quinta-feira, 20 de novembro de 2008

# saída pela esquerda: o mundo vermelho em são paulo



Em coincidente resposta à crise que apenas se inicia -- e que faz recrudescer as esperanças por um novo caminho e pela recuperação dos reais valores das nossas sociedades --, amanhã começa o "10° Encontro Internacional de Partidos Comunistas", em São Paulo, a reunir quase setenta "partidões" de diversos países, ricos ou pobres, do mundo (v. aqui).

Com um programa que pretende repercutir os novos fenômenos no quadro internacional, as contradições e os problemas nacionais, sociais, ambientais e econômicos em agravamento, e a luta pela paz, a democracia, a soberania, o progresso e o socialismo, bem como a unidade de ação dos Partidos Comunistas (PC´s), o mundo vermelho -- já com suas diversas idéias e seus diversos ideais sustentados e renovados pelo modelo chinês --, procura, neste Encontro, mais um vez mostrar que a bancarrota do estranho modelo soviético trouxe grandes lições, que a queda do Muro de Berlim foi apenas uma transição exigente de maiores reflexões e muito mais trabalho e que, enfim, não é o "fim da história", mas, pelo contrário -- e como já explicitamente se demonstra pelos últimos acontecimentos --, deixa claro que a sistemática neoliberal e o capitalismo de cassino não são as melhores soluções para a humanidade, exibindo, mais uma vez, que o socialismo é o regime de Estado mais justo, honesto, solidário, igual e, verdadeiramente, livre.

A prática de reunir periodicamente os PC´s do mundo foi retomada, depois da queda do Muro de Berlim, por iniciativa do Partido Comunista da Grécia. A partir de 2006, o Encontro Internacional, antes sempre tendo Atenas como sede, passou a ser itinerante, já sido realizado, nos dois anos anteriores, respectivamente em Lisboa (Portugal) e Minsk (Bielorrússia).

O Encontro deste ano será o primeiro a se realizar fora da Europa, tendo o PCdoB como ''hospedeiro'', e essa escolha de um país latino-americano certamente expressa o interesse e o apreço do movimento comunista internacional pelos êxitos da luta democrática e anti-imperialista dos povos americanos ao longo da última década, em especial diante da realidade e dos últimos eventos mostrados pela sólida e social condução política na Venezuela, na Bolívia, no Equador, no Paraguai, no Uruguai -- e, por que não, na Argentina e no Brasil... --, além, claro, em Cuba, o grande exemplo de independência, de solidariedade e de respeito às necessidades humanas básicas de seu povo.

Claro que a "grande" mídia -- e em especial os membros do "Partido da Imprensa Golpista" -- dará pouco (ou nenhum) espaço ou tratará com menoscabo todo esse Encontro e as suas repercussões; mas, na realidade, quem se importa com ela, já que, nestes trópicos, é a maior propagandista de toda essa zorra na qual se enfiou a sociedade pós-moderna de hoje, no pior estilo "topo tudo por dinheiro"?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

# a viva e pitonisa nota


Neste momento em que se consagra a bancarrota do capitalismo neoliberal e se busca alternativas para a vida humana, o modelo chinês é sempre mostrado como uma viável saída, com Estado forte, partido único e equilíbrio social, numa mescla de políticas e regras estatizantes, assentes num socialismo de Estado, e mercadológicas, baseadas num socialismo de mercado, sempre com vistas ao pleno desenvolvimento e enriquecimento do país, capazes de propiciar a toda a população saúde, educação e segurança.
 
Por isso, reproduzo abaixo a última nota da minha tese de mestrado (exatamente a nota de rodapé número 1.514), que fora excluída da versão publicada pela editora Almedina -- por única e absoluta vontade deste escritor, mas que lá está, na versão original, devidamente depositada na Biblioteca da Universidade de Coimbra -- e que, talvez como fruto de uma vaidade literária -- como assim colocou um dos membros da Banca de Júri, no momento da argüição --, procura fazer um exercício de futurologia, já como contra-ponto à própria tese em defesa, contrária as cláusulas sociais nos moldes pretendidos pelos países ricos.

1514 d.C. Eis, então, que ao ser despretensiosamente explorado este ultrapassado (e imoderado) volume documental de ordens, notas, citações e palavras, comprova-se que a criatura engoliu este criador – e tantos outros que, com semelhantes propósitos e pontos de vista, ousaram desfilar por tal temática nestes últimos séculos. Assim, chega-se a este momento com a temível certeza da enorme nuvem de gafanhotos ter apropinquado; e, com esta explosão do maturescente dragão chinês, já há muito pouco espaço para todos nós, meros mortais. Sim, os chineses tornaram-se imortais.
Um passado de caos, Confúcio, conquistas e conflitos resultou em uma nova sociedade, dinâmica e compromissada com o futuro e a satisfação plena. Alta poupança interna, substanciais investimentos em infra-estrutura e tecnologia, projeto educacional integrado e funcional, sistema de saúde eficiente e, principalmente, um híbrido sistema político-econômico jamais visto e que prioriza a consecução das necessiades humanas fundamentais, os conduziram à primeira potência. Um ritmo contínuo e espantoso de crescimento os galgou ao domínio mundial.
Um governo a enfeixar capitalismo e socialismo, uma economia social de mercado que entrelaça mercado e Estado traduzindo-se em um explosivo coquetel: desenvolvimento, cujos maiores ingredientes são o austero governo, o comércio internacional e o flexível, intenso e amplamente capacitado trabalho. Um Estado que bem centralizou as receitas em educação e tecnologia e que comanda e incentiva um batalhão, a ter uma mão-de-obra quase infinita, quase invencível.
E não se está a falar de ultra ou miniprecarização do trabalho. Pelo contrário. Observa-se um Estado com propostas reconceituadas, onde alguns poucos ainda ganham mais que a maioria e outros poucos ainda ganham menos que a maioria (desigualdade regional e rural-urbana), mas a ampla maioria passa a ganhar o suficiente, e esse suficiente faz alterar os paradigmas de consumo e de necessidades.
Desta vez, se percebe a prática comum do único sentido da sociedade e da coletividade: o bem-estar geral. O mundo está em choque e o capital ocidental não aprendeu – e, agora, não sabe mais o que fazer com o homem. O lado euro-americano realmente não deu conta de todas as precisas e necessárias evoluções, não simplesmente tecnológicas, mas humanas. O grande dragão promoveu mudanças inconcebíveis para os absolutos e únicos padrões norte-ocidentais. O mundo pende para o outro lado e poucos escaparam. Todos aqui apenas sobrevivem com a incapacidade concorrencial das empresas, a falta de divisas externas dos Estados e as miseráveis condições sócio-laborais dos trabalhadores, cujo círculo indica a seqüencial escassez desértica do poder de compra da população, que fomenta ainda mais a bancarrota das empresas e que estancou definitivamente os cofres públicos. Fez-se a imparável roda-viva.
A China conduz os seus vizinhos regionais e provoca os diversos países latino-americanos – que ora lembra um pouco a ilha e estão finalmente livres do “pensamento único” dantes imposto pelas estruturas hegemônicas – para os trilhos do desenvolvimento.
Agora, instaura-se o equilíbrio. Todos chegaram quase lá e apenas enxerga-se o outro lado ansioso pela implementação de uma nova regra no comércio multilateral, então reclamada como talvez a única maneira de serem equalizadas as condições e os níveis de trabalho.
Nesse instante, já diante de uma competição efetivamente global, livre, igual e leal, um quase consenso admite que a propalada nova medida consistiria no imprescindível meio de serem uniformizadas as vidas dos trabalhadores pelo mundo, ainda uma classe hipossuficiente.


 

# antifahrenheit 451 (iv)


A mídia paranaense noticia aos quatro cantos e repetidamente -- para, como Goebbels, fazer tornar verdade uma repetida mentira -- que quase 600 obras públicas estão paradas no Estado do Paraná.

Mentira, ultrajante e ululante mentira. 

Das 702 obras em andamento e promovidas pela Secretaria de Estado de Obras Públicas, são apenas 63 obras paradas, das quais 50 são fruto de convênios com diversas prefeituras municipais, cabendo ao Governo do Estado apenas a fiscalização dos contratos. Logo, há apenas 13 obras paradas sob gestão direta da SEOP, dentre as quais estão os hospitais da Zona Norte e da Zona Sul de Londrina, cujos contratos originais com as construtoras foram rescindidos, com justa causa e ensejadora de indenização ao Estado, e que apenas aguardam a autorização do governador para a abertura de nova licitação.

Quando a mídia nativa diz que há 600 obras públicas paradas, conveniente e dolosamente esquece de informar que 370 tiveram o contrato com a empresa rescindido, por vários motivos. Algumas estão em fase de nova licitação e outras já tiveram o procedimento licitatório concluído, com o reinício das obras.

Outrossim, interromper as obras não significa morosidade ou ineficiência, mas, pelo contrário, significa uma máxima atenção ao princípio da incolumidade do erário público, pois impede que péssimas empreiteiras continuem a prestar (ou a não prestar) péssimos serviços, sem as mínimas condições previstas em contratos, e, ainda pior, recebendo por isso.

Por isso, o Governo do Paraná já está a finalizar a elaboração de um cadastro único de empreiteiras e responsáveis técnicos por obras, para evitar que empresas e empresários suspensos e ímprobos voltem a prestar maus serviços para o Estado e para a sua população. (v. aqui)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

# quo vadis, huracán? (x)

Pela trigésima quinta vez neste campeonato brasileiro, o Clube Atlético Paranaense jogava mal, mas, surpreendentemente, pela primeira vez, eu estava tranqüilo, pois parecia mesmo, inclusive em todo o momento cujo placar mostrava um a zero para o time baiano, que venceríamos, seja pelo pé esquerdo do Netinho -- que come-e-dorme no CAP para alçar bolas na área --, seja pela cabeça iluminada -- por luz divina e luzes de salão -- do Rafael Moura, seja por alguma jogada extravagante e alucinada de algum extravagante e alucionado (ou ébrio) jogador ou seja pelo apito amigo do desconhecido árbitro.
Piano, piano, coincidentemente (ou não) isso tudo aconteceu, o placar virou para 2 a 1 e o homem-de-preto -- o meu personagem do jogo -- cuidou do resto.
O jogo? Ora, o jogo pouco importa, pois, incrivelmente, parece mesmo que nós não cairemos. Saravá!

sábado, 15 de novembro de 2008

# o contra-ataque de milk


E em relação à crônica sobre aquele meu grão-amigo são-paulino, que, radicado há quase uma vida em Curitiba, insiste em nutrir uma paixão por seu distante clube do coração (v. aqui), eis a sua resposta, de "direito"...

Era uma vez um guri careca, mas careca mesmo. Parecido com a parte interna de um sonho de valsa. Era chamado carinhosamente de Sobrancelha, pois esta se tornara a mais evidente das partes mas... lhe fechava os olhos.
Tinha uma paixão: Noêmia. Ahh.. Noêmia... como era feia, nada de flor de beleza.
Desde cedo Sobrancelha fora prometido a Noêmia, fora jogado na arena. Pobre destino estava traçado. Restou-lhe aprender o que é amar. E há de valorizar o esforço brutal de Sobrancelha, ele tentou. Quase sempre presente, diante daquela feiúra toda, se gabava. A zombaria era geral. Mas... tinha os olhos fechados.
O tempo passou... o tempo escassou. Nada que validasse seu empenho naquele amor impossível se concretizou. Apenas pequenas conquistas que so faziam levantar a esperança, para depois cair num abismo sem fim. O espírito estava enfraquecendo, nada mais lhe fazia sentido. Os olhos estavam fechados.
Mas já não era tempo de ter coragem. Coragem essa que poderia livrá-lo deste compromisso insosso.
Restava-lhe olhar pra trás, o futuro já não existia. Vazio.
E nesse vazio surgiu Natália. Ahh.. Natália... como era bela. Mas essa já estava há tempos comprometida, com Milk.
Aquilo sim era amor correspondido. Com os olhos fechados, Sobrancelha não conseguiu enxergar.
Veio o fim como se previa. A inveja que por breves momentos neutralizava a amargura, já não era remédio.
Restou-lhe descansar dessa vida sofrida, e lamentar... que por um branco como Milk, teria sido tricolor.


 

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

# o pretérito do perfeito da crise (ou, "eu te disse, eu te disse...")


O grande político inspirador de Barack Obama, o mais novo queridinho global, é Franklin Delano Roosevelt.

Assim, como talvez nunca tão certo, vem a calhar uma de suas célebres frases -- lembrada por Paul Krugman (v. aqui), último vencedor do Nobel de Economia --, dita no segundo dos seus quatro mandatos presidenciais entre os anos 30 e 40, enquanto tentava recuperar o seu país após o crash de 1929:
 
- "Sempre soubemos que o interesse egoísta e irresponsável é um grande mal do ponto de vista moral; agora sabemos que é também um grande mal do ponto de vista económico".


 

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

# oxalá


Obama foi eleito, o mundo viu e sorriu.

E agora perguntaram para José Saramago qual seria a primeira medida de governo que ele, um dos maiores intelectuais vivos, proporia ao futuro presidente dos EUA.

Eis o que ele respondeu (v. aqui):
"[d]esmontar a base militar de Guantánamo, mandar regressar os marines, deitar abaixo a vergonha que aquele campo de concentração (e de tortura, não esqueçamos) representa, virar a página e pedir desculpa a Cuba. E, de caminho, acabar com o bloqueio, esse garrote com o qual, inutilmente, se pretendeu vergar a vontade do povo cubano. Pode suceder, e oxalá que assim seja, que o resultado final desta eleição venha a investir a população norte-americana de uma nova dignidade e de um novo respeito, mas eu permito-me recordar aos falsos distraídos que lições da mais autêntica das dignidades, das quais Washington poderia ter aprendido, as andou a dar quotidianamente o povo cubano em quase cinquenta anos de patriótica resistência. Que não se pode fazer tudo, assim de uma assentada? Sim, talvez não se possa, mas, por favor, senhor presidente, faça ao menos alguma coisa. Ao contrário do que acaso lhe tenham dito nos corredores do senado, aquela ilha é mais que um desenho no mapa. Espero, senhor presidente, que algum dia queira ir a Cuba para conhecer quem lá vive. Finalmente. Garanto-lhe que ninguém lhe fará mal".


# antifahrenheit 451 (iii)


SANEPAR e COPEL, para delírio da mídia nativa, dos empresários e do grupo político ligado ao ex-Governador Jaime Lerner -- cujo governo findou em 2002, quando então registrou, para ambas as companhias, o maior prejuízo de toda as suas histórias, por força de contratos absurdos e lesivos firmados pela gestão pública de então --, foram parcialmente vendidas e teriam o mesmo fim da "Vale" -- a segunda maior siderúrgica do mundo, atrás da estatal chinesa, dada por 30 moedas para o mundo privado --, se não fosse a intervenção do atual Governo do Estado, que anulou em juízo as operações societárias realizadas e readquiriu o controle absoluto de ambas as estatais: hoje, SANEPAR e COPEL são do povo paranaense e ambas estão entre as 3 melhores e mais rentáveis companhias de água e saneamento e de energia elétrica do Brasil, respectivamente.
A título exemplificativo (v. aqui), agora em novembro o lucro líquido acumulado pela COPEL nos nove primeiros meses de 2008 atingiu a cifra de aproximadamente R$ 900 milhões, o que significa crescimento de mais de 13% sobre os resultados alcançados no mesmo período do ano passado. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido da empresa foi de 12,7% e sua capacidade de geração de caixa – medida pelos lucros antes de impactados por juros, impostos, depreciação e amortização - chegou a R$ 1 bilhão e meio.
Tais resultados, considerados bastante expressivos para o setor, foram impulsionados pela política administrativa e pelo forte crescimento do consumo de energia elétrica no Paraná, que registrou expansão de 6,6% de janeiro a setembro deste ano comparativamente a idêntico período de 2007. Refletindo o crescimento do consumo, a receita operacional líquida da COPEL aumentou 6% em relação ao ano passado, atingindo mais de R$ 4 bilhões. A receita operacional líquida é o resultado apurado pela empresa principalmente com a venda e distribuição de eletricidade, deduzidos os impostos, encargos e tributos.
Em razão disso, a maior parte dos relatórios sobre os resultados da Copel divulgados ao mercado investidor nesta última quinta-feira recomenda a compra de ações da Companhia, motivo de orgulho para todos os paranaense, em especial pela atual conjuntura mundial, que refuta quase toda e qualquer aplicação em bolsa.
Insta salientar, também, que o mercado consumidor abastecido diretamente pela COPEL, formado por 393 dos 399 municípios paranaenses, beneficiou-se dos baixos preços praticados pela Companhia para crescer.
No Paraná, a energia elétrica não é tratada como simples mercadoria mas como instrumento para a indução do desenvolvimento, a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida da população, sendo que a COPEL pratica as menores tarifas do Brasil entre as empresas de grande porte, na medida em que ela tem um papel estratégico a cumprir dentro do projeto de gestão estadual.
Nesse sentido, são várias as ações adotadas pelo Governo do Paraná, e que têm se revelado bastante efetivas: (i) as famílias paranaenses de baixa renda que usam até 100 kWh mensais de energia não pagam a conta de luz, que é assumida pelo Estado por meio do programa "Luz Fraterna" -- e que beneficia diretamente 250 mil famílias das camadas mais carentes da população; e (ii) a eletricidade barata fornecida pela Copel pode custar ainda menos para quem utiliza o insumo entre 9 e meia da noite e 6 horas da manhã na irrigação de lavouras e na avicultura, com descontos que podem chegar a 70% dos preços normais.



terça-feira, 11 de novembro de 2008

# e assim caminha a "humanidade" (v)


Enquanto isso, numa tarde ensolarada da última sexta-feira, uma senhora, com trajes e jeitos peruísticos -- que, sabe-se lá a razão, insistia em puxar-me o saco --, totalmente sem noção e gabando-se por ser a parente dos anfitriões, solta essa, bem no meio de uma gente tão modesta, talvez por pensar que eu fosse um sulista ariano descendente da aristocracia escravocrata:

- ... porque, sei lá, sabe... eu não gosto de gente escura... não sei... não consigo gostar de preto.

- Ahn?!?! -- disparo eu, atônito.

- Ah, sei lá, não gosto viu, não adianta. Ui... -- grunhe aquela coisa com forma humana, a olhar para uma meiga e simpaticíssima mulher negra, que trabalhava naquela casa.

Na resposta, penso na minha esposa, na minha família, nos futuros anos de prisão... e, friamente, resolvo não esquartejá-la e trucidá-la. Apenas respondo:

- Como é que pode alguém, nos dias de hoje -- embora já nos dias de sempre -- pensar assim. Isso é inadmissível e criminoso! Não acha?!?

A mulher me olha, range os dentes, coça um dos chifres e sai, com o nariz empinado e o rabo a balançar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

# ó paí, ó: que maravilha!

Rei e rainha, entre quase um milhar de amigos plebeus, aristocratas e estrangeiros, decidem
- Vem cá -- começa

# quo vadis, huracán? (ix)



Senti o jogo. Repito, senti o jogo, pois, longe, não pude vê-lo. 

Naquele sábado, na capital do vizinho do Sul, passei os 9o minutos imaginando o quê e como tudo lá se passava, como quando criança com meus botões -- e neles, é sabido, o Clube Atlético Paranaense era sempre campeão, como agora está a ser, tamanho é o contra-fascínio que este momento de salvação nos provoca.

Essa louca fuga da segunda maior humilhação de um homem -- depois da traição da mulher amada, a queda para a segunda divisão do time do coração é o nosso mais trágico rebaixamento moral -- está a nos manter num estado tal que só em 1983, 2001 e 2004 gozamos igual.

Mas, nisso tudo, nesta sopa de dúvidas e de fracos sentimentos, o silêncio solitário da incógnita era mitigado pela conexão direta com um homem que me fez nascer e ser rubro-negro da baixada. 

Em múltiplos e constantes bilhetes eletrônicos, via telemóvel, ele conseguia me fazer sentir tudo o que acontecia no jogo e ao redor dele. 

A comunicação digital não tinha os ares regélidos e mecanizados de sempre, mas era contaminada pelo calor humano que descrevia pontualmente cada lance de perigo, cada gol perdido e cada gol marcado. 

As mensagens deixavam de ter objetividade, para serem super-adjetivas; não eram mais tortas abreviações, mas cristalizações de cada homem de vermelho-preto que nos faz, há quatro rodadas, ter mais esperança deste quase-título que em muito breve chegará.

O herói desse meu jogo foi aquele que me fez atento e ciente de tudo o que acontecia naquele espetacular final de tarde em Florianópolis: Odemir, o informante fiel.



quinta-feira, 6 de novembro de 2008

# aspas

 
Outra do caderno virtual de José Saramago (v. aqui), magnífica:
 
"Felizmente há palavras para tudo. Felizmente que existem algumas que não se esquecerão de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos para que em nenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer. Assim como a bondade não tem por que se envergonhar de ser bondade, também a justiça não deverá esquecer-se de que é, acima de tudo, restituição, restituição de direitos. Todos eles, começando pelo direito elementar de viver dignamente. Se a mim me mandassem dispor por ordem de precedência a caridade, a justiça e a bondade, daria o primeiro lugar à bondade, o segundo à justiça e o terceiro à caridade. Porque a bondade, por si só, já dispensa a justiça e a caridade, porque a justiça justa já contém em si caridade suficiente. A caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça."
 
 
 

 


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

# oba?!


A vitória de Obama vai muita além do fútil oba-oba de sorriso amarelo da grande mídia nativa, como assim escreveu o grande uruguaio Eduardo Galeano, o primeiro cidadão ilustre do Mercosul (v. aqui) a exigir ponderada reflexão, ainda que se tenha tal eleição como um marco em termos de equilíbrio e igualdade racial.

Sim, o bloqueio (v. aqui) não cessará, como bem sabemos

"Obama provará no governo que suas ameaças de guerra contra o Irã e o Paquistão não foram mais do que palavras, proclamadas para seduzir ouvidos difíceis durante a campanha eleitoral?
Oxalá. E Oxalá não caia por nenhum momento na tentação de repetir as façanhas de George W. Bush. Ao fim e ao cabo, Obama teve a dignidade de votar contra a guerra do Iraque, enquanto Democratas e Republicanos ovacionavam o anúncio da carnificina.
Durante sua campanha, a palavra “leadership” foi a mais repetida nos discursos de Obama. Durante seu governo, continuará crendo que seu país foi escolhido para salvar o mundo, tóxica idéia que compartilha com quase todos seus colegas? Seguirá insistindo na liderança mundial dos Estados Unidos e na sua messiânica missão de mando?Oxalá esta crise atual, que está sacudindo os cimentos imperiais, sirva ao menos para dar um banho de realismo e de humildade a este governo que começa.
Obama aceitará que o racismo seja normal quando exercido contra os países que seu país invade? Não é racismo contar um por um os mortos dos invasores no Iraque e ignorar olimpicamente os muitíssimos mortos entre a população invadida? Não é racista este mundo onde há cidadãos de primeira, segunda e terceira categoria, e mortos de primeira, segunda e terceira?
A vitória de Obama foi universalmente celebrada como uma batalha ganha contra o racismo. Oxalá ele assuma, a partir de seus atos, tal formosa responsabilidade.
O governo de Obama confirmará, uma vez mais, que o Partido Democrata e o Partido Republicano são dois nomes de um mesmo partido?
Oxalá a vontade de mudança, que estas eleições consagraram, seja mais do que uma promessa e mais que uma esperança. Oxalá o novo governo tenha a coragem de romper com essa tradição de partido único, disfarçado de dois partidos, que, na hora da verdade, fazem mais ou menos o mesmo ainda que simulem uma disputa entre eles.
Obama cumprirá sua promessa de fechar a sinistra prisão de Guantánamo? Oxalá, e Oxalá acabe com o sinistro bloqueio a Cuba.
Obama seguirá acreditando que está certo que um muro evite que os mexicanos atravessem a fronteira, enquanto o dinheiro passa livremente sem que ninguém lhe peça passaporte? Durante a campanha eleitoral, Obama nunca enfrentou com franqueza o tema da imigração. Oxalá a partir de agora, quando já não corre o risco de espantar votos, possa e queira acabar com esse muro, muito maior e vergonhoso que o Muro de Berlim, e com todos os muros que violam o direito à livre circulação das pessoas.
Obama, que com tanto entusiasmo apoiou o recente presente de 750 bilhões de dólares aos banqueiros, governará, como é costume, para socializar as perdas e para privatizar os lucros. Temo que sim, mas oxalá que não.
Obama firmará e cumprirá o protocolo de Kyoto, ou seguirá outorgando o privilégio da impunidade à nação mais envenenadora do planeta? Governará para os automóveis ou para as pessoas? Poderá mudar o rumo assassino de um modo de vida de poucos no qual se rifam o destino de todos? Temo que não, mas Oxalá que sim.
Obama, primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos [bem como de qualquer outro país rico], concretizará o sonho de Martin Luther King ou o pesadelo de Condoleezza Rice? Esta Casa Branca, que agora é sua casa, foi construída por escravos negros. Oxalá ele não se esqueça disso, nunca."

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

# quo vadis, huracán? (viii)

Nem Gorpo ou qualquer outro cidadão de Grayskull poderia prever o que se construiu no final do jogo de ontem: aos 47 minutos do segundo tempo, num derradeiro cruzamento do fraco Netinho -- o homem que come-e-dorme no Clube Atlético Paranaense para bater faltas e escanteios --, o outro esforçado Rafael Moura, que a torcida rubro-negra chama de "He-Man", sobe, do além para além da pequena área, quase sem ângulo e cabeceia uma bola que pareceu ter ficado durante eternos 2 segundos grudada na forquilha do gol do Sport antes de fazer meio-mundo paranaense gritar o gol.
Era 1 x 0, éramos fênix, éramos toda uma nação vermelho-e-preta desfazendo-se dos fantasmas, cada vez mais vivos, de CRB, Tuna Luso, Goiatuba, Bragantino, Goytacaz, Mixto, Barra do Garça etc., e parecendo perceber que o fim pode não estar próximo.
O "Meu Personagem" do jogo não poderia ser outro, de novo: Valencia, o negro colombiano de sangue rubro, que se faz ser, na Arena, o nosso Ben-Hur, que se faz ser, nos tantos buracos (e trincheiras) do relvado da Baixada, o nosso William Wallace, e que se faz ser, no Joaquim Américo, o nosso herói mitológico.

sábado, 1 de novembro de 2008

# (cem) mil / 1


Do invariavelmente brilhante caderno virtual de José Saramago (v. aqui), trazemos a seguinte observação sobre este mundo de lixo & luxo:
 
"[J]á calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, à desmoralização, ao trabalho desproporcionado, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?" (Almeida Garrett -- 1799.1854)

P.S. E sobre essa "crise" -- que, como já disse, abre em traje de gala o canto císnico deste capitalismo neoliberal --, veja aqui o que publicou o excepcional escritor português, e aqui o manifesto subscrito por diversos intelectuais europeus, dentre ele o próprio Saramago.





quinta-feira, 30 de outubro de 2008

# humor líquido


O ato de chorar pode ter variegadas raízes e múltiplas consequências.
Há o choro pela perda da mulher amada. Esse é o choro melancólico, o choro por não ter feito o que deveria fazer, por não ter sido o que deveria ser, por não ter dito o que deveria dizer, por não ter compreendido e por não ter correspondido -- ou, simplesmente, por ter sido trocado por outro, como se fôssemos uma blusa.
Há o choro sulfuroso, de ódio, que sai quente, amargo e rasgado, como co-expressão corporal da ira, e o choro falso, que tem na lágrima crocodiliana o fruto nauseabundo de alguma particular conveniência.
Tem o choro emotivo, singelo, quieto, que nasce de uma cena de filme ou da vida e que costuma passar num piscar de olhos, e o choro triste, mais forte, pesado e complexo, que só costuma cicatrizar com os muitos anos da vida, se não somente no nosso definitivo fechar de olhos.
Há o choro de dor, seja de dor doída ou de dor almada, sendo que este se mostra como quase uma sopa de todos os outros, podendo, inclusive, ser simplesmente uma fase anterior do angustiante desespero esgoelante. Dizem, até, que há o choro fisiológico, aquele que vem da cebola, da fumaça ou da pressão atmosférica e que a ciência médica consegue explicar.
E tem o choro de Pedro Oldoni ao final do jogo desta noite, contra o Vasco, que não se sabe até onde traduzia uma real frustração ou se revestia de conveniente dissimulação pelos dois gols estupidamente perdidos, que nos tiraram a vitória e que só Freud explica.


 

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

# milk e natália

E sobre a paixão de um grandioso amigo são-paulino -- radicado há quase uma vida em Curitiba --, por seu distante clube do coração...
fds
Era uma vez um guri branco, mas branco mesmo. Branco e sardento, que, a se parecer com uma barra de galak com flocos de arroz, era carinhosamente chamado pelos amigos simplesmente de Milk.
Milk tinha uma paixão: Natália, uma moça bela e formosa, a quem ele dedicava horas de contemplação diária.
Milk tinha um problema: desde a sua adolescência -- fase maior dos amores repentinos e não correspondidos --, nunca mais havia visto Natália, senão pela tevê, pelas revistas e, diante da sua imensa idolatria, até pelo rádio ele imaginava vê-la, pois a sua menina-dos-olhos morava em uma terra muito, muito distante.
Assim, zombado por todos pela paixão platônica que nutria a décadas, dava de ombros e sempre repetia: "pelo menos amo uma mulher linda". E isso era mesmo, embora diversas vozes jurassem-na um tanto quanto masculinizada.
E Milk seguia nessa toada, sempre a remexer nos seus arquivos para não deixar apagar de sua memória aquele único e inesquecível encontro com Natália, em 1981, na isolada oportunidade que teve de estar lado a lado com a sua musa inspiradora, ainda muito jovem, cujos atuais fios de cabelos brancos fazem tornar o espaço histórico-temporal ainda maior.
Após repetidas tentativas frustradas de estar com ela, a cada dia seguia ignorando mais a possibilidade de vê-la com os olhos vivos, o que, inconscientemente, o fazia aos poucos tirar as tantas flechas de cupido fincadas em seu coração.
E assim, essa virtualidade ia minando o seu corpo e a sua alma, ambos já cansados da galáctica separação.
Neste momento, melancólico e prestes a acompanhar mais uma vez a sua diva em um grande evento pela televisão, apoltrona-se com um pote de azeitonas e, envolto em todos os quadros e posters que possuía, nota que a rede aberta não irá transmitir o grande show, dando preferência a um mero jogo de futebol entre os dois maiores times nacionais. Lembra que não mais pagou a rede a cabo, pois juntaria o dinheiro poupado para um dia ir ao encontro de seu amor. E nota que não iria ver Natália nesse seu grande momento. Lembra de tantos desaforos e de tantos instantes de solidão e telepatia. Nota que foi um pato. Um pato albino.
E Milk decide mudar. Milk decide morrer.
fds

terça-feira, 28 de outubro de 2008

# o futuro da crise (ou, "não podemos ser cúmplices")


Há uns dias atrás, várias pessoas de diversos países e de diferentes posições políticas, subscreveram o texto abaixo reproduzido.
É uma chamada de atenção, um protesto, a expressão do alarme que se sente diante da crise, do seu andamento, das suas perspectivas e das mirabolantes saídas que se afiguram: "Não podemos ser cúmplices" -- disse José Saramago, um dos seus subscritores (v. aqui).

"A crise financeira aí está de novo destroçando as nossas economias, desferindo duros golpes nas nossas vidas.
Na última década, os seus abanões têm sido cada vez mais frequente e dramáticos. Ásia Oriental, Argentina, Turquia, Brasil, Rússia, a hecatombe da Nova Economia, provam que não se trata de acidentes conjunturais fortuitos que acontecem na superfície da vida económica mas que estão inscritos no próprio coração do sistema.
Essas rupturas, que acabaram produzindo uma contracção funesta da vida económica actual, com o argumento do desemprego e da generalização da desigualdade, assinalam a quebra do capitalismo financeiro e significam o definitivo ancilosamento da ordem económica mundial em que vivemos. Há, pois, que transformá-lo radicalmente.
Na entrevista com o presidente Bush, Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, declarou que a presente crise deve conduzir a uma “nova ordem económica mundial”, o que é aceitável, se esta nova ordem se orientar pelos princípios democráticos – que nunca deveriam ter sido abandonados – da justiça, liberdade, igualdade e solidariedade.
As “leis do mercado” conduziram a uma situação caótica que levou a um “resgate” de milhares de milhões de dólares, de tal modo que “se privatizaram os ganhos e se nacionalizaram as perdas”. Encontraram ajuda para os culpados e não para as vítimas. Esta é uma ocasião única para redefinir o sistema económico mundial a favor da justiça social.
Não havia dinheiro para os fundos de combate à SIDA
[AIDS]
, nem de apoio para a alimentação no mundo… e, num autêntico turbilhão financeiro, acontece que havia fundos para que não se arruinassem aqueles mesmos que, favorecendo excessivamente as bolhas informáticas e imobiliárias, arruinaram o edifício económico mundial da “globalização”.
Por isto é totalmente errado que o Presidente Sarkozy tenha falado sobre a realização de todos estes esforços a cargo dos contribuintes “para um novo capitalismo”!… e que o Presidente Bush, como dele seria de esperar, tenha concordado que deve salvaguardar-se “a liberdade de mercado” (sem que desapareçam os subsídios agrícolas!)…
Não: agora devemos ser resgatados, os cidadãos, favorecendo com rapidez e valentia a transição de uma economia de guerra para uma economia de desenvolvimento global, em que essa vergonha colectiva do investimento de três mil milhões de dólares por dia em armas, ao mesmo tempo que morrem de fome mais de 60 mil pessoas, seja superada. Uma economia de desenvolvimento que elimine a abusiva exploração dos recursos naturais que tem lugar na actualidade (petróleo, gás, minerais, carvão) e que faça com que se apliquem normas vigiadas por uma Nações Unidas refundadas – que envolvam o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial “para a reconstrução e desenvolvimento” e a Organização Mundial de Comércio, que não seja um clube privado de nações, mas sim uma instituição da ONU – que disponham dos meios pessoais, humanos e técnicos necessários para exercer a sua autoridade jurídica e ética de forma eficaz.
Investimento nas energias renováveis, na produção de alimentos (agricultura e aquicultura), na obtenção e condução de água, na saúde, educação, habitação… para que a “nova ordem económica” seja, por fim, democrática e beneficie as pessoas. O engano da globalização e da economia de mercado deve terminar! A sociedade civil já não será um espectador resignado e, se necessário for, utilizará todo o poder de cidadania que hoje, com as modernas tecnologias de comunicação, possui.
Novo capitalismo? Não! Chegou o momento da mudança à escala pública e individual.
Chegou o momento da justiça."


 

domingo, 26 de outubro de 2008

# quo vadis, huracán? (vii)

De hoje a dezembro, são 5 clubes -- Figueirense (34), Náutico (32), Portuguesa (32), Clube Atlético Paranaense (31) e Vasco (30) -- para 3 vagas, pois creio que o Fluminense não cai e o Ipatinga já caiu. Imaginem-se numa bolsa de valores ou num outro cassino qualquer, e façam as suas apostas.
Como a máxima de que o futebol é imprevisível mostra-se mesmo inquebrantável, a vitória contra o Cruzeiro permitiu-me ser mais racional (e menos emocional) com os prognósticos feitos (v. aqui) e, portanto, passo a reconfigurar os meus presságios, a expor o seguinte resultado final, a ser definido mesmo somente no photo- chart: Clube Atlético Paranaense (42) e Náutico (41) ficam, e Vasco (40), Figueirense (40) e Portuguesa (37) caem, junto com o Ipatinga.

rodada 32: VAS X CAP 1 / INT X NAU 0 / FIG X FLU 1 / POR X IPA 1
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rodada 33: CAP X SPO 3 / NAU X VIT 3 / FLU X VAS 1 / GRE X FIG 0 / FLA X POR 0
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rodada 34: FIG X CAP 1 / COR X NAU 1 / VAS X SAN 1 / POR X SÃO 0
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rodada 35: CAP X VIT 3 / NAU X CRU 0 / ATL X VAS 1 / SÃO X FIG 0 / FLU X POR 0
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rodada 36: BOT X CAP 0 / FIG X NAU 1 / VAS X SÃO 1 / POR X GOI 1
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rodada 37: NAU X CAP 3N / COR X VAS 3 / BOT X FIG 0 / POR X SPO 3
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rodada 38: CAP X FLA 3 / SAN X NAU 1 / VAS X VIT 3 / FIG X INT 3 / CRU X POR 0

# quo vadis, huracán? (vi)

Sublimação rima com superação, que nada têm a ver com sublime.
Porém, tudo isso juntou-se no spettacolo deste último sábado, quando o Atlético, quase lanterna, venceu o Cruzeiro, quase líder, e fez recrudescer a esperança de nos manter na primeira divisão.
E essa excelsa e purificadora vitória fez-se sob os ombros e as pernas da raça pura, da mística raça do futebol.
Fez-se com Valencia, um colombiano negro de sangue rubro, um monstro que ocupou cada milímetro do relvado, que cobriu cada espaço tático da equipa, que correu, que marcou e que lançou, insensantemente. Que quando precisou peitar, peitou; que quando precisou berrar, berrou; que quando precisou chutar, chutou -- e acreditem: se precisasse voar, voaria. Enfim, envergou nas chuteiras toda a vontade, toda a força e todo o desespero da torcida para assumir, em definitivo, o papel de nosso "porta-fé" em campo.
Se fosse Nelson Rodrigues, o volante rubro-negro seria o "Meu Personagem da Semana". Ou melhor: doravante ele é o nosso "Príncipe Etíope".

sábado, 25 de outubro de 2008

# e assim caminha a "humanidade" (iv)


Enquanto isso, no fervor da campanha presidencial estadunidense, eis o novo mote da campanha do candidato "republicano" John McCain -- o nonno batata-fritas sucessor de Bush Jr. --, que pretende com tal insulto desqualificar -- sim, é isso mesmo... -- o candidato democrata Barack Obama e finalmente dar uma reviravolta nas eleições:

- "Obama é um socialista!" (v. aqui e aqui)



sexta-feira, 24 de outubro de 2008

# o presente da crise (ou, na mídia golpista, "estatização" não é "estatização")

Mais uma vez, pontual e cirúrgico o texto do jornalista Paulo Henrique Amorim (v. aqui) acerca do preconceito e da bovina estupidez -- como asseverava Nelson Rodrigues -- da mídia nativa sobre a imperiosa necessidade de nosso Estado, nosso mercado e nossa sociedades reverem os seus conceitos (de "Estado", de "mercado" e de "sociedade"):

- "What's in a name? That which we call a rose by any other name would smell as sweet." ("O que há numa palavra ? Se chamássemos a rosa de qualquer outro nome, ela continuaria a ser doce, do mesmo jeito [sic]). Diz Julieta a Romeu.
- O que há em "estatização"? Por que o PiG se recusava a falar em "estatização", quando a Inglaterra de Gordon Brown e os Estados Unidos de Henry Paulson decidiram criar as condições para fazer uma estatização parcial e temporária dos bancos ?
- O PiG
[partido da imprensa golpista] não falava em "estatização". Falava em "injeção", em "capitalização" dos bancos. Quando era na Inglaterra e nos Estados Unidos, "estatização" era uma palavra maldita, porque os nossos provincianos neoliberais se recusavam a admitir a hipótese de ainda haver espaço para algum tipo de "estatização" em sociedades capitalistas maduras. Agora, quando o Governo brasileiro faz a mesmíssima coisa, e abre espaço para uma "estatização" temporária e parcial, o PiG está uma fera.
- A Miriam Leitão
[uma das porta-vozes oficiais da podre mídia golpista] bufa: "A Medida Provisória de hoje aumenta muito o risco no Brasil. O risco de o Banco do Brasil e a Caixa serem usadas de forma indevida para que, aproveitando-se da crise, o governo aumente a estatização por motivos ideológicos. Porque o atual governo acredita em estatizar".
- E tem mais: a Miriam Leitão, aflitíssima com o avanço do comunismo fala em "paranóia" do Governo; em "aventura". Quer dizer que a "estatização" de Brown e Paulson é uma "injeção" e a "estatização" brasileira é movida por uma "ideologia exótica", como diziam os militares.
- "What is in a name"? No emprego da palavra "estatizar" se verifica, nessas plagas tropicais, dominadas pelo obscurantismo de um jornalismo de quinta categoria, todo o peso do preconceito.
- "Estatizar" é o que faria Lord Keynes, para salvar o capitalismo.

# quo vadis, huracán? (v)

Assusta-me a equipa armada pelo (mediano) técnico Geninho para o proxímo jogo do Atlético, o primeiro (!?) da via crucis de outros sete que definirá a queda ou a permanência na primeira divisão.
Já disse outrora que, embora tudo me desminta -- e, no fundo, no fundo, saiba ser mais uma inglória esperança apaixonada a uma melancólica consciência racional --, hay camino. Originariamente, acreditava em 44 pontos (v. aqui), hoje somente são possíveis 43 -- já que não empatamos com o Fluminense -- e, diante dos últimos fatos, se for possível uma segunda chance no prognóstico, acredito (e rezo) nos 42, pois não acredito mais no empate contra o Náutico, lá em Recife.
Mas volto ao meu temor diante da escalação: um meio-campo com apenas 1 marcador, ainda que na forma de 3-5-2... acho que não. Não, não dá, ou parece que não dará, para jogar contra um dos quatro melhores escretes do campeonato com Valencia, Rodriguinho, Julio dos Santos, Ferreira e Netinho, e só aquele primeiro para marcar -- pois, não nos iludanmos, o resto só cerca e, levemente, bufa.
Temos que vencer? Claro. Mas assim voltaremos a ficar extremamente vulneráveis, podendo acontecer o que aconteceu naquele último fatídico sábado, quando, em casa, levamos um chocolate do Fluminense (1 x 4), cuja formação afirmava, já antes do jogo, não ser a ideal e que o empate seria um excelente resultado.
Porém -- e acredito que fora sob esses primas que o selecionar rubro-negro pensou --, o jogo de amanhã não é confronto direto e é contra o quase-líder da competição, fatores que valeriam a pena ir com tudo, já que boa parte dos nossos outros concorrentes também terão escassas chances de sucesso contra o Cruzeiro.
Em todos os casos, lá estaremos, com muita fé, um terço na mão, fotos de maomé e shiva em cada bolso, fazendo cosquinha na barriga do buda e espetando um vudu de raposa.