sexta-feira, 29 de maio de 2009

# à sombra da mangueira imortal: quarta vela


fdsfdsÉ sob a mangueira, diz-se, que se consegue a melhor sombra.
fdsfdsAssim, à sombra da mangueira imortal, pretende-se expor idéias, ideais, divagações, utopias e devaneios, na expectativa de ter e debater, numa rede de milhares de amigos e num universo de bilhões de pessoas, o eco de tantos pensamentos e escritos.fdsfdsAntes de tudo, é uma proposta contributiva para pensar a sociedade e o país nos quais nos inserimos, para, de "ojos abiertos" (e não cegos) -- porque quer enxergar além da visão cabresta, elitista, conservadora e reacionária da maioria daquelas vazias e neutras posições que apenas refletem o discurso midiático mantido pelos donos do poder ou o desejo recôndito na perpetuação do status quo injusto e desigual -- e "coração valente" -- já que imiscuir-se-á sem dó nas feridas abertas e mantidas em sangue pela elite nativa --, mostrar que não desertamos do nosso posto, pretendendo ser uma direta e (i)modesta bula da bola azul que nos envolve e na qual vivemos.
fdsfds
fdsfdsHá exatos quatro anos, com este texto, criávamos este sideral espaço virtual (v. aqui).
fdsfdsCom propósito certo mas rumo indefinido, dispor-nos-íamos a dedicar alguns minutos das nossas madrugadas -- e, atualmente, já de horários mais incertos -- para colocar na tela e jogar nesta incógnita rede mundial as nossas idéias e os nossos ideais sobre o cotidiano da vida, da política, da economia (e de outras ciências sociais), das artes e do futebol, afinal nascemos como a bula da bola e hoje já multiplicamos e expandimos o nosso aviamento, achando-nos receituários de uma panaceia, de um chá de bruxa para a interpretação dos fatos&fotos que movem a nossa sociedade na bola (ou na bolha) que nos inserimos chamada Terra.
fdsfdsA modéstia não nos deixava acreditar que pudéssemos chegar a tantas pessoas, e, principalmente, que pudéssemos materializar o esperado eco.
fdsfdsMas, regozija-nos, até deu certo.
fdsfdsE, hoje, à sombra da mangueira imortal, conseguimos que os nossos (crus e rasteiros) textos sejam acessados por quase mil internet protocols (IPs) por semana -- conforme último demonstrativo de contagem automática de acessos -- e repercutidos nos diversos emails que diariamente recebemos para criticar, discutir, ensinar, questionar, congratular, zombar, aprender ou blasfemar com o que escrevemos.
fdsfdsE isso nos agrada bastante, pois percebemos que tão-somente com um debate extenso, profundo e às claras, sem a interferência rançosa de uma mídia golpista, sem as amarras de uma herança sócio-cultural conservadora (e reacionária) e com o desprendimento espiritual e material das coisas pequeno-burguesas, conseguiremos evoluir como pessoas e como sociedade, em especial num país tão carente de desenvolvimento e de justiça econômica e social (e penal) como o Brasil.
fdsfdsGostaríamos de ser mais frequentes e mais atualizados, mas o dia de 24 horas ainda nos parece curto -- e, por isso, ainda que por vezes pareçamos sumidos, tenham a certeza de que lá estamos, como disse Érico Veríssimo, fazendo luz sobre a nossa realidade, seja acendendo as lâmpadas, os nossos tocos de vela ou, repetidamente, riscando fósforos, como sinal de que não desertamos do nosso posto, a evitar que sobre o nosso mundo perpetue-se a escuridão, propicia para as atrocidades e as injustiças.
fdsfdsEnfim, agradecemos o interesse, a participação e a repercussão promovida por todos, que contribuem para que a bula da bola seja cada vez mais curativa e terapêutica.
fdsfdsE, como não poderia deixar de ser, agradeço também a paciência de todos, especialmente daqueles cujo viés clubístico distancia-se do nosso -- neste ponto, talvez único, confessamos que esta bula se parece mais com receita de curandeiro.
fds

 

quinta-feira, 28 de maio de 2009

# erratas

Momento de mea culpa. Duas.
A primeira trazida pelo grande amigo luso-moçambicano Fernando -- cuja família mora na aprazível Peniche, cidade do litoral português onde já passamos um farto almoço de Páscoa --, ao advertir-me para a (gravíssima e imperdoável) falha técnica que cometemos na última coluna.
O crasso erro, sob todos os pontos de vista, confesso não ter sido por ignorãncia, mas (talvez) por um vácuo cerebral. Assim, antes que alguém do "Pátria Basca e Liberdade" (E.T.A.) pretenda cometer qualquer ato terrorista nas bandas de cá, achei por bem violar o sistema blogspot e já corrigir o verdadeiro impropério, já que o Barça, ora pois, é um clube catalão.
A segunda, (re)motivada por (outro) email contestador recebido hoje, é sobre a autoria da frase "qual é o maior crime: roubar um banco ou montar um?", a qual atribuímos ao grande estadista russo Lenin -- e que já deveria ter sido comentada lá atrás, quando publicamos a coluna "Seiva de Tamarisco" (v. aqui) e recebemos múltiplas missivas cibernéticas questionando-a.
Nestes, mostraram-me e doravante acredito que a certeira frase seja mesmo do dramaturgo alemão Bertoldt Brecht.
Ela faz parte da peça "A Ópera dos Três Vinténs" ("Die Dreigroschenoper") -- aquela que foi adaptada pelo Chico Buarque na "Ópera do Malandro" -- e traz pergunta, na cena 9, em um alemão fielmente traduzido por um amigo: "O que é um roubo de um banco diante da fundação de um banco?" ("Was ist ein Einbruch in eine Bank gegen die Gründung einer Bank?")
Assim, embora muitos atribuam-na a Vladimir Iljitsch Lenin, acho mesmo que não. Tudo bem que o pensador russo veio um pouco antes da peça de Brecht, mas nada se encontra na biografia dele sobre essa frase.
E como a peça na qual Brecht se baseou (The Beggar's Opera, de John Gay, do séc. XVIII) nada traz sobre a frase, acho mesmo que ela tenha partido da cabeça do gênio alemão, talvez contagiado pelos pulsantes ideais socialistas da época e que inclusive fizeram-no se transformar num importante marxista.
fds

# vieram, viram e venceram


fdsCoincidência ou não, ambos os times campeões dos dois grandes torneios europeus jogam um belíssimo futebol: bem pensado, bem armado, bem tocado, categórico, imperial, pra frente e envolvente. Um primor.
fdsA jogar com 4 zagueiros, 1 volante e 5 hábeis armadores&avantes, medusicamente envolveram os times adversários que, em regra, não conseguiram mostrar reação. E assim, com um futebol vistoso e virtuoso, ambos vieram, viram e venceram.
fdsO Shakhtar, da Ucrânia, joga do meio pra frente como jogava, guardadas as devidas proporções, aquelas famosas linhas de 5 jogadores dos anos 50/60 -- quem não lembra de Durval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe?? Assim, com Ilsinho, Fernandinho, Luis Adriano, Jadson e William -- isso mesmo, são cinco brasileiros (!) --, o escrete ucraniano atua pressionando o adversário, com toques rápidos, frequentes e certeiros, até chegar, eficaz e invariavelmente, à meta adversária -- no jogo final, v.g., o quinteto finalizou espantosas 18 vezes contra o gol alemão.
fdsO Barcelona, um pouco diferente, não atua com essa linha de cinco, mas se dá ao luxo de ter a melhor dupla de jogadores do mundo da atualidade, os armadores Iniesta e Xavi, os quais abastecem eficaz e incessantemente a dupla de avantes Eto'o e Henry e libera o ponta-de-lança Messi para fazer&desfazer o que bem entender em campo, como assim se deve permitir para um craque como ele. O resultado: a supremacia da equipe catalã em todos os campeonatos que disputou na temporada.
fdsEm suma, por todo o mundo a tendência parecer mesmo ser essa, com os times e seleções a jogar com grandes armadores, ponta-de-lança, centroavante e ponta(s) muito bem distribuídos, sepultando a perseverante idéia de se jogar com dois ou três brucutus no meio-campo e um centroavante enfiado, como serelepe ou boneco de posto de gasolina.
fdsOra, o meio-campo é o lugar de se pensar-agir-matar o jogo, é onde as coisas devem ser&acontecer, é o habitat natural de pensadores, hábeis e craques. Volante? Um, fundamental, e ponto. Ademais, sacrificar os laterais um jogo todo, em idas-e-vindas infindáveis e infinitas entre ataque&defesa, é uma grande estupidez tática, uma atrocidade física e um desperdício técnico. A César o que é de César, e aos laterais o que é dos laterais.
fdsSeja no esquema destes clubes europeus ou seja no revolucionário 4-1-4-1 da Espanha, o negócio é que 3-5-2 ou 4-4-2 já tiveram os seus dias de glória e hoje já merecem ser sepultados. Aleluia, aleluia!
fdsEntre poucos, falta o Brasil (e alguns clubes nacionais) também querer enxergar isso.
fds

domingo, 24 de maio de 2009

# atleticanas (xiv)

Ninguém honesto consegue explicar o que Geninho quis fazer no segundo tempo do jogo de hoje.
Lá pelas tantas, com o placar ainda a mostrar 2x2, havia 4 zagueiros, um cabeça-de-área, o inócuo Gabriel Pimba improvisado na ala-esquerda e dois centroavantes. Já sem técnica, o amontoado apresentava-se sem o mínimo de organização e posicionamento táticos, tudo e todos a depender de Wallyson e Raul, já estafados, pela ala direita. Enfim, um monte de peças quebradas sem a mínima chance de conseguir formar um time, um time que pense, com cabeça, tronco e membros.
Sim, continuamos sem entender a razão da besta do Geninho continuar a barrar Julio dos Santos, o único jogador do elenco capaz de, no meio-campo, pensar o jogo, vez que Marcinho, além de já mostrar que não é armador -- e sim ponta-de-lança -- prova a cada dia que vai mal.
Há tempos se pede -- e se comprova -- que o Atlético não tem dois jogadores fundamentais para querer jogar num 3-5-2 (um segundo-volante e um que seja ponta-de-lança e armador ao mesmo tempo); logo, pelo elenco de jogadores que tem, o melhor esquema é um tradicional e óbvio (e melancólico) 4-4-2, com Valencia, Julio, Marcinho e um Sr. X, como volante, no meio.
Do jeito que está, as vergonhas serão sucessivas. E não se culpe Galatto, como parte da imprensa quer, afinal, ainda que não se queira admitir que um goleiro pode errar -- como qualquer outro, jogador ou humano --, por que também não se impõe a culpa pela(s) derrota(s) às sucessivas falhas do miola da zaga ou à nula criação do time no jogo todo (lembre-se que os 2 gols da derrota de hoje foram frutos de grosseiras falhas da defesa do Náutico...)? Por que a imprensa não culpa Geninho, pelas barbaridades que tem fez? Por que a imprensa esquece tão rapidamente das tantas e tantas milagrosas e imporantes defesas que o goleiro fez nesta e noutras temporadas? Galatto tem crédito e merece continuar na titularidade -- até mesmo porque não há nenhum Yashin no banco rubro-negro...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

# o petróleo é nosso, e a petrobras imprescindível

A vexatória e repugnante CPI que demos (PFL-DEM) e tucanos (PSDB) insistem em levar adiante é outro marco da visão colonial, entreguista e privatista que a elite nacional tem do nosso país. Ou mais uma espectro do modo eleitoreiro de se discutir os assuntos público e nacionais.

O Brasil prepara-se para assumir o posto de uma das maiores potências petrolíferas mundiais, o que causa brotoejas naqueles que não admitem uma nação rica e uma país de e para todos, que não veem a hora de José Serra ser o presidente e colocar em prática a (dantes) fracassada idéia da "Petrobrax" de FHC. Sim, os conservadores e a direita querem vender a nossa "Amazônia Azul".

Ao invés de quererem discutir frivolidades como as que ocupam destaque na golpita imprensa nacional -- a qual quer, a todo custo, criar no subconsciente da população uma Petrobras ineficiente, incapaz e imoral -- e insistir que o Estado brasileiro não pode gerir os seus maiores e mais estratégicos recursos naturais, o Parlamento brasileiro, se sério em sua maioria, deveria se ocupar de questões essenciais para o nosso futuro como uma desenvolvida nação: como explorar o pré-sal? Onde investir o dinheiro? Como o Brasil pode controlar a sua costa e projetar seu poder na América Latina e no Atlântico Sul? Quais as prioridades que um planejamento de políticas públicas eficazes, de longo prazo, a serem construídas com o ouro negro, merecem?

Inevitalmente, tudo antes exige uma refundação da nossa República, no modo dos nossos homens públicos entenderem o seu papel e a sua atuação na sociedade, afinal, o que se pode esperar da nossa burguesia, de mãos atadas pela incessante busca do sucesso pessoal ou livres das imprescindíveis e (pouco) elásticas algemas estatais, as quais deveriam controlar a mão invisível do mercado e a mão gatuna dos criminosos?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

# elementar e estratégica estatização


fds Poucos dias após a estatização de parte do setor de serviços petrolíferos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou, nesta quinta-feira, a nacionalização de cinco empresas do setor siderúrgico e da maior produtora de cerâmica do país, a Carabobo.
fds O fim: avançar na construção de novo complexo industrial nacional.
fds Com a decisão, as empresas Matesi, Comsigua, Venprecar, Orinoco Irons e Tubos Tavsa devem passar ao controle do Estado nos próximos dias.
fds De acordo com representantes dos sindicatos dessas empresas, há pelo menos seis meses os salários dos funcionários estão atrasados e a produção, praticamente paralisada, razão pela qual teriam pedido a intervenção do Estado.
fds Com essas nacionalizações, somadas à expropriação de 73 companhias prestadoras de serviços petrolíferos, no início do mês, o Estado venezuelano assume o controle de quase todos os setores da economia considerados estratégicos.
fds Desde 2007, foram nacionalizadas as companhias de telecomunicações e de eletricidade, a faixa petrolífera do rio Orinoco e três empresas de cimento.
fds Nos próximos dias, ainda, poderá ser concretizada a estatização de uma das maiores instituições financeiras do país, o Banco da Venezuela, que pertence ao grupo espanhol Santander. (v. aqui)
fds Enfim, soluções eficientes, estratégicas e fundamentais para se colocar ordem no caos do capitalismo monopolista e neoliberal que quer se perpetuar na selvageria das economias nacionais.


terça-feira, 19 de maio de 2009

# aspas (xvi)


 
O jornalista Luiz Carlos Azenha, do seu especial espaço virtual "Vi o Mundo" (v. aqui), resume boa parte dos interesses dos donos do poder que nos assolam, entre idas-e-vindas, há 500 anos, e que mostra a fome da nossa direita e da nossa conservadora sociedade:
 
   Ninguém é "de direita" no Brasil. Ninguém assume ser de direita. Mas ela existe, se esconde sob diversos disfarces e representa uma aliança entre grandes interesses econômicos internacionais e grandes interesses econômicos nacionais subordinados àqueles. O tal pacto de elites. Elas fazem concessões pontuais para preservar o essencial: o controle da terra, do subsolo e dos recursos naturais. Quantos bilhões de dólares vale o pré-sal? Quantos bilhões de dólares valem os minérios no subsolo brasileiro? A direita, que nunca chegou a perder o controle da riqueza, vem aí faminta por privatizar cada centavo desses bens públicos, para tomar de volta mesmo as migalhas que Lula distribuiu.
   O presidente Lula não representou um rompimento com isso. Ele costurou alianças em direção ao centro para garantir a "governabilidade". Hoje o agronegócio manda na agricultura e no meio ambiente, os banqueiros controlam o Banco Central e os recursos naturais do Brasil estão entregues a interesses privados -- da Vale do Rio Doce aos parceiros estrangeiros da Petrobras.
   Num quadro de escassez, expresso na crise econômica internacional, a disputa pelo controle dos recursos -- e de como gastá-los -- deve se acirrar em todo o mundo. No Brasil não é diferente. Essa disputa passa pelas eleições de 2010.
   Lula, no poder, se comportou como um sindicalista pragmático. Preferiu os acordos de bastidores às ruas. Não trabalhou para estimular, organizar ou vitaminar movimentos políticos de sustentação às propostas de seu governo. Não trabalhou para aprofundar a democracia, isto é, para engajar politicamente os que ascenderam economicamente graças às políticas sociais de seu governo.
   Em entrevista à "Carta Capital", Dilma Rousseff disse: "A eleição do Lula, do Evo, da Michelle, da Cristina, do Hugo Chávez, marcam um processo de democratização muito comprometido com os povos dos paises nos quais ocorre".
   A diferença é que, no Brasil, o "processo de democratização" foi superficial, não-orgânico e, hoje, depende da sobrevivência política do símbolo dele, Lula. Diante do quadro que descrevi, fiquem de olho: devem aumentar os pedidos para um terceiro mandato ou para que o presidente saia de vice na chapa de Dilma Rousseff.



 

sábado, 16 de maio de 2009

# filósofo do samba


fdsfApós (injustificáveis) quase dois anos, finalmente assisti ao filme "Noel, o Poeta da Paixão". E achei ótimo -- muito diferente, já se diga, do (injustificavelmente) sonso filme "Vinícius"... --, digno daqueles que conseguem, ainda que minimamente, reproduzir para a arte do cinema a arte de um dos maiores gênios da música mundial, morto aos 26 anos e com uma obra plural e eterna.
fdsfNão apenas a vida do Noel -- que por si só já comportaria uma minissérie --, o filme consegue pinçar tudo o que girava em torno do Noel naquele Rio de Janeiro dos anos 30.
fdsfSim, cenas da constante (e inigualável) boemia carioca, cenas dos cabarés&zonas -- que tinham ar e cheiro das Óperas de Viena -- e cenas bucólicas dos morros e das praias, tudo envolto ao medúsico, hipnótico&contagiante ritmo (e letra, e melodia) da maior e melhor música já inventada neste planeta: o samba.
fdsfMas samba, samba! Daqueles compostos, musicados e cantados por aquela gente fina, por aquela nata que o filme mostra -- infelizmente não com os devidos detalhes, haja vista a dimensão de todos na história e os singelos 90 minutos da película... --, em grupos, em parcerias e amizades que de tão surreais parecem fantasiadas: Noel, Ismael Silva, Cartola, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Vadico, Mário Lago, Aracy de Almeita, Francisco Alves, Almirante, Mário Reis...
fdsfHá o retrato de um momento mágico da nossa cultura: os anos 30, 40 e 50, que mostram uma cidade maravilhosa da onde se pode concluir que o samba não vinha do morro nem da cidade -- como mostra a tese de doutoramento defendida na USP por José Adriano Fenerick (v. aqui) --, e onde a cultura do povo era uma cultura rica, e a cultura rica era a cultura do povo. Enfim, uma simbiose fenomenal.
fdsfDe propalada e notória feiúra externa, Noel -- o qual trocou os bancos da Faculdade de Medicina pelos bancos dos botequins (e das praças e das ruas) do Rio -- encantava pelo carisma, pela poesia, pela genialidade, pela generosidade e pelo romantismo, que a bela cena final do filme muito bem retrata: Noel e Papagaio -- o seu melhor amigo, interpretado pelo grande Wilson das Neves --, a tocar e a cantar, respectivamente, "Último Desejo", uma das suas obras-primas (v. abaixo).
fdsfEnfim, consegue o filme (bem) fazer relembrar um dos nossos maiores beethovens, mozarts e bachs, e, principalmente, mostrar o quão curta é a vida que iremos (ou queremos) seguir e o tanto quanto nela se é possível fazer, de bom, plural e eterno.
fdsfE se soubesse eu escrever lágrimas, escreveria mais.
dsf
fds
 
 

segunda-feira, 11 de maio de 2009

# aspas (xv)


Joseph Stiglitz, um dos grandes economistas da atualidade, ganhador do Nobel e que já esteve do lado de lá -- foi presidente do Banco Mundial --, assim disse sobre as teses&teorias e sobre as práticas&políticas da direita, responsáveis pelo grande colapso do sistema neoliberal e cuja crise hoje clama pelo Estado (v. aqui):
 
   “Não há dúvida sobre o grande erro desse pensamento.
   A direita dizia que os mercados se regulariam por si, se ajustariam por si, que se houvesse algum problema os mercados arranjariam-se por si e muito rapidamente.
   Essa noção da sobrevivência dos mais fortes é uma falácia — e a quebra dos grandes bancos é prova disso. (...)
   A ideia de que os mercados são perfeitos só é possível num mundo com informação perfeita, mas, ora, a informação é sempre imperfeita, e isso tudo fragilizou todas as teorias e doutrinas da direita sobre a economia de mercado, que falhou claramente!”.



 

sábado, 9 de maio de 2009

# a risada de ricardo iii

Ricardo III é uma das personagens mais cruéis de Shakespeare. Só perde em maldade para Lady Macbeth e para Iago, em Othelo. Ricardo é mais um gangster perverso da família dos Yorks, o quarto na linha de sucessão ao trono da Inglaterra. Em sua busca pelo cetro, ele elimina um irmão e dois sobrinhos até ser coroado rei.

A peça Ricardo III gozou de enorme popularidade em sua época e é, ainda hoje, uma das peças mais encenadas de Shakespeare. Ricardo é uma figura assustadora, capaz de todas as maldades para atingir seus objetivos. Feio e curvado, com um braço paralisado, alia a deformidade física à de caráter. Sua única qualidade é um traço de fino humor que permeia seu discurso.

No monólogo inicial da peça, Ricardo, sem meias palavras, revela a própria personalidade. “Eu, que não fui talhado para habilidades esportivas nem para cortejar um espelho amoroso; pois bem, eu, nestes dias de serena e amolecedora paz, não acho delícia em passar o tempo, exceto expiar minha sombra ao sol e dissertar sobre minha deformidade! (…) E urdir conspirações”.

Quando acusado por Lady Anne de ter matado o seu marido, ele, de espada na mão, responde ironicamente que o mandou para o céu: “Que ele me agradeça o favor que lhe prestei, enviando-o para lá! Nascera para essa mansão e não para a terra”. Cruel, mas bastante engraçado, não é mesmo?
Curiosamente, Ricardo, como Macbeth tem uma espécie de torcida, pois o seu humor acaba humanizando-o, fazendo com que a platéia ou o leitor torçam em algum momento, por ele.
Diferentemente de Iago, ele tem pesadelos ao final da peça.

Por que estou falando de senso de humor? Estou falando porque não tenho como deixar de comentar o “affair” Joaquim x Gilmar, que mexeu com o país nos últimos dias. Para dizer que a reação do juiz Joaquim Barbosa não foi uma resposta às palavras do Juiz Gilmar, que disse: “O senhor não tem condições de dar lição de moral”.

O ataque verbal teve uma importância secundária no ocorrido. O que fez com que Barbosa perdesse a postura não foram as palavras ditas, mas a risada dada por Gilmar; sarcástica, cheia de escárnio, deboche, profunda arrogância e desprezo. E isso, olhando na cara de Joaquim. Uma risada como aquela fere muito mais profundamente do que uma espada medieval iguais às que Ricardo usava para assustar seus pares, como fez com Lady Anne.

A risada não atinge o corpo, como um soco recebido, mas a alma, e lá dói muito mais. É dificíl não reagir a uma risada excessivamente mordaz. Assistam ao vídeo e vejam se estou enganado. Joaquim estava exaltado, no entanto, foi a gargalhada que o tirou do sério e o fez perder a serenidade de juiz. Claro que há discórdia nos bastidores, mas ninguém se segura diante de tamanho sarcasmo. E, entre pares! Isso não interessa ao Direito, mas ao Teatro e à Literatura, sim. E, se interessa ao Teatro, interessa à vida.

É preciso saber sorrir. A força do senso de humor faz com que até um monarca cruel como Ricardo possa ter a simpatia de alguém. Se Shakespeare escreveu catorze comédias e pôs figuras cômicas em todas as suas peças, mesmo na sombria Macbeth, é porque ele sabia da enorme importância do riso da vida dos homens.

Sorrisos amáveis, nunca sarcásticos. O sarcasmo é perverso, desprezível e desagregador.Link

Esse brilhante texto foi escrito por Theófilo Silva, presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília, e reproduzido no "Conversa Afiada", de Paulo Henrique Amorim (v. aqui), para explicar aquela lição e aquelas verdades ditas pelo Ministro Joaquim Barbosa ao (Supremo) Ministro Gilmar Mendes, naquele célebre discussão que, se você ainda não viu, pode ver aqui e entender o que custou uma sarcástica (e tola, e diabólica) risada.

# onzes

Com o iminente início do Campeonato Brasileiro, acabo de ver (e ler) a exaltação ao time do Inter, de Porto Alegre, não o do Limeira (v. aqui).
É claro que o time gaúcho é um dos favoritos ao título, por ter um time muito bom e por ter alguns jogadores diferenciados e que decidem jogo.
Porém, como diz a Folha/Uol ao comentar que o colorado tem "dois" times, descrevendo-o, ora, daí já é demais! Os reservas eleitos para as respectivas posições são, salvo, uma ou duas peças, fracos, bem fracos.
Indubitavelmente, o Brasileirão faz-se com um elenco, e não com um time; logo, esperar que estes "22" do Internacional façam a grande diferença é mentir, se enganar ou tentar ludibriar.
Caso contrário, o Clube Atlético Paranaense -- aquele escalado por nós, e não pelo Geninho, num outro esquema, diga-se... -- também pode se dar ao luxo de ter "21" -- tudo bem, 1 a menos... -- para jogar o Brasileirão, o que também é uma grande mentira, enganação ou tentativa de ludibriar a torcida:
Galatto (Vinícius); Raul (Nei), Rafael Santos (Gustavo), Antonio Carlos (Manoel) e Marcio Azevedo (Netinho); Valencia (Jairo) e Fransérgio (Chico); Walysson (Wesley), Julio dos Santos, Rafael Moura (Patrick) e Marcinho (William).

domingo, 3 de maio de 2009

# atleticanas (xiii)


O maior clube, com a maior torcida, a maior estrutura e o melhor time do futebol paranaense sagra-se campeão...


... e os coxas, na (grande?) festa dos seus 100 anos, acabam em 3o. lugar.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

# antifahrenheit 451 (xii)


Dantes já anunciávamos os (pouco) escusos interesses do desembargador federal Edgard Lippman Jr., quando insistia em defenestrar o Governo do Paraná e em tentar acabar com as Escolas de Governo das terças-feiras -- a inventar causos e punições contra o chefe do Executivo paranaense --, e as (bastante) duvidosas decisões judiciais por ele proferidas, talvez fruto das suas suspeitas relações com parte do crime organizado e da turma de bingueiros e empreiteiras (v. aqui).
Porém, tudo era noticiado como fantasioso pela grande e golpista mídia, a insistir com a população que o desembargador estava correto e o governador, claro, errado.
Ora bem. Eis que agora o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em decisão (quase) inédita, decidiu na sessão plenária desta terça-feira (28/04) afastar de suas funções o desembargador federal Edgard Antônio Lippman Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que engloba os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e abrir processo administrativo disciplinar, a fim apurar os fatos indicados em sindicância promovida pela Corregedoria Nacional de Justiça.
A sindicância foi aberta para apurar denúncias de que o desembargador teria recebido valores de forma indevida para possibilitar a reabertura e manutenção de uma casa de bingo da empresa Monte Carlo Entretenimento, além da aquisição irregular de uma série de bens imóveis em nome de sua companheira Ivanise Machado Crescêncio. Os dados preliminares da sindicância indicam que, entre 2003 e 2007, a movimentação financeira do desembargador em instituições financeiras foi superior aos rendimentos declarados nesse período .
Na decisão, o corregedor nacional concedeu prazo de 15 dias para que a Presidência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região suspenda todas as vantagens do desembargador, tais como uso de carro oficial, de gabinete, motorista, nomeação de servidores, entre outras, com exceção dos subsídios. Também determinou a convocação de outro magistrado para substituir o desembargador afastado em todos os processos a ele atribuídos.
E viva a nossa grande mídia! E viva a podre imprensa golpista do nosso país!
fds


segunda-feira, 27 de abril de 2009

# alecrim

Não sou muito afeito a datas, mas cá tenho pra mim que as pessoas mais amadas não deveriam passar os seus aniversários longe da gente. Faz a saudade doer.
Ainda que venha de pouco tempo e que tenha prazo certo, faz ecoar o silencioso vazio da noite sem parabéns, sem velinhas, sem doces. Sem festa.
Longe e distante, só resta o consolo de se aguardar a sua volta. Ainda que não no seu aniversário, onde ela fica mais longe e distante do que nunca.
Em meio a alces e gelos, japas e sopas, congratulations et félicitations, espero que tenha tido ela um grande (e longo) dia, overture de mais um novo ano de sua vida, que certamente será tão feliz como outros vinte e seis que já teve aos nossos lados.

domingo, 26 de abril de 2009

# atleticanas (xii)


O JOGO

Geninho foi sem dúvida o maior culpado da derrota, decidida ainda no primeiro tempo do jogo.

Galatto falhou no primeiro gol? Claro, mas não foi um erro absolutamente decisivo ou imperdoável, não apenas pelo recente passado heróico do arqueiro, mas pelo que fez o treinador rubro-negro em toda a escalação e composição do Atlético.

Ora, um time com tantas qualidades individuais do meio-campo pra frente como o do Coritiba não merece (e não pode!) ser encarado com um único jogador de marcação, viúvo de algum outro que saiba jogar e, tanto quanto, marcar.

A única justificativa séria para isso talvez resida na necessidade urgente do Geninho queimar e mandar às favas o excelente paraguaio Julio dos Santos. Por que insistir com ele como segundo-volante? O óbvio ululante mostra que ele é um dos melhores armadores que já passaram pelo futebol paranaense, homem da camisa 10 e dono do time. Marcar, combater, dar cabeçada e pancada e correr atrás de atacantes e pontas-de-lança são funções e atributos de outros jogadores -- feitos mesmo para carregar o piano --, não do meia paraguaio.

Ora, por que insistir com o apequenado e medíocre Júlio César no ataque, ao invés de deslocar para lá o Marcinho (ah, mas ele não quer jogar na frente... ora quando eu era pequeno também não queria ir à escola, mas meus pais obrigavam e eu tinha que ir...)?

Ora, por que sacar o experto garoto Fransergio, que (quase) muito bem sabe atuar como segundo-volante, que já se acostumava com a camisa de profissional, e ainda mais sem ter um único jogador no elenco com a mesma capacidade e função?

Em suma, o primeiro tempo foi trágico (0x2).

E no intervalo, quando praticamente abandonou um esquema tático usado desde o começo do ano (o 3-5-2) -- para "mais-ou-menos" impor um 4-4-2 sem noção e sem treino, com Chico saindo da zaga e formando com Jairo uma pesada e limitadíssima dupla de volantes e, pior, colocando pra jogar quatro atacantes do meio pra frente (Marcinho, Walysson, Rafael Moura e Lima), sendo um deles horroroso (o último) --, contribuiu decisivamente para a acachapante derrota.

E não nos iludamos: o Geninho não teve mérito com o precoce empate conseguido (2x2, com 20 minutos do segundo tempo), ainda que com esta inovada e disforme formação. Na verdade, o empate veio com o empurrão da torcida, o amarelão coxa e o anúncio de que o Nacional ganhava o jogo do Malutrom (J. Malucelli) -- este o nosso adversário direto pelo título --, pois a derrota, logo na sequência (2x4), era mesmo iminente, fruto das absurdas formação e orientação táticas ditadas pelo treinador.

Veja bem, abrir esse tresloucado buraco no meio-campo -- no primeiro tempo sem as peças certas e no segundo-tempo com tantas peças erradas e fora de posição --, dando tanto espaço para os alviverdes jogarem e uma ampla liberdade para o muito competente Marcelinho Paraíba, só poderia mesmo resultar em derrota, daquelas que os deuses do futebol (e a torcida) não perdoam.

Uma derrota inevitável, ora pois.

O TÍTULO

À sombra da mangueira imortal, já dizíamos que confiávamos muito mais no desempenho do Nacional frente ao Malutrom (J. Malucelli) que na vitória do Atlético diante dos coxas.

E neste ponto não estávamos errados, embora, na verdade, tivéssemos uma certeza ainda maior de que o Malutrom consagrar-se-ia campeão estadual, à medida que a nossa confiança no Nacional não era tão grande assim.

Bem, vão-se os dedos, ficam os anéis.

E a derrota para os coxas serviu apenas para que estes tivessem um mínimo contentamente no ano do centenário.

É que, na verdade, ao final, já neste próximo domingo contra o Cianorte, o Atlético, time com a melhor campanha, a melhor estrutura e a maior torcida, ficará mesmo com o título de campeão paranaense, em um grande jogo e uma grande festa na Arena da Baixada, para desespero do vovô e da família Okocha.

Um título inevitável, ora pois.




 

sexta-feira, 24 de abril de 2009

# aspas (xiv)


E insistimos nesta seção, porque é fundamental para que possamos mostrar os porques das nossas opiniões, da nossa realidade e da realidade dos outros.
 
Assim, no excelente "Alternatives Économiques" (v. aqui), o ganhador do "Nobel" de Economia deste ano, Paul Krugman, analisa numa entrevista a situação social dos EUA. Leia o seguinte excerto:
 
"― Os norte-americanos podem contar com uma forte mobilidade social para combater as desigualdades?
Não. Alguns indivíduos logram ascender na escala social, mas não tanto como nos gosta imaginá-lo. As histórias de pessoas que saem da pobreza e se tornam ricas são muito, muito raras. Há só 3 por cento de pessoas nascidas entre os 20 por cento mais pobres que acabam sua vida entre os 20 por cento mais ricos. Os Estados Unidos até parecem, na medida em que se pode medir essas coisas, registrar o grau mais débil de mobilidade social entre os países avançados.


― O sonho americano está então morto?
Não. De qualquer maneira, a realidade jamais esteve à altura do que o sonho americano deixava esperar. Mas nós começamos a despertar!"





 

quinta-feira, 23 de abril de 2009

# aspas (xiii)

 
Luiz Fernando Veríssimo assim se pronunciou sobre o MST, após os últimos acontecimentos:
 
   "(...) Mas há um assunto sobre o qual você talvez ingenuamente imaginasse que nenhuma discordância seria possível. A brutal evidência -- geográfica, cartográfica, literalmente na cara, portanto independente de interpretação e opinião -- da iniqüidade fundiária no Brasil, um continente de terra com poucos donos, era tamanha que durante muito tempo uma genérica "reforma agrária" constou do programa de todos os partidos, mesmo os dos poucos donos da terra. Era uma espécie de reconhecimento da injustiça inegável que desobrigava-os de fazer qualquer coisa a respeito, retórica em vez de reforma. O aparecimento do Movimento dos Sem Terra acrescentou um novo elemento a essa paisagem de descaso histórico: os próprios despossuídos em pessoas, organizados, reivindicando, enfatizando e até teatralizando a iniqüidade, para contestar a hipocrisia. A evidência insofismável transformada em drama humano.
   Pode-se discutir os métodos do MST, e até que ponto as invasões e a violência não dão razão à reação e não desvirtuam o ideal, além de agravar a truculência do outro lado. Mas sem perder de vista o que eles enfrentam: não só a injustiça que perdura, apesar de programas governamentais bem intencionados e de alguns avanços, como um Congresso recheado de grandes proprietários rurais, o poder político e financeiro dos agro-business e uma grande imprensa que destaca a violência mas sempre ignorou a existência de acampamentos do MST que funcionam e produzem, inclusive exemplos de cidadania e solidariedade. É a minha opinião."







 
 
 
 

quarta-feira, 22 de abril de 2009

# (in)significâncias


fdsAlguns grandes amigos coxas reclamaram das duas metáforas apresentadas aqui, à sombra da mangueira imortal, nos últimos dias. Repreendo-me, talvez, pelo tom exagerado das comparações ou mesmo pelas ironias que, não obstante já como uma figura de linguagem, poderiam ter sido menos cruéis. Mas, por outro lado, lembro de duas coisas.
fdsPrimeiro, daquela frase clássica que diz: "o futebol é a coisa mais importante dentre todas as menos importantes". Ou seja, no mundo da literatura, das mesas-redondas, das conversas de botequim e das torcidas, o rude esporte bretão não pode ser alçado à quinta-essência mundanal, razão pela qual não permite aos seus respectivos operadores e torcedores tratá-lo como tal em suas vidas.
fdsDepois, ao fato propriamente dito, isto é, estes tais campeonatos estaduais. Ora, como bem disse o técnico do São Paulo, Muricy Ramalho -- antes mesmo das semifinais que eliminou o tricolor paulista --, "para quem vence, o campeonato estadual não vale nada, mas para quem perde é a pior coisa do mundo". Logo, por mais paradoxal que seja a frase, reflete uma puta verdade. Ou seria diferente para a dupla Atletiba?
fdsSe não fosse a magna importância dada pelo Coritiba a este campeonato -- fundamentalmente pelo ano do centenário --, os dois maiores clubes do Estado não estariam dando a mínima para o fato de que o Malutrom (o tal J. Malucelli) está na iminência de se sagrar campeão paranaense, pois o que subsiste é, apenas, a rivalidade entre rubro-negros e alviverdes. O resto do que acontece no âmbito do futebol paranaense, inclusive os seus resultados, não tem a menor importância.
fdsEm suma, os campeonatos estaduais são desprezíveis e horrendos, apresentam um nível técnico ridículo, com jogadores bizonhos e times miseráveis, e servem tão-somente para os dirigentes das federações perpetuarem-se no poder, pelos votos que recebem, a cada eleição, dos clubes filiados. Sobram, no final das contas, apenas os clássicos, que continuarão a existir com uma óbvia e ululante solução: os Campeonatos Regionais, com as Copas Sul-Minas, Rio-São Paulo, Nordeste e Norte-CO a serem disputadas entre os melhores clubes do país, em suas respectivas regiões.
fdsE as novas regras também podem ser bastante claras. Os campeões de cada uma e os vice daquelas duas primeiras com vaga na Sul-Americana, e depois um quadrangular final entre os campeões regionais para decidir uma vaga à Taça Libertadores (tirar-se-ia a vaga do quarto colocado no Campeonato Brasileiro). E deixa os bizarros Campeonatos Estaduais para os pequenos e microtimes, cujos campeões e vices terão vaga na Copa do Brasil, bem como os dois melhores classificados de cada Estado nos Campeonatos Regionais e os 10 primeiros colocados no ranking da CBF (como já é hoje). Assim, passa a Copa do Brasil a ter uma fase a mais.
fdsPronto. Tudo muito simples, fácil e inteligente, para o bem dos amantes dos seus clubes e do (bom) futebol brasileiro.
 
fds

terça-feira, 21 de abril de 2009

# pinocchiadas das trevas

 
fdsPela enésima vez, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vê-se obrigado a esclarecer à sociedade as deslavadas mentiras patrocinadas pela TV Globo, em rede nacional.
 
fdsEis, na íntegra, a carta nacional -- que certamente não merecerá maior repercussão na grande e golpista mídia, nem mesmo como "direito de resposta" -- encaminhada pelo maior movimento social da América Latina, e que vem muito bem a calhar neste dia em que se comemora a data daquele mártir da República, outrora o maior:
 
fds"Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os Sem Terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protesto pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar. Esclarecemos também que:fds1- No sábado (18/4) pela manhã, 20 trabalhadores Sem Terra entraram na mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão danificados por conta das chuvas que assolam a região. A fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de recolherem os materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os Sem Terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam buscar as palhas. O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou a turma subir, se disponibilizando a levar a palha e a lenha até o acampamento.
fds2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram quando os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão. Os seguranças chegaram armados e passaram a ameaçar os Sem Terra. O trabalhador rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão, enquanto os outros conseguiram fugir. O Sem Terra foi preso, humilhado e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas.

fds3- Os trabalhadores Sem Terra que conseguiram fugir voltaram para o acampamento, que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram os companheiros do acampamento, que resolveram ir até o local da guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador rural detido. Logo depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma lista de militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois, os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças do acampamento.
fds4- Sem a palha e a lenha, os trabalhadores Sem Terra precisavam voltar à outra parte da fazenda para pegar os materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças. Os jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada dos marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não atrapalhar a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de “escudo humano”, até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram levados de avião pela Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que tinham tramado uma emboscada.fds5- Os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento na região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos seguranças, os trabalhadores Sem Terra foram recebidos a bala e saíram correndo – como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos Sem Terra pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.fds6- Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara. O Sem Terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma bala alojada no coração. Depois de atirar contra os Sem Terra, os seguranças fizeram três reféns. Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo Ribeiro e Índio.
fds
7- Sem ter informações dos três companheiros que estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os acampados fecharam a rodovia PA 150, na frente do acampamento, em protesto pela liberação dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria. Os sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação dos três trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia Militar".
 

segunda-feira, 20 de abril de 2009

# 100 anos: as intermitências da morte


fdsfdsA família Okocha já vinha definhando, fato este notório pelo mais absoluto esquecimento a que os seus remanescentes se sujeitavam. Nada mais a motivava e nada mais a despontava. Sinceramente, parecia que nada mais a faria renascer e sobreviver, tamanho era o fugaz declínio daquela linhagem. Sim, os Okochas, um a um, iam morrendo.
fdsfdsPorém, quase nas cinzas, eis que o patriarca recebe um recado do além: a morte lhe daria uma sobrevida. Sim, numa carta a Sra. Morte dizia que daria ao Vovô Okocha a oportunidade de esperar chegar aos 100 anos, e que, se alcançado o centenário, toda a família passaria a também gozar desta quase eternidade. Era, finalmente, uma chance dada aos Okochas de se manterem vivos.
fdsfdsA condição, sine qua non, era única: não vacilar neste caminho ao centenário, devendo os Okochas passar incólumes pelos Snurfs, os gigantes azuis, e, depois, vencer o temível Ouragan na grande batalha final.
fdsfdsAlegre, toda a família Okocha não se continha na expectativa de ver no seu Vovô – com as suas longas barbas, os seus brancos cabelos e a pele já cansada pelos sofrimentos que lhe acometem desde o final do século passado – a esperança de se recriar, de reviver e de se mostrar impávida e colossal no cenário medieval. Com uma população envelhecida e oprimida, era a chance – última, talvez – dos Okochas sobreviverem e, finalmente, voltarem a conseguir duelar com os Ouragans, esta a mais tradicional família que em vermelho-e-preto domina todo território.
fdsfdsA redenção proposta pela morte conflitava com o angustiante caminho a ser perseguido pelos Okochas. Eles não poderiam vacilar. Eles tinham que estar preparados para tudo e todos. Mas a morte parecia mesmo inevitável. Eram tantos altos e baixos, tantos (efêmeros) sucessos e (inesquecíveis) insucessos que o desastre parecia iminente. La crónica de una muerte anunciada, dizia-se alhures.
fdsfdsÉ verdade que todos sonham com um mundo de eternidade absoluta. Mas, ao mesmo tempo, todos afirmam, com patética coragem, que a morte faz parte da vida. São, estes, os clichês com que todos embalamos nossas mágoas nos funerais das nossas rotinas. E assim é que os Okochas pareciam tratar daquele momento.
fdsfdsPorém, nas vésperas de enfrentar os gigantes azuis, uma surpreendente força sobrenatural parecia empurrar a família para a glória. Parecia -- sim, parecia! -- que o vento passava a agir em favor dos Okochas. Desgovernado, um quase furacão avançava em sentido contrário e parecia permitir que a família Okocha alcançasse o olimpo. Tudo parecia prosperar para tornar os Okochas imortais.
fdsfdsMas eis que chega o dia da primeira batalha. E ela foi inglória. Cambaleantes, sonsos e fracos, toda a otimista expectativa e toda a empolgante preparação rumo ao eterno centenário foram mesmo em vão. De súbito, os Okochas são esmagados e trucidados pelos Snurfs naquela que ficou conhecida como a "Grande Tarde Azul".
fdsfdsNo alto do seu trono, o Vovô Okocha chora compulsivamente, apoiado apenas em sua já gasta bengala. É a morte, que regressa sem tréguas para informar o momento fatal. A dantes incerteza do corredor da morte torna-se certa, aprazando o desaparecimento definitivo dos Okochas.
fdsfds"Tudo se converterá em pó", diz, em voz já trêmula, o velhinho que quase bem faria 100 anos, antes do instante em que finalmente vem a morrer.
fdsfdsE, no dia seguinte, ninguém dos Okochas pôde mais viver. Pelo menos até fazer duzentos anos...

 
fds

domingo, 19 de abril de 2009

# atleticanas (xi)

fdsfA derrota dos coxas para o Irati na gloriosa e formosa tarde azul deste domingo -- que fez então se despedirem do título paranaense, obrigação frustrada no exato ano em que comemoram 100 anos de vida -- fez-me lembrar dos tempos de infância e do bizarro "Programa do Bozo".
fdsfEntre as tantas brincadeiras deste programa, a que mais mexia com a platéia era uma "corrida de cavalos" -- e meus contemporâneos hão de lembrar...--, que se dava mais ou menos assim:
fdsf1. Num páreo, de brinquedo, quatro cavalos: Malhado, Preto, Branco e Azul (não me pergunte por que, mas sim, tinha um cavalo azul).
fdsf2. No palco, colorido, três pessoas: o Bozo, o Garoto Juca e uma criança qualquer sorteada da platéia.
fdsf3. A criança, aflita e nervosa, apostava num dos cavalos do páreo e se o escolhido vencesse ela ganhava uma tosca prenda, dada pelo palhaço e seu ajudante. Bem, suponhamos que ela apostasse no Azul.
fdsf4. Dada a largada, de um lado a criança e o Garoto Juca ficavam na torcida, a gritar: "vai Azulão, vai Azulão, vai, vai, vai...!!", do outro, o Bozo ficava a torcer por qualquer outro cavalo, em regra o Malhado ("Vai Malhado, Vai Malhado...", gritava o palhaço).
fdsf5. Cruzado o disco final, invariavelmente o cavalo escolhido pela criança vencia. Neste caso, o Azulão.
fdsf6. E a criançada toda pulava feliz, enquanto o Bozo ficava, apoiado numa bengala, com uma bunda cara de palhaço.
fds

sexta-feira, 17 de abril de 2009

# causa nossa, causa socialista

fdsO jurista Vital Moreira, da Universidade de Coimbra, finalmente aceitou e encabeçará a lista do Partido Socialista (PS) português para as próximas eleições ao Parlamento Europeu, legislatura 2009-2014.
fdsDepois do professor catedrático, já aposentado, Manuel Carlos Lopes Porto (1989-1999), muito provavelmente a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra terá outro deputado no mais importante locus de reflexões e decisões da União Européia, o mais ativo e plural bloco do mundo.
fdsAqui se poderá acompanhar os diários da campanha e o currículo de um dos mais importantes constitucionalistas portugueses -- coautor, ao lado de Gomes Canotilho, das já clássicas obras "Constituição da República Portuguesa Anotada" e "Fundamentos da Constituição" --, e, aqui, o invariavelmente pertinente blog "Causa-Nossa", editado por ele e por outros intelectuais portugueses.
fds

quinta-feira, 16 de abril de 2009

# aspas (xii)



No excelente jornal "The Guardian", o historiador inglês Eric Hobsbawm, um dos maiores pensadores à esquerda do mundo, traz conclusivas palavras (v. aqui, na íntegra):

   "(...) progressive policy needs more than just a bigger break with the economic and moral assumptions of the past 30 years. It needs a return to the conviction that economic growth and the affluence it brings is a means and not an end.
   The end is what it does to the lives, life-chances and hopes of people".




 

quarta-feira, 15 de abril de 2009

# espelho, espelho meu


Houve um tempo em que era o máximo, era de se inflar os (alter)egos, dizer por aí e em rodas de conversa que se lia dois ou três jornais ou revistas, como grandes sinônimos de que o sujeito estava mais do que muito bem informado: era, na verdade, uma grande amostra de que ele estava na moda e afiado com o pensamento único vigente.

Pelos demais, era, pois, considerado até um intelectual.

Todavia, hoje, o que se vê é a mais absoluta bancarrota moral e técnica destes outrora jornalões e destas revistas que insistem em fazer a cabeça da nossa gente.

Tome-se, por exemplo, as inúmeras contradições entre os fatos noticiados pela grande mídia e os fatos acontecidos ou que acontecem.

Veja-se, também, a imensa quiantidade de fatos inverídicos ou infundados que, depois de noticiados e repisados, são desmentidos ou esquecidos, pois incapazes de traduzir a realidade.

Lembre-se, ainda, que diante da queda livre do faturamento publicitário e do número de assinantes destes meios de comunicação.

E, o que a tantos espanta, como a mim, é o fato de que há muitas pessoas que ainda tem a pachorra de se confessarem grandes leitores de Folha, Globo e Valor Economico, e profundos consumidores de Veja e Exame.

Ainda que muito discutível o viés ideológico que sustentaria estas pessoas na hipnótica leitura de tais folhetins, essa confissão à direita seria muito menos pior que a doce ilusão de acharem que estão a fazer uma profícua e saudável leitura.

Sim, ainda pensam que a intelectualidade está em conhecer e, a sério, repercutir estes tablóides, se iludindo com o falso e vazio conteúdo informativo, científico e moral que tais produtos oferecem.

Pior do que isso, com base e fundamento nestes jornais, nestas revistas e na TV Globo, julgam-se capazes de discutir, pensar e entender o mundo, repita-se, não pelo viés ideológico -- que aqui já me abstenho de questionar --, mas pelo viés da verdade e da justiça moral, que são incapazes de se fazerem presentes nos textos e nas matérias destes infames e golpistas meios, os quais ainda tentam, de todas as formas, salvar o pensamento único mundano e fazê-lo se eternizar na "terra brasilis".
fds


 

terça-feira, 14 de abril de 2009

# no xis da questão

Ora, se na democracia a força é do povo (dêmos, povo + krátos, lei ou força), ou seja, é o povo quem tem o poder para impor as suas vontades e as suas regras, atributos estes temperados pela "representatividade" que se faz presente nos parlamentares e nos governantes, quem teme ou a quais interesses estes que temem servem constantes e cerscentes plebiscitos, destinados à população para que esta faça valer as suas vontades, acerca dos grandes e mais importantes projetos e discussões e projetos políticos do país?
O Senador Cristovam Buarque (PDT/DF), quando na semana passada propôs uma consulta popular, via plebiscito, para se saber se a nação brasileira preferiria o fechamento deste Congresso Nacional e a convocação de novas eleições, nada mais fez do que exteriorizar a lógica da democracia, que se diz querer fazer presente no nosso país e que se diz querer atender à demanda e às necessidades da população.
À frente voltaremos com este importante assunto.
fds