Mostrar mensagens com a etiqueta tarso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tarso. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de março de 2014

# desassossego


Assombra a Europa e o Norte global, em geral, um sentimento de exaustão política e intelectual que traduz em uma incapacidade de enfrentar, de modo minimamente inovador, os desafios da justiça social, econômica, ambiental, cultural e histórica que interpelam o mundo (desenvolvido e em desenvolvimento) nas primeiras décadas do séc. XXI.

Razão pela qual é do Sul de onde se espera, na sua imensa diversidade, a proficuidade de planos e propostas, de modo a se assumir como o mais promissor ente inotrópico global e o mais fértil campo de inovação política, econômica e social.

E sob estas inquietações surgiu o projeto "Alice" (v. aqui), comando pelo Prof. Boaventura de Souza Santos, da Universidade de Coimbra, e financiado pelo Conselho Europeu para Investigação, com o fim de pensar, discutir e propor alternativas institucionais, políticas e econômicas para estes nossos novos (e necessariamente novos) tempos – na esteira, inclusive, do que está a propor o Prof. Carlos Sávio Teixeira, no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFF.

Deste projeto de ideias, colhe-se no programa os ensaios denominados "Aprendizagens Globais - Conversas do Mundo", cujo propósito é, literalmente, rodar o planeta com o objetivo de (re)pensar todo este estado das coisas para desenvolver novos paradigmas teóricos e políticos de transformação social.

Deles, trago a conversa do Prof. Boaventura com o Gov. Tarso Genro, um dos importantes "intelectuais orgânicos" do Brasil – ao menos no sentido de altitude de voo (Prefeito, Governador e Ministro de Estado) –, na qual se percebe, claramente, que na hora em que a porca torce o rabo o buraco é mais embaixo.

E, mais uma vez, não obstante as diversas ideias em construção no Rio Grande do Sul, basta querer ver para reparar a quantos anos-luz o Partido dos Trabalhadores (PT) está de promover uma revolução institucional, de construir reformas políticas, econômicas e sociais que efetivamente rompam com as lógicas do cruel sistema vigente.

Como também restam absolutamente claras as profundas dificuldades da práxis acompanhar o discurso teórico e as soluções acadêmicas, apresentadas com mais ou menos profusão, com mais ou menos criatividade, com mais ou menos praticidade mundo afora.

Ao cabo, Tarso Genro dignifica seus altos cargos ocupados e a sua intelectualidade "um político satisfeito é um político medíocre", ensina ele , mas vê dificuldades em suportar as indagações acerca de uma conjuntura perfeitamente estraçalhada por Boaventura.

E nestas lições de um desassossego coletivo, o nosso Brasil ainda parece muito sossegado.


theo̱ría & práxi̱


quarta-feira, 29 de julho de 2009

# aspas (xx)

 
 
É sempre bom ver as autoridades -- que tem voz e a quem dão ouvidos -- falarem algumas grandes verdades, fora do lugar comum e fora da hipocrisia beata que marcam a maioria das importantes pessoas deste país.
 
Melhor ainda quando alguém da própria corporação insurge-se contra as inverdades defendidas obtusa e cegamente pela turma, alcança outras ondas e chega lá.
 
 
Foi o que fez o Ministro da Justiça Tarso Genro ao dizer para toda a imprensa -- e a OAB, claro, esbravejou, como faria todo homem corno (v. aqui): 
 
   "Os advogados, quando interessa à defesa dos seus clientes constituídos, vazam à imprensa gravações constantes de processos que tramitam sob secreto de Justiça. O advogado, ao tomar informações no inquérito, se achar bom para a defesa do seu cliente, vai divulgá-las amplamente à imprensa, ou para desviar o foco ou para comprovar a sua inocência. (...) O secreto de Justiça praticamente terminou no país, é uma instituição meramente formal."