf5 - "Os Falsários" (2008).
fdsf6 - "O Complexo Baader-Meinhoff" (2008).
fdsf7 - "Edukators (2004).
fdsf8 - "A Queda - os Últimos Dias de Hitler" (2004).
fdsf9 - "A Onda" (2008).
fdsf10- "Do Outro Lado" (2007).
fdsf

 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

# maus samaritanos


fdsEstou a ler "Maus Samaritanos: O mito do livre comércio e a história secreta do capitalismo", do sul-coreano Ha-Joon Chang. E é recomendadíssimo.
fdsHa-Joon Chang, professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, é um dos mais eminentes críticos das políticas neoliberais em voga desde a década de 80. Mas, mais do que isso, participou do renascimento da Coréia do Sul, um país que, em trinta anos, saiu da miséria, da ignorância e da falta de tudo para se tornar um dos mais emergentes países neo-desenvolvidos.
fdsE foi com a sua "teoria da política econômica institucionalista-industrial" que aquele país asiático conseguiu eficazmente desenvolver e trilhar um caminho entre o "planejamento" (?) central soviético e o "livre mercado" (?) estadunidense.
fdsComo ele mesmo afirma, não é um anticapitalista; todavia, é sim um intenso e inveterado crítico do sistema. E, por isso, um fiel defensor das alternativas ideias e políticas implementadas ou tentadas por diversos países asiáticos e latino-americanos, e, claro, um severo crítico do pensamento único assente no malfadado modelo estadunidense.
fdsMuito do que disse já foi lido, relido, dito e redito -- como, afinal, (quase) tudo que advém dos neokeynesianos. Porém, o que anima é ler e saber o que tem a dizer um economista com tal perfil acadêmico e profissional, e com tamanhos resultados práticos.
fdsO livro serviu de mote para a sua mais recente obra -- "23 Things They Don't Tell You About Capitalism" --, na qual assevera (e demonstra), dentre outras coisas, que não existe livre mercado, que as companhias não deveriam ser administradas segundo os interesses de seus donos, que tornar pessoas ricas mais ricas não enriquece o restante das pessoas, que os Estados Unidos não têm o melhor padrão de vida do mundo, que maior estabilidade macroeconômica não tornou a economia mundial mais estável e que o governo pode escolher os ganhadores.
fdsAssim, mostra-se mais uma vez que muitos dos admiradores e defensores do sistema estão convencidos de que sabem o que é e como funciona o capitalismo. Mas estão enganados, como de novo os mitos e as meias verdades são desmascaradas.
fdsE, ao cabo, com tais premissas desconcertadas, também mostra que a Coreia do Sul aplicou todas as receitas que os países ricos (e mendazes) dizem que não se deve aplicar: subsídios, protecionismo, planos estatais, intervencionismo... E, justamente por isso, tornou-se um outro país.
fdsEm, repita-se, meros trinta anos.


fds

terça-feira, 2 de março de 2010

# status ante


"Estatização" era coisa de quem comia criancinha.

Agora, é a saída para a salvação da saúde dos estadunidenses, para a recuperação dos bancos europeus e japoneses, para a sobrevivência das indústrias extrativas latinas e asiáticas, para a eficácia dos serviços de banda larga no Brasil...


 

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

# aspas (xxvi)



Em formal visita da Organização Mundial da Saúde (OMS) à Cuba, a Diretora-Geral Margaret Chan traz a opinião da entidade sobre o sistema de saúde cubano (v. aqui).

Muita gente cortará os pulsos, ou falará que a cúpula da OMC recebe propina do governo cubano, que a Agência Reuteurs distorce as informações porque tem lucrativa parceria com o Granma, que toda a Diretoria da entidade passou todo o tempo embriagada de rum etc.

   "(...) Chan said she toured Cuban medical facilities and came away impressed with the communist-led island's health system, which provides free care to all Cubans.
   Citing its strong health indicators on such things as life expectancy and infant mortality, she said, 'in a country of this level of economic development, to be able to achieve those very good health indices is not easy'.
   Cuba, she said, 'has the right vision and the right direction. Health is a state policy and health is seen as a right of the people'."



sábado, 4 de julho de 2009

# e você, tem fome de quê?


Segundo a FAO -- braço da ONU para "Alimentação e Agricultura" --, a população mundial de pessoas famintas aumentou em quase 100 milhões desde o ano passado, alcançando 1,02 bilhão; ou seja, uma em cada 6 pessoas passa fome no mundo.

Em relatório divulgado nesta quinta em Roma (v. aqui), a FAO observa que quase toda a população de pessoas subnutridas vive atualmente nos países em desenvolvimento. De acordo com as estimativas da entidade, desses mais de 1 bilhão de famintos, 642 milhões vivem na região da Ásia e do Pacífico e 265 milhões na África subsaariana.

Em relação ao último ano, a entidade anuncia que a população mundial de pessoas famintas aumentou em quase 100 milhões.

As razões divulgadas? Segundo a FAO esse aumento deve-se a uma combinação da crise financeira internacional com a persistente elevação dos preços dos alimentos. Ao anunciar o dado, o diretor-geral da entidade, Jacques Diouf, advertiu que a crise alimentar "representa um grave risco para a paz e a segurança no mundo".

As razões recôndidas?

A péssima distribuição de renda (e de alimentos) do mundo e o protecionismo dos países ricos.


 

sábado, 13 de dezembro de 2008

# infernos fiscais


fdsO (quase) caos provocado pela internacionalização e pela liberdade sem limites do capital financeiro aponta outra incongruência destes tempos pós-modernos.
fdsÉ a existência incólume (e, fingem, despercebida) dos "infernos fiscais" -- hipocritamente chamados de paraísos... --, ou seja, ridículos países-colônias que, além de obscenas vantagens tributárias, existem com o maior objetivo de oferecer um padrão de sigilo e de desregulamentação que facilita, favorece e fomenta práticas de ocultação de patrimônio e que permite limpar o dinheiro para outros centros, sob a tutela (e a conveniência) das suas quase "metrópoles".
fdsEssa movimentação "deslavada" -- com o perdão do trocadilho... --, que existe para que os mais ricos possam escapar às suas obrigações fiscais (e sociais) e para que as grandes empresas possam realizar tantas e ilegais operações que escondam os seus lucros, exige novas regras, pois se mostra gravíssima a presente realidade que, medusicamente, atrai e estimula o fluxo de capitais por tais espaços de impunidade, grandes agentes de fraudes e verdadeiros "buracos negros" do capitalismo pós-moderno.
fdsEnfim, já chega a inadiável hora das organizações internacionais -- como a OCDE, a UNCTAD, a ECOSOC e mesmo a OMC -- intervirem nesses "Estados-lavanderias" e proibirem as vigentes regras de absoluto sigilo fiscal-financeiro que ilegítima e imoralmente beneficiam bandidos físicos e jurídicos, a fim de, doravante, extirpar estes antros do pecado e da maldade -- atributos infernais, e não paradisíacos -- e permitir a mínima segurança institucional ao nosso planeta.


 

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

# salvem os mercados emergentes


Muito pertinente o último artigo de Dani Rodrik, responsável pela cadeira de Economia Política da Universidade de Harvard, e que ora reproduzimos:

Se o mundo fosse justo, a maioria dos mercados emergentes estaria assistindo a crise financeira que engolfa as economias mais avançadas do mundo à distância - se não completamente sem serem afetados, tampouco demasiadamente preocupados. Para variar, o que incendiou os mercados financeiros não foram os excessos dos mercados financeiros, mas os de Wall Street.
As posições fiscais e externas dos mercados emergentes têm se mostrado mais fortes do que nunca, graças às duras lições aprendidas com suas próprias histórias propensas a crises. Poderíamos até ter permitido a esses países uma certa dose de prazer malicioso pelas dificuldades dos Estados Unidos e demais países ricos, exatamente como teríamos esperado que garotos sentissem um prazer perverso por seus pais se meterem nos mesmos tipos de encrenca contra as quais os pais advertem os seus filhos tão obstinadamente.
Em vez disso, os mercados emergentes estão sofrendo convulsões financeiras de proporções possivelmente históricas. Já não se teme que eles sejam incapazes de se isolar. Teme-se que suas economias possam ser tragadas para dentro e crises muito mais profundas do que as que serão experimentadas no epicentro da derrocada do “sub-prime”.
Alguns destes países deveriam ter se precavido e deveriam ter se protegido antes. Há poucas desculpas para a Islândia, que basicamente se transformou num fundo de hedge altamente alavancado. Vários outros países na Europa Central e Oriental, como Hungria, Ucrânia e os Estados bálticos, também estavam vivendo perigosamente, com vastos déficits em conta corrente e com empresas e famílias acumulando enormes dívidas em moeda estrangeira. Sempre poderemos contar com a Argentina, o menino travesso do sistema financeiro internacional, para que produza um truque para apavorar os investidores - nesse caso, uma nacionalização dos seus próprios fundos de pensão.
Os mercados financeiros, porém, fizeram pouca distinção entre esses países e outros como México, Brasil, Coréia do Sul ou Indonésia, que até há poucas semanas pareciam ser modelos de vigor financeiro.
Vejamos o que aconteceu com a Coréia do Sul e o Brasil. Os dois países experimentaram crises cambiais no passado recente - a Coréia do Sul em 1997-1998 e o Brasil em 1999 - e ambos subseqüentemente adotaram medidas para elevar a sua resistência financeira. Eles reduziram a inflação, deixaram suas moedas flutuar, acumularam superávits externos ou pequenos déficits e, o que é mais importante, acumularam montanhas de reservas cambiais (que agora excedem tranqüilamente as suas dívidas externas de curto prazo). O bom comportamento financeiro do Brasil foi recomendado já em abril deste ano, quando o Standard & Poor´s elevou a sua nota de crédito para nível de investimento (a Coréia do Sul já obteve nível de investimento há anos).
Apesar disso, ambos estão sendo duramente castigados nos mercados financeiros. Nos dois meses passados, suas moedas perderam cerca de 25% do seu valor ante o dólar dos EUA. Seus mercados de ações declinaram bem mais (40% no Brasil e 33% na Coréia do Sul). Nada disso pode ser explicado pelos fundamentos econômicos. Os dois países experimentaram um período de crescimento robusto recentemente. O Brasil é um exportador de commodities, ao passo que a Coréia do Sul não é. A Coréia do Sul depende enormemente de exportações a países ricos, e o Brasil, bem menos.
Estes e demais países emergentes são vítimas de uma corrida racional rumo à segurança, exacerbada por um pânico irracional. As garantias públicas que os países ricos estenderam aos seus setores financeiros expuseram de forma mais clara a linha crítica demarcatória existente entre ativos “seguros” e “arriscados”, sendo que os mercados emergentes estão claramente nesta última categoria. Os fundamentos econômicos ficaram pelo caminho.
Para piorar as coisas, os mercados emergentes são privados da única ferramenta que os países adiantados empregaram para estancar os seus próprios pânicos econômicos: recursos fiscais internos ou liquidez interna. Os mercados emergentes necessitam de moeda estrangeira e, portanto, de apoio externo.
O que precisa ser feito está claro. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e os bancos centrais do G-7 precisam atuar como emprestadores globais de última instância e fornecer liquidez ampla - rapidamente e com poucas restrições - para apoiar as moedas dos mercados emergentes. A dimensão da provisão de recursos necessária provavelmente chegará a centenas de bilhões de dólares dos EUA, e superará tudo o que o FMI já tenha feito até agora. Mas não há nenhuma escassez de recursos. Se for preciso, o FMI poderá emitir direitos especiais de saques (SDRs) para gerar a liquidez global necessária.
Além disso, a China, que detém quase US$ 2 trilhões em reservas cambiais, deve ser parte desta missão de resgate. O dinamismo da economia chinesa é extremamente dependente das exportações, que poderão sofrer muito com um colapso dos países emergentes. Na verdade, a China, com sua necessidade de crescimento elevado para pagar pela paz social, pode ser o país que mais corre risco com uma grave queda na atividade econômica global.
O interesse próprio indisfarçado também deve convencer os países avançados. O colapso continuado das moedas dos mercados emergentes e suas conseqüentes pressões comerciais lhes dificultarão ainda mais a tentativa de impedir um aumento substancial nos níveis da taxa de desemprego. Na ausência de um escudo para as finanças dos países emergentes, o cenário apocalíptico de um ciclo vicioso protecionista que relembra a década de 1930 já não pode ser descartado.
O Federal Reserve (Banco Central americano) e o Fundo Monetário Internacional já tomaram algumas medidas positivas. O Fed criou uma linha de swap para quatro países (Coréia do Sul, Brasil, México e Cingapura), de US$ 30 bilhões cada. O FMI anunciou uma nova linha de curto prazo para um número limitado de países com boas políticas. A dúvida é se essas iniciativas serão suficientes e o que acontece com os países que não poderão se beneficiar destes programas.
Haverá muito tempo para debater um novo Bretton Woods e a construção de um aparato regulador global.
A prioridade por enquanto é salvar os mercados emergentes das conseqüências da insensatez financeira de Wall Street.


 

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

# oba?!


A vitória de Obama vai muita além do fútil oba-oba de sorriso amarelo da grande mídia nativa, como assim escreveu o grande uruguaio Eduardo Galeano, o primeiro cidadão ilustre do Mercosul (v. aqui) a exigir ponderada reflexão, ainda que se tenha tal eleição como um marco em termos de equilíbrio e igualdade racial.

Sim, o bloqueio (v. aqui) não cessará, como bem sabemos

"Obama provará no governo que suas ameaças de guerra contra o Irã e o Paquistão não foram mais do que palavras, proclamadas para seduzir ouvidos difíceis durante a campanha eleitoral?
Oxalá. E Oxalá não caia por nenhum momento na tentação de repetir as façanhas de George W. Bush. Ao fim e ao cabo, Obama teve a dignidade de votar contra a guerra do Iraque, enquanto Democratas e Republicanos ovacionavam o anúncio da carnificina.
Durante sua campanha, a palavra “leadership” foi a mais repetida nos discursos de Obama. Durante seu governo, continuará crendo que seu país foi escolhido para salvar o mundo, tóxica idéia que compartilha com quase todos seus colegas? Seguirá insistindo na liderança mundial dos Estados Unidos e na sua messiânica missão de mando?Oxalá esta crise atual, que está sacudindo os cimentos imperiais, sirva ao menos para dar um banho de realismo e de humildade a este governo que começa.
Obama aceitará que o racismo seja normal quando exercido contra os países que seu país invade? Não é racismo contar um por um os mortos dos invasores no Iraque e ignorar olimpicamente os muitíssimos mortos entre a população invadida? Não é racista este mundo onde há cidadãos de primeira, segunda e terceira categoria, e mortos de primeira, segunda e terceira?
A vitória de Obama foi universalmente celebrada como uma batalha ganha contra o racismo. Oxalá ele assuma, a partir de seus atos, tal formosa responsabilidade.
O governo de Obama confirmará, uma vez mais, que o Partido Democrata e o Partido Republicano são dois nomes de um mesmo partido?
Oxalá a vontade de mudança, que estas eleições consagraram, seja mais do que uma promessa e mais que uma esperança. Oxalá o novo governo tenha a coragem de romper com essa tradição de partido único, disfarçado de dois partidos, que, na hora da verdade, fazem mais ou menos o mesmo ainda que simulem uma disputa entre eles.
Obama cumprirá sua promessa de fechar a sinistra prisão de Guantánamo? Oxalá, e Oxalá acabe com o sinistro bloqueio a Cuba.
Obama seguirá acreditando que está certo que um muro evite que os mexicanos atravessem a fronteira, enquanto o dinheiro passa livremente sem que ninguém lhe peça passaporte? Durante a campanha eleitoral, Obama nunca enfrentou com franqueza o tema da imigração. Oxalá a partir de agora, quando já não corre o risco de espantar votos, possa e queira acabar com esse muro, muito maior e vergonhoso que o Muro de Berlim, e com todos os muros que violam o direito à livre circulação das pessoas.
Obama, que com tanto entusiasmo apoiou o recente presente de 750 bilhões de dólares aos banqueiros, governará, como é costume, para socializar as perdas e para privatizar os lucros. Temo que sim, mas oxalá que não.
Obama firmará e cumprirá o protocolo de Kyoto, ou seguirá outorgando o privilégio da impunidade à nação mais envenenadora do planeta? Governará para os automóveis ou para as pessoas? Poderá mudar o rumo assassino de um modo de vida de poucos no qual se rifam o destino de todos? Temo que não, mas Oxalá que sim.
Obama, primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos [bem como de qualquer outro país rico], concretizará o sonho de Martin Luther King ou o pesadelo de Condoleezza Rice? Esta Casa Branca, que agora é sua casa, foi construída por escravos negros. Oxalá ele não se esqueça disso, nunca."

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

# o futuro (do presente) da crise em cadeia


Antes que nos últimos dias os governos dos Estados Unidos e da Europa se pusessem a liberar dinheiro para salvar bancos e grandes empresas, em julho, Ignácio Ramonet, diretor do jornal "Le Monde Diplomatique", havia escrito o artigo "Las Tres Crisis", no qual asseverava que, "por vez primera en la historia económica moderna, tres crisis de gran amplitud -- financiera, energética, alimentaria -- están coincidiendo, confluyendo y combinándose. Cada una de ellas interactúa sobre las demás. Agravando así, de modo exponencial, el deterioro de la economía real".

Para Ramonet, um dos fundadores do Fórum Social Mundial, por mais que as autoridades atuem, o mundo está frente a um verdadeiro terremoto econômico de magnitude inédita, cujos efeitos sociais apenas começam a ser sentidos, podendo ser detonados com toda violência nos próximos meses -- "[l]o peor nunca es seguro y la numerología no es una ciencia exacta, pero el año 2009 bien podría parecerse a aquel nefasto 1929...”.

Ainda, lembra que no mundo de hoje até a agricultura se transformou em algo extremamente financeiro, sendo um momento definitivo para os Estados e os cidadãos del otro lado del río -- como já o começa a fazer a América Latina e o G-20 -- dizerem “¡Basta!” para este saldo deplorável "que deja un cuarto de siglo de neoliberalismo: tres venenosas crisis entrelazadas" (v. aqui).





segunda-feira, 28 de abril de 2008

# não leia, nem veja


Reproduzimos a seguir o que extraímos do site da Fundação Mario Soares, escrito pelo próprio ex-Presidente e ex-Primeiro Ministro português - um dos grandes líderes da Revolução dos Cravos que, em 1974, acabou com a ditadura, de inspiração fascista, comandada pelos militares e pela "direita" portuguesa -, e que data de 25 de fevereiro de 2008:

“Quem ler os jornais, cheios de faits divers e de escândalos e seguir as televisões, parece que o Brasil está à beira de um colapso. Casos de corrupção, de violência nas cadeias e nas favelas, insegurança generalizada. Ora, não é assim. O Brasil está hoje na maior, para usar uma expressão bem brasileira. A inflação é baixa e está totalmente controlada. O emprego tem subido espectacularmente. A pobreza extrema diminuiu sensivelmente. O Brasil pagou as suas dívidas externas e dispensou os auxílios do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. O real tem uma cotação próxima do dólar. As exportações aumentaram 162 bilhões de dólares nos últimos 12 meses (o maior valor histórico). As reservas internacionais subiram a 162,9 bilhões nos últimos doze meses. Os investimentos externos no Brasil crescem há 14 trimestres consecutivos. Não quero maçar os leitores com os números. Direi tão só que a qualidade de vida dos brasileiros tem vindo a aumentar significativamente. Há um aumento de renda que permite aos mais pobres comprarem frigoríficos, máquinas de lavar, televisões, etc. A agricultura cresceu. Os programas "bolsa de família" e "luz para todos" têm sido um êxito reconhecido. E os brasileiros estão francamente otimistas, quanto ao futuro, como revelou uma sondagem muito completa divulgada, quando eu estava no Brasil. Lula aparece no auge da sua popularidade. Como dizem os brasileiros, com uma expressão característica: "o Brasil está a dar certo"! Não é só um "país emergente". Tornou-se, realmente, numa grande potência. O que representa um enorme orgulho para Portugal e um parceiro insubstituível. Longe vão os tempos em que, com Stefan Zweig, se escrevia: "Brasil, país de futuro". Hoje é uma incontornável realidade!”