Estamos em novembro de 1992, na cidade de Curitiba, e se vê um Ginásio Oswaldo Cruz abarrotado para a final do campeonato juvenil de basquete.
Era mais do que um Atletiba.
Era Colégio Marista Santa Maria vs. Colégio Positivo, a maior rivalidade desportiva da capital, numa noite em que se via o "time dos livros" dar uma surra no "time das apostilas".
Tínhamos um timaço, liderados pelo gigante Fernando Sanches, o maior treinador de basquete que a terra das Araucárias já viu.
Sim, o título estava encaminhado, para frustração do elenco positivista, que lentamente sucumbia aos quase vinte pontos de vantagem do nosso escrete.
Chega o último quarto e já no começo o inusitado: com o descuido dos dois (!) policiais que faziam a segurança, das arquibancadas lotadas surge um senhor para invadir a quadra.
Aos gritos e gestos, eu logo vejo que era o Sr. Vanderlei Barreto, carismático diretor do Positivo e pai de um grande colega adversário.
Vanderlei entra chutando tudo, indo em direção aos árbitros e, com dedo em riste, os acusando de ladrões, canalhas, vendidos e outros epítetos menos nobres.
Ninguém conseguia segurar o astuto dirigente na sua inventada e nada santa ira.
E mais tumultos, confusão na mesa, os jogadores avançam na arbitragem, um empurra-empurra generalizado, os treinadores quase se digladiando e, finalmente, depois de quase 10 minutos, os policiais aparecem para intervir.
E o jogo reinicia.
E o resto é história: o Positivo vira, vence e é campeão.
Ano seguinte, vejam só, aceito o convite do Colégio Positivo, recebo uma bolsa de estudos e me transfiro para o (ex-)arquirrival, a fim de melhor aliar o esporte com o vestibular.
Fui acusado de tudo e por todos, mas assim foi e, depois de 10 anos de Santa Maria, iniciei 1993 em outro lugar colégio.
E eis que no primeiro dia de aula, como se desembarcando na Normandia, logo que adentro ao prédio da Desembargador Mota, quem avisto, ao longe?
Ele, Vanderlei Barreto.
E ele também me vê.
E, lá do outro lado, já atravessando o pátio em minha direção, no meio daquele mar de estudantes, ele inicia, aos berros:
- "Gava! Gavaaaa! Gavaaaaaaaa!
- "Gava! Gavaaaa! Gavaaaaaaaa!
E um silêncio geral e todos os olhos em minha direção.
E um grito pelo meu nome que se ouvia lá das margens do Parque São Lourenço.
E ele continuava:
- Gavaaaaaaaaa! Ganhei no grito!! Ganhei no grito!! Ganhei no grito!!...".
E assim permaneceu urrando, por longos 5 minutos, para delírio da fanática plateia -- e assim fazia, sempre que me encontrava, junto com um caloroso abraço.
Bem, agora estamos em 2016.
E desse modo, também no "grito", uma porção de calhordas e alienados, a reboque dos veículos de comunicação e súditos do grande capital, insiste na convulsão nacional, por meio da caneta de aluguel de um "caçador de marajá" de toga e de um processo de "impeachment" sem fundamento legal.
Na mão grande, sem democracia, sem voto, sem soberania e sem a autodeterminação do povo, a mesma turma de sempre quer o golpe.
A canalhice que se tenta criar e mostrar como verdade visa, apenas, com a chegada do presidente Lula na chefia da Casa Civil, a por fim na potencial ressureição do governo Dilma.
E assim a oposição se articula para agir de modo singularmente sórdido, exatamente do tamanho do ódio que a direita sente pela ordem democrática e social vigente no país desde 2002 e, atenção, principalmente pelo enorme temor da elite sempre que nota algum "perigo".
Ora, órfãos daquele estado para poucos e com uma estrutura institucional colonial, atuam de modo tresloucado na criação de fantoches, de factoides e de um fanatismo atroz, à revelia da lógica, do bom senso e, em especial, do direito.
E assim a oposição se articula para agir de modo singularmente sórdido, exatamente do tamanho do ódio que a direita sente pela ordem democrática e social vigente no país desde 2002 e, atenção, principalmente pelo enorme temor da elite sempre que nota algum "perigo".
Ora, órfãos daquele estado para poucos e com uma estrutura institucional colonial, atuam de modo tresloucado na criação de fantoches, de factoides e de um fanatismo atroz, à revelia da lógica, do bom senso e, em especial, do direito.
Às claras, a manipulação dos fatos para deglutição da classe média alienada tenta enfiar goela abaixo o fim de um Governo eleito e das suas políticas em curso, como aquelas que se sustentam no lema "Pátria Educadora", foco crucial para a transformação do Brasil.
É, no seu estado mais puro, um teatro de sombras (v. aqui).
Para, enfim, que tudo seja resolvido na base do grito e sob os mais esdrúxulos e falsos motes: Deus, pátria, família e pedalada fiscal.
Faz-se, pois, a cavalgada do golpe.