quinta-feira, 2 de julho de 2009

# famiglia


fds Da melhor revista semanal brasileira, Carta Capital, reproduzimos o texto do jornalista Leandro Fortes, que muito bem resume e ajuda a traduzir a infeliz figura e a funesta trajetória política e pública do Senador José Sarney (v. aqui).
fds Mais abaixo, basta clicar em cima da foto para ler uma reportagem de 1986 (!) -- quando o sujeito ainda era o Presidente da República e a filha Roseane uma jovem assessora --, para percebermos que pouco mudou em 23 anos...

  "José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre.
  Desde antes da Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos generais para arruinar o projeto de nação – rico e popular – que se anunciava nos anos 1960.
  Conservador, patrimonialista e cheio dessa falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que ele, Sarney, vergonhosamente abandonou e renegou quando dela não podia mais se locupletar. Talvez essa peculiaridade, a de adesista profissional, seja o que de mais temerário e repulsivo o senador José Sarney carregue na trouxa política que carrega Brasil afora, desde que um mau destino o colocou na Presidência da República, em março de 1985, após a morte de Tancredo Neves.
  Ainda assim, ao longo desses tantos anos, repórteres e colunistas brasileiros insistiram na imagem brasiliense do Sarney cordial, erudito e mestre em articulação política. É preciso percorrer o interior do Maranhão, como já fiz em algumas oportunidades, para estabelecer a dimensão exata dessa visão perversa e inaceitável do jornalismo político nacional, alegremente autorizado por uma cobertura movida pelos interesses de uns e pelo puxa-saquismo de outros.
  Ao olhar para Sarney, os repórteres do Congresso Nacional deveriam visualizar as casas imundas de taipa e palha do sertão maranhense, as pústulas dos olhos das crianças subnutridas daquele estado, várias gerações marcadas pela verminose crônica e pela subnutrição idem. Aí, saberiam o que perguntar ao senador, ao invés de elogiar-lhe e, desgraçadamente, conceder-lhe salvo conduto p ara, apesar de ser o desastre que sempre foi, voltar à presidência do Senado Federal.(...)
  Há poucos dias, vi a cara do senador José Sarney na tribuna do Senado. Trêmulo, pálido e murcho, tentava desmentir o indesmentível. Pego com a boca na botija, o tribuno brilhante, erudito e ponderado, a raposa velha indispensável aos planos de governabilidade do Brasil virou, de um dia para a noite, o mascate dos atos secretos do Senado. Ao terminar de falar, havia se reduzido a uma massa subnutrida de dignidade, famélica, anêmica pela falta da proteína da verdade. Era um personagem bizarro enfiado, a socos de pilão, em um jaquetão coberto de goma.
  Na mesma hora, pensei no povo do Maranhão."

quarta-feira, 1 de julho de 2009

# guerra sem canudos

fdsDecidiu o STF que para o exercício da profissão de "jornalista" não se pode exigir diploma.
fdsDiante dos últimos julgados, espanta a perfeita e pontual manifestação da nossa Suprema Corte.
fdsResta, agora, acabar com essa esdrúxula reserva de mercado para tantas e tantas outras profissões que não fazem por merecer a exigência de qualquer (e muito menos específico) curso superior, cuja idealização apenas faz criar guildas de ineptos chancelados por uma faculdade qualquer e manter corporativismos injustificáveis em detrimento do verdadeiro savoir a faire.
fdsAcredito que este seja o caminho. E que restem os médicos e os astronautas obrigados a ter o canudo.

fdsEm tempo: por que cargas d'água o nosso país ainda faz subsistir a odontologia à parte da medicina?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

# xô, vigília privada!

Chega na Assembléia Legislativa um Projeto de Lei do Governo do Estado para colocar um fim na picaretagem que em regra cerca a prestação de serviços de vigilância patrimonial, substituindo essa atividade privada, exclusivamente no âmbito do patrimônio público, mediante a convocação de policiais militares da reserva remunerada.
Evidentemente, o lobby dessa turma já mostra a força, e não faltam parlamentares que querem discutir essa lei, repugnando-a. Não falta, também, gente da grande imprensa, que, financiada pelos altos investimentos em propaganda que tantas dessts empresas de vigilãncia fazem, insistem em reproduzir vendidas matérias que desabonam essa ideia do Governo do Estado.
Atualmente, a segurança das instalações físicas utilizadas pela Administração é feita por empresas terceirizadas, cuja prestação custam um valor expressivo aos cofres públicos e, a despeito do alto custo, parece não corresponder às expectativas e a necessidade dos órgãos públicos.
Ora, os transtornos, a deficiência e a desnecessidade na prestação dos serviços pela iniciativa privada são notórias. E, assim, com essa "convocação" dos militares da reserva, o Estado pretende suplantar uma realidade que, por vezes, dissona do intentado pela Administração Pública nos processos de contratação oriundos dos procedimentos licitatórios realizados, os quais, embora hodiernamente inovadores e formatados sob um modelo que melhor caracteriza o estrito cumprimento dos basilares princípios administrativos, infelizmente ainda não conseguem reproduzir a melhor e mais eficaz maneira de se obter a prestação dos serviços de vigilância patrimonial.
Na Administração Pública são contumazes os problemas trazidos por essas empresas, baseados (i) na disponibilização de pessoas (“vigilantes”) visivelmente despreparadas, mal equipadas e completamente descomprometidas com as funções que lhe são cometidas, (ii) no registro de casos de faltas ao serviço sem a necessária substituição do vigilante -- ou seja, o "posto" fica vago --, (iii) nos não-repasse de vantagens (alimentação, transporte, etc) destinadas aos trabalhadores, na utilização dos mesmos trabalhadores em turnos sucessivos sem os intervalos de descanso e folga e em várias outras situações que, por vezes, já redundaram na condenação do Estado a determinados passivos trabalhistas.
Ademais, sabe-se que na última licitação realizada pelo Estado para a contratação de empresas de vigilância, essas, capitaneados pelo sindicato patronal da categoria, conseguiu evitar que se realizasse o certame por quase 9 (nove) meses, mediante a impetração de vários mandados de segurança cujo cunho era manifestamente protelatório, a intentar apenas que a Administração promovesse a “prorrogação” dos contratos então vigentes – que beneficiavam tão-somente um cartelizado grupo de empresas – ou efetivasse a “contratação emergencial” de empresas, sem licitação.
Enfim, fica muito evidente que não há a necessidade do Estado continuar a se submeter aos ditames impostos pela iniciativa privada, restando à mercê dos arranjos corporativos que prejudicam o interesse público, na medida em que já dispõe de um vasto e experiente contigente que se encontra na reserva e está apto, para, querendo e mediante uma necessária contraprestação pecuniária, prestar estes serviços que são manifestamente condizentes com o seu perfil laboral e profissional (“segurança”).
Sendo assim, a convocação do policial militar da reserva remunerada que ainda possua higidez física compatível com o serviço de guarda patrimonial otimizaria a prestação dos serviços, à medida que se aproveitaria todo o seu cabedal de conhecimento técnico, de treinamentos intensos e de experiências vivenciadas ao longo da carreira, a resultar em serviços de melhor qualidade e de maior confiança, seja para os servidores ou seja mesmo para a população que freqüenta os respectivos prédios e espaços.
Ainda, resolver-se-ia também um grave problema de segurança patrimonial naqueles órgãos onde há a indiscutível necessidade de “vigilantes armados”. Como a atual política governamental não autoriza a contratação desta espécie de segurança – e tão-somente a “vigilância desarmada” –, a adoção dos militares isso solucionaria, pois os mesmos desempenhariam essas novas atividades fardados e com o porte normal de armas.
Afora essa indiscutível melhoria da qualidade da prestação de serviços que a convocação de policiais militares da reserva remunerada representa, os aspectos financeiros que advirão dessa nova prestação ainda mais reveladores, visto que o custo direto seria, também, muito menor, pois o Estado desembolsaria, por pessoa -- ou seja, por militar da reserva convocado --, um valor inferior à metade do que atualmente é gasto com a contratação de um a empresa para fornecer um vigilante privado -- o que, num ano, resulta algo em torno de 15 milhões de reais. Ou seja, a Administração Pública gastaria bem menos e contaria com um serviço bem melhor.
Ainda, o Estado conseguiria promover a reinserção dos servidores militares da reserva no mercado de trabalho, afinal, faz-se inevitável que a idade na qual os militares alcançam a “reserva” é bastante baixa e, por isso, buscam outros afazeres profissionais neste período. Assim, nada mais lógico que, ao invés de criar um exército de desocupados ou desempregados – ou mesmo, de modo nonsense, deslocá-los para empresas de vigilância que depois serão contratadas pela própria Administração –, o Estado ofereça a oportunidade a estes profissionais de continuar a exercer uma atividade, incrementando a renda deste agente com o “bônus” percebido e otimizando um serviço que deve ser encarado como um “serviço público”.
Por fim, sob o ponto de vista jurídico, não se vislumbra nenhum óbice legal, sendo necessário, apenas, proceder aos ajustes necessários, especificamente com a elastificação fático-conceitual dos institutos da “convocação” e da “agregação”, à medida que o direito consuetudinário e a própria legislação militar já contemplam tal possibilidade.
Outrossim, esse valor extra a ser percebido pelos militares convocados da reserva em nenhuma oportunidade considerou-se ofensivo ao preceito constitucional do art. 37, § 10, vez que não há alteração do status jurídico do militar – ele continuará como policial-militar da reserva –, não tendo a “retribuição financeira” oferecida qualquer relação como outro (ou novo) cargo, emprego ou função– na medida em que, a título de pro labore, perceberá um outro valor juntamente aos seus vencimentos de aposentadoria (“reserva remunerada”) –, e, logo, não havendo acúmulo de proventos.
Ainda, não há qualquer ofensa ao art. 37, II, da Constituição Federal, na medida em que não haverá o “ingresso” de pessoas de fora do serviço público; logo, descabe o concurso público, pois o militar, federal ou estadual, possui direitos e prerrogativas que lhe são assegurados pela Cartas Constitucionais Federal e Estadual – e também pelas leis inferiores – , à medida que a transferência para a reserva remunerada não impede que seja convocado para o serviço ativo, desde que exista a necessidade e o interesse público.
Ademais, essa medida não se trata de uma novidade legislativa. A presente idéia e o tratamento legal oferecido é um arranjo de leis estaduais que regem essa matéria, nomeadamente Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Sergipe e Mato Grosso.
Enfim, trata-se de uma medida absolutamente necessária, que traz excepcional eficiência na prestação dos serviços de vigilância do patrimônio público e uma substancial economia aos cofres públicos, em patente privilégio aos princípio da moralidade e da economicidade.
 
 
 

sábado, 13 de junho de 2009

# aspas (xviii)



Karl Marx, um dos maiores gênios das ciências sócio-econômicas de todos os tempos, na sua máxima obra, "O Capital", assim vaticinou, como se Nostradamus, sobre essa situação do neoliberalismo, ápice histórico (histriônico?) do capitalismo:

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado. E esse será o caminho que levará ao comunismo".



 

quarta-feira, 10 de junho de 2009

# atleticanas (xvi)

fdssO que se temia acontecer, aconteceu.
fdssVem de um preclaro colega coxa, è vero, mas não deixa de ser menas verdade, pois o escriba, fariseu e anarcoliberal -- onde já se viu, mas... -- Nêgo Pessoa, do seu agitado blog (v. aqui), dissecou bem, e em partes, ao melhor estilo Jack, the Ripper, o que aquela tchiurminha -- parva, pérfida e pusilânime (e, quem sabe ainda, podre) -- que aí está no comando (?) extracampo do Furacão (por exclusiva culpa da turma da pesada que nela votou na últimas eleições rubro-negras) parece querer fazer com o nosso Clube Atlético Paranaense:
fds
"Valdemar Lemos, o novo treinador do Atlético, é irmão do Oswaldo, lembra? Q era auxiliar do Luxa no Timão; e q herdou um timaço; e foi campeão. Oswaldo é um fenômeno: não sabe a diferença entre a bola e bandeira do córner. O Valdemar talvez não saiba o q é a bola, muito menos a bandeira de córner. E está treinador do Atlético Paranaense.
NÃO É TUDO
Mas isto não é tudo. O clube trouxe também o Ocimar Bolisenho, q foi presidente do Paraná Clube. O Ocimar virou coordenador (profissional)de futebol. Por invenção de quem? Do Luxemburgo! Relaxe; esta comovente e exemplar história ainda não acabou.
TEM MAIS
Um dos muitos fracassos da falsamente brilhante carreira do Luxemburgo foi aqui em Ctba, no Paraná. Q fez tremendo esforço de reportagem para trazê-lo. O presidente do clube era… tchan-tchan-tchan… se v disse Ocimar Bolisenho v ganhará o peru. O círculo ainda não está fechado. Vamos dar mais um aperto.
OUTRA VOLTA
O presidente do Irati Sport Clube, Sérgio Malucelli, o Salada, é irmão do Marcos Malucelli, presidente do Atlético. No mundinho do futebol todo o mundo afirma que o Salada e o Luxemburgo são sócios - o q não é crime nem imoral. Eles seriam socios-empresários-de-jogadores. O q torna a sociedade bem menos inodora, não? Guardadas as porporções, o equivalente é ser ponto e banca no jogo de bacarat. Ou dar cartas e jogar de mão em qqer jogo de cartas. Entendeu?
O CÍRCULO SE FECHA
Agora falta dar apenas o último demão como dizem os pintores de paredes: o presidente do Atlético, Marcos Malucelli, irmão do Sérgio Malucelli, presidente do Irati, o Marcos é advogado de quem? Do Luxemburgo! Q seria sócio do Salada! Não tenho nada com isto, mas não posso deixar de repetir: pobre Atlético! Voltou aos dolorosos tempos pré-Farinhaque. É vocação? Destino?"
fds

segunda-feira, 8 de junho de 2009

# na mosca (ou, "antifahrenheit 451")


fdBrilhante a idéia da Petrobras -- a maior empresa do país e uma das mais eficientes do mundo no setor -- em responder à altura toda e qualquer mentira ou calúnia propagada pelas grande imprensa golpista nacional, mediante a criação de um espaço virtual, um jornal virtual no qual explica e comenta todas as manchetes criadas e as perguntas difamatórias feitas pelos senhores da globo, folha, veja e estadão. Perfeito!
fdDoravante, o blog da Petrobras permitirá uma comparação entre o que a estatal brasileira divulgou aos jornalistas e jornalões e o que foi publicado, sendo possível, assim, identificar (quase) todos os erros e sacanagens promovidas pela grande imprensa.
fdAssim, para você que quer realmente saber o que se passa na Petrobras -- e evitar que o seu cérebro acumule-se de deslavadas mentiras, como interessa aos privatistas de plantão que desejam fulminar essa grande companhia com a tosca CPI que se instala --, acesse aqui ("Petrobrás - Fatos e Dados") e pense por si, e não pela cabeça rentista e pelos desejos coprofágicos dos contumazes vendilhões do Brasil.
fds


domingo, 7 de junho de 2009

# atleticanas (xv)

dsfdsGeninho, tarde, se foi. Antes do que nunca, foi-se. Vade retro!
dsfdsPor menos peso que se queira dar a um técnico num time de futebol, ele, gordo, cego e conivente, pesava. E bastante. E contra. À frente de um time nu e sem cabeça, afundava ainda mais a já desgovernada nau rubro-negra.
dsfdsAgora, espero que a Diretoria (?) atleticana não me venha com uma solução tabajara, típica daquelas que só faz aumentar (e nunca acabar com) os nossos já tantos problemas.
dsfdsCaso contrário, retoma-se definitivamente a nossa pergunta que fizemos durante todo o segundo semestre de 2008: quo vadis, huracán? -- v. aqui, para lembrar quando a saga começou, e aqui, quando terminou.
fds

quinta-feira, 4 de junho de 2009

# maria cecília e rodolfo

fds Os coxas, como peru, já haviam morrido na véspera, quando não conseguiram segurar o Internacional no primeiro jogo das semi-finais, fora de casa.
fds Porém, a sobrevida ressuscitadora que se esperava ver no jogo desta congelante noite de quarta-feira foi por água abaixo já logo na entrada da equipa verde-e-branca em campo: a camisa, em meio a tantas outras mensagens publicitárias, estampava -- certamente por quaisquer 30 moedas ou por pesada mandinga, sabe-se lá -- o curioso nome "Maria Cecília e Rodolfo".
fds Ali, exatamente ali, toda a verve e todo o ânimo que se depositava naquele time (e naquele jogo) sucumbiu a esta propaganda subliminar, que fazia de cada um dos onze jogadores meros personagens daquele mais tosco cenário urbano, marcado por uma pessoa travestida de cartaz-ambulante; afinal, como se levar a sério um time de futebol que coloca na camisa a inscrição "Maria Cecília e Rodolfo"? Era o que os gaúchos se perguntavam, enquanto entoavam: "Quanto riso, oh, quanta alegria...".
fds Achei, de cara, que se tratava de uma lembrança ao sobrenome da mais nova contratação do futebol feminino dos coxas -- sei lá, algo tipo "Orleans e Bragança"; mas não, conforme me alertava um amigo.
fds Já no início, no momento do hino nacional, a leitura dos lábios feita pela emissora de tv revelou o que o craque Marcelinho estava a falar ao invés de cantar o hino, emputecido: "Na Paraíba cabra-macho não pode ficar por aí pondo na camisa mensagenzinhas de amor" -- crente que "Maria Cecília e Rodolfo" era uma mensagem paga por dois pombinhos em alusão ao dia dos namorados que se aproxima.
fds Ainda, na tela da tv, era patente a cara desconfortável de cada jogador em não saber a quem servia enquanto oferecia o merchandising de algo chamado "Maria Cecília e Rodolfo".
fds Na hora do gol, percebeu-se claramente que a maior preocupação do gringo artilheiro não foi em comemorá-lo, mas, sim, em esconder aquela inscrição, pois, como católico fervoroso, não queria ficar expondo o nome dos deuses hindus da fé (Mae'riah Ciicil Lae) e da esperança (Roudh'Olf). Preferia ele outras três palavras: "Só Jesus Salva".
fds Depois, fiquei com a convicção de que se tratava de uma homenagem às três pessoas -- Maria, Cecília e Rodolfo, como se três magos -- que fizeram os três sorteios para definir cada um dos jogos dos coxas nas fases pregressas, contra Bahia, CSA e Ponte Preta. Afinal, foi graças ao brilhante desempenho em cada um dos sorteios que se conseguiu chegar até o jogo das semi-finais. Mas não, pensei que isso também seria demais.
fds Assim, hoje, imperada a normalidade, cabe aos coxas responderem: que diabo é (ou foi) "Maria Cecília e Rodolfo"?
fds

quarta-feira, 3 de junho de 2009

# tragédias (diárias)

fdxfdxfdxA morte de duas centenas de pessoas num acidente aéreo, cujo desastre fatal tem a probabilidade de ocorrer a cada 4 milhões de voos (0,00002%), merece um peso maior, uma atenção maior e uma repercussão maior do que as muitas dezenas de pessoas que, em cada final de semana, morrem tragicamente, como causa da miséria e da violência que cegamente passeiam em cada uma da periferias das nossas grandes cidades?
fdxfdxfdxPor que a imprensa e a sociedade buscam tantos por ques naquele primeiro caso e escondem ou fingem desconhecer os tantos porques do segundo? Por que debatemos e discutimos tanto o acidente aéreo e nos escondemos tanto do debate e da discussão da miséria social? Seria porque no primeiro a culpa não seria nossa?
fdxfdxfdxSim, o maior e mais grave problema está em não reivindicar e não exigir a implementação das soluções para as tragédias que nós homens, em carne-e-osso, criamos e responsabilizamo-nos, com as tantas e diárias mortes pelo frio, pela fome e pela miserável vida que cercam o nosso encastelado cotidiano. Tudo como se não fosse culpa ou problema nosso...
fdxfdxfdxEnfim, a grande tragédia não está no isolado e distante infortúnio mecatrônico de uma nave espacial. A maior e mais avassaldora tragédia está ao nosso lado, diariamente.
fdsfds

# aspas (xvii)


 
Com a oficial bancarrota da (gigante?) General Motors, agora meio estatizada, o premiado cineasta estadunidense Michael Moore -- diretor de filmes documentários como "Tiros em Columbine" (2002), "Fahrenheit 9/11" (2004) e "S.O.S. Saúde" (2008) -- publicou o seguinte (e excelente) artigo, que saiu nos mais importantes jornais dos EUA (v. aqui, na íntegra):

   Enquanto estou aqui sentado no berço da GM, em Flint, Estado de Michigan, estou cercado de amigos e famílias cheios de ansiedade pelo que acontecerá com eles e com sua cidade. Quarenta por cento das casas e negócios da cidade foram abandonados. Imaginem como seria viver numa cidade em que quase metade das casas está vazia. Qual seria seu estado de espírito? (...)
   Então, aqui estamos ao pé do leito de morte da GM. O corpo da companhia ainda não esfriou, e eu me vejo cheio de - ousaria dizê-lo - alegria. Não é a alegria da vingança contra uma corporação que arruinou minha cidade natal e trouxe miséria, divórcio, alcoolismo, sem-teto, debilitação física e mental, e vício em drogas para as pessoas com as quais cresci. Eu não tenho, obviamente, nenhuma alegria em saber que mais 21 mil trabalhadores da GM serão informados de que também eles estão sem trabalho.
   Mas os Estados Unidos agora possuem uma empresa automobilística! Eu sei, eu sei... quem, na terra, quer gerir uma montadora de carros? Quem de nós quer 50 bilhões de nossos dólares atirados no buraco sem fundo para tentar ainda salvar a GM? Salvar a nossa preciosa infraestrutura industrial, porém, é outra questão e deve ser uma alta prioridade. Se permitirmos o fechamento e desmantelamento de nossas plantas automotivas, nós dolorosamente desejaremos ainda as possuir quando percebermos que essas fábricas poderiam ter construído os sistemas de energia alternativa de que hoje desesperadamente precisamos. E quando percebermos que a melhor maneira de nos fazer transportar é em trens-bala e de superfície e ônibus mais limpos, como faremos isso se tivermos permitido que nossa capacidade industrial e sua força de trabalho especializada desapareçam?
   Portanto, como a GM está "reorganizada" pelo governo federal e pelos tribunais de falências, aqui está o plano que desejaria que o presidente Obama implementasse, pelo bem dos operários, das comunidades da GM, da nação como um todo.
   1. Tal como fez o presidente Roosevelt após o ataque a Pearl Harbor, o presidente Obama precisa dizer à nação que estamos em guerra e precisamos imediatamente converter nossas fábricas de automóveis em fábricas que produzam veículos de transporte de massa e dispositivos de energia alternativa. Em poucos meses de 1942, em Flint, a GM paralisou toda a produção de carros e usou imediatamente as linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. A conversão não tomou nenhum tempo. Todos se empenharam. Os fascistas foram destruídos. Estamos agora num tipo diferente de guerra - uma guerra que foi conduzida contra os ecossistemas e foi movida por nossos líderes corporativos. Essa guerra atual tem duas frentes. Uma tem seu quartel-general em Detroit. Os produtos construídos nas fábricas de GM, Ford e Chrysler estão entre as maiores armas de destruição em massa responsáveis pelo aquecimento global e o derretimento de nossas calotas polares. A outra frente nessa guerra está sendo travada pelas companhias de petróleo contra você e eu. (...) O presidente Obama, agora que tem o controle da GM, precisa converter as fábricas para funções novas e necessárias imediatamente.
   2. Não coloque outros US$ 30 bilhões nos cofres da GM para construir automóveis. Ao contrário, use o dinheiro para manter a atual força de trabalho — e a maioria dos que dependem dela — empregada, para que possam construir novos modos de transporte no século 21. Deixe-os começar o trabalho de conversão agora mesmo.
   3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando este país nos próximos cinco anos. O Japão está celebrando o aniversário de 45 anos de seu primeiro trem-bala este ano. Agora eles têm dúzias deles. A média de velocidade deles é de 265 quiolômetros por hora. A média de atraso de cada trem é de menos de 30 segundos. Eles têm esses trens de alta velocidade por aproximadamente cinco décadas — e nós sequer temos um! O fato de que já exista tecnologia que nos faça ir de Nova York para Los Angeles, de trem, em 17 horas, e que nós não a usamos, é criminoso. Contratem desempregados para construir as novas linhas de alta velocidade por todo o país. Chicago a Detroit em menos de duas horas. Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em cinco horas e meia. Isso pode ser feito e pode ser feito agora.
    4. Iniciar um programa para construir linhas de transporte leve de trens em nossas cidades, grandes e médias. Construam esses trens nas fábricas da GM, e empregue pessoas desses municípios para que instalem e façam esses sistema funcionar.
   5. Para pessoas que moram em áreas rurais não servidas por essas linhas de trens leves, que a GM construa ônibus limpos e eficientes.
    6. Algumas fábricas da GM devem passar a construir veículos híbridos ou completamente elétricos. Levaria poucos anos para que as pessoas se acostumassem aos novos meios de transporte, portanto, se continuaremos a ter automóveis, que eles sejam melhores. Podemos construir essas coisas a partir do próximo mês (não acredite em ninguém que te diga que levaria anos a realinhar as fábricas — isso simplesmente não é verdade).
   7. Transforme algumas das fábricas vazias da GM em instalações que construam moinhos de vento, painéis solares e outros meios de energia alternativos. Nós precisamos de milhões de paineis solares imediatamente. E temos uma força de trabalho eficiente e habilidosa pronta para construi-los.
   8. Incentive com impostos menores aqueles que viajam de ônibus, trens ou carros híbridos. Também forneça crédito para quem converter sua casa para energias alternativas.
   9. Para ajudar a pagar tudo isso, estabeleça um imposto de dois dólares para cada galão de gasolina. Isso fará com que as pessoas mudem para carros econômicos ou comecem a utilizar as novas linhas de trem fabricados pelos operários da antiga linha de produção de automóveis
   Bem, isso é o início. Por favor, por favor, por favor, não salve a GM para que, sendo menor, simplesmente continue fabricando Chevys e Cadillacs. Isso não é uma solução durável. Há 100 anos, os fundadores da GM convenceram o mundo a desistir de seus cavalos, selas e carruagens para tentar uma nova forma de transporte. Agora chegou a hora de nós dizermos adeus ao motor de combustão interna.
    Este é um novo dia e um novo século.

 
 
 

segunda-feira, 1 de junho de 2009

# conto da carochinha


Insistiram para que eu entrasse no concurso de contos promovido pelo Governo estadual. Porém, preferi contar este mais outro conto da carochinha nacional. Não é inédito, não é cômico, mas sim trágico e repetitivo: o anúncio das cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de 2014 e o grande erro que se está a cometer na aplicação do dinheiro público.
 
Quem é a favor dos jogos? O povo, que, perdoa-o, nestes assuntos não sabe o que fala.
 
Quem mais? A elite nativa, que, sem mais perdão, quer arrombar e sangrar os cofres públicos, como de praxe.
 
A quem interessa os jogos? Aos políticos de plantão, que querem com tal anúncio e com a preparação não queimar o filme perante o povo e ter paz no espaço midiático – no Paraná, foi o que o Governador Requião foi obrigado a fazer: sempre disse ser contra a Copa no Brasil, mas teve que se render, com receio de que meio-mundo culpasse-o por Curitiba ficar de fora.
 
A quem mais? Ainda àquela mesma elite, que fará (ainda mais) fortuna às custas do erário, pois, é notório, nos últimos 360 dias para a Copa o orçamento inicial multiplicar-se-á por 5 e haverá uma avalanche de contratos emergenciais, prorrogados ou com licitação dispensada, justificados pela “urgência” e contratados a preços megafaturados.
 
A maior balela é a de que não haverá dinheiro público em tudo isso. Tudo, alegam, virá de dinheiro privado e de recursos externos. Espúria mentira!

A dimensão dessa competição e as enormes demandas que geram, em termos de infra-estrutura, instalações, segurança, financiamento e mobilização acabam fazendo com que o setor público tenha que assumir responsabilidades (desmedidas) por sua realização.
 
Esse mecanismo de transferência de responsabilidades revelou-se duplamente danoso.
 
Por um lado, a necessidade de preservar a imagem do País obrigou a União a assumir gastos sempre que necessário. Essa percepção de segurança garantida pelo aporte de recursos federais pode ter retirado dos outros entes a dedicação necessária em alocar parcela de seus orçamentos ao empreendimento, agravando o fenômeno.
 
De outra parte, a assunção dos compromissos de um ente por outro geralmente ocorreu com perda de tempo precioso ou gerou situações inadequadas do ponto de vista do controle do gasto público, como o repasse de recurso para obras em curso ou já executadas.
 
Será que o Pan já não serviu como lição? O que a população do Rio ganhou com a realização dos jogos, afora os lúdicos 30 dias de festa pelas ruas? O que de substancial (“infra-estrutura”) se gastou no Rio de Janeiro? Melhorou o sistema viário e de transportes? Humanizou-se as favelas? Recuperou-se a segurança pública? Ora, nada disso aconteceu. Por quê? Porque o dinheiro é aplicado contingencialmente e é mal aplicado, posto que às pressas, no escurinho do cinema, em coisas indevidas e chupando drops de caviar beluga.
 
No Acórdão 2101/2008 do Tribunal de Contas da União (TCU), que avaliou e decidiu sobre o relatório final das ações e obras públicas realizadas para os Jogos Pan-Americanos de 2007, o Ministro Relator assim diz: [t]alvez a infra-estrutura urbana tenha sido a área que menos benefícios obteve a partir da realização dos Jogos (...) Nenhuma obra de relevância foi planejada ou realizada na cidade do Rio de Janeiro em decorrência do evento. Ao contrário, algumas iniciativas de intervenções viárias, imaginadas a partir da candidatura da cidade à sede dos Jogos Olímpicos de 2012, e que acabaram sendo carreadas nos planos para os Jogos Pan-americanos, foram arquivadas sem que ao menos fossem iniciadas (...) A infra-estrutura de transportes do Rio de Janeiro foi criticada pelo comitê técnico do COI para a seleção da sede das Olimpíadas de 2016, e recebeu as menores notas entre as quatro cidades candidatas aprovadas”.
 
Sinceramente, quem foi que nos disse que é melhor se gastar com grandes pistas de ciclismo, magnânimos campos de hóquei, explêndidos centros de hipismo e estupendos ginásios de tênis de mesa ao invés de se investir em hospitais, escolas e polícia?
 
Ora, neste caso não vale o argumento de que “um não elimina o outro”, pois nos encotnramos numa situação de "public choice", cujos recursos, porquanto limitados, devem nestes casos serem aplicados séria, correta e alternativamente. 
 
Neste ponto, não são raros aqueles que prefiram a aplicação do dinheiro público em saúde, educação e segurança ao invés de ser jogado na construção de babilônicos templos de futebol.
 
Sinceramente, a quem interessa dispender dezenas de bilhões de dólares em novos (?) estádios de futebol? Para quê? A Arena da Baixada é um puta estádio, o melhor e mais moderno do país, conforto extremo etc., mas que diferença haveria de ter com o bom e velho Joaquim Américo, se renovado e ampliado? Por que Recife e Fortaleza -- excluo Salvador, pois parece que a Fonte Nova não tem mais jeito... -- hão de gastar bilhões de dólares em novos estádios se a pobreza e a violência imperam pelas ruas? E o que falar de Cuiabá, Manaus, Natal e Brasília, com seus mamutes brancos que terão por fim shows de forrós sertanejos e calipsos?
Tolice dizer que se adiantariam investimentos em infra-estrutura. Ora, ninguém no comando deste país é criança que precisa de algum estímulo para ser aprovado. Basta planejamento. Simples. E que se cobre por isso, principalmente a imprensa e a sociedade civil – essa iludida por aquela –, que tanto cobravam de cada um dos governantes das cidades-candidatas para que levassem a Copa para casa (v. aqui).
A ilustração mais clara de como funciona essa falta de planejamento em condições cuja conclusão não pode ser prorrogada advém de um evento relacionado à área de segurança dos Jogos Pan-Americanos. O sistema de credenciamento e acesso às instalações físicas dos Jogos foi definido e contratado antes que todos os órgãos responsáveis pela função de segurança pudessem opinar sobre seu desenho. Assim, em momento posterior, deliberou-se modificar a estrutura de controle de acesso físico com o intuito de garantir uma segurança mais rígida para as áreas restritas dos Jogos. O desenvolvimento do sistema de credenciamento previsto no contrato original estava orçado em R$ 55.595,56. A alteração solicitada custou aos cofres públicos R$ 26.700.000,00 (v. no Acórdão do TCU referido).
 
Outrossim, imagine-se outro tão supérfluo gasto, como os mencionados em estádios: vigilância internacional contra o terrorismo. O que ganhará um país pacífico como o Brasil em dispender milhões de dólares na proteção de milhões de atletas, autoridades e estrangeiros? Não seria muito melhor com esse dinheiro oferecer moradia e terra a tantos dos nossos favelados e sem-terra e com isso mitigar a violência interna?
 
Nas ruas, a golpista imprensa vem com a enfadonha pergunta: “Você gostaria de ver a Copa no Brasil?”. Ora, essa pergunta é cretina. Seria o mesmo que perguntar: “Você gostaria de ver a paz no mundo? É claro que 90% das pessoas respondem “sim” às duas perguntas, afinal, quem não gostaria de ver os maiores jogadores do mundo a jogar em seu país, em sua cidade? Quem não gostaria de ver e encontrar pessoas do mundo todo, espalhadas pelas nossas ruas, bares e praças? 
 
Todavia, o que essa mídia não quer esclarecer e mostrar é o outro lado disso tudo.
Nas primeiras lições de Economia se aprende que, virtualmente, todos os gastos ou alocações têm um “custo de oportunidade”.
 
E é isso que entra em jogo, seja o dinheiro público - o que é bem pior - ou privado.
Logo, a pergunta correta seria: "Se o seu Estado ou o seu Município tivesse que, nos pŕoximos 4 anos, gastar um adicional de R$ 5 bilhões do seu orçamento, em quais destes projetos ou ações públicas você preferiria vê-lo gasto ou alocado: (a) na Copa de 2014; (b) nos sistema viário e de transporte público, das mais diversas formas; (c) em segurança pública, das mais diversas formas; (d) no ensino fundamental e médio, das mais diversas formas; (e) no meio ambiente, das mais diversas formas”.
 
A escolha prioritária da lista certamente mereceria uma maior reflexão por parte da massa votante. A voluntariedade na opinião deveria passar pelas tantas privações diárias e a decisão lúdica de se querer uma Copa do Mundo no quintal de casa cederia espaço pela vontade concreta de se ter garantido um banco na escola, um leito no hospital e um policial nas ruas.
 
Assim, mais uma vez, munidos de pesquisas e estudos de impacto econômico, os donos do poder tentam mostrar um coisa que, na realidade, se mostrará outra. Sempre gostam de dar dois exemplos para os “grandes benefícios” que albergar os maiores eventos esportivos do mundo trazem: Barcelona e Pequim, nas Olimpíadas.
No primeiro caso, é inegável que o evento deu muito reconhecimento à cidade. Mas será que não poderia ter feito coisas muito melhores pelo mesmo valor gasto com os Jogos? Certamente, sim. A Olimpíada não pode servir de desculpa para melhorar uma cidade.
 
No caso da China, há uma grande peculiaridade: mostrar ao mundo, vasto mundo, que, além de não comer criancinha, os comunistas governam um grande país.
 
Sim, o grande mote com os Jogos foi revelar aos conservadores e aos (pseudo)democratas de plantão com quantos pauzinhos se faz uma República, comandada por um partido único, o Partido Comunista. E o mundo ficou surpreso em ver como funciona o país, futura maior potência mundial. Sim, os comunistas quiseram pagar esse preço.
 
Enfim, ao contrário do que se tem noticiado por aí, a conclusão a que todos os estudiosos - aqueles, frise-se, que não visam ao lucro fácil dos jogos - chegam é a mesma: nem as receitas imediatas nem aquele benefícios a longo prazo chegam perto de cumprir as expectativas promovidas pelos businessmen de plantão (v. observação abaixo).
 
Em suma, o bilionário gasto público vai para um ralo, a resultar em "investimentos"  públicos paupérrimos, numa situação que nem na Patópolis do Tio Patinhas se aguentaria.

P.S. Em artigo científico publicado na prestigiada “World Economics” (v. aqui), o economista londrino Stefan Szymanski dispõe de uma quadro fruto de uma pesquisa que coletou dados dos vinte países mais desenvolvidos do mundo, a fim de ter a exata noção do impacto e dos efeitos que ser sede de um dos maiores eventos esportivos do mundo (Copa e Olimpíadas) têm no desenvolvimento nacional – e, note-se, a maioria dos países desta lista sediaram pelo menos dois destes eventos.

Tabela 1: O impacto no crescimento econômico de ser sede dos maiores eventos
Efeitofdsfdsfdsfdsfdsfd                Impacto na Taxa de Crescimento Econômico
No ano anterior à Copa fdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfds + 0.218
No ano da Copa fdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfds – 2.353
No ano seguinte à Copa fdsfdsfdsfdsfdsfdsfdss – 0.099
No ano anterior às Olimpíadas fdsfdsfdsfdsfdds + 0.415
No ano das Olimpíadas fdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfds + 1.190
No ano seguinte às Olimpíadas fdsfdsfdsfdsfd – 0.640fds

sexta-feira, 29 de maio de 2009

# à sombra da mangueira imortal: quarta vela


fdsfdsÉ sob a mangueira, diz-se, que se consegue a melhor sombra.
fdsfdsAssim, à sombra da mangueira imortal, pretende-se expor idéias, ideais, divagações, utopias e devaneios, na expectativa de ter e debater, numa rede de milhares de amigos e num universo de bilhões de pessoas, o eco de tantos pensamentos e escritos.fdsfdsAntes de tudo, é uma proposta contributiva para pensar a sociedade e o país nos quais nos inserimos, para, de "ojos abiertos" (e não cegos) -- porque quer enxergar além da visão cabresta, elitista, conservadora e reacionária da maioria daquelas vazias e neutras posições que apenas refletem o discurso midiático mantido pelos donos do poder ou o desejo recôndito na perpetuação do status quo injusto e desigual -- e "coração valente" -- já que imiscuir-se-á sem dó nas feridas abertas e mantidas em sangue pela elite nativa --, mostrar que não desertamos do nosso posto, pretendendo ser uma direta e (i)modesta bula da bola azul que nos envolve e na qual vivemos.
fdsfds
fdsfdsHá exatos quatro anos, com este texto, criávamos este sideral espaço virtual (v. aqui).
fdsfdsCom propósito certo mas rumo indefinido, dispor-nos-íamos a dedicar alguns minutos das nossas madrugadas -- e, atualmente, já de horários mais incertos -- para colocar na tela e jogar nesta incógnita rede mundial as nossas idéias e os nossos ideais sobre o cotidiano da vida, da política, da economia (e de outras ciências sociais), das artes e do futebol, afinal nascemos como a bula da bola e hoje já multiplicamos e expandimos o nosso aviamento, achando-nos receituários de uma panaceia, de um chá de bruxa para a interpretação dos fatos&fotos que movem a nossa sociedade na bola (ou na bolha) que nos inserimos chamada Terra.
fdsfdsA modéstia não nos deixava acreditar que pudéssemos chegar a tantas pessoas, e, principalmente, que pudéssemos materializar o esperado eco.
fdsfdsMas, regozija-nos, até deu certo.
fdsfdsE, hoje, à sombra da mangueira imortal, conseguimos que os nossos (crus e rasteiros) textos sejam acessados por quase mil internet protocols (IPs) por semana -- conforme último demonstrativo de contagem automática de acessos -- e repercutidos nos diversos emails que diariamente recebemos para criticar, discutir, ensinar, questionar, congratular, zombar, aprender ou blasfemar com o que escrevemos.
fdsfdsE isso nos agrada bastante, pois percebemos que tão-somente com um debate extenso, profundo e às claras, sem a interferência rançosa de uma mídia golpista, sem as amarras de uma herança sócio-cultural conservadora (e reacionária) e com o desprendimento espiritual e material das coisas pequeno-burguesas, conseguiremos evoluir como pessoas e como sociedade, em especial num país tão carente de desenvolvimento e de justiça econômica e social (e penal) como o Brasil.
fdsfdsGostaríamos de ser mais frequentes e mais atualizados, mas o dia de 24 horas ainda nos parece curto -- e, por isso, ainda que por vezes pareçamos sumidos, tenham a certeza de que lá estamos, como disse Érico Veríssimo, fazendo luz sobre a nossa realidade, seja acendendo as lâmpadas, os nossos tocos de vela ou, repetidamente, riscando fósforos, como sinal de que não desertamos do nosso posto, a evitar que sobre o nosso mundo perpetue-se a escuridão, propicia para as atrocidades e as injustiças.
fdsfdsEnfim, agradecemos o interesse, a participação e a repercussão promovida por todos, que contribuem para que a bula da bola seja cada vez mais curativa e terapêutica.
fdsfdsE, como não poderia deixar de ser, agradeço também a paciência de todos, especialmente daqueles cujo viés clubístico distancia-se do nosso -- neste ponto, talvez único, confessamos que esta bula se parece mais com receita de curandeiro.
fds

 

quinta-feira, 28 de maio de 2009

# erratas

Momento de mea culpa. Duas.
A primeira trazida pelo grande amigo luso-moçambicano Fernando -- cuja família mora na aprazível Peniche, cidade do litoral português onde já passamos um farto almoço de Páscoa --, ao advertir-me para a (gravíssima e imperdoável) falha técnica que cometemos na última coluna.
O crasso erro, sob todos os pontos de vista, confesso não ter sido por ignorãncia, mas (talvez) por um vácuo cerebral. Assim, antes que alguém do "Pátria Basca e Liberdade" (E.T.A.) pretenda cometer qualquer ato terrorista nas bandas de cá, achei por bem violar o sistema blogspot e já corrigir o verdadeiro impropério, já que o Barça, ora pois, é um clube catalão.
A segunda, (re)motivada por (outro) email contestador recebido hoje, é sobre a autoria da frase "qual é o maior crime: roubar um banco ou montar um?", a qual atribuímos ao grande estadista russo Lenin -- e que já deveria ter sido comentada lá atrás, quando publicamos a coluna "Seiva de Tamarisco" (v. aqui) e recebemos múltiplas missivas cibernéticas questionando-a.
Nestes, mostraram-me e doravante acredito que a certeira frase seja mesmo do dramaturgo alemão Bertoldt Brecht.
Ela faz parte da peça "A Ópera dos Três Vinténs" ("Die Dreigroschenoper") -- aquela que foi adaptada pelo Chico Buarque na "Ópera do Malandro" -- e traz pergunta, na cena 9, em um alemão fielmente traduzido por um amigo: "O que é um roubo de um banco diante da fundação de um banco?" ("Was ist ein Einbruch in eine Bank gegen die Gründung einer Bank?")
Assim, embora muitos atribuam-na a Vladimir Iljitsch Lenin, acho mesmo que não. Tudo bem que o pensador russo veio um pouco antes da peça de Brecht, mas nada se encontra na biografia dele sobre essa frase.
E como a peça na qual Brecht se baseou (The Beggar's Opera, de John Gay, do séc. XVIII) nada traz sobre a frase, acho mesmo que ela tenha partido da cabeça do gênio alemão, talvez contagiado pelos pulsantes ideais socialistas da época e que inclusive fizeram-no se transformar num importante marxista.
fds

# vieram, viram e venceram


fdsCoincidência ou não, ambos os times campeões dos dois grandes torneios europeus jogam um belíssimo futebol: bem pensado, bem armado, bem tocado, categórico, imperial, pra frente e envolvente. Um primor.
fdsA jogar com 4 zagueiros, 1 volante e 5 hábeis armadores&avantes, medusicamente envolveram os times adversários que, em regra, não conseguiram mostrar reação. E assim, com um futebol vistoso e virtuoso, ambos vieram, viram e venceram.
fdsO Shakhtar, da Ucrânia, joga do meio pra frente como jogava, guardadas as devidas proporções, aquelas famosas linhas de 5 jogadores dos anos 50/60 -- quem não lembra de Durval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe?? Assim, com Ilsinho, Fernandinho, Luis Adriano, Jadson e William -- isso mesmo, são cinco brasileiros (!) --, o escrete ucraniano atua pressionando o adversário, com toques rápidos, frequentes e certeiros, até chegar, eficaz e invariavelmente, à meta adversária -- no jogo final, v.g., o quinteto finalizou espantosas 18 vezes contra o gol alemão.
fdsO Barcelona, um pouco diferente, não atua com essa linha de cinco, mas se dá ao luxo de ter a melhor dupla de jogadores do mundo da atualidade, os armadores Iniesta e Xavi, os quais abastecem eficaz e incessantemente a dupla de avantes Eto'o e Henry e libera o ponta-de-lança Messi para fazer&desfazer o que bem entender em campo, como assim se deve permitir para um craque como ele. O resultado: a supremacia da equipe catalã em todos os campeonatos que disputou na temporada.
fdsEm suma, por todo o mundo a tendência parecer mesmo ser essa, com os times e seleções a jogar com grandes armadores, ponta-de-lança, centroavante e ponta(s) muito bem distribuídos, sepultando a perseverante idéia de se jogar com dois ou três brucutus no meio-campo e um centroavante enfiado, como serelepe ou boneco de posto de gasolina.
fdsOra, o meio-campo é o lugar de se pensar-agir-matar o jogo, é onde as coisas devem ser&acontecer, é o habitat natural de pensadores, hábeis e craques. Volante? Um, fundamental, e ponto. Ademais, sacrificar os laterais um jogo todo, em idas-e-vindas infindáveis e infinitas entre ataque&defesa, é uma grande estupidez tática, uma atrocidade física e um desperdício técnico. A César o que é de César, e aos laterais o que é dos laterais.
fdsSeja no esquema destes clubes europeus ou seja no revolucionário 4-1-4-1 da Espanha, o negócio é que 3-5-2 ou 4-4-2 já tiveram os seus dias de glória e hoje já merecem ser sepultados. Aleluia, aleluia!
fdsEntre poucos, falta o Brasil (e alguns clubes nacionais) também querer enxergar isso.
fds

domingo, 24 de maio de 2009

# atleticanas (xiv)

Ninguém honesto consegue explicar o que Geninho quis fazer no segundo tempo do jogo de hoje.
Lá pelas tantas, com o placar ainda a mostrar 2x2, havia 4 zagueiros, um cabeça-de-área, o inócuo Gabriel Pimba improvisado na ala-esquerda e dois centroavantes. Já sem técnica, o amontoado apresentava-se sem o mínimo de organização e posicionamento táticos, tudo e todos a depender de Wallyson e Raul, já estafados, pela ala direita. Enfim, um monte de peças quebradas sem a mínima chance de conseguir formar um time, um time que pense, com cabeça, tronco e membros.
Sim, continuamos sem entender a razão da besta do Geninho continuar a barrar Julio dos Santos, o único jogador do elenco capaz de, no meio-campo, pensar o jogo, vez que Marcinho, além de já mostrar que não é armador -- e sim ponta-de-lança -- prova a cada dia que vai mal.
Há tempos se pede -- e se comprova -- que o Atlético não tem dois jogadores fundamentais para querer jogar num 3-5-2 (um segundo-volante e um que seja ponta-de-lança e armador ao mesmo tempo); logo, pelo elenco de jogadores que tem, o melhor esquema é um tradicional e óbvio (e melancólico) 4-4-2, com Valencia, Julio, Marcinho e um Sr. X, como volante, no meio.
Do jeito que está, as vergonhas serão sucessivas. E não se culpe Galatto, como parte da imprensa quer, afinal, ainda que não se queira admitir que um goleiro pode errar -- como qualquer outro, jogador ou humano --, por que também não se impõe a culpa pela(s) derrota(s) às sucessivas falhas do miola da zaga ou à nula criação do time no jogo todo (lembre-se que os 2 gols da derrota de hoje foram frutos de grosseiras falhas da defesa do Náutico...)? Por que a imprensa não culpa Geninho, pelas barbaridades que tem fez? Por que a imprensa esquece tão rapidamente das tantas e tantas milagrosas e imporantes defesas que o goleiro fez nesta e noutras temporadas? Galatto tem crédito e merece continuar na titularidade -- até mesmo porque não há nenhum Yashin no banco rubro-negro...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

# o petróleo é nosso, e a petrobras imprescindível

A vexatória e repugnante CPI que demos (PFL-DEM) e tucanos (PSDB) insistem em levar adiante é outro marco da visão colonial, entreguista e privatista que a elite nacional tem do nosso país. Ou mais uma espectro do modo eleitoreiro de se discutir os assuntos público e nacionais.

O Brasil prepara-se para assumir o posto de uma das maiores potências petrolíferas mundiais, o que causa brotoejas naqueles que não admitem uma nação rica e uma país de e para todos, que não veem a hora de José Serra ser o presidente e colocar em prática a (dantes) fracassada idéia da "Petrobrax" de FHC. Sim, os conservadores e a direita querem vender a nossa "Amazônia Azul".

Ao invés de quererem discutir frivolidades como as que ocupam destaque na golpita imprensa nacional -- a qual quer, a todo custo, criar no subconsciente da população uma Petrobras ineficiente, incapaz e imoral -- e insistir que o Estado brasileiro não pode gerir os seus maiores e mais estratégicos recursos naturais, o Parlamento brasileiro, se sério em sua maioria, deveria se ocupar de questões essenciais para o nosso futuro como uma desenvolvida nação: como explorar o pré-sal? Onde investir o dinheiro? Como o Brasil pode controlar a sua costa e projetar seu poder na América Latina e no Atlântico Sul? Quais as prioridades que um planejamento de políticas públicas eficazes, de longo prazo, a serem construídas com o ouro negro, merecem?

Inevitalmente, tudo antes exige uma refundação da nossa República, no modo dos nossos homens públicos entenderem o seu papel e a sua atuação na sociedade, afinal, o que se pode esperar da nossa burguesia, de mãos atadas pela incessante busca do sucesso pessoal ou livres das imprescindíveis e (pouco) elásticas algemas estatais, as quais deveriam controlar a mão invisível do mercado e a mão gatuna dos criminosos?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

# elementar e estratégica estatização


fds Poucos dias após a estatização de parte do setor de serviços petrolíferos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou, nesta quinta-feira, a nacionalização de cinco empresas do setor siderúrgico e da maior produtora de cerâmica do país, a Carabobo.
fds O fim: avançar na construção de novo complexo industrial nacional.
fds Com a decisão, as empresas Matesi, Comsigua, Venprecar, Orinoco Irons e Tubos Tavsa devem passar ao controle do Estado nos próximos dias.
fds De acordo com representantes dos sindicatos dessas empresas, há pelo menos seis meses os salários dos funcionários estão atrasados e a produção, praticamente paralisada, razão pela qual teriam pedido a intervenção do Estado.
fds Com essas nacionalizações, somadas à expropriação de 73 companhias prestadoras de serviços petrolíferos, no início do mês, o Estado venezuelano assume o controle de quase todos os setores da economia considerados estratégicos.
fds Desde 2007, foram nacionalizadas as companhias de telecomunicações e de eletricidade, a faixa petrolífera do rio Orinoco e três empresas de cimento.
fds Nos próximos dias, ainda, poderá ser concretizada a estatização de uma das maiores instituições financeiras do país, o Banco da Venezuela, que pertence ao grupo espanhol Santander. (v. aqui)
fds Enfim, soluções eficientes, estratégicas e fundamentais para se colocar ordem no caos do capitalismo monopolista e neoliberal que quer se perpetuar na selvageria das economias nacionais.


terça-feira, 19 de maio de 2009

# aspas (xvi)


 
O jornalista Luiz Carlos Azenha, do seu especial espaço virtual "Vi o Mundo" (v. aqui), resume boa parte dos interesses dos donos do poder que nos assolam, entre idas-e-vindas, há 500 anos, e que mostra a fome da nossa direita e da nossa conservadora sociedade:
 
   Ninguém é "de direita" no Brasil. Ninguém assume ser de direita. Mas ela existe, se esconde sob diversos disfarces e representa uma aliança entre grandes interesses econômicos internacionais e grandes interesses econômicos nacionais subordinados àqueles. O tal pacto de elites. Elas fazem concessões pontuais para preservar o essencial: o controle da terra, do subsolo e dos recursos naturais. Quantos bilhões de dólares vale o pré-sal? Quantos bilhões de dólares valem os minérios no subsolo brasileiro? A direita, que nunca chegou a perder o controle da riqueza, vem aí faminta por privatizar cada centavo desses bens públicos, para tomar de volta mesmo as migalhas que Lula distribuiu.
   O presidente Lula não representou um rompimento com isso. Ele costurou alianças em direção ao centro para garantir a "governabilidade". Hoje o agronegócio manda na agricultura e no meio ambiente, os banqueiros controlam o Banco Central e os recursos naturais do Brasil estão entregues a interesses privados -- da Vale do Rio Doce aos parceiros estrangeiros da Petrobras.
   Num quadro de escassez, expresso na crise econômica internacional, a disputa pelo controle dos recursos -- e de como gastá-los -- deve se acirrar em todo o mundo. No Brasil não é diferente. Essa disputa passa pelas eleições de 2010.
   Lula, no poder, se comportou como um sindicalista pragmático. Preferiu os acordos de bastidores às ruas. Não trabalhou para estimular, organizar ou vitaminar movimentos políticos de sustentação às propostas de seu governo. Não trabalhou para aprofundar a democracia, isto é, para engajar politicamente os que ascenderam economicamente graças às políticas sociais de seu governo.
   Em entrevista à "Carta Capital", Dilma Rousseff disse: "A eleição do Lula, do Evo, da Michelle, da Cristina, do Hugo Chávez, marcam um processo de democratização muito comprometido com os povos dos paises nos quais ocorre".
   A diferença é que, no Brasil, o "processo de democratização" foi superficial, não-orgânico e, hoje, depende da sobrevivência política do símbolo dele, Lula. Diante do quadro que descrevi, fiquem de olho: devem aumentar os pedidos para um terceiro mandato ou para que o presidente saia de vice na chapa de Dilma Rousseff.



 

sábado, 16 de maio de 2009

# filósofo do samba


fdsfApós (injustificáveis) quase dois anos, finalmente assisti ao filme "Noel, o Poeta da Paixão". E achei ótimo -- muito diferente, já se diga, do (injustificavelmente) sonso filme "Vinícius"... --, digno daqueles que conseguem, ainda que minimamente, reproduzir para a arte do cinema a arte de um dos maiores gênios da música mundial, morto aos 26 anos e com uma obra plural e eterna.
fdsfNão apenas a vida do Noel -- que por si só já comportaria uma minissérie --, o filme consegue pinçar tudo o que girava em torno do Noel naquele Rio de Janeiro dos anos 30.
fdsfSim, cenas da constante (e inigualável) boemia carioca, cenas dos cabarés&zonas -- que tinham ar e cheiro das Óperas de Viena -- e cenas bucólicas dos morros e das praias, tudo envolto ao medúsico, hipnótico&contagiante ritmo (e letra, e melodia) da maior e melhor música já inventada neste planeta: o samba.
fdsfMas samba, samba! Daqueles compostos, musicados e cantados por aquela gente fina, por aquela nata que o filme mostra -- infelizmente não com os devidos detalhes, haja vista a dimensão de todos na história e os singelos 90 minutos da película... --, em grupos, em parcerias e amizades que de tão surreais parecem fantasiadas: Noel, Ismael Silva, Cartola, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Vadico, Mário Lago, Aracy de Almeita, Francisco Alves, Almirante, Mário Reis...
fdsfHá o retrato de um momento mágico da nossa cultura: os anos 30, 40 e 50, que mostram uma cidade maravilhosa da onde se pode concluir que o samba não vinha do morro nem da cidade -- como mostra a tese de doutoramento defendida na USP por José Adriano Fenerick (v. aqui) --, e onde a cultura do povo era uma cultura rica, e a cultura rica era a cultura do povo. Enfim, uma simbiose fenomenal.
fdsfDe propalada e notória feiúra externa, Noel -- o qual trocou os bancos da Faculdade de Medicina pelos bancos dos botequins (e das praças e das ruas) do Rio -- encantava pelo carisma, pela poesia, pela genialidade, pela generosidade e pelo romantismo, que a bela cena final do filme muito bem retrata: Noel e Papagaio -- o seu melhor amigo, interpretado pelo grande Wilson das Neves --, a tocar e a cantar, respectivamente, "Último Desejo", uma das suas obras-primas (v. abaixo).
fdsfEnfim, consegue o filme (bem) fazer relembrar um dos nossos maiores beethovens, mozarts e bachs, e, principalmente, mostrar o quão curta é a vida que iremos (ou queremos) seguir e o tanto quanto nela se é possível fazer, de bom, plural e eterno.
fdsfE se soubesse eu escrever lágrimas, escreveria mais.
dsf
fds
 
 

segunda-feira, 11 de maio de 2009

# aspas (xv)


Joseph Stiglitz, um dos grandes economistas da atualidade, ganhador do Nobel e que já esteve do lado de lá -- foi presidente do Banco Mundial --, assim disse sobre as teses&teorias e sobre as práticas&políticas da direita, responsáveis pelo grande colapso do sistema neoliberal e cuja crise hoje clama pelo Estado (v. aqui):
 
   “Não há dúvida sobre o grande erro desse pensamento.
   A direita dizia que os mercados se regulariam por si, se ajustariam por si, que se houvesse algum problema os mercados arranjariam-se por si e muito rapidamente.
   Essa noção da sobrevivência dos mais fortes é uma falácia — e a quebra dos grandes bancos é prova disso. (...)
   A ideia de que os mercados são perfeitos só é possível num mundo com informação perfeita, mas, ora, a informação é sempre imperfeita, e isso tudo fragilizou todas as teorias e doutrinas da direita sobre a economia de mercado, que falhou claramente!”.



 

sábado, 9 de maio de 2009

# a risada de ricardo iii

Ricardo III é uma das personagens mais cruéis de Shakespeare. Só perde em maldade para Lady Macbeth e para Iago, em Othelo. Ricardo é mais um gangster perverso da família dos Yorks, o quarto na linha de sucessão ao trono da Inglaterra. Em sua busca pelo cetro, ele elimina um irmão e dois sobrinhos até ser coroado rei.

A peça Ricardo III gozou de enorme popularidade em sua época e é, ainda hoje, uma das peças mais encenadas de Shakespeare. Ricardo é uma figura assustadora, capaz de todas as maldades para atingir seus objetivos. Feio e curvado, com um braço paralisado, alia a deformidade física à de caráter. Sua única qualidade é um traço de fino humor que permeia seu discurso.

No monólogo inicial da peça, Ricardo, sem meias palavras, revela a própria personalidade. “Eu, que não fui talhado para habilidades esportivas nem para cortejar um espelho amoroso; pois bem, eu, nestes dias de serena e amolecedora paz, não acho delícia em passar o tempo, exceto expiar minha sombra ao sol e dissertar sobre minha deformidade! (…) E urdir conspirações”.

Quando acusado por Lady Anne de ter matado o seu marido, ele, de espada na mão, responde ironicamente que o mandou para o céu: “Que ele me agradeça o favor que lhe prestei, enviando-o para lá! Nascera para essa mansão e não para a terra”. Cruel, mas bastante engraçado, não é mesmo?
Curiosamente, Ricardo, como Macbeth tem uma espécie de torcida, pois o seu humor acaba humanizando-o, fazendo com que a platéia ou o leitor torçam em algum momento, por ele.
Diferentemente de Iago, ele tem pesadelos ao final da peça.

Por que estou falando de senso de humor? Estou falando porque não tenho como deixar de comentar o “affair” Joaquim x Gilmar, que mexeu com o país nos últimos dias. Para dizer que a reação do juiz Joaquim Barbosa não foi uma resposta às palavras do Juiz Gilmar, que disse: “O senhor não tem condições de dar lição de moral”.

O ataque verbal teve uma importância secundária no ocorrido. O que fez com que Barbosa perdesse a postura não foram as palavras ditas, mas a risada dada por Gilmar; sarcástica, cheia de escárnio, deboche, profunda arrogância e desprezo. E isso, olhando na cara de Joaquim. Uma risada como aquela fere muito mais profundamente do que uma espada medieval iguais às que Ricardo usava para assustar seus pares, como fez com Lady Anne.

A risada não atinge o corpo, como um soco recebido, mas a alma, e lá dói muito mais. É dificíl não reagir a uma risada excessivamente mordaz. Assistam ao vídeo e vejam se estou enganado. Joaquim estava exaltado, no entanto, foi a gargalhada que o tirou do sério e o fez perder a serenidade de juiz. Claro que há discórdia nos bastidores, mas ninguém se segura diante de tamanho sarcasmo. E, entre pares! Isso não interessa ao Direito, mas ao Teatro e à Literatura, sim. E, se interessa ao Teatro, interessa à vida.

É preciso saber sorrir. A força do senso de humor faz com que até um monarca cruel como Ricardo possa ter a simpatia de alguém. Se Shakespeare escreveu catorze comédias e pôs figuras cômicas em todas as suas peças, mesmo na sombria Macbeth, é porque ele sabia da enorme importância do riso da vida dos homens.

Sorrisos amáveis, nunca sarcásticos. O sarcasmo é perverso, desprezível e desagregador.Link

Esse brilhante texto foi escrito por Theófilo Silva, presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília, e reproduzido no "Conversa Afiada", de Paulo Henrique Amorim (v. aqui), para explicar aquela lição e aquelas verdades ditas pelo Ministro Joaquim Barbosa ao (Supremo) Ministro Gilmar Mendes, naquele célebre discussão que, se você ainda não viu, pode ver aqui e entender o que custou uma sarcástica (e tola, e diabólica) risada.

# onzes

Com o iminente início do Campeonato Brasileiro, acabo de ver (e ler) a exaltação ao time do Inter, de Porto Alegre, não o do Limeira (v. aqui).
É claro que o time gaúcho é um dos favoritos ao título, por ter um time muito bom e por ter alguns jogadores diferenciados e que decidem jogo.
Porém, como diz a Folha/Uol ao comentar que o colorado tem "dois" times, descrevendo-o, ora, daí já é demais! Os reservas eleitos para as respectivas posições são, salvo, uma ou duas peças, fracos, bem fracos.
Indubitavelmente, o Brasileirão faz-se com um elenco, e não com um time; logo, esperar que estes "22" do Internacional façam a grande diferença é mentir, se enganar ou tentar ludibriar.
Caso contrário, o Clube Atlético Paranaense -- aquele escalado por nós, e não pelo Geninho, num outro esquema, diga-se... -- também pode se dar ao luxo de ter "21" -- tudo bem, 1 a menos... -- para jogar o Brasileirão, o que também é uma grande mentira, enganação ou tentativa de ludibriar a torcida:
Galatto (Vinícius); Raul (Nei), Rafael Santos (Gustavo), Antonio Carlos (Manoel) e Marcio Azevedo (Netinho); Valencia (Jairo) e Fransérgio (Chico); Walysson (Wesley), Julio dos Santos, Rafael Moura (Patrick) e Marcinho (William).

domingo, 3 de maio de 2009

# atleticanas (xiii)


O maior clube, com a maior torcida, a maior estrutura e o melhor time do futebol paranaense sagra-se campeão...


... e os coxas, na (grande?) festa dos seus 100 anos, acabam em 3o. lugar.