terça-feira, 14 de julho de 2009

# antifahrenheit 451 (xiv)


fdsfdFalava-se muito de que a imprensa devia receber, do Estado, algemas invisíveis e flexíveis no controle das suas visíveis e bandidas mãos, à medida que frequentemente destroem a reputação alheia, distorcem os fatos e fazem restituir o imperial Poder Moderador, assumindo-se verdadeiramente como detentora de um quarto poder.
fdsfdNesta toada, a fim de mostrar como se deve comportar essa imprensa -- na esteira dos princípios da "comunicação social" previstos no art. 221 da nossa Constituição -- e como ela deve assumir as suas responsabilidades -- distante das (inócuas) decisões judiciais, pois basta lembrar dos dois casos célebres nos anos 80/90 a envolver Leonel Brizola, que conseguiu em juízo o direito de resposta contra a Veja e contra a Globo apenas 10 (dez) anos depois de praticados os crimes contra a sua honra, quando então o estrago já era feito e sacramentado... --, o Governo do Paraná publicou ontem um decreto que dá direito de resposta a toda pessoa que se sentir “tratada de maneira desairosa ou ofendida” nos programas da TV Paraná Educativa, a televisão pública do Paraná.
fdsfdDiz o Decreto Estadual 5.100/09 que o “direito de resposta dar-se-á em dias e horários dos programas em que se deu a ofensa, no âmbito da programação da televisão pública, ao vivo e pelo ofendido”. Ou seja: qualquer pessoa terá o direito de rebater ou esclarecer uma suposta ofensa no mesmo horário em que seu nome foi citado.
fdsfdO ato normativo determina ainda que a resposta pode ter a duração da matéria em que a pessoa foi ofendida e que a solicitação será enviada diretamente à emissora, independentemente de quem tenha praticado a ofensa (v. aqui).
fdsfdEm suma, uma norma basilar para um Estado que quer se intitular democrático de direito. Pena não se ver isso no âmbito nacional.
fdsfds


# atleticanas (xviii)

fdsAté entendo que ainda estejamos no início do campeonato, mas, muito mais importante do que ter vencido o Inter no domingo passado, será não perder do Santo André, lá no ABC paulista, nesta quarta-feira.
fdsPor quê? Ora, não nos iludamos. O Atlético, com este time que aí está, luta por vaga na Copa Sulamericana e para não cair, nesta ordem julgo eu.
fdsLogo, todo jogo contra algum clube do "grupo dos 10" (Santo André, Barueri, Náutico, os Coxas, Sport, Botafogo, Vitória, Santos e Avaí) será uma final, pois serão confrontos absolutamente diretos -- e, por isso, devemos lamentar tanto os pontos perdidos contra Náutico e Vitória, em duas derrotas caseiras... -- e não confrontos contra os favoritos ao título ou à Libertadores, que estão noutro grupo.
fdsE, como o Avaí (infelizmente) já caiu -- como peru... --, restam 3 vagas a serem por eles disputadas e que levarão para as profundezas do inferno da segundona; e, por outro lado, há outras 2 vagas -- já que as demais pertencerão aos clubes que estão no outro G-10... -- para a disputa do segundo maior torneio das Américas em 2010 ("Copa Sulamericana"), mero prêmio de consolo para a turma do fundão.
fd
fds

segunda-feira, 13 de julho de 2009

# a fritura do (flambado) saldanha

O meu caro Nêgo Pessôa -- escriba (e fariseu?) anarcoliberal, estudioso da literatura universal e do rude esporte bretão e blogueiro das antigas (v. aqui) --, censura-me e (não) pede vênia para discordar sobre o que escrevemos no texto "um 'cagüeta' de carteirinha vestido de canarinho" (v. aqui).
Indo além da questão em si, pois acredita ser a minha visão esquerdóide, contesta o abono por mim dado à história -- chama ele de "besteirol" -- do General Médici ter demitido João Saldanha do comando do melhor time de futebol de todos os tempos (a Seleção de 70) pelo fato dele ser comunista. Diz ele, devidamente adaptado:
"Veja a besteira: se o Médici estivesse contra o João não teria permitido que ele assumisse! Se o 'sistema' estivesse contra ele, ele não teria sido recebido pelo Ministro Passarinho nem teria tido tanta boa imprensa para os dez ou doze pontos que alinhou como necessários à reforma do futebol brasileiro. Pontos que comentei no meu livro com o Marcelino, comunista, 'A Copa e a Crise do Futebol Brasileiro', de 70. O João foi demitido pelo Havelange! E foi o Havelange que o levou pra seleção. E por que foi demitido? Porque na reconvocação da rapaziada para o longo período de preparo - quatro meses! - o João estava a beber demais, a brigar com todo o mundo, a polemizar por besteira, a fazer besteiras, a dizer besteiras, até que o Havelange o encontrou bêbado a dormir num sofá do saguão da concentração. A única coisa chata na demissão do Saldanha foi o fato do Russo tê-lo acompanhado. Como sei disso tudo? Porque acompanhei isso tudo de perto. Porque me tornara amigo do Russo".
Mesmo a acompanhar noutra dimensão (ou noutro corpo&alma) isso tudo -- afinal, em 1970, era eu um anjo, ou um urso, ou uma sequoia, ou um dalit em algum subúrbio de nova deli, enfim, a depender da religião de cada um, estava eu longe de pertencer ao corpo que hoje acho que me pertence... --, posso crer que há infinitos fatos&fotos da história que não precisamos ter presenciado ou vivido para estudar, crer, imaginar, pensar e discutir.
E esse, talvez, seja um deles, ainda que a versão contestadora seja a mais próxima -- e, oxalá, a mais correta da história.
fds

domingo, 12 de julho de 2009

# atleticanas (xvii)

fdsNão era coisa de Mãe Dinah, ou de palpiteiro inconveniente. Era óbvio, ululante, mera coisa de quem enxerga o rude esporte bretão.
fdsA alteração do sistema de jogo para o tradicional 4-4-2 era algo que já percebíamos (e pedíamos) desde o começo do ano (v. aqui e aqui) e mostrava-se absolutamente necessária.
fdsNão se tratava, pois, de uma mera mudança na colocação e na disposição das peças, nem de perseguição a fulanos e beltranos; na verdade, mais do que isso, o plantel rubro-negro não apresentava as peças imprescindíveis para se jogar num 3-5-2. Era, pois, urgente a mudança de esquema tático para o Atlético.
fdsSim, afinal, não temos um segundo-volante, não temos um líbero e não temos o ponta-de-lança, três elementos vitais para se ter êxito no ex-quema de jogo que há mais de ano vigia no Furacão.
fdsE hoje, finalmente, o treinador Waldemar Lemos resolveu mudar. E deu no que deu: 3 x 2 contra o Internacional, o qual, diga-se, é muito mais falado e afamado que jogado, pois tem uma zaga e um meio-campo pífios, laterais horrorosos e se salva às custas de 3 excelentes jogadores (Giñazu, Taison e Nilmar) .
fdsCoincidência? Não. Deu mais responsabilidade -- e, quase paradoxalmente, mais segurança -- aos dois zagueiros, pois não havia um terceiro homem na sobra, de prontidão para abafar os vacilos de algum deles; povoou o meio-campo com 4 jogadores, arrefecendo um pouco o trabalho do único Valência e colocando os armadores nos seus devidos lugares; fez os alas serem laterais e alas; e fez o time ser mais organizado, funcional e eficiente.
fdsFaltou um centroavante? Até os 30 minutos do primeiro tempo, faltou, pois era evidente um time órfão do pivô e do homem de área. Mas, depois, acostumados com esse novo jogo, os 4 titãs (Baier, Marcinho, Wesley e Wallyson) pareciam jogar como naquela "laranja mecânica" de Rinus Michels. E foi espetacular. Isso deve ser adotado para sempre? Não, haja vista que por vezes um centroavante ao lado do Wallyson é fundamental.
fdsSem esquecer das injustiças cometidas contra o paraguaio Julio dos Santos -- o único que pode fazer o que faz o Paulo Baier, mas que fora destroçado e humilhado pela besta do Geninho, ao insistir em queimá-lo como segundo-volante --, e sem esquecer que o beque Rodolfo deve ser completamente esquecido, parece ser este o definitivo caminho, o qual há muito tempo já havíamos identificado.
fdsAgora, enfim, para ficar razoavelmente bom, precisamos de mais uma única coisa, urgente: expurgar o câncer chamado Vinícius e colocar de volta, no seu devido lugar, o grande Galatto, um dos maiores milagreiros dos últimos anos, mas que, por ser humano, às vezes falha e parece não merecer o devido perdão. A insegurança e o medo que o atual camisa 1 traz faz lembrar os piores tempos do fim da carreira do Marolla -- quando escanteio contra nosotros era pior do que pênalti -- ou aquelas "coisas" que pintaram na meta atleticana no ido da passada década de 90.
fdsE é isso que o Seu Waldemar também precisa enxergar e se conscientizar; caso contrário, continuaremos a não ter paz. E não haverá mudança tático-organizacional que dê jeito.
fds

sexta-feira, 10 de julho de 2009

# maquiavel, en passant


Voltemos àquela impactante frase -- "faço aliança até com Satanás se for para fazer a obra de Deus" --, que parece ser paradoxal, mas que bem traduz a complexidade desta arte&ciência chamada Política. Senão vejamos.

Suponhamos que você, um grande homem do bem e um grande homem de boa vontade, pretenda candidatar-se a Chefe do Executivo. Pensemos que queira ser Prefeito de um certo Município.

Logo, temos então você: um homem íntegro, inteligente, sagaz, trabalhador, socialista&humanista de alma e coração, que quer chegar lá para efetivamente (tentar) mudar a vida naquele muncípio, investir pesado em educação (centros educacionais), saúde (centros médico-hospitalares), habitação e, com a guarda municipal, colaborar com a segurança pública. Além disso, tem excelentes projetos para a iniciativa privada, para as cooperativas e para as associações. Enfim, você é o cara.

Mas, tem um problema: você não tem grana. E, como sem grana (e, ipso facto, sem espaço na mídia) ninguém se elege no Brasil, pergunta-se: che cosa faccio?

Aí, eis que surge a oportunidade de, mediante as amizades que você tem com algumas pessoas ligadas a certa política e ao capital, se relacionar e se aliar a um grupo tosco -- quase da direita --, mas com muito dinheiro. E mais: surge a oportunidade de a sua campanha ser bancada por um grande empresário que, em troca, quer facilidades em 2 ou 3 futuros contratos públicos, para minimizar ou zerar o financiamento da sua eleição.

Na balança, temos você, um cabra da peste, sujeito dos melhores, que teve que ceder para se eleger e mudar a vida de 70% do município, formado por gente miserável e explorada; e o outro, da turma dos mesmos, conservador, patrimonialista e da direita até o talo, de oligarca família da região, que sempre se elege do mesmo jeito e que nada mais quer do que se manter intocável como os donos do poder, numaa elite que corrói todo o tecido humano e social daquele município, que tem os seus 70% na mais tosca pobreza e nas mais bizarras privações.

O que seria o certo? Quem seria o errado?

Há 500 anos, Niccolò Machiavelli já se debruçava bastante sobre isso, contrapondo ativamente as éticas política e cristã, cujo antagonismo, entretanto, nem sempre se pode permitir existir.


# anjos e demônios

fdsf"Desde que não haja perda da hegemonia moral e intelectual, qualquer aliança é válida", disse o grande intelectual e político italiano Antonio Gramsci -- de quem já falamos outras vezes (v. aqui) -- para um grupo de metalúrgicos na vucânica Itália do início do séc. XX.
fdsfAmparado nessa famosa frase do comunista italiano, Ciro Gomes -- encarado como virtual candidato a Governador de São Paulo ou a vice-Presidente, com Dilma --, disse: "Faço aliança até com Satanás se for para fazer a obra de Deus" (v. aqui).
fdsfPois bem. Mas alto lá: embora essas alianças políticas sejam inevitáveis para o êxito eleitoral e a tomada do poder, o que realmente não se pode admitir é se juntar ao demônio para fazer a obra do demônio e, depois, dizer quer era um anjo.
fdsfSeria, neste momento, como se juntar a toda a turma do DEM e a boa parte dos tucanos enrustidos de demos... Daí seria entregar o corpo e a alma ao Diabo.
fdsfds

quinta-feira, 9 de julho de 2009

# farinhas de diferentes sacos

fds Espanta-me a quantidade de puxa-sacos em volta de pessoas como José Sarney e tantos outros políticos e autoridades públicas que funestamente dominam este país.
fds É uma gente que se entrega, se doa e se mata, por pessoas que impregnam de tristeza cada rincão do Brasil. Sempre a rondá-los, não perdem a oportunidade de louvar aos seus deuses.
fds Diariamente, vejo toda essa turma a trabalhar e a se esforçar para defender, física e verbalmente, todos esses canalhas e não consigo entender -- como, também, me corrói ver o trabalho desempenhado por tantos profissionais que estão por aí, na imoral defesa judicial de tantos e tantos bandidos, de colarinho branco ou não... mas sobre essa laia já escrevemos aqui).
fds Ah, é o trabalho deles. Ah, eles precisam ganhar dinheiro. Ah, eles tem filho e família pra sustentar. Ah...
fds Pois bem, com as putas o papo acaba com esse mesmo melancólico fim.
fds E, sinceramente, desconfio que as "donas da noite" sejam mais dignas no que fazem do que os aspones, os bajuladores, os lambe-botas, os corta-jacas de plantão.
fds

quarta-feira, 8 de julho de 2009

# um "cagüeta" de carteirinha vestido de canarinho


Assisti ao filme "Ninguém Sabe o Duro que Dei", que retrata a vida do cantor Wilson Simonal, um cantor-dançarino que foi ícone da juventude brasileira dos anos 60-70.
 
Além de ter se tornado famoso pelo que cantava (?) e dançava (???), recebeu a alcunha de notório dedo-duro, de ser -- e, dizem, de se vangloriar como -- o grande delator do universo cultural-intelectual do Brasil que, nos anos de chumbo, opunha-se à ditadura militar. Enfim, uma espécie de candinha-mor dos milicos e de toda a direita de plantão.

Dúvidas pra lá, defesas e argumentações pra cá, saí com a certeza: o cara foi sim um traíra e uma baita "alcagüeta", como gosta o vernáculo.
 
E tenho tal convicção com base num único fato: não foi só pela simpatia e pela amizade que Simonal nutria com os craques da Seleção Brasileira de 70 -- entre eles Pelé -- que o fizeram ter estado lado-a-lado e juntinho de toda a delegação brasileira na Copa do México, bem distante dos outros noventa milhões em ação que sofriam aqui no país. Teria que ter havido algo mais.... bingo!

Em troca de dedurar uma penca de artistas, escritores e intelectuais da esquerda, comunistas ou não -- e, ipso facto, contrários ao regime da "tradição, família e propriedade" que perdurava nestes tristes trópicos --, ele teria cadeira cativa na delegação brasileira que iria ao México disputar a Copa do Mundo.

Dito e feito.

Já que o General Emilio Médici e sua bizarra trupe em tudo mandava, inclusive na CBD (hoje CBF) -- quando então mandou demitir o técnico João Saldanha, notório vermelho, e convocar o folclórico centrovante Dadá Maravilha --, não lhe custaria nada exigir a presença do alegre fofoqueiro.

E, cantando e dançando para todo o grupo, lá foi Wilson Simonal como o mais divertido "aspone" da delegação do Brasil, que muito intimamente -- e em troca de muitas cabeças -- conseguiu acompanhar o melhor time de futebol de todos os tempos.


 

segunda-feira, 6 de julho de 2009

# antifahrenheit 451 (xiii)


fdsfdsNesta segunda-feira, o programa (pseudo-)humorístico CQC, da TV Bandeirantes, tenta passar a ideia de que dezenas de ônibus escolares estão encostados à toa em frente ao Palácio Iguaçu, aguardando propositadamente alguma mera motivação política para serem entregues.
fdsfdsInfelizmente (ou convenientemente) mentiu e não informou corretamente à população, à medida que pautou e lançou a matéria tendo como única fonte a conversa de dois assessores -- jurídico e de imprensa -- do Deputado Estadual Douglas Fabrício (PPS), um dos líderes da oposição ao atual Governo e que tem a sua grande base política em Campo Mourão, no noroeste do Estado, a qual está há 50 km da cidade de Barbosa Ferraz, onde o programa de tv mostra problemas no transporte escolar.

OS ÔNIBUS
fdsfdsO transporte escolar, segundo a Constituição Federal, é responsabilidade do Municípios; logo, a regra é que os problemas com os ônibus que transportam (ou que não transportam) os alunos até a escola é de cada um dos Municípios.
fdsfdsPorém, diferentemente do que acontece em todos os outros Estados da Federação, o Governo do Paraná, ciente deste grave problema -- o qual, ao lado da pobreza familiar, representa o maior motivo da evasão escolar --, tomou para si a questão, a extrapolar a sua responsabilidade e competência constitucional, e então promoveu uma licitação para comprar 1.100 (um mil e cem) ônibus -- são dois tipos: 31 lugares (670) e 23 lugares (430) -- e cedê-los, por 5 (cinco) anos, a todos os Municípios com menos de 100.000 habitantes e que possuam uma vasta estrutura rural, no maior e único programa estadual de transporte escolar em andamento no País.

OS PROCEDIMENTOS DA ENTREGA E AS MENTIRAS E OS ENGANOS DA MATÉRIA
fdsfdsÉ óbvio que nenhuma montadora do mundo conseguiria entregar todo o quantitativo de numa única vez. Por isso, consoante cronograma pré-estabelecido na licitação, as empresas vencedoras entregam diariamente uma média de 5 ônibus e, pari passu, o Governo do Estado convoca as Prefeituras para as respectivas entregas.
fdsfdsPorém, não é como entregar couve, claro.
fdsfdsAlém desta questão do prazo de montagem e entrega dos ônibus, o Estado ainda exige das Prefeituras duas condições imprescindíveis: (i) o treinamento dos motoristas que conduzirão os ônibus, a ser dado pela Secretaria do Trabalho em parceria com o Detran, e (ii) o pagamento de um seguro dos veículos.
fdsfdsSobre o "treinamento", haja vista quem se conduzirá (crianças) e como se conduzirá (estradas e áreas rurais), o Estado corrobora na eficiência e no zelo do transporte, a exigir que todo condutor saiba assumir a grande responsabilidade que lhe é acometida; e, sobre o "seguro", o Estado, a fim de buscar um enorme ganho de escala e mais uma vez ajudar os Municípios, também já fez uma licitação e conseguiu o (quase irrisório) valor de R$ 3.800,00 para dois anos de seguro total, bastando às Prefeituras pagar esse valor à empresa vencedora do certame -- evidentemente, as Prefeituras podem fazer a sua própria licitação e contratar um novo seguro, pelo preço que bem entenderem...
fdsfdsDiante disso, cumprida essas três etapas, (i) entrega dos ônibus pelas montadoras, (ii) treinamento dos motoristas e (iii) pagamento do seguro --todas, diga-se, sem nenhum poder de interferência do Estado --, os veículos são entregues.
fdsfdsEnfim, as dezenas de ônibus que estão em frente do Palácio do Iguaçu não são os mesmos. As dezenas de ônibus que estão ali em frente não estão expostos como obras de sarcástica arte.
fdsfdsNa verdade, a cada semana, dezenas deles são entregues às Prefeituras e dezenas de outros chegam ao Palácio. Ou seja, há um ativo rodízio, entrando e saindo veículos semanalmente, desde que a licitação foi concluída (jan/09), a resultar, até hoje, na entrega de mais de 400 (quatrocentos) ônibus.

MEA CULPA
fdsfdsOs ônibus poderiam ser estacionados noutro lugar, escondidos de tudo e de todos? Sim, é evidente.
fdsfdsEntretanto, desde que de forma módica e sem prejuízo ao erário, a Política exige que se faça a merecida propaganda das políticas e dos atos públicos. Na prática cotidiana e na revelação publicitária é que os bons governos cosneguem sobreviver.

CONCLUSÃO
fdsfdsDiante disso tudo, mais uma vez se verifica que essa liberdade absoluta, inimputável e incondicional oferecida à imprensa não pode persistir, à medida que trai, mente, tripudia e manipula os fatos & fotos do cotidiano (e da vida pública) segundo as conveniências e os interesses financeiros e políticos em jogo.
fdsfds


sábado, 4 de julho de 2009

# e você, tem fome de quê?


Segundo a FAO -- braço da ONU para "Alimentação e Agricultura" --, a população mundial de pessoas famintas aumentou em quase 100 milhões desde o ano passado, alcançando 1,02 bilhão; ou seja, uma em cada 6 pessoas passa fome no mundo.

Em relatório divulgado nesta quinta em Roma (v. aqui), a FAO observa que quase toda a população de pessoas subnutridas vive atualmente nos países em desenvolvimento. De acordo com as estimativas da entidade, desses mais de 1 bilhão de famintos, 642 milhões vivem na região da Ásia e do Pacífico e 265 milhões na África subsaariana.

Em relação ao último ano, a entidade anuncia que a população mundial de pessoas famintas aumentou em quase 100 milhões.

As razões divulgadas? Segundo a FAO esse aumento deve-se a uma combinação da crise financeira internacional com a persistente elevação dos preços dos alimentos. Ao anunciar o dado, o diretor-geral da entidade, Jacques Diouf, advertiu que a crise alimentar "representa um grave risco para a paz e a segurança no mundo".

As razões recôndidas?

A péssima distribuição de renda (e de alimentos) do mundo e o protecionismo dos países ricos.


 

quinta-feira, 2 de julho de 2009

# missiva cibernética: os vermelhos, em dois mil caracteres

Um caro amigo aventura-se numa longa jornada, pelos rincões do leste europeu.

E, já lá, quae sera tamen, resolve adentrar no universo sócio-político-econômico daquela região, especificamente nas estranhas do tipo de regime socialista implementado e quebrado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas no séc. XX.

E, na bucha, pelos meios virtuais de plantão, diz-me, curto-e-grosso: "Prezado amigo, escrevo de São Petesburgo ao amigo que sei que conhece e gosta dessa terra. Desculpe a minha ignorância, mas se vc puder me explicar, em poucas palavras, a diferença entre o socialismo e o comunismo, serei grato. Depois nos falamos. Um abraço!"

Eis a resposta, modesta, e que (talvez) também sirva a tantos e tantos que ainda não sabem direito o que é tudo isso...
"Compañero, o comunismo é um nome que pode se dar à sociedade sem classes sociais, sem Estado, sem uma economia mercantil monetária, sem o trabalho alienado, com a coletivização dos meios de produção e com uma sociedade muito desenvolvida, particularmente em termos humanos, a fim de que possa revelar um 'novo homem', como dizia El Che, sob a clássica máxima marxiana: 'De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades'. Só que não é possível atingir tal sociedade num passe de mágica e da noite para o dia, pois a insuficiência no desenvolvimento das forças capital-produtivas e dos donos do poder e as heranças material e cultural não o permitem. Para que se chegue ao comunismo é necessária uma etapa anterior de transição: o socialismo. Nele são fixadas as diretrizes, montados os programas e preparada a transformação social para a construção do comunismo, com um estado concentrador, para que no segundo houvesse a sua supressão, passando a reger uma democracia direta e de autogestão. Na verdade, em termos clássicos, havia ainda uma outra fase, previamente ao socialismo e logo depois do fim do capitalismo, com a 'ditadura do proletariado', como na URSS e em todo o leste europeu -- fórmula autoritária, sob um partido único e que  descambou para algo muito distante do socialismo. O caso mais conhecido e presente desta 'alternativa' é Cuba, onde o socialismo logrou sim êxito e a cada dia avança no zelo pela saúde, pela educação, pela habitação e pela segurança de sua gente, não obstante as imensas dificuldades -- muitas advindas do embargo econômico dos EUA e da dependência financeira que criou com a URSS, outras da sua estagnação no tempo, amarrada demais às ideias fundantes do regime. Modernamente, a China constrói uma outra via, assente num antigo 'socialismo de mercado' (ou num 'capitalismo de Estado', que depois podemos discutir...) e a Venezuela e outros países latinos também tem desenvolvido alternativas ao capitalismo, com vistas à construção de um modelo de socialismo do séc. XXI, já é merecedor de estudos de muita gente boa. Muito breve e superficialmente, é isso. Espero ter ajudado. E traz umas wodkas de bolso pra mim. Até!"


# famiglia


fds Da melhor revista semanal brasileira, Carta Capital, reproduzimos o texto do jornalista Leandro Fortes, que muito bem resume e ajuda a traduzir a infeliz figura e a funesta trajetória política e pública do Senador José Sarney (v. aqui).
fds Mais abaixo, basta clicar em cima da foto para ler uma reportagem de 1986 (!) -- quando o sujeito ainda era o Presidente da República e a filha Roseane uma jovem assessora --, para percebermos que pouco mudou em 23 anos...

  "José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre.
  Desde antes da Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos generais para arruinar o projeto de nação – rico e popular – que se anunciava nos anos 1960.
  Conservador, patrimonialista e cheio dessa falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que ele, Sarney, vergonhosamente abandonou e renegou quando dela não podia mais se locupletar. Talvez essa peculiaridade, a de adesista profissional, seja o que de mais temerário e repulsivo o senador José Sarney carregue na trouxa política que carrega Brasil afora, desde que um mau destino o colocou na Presidência da República, em março de 1985, após a morte de Tancredo Neves.
  Ainda assim, ao longo desses tantos anos, repórteres e colunistas brasileiros insistiram na imagem brasiliense do Sarney cordial, erudito e mestre em articulação política. É preciso percorrer o interior do Maranhão, como já fiz em algumas oportunidades, para estabelecer a dimensão exata dessa visão perversa e inaceitável do jornalismo político nacional, alegremente autorizado por uma cobertura movida pelos interesses de uns e pelo puxa-saquismo de outros.
  Ao olhar para Sarney, os repórteres do Congresso Nacional deveriam visualizar as casas imundas de taipa e palha do sertão maranhense, as pústulas dos olhos das crianças subnutridas daquele estado, várias gerações marcadas pela verminose crônica e pela subnutrição idem. Aí, saberiam o que perguntar ao senador, ao invés de elogiar-lhe e, desgraçadamente, conceder-lhe salvo conduto p ara, apesar de ser o desastre que sempre foi, voltar à presidência do Senado Federal.(...)
  Há poucos dias, vi a cara do senador José Sarney na tribuna do Senado. Trêmulo, pálido e murcho, tentava desmentir o indesmentível. Pego com a boca na botija, o tribuno brilhante, erudito e ponderado, a raposa velha indispensável aos planos de governabilidade do Brasil virou, de um dia para a noite, o mascate dos atos secretos do Senado. Ao terminar de falar, havia se reduzido a uma massa subnutrida de dignidade, famélica, anêmica pela falta da proteína da verdade. Era um personagem bizarro enfiado, a socos de pilão, em um jaquetão coberto de goma.
  Na mesma hora, pensei no povo do Maranhão."

quarta-feira, 1 de julho de 2009

# guerra sem canudos

fdsDecidiu o STF que para o exercício da profissão de "jornalista" não se pode exigir diploma.
fdsDiante dos últimos julgados, espanta a perfeita e pontual manifestação da nossa Suprema Corte.
fdsResta, agora, acabar com essa esdrúxula reserva de mercado para tantas e tantas outras profissões que não fazem por merecer a exigência de qualquer (e muito menos específico) curso superior, cuja idealização apenas faz criar guildas de ineptos chancelados por uma faculdade qualquer e manter corporativismos injustificáveis em detrimento do verdadeiro savoir a faire.
fdsAcredito que este seja o caminho. E que restem os médicos e os astronautas obrigados a ter o canudo.

fdsEm tempo: por que cargas d'água o nosso país ainda faz subsistir a odontologia à parte da medicina?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

# xô, vigília privada!

Chega na Assembléia Legislativa um Projeto de Lei do Governo do Estado para colocar um fim na picaretagem que em regra cerca a prestação de serviços de vigilância patrimonial, substituindo essa atividade privada, exclusivamente no âmbito do patrimônio público, mediante a convocação de policiais militares da reserva remunerada.
Evidentemente, o lobby dessa turma já mostra a força, e não faltam parlamentares que querem discutir essa lei, repugnando-a. Não falta, também, gente da grande imprensa, que, financiada pelos altos investimentos em propaganda que tantas dessts empresas de vigilãncia fazem, insistem em reproduzir vendidas matérias que desabonam essa ideia do Governo do Estado.
Atualmente, a segurança das instalações físicas utilizadas pela Administração é feita por empresas terceirizadas, cuja prestação custam um valor expressivo aos cofres públicos e, a despeito do alto custo, parece não corresponder às expectativas e a necessidade dos órgãos públicos.
Ora, os transtornos, a deficiência e a desnecessidade na prestação dos serviços pela iniciativa privada são notórias. E, assim, com essa "convocação" dos militares da reserva, o Estado pretende suplantar uma realidade que, por vezes, dissona do intentado pela Administração Pública nos processos de contratação oriundos dos procedimentos licitatórios realizados, os quais, embora hodiernamente inovadores e formatados sob um modelo que melhor caracteriza o estrito cumprimento dos basilares princípios administrativos, infelizmente ainda não conseguem reproduzir a melhor e mais eficaz maneira de se obter a prestação dos serviços de vigilância patrimonial.
Na Administração Pública são contumazes os problemas trazidos por essas empresas, baseados (i) na disponibilização de pessoas (“vigilantes”) visivelmente despreparadas, mal equipadas e completamente descomprometidas com as funções que lhe são cometidas, (ii) no registro de casos de faltas ao serviço sem a necessária substituição do vigilante -- ou seja, o "posto" fica vago --, (iii) nos não-repasse de vantagens (alimentação, transporte, etc) destinadas aos trabalhadores, na utilização dos mesmos trabalhadores em turnos sucessivos sem os intervalos de descanso e folga e em várias outras situações que, por vezes, já redundaram na condenação do Estado a determinados passivos trabalhistas.
Ademais, sabe-se que na última licitação realizada pelo Estado para a contratação de empresas de vigilância, essas, capitaneados pelo sindicato patronal da categoria, conseguiu evitar que se realizasse o certame por quase 9 (nove) meses, mediante a impetração de vários mandados de segurança cujo cunho era manifestamente protelatório, a intentar apenas que a Administração promovesse a “prorrogação” dos contratos então vigentes – que beneficiavam tão-somente um cartelizado grupo de empresas – ou efetivasse a “contratação emergencial” de empresas, sem licitação.
Enfim, fica muito evidente que não há a necessidade do Estado continuar a se submeter aos ditames impostos pela iniciativa privada, restando à mercê dos arranjos corporativos que prejudicam o interesse público, na medida em que já dispõe de um vasto e experiente contigente que se encontra na reserva e está apto, para, querendo e mediante uma necessária contraprestação pecuniária, prestar estes serviços que são manifestamente condizentes com o seu perfil laboral e profissional (“segurança”).
Sendo assim, a convocação do policial militar da reserva remunerada que ainda possua higidez física compatível com o serviço de guarda patrimonial otimizaria a prestação dos serviços, à medida que se aproveitaria todo o seu cabedal de conhecimento técnico, de treinamentos intensos e de experiências vivenciadas ao longo da carreira, a resultar em serviços de melhor qualidade e de maior confiança, seja para os servidores ou seja mesmo para a população que freqüenta os respectivos prédios e espaços.
Ainda, resolver-se-ia também um grave problema de segurança patrimonial naqueles órgãos onde há a indiscutível necessidade de “vigilantes armados”. Como a atual política governamental não autoriza a contratação desta espécie de segurança – e tão-somente a “vigilância desarmada” –, a adoção dos militares isso solucionaria, pois os mesmos desempenhariam essas novas atividades fardados e com o porte normal de armas.
Afora essa indiscutível melhoria da qualidade da prestação de serviços que a convocação de policiais militares da reserva remunerada representa, os aspectos financeiros que advirão dessa nova prestação ainda mais reveladores, visto que o custo direto seria, também, muito menor, pois o Estado desembolsaria, por pessoa -- ou seja, por militar da reserva convocado --, um valor inferior à metade do que atualmente é gasto com a contratação de um a empresa para fornecer um vigilante privado -- o que, num ano, resulta algo em torno de 15 milhões de reais. Ou seja, a Administração Pública gastaria bem menos e contaria com um serviço bem melhor.
Ainda, o Estado conseguiria promover a reinserção dos servidores militares da reserva no mercado de trabalho, afinal, faz-se inevitável que a idade na qual os militares alcançam a “reserva” é bastante baixa e, por isso, buscam outros afazeres profissionais neste período. Assim, nada mais lógico que, ao invés de criar um exército de desocupados ou desempregados – ou mesmo, de modo nonsense, deslocá-los para empresas de vigilância que depois serão contratadas pela própria Administração –, o Estado ofereça a oportunidade a estes profissionais de continuar a exercer uma atividade, incrementando a renda deste agente com o “bônus” percebido e otimizando um serviço que deve ser encarado como um “serviço público”.
Por fim, sob o ponto de vista jurídico, não se vislumbra nenhum óbice legal, sendo necessário, apenas, proceder aos ajustes necessários, especificamente com a elastificação fático-conceitual dos institutos da “convocação” e da “agregação”, à medida que o direito consuetudinário e a própria legislação militar já contemplam tal possibilidade.
Outrossim, esse valor extra a ser percebido pelos militares convocados da reserva em nenhuma oportunidade considerou-se ofensivo ao preceito constitucional do art. 37, § 10, vez que não há alteração do status jurídico do militar – ele continuará como policial-militar da reserva –, não tendo a “retribuição financeira” oferecida qualquer relação como outro (ou novo) cargo, emprego ou função– na medida em que, a título de pro labore, perceberá um outro valor juntamente aos seus vencimentos de aposentadoria (“reserva remunerada”) –, e, logo, não havendo acúmulo de proventos.
Ainda, não há qualquer ofensa ao art. 37, II, da Constituição Federal, na medida em que não haverá o “ingresso” de pessoas de fora do serviço público; logo, descabe o concurso público, pois o militar, federal ou estadual, possui direitos e prerrogativas que lhe são assegurados pela Cartas Constitucionais Federal e Estadual – e também pelas leis inferiores – , à medida que a transferência para a reserva remunerada não impede que seja convocado para o serviço ativo, desde que exista a necessidade e o interesse público.
Ademais, essa medida não se trata de uma novidade legislativa. A presente idéia e o tratamento legal oferecido é um arranjo de leis estaduais que regem essa matéria, nomeadamente Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Sergipe e Mato Grosso.
Enfim, trata-se de uma medida absolutamente necessária, que traz excepcional eficiência na prestação dos serviços de vigilância do patrimônio público e uma substancial economia aos cofres públicos, em patente privilégio aos princípio da moralidade e da economicidade.
 
 
 

sábado, 13 de junho de 2009

# aspas (xviii)



Karl Marx, um dos maiores gênios das ciências sócio-econômicas de todos os tempos, na sua máxima obra, "O Capital", assim vaticinou, como se Nostradamus, sobre essa situação do neoliberalismo, ápice histórico (histriônico?) do capitalismo:

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado. E esse será o caminho que levará ao comunismo".



 

quarta-feira, 10 de junho de 2009

# atleticanas (xvi)

fdssO que se temia acontecer, aconteceu.
fdssVem de um preclaro colega coxa, è vero, mas não deixa de ser menas verdade, pois o escriba, fariseu e anarcoliberal -- onde já se viu, mas... -- Nêgo Pessoa, do seu agitado blog (v. aqui), dissecou bem, e em partes, ao melhor estilo Jack, the Ripper, o que aquela tchiurminha -- parva, pérfida e pusilânime (e, quem sabe ainda, podre) -- que aí está no comando (?) extracampo do Furacão (por exclusiva culpa da turma da pesada que nela votou na últimas eleições rubro-negras) parece querer fazer com o nosso Clube Atlético Paranaense:
fds
"Valdemar Lemos, o novo treinador do Atlético, é irmão do Oswaldo, lembra? Q era auxiliar do Luxa no Timão; e q herdou um timaço; e foi campeão. Oswaldo é um fenômeno: não sabe a diferença entre a bola e bandeira do córner. O Valdemar talvez não saiba o q é a bola, muito menos a bandeira de córner. E está treinador do Atlético Paranaense.
NÃO É TUDO
Mas isto não é tudo. O clube trouxe também o Ocimar Bolisenho, q foi presidente do Paraná Clube. O Ocimar virou coordenador (profissional)de futebol. Por invenção de quem? Do Luxemburgo! Relaxe; esta comovente e exemplar história ainda não acabou.
TEM MAIS
Um dos muitos fracassos da falsamente brilhante carreira do Luxemburgo foi aqui em Ctba, no Paraná. Q fez tremendo esforço de reportagem para trazê-lo. O presidente do clube era… tchan-tchan-tchan… se v disse Ocimar Bolisenho v ganhará o peru. O círculo ainda não está fechado. Vamos dar mais um aperto.
OUTRA VOLTA
O presidente do Irati Sport Clube, Sérgio Malucelli, o Salada, é irmão do Marcos Malucelli, presidente do Atlético. No mundinho do futebol todo o mundo afirma que o Salada e o Luxemburgo são sócios - o q não é crime nem imoral. Eles seriam socios-empresários-de-jogadores. O q torna a sociedade bem menos inodora, não? Guardadas as porporções, o equivalente é ser ponto e banca no jogo de bacarat. Ou dar cartas e jogar de mão em qqer jogo de cartas. Entendeu?
O CÍRCULO SE FECHA
Agora falta dar apenas o último demão como dizem os pintores de paredes: o presidente do Atlético, Marcos Malucelli, irmão do Sérgio Malucelli, presidente do Irati, o Marcos é advogado de quem? Do Luxemburgo! Q seria sócio do Salada! Não tenho nada com isto, mas não posso deixar de repetir: pobre Atlético! Voltou aos dolorosos tempos pré-Farinhaque. É vocação? Destino?"
fds

segunda-feira, 8 de junho de 2009

# na mosca (ou, "antifahrenheit 451")


fdBrilhante a idéia da Petrobras -- a maior empresa do país e uma das mais eficientes do mundo no setor -- em responder à altura toda e qualquer mentira ou calúnia propagada pelas grande imprensa golpista nacional, mediante a criação de um espaço virtual, um jornal virtual no qual explica e comenta todas as manchetes criadas e as perguntas difamatórias feitas pelos senhores da globo, folha, veja e estadão. Perfeito!
fdDoravante, o blog da Petrobras permitirá uma comparação entre o que a estatal brasileira divulgou aos jornalistas e jornalões e o que foi publicado, sendo possível, assim, identificar (quase) todos os erros e sacanagens promovidas pela grande imprensa.
fdAssim, para você que quer realmente saber o que se passa na Petrobras -- e evitar que o seu cérebro acumule-se de deslavadas mentiras, como interessa aos privatistas de plantão que desejam fulminar essa grande companhia com a tosca CPI que se instala --, acesse aqui ("Petrobrás - Fatos e Dados") e pense por si, e não pela cabeça rentista e pelos desejos coprofágicos dos contumazes vendilhões do Brasil.
fds


domingo, 7 de junho de 2009

# atleticanas (xv)

dsfdsGeninho, tarde, se foi. Antes do que nunca, foi-se. Vade retro!
dsfdsPor menos peso que se queira dar a um técnico num time de futebol, ele, gordo, cego e conivente, pesava. E bastante. E contra. À frente de um time nu e sem cabeça, afundava ainda mais a já desgovernada nau rubro-negra.
dsfdsAgora, espero que a Diretoria (?) atleticana não me venha com uma solução tabajara, típica daquelas que só faz aumentar (e nunca acabar com) os nossos já tantos problemas.
dsfdsCaso contrário, retoma-se definitivamente a nossa pergunta que fizemos durante todo o segundo semestre de 2008: quo vadis, huracán? -- v. aqui, para lembrar quando a saga começou, e aqui, quando terminou.
fds

quinta-feira, 4 de junho de 2009

# maria cecília e rodolfo

fds Os coxas, como peru, já haviam morrido na véspera, quando não conseguiram segurar o Internacional no primeiro jogo das semi-finais, fora de casa.
fds Porém, a sobrevida ressuscitadora que se esperava ver no jogo desta congelante noite de quarta-feira foi por água abaixo já logo na entrada da equipa verde-e-branca em campo: a camisa, em meio a tantas outras mensagens publicitárias, estampava -- certamente por quaisquer 30 moedas ou por pesada mandinga, sabe-se lá -- o curioso nome "Maria Cecília e Rodolfo".
fds Ali, exatamente ali, toda a verve e todo o ânimo que se depositava naquele time (e naquele jogo) sucumbiu a esta propaganda subliminar, que fazia de cada um dos onze jogadores meros personagens daquele mais tosco cenário urbano, marcado por uma pessoa travestida de cartaz-ambulante; afinal, como se levar a sério um time de futebol que coloca na camisa a inscrição "Maria Cecília e Rodolfo"? Era o que os gaúchos se perguntavam, enquanto entoavam: "Quanto riso, oh, quanta alegria...".
fds Achei, de cara, que se tratava de uma lembrança ao sobrenome da mais nova contratação do futebol feminino dos coxas -- sei lá, algo tipo "Orleans e Bragança"; mas não, conforme me alertava um amigo.
fds Já no início, no momento do hino nacional, a leitura dos lábios feita pela emissora de tv revelou o que o craque Marcelinho estava a falar ao invés de cantar o hino, emputecido: "Na Paraíba cabra-macho não pode ficar por aí pondo na camisa mensagenzinhas de amor" -- crente que "Maria Cecília e Rodolfo" era uma mensagem paga por dois pombinhos em alusão ao dia dos namorados que se aproxima.
fds Ainda, na tela da tv, era patente a cara desconfortável de cada jogador em não saber a quem servia enquanto oferecia o merchandising de algo chamado "Maria Cecília e Rodolfo".
fds Na hora do gol, percebeu-se claramente que a maior preocupação do gringo artilheiro não foi em comemorá-lo, mas, sim, em esconder aquela inscrição, pois, como católico fervoroso, não queria ficar expondo o nome dos deuses hindus da fé (Mae'riah Ciicil Lae) e da esperança (Roudh'Olf). Preferia ele outras três palavras: "Só Jesus Salva".
fds Depois, fiquei com a convicção de que se tratava de uma homenagem às três pessoas -- Maria, Cecília e Rodolfo, como se três magos -- que fizeram os três sorteios para definir cada um dos jogos dos coxas nas fases pregressas, contra Bahia, CSA e Ponte Preta. Afinal, foi graças ao brilhante desempenho em cada um dos sorteios que se conseguiu chegar até o jogo das semi-finais. Mas não, pensei que isso também seria demais.
fds Assim, hoje, imperada a normalidade, cabe aos coxas responderem: que diabo é (ou foi) "Maria Cecília e Rodolfo"?
fds

quarta-feira, 3 de junho de 2009

# tragédias (diárias)

fdxfdxfdxA morte de duas centenas de pessoas num acidente aéreo, cujo desastre fatal tem a probabilidade de ocorrer a cada 4 milhões de voos (0,00002%), merece um peso maior, uma atenção maior e uma repercussão maior do que as muitas dezenas de pessoas que, em cada final de semana, morrem tragicamente, como causa da miséria e da violência que cegamente passeiam em cada uma da periferias das nossas grandes cidades?
fdxfdxfdxPor que a imprensa e a sociedade buscam tantos por ques naquele primeiro caso e escondem ou fingem desconhecer os tantos porques do segundo? Por que debatemos e discutimos tanto o acidente aéreo e nos escondemos tanto do debate e da discussão da miséria social? Seria porque no primeiro a culpa não seria nossa?
fdxfdxfdxSim, o maior e mais grave problema está em não reivindicar e não exigir a implementação das soluções para as tragédias que nós homens, em carne-e-osso, criamos e responsabilizamo-nos, com as tantas e diárias mortes pelo frio, pela fome e pela miserável vida que cercam o nosso encastelado cotidiano. Tudo como se não fosse culpa ou problema nosso...
fdxfdxfdxEnfim, a grande tragédia não está no isolado e distante infortúnio mecatrônico de uma nave espacial. A maior e mais avassaldora tragédia está ao nosso lado, diariamente.
fdsfds

# aspas (xvii)


 
Com a oficial bancarrota da (gigante?) General Motors, agora meio estatizada, o premiado cineasta estadunidense Michael Moore -- diretor de filmes documentários como "Tiros em Columbine" (2002), "Fahrenheit 9/11" (2004) e "S.O.S. Saúde" (2008) -- publicou o seguinte (e excelente) artigo, que saiu nos mais importantes jornais dos EUA (v. aqui, na íntegra):

   Enquanto estou aqui sentado no berço da GM, em Flint, Estado de Michigan, estou cercado de amigos e famílias cheios de ansiedade pelo que acontecerá com eles e com sua cidade. Quarenta por cento das casas e negócios da cidade foram abandonados. Imaginem como seria viver numa cidade em que quase metade das casas está vazia. Qual seria seu estado de espírito? (...)
   Então, aqui estamos ao pé do leito de morte da GM. O corpo da companhia ainda não esfriou, e eu me vejo cheio de - ousaria dizê-lo - alegria. Não é a alegria da vingança contra uma corporação que arruinou minha cidade natal e trouxe miséria, divórcio, alcoolismo, sem-teto, debilitação física e mental, e vício em drogas para as pessoas com as quais cresci. Eu não tenho, obviamente, nenhuma alegria em saber que mais 21 mil trabalhadores da GM serão informados de que também eles estão sem trabalho.
   Mas os Estados Unidos agora possuem uma empresa automobilística! Eu sei, eu sei... quem, na terra, quer gerir uma montadora de carros? Quem de nós quer 50 bilhões de nossos dólares atirados no buraco sem fundo para tentar ainda salvar a GM? Salvar a nossa preciosa infraestrutura industrial, porém, é outra questão e deve ser uma alta prioridade. Se permitirmos o fechamento e desmantelamento de nossas plantas automotivas, nós dolorosamente desejaremos ainda as possuir quando percebermos que essas fábricas poderiam ter construído os sistemas de energia alternativa de que hoje desesperadamente precisamos. E quando percebermos que a melhor maneira de nos fazer transportar é em trens-bala e de superfície e ônibus mais limpos, como faremos isso se tivermos permitido que nossa capacidade industrial e sua força de trabalho especializada desapareçam?
   Portanto, como a GM está "reorganizada" pelo governo federal e pelos tribunais de falências, aqui está o plano que desejaria que o presidente Obama implementasse, pelo bem dos operários, das comunidades da GM, da nação como um todo.
   1. Tal como fez o presidente Roosevelt após o ataque a Pearl Harbor, o presidente Obama precisa dizer à nação que estamos em guerra e precisamos imediatamente converter nossas fábricas de automóveis em fábricas que produzam veículos de transporte de massa e dispositivos de energia alternativa. Em poucos meses de 1942, em Flint, a GM paralisou toda a produção de carros e usou imediatamente as linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. A conversão não tomou nenhum tempo. Todos se empenharam. Os fascistas foram destruídos. Estamos agora num tipo diferente de guerra - uma guerra que foi conduzida contra os ecossistemas e foi movida por nossos líderes corporativos. Essa guerra atual tem duas frentes. Uma tem seu quartel-general em Detroit. Os produtos construídos nas fábricas de GM, Ford e Chrysler estão entre as maiores armas de destruição em massa responsáveis pelo aquecimento global e o derretimento de nossas calotas polares. A outra frente nessa guerra está sendo travada pelas companhias de petróleo contra você e eu. (...) O presidente Obama, agora que tem o controle da GM, precisa converter as fábricas para funções novas e necessárias imediatamente.
   2. Não coloque outros US$ 30 bilhões nos cofres da GM para construir automóveis. Ao contrário, use o dinheiro para manter a atual força de trabalho — e a maioria dos que dependem dela — empregada, para que possam construir novos modos de transporte no século 21. Deixe-os começar o trabalho de conversão agora mesmo.
   3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando este país nos próximos cinco anos. O Japão está celebrando o aniversário de 45 anos de seu primeiro trem-bala este ano. Agora eles têm dúzias deles. A média de velocidade deles é de 265 quiolômetros por hora. A média de atraso de cada trem é de menos de 30 segundos. Eles têm esses trens de alta velocidade por aproximadamente cinco décadas — e nós sequer temos um! O fato de que já exista tecnologia que nos faça ir de Nova York para Los Angeles, de trem, em 17 horas, e que nós não a usamos, é criminoso. Contratem desempregados para construir as novas linhas de alta velocidade por todo o país. Chicago a Detroit em menos de duas horas. Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em cinco horas e meia. Isso pode ser feito e pode ser feito agora.
    4. Iniciar um programa para construir linhas de transporte leve de trens em nossas cidades, grandes e médias. Construam esses trens nas fábricas da GM, e empregue pessoas desses municípios para que instalem e façam esses sistema funcionar.
   5. Para pessoas que moram em áreas rurais não servidas por essas linhas de trens leves, que a GM construa ônibus limpos e eficientes.
    6. Algumas fábricas da GM devem passar a construir veículos híbridos ou completamente elétricos. Levaria poucos anos para que as pessoas se acostumassem aos novos meios de transporte, portanto, se continuaremos a ter automóveis, que eles sejam melhores. Podemos construir essas coisas a partir do próximo mês (não acredite em ninguém que te diga que levaria anos a realinhar as fábricas — isso simplesmente não é verdade).
   7. Transforme algumas das fábricas vazias da GM em instalações que construam moinhos de vento, painéis solares e outros meios de energia alternativos. Nós precisamos de milhões de paineis solares imediatamente. E temos uma força de trabalho eficiente e habilidosa pronta para construi-los.
   8. Incentive com impostos menores aqueles que viajam de ônibus, trens ou carros híbridos. Também forneça crédito para quem converter sua casa para energias alternativas.
   9. Para ajudar a pagar tudo isso, estabeleça um imposto de dois dólares para cada galão de gasolina. Isso fará com que as pessoas mudem para carros econômicos ou comecem a utilizar as novas linhas de trem fabricados pelos operários da antiga linha de produção de automóveis
   Bem, isso é o início. Por favor, por favor, por favor, não salve a GM para que, sendo menor, simplesmente continue fabricando Chevys e Cadillacs. Isso não é uma solução durável. Há 100 anos, os fundadores da GM convenceram o mundo a desistir de seus cavalos, selas e carruagens para tentar uma nova forma de transporte. Agora chegou a hora de nós dizermos adeus ao motor de combustão interna.
    Este é um novo dia e um novo século.

 
 
 

segunda-feira, 1 de junho de 2009

# conto da carochinha


Insistiram para que eu entrasse no concurso de contos promovido pelo Governo estadual. Porém, preferi contar este mais outro conto da carochinha nacional. Não é inédito, não é cômico, mas sim trágico e repetitivo: o anúncio das cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de 2014 e o grande erro que se está a cometer na aplicação do dinheiro público.
 
Quem é a favor dos jogos? O povo, que, perdoa-o, nestes assuntos não sabe o que fala.
 
Quem mais? A elite nativa, que, sem mais perdão, quer arrombar e sangrar os cofres públicos, como de praxe.
 
A quem interessa os jogos? Aos políticos de plantão, que querem com tal anúncio e com a preparação não queimar o filme perante o povo e ter paz no espaço midiático – no Paraná, foi o que o Governador Requião foi obrigado a fazer: sempre disse ser contra a Copa no Brasil, mas teve que se render, com receio de que meio-mundo culpasse-o por Curitiba ficar de fora.
 
A quem mais? Ainda àquela mesma elite, que fará (ainda mais) fortuna às custas do erário, pois, é notório, nos últimos 360 dias para a Copa o orçamento inicial multiplicar-se-á por 5 e haverá uma avalanche de contratos emergenciais, prorrogados ou com licitação dispensada, justificados pela “urgência” e contratados a preços megafaturados.
 
A maior balela é a de que não haverá dinheiro público em tudo isso. Tudo, alegam, virá de dinheiro privado e de recursos externos. Espúria mentira!

A dimensão dessa competição e as enormes demandas que geram, em termos de infra-estrutura, instalações, segurança, financiamento e mobilização acabam fazendo com que o setor público tenha que assumir responsabilidades (desmedidas) por sua realização.
 
Esse mecanismo de transferência de responsabilidades revelou-se duplamente danoso.
 
Por um lado, a necessidade de preservar a imagem do País obrigou a União a assumir gastos sempre que necessário. Essa percepção de segurança garantida pelo aporte de recursos federais pode ter retirado dos outros entes a dedicação necessária em alocar parcela de seus orçamentos ao empreendimento, agravando o fenômeno.
 
De outra parte, a assunção dos compromissos de um ente por outro geralmente ocorreu com perda de tempo precioso ou gerou situações inadequadas do ponto de vista do controle do gasto público, como o repasse de recurso para obras em curso ou já executadas.
 
Será que o Pan já não serviu como lição? O que a população do Rio ganhou com a realização dos jogos, afora os lúdicos 30 dias de festa pelas ruas? O que de substancial (“infra-estrutura”) se gastou no Rio de Janeiro? Melhorou o sistema viário e de transportes? Humanizou-se as favelas? Recuperou-se a segurança pública? Ora, nada disso aconteceu. Por quê? Porque o dinheiro é aplicado contingencialmente e é mal aplicado, posto que às pressas, no escurinho do cinema, em coisas indevidas e chupando drops de caviar beluga.
 
No Acórdão 2101/2008 do Tribunal de Contas da União (TCU), que avaliou e decidiu sobre o relatório final das ações e obras públicas realizadas para os Jogos Pan-Americanos de 2007, o Ministro Relator assim diz: [t]alvez a infra-estrutura urbana tenha sido a área que menos benefícios obteve a partir da realização dos Jogos (...) Nenhuma obra de relevância foi planejada ou realizada na cidade do Rio de Janeiro em decorrência do evento. Ao contrário, algumas iniciativas de intervenções viárias, imaginadas a partir da candidatura da cidade à sede dos Jogos Olímpicos de 2012, e que acabaram sendo carreadas nos planos para os Jogos Pan-americanos, foram arquivadas sem que ao menos fossem iniciadas (...) A infra-estrutura de transportes do Rio de Janeiro foi criticada pelo comitê técnico do COI para a seleção da sede das Olimpíadas de 2016, e recebeu as menores notas entre as quatro cidades candidatas aprovadas”.
 
Sinceramente, quem foi que nos disse que é melhor se gastar com grandes pistas de ciclismo, magnânimos campos de hóquei, explêndidos centros de hipismo e estupendos ginásios de tênis de mesa ao invés de se investir em hospitais, escolas e polícia?
 
Ora, neste caso não vale o argumento de que “um não elimina o outro”, pois nos encotnramos numa situação de "public choice", cujos recursos, porquanto limitados, devem nestes casos serem aplicados séria, correta e alternativamente. 
 
Neste ponto, não são raros aqueles que prefiram a aplicação do dinheiro público em saúde, educação e segurança ao invés de ser jogado na construção de babilônicos templos de futebol.
 
Sinceramente, a quem interessa dispender dezenas de bilhões de dólares em novos (?) estádios de futebol? Para quê? A Arena da Baixada é um puta estádio, o melhor e mais moderno do país, conforto extremo etc., mas que diferença haveria de ter com o bom e velho Joaquim Américo, se renovado e ampliado? Por que Recife e Fortaleza -- excluo Salvador, pois parece que a Fonte Nova não tem mais jeito... -- hão de gastar bilhões de dólares em novos estádios se a pobreza e a violência imperam pelas ruas? E o que falar de Cuiabá, Manaus, Natal e Brasília, com seus mamutes brancos que terão por fim shows de forrós sertanejos e calipsos?
Tolice dizer que se adiantariam investimentos em infra-estrutura. Ora, ninguém no comando deste país é criança que precisa de algum estímulo para ser aprovado. Basta planejamento. Simples. E que se cobre por isso, principalmente a imprensa e a sociedade civil – essa iludida por aquela –, que tanto cobravam de cada um dos governantes das cidades-candidatas para que levassem a Copa para casa (v. aqui).
A ilustração mais clara de como funciona essa falta de planejamento em condições cuja conclusão não pode ser prorrogada advém de um evento relacionado à área de segurança dos Jogos Pan-Americanos. O sistema de credenciamento e acesso às instalações físicas dos Jogos foi definido e contratado antes que todos os órgãos responsáveis pela função de segurança pudessem opinar sobre seu desenho. Assim, em momento posterior, deliberou-se modificar a estrutura de controle de acesso físico com o intuito de garantir uma segurança mais rígida para as áreas restritas dos Jogos. O desenvolvimento do sistema de credenciamento previsto no contrato original estava orçado em R$ 55.595,56. A alteração solicitada custou aos cofres públicos R$ 26.700.000,00 (v. no Acórdão do TCU referido).
 
Outrossim, imagine-se outro tão supérfluo gasto, como os mencionados em estádios: vigilância internacional contra o terrorismo. O que ganhará um país pacífico como o Brasil em dispender milhões de dólares na proteção de milhões de atletas, autoridades e estrangeiros? Não seria muito melhor com esse dinheiro oferecer moradia e terra a tantos dos nossos favelados e sem-terra e com isso mitigar a violência interna?
 
Nas ruas, a golpista imprensa vem com a enfadonha pergunta: “Você gostaria de ver a Copa no Brasil?”. Ora, essa pergunta é cretina. Seria o mesmo que perguntar: “Você gostaria de ver a paz no mundo? É claro que 90% das pessoas respondem “sim” às duas perguntas, afinal, quem não gostaria de ver os maiores jogadores do mundo a jogar em seu país, em sua cidade? Quem não gostaria de ver e encontrar pessoas do mundo todo, espalhadas pelas nossas ruas, bares e praças? 
 
Todavia, o que essa mídia não quer esclarecer e mostrar é o outro lado disso tudo.
Nas primeiras lições de Economia se aprende que, virtualmente, todos os gastos ou alocações têm um “custo de oportunidade”.
 
E é isso que entra em jogo, seja o dinheiro público - o que é bem pior - ou privado.
Logo, a pergunta correta seria: "Se o seu Estado ou o seu Município tivesse que, nos pŕoximos 4 anos, gastar um adicional de R$ 5 bilhões do seu orçamento, em quais destes projetos ou ações públicas você preferiria vê-lo gasto ou alocado: (a) na Copa de 2014; (b) nos sistema viário e de transporte público, das mais diversas formas; (c) em segurança pública, das mais diversas formas; (d) no ensino fundamental e médio, das mais diversas formas; (e) no meio ambiente, das mais diversas formas”.
 
A escolha prioritária da lista certamente mereceria uma maior reflexão por parte da massa votante. A voluntariedade na opinião deveria passar pelas tantas privações diárias e a decisão lúdica de se querer uma Copa do Mundo no quintal de casa cederia espaço pela vontade concreta de se ter garantido um banco na escola, um leito no hospital e um policial nas ruas.
 
Assim, mais uma vez, munidos de pesquisas e estudos de impacto econômico, os donos do poder tentam mostrar um coisa que, na realidade, se mostrará outra. Sempre gostam de dar dois exemplos para os “grandes benefícios” que albergar os maiores eventos esportivos do mundo trazem: Barcelona e Pequim, nas Olimpíadas.
No primeiro caso, é inegável que o evento deu muito reconhecimento à cidade. Mas será que não poderia ter feito coisas muito melhores pelo mesmo valor gasto com os Jogos? Certamente, sim. A Olimpíada não pode servir de desculpa para melhorar uma cidade.
 
No caso da China, há uma grande peculiaridade: mostrar ao mundo, vasto mundo, que, além de não comer criancinha, os comunistas governam um grande país.
 
Sim, o grande mote com os Jogos foi revelar aos conservadores e aos (pseudo)democratas de plantão com quantos pauzinhos se faz uma República, comandada por um partido único, o Partido Comunista. E o mundo ficou surpreso em ver como funciona o país, futura maior potência mundial. Sim, os comunistas quiseram pagar esse preço.
 
Enfim, ao contrário do que se tem noticiado por aí, a conclusão a que todos os estudiosos - aqueles, frise-se, que não visam ao lucro fácil dos jogos - chegam é a mesma: nem as receitas imediatas nem aquele benefícios a longo prazo chegam perto de cumprir as expectativas promovidas pelos businessmen de plantão (v. observação abaixo).
 
Em suma, o bilionário gasto público vai para um ralo, a resultar em "investimentos"  públicos paupérrimos, numa situação que nem na Patópolis do Tio Patinhas se aguentaria.

P.S. Em artigo científico publicado na prestigiada “World Economics” (v. aqui), o economista londrino Stefan Szymanski dispõe de uma quadro fruto de uma pesquisa que coletou dados dos vinte países mais desenvolvidos do mundo, a fim de ter a exata noção do impacto e dos efeitos que ser sede de um dos maiores eventos esportivos do mundo (Copa e Olimpíadas) têm no desenvolvimento nacional – e, note-se, a maioria dos países desta lista sediaram pelo menos dois destes eventos.

Tabela 1: O impacto no crescimento econômico de ser sede dos maiores eventos
Efeitofdsfdsfdsfdsfdsfd                Impacto na Taxa de Crescimento Econômico
No ano anterior à Copa fdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfds + 0.218
No ano da Copa fdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfds – 2.353
No ano seguinte à Copa fdsfdsfdsfdsfdsfdsfdss – 0.099
No ano anterior às Olimpíadas fdsfdsfdsfdsfdds + 0.415
No ano das Olimpíadas fdsfdsfdsfdsfdsfdsfdsfds + 1.190
No ano seguinte às Olimpíadas fdsfdsfdsfdsfd – 0.640fds