quarta-feira, 1 de outubro de 2008

# aforismo

Para ilustrar a missão e os desafios meuchapanses rumo ao título da Copinha, uma frase de Johan Cruijff, líder da "laranja mecânica" na Copa de 74, dias antes da decisão que acabou consagrando os imperdoáveis alemães ocidentais: "Duits kunnen niet van ons winnen, maar we kunnen wel van ze verliezen" ("os alemães não podem vencer-nos, mas nós podemos perder para eles").

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

# una nueva banana republic?

Sobre a derrota do capitalismo e do cassino globalizante protagonizada pelo Tio Sam nos últimos dias, eis as palavras do excelente economista estadunidense Paul Krugman, trazidas do "The New York Times.com": "(...) As a friend said last night, we´ve become a banana republic with nukes".

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

# e assim caminha a "humanidade"


Enquanto isso, num jantar entre amigos, eis a resposta dada por um deles, quando usei o exemplo do presidente equatoriano -- o novo pirata, que exigiu grossa indenização da construtura brasileira Odebrecht, por uma grande cagada por ela feita, e que foi paga rapidinho e sem chiar... -- , para assim mostrar como o Estado pode (e deve) intervir na economia, nas organizações e nos assuntos legais nacionais, a atuar solto das amarras oligarcas e compromissado apenas com a eficiência estatal e o interesse público:

"(...) Ah... O nosso querido pirata não tinha grana para pagar a despesa e inventou umas rachaduras para justificar tal inadimplemento. Mais uma vergonha para nossa querida America do Sul! Viva a Odebrecht que entregou a obra 6 meses antes do previsto, problemas de rachadura ate meu prédio tem e nem por isso deixei de pagar a parcela mensal. Viva o Capitalismo!".


terça-feira, 23 de setembro de 2008

# as feras do saldanha

Na humildade que lhe é peculiar e com enormes esforços políticos e financeiros da Diretoria -- cujos dotes ultrapassam o tabuleiro geopolítico do War e as contas bancárias de Seychelles e Cayman --, o MEU CHAPA FUTEBOL E REGATAS traz para o campeonato o seguinte elenco de artistas, guerreiros e heróis, devidamente qualificados e apresentados:

1. Rodericus Sautxuxa (Rodrigo Sautchuk) - guarda-redes iraniano, ágil e rápido, é um maluco-sem-beleza e uma espécie rara de "aranha negra".

2. Serginho Vaporub (Sergio M. Gonçalves) - ala-direita brasileiro, não desiste nunca, com ginga e sete pulmões é outro "filho do vento".

3. Oliva Itaipava (Luis F. de Oliveira) - zagueiro e lateral espanhol, performático nos bares e nas regatas, é o “kaiser".

4. Z. Iljitsch Samsa (Rodrigo Gava) - líbero e centro-médio uruguaio, com descendência tcheca e coração cubano, compositor, comunista e comandante de "coração valente".

5. Ricky Royce (Royce Oliveira) - zagueiro canadense naturalizado brasileiro, citius, fortius e sempre eficiente, é o "deus da raça".

6. Francisco Grizard (Luiz A. Grisard) - ala-esquerda mexicano radicado em San Francisco/EUA, exímio nas bolas paradas, tem uma "enciclopédia" no pé esquerdo.

7. Piotr Grabicoski (Pedro Márcio Grabicoski) - ponta-de-lança polonês, portentoso e pinípede, é um ás nos dribles e a "alegria do povo".

8. Wella Sandroski (Sandro de Godoy) - meia-armador polonês, tático, técnico e titânico, é o "príncipe" polaco.

9. Leonidas Rudi (Rudney Correa) - centroavante grego, aspira, matador e letal, tem uma "patada atômica".

10. Pavel Román (Paulo Leonardo Roman) - centroavante romeno, grão-artilheiro, mágico e que pára no ar, é "o possesso".

11. Guilherme Capanêltima (Guilherme Capanema) - meia-armador equatoriano, despacha, controla e arremata, é o “canhotinha de ouro”.

12. Haríate (Valmir Parisi) - único atleta alienígena, este guarda-redes e lateral de Eternia é o ídolo maior e o herói menor, uma muralha com as mãos ou com os pés, um “animal”.

13. M. Salamones (Marcelo Salomão) - lateral e zagueiro luso-brasileiro, um homem de confiança e de bastidores, como “ex-fio maravilha” é a lenda viva meuchapense.

14. Irräti de Camões (Roberto Cezar Pinto) - zagueiro islandês, poliglota e troglodita, furioso mas não veloz, traz nos pés “o divino” e em cada enxadada uma minhoca.

15. Juscelino DeNixon (Nixon Fiori). centro-médio camaronês, de nobre família anglo-brasileira, reina no meio-campo, com diplomacia e cadência, como um "major galopante".

16. Mestre Kisha (Alessandro Kishino) - ala e ponta-de-lança norte-coreano, com a força jedi e a habilidade samurai é quase sempre, dentro e fora do campo, o “furacão da copa”.

Técnico: Roger Donald (Rogerinho) - franco-brasileiro, alguns títulos e voz inconfundível, é o "velho lobo".
Presidente: Dr. Alessandro Kishino
Vice-Presidente: Dr. Marcelo Salomão

# canto laudatório

Com letra e música de Z. Iljitsch Samsa, Chico e Rainha -- sendo que esse deixou essa magnânima obra como seu último trabalho em vida --, o hino do MEU CHAPA FUTEBOL E REGATAS procura traduzir e exprimir a essência do clube, dos seus astros, da sua gente e da sua claque. Ei-lo: 

Ô Meu Chapa, ô Meu Chapa 
As moças gritam por você 
Ô Meu Chapa, ô Meu Chapa 
Tens a fama de só vencer 

A sua glória é trazida dos gramados 
Como dos bares, das tribunas e regatas
Pois quando surge a grande veste alvi-rubra
Fulgura o sangue de uma raça sem bravatas 

Ô Meu Chapa, ô Meu Chapa 
As moças gritam por você 
Ô Meu Chapa, ô Meu Chapa 
Tens a fama de só vencer 

A tua esquadra está sempre irretocável 
A perfilar gladiadores sem iguais 
Em cujos pés aportam a grande maravilha 
De um esporte para o qual não tem rivais 

Ô Meu Chapa, ô Meu Chapa 
As moças gritam por você 
Ô Meu Chapa, ô Meu Chapa 
Tens a fama de só vencer 

E deste clube eternamente hei de sermos
Com seus heróis triunfaremos campeões 
Que com o brilho do prazer dessas conquistas I
mortaliza todos os nossos corações 

Ô Meu Chapa, ô Meu Chapa 
As moças gritam por você 
Ô Meu Chapa, ô Meu Chapa 
Tens a fama de só vencer 


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

# piratas

A propósito do excelente livro do Tariq Ali -- "Piratas do Caribe: Eixo da Esperança" --, a última atitude do presidente equatoriano Rafael Correa foram dignas das merecidas notas do "conversa afiada" (v. aqui), ora transcritas:
. A Odebrecht construiu uma hidrelétrica no Equador que não dava luz.
. O Presidente do Equador denunciou o contrato, avisou que não pagava mais um tusta, exigiu indenização e botou administradores da Odebrecht na cadeia.
. O Estadão, sempre na vanguarda do Golpe de “Estado de Direita” e, agora, adepto da ideologia do “Destino Manifesto” da elite branca brasileira, exigiu num editorial que o Governo Lula invadisse o Equador e depusesse esse malsinado esquerdista Rafael Correa.
. Mais esperta que os golpistas do “Estado de Direita”, a Odebrecht foi lá e fez um acordo.
. Ou seja, Correa defendeu os interesses do povo equatoriano com muito mais eficiência do que o “bem preparado” presidente eleito José Serra, que até hoje não deu um pio sobre a catástrofe que a Odebrecht e outros empreiteiros provocaram com a cratera da Linha 4 do metrô de SP.

sábado, 13 de setembro de 2008

# a lânguida decadência do feijão-preto

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Há tempos tinha este sentimento, e hoje, atônito, percebo que realmente boiamos em uma temerária maré preconceituosa e movediça, ainda que jamais tenhamos nela mergulhado ou dela saído.
Talvez pior, não me refiro aos freqüentes casos de abjeta selvageria recíproca entre negros e brancos planeta adentro; na verdade, entretenho-me a uma questão, ainda que de somenos importância, de grande utilidade sentimental, à medida que, lastimoso, observo que um grande ícone nacional está a sumir das nossas panelas cotidianas: o feijão-preto.
Já poderia admitir a globalização ou mesmo a irretroativa busca por uma elitização na sociedade em múltiplas e infinitas áreas; porém, hoje, ao abrir a geladeira para pegar a marmita amanhecida e verificar que ele não lá estava, foi muito, foi demais.
“Todos cederam!”, cá pensei, num grito triste. Indaguei-me acerca do que mais (e melhor) poderia acompanhar tomates, arroz, bife e batatas. Na real, quase lacrimosos, os meus olhos doíam ao enxergar no fundo do marmitex aquelas sementes marrons (ou brancas, como insistem em chamar a gastronomia) a substituir as boas e velhas pretinhas.
Com pesar, tenho ouvido amiúde idéias orientadas à fidelização do feijão-preto, de modo único e exclusivo, à feijoada; afora ela, em nada mais ele será permitido. Desconfio, já cabisbaixo, que essa verdade agasalha-se de uma realidade fática, pois noto que a massa não percebe essa alteração. Logo, dentre tantos outros episódios, irrefreáveis, que nos assolam e nos maculam, salta aos olhos o descaso com o nosso escurinho.
A mundialização da vida e da economia abriu espaço para tudo e para todos, permite o consumo das mais exóticas e inúteis coisas, colabora com a progressiva pesquisa cientifica na descoberta dos mais variados cruzamentos genéticos, mas, jamais, poderia permitir ou impassibilizar-se diante do triunfar de carioquinhas, fradinhos, rosinhas, manteigas, jalos, rajadinhos e roxinhos em detrimento do nosso feijão-preto. Ainda mais quando trocado por um branco! E mais: nem mesmo o indeciso feijão-mulatinho pode invocar, ainda que via o malfadado sistema de quotas, seu ingresso, seja alternativo ou substitutivo!
Por um lado, é passivo de entendimento que a comodista e egoísta elite -- que pensa ser aristocrática -- pretenda trocar estas e outras coisas quilombeiras, que nos remetem às raízes, por algo mais europeu, mais branco, mais azul; mas, esquecemo-la: o burguês de feijão-preto é algo tão incompatível como a madame de samba.
Assim, resignado, acredito numa épica busca pelo regresso do pretinho à classe média. E mais, em defesa da não-desfiguração do prato nacional, proclamo, urgente: "proletários de todo o Brasil, uni-vos!".

 

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

# salvador allende: 35 anos do mais triste 11/09


fdsHá 35 anos, a elite burguesa e política chileno, apoiada financeira e militarmente pelos EUA, matou uma das esperanças latino-americana daquele momento, matou um dos maiores expoentes do cenário sócio-político da nuestra America, matou Salvador Allende.
fdsEm seu segundo ano de mandato presidencial, este grande líder já implementava mudanças radicais (e profundas e populares) no Chile, minimizando os graves problemas sociais e econômicos que faziam da ampla maioria da população uma eterna refém dos oligarcas e ladrões que há séculos dominavam o país, estabelecendo, com idéias definitivas, um plano socializante para o Chile, no qual não faltaria saúde, educação, segurança e trabalho da melhor qualidade e para todos.
fdsHoje -- e já muito mais importante que o enigmático e obscuro 11/09 das "torres gêmeas" -- o aniversário de seu assassinato deve ser lembrado e nada melhor do que um texto escrito por um dos seus grande amigos, Fidel Castro, que, em uma de suas crónicas semanalmente escritas para o "Granma" -- ora intitulada "Salvador Allende, un ejemplo que perdura", apresentada em maio deste ano, quando se fazia 100 anos do seu nascimento --, traz uma importante e biográfica reflexão da vida pública e política de Allende.
 

fdsNació hace cien años en Valparaíso, al sur de Chile, el 26 de junio de 1908. Su padre, de clase media, abogado y notario, militaba en el Partido Radical chileno. Cuando yo nací, Allende tenía 18 años. Realiza sus estudios medios en un liceo de la ciudad natal.

fdsEn sus años de estudiante preuniversitario, un viejo anarquista italiano, Juan Demarchi, lo pone en contacto con los libros de Marx. Se gradúa como alumno excelente. Le gusta el deporte y lo practica. Ingresa voluntario al servicio militar en el Regimiento Coraceros de Viña del Mar. Solicita traslado al Regimiento Lanceros de Tacna, un enclave chileno en el norte seco y semidesértico, posteriormente devuelto a Perú. Egresa como oficial de reserva del Ejército. Lo hace ya como hombre de ideas socialistas y marxistas. No se trataba de un joven blando y sin carácter. Era como si adivinara que un día combatiría hasta la muerte defendiendo las convicciones que ya comenzaban a gestarse en su mente.
fdsDecide estudiar la noble carrera de Medicina en la Universidad de Chile. Organiza un grupo de compañeros que se reúnen periódicamente para leer y discutir sobre el marxismo. Funda el Grupo Avance en 1929. Es elegido vicepresidente de la Federación de Estudiantes de Chile en 1930 y participa activamente en la lucha contra la dictadura de Carlos Ibáñez. Se había desatado ya la gran depresión económica en Estados Unidos con la crisis de la Bolsa de Valores que estalló en 1929. Cuba se adentraba en la lucha contra la tiranía machadista. Mella había sido asesinado. Los obreros y los estudiantes cubanos se enfrentaban a la represión. Los comunistas, con Martínez Villena al frente, desataban la huelga general. "Hace falta una carga para matar bribones, para acabar la obra de las revoluciones..." —había proclamado en vibrante poema. Guiteras, de profunda raíz antiimperialista, intenta derrocar la tiranía con las armas. Cae Machado, que no puede resistir el empuje de la nación, y surge una revolución que Estados Unidos en pocos meses, con guantes de seda y mano de hierro, aplasta, y su dominio absoluto perdura hasta 1959.
fdsDurante ese período Salvador Allende, en un país donde la dominación imperialista se ejercía brutalmente sobre sus trabajadores, su cultura y sus riquezas naturales, lleva a cabo una lucha consecuente que nunca lo apartó de su intachable conducta revolucionaria. En 1933 se gradúa de médico. Participa en la fundación del Partido Socialista de Chile. Es ya dirigente en 1935 de la Asociación Médica Chilena. Sufre prisión durante casi medio año. Impulsa el esfuerzo para crear el Frente Popular, y lo eligen subsecretario general del Partido Socialista en 1936.
fdsEn septiembre de 1939 asume la Cartera de Salubridad en el gobierno del Frente Popular. Publica un libro suyo sobre medicina social. Organiza la primera Exposición de la Vivienda. Participa en el año 1941 en la reunión anual de la Asociación Médica Americana en Estados Unidos. Asciende en 1942 a Secretario General del Partido Socialista de Chile. Vota en el Senado, en el año 1947, contra la Ley de Defensa Permanente de la Democracia, conocida como "Ley Maldita" por su carácter represivo. Asciende en 1949 a Presidente del Colegio Médico. En 1952 el Frente del Pueblo lo postula para Presidente. Tenía entonces 44 años. Pierde. Presenta en el Senado un proyecto de ley para la nacionalización del cobre. Viaja a Francia, Italia, Unión Soviética y la República Popular China en 1954. Cuatro años después, en 1958, es proclamado candidato a la Presidencia de la República por el Frente de Acción Popular, constituido por la Unión Socialista Popular, el Partido Socialista de Chile y el Partido Comunista. fdsPierde la elección frente al conservador Jorge Alessandri. Asiste en 1959 a la toma de posesión como Presidente de Venezuela de Rómulo Betancourt, considerado hasta entonces una figura revolucionaria de izquierda.
fdsViaja ese mismo año a La Habana y se entrevista con el Che y conmigo. Respalda en 1960 a los mineros del carbón, que paralizan su trabajo durante más de tres meses. Denuncia junto al Che en 1961 el carácter demagógico de la Alianza para el Progreso en la reunión de la OEA que tuvo lugar en Punta del Este, Uruguay. Designado de nuevo candidato a la Presidencia, es derrotado en 1964 por Eduardo Frei Montalva, democratacristiano que contó con todos los recursos de las clases dominantes y que, según datos revelados en documentos desclasificados del Senado de Estados Unidos, recibió dinero de la CIA para apoyar su campaña. En su gobierno, el imperialismo trató de diseñar lo que se dio en llamar la "Revolución en Libertad", como respuesta ideológica a la Revolución Cubana. Lo que engendró fueron los fundamentos de la tiranía fascista. En esa elección, Allende obtiene, sin embargo, más de un millón de votos.fdsEncabeza en 1966 la delegación que asiste a la Conferencia Tricontinental de La Habana. Visita la Unión Soviética en el Aniversario 50 de la Revolución de Octubre. El año siguiente, 1968, visita la República Democrática de Corea, la República Democrática de Viet Nam, donde tiene la satisfacción de conocer y conversar con el extraordinario dirigente de ese país, Ho Chi Minh. Incluye en ese mismo recorrido a Camboya y Laos, en plena efervescencia revolucionaria.
fdsTras la muerte del Che, acompaña personalmente hasta Tahití a tres cubanos de la guerrilla en Bolivia, que sobrevivieron a la caída del Guerrillero Heroico y se encontraban ya en territorio chileno. La Unidad Popular, coalición política integrada por comunistas, socialistas, radicales, MAPU, PADENA y Acción Popular Independiente, lo proclama su candidato el 22 de enero de 1970, y triunfa el 4 de septiembre en los comicios de ese año.
fdsEs un ejemplo verdaderamente clásico de la lucha por vías pacíficas para establecer el socialismo. El gobierno de Estados Unidos, presidido por Richard Nixon, después del triunfo electoral entra de inmediato en acción. El Comandante en Jefe del Ejército chileno, general René Schneider, es víctima de un atentado el 22 de octubre y fallece tres días después porque no se plegaba a la demanda imperialista de un golpe de Estado. Fracasa el intento de impedir la llegada de la Unidad Popular al gobierno.
Allende asume legalmente con toda dignidad el cargo de Presidente de Chile el 3 de noviembre de 1970. Comienza desde el gobierno su heroica batalla por los cambios, enfrentando al fascismo. Tenía ya 62 años de edad. Me cupo el honor de haber compartido con él 14 años de lucha antiimperialista desde el triunfo de la Revolución Cubana. En las elecciones municipales de marzo del año 1971, la Unidad Popular obtiene mayoría absoluta de los votos con el 50,86 por ciento. El 11 de julio el presidente Allende promulga la Ley de Nacionalización del Cobre, una idea que había propuesto al Senado 19 años antes. Fue aprobada en el Congreso por unanimidad. Nadie se atrevía a objetarla. En 1972 denuncia en la Asamblea General de las Naciones Unidas la agresión internacional de que es víctima su país. Es ovacionado de pie durante largos minutos. Visita ese mismo año la Unión Soviética, México, Colombia y Cuba. En 1973, al realizarse las elecciones parlamentarias de marzo, la Unidad Popular obtiene un 45 por ciento de los votos y aumenta su representación parlamentaria. No pueden prosperar las medidas promovidas por los yanquis en las dos Cámaras para destituir al Presidente. El imperialismo y la derecha agudizan una lucha sin cuartel contra el gobierno de la Unidad Popular y desatan el terrorismo en el país.
fdsLe escribí seis cartas confidenciales a mano, con letra pequeñita y una pluma de punta fina entre los años 1971 y 1973, en las que le abordaba temas de interés con la mayor discreción.
fdsEl 21 de mayo de 1971 le decía: "...Estamos maravillados de tu extraordinario esfuerzo y tus energías sin límites para sostener y consolidar el triunfo. Desde aquí se puede apreciar que el poder popular gana terreno a pesar de su difícil y compleja misión. Las elecciones del 4 de Abril constituyeron una espléndida y alentadora victoria. Han sido fundamentales tu valor y decisión, tu energía mental y física para llevar adelante el proceso revolucionario. Seguramente les esperan a ustedes grandes y variadas dificultades a enfrentar en condiciones que no son precisamente ideales, pero una política justa, apoyada en las masas y aplicada con decisión no puede ser vencida..."

fdsEl 11 de septiembre de 1971, le escribí: "El portador viaja para tratar contigo los detalles de la visita. nicialmente, considerando un posible vuelo directo en avión de Cubana, analizamos la conveniencia de aterrizar en Arica e iniciar el recorrido por el norte. Surgen luego dos cosas nuevas: interés expresado a ti por Velazco Alvarado de un posible contacto en mi viaje hacia esa; posibilidad de contar con un avión soviético IL-62 de mayor radio. Esto último permite, si se quiere, arribar en vuelo directo a Santiago. Va un esquema de recorrido y actividades para que tú añadas, suprimas e introduzcas las modificaciones que estimes pertinente. He procurado pensar exclusivamente en lo que pueda ser de interés político sin preocuparme mucho el ritmo o la intensidad del trabajo, pero todo en absoluto queda sometido a tus criterios y consideraciones. Hemos disfrutado mucho los éxitos extraordinarios de tu viaje a Ecuador, Colombia y Perú. ¿Cuándo tendremos en Cuba la oportunidad de emular con ecuatorianos, colombianos y peruanos en el enorme cariño y el calor con que te recibieron?"
fdsEn aquel viaje, cuyo esquema transmití al presidente Allende, salvé milagrosamente la vida. Recorrí decenas de kilómetros ante una multitud enorme, situada a lo largo del camino. La Agencia Central de Inteligencia de Estados Unidos organizó tres acciones para asegurar mi asesinato durante ese viaje. En una entrevista de prensa anunciada con anterioridad, había una cámara suministrada por una emisora televisiva de Venezuela equipada con armas automáticas, manejada por mercenarios cubanos que con documentos de ese país habían ingresado a Chile. El valor les falló a los que solo tenían que apretar el gatillo durante el largo tiempo que duró la entrevista y las cámaras me enfocaron. No querían correr el riesgo de morir. Me habían perseguido, además, por todo Chile, donde no me volvieron a tener tan cerca y vulnerable. Sólo pude conocer los detalles de la cobarde acción años más tarde. Los servicios especiales de Estados Unidos habían llegado más lejos de lo que podíamos imaginarnos.
fdsEl 4 de febrero de 1972 escribí a Salvador: "La delegación militar fue recibida con el mayor esmero por todos aquí. Las Fuerzas Armadas Revolucionarias dedicaron prácticamente todo su tiempo durante esos días a atenderla. Los encuentros fueron amistosos y humanos. El programa intenso y variado. Mi impresión es que el viaje ha sido positivo y útil, que existe la posibilidad y es conveniente seguir desarrollando estos intercambios. Con Ariel hablé sobre la idea de tu viaje. Comprendo perfectamente que el trabajo intenso y el tono de la contienda política las últimas semanas no te hayan permitido considerarlo para la fecha aproximada que mencionamos en esa. Es indudable que no habíamos tomado en cuenta estas eventualidades. Por mi parte, aquel día, vísperas de mi regreso, cuando cenábamos ya de madrugada en tu casa, ante la falta de tiempo y la premura de las horas, me tranquilizaba pensar que relativamente pronto nos volveríamos a encontrar en Cuba donde íbamos a disponer la posibilidad de conversar extensamente. Tengo, no obstante, la esperanza de que puedas tomar en consideración la visita antes de mayo. Menciono este mes, porque a más tardar, desde mediados del mismo, tengo que realizar el viaje, ya impostergable, a Argelia, Guinea, Bulgaria, otros países y la URSS. Esta amplia visita me llevará considerable tiempo. Te agradezco mucho las impresiones que me comunicas sobre la situación. Aquí, cada día más familiarizados, interesados y afectados emotivamente todos con el proceso chileno, seguimos con gran atención las noticias que llegan de allá. Ahora podemos comprender mejor el calor y la pasión que debió suscitar la revolución cubana en los primeros tiempos. Podría decirse que estamos viviendo nuestra propia experiencia a la inversa. En tu carta puedo apreciar la magnífica disposición de ánimo, serenidad y valor con que estás dispuesto a enfrentar las dificultades. Y eso es fundamental en cualquier proceso revolucionario, especialmente cuando se desarrolla en las condiciones sumamente complejas y difíciles de Chile. Yo regresé con una extraordinaria impresión de la calidad moral, cultural y humana del Pueblo Chileno y de su notable vocación patriótica y revolucionaria. A ti te ha correspondido el singular privilegio de ser su conductor en este momento decisivo de la historia de Chile y de América, como culminación de toda una vida de lucha, como dijiste en el estadio, consagrada a la causa de la revolución y el socialismo. Ningún obstáculo puede ser invencible. Alguien dijo que en una revolución se marcha adelante con ‘audacia, audacia y más audacia’. Yo estoy convencido de la profunda verdad que encierra este axioma."

fdsLe escribí de nuevo al presidente Allende el 6 de septiembre de 1972: "Con Beatriz te mandé mensaje sobre distintos tópicos. Después que ella partió y con motivo de las noticias que estuvieron llegando la pasada semana, decidimos enviar al compañero Osmany para ratificarte nuestra disposición de colaborar en cualquier sentido, y a la vez tú puedas comunicarnos a través de él tu apreciación de la situación y tus ideas con relación al viaje proyectado a esta y otros países. El pretexto del viaje de Osmany será inspeccionar la Embajada cubana, aunque no se le dará publicidad alguna. Queremos que su estancia en esa sea muy breve y discreta. Los puntos planteados por ti a través de Beatriz ya se están cumplimentando... Aunque comprendemos las actuales dificultades del proceso chileno, tenemos la confianza de que ustedes hallarán el modo de vencerlas. Puedes contar enteramente con nuestra cooperación. Recibe un saludo fraternal y revolucionario de todos nosotros."
fdsEl 30 de junio de 1973 enviamos una invitación oficial al presidente Salvador Allende y a los partidos de la Unidad Popular a la conmemoración del 20 Aniversario del ataque al Cuartel Moncada. En carta aparte, le digo:

fds"Salvador: Lo anterior es la invitación oficial, formal, para la conmemoración del 20 Aniversario. Lo formidable sería que tú pudieras dar un salto a Cuba para esa fecha. Puedes imaginarte lo que significaría eso de alegría, satisfacción y honor para los cubanos. Sé que eso sin embargo depende más que nada de tus trabajos y de la situación en esa. Lo dejamos por tanto a tu consideración. Todavía estamos bajo el impacto de la gran victoria revolucionaria del día 29 y tu brillante papel personal en los acontecimientos. Es natural que muchas dificultades y obstáculos subsistirán pero estoy seguro de que esta primera prueba exitosa les dará gran aliento y consolidará la confianza del pueblo. Internacionalmente se ha dado gran relieve a los sucesos y se aprecia como un gran triunfo. Actuando como lo hiciste el 29, la revolución chilena saldrá victoriosa de cualquier prueba por dura que sea. Te reitero que los cubanos estamos a tu lado y que puedes contar con tus fieles amigos de siempre."
fdsEl 29 de julio de 1973 le envío la última carta: "Querido Salvador: Con el pretexto de discutir contigo cuestiones referentes a la reunión de países no alineados, Carlos y Piñeiro realizan un viaje a esa. El objetivo real es informarse contigo sobre la situación y ofrecerte como siempre nuestra disposición a cooperar frente a las dificultades y peligros que obstaculizan y amenazan el proceso. La estancia de ellos será muy breve por cuanto tienen aquí muchas obligaciones pendientes y, no sin sacrificio de sus trabajos, decidimos que hicieran el viaje. Veo que están ahora en la delicada cuestión del diálogo con la D.C. en medio de acontecimientos graves como el brutal asesinato de tu edecán naval y la nueva huelga de los dueños de camiones. Imagino por ello la gran tensión existente y tus deseos de ganar tiempo, mejorar la correlación de fuerzas para caso de que estalle la lucha y, de ser posible, hallar un cauce que permita seguir adelante el proceso revolucionario sin contienda civil, a la vez que salvar tu responsabilidad histórica por lo que pueda ocurrir. Estos son propósitos loables. Pero en caso de que la otra parte, cuyas intenciones reales no estamos en condiciones de valorar desde aquí, se empeñase en una política pérfida e irresponsable exigiendo un precio imposible de pagar por la Unidad Popular y la Revolución, lo cual es, incluso, bastante probable, no olvides por un segundo la formidable fuerza de la clase obrera chilena y el respaldo enérgico que te ha brindado en todos los momentos difíciles; ella puede, a tu llamado ante la Revolución en peligro, paralizar a los golpistas, mantener la adhesión de los vacilantes, imponer sus condiciones y decidir de una vez, si es preciso, el destino de Chile. El enemigo debe saber que está apercibida y lista para entrar en acción. Su fuerza y su combatividad pueden inclinar la balanza en la capital a tu favor aun cuando otras circunstancias sean desfavorables. Tu decisión de defender el proceso con firmeza y con honor hasta el precio de tu propia vida, que todos te saben capaz de cumplir, arrastrarán a tu lado a todas las fuerzas capaces de combatir y a todos los hombres y mujeres dignos de Chile. Tu valor, tu serenidad y tu audacia en esta hora histórica de tu patria y, sobre todo, tu jefatura firme, resuelta y heroicamente ejercida, constituyen la clave de la situación. Hazles saber a Carlos y a Manuel en qué podemos cooperar tus leales amigos cubanos. Te reitero el cariño y la ilimitada confianza de nuestro pueblo."fdsEsto lo escribí mes y medio antes del golpe. Los emisarios eran Carlos Rafael Rodríguez y Manuel Piñeiro. Pinochet había conversado con Carlos Rafael. Le había simulado una lealtad y firmeza similares a las del general Carlos Prats, Comandante en Jefe del Ejército durante parte del gobierno de la Unidad Popular, un militar digno al que la oligarquía y el imperialismo pusieron en total crisis, que lo obligó a renunciar al mando, y fue más tarde asesinado en Argentina por los esbirros de la DINA, después del golpe fascista de 1973.
fdsYo desconfiaba de Pinochet desde que leí los libros de geopolítica que me obsequió durante mi visita a Chile y observé su estilo, sus declaraciones y los métodos que como Jefe del Ejército aplicaba cuando las provocaciones de la derecha obligaban al presidente Allende a decretar el estado de sitio en Santiago de Chile. Recordaba lo que advirtió Marx en el 18 Brumario.
fdsMuchos jefes militares del ejército en las regiones y sus estados mayores querían conversar conmigo dondequiera que llegaba, y mostraron notable interés por los temas de nuestra guerra de liberación y las experiencias de la Crisis de Octubre de 1962. Las reuniones duraban horas en las madrugadas, que era el único tiempo libre para mí. Yo accedía por ayudar a Allende, inculcándoles la idea de que el socialismo no era enemigo de los institutos armados. Pinochet, como jefe militar, no fue una excepción. Allende consideraba útiles estos encuentros.
fdsEl 11 de septiembre de 1973 muere heroicamente defendiendo el Palacio de La Moneda. Combatió como un león hasta el último aliento. Los revolucionarios que resistieron allí la embestida fascista contaron cosas fabulosas sobre los momentos finales. Las versiones no siempre coincidían, porque luchaban desde diferentes puntos de Palacio. Además, algunos de sus más cercanos colaboradores murieron, o fueron asesinados después del duro y desigual combate.
fdsLa diferencia de los testimonios consistía en que unos afirmaban que los últimos disparos los hizo contra sí mismo para no caer prisionero, y otros que su muerte sobrevino por fuego enemigo. El Palacio ardía atacado por tanques y aviones para consumar un golpe que consideraban trámite fácil y sin resistencia. No hay contradicción alguna entre ambas formas de cumplir el deber. En nuestras guerras de independencia hubo más de un ejemplo de combatientes ilustres que, cuando ya no había defensa posible, se privaron de la vida antes de caer prisioneros.

fdsHay mucho que decir todavía sobre lo que estuvimos dispuestos a hacer por Allende, algunos lo han escrito. No es el objetivo de estas líneas.
fdsHoy se cumple un siglo de su nacimiento. Su ejemplo perdurará.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

# evo (não) vê o lula

Sob as situações (e as atitudes) de lá e de cá, é ótima a comparação feita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim (v. aqui):
. “Aprovação a Lula bate recorde histórico” (sic), diz a manchete da Folha (da Tarde*).
. Segundo últimas pesquisas, 64% dos brasileiros apóiam o Governo dele, inclusive os ricos.
. Lula está 17 pontos à frente do melhor momento do Governo do Farol de Alexandria.
. Morales também é um campeão de popularidade na Bolívia.
. Morales não perde uma eleição.
. Lula também.
. Morales ganha todos os plebiscitos.
. Lula vai ganhar as eleições municipais de novembro.
. Morales não manda na Bolivia.
. Lula não manda no Brasil.
. Morales não manda no gás da Bolívia.
. Lula não vai mandar no Pré-Sal.
. Lula não vai ter peito para impedir que os amigos do Fernando Henrique explorem o pré-sal.
. Assim como Morales não manda em Tarija, a província que mais produz gás.
. Os ricos da Bolívia não deixam Morales governar.
. Os ricos do Brasil acham o Governo Lula “ótimo ou bom”, mas não deixam ele governar.
. O PiG trabalha para derrubar o Morales e ele não tem mídia onde se defender.
. O PiG trabalha para derrubar o Lula e o Lula tem medo do PiG. . Lula não manda no Ministério das Comunicações – quem manda é a Globo.
. Lula não manda no BNDES – quem manda são o Carlos Jereissati e o Sergio Andrade.
. Lula não manda na Secretaria da Presidência. Quem manda é o Dirceu.
. Lula não manda no Ministério da Defesa. Quem manda é o Serra.
. Lula não manda no Congresso. Quem manda são os amigos do Daniel Dantas.
. Lula não manda no Bacen. Quem manda é um deputado do PSDB.
. Lula não manda na Anatel. Quem manda é o Daniel Dantas.
. Lula não manda na CVM – quem manda são os advogados de Dantas.
. Lula não tem “facilidades” no STF – quem tem é o Daniel Dantas.
. Lula não manda na ABIN. Quem manda é o Nelson Jobim, que degolou o ínclito Delegado Dr. Paulo Lacerda com "a fábula da máquina".
. Lula não manda na Polícia Federal. Quem manda é o Daniel Dantas.
. Agora, tem uma diferença entre Morales e Lula: Evo Morales não tem medo.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

# não leia, nem veja


Reproduzimos a seguir o que extraímos do site da Fundação Mario Soares, escrito pelo próprio ex-Presidente e ex-Primeiro Ministro português - um dos grandes líderes da Revolução dos Cravos que, em 1974, acabou com a ditadura, de inspiração fascista, comandada pelos militares e pela "direita" portuguesa -, e que data de 25 de fevereiro de 2008:

“Quem ler os jornais, cheios de faits divers e de escândalos e seguir as televisões, parece que o Brasil está à beira de um colapso. Casos de corrupção, de violência nas cadeias e nas favelas, insegurança generalizada. Ora, não é assim. O Brasil está hoje na maior, para usar uma expressão bem brasileira. A inflação é baixa e está totalmente controlada. O emprego tem subido espectacularmente. A pobreza extrema diminuiu sensivelmente. O Brasil pagou as suas dívidas externas e dispensou os auxílios do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. O real tem uma cotação próxima do dólar. As exportações aumentaram 162 bilhões de dólares nos últimos 12 meses (o maior valor histórico). As reservas internacionais subiram a 162,9 bilhões nos últimos doze meses. Os investimentos externos no Brasil crescem há 14 trimestres consecutivos. Não quero maçar os leitores com os números. Direi tão só que a qualidade de vida dos brasileiros tem vindo a aumentar significativamente. Há um aumento de renda que permite aos mais pobres comprarem frigoríficos, máquinas de lavar, televisões, etc. A agricultura cresceu. Os programas "bolsa de família" e "luz para todos" têm sido um êxito reconhecido. E os brasileiros estão francamente otimistas, quanto ao futuro, como revelou uma sondagem muito completa divulgada, quando eu estava no Brasil. Lula aparece no auge da sua popularidade. Como dizem os brasileiros, com uma expressão característica: "o Brasil está a dar certo"! Não é só um "país emergente". Tornou-se, realmente, numa grande potência. O que representa um enorme orgulho para Portugal e um parceiro insubstituível. Longe vão os tempos em que, com Stefan Zweig, se escrevia: "Brasil, país de futuro". Hoje é uma incontornável realidade!”


 

sábado, 26 de abril de 2008

# mafalda (ou, sobre a mente de um coxa)


Evangelino era um garoto estranho. Estranho, branquelo e, meio corcunda, tinha um certo ar de "vovô".

Dava tudo por um saiote xadrez, daqueles escoceses chamado "kilt", pois queria impressionar a turma da Mafalda, a mais bela turma de garotas da escola e que achava o máximo aquele gosto, que fazia lembrar os grandes heróis e guerreiros celtas e tido como marca registrada da turma do Caveira, formado por uma rapaziada mais moderna e despachada.

Evangelino era também frustrado, pois sabia que na casa onde morava, as meninas jamais o visitariam, pois, além de velha e apoucada, o odor que dela saía era bastante desagradável, levando ele mesmo a duvidar se sua casa merecia o nome de pocilga...

Uma bela tarde, Mafalda e suas turmas reuníam-se para mais uma tarde de agitação na casa de Caveira quando encontraram Evangelino e o convidaram, com um certo ar de sarcasmo, para ir junto.
Sem titubear, o garoto branquelo aceitou o convite e imaginou: "Puxa, hoje vai ser uma tarde daquelas".

E, de ônibus, lá foram todos a caminho da melhor casa da cidade. Ainda que isolado das moças, o êxtase de Evangelino era tamanho que os pêlos arrepiados faziam despontar ainda mais o branco de suas coxas – e, claro, não poderia ser diferente, haja vista a desproporção de realidades mundanas existente entre ele e a turma do Caveira, da qual, pelo menos por algumas horas, ele poderia agora ver diminuída.

Chegando lá, ainda isolado e sem perspectiva de conseguir fazer parte da turma, Evangelino passeia e se deslumbra com o que vê em volta, pois a modernidade e a excelência de tudo que vinha daquele lugar e daquela turma era indescritível.

Refeito do impacto, vê ao longe a doce Mafalda e, trazendo consigo a força dos antepassados que outrora mandavam na cidade, arrisca e dela se aproxima Mafalda, pois a mesma parecia triste com o fato de ter sido ignorada por Caveira.

Sim, já há algum tempo Caveira desprezava-a, pois passou a ter os olhos voltados apenas para Raquel, um outro tipo de mulher, mais adulta, mais cosmopolita e que vivia Brasil afora, bem diferente do ar caseiro e regional – ou "jacu", segundo Huracán, amigo de Caveira – de Mafalda.

Papo cá e lá, enquanto quase toda a Casa só falava na Raquel, ficava visível que Mafalda era uma ciúme só. Achava que não merecia ser tão desprezada. Achava que não era tão pior que Raquel. Achava que toda aquela Casa tinha que lhe prestigiar. Achava que Evangelino era a pessoa certa, no lugar certo.

Mas, como não poderia fazer nada dentro da casa de Caveira, sai e vai até o portão com Evangelino, vira-se e, de repente, beija-o.

"Ele conseguiu catá-la!", brada Huracán, expiando-os pela janela. Todos riem, e acham aquilo tudo bastante caricatural. Menos Mafalda, que achou pouca graça naquilo tudo, e vai embora, no primeiro táxi que passa. Evangelino, por sua vez, tenta voltar para a Casa de Caveira, mas a turma toda despacha-o e diz: "Nos vemos por aí, mas por ora é melhor voltar para a sua pocilga...".

E assim, a pé, Evangelino quase não acredita na tarde que teve. Lembra dos aposentos da Casa de Caveira, dos banheiros, das salas, da cozinha, das comidas, da limpeza, enfim, fica deslumbrado com tudo o que viu e, por pouco tempo, viveu. Mas, infelizmente, sabe que aquela não é a sua realidade, ainda que, ao que parece, tenha conseguido voltar a viver no meio daquela gente grande, pois o Caveira lembrou que o veria "por aí" – "... mas por quanto tempo será?", pensa Evangelino.

Sozinho, já no ônibus, teme a volta à sua vida, vivida numa casa engraçada, velha e mal cheirosa.

Porém, se socorre nas lembranças que tem de Mafalda ("Ah, a Mafalda...", suspira) e fica a pensar como fará para conseguir comprar o seu "kilt"...

 

quinta-feira, 24 de abril de 2008

# querem invadir o paraguay?

Para esta semana mais curta, a golpista imprensa que assola o país inventa outra crise para derrubar o governo federal. Pretende criar uma "crise dos mísseis guarani", baseada na excelente vitória da esquerda paraguaia
– diante dos conservadores e da direita que comanda o segundo país mais pobre da América do Sul há mais de 60 anos – e nas declarações do seu novo presidente, Fernando Lugo, o qual afirmou a urgente necessidade de serem revistas algumas cláusulas do contrato da Itaipu.
E, é claro, nada mais natural – para desespero da nossa direita que ora se faz achar "imperialista" – que o Brasil realmente rever o que é de direito daquela gente.
Assim, nos mesmos moldes do que ocorreu com o povo boliviano em relação à Petrobrás, o povo paraguaio precisa ser melhor recompensado pelos recursos naturais que lhes pertencem, mas que ora trazem satisfação política, econômica e social apenas para nós. Qualquer conduta diversa, mostraria um Brasil travestido de potência hegemônica, a querer abusar dos seus vizinhos, como alhures faz o Tio Sam e a Velha Europa com o resto do mundo.
Mas não. A maldita imprensa insiste em propalar, senão mentiras, pontos de vista distorcidos, que no presente caso remetem ao "custo" (sic) "astronômico" (sic) que o povo brasileiro terá de assumir e à "frouxidão" (sic) do governo federal diante do novo governo paraguaio.
No caso do gás boliviano, nada ocorreu, pois nada mesmo haveria de ocorrer: não houve escassez de gás – pelo contrário, está a se aumentar a quantidade importada –, não houve aumento dos preços – houve, apenas, respeito à "função social" do contrato, melhor e maior paradigma moderno do direito obrigacional – e não houve guerra, mas apenas o respeito e o altruísmo de um país mais rico diante de um mais pobre, que se aasneta no pleno reconhecimento do direito ao desenvolvimento.
No caso da energia que dividimos com nuestros hermanos paraguayos, também nada do que fantasia a amarronzada imprensa pátria (?) ocorrerá, senão um pequeno intumescimento nos cofres públicos daquela nação e o melhor respeito às cartas de direito internacional.
Mas, enfim, o que os conservadores de plantão pretendem mesmo é criar um clima de batalha, mas com um final diferente daquele de Cerro Corá, pois, claro, querem ver o circo pegar fogo. Até ruir.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

# la porca miseria

Pior – muito, talvez... – que os americanos terem eleito George W. Bush por duas vezes, só os italianos entregarem pela terceira vez o Governo a Berlusconi...

quarta-feira, 5 de março de 2008

# ricos & mendazes: dedicatórias e agradecimentos


Já a aproveitar este especial dia em que o meu maestro soberano faz 60 anos, convém reproduzir aqui a "dedicatória" e os "agradecimentos" que justa e inesquecivelmente ilustram as páginas inaugurais da obra "Ricos & Mendazes", tese de mestrado recém-lançada pela clássica Editora Almedina e escrita por Rodrigo Gava, (almost ghost) writer deste sideral espaço virtual (compre aqui):

DEDICATÓRIAS

fdsfds "Para Odemir Gava, meu companheiro, meu irmão, meu mentor e, mais do que tudo isso, meu grande herói, cuja magna lição de vida – como pai e como homem – diariamente me inspira;
fdsfds para Leyla, iluminada e amiga mãe, cujo eterno amor (e zelo, e dedicação) será capaz de sempre me trilhar pelos atalhos da felicidade e da bela vida;
fdsfds para Ana Maria, mulher amada, estrela derradeira e minha amiga e companheira, que, fazendo-nos resistir ao desespero e à solidão, tem, de tudo, o meu maior amor atento antes;
fdsfds para Giovana, grande irmã e parceirinha cem por cento, e para Juliana, Alessandra e Gabriela, irmãs e afilhada também amáveis, todas sempre juntas sabendo unir a ação ao sentimento, em carinho, alegria e comprometimento;
fdsfds e, para Luís, meu avô, com quem o destino não me permitiu compartilhar dos mesmos vagões desta vida, mas que certamente faz guardar o esperado encontro para a estação final dessa minha viagem."
fds
fds
AGRADECIMENTOS
fds
fdsfds "Agradeço, exponencial e infinitamente, a Deus e ao Seu Filho, pela benção, pela proteção e pela Santa companhia em todos os dias desta empreitada;
fdsfds e, também,
fdsfds agradeço à augusta FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA (FDUC), seio de mentes brilhantes e em cujo testamento reside a indelével contribuição para a formação da história e do pensamento jurídico brasileiro, pela oportunidade e pela estrutura proporcionadas no decorrer do Curso e da Investigação, como, também, pelo excelso acolhimento oferecido nesses dezoito meses, interregno no qual as suas dependências serviram-me como um verdadeiro lar;
fdsfds agradeço, de modo singular, ao Professor Catedrático Doutor Manuel Carlos Lopes Porto, uma grande pessoa, pela sapiência jus-econômica com que me orientou, me instigou e me animou nas aulas e nas conversas, pela cordial maneira com que sempre me atendeu neste trabalho – cuja idiossincrasia elegantemente ressalvava – e, ainda, pela complacência em permitir parte do desenvolvimento desta tese em minha terra, uma terra em desenvolvimento;
fdsfds agradeço, em especial, ao Professor Catedrático Doutor António Avelãs Nunes, por ter muito acreditado neste trabalho e em sua publicação e, mormente, pelas brilhantes, críticas e sociais lições de economia política, de globalização e mercado, nas quais sempre mostra a urgente necessidade de ser construído um novo e admirável mundo; também, agradeço ao Professor Doutor Fernando Borges de Araújo, o qual também fez parte do Júri das minhas provas de Mestrado, pelas construtivas críticas e pontuais arguições, as quais se consolidaram como indiscutíveis fontes para a minha reflexão;
fdsfds agradeço, muito, às várias pessoas que contribuíram de alguma forma para a idealização deste trabalho, dentre as quais relevo, da minha ora extendida família, André, Vó Angelina, Tia Dete, Pe. Gabriel, Tio Luizinho, Márcio, Pastor, Tati e tantos outros, pela amizade, o apoio e os muitos gestos e pensamentos positivos; assim como agradeço a alguns dos tantos professores que tive, principalmente aqueles (i) da “Escola de Coimbra”, sobretudo o Prof. Cated. Dr. Diogo Leite de Campos (pelas sábias e precisas reflexões jurídicas e, especialmente, da vida) e o Prof. Dr. Jorge Leite (pelas grandes aulas de um sempre social direito laboral), e, de forma genérica, (ii) do “Colégio Marista Santa Maria”, núcleo da minha primitiva formação humano-acadêmica; e, ainda, ao Prof. Dr. Renato Flôres, da Fundação Getúlio Vargas, pela importante consulta prestada, em um momento chave da elaboração desta dissertação; e, como também não poderia deixar de ser, também sou bastante grato a alguns dos grandes amigos, da nova e velha guardas, que acompanharam – de perto ou de longe – estes escritos, entre eles Bernardo, Daniel, Filipe, Guida, Guilherme, Julian, Lanfredi, Cavali e Samy (a malta de Coimbra), e Chico, Cris, Dayan, Gerson, Jeco, Mauro, Nego, Neto, Raphael e Zappa (a turma de Curitiba), pela dedicada parceria, pelas boas e estranhas idéias e, maiormente, pelas tantas horas de boêmia e discussão mundanal;
fdsfds agradeço, enfim, às diversas obras literárias, cinematográficas e musicais, ora representadas em Kafka, Drummond, Pessoa, Dostoievski, Hitchcock, Buñuel, Vinícius, Chico, Tom, Bach, Tchaikovsky... por terem se apresentado como providenciais acompanhantes neste meu voluntário exílio e, principalmente, por terem sido oportunos escapes, abstrações e inspirações nos momentos de cotidiana angústia e de aridez cerebral;
fdsfds e, neste presente momento, agradeço à EDITORA ALMEDINA, locus das máximas obras da ciências jurídicas portuguesas, que, ao dar crédito a esta tese, permitiu que o abstrato e eremítico tempo de reflexões e estudos no velho mundo fosse, agora, eternamente materializado e publicizado."



# o voo do bigode


Odemir Gava, meu pai, é um homem de muitos causos. 

Sempre saca da manga alguma história pitoresca sobre figuras dos tantos rincões do Brasil por onde viaja.

E, invariavelmente, ele mesmo é um destes personagens.

Hoje, no seu aniversário de 60 anos e para o qual preparamos um grande furdunço na Casa, quero contar uma destas histórias e da qual fiz parte.

Como o maior companheiro de sempre, é notória a presença dele na minha vida, em tudo.

É, em especial, bem conhecida a participação do meu pai na minha vida esportiva da juventude, tanto no futebol de salão, como, em especial, no basquete.

Ia a todos os jogos, frequentava treinos, às vezes viajava junto, era amigo de meus treinadores e companheiros, cobrava dedicação e desempenho, conhecia os adversários. 

E conhecia os árbitros, claro.

Sendo assim, embora jamais tivesse tido intimidade com a "bola laranja", sabia muito bem o que rolava dentro e fora das quadras. 

Estávamos em 1993, semifinal do Campeonato Estadual juvenil de basquete: Santa Mônica, o famoso clube da capital que à época montava grandes times de basquete e cuja base era a (minha) equipe do Colégio Santa Maria, contra Maringá.

Era uma "melhor de 3", com um jogo no interior e os dois jogos seguintes em Curitiba, por termos a melhor campanha.

No jogo da ida, num sábado à noite, com o Ginásio Chico Neto lotado, vencemos. 

Jogamos bem, fui o cestinha ("às favas, a modéstia") e lembro bem de um grande parceiro, Vinícius Bollauf, que também arrebentou com o jogo.

O jogo da volta foi marcado para o Ginásio do CEFET -- o Santa Mônica não tinha um ginásio próprio e éramos ciganos pelas quadras curitibanas --, ali na Silva Jardim, numa noite fria de quinta-feira.

Tudo indicava uma nova vitória.

Meu pai, claro estava lá: saído do trabalho, de calça, camisa e sapatos sociais -- sapatos, diga-se, que sempre são com taco na sola, nunca borracha: "sapatos bailantes", ele sempre enfatiza).

Antes do jogo, na preleção, o nosso grande treinador Fernando Sanches deu o alerta: um dos árbitros escalados para o jogo era uma conhecida e cretina figura do interior do Estado e que a vida toda tentou nos foder.

O jogo começa.  

E tudo começa a melar.

O tal árbitro segurava o apito nos nossos ataques e deixava-o frouxo nos ataques da equipe de Maringá.

A torcida começava a se irritar.

Para nós nada era falta; para eles, tudo.

Contra mim, em particular, era vale-tudo.

Roubo e sacanagem explícitas.

E a irritação aumentava. 

Terminamos o primeiro tempo atrás no placar e eu com 3 faltas e meia dúzia de pontos. 

Na volta do intervalo, de cara o árbitro apita outra falta minha.

Mais uma e eu estaria eliminado do jogo.

Sento no banco.

E a irritação aumentava cada vez mais.

O clima era terrível.

Perdíamos o jogo e o assalto continuava.

Faltando metade do segundo tempo, retorno à quadra e no ataque seguinte ele apita minha "falta de ataque".

Estou fora!

Foi o estopim.

Meu pai todo piuchado, de modo tresloucado, salta da arquibancada.

Na verdade, ele voa: a altura entre ela e a quadra é de uns de 3 metros.

Ao aterrissar, desequilibra-se por conta dos sapatos (e da altura, claro), torce o pé, sai mancando à caça do árbitro, dá-lhe um direto no queixo e parte pra cima com pontapés aleatórios.

Começa a confusão.

As comissões técnicas e jogadores se digladiam, árbitros e mesa saem para o vestiário, surge a turma do "deixa disso" e os dois PMs que faziam a "segurança" do jogo enfim entram em quadra para dar um basta.

Meu pai é gloriosamente levado para fora do ginásio, aplaudido pela torcida.

Eu e mais três jogadores somos expulsos -- coincidentemente, dois jogadores do banco do Maringá... -- e o jogo reinicia.

Nós acabamos perdendo e a arbitragem pede escolta policial para sair.

No carro a caminho de casa, meu pai é mudo.

Suspenso, não pude jogar o jogo decisivo, no sábado.

E perdemos de novo.

No sacrossanto churrasco de domingo, meu pai enfim rompe o silêncio para repetir a sua icônica frase:

- "Que situação..." 


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

# gasolina bandida

Quinta-feira, manhã meio fria, saio de casa e, em todos os cantos, vejo que todos os postos de combustíveis da região central amanheceram com os seus preços bastante elevados e... idênticos. Claro, mera coincidência. São as maravilhas do liberalizado mercado.
E me prgunto: até quando aguardará o Ministério Público para oferecer denúncia contra este "sindicato" (de ladrões?) e seus prosélitos por crime à ordem econômica?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

# ricos & mendazes


Após um longo-e-tenebroso inverno, finalmente a obra saiu das catacumbas coimbrãs para chegar, agora em fevereiro, nas melhores casas do ramo da "oropa, frança e bahia".
Pela clássica editora Almedina, a tese do mestrado escrita pelo ghost writer do "À Sombra da mangueira imortal" finalmente foi publicada, sob o título: "Ricos & Mendazes: o Dilema das Cláusulas Sociais nas Relações Multilaterais de Comércio Internacional (um Itinerário Sinuoso-Bloqueante para o Direito ao Desenvolvimento), com apresentação e prefácio dos Professores Catedráticos António José Avelãs Nunes e Manuel Carlos Lopes Porto, respectivamente.
Não se sabe se seguirá na forma de "Cavalo de Tróia" (com 7 continuações) ou "Harry Potter" (com umas 12), mas apenas que o início da saga está pronto...
E, já nos próximos dias, podem adquiri-la, se não nas livrarias luso-brasileiras, pela internet:
http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id= (em euros) ou http://www.almedina.com.br/ (em reais).
Boa leitura -- e boa reflexão!
fds

domingo, 24 de fevereiro de 2008

# 30 moedas


Final da Taça Guanabara. Flamengo e Botafogo. Noventa mil pessoas no "maior do mundo".
Em tese, um bom jogo: tensão, emoção e qualidade, com virada rubro-negra aos 46 do segundo tempo e jogo quase empatado, com bola na trave, aos 50".
Em suma, um bom programa para um domingo cinza e chuvoso.
Se não fossem os coxas, que aceitaram vender-se por 30 moedas.
E fez-se as imagens da tosca RPC (filiada Globo no Paraná), num impagável Londrina vs. Maringá (os coxas jogaram no sábado...), ambos abaixo da mediocridade, estádio vazio, sem graça, sem balanço e sem beleza.
Sim, pois se os coxas não aceitassem a miséria oferecida pelo Canal 12 – como fez o Atlético, a recusar o "troco" oferecido –, certamente a conversa seria outra, pois, sem a dupla Atletiba, duvido que as transmissões (e os contratos coletivos, por adesão) vingassem.
E assim poderíamos todos os mortais órfãos do "pagar-pra-ver" ter assistido ao grande jogo do Maracanã, porque, sinceramente, esse paranaense – ao menos até as finais – não serve para nada e irrita a todos.


 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

# robin hood às avessas


Evidentemente, a intervenção direta do estado – econômica, fiscal, social etc. – é o único modelo factível e eficaz para o combate à desigualdade.

Isso não é novidade. Nunca foi.

Os países hoje hegemônicos quando dividiam essa qualificação com antigos impérios assim faziam. E hoje não se arrependem.

Mas no Brasil, claro, tem que ser diferente. E particularmente vamos à CPMF, pois, o que era suspeita, confirmou-se.

Sim, o fim da CPMF não produziu a alardeada redução de preços para os consumidores. Ao contrário do que bradava o núcleo da imprensa golpista (Globo, Veja, Estadão e Folha) – como eco dos seus financiadores da "tropa" da elite branca e direitista – e a oposição, os preços permaneceram os mesmos e, ipso facto, apenas fizeram aumentar o lucro das indústrias e empresas.

Em um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), capitaneado pelo Prof. Marcos Cintra, fez-se um cruzamento entre o impacto do fim da cobrança da alíquota de 0,38% sobre as movimentações financeiras com a inflação medida em 42 setores da economia. Resultado: não houve ganhos para o consumidor e a extinção da CPMF não causou qualquer impacto positivo na economia do País. Pelo contrário. Os cálculos realizados mostram uma inflação crescente nos preços desses setores pesquisados.

Logo – e isso já sabíamos –, os únicos beneficiados com o fim da CPMF foram as empresas e os grandes conglomerados econômicos, que tanto lutaram pela derrubada do tributo e que hoje podem comemorar o aumento de suas margens de lucro.

Enfim, deste único tributo ao qual ninguém que se enquadrasse na condição de sujeito passivo escapava – desagradando a todos os capitalistas –, duas conclusões óbvias podem ser tiradas: o que contribuía para o financiamento da saúde, da previdência e da assistência social, agora, é do lucro privado.

E, o que antes era para rastrear e punir a ação de sonegadores, agora ajuda a escondê-los.


 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

# cuba (permanece) libre


A mostrar o grande – e sempre criticado – homem político que é, Fidel Castro reconheceu que o corpo venceu a sua alma e a sua mente e resolveu não dispor o seu nome para a próximas eleições cubanas, em março.
 
As seguintes palavras deverão ser talhadas em bronze: "A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré – repito – no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe", pois, após meio século comandando Cuba – e sendo intransigente às tantas novas ordens mundiais que, medusicamente, conseguem perverter o mundo –, Fidel não será mais, oficialmente, o próximo líder cubano.

Já foi dito e confirmo: é o único mito político vivo, talvez ao lado do sul-africano Nelson Mandela.

Não entrarei nos pormenores heroicos deste homem, deste país e desta gente; não explanarei sobre todas as questões que os cercam, do bem e ainda que heterodoxas; e, principalmente, não discorrei sobre quem foi, é e será este grande herói.

Na verdade, a presente observação serve apenas para, mais uma vez, aplaudir a sábia decisão de Fidel, que assim se qualifica por duas razões principais.

Primeiro, porque as "hienas" e os "abutres" de plantão não terão o gosto de ler (ou ouvir) que Fidel renunciou – uma manifestação patentemente negativa e que denotaria fraqueza. Sim, o que a imprensa golpista insiste em colocar nas manchetes é uma mentira, pois não há "renúncia".

Convém lembrar que a recusa em concorrer aos cargos de Comandante-Chefe e Presidente do Conselho de Estado em disputa nas próximas eleições não significa uma "renúncia" de Fidel. Não há renúncia, porque Fidel não "renuncia" ao poder – e isto está claro na sua carta-mensagem.

Repita-se, não se renuncia algo que (ainda) não se tem, à medida que haverá uma nova eleição em março para se eleger a nova direção do partido (e do país).

O fato de não querer disputar as próximas eleições, uma vez que teria condições (visto que fora um dos eleitos para o Parlamento) – e ainda que se pressuponha que, se candidato aos cargos máximos, seria certamente escolhido –, não significa uma renúncia, pois cumprirá até o fim o mandato que lhe outorgaram. Simplesmente reconheceu não ter mais condições físicas de disputar novas eleições, e, então, liderar o povo cubano e a frente alternativa global para algo diferente desta desigualdade, com mãos fortes e com inoxidáveis algemas para as mãos livres do mercado.

Segundo, porque as "hienas" e os "abutres" de plantão não terão o gosto de esperar a sua morte para pretenderem "tomar o poder" e "tornar livre o povo cubano". Sim, era isso que todos esperavam. Agora, com tal decisão, haverá uma transição natural do poder – logicamente que com todas as dificuldades naturais que qualquer mudança ocasiona –, talvez exercido na ponta por Raúl Castro – um dos poucos do grupo remanescente de 1953 –, e não acontecerá o que seria a pior coisa para Cuba (e para a humanidade), ou seja, o vácuo provocado pela sua morte, a possibilitar toda uma pressão internacional, maiormente da mídia e das "fiesp´s", pelo "necessário" (sic) desprezo aos princípios da soberania e da autodeterminação dos povos, e a ingestão estadunidense para, com seus tanques e yankees, "ocuparem" o comando geral.

Assim, com o grande comandante por perto, ainda ativo com a sua doutrina, a sua experiência e a sua voz, e a direção do estado cubano devida e tempestivamente preenchida – e não vacante, como causa certa (e crónica) de uma morte anunciada –, os ideólogos do pensamento único (e dos "restos" cubanos) deverão procurar outras freguesias para impor as suas idéias: quem sabe a China, destratando-a também por ter um partido único (o "Partido Comunista Chinês) e não gostar dessa pseudo-democracia ocidental...
 
Enfim, vê-se que hoje, em Cuba, não há espaço para essas "hienas" e esses "abutres", pois o terreno cubano ainda pertence aos seus leões que, não obstante a aposentadoria de um deles, buscam exemplarmente um mundo melhor para os seus filhos, hipossuficientes à carnificina do mercado desregrado e (auto)proclamado onipotente.


 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

# e atrás do trio elétrico só não vai quem não pode pagar...

 
Mais uma vez o Brasil avaliza, tacitamente, um desserviço à sua gente.

A triste realidade que pouco encanta nos quentes trópicos da Bahia finalmente clama – e já não mais se desengana – por um revigorado programa: o lampejante e autofágico fim de um modelo, um modelo até então assente nos versos de Caetano Veloso que dizia "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu".

Concomitante a todos os efeitos neoliberais que assolam a sociedade, os (agora findados) vinte anos de reinado de partidos de direita – oligárquicos e conservadores – em Salvador, na Bahia, ultrapassou as searas sócio-político-econômicas e desembocou na constituição cultural da maior festa do planeta, uma vez que, literalmente, viu ser privatizado o seu carnaval, a deixar que apenas uma ínfima parcela da sociedade permita-se pagar e, como se pisasse em chão de esmeraldas, ir atrás de um trio elétrico, enquanto a imensa maioria da população fica, perifericamente, num (sub)mundo extra-blocos, longe do tapete vermelho.

De um passado que buscou justamente oferecer ao povo quatro dias de festa – e então propiciar à senzala momentos de alegria&alegria tal qual àqueles gozados nos salões da casa-grande –, o cotidiano traz um festival de preceitos privatistas e elitistas: sim, o fim veio a galope e, enfim, parece ter transformado a máxima festa do povo em um vil mercadoria, bem ao gosto da liberalidade dos neoconservadores.

Ao longe, pode-se notar pelos jornais, pelas tevês e, principalmente, pelos vastos depoimentos de amigos, nativos ou visitantes, que se pratica na capital baiana o outro gênero da segregação, a segregação social, que faz o carnaval, se visto a olhos puros, parecer um baile aristocrata, com a nobreza bem definida, cuidada e protegida ao centro e os serviçais carcomendo-se pelos lados, pelo cantos e pelos subterrâneos das ruas.
Com vestimentas e cordas, escolhe-se o bem e o mal, separam-se gregos e troianos, segrega-se o sangue azul do sangue vermelho, divide-se o branco do preto, aponta-se – erradamente – o joio do trigo.

Com “abadás” (t-shirts usadas para identificar o "bom" do "mau") e “cordeiros” (seres humanos que são pagos, com trocados, para juntos segurarem as "cordas" que envolvem e separam os "eleitos" do "resto") pretende-se expor toda uma população – que inventou, criou, fez e se apaixona pela idéia – à barbárie de ruas e ruelas congestionadas e inescapáveis e à selvageria de fazer homens e mulheres esmagarem-se e disputar a tapas os centímetros quadrados restantes com outras dezenas de crianças e idosos, uma vez que tudo (percurso) e todos (segurança) ficam reservados à fidalguia intra-cordas, com benesses, bar e banheiro privés.

Com preços exorbitantes e convites vip, retorna-se ao tempo de suseranos e vassalos, de corte e plebe, de homens e de ratos, pois, em prol de uma gente – em sua maioria da burguesia sulista e paulista ou do mass media – que se (e)leva e (a)voa por se abundar em milhares de reais, alija-se o povo daquelas suas terras, das suas ruas e da sua festa. E quem ganha com isso?
 
Os homens de black-tie, as “pessoas muito importantes” (?) e, não se esqueça, os músicos, os quais jogam banana e cospem os seus chicletes na cara do povo, uma vez que são silentes e coniventes com a esfoliação praticada pelo show business, outrora um simples “carnaval de rua”.

Com urgência, antes de uma possível catástrofe urbana ou de um motim popular – já saturada ou intransigentes diante da indécora realidade –, os órgãos e as empresas estaduais precisam se movimentar, reassumir as rédeas delegadas ao mercado e promover a sequiosa regulação e reorganização dessa grande festa.
 
Afinal, diante da imperiosidade e da inalienabilidade do espaço e do interesse públicos, deve-se rechaçar a usurpação e a capitalização que hoje, infelizmente, caracteriza a maior folia da terra.