sexta-feira, 25 de abril de 2014

# um mestre



Os EUA costumam diferenciar teacher, professor e coach.

Fernando Cruz Sanches conseguiu reunir as três categorias em uma só: um mestre.

Um ícone do esporte paranaense, para o qual fez de tudo, ele foi o melhor e o maior treinador durante os anos dourados do meu basquetebol.

E justamente na fase aguda da juventude, foi também um professor, professor lato sensu.

Dos meus doze a dezoito anos mantivemos um convívio quase diário, em treinamentos, jogos, viagens, excursões e eventos sociais; depois, os encontros eram mais esporádicos, pela distância do esporte e pelos caminhos da vida, mas sempre que ocorriam eram festivos e alegres.

Foram tantos ensinamentos, tantas aulas, tantas orientações, tantos conselhos, tantos gritos, tantos abraços com ele por aqueles anos todos...

Foram tantos campeonatos, tantos títulos, tantos prêmios, tantas convocações, tantas viagens com ele pelo Colégio Santa Maria, pelo Clube Santa Mônica e, em especial, pelas Seleções de Curitiba e do Paraná.

Fernandão me levava, me indicava, me escalava e por ele rodei o Paraná, Santa Catarina e o interior de São Paulo, jogando por tantos clubes e cidades. 

Fernandão era tanto...

Fernandão era emoção e lealdade puras.

Fernandão era um craque na beira da quadra.

Fernandão se foi.

Do meu baú, uma última foto ao seu lado, quando já aposentado fui convidado para um torneio promovido pela Federação Paranaense de Basquetebol como homenagem a ele, "Torneio Fernando Sanches", em 2003 (v. aqui). 

Destas coincidências da vida, foi meu time o campeão daquele torneio.

E então pude receber troféu e medalha de suas mãos, pela derradeira vez, tendo ela até hoje guardada com apreço. 

Aqui fica a homenagem do seu atleta, aprendiz e amigo.

Viva, Fernandão!

Do seu capitão,

Gava




quinta-feira, 17 de abril de 2014

# despedida do tempo


Duas premissas um tanto quanto óbvias: um cão não é um ser humano e dezesseis anos não são dezesseis semanas. Isso posto, porém, não imaginaria que pudesse vir a duvidar disso.

É que num destes insólitos fatos corriqueiros da vida, enquanto hoje eu cavava uma cova para no quintal da minha antiga casa enterrar o cachorro da família, na memória carregava aqueles dois temas – cães e tempo.

E chamar as coisas pelo que elas são provoca, por isso, uns mal-entendidos.

Embora tenha desmedida racionalidade no trato com os animais de estimação, hei de confessar que a perda deles, estimados no cotidiano, superestimados na dedicação, faz o nome dado soar meio estranho.

Soa menos racional, soa menos "animal" – a morte, meus caros, não soa natural e, por isso, um cão tão velho é por vezes menos um bicho envelhecido de estimação e mais um estimado membro antigo da família.

São quase como aqueles tios-avôs, enrugados, de bengala, que já andam pouco, que já pouco vivem, mas que sempre estão por ali, nos eventos, nas festividades, calados num canto na expectativa da morte lhes chegar.

E vendo a cena que preparava para o nosso cão, impossível não me lembrar do tempo.

De pá e enxada à mão, pés descalços já cobertos de terra e grama, não via apenas o buraco dos meus gestos de cavar ir aumentando.

Ali, na minha memória daquele quintal, templo da minha infância, via aumentar o drama de ver os anos voarem.

E, ao contrário do que se diz, era eu – e não o cão – quem ali sentia o tempo multiplicado por sete.

Era eu um cão engarrafado numa ampulheta em queda livre, em gravidade sétupla, sobra indefectível da inflação cósmica que nos consome.

Via, perdido na minha máquina do tempo, toda a vida de criança naquele espaço, como criança também foi aquele pequeno cachorro quando naquela nossa casa nasceu.

Hoje, para enterrado e enterrador, a vida adulta passou e passa a passos largos, inexoravelmente largos – e a única criança era a que ali estava ao meu lado, abraçada em lágrimas às minhas pernas.

Era Gabriela, minha afilhada, num choro de quem dava incompreensível adeus pela primeira vez na vida.

Ali, lembrei que por vezes um cão pode valer por um ser humano, e que dezesseis anos podem parecer não mais do que dezesseis semanas.

E o tempo, assim, vai se despedindo da gente.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

# reino da república


Assim que conheci a Escandinávia particularmente os reinos da Dinamarca, Suécia e Noruega , disse ter encontrado o maior e melhor Estado de Bem-Estar Social do planeta.

E mais: disse que, se é possível existir a Utopia, essa terra seria aquele conjunto ali, com mais uma ou outra praça mundo afora.

E não falo à toa, pela imaginação fértil da viagem, pelo deslumbramento do que se vê nas ruas, parques, praças, casas e pessoas escandinavas ou, ainda, pelas explicações e revelações da gente nativa.

Falo também por isso tudo, é claro, mas é possível falar principalmente pelos números, pelas pesquisas e pelos estudos que desnudam a vida, a sociedade e o Estado nas terras vikings.

"Índice de Desenvolvimento Humano", "Taxa de Sonegação Fiscal", "Número de Homicídios", "Dados de Saúde Pública", "Pesquisas de Satisfação de Vida", "Estatística de Crimes contra a  Ordem Financeira", "Índice de Felicidade", "Estudos de Eficiência e Eficácia Educacional", "Ecologia e Sustentabilidade", "Modo de Relacionar Capital e Trabalho", "Coeficiente de Gini" e "Mulheres Lindas e Simpáticas".

Em tudo e em todos os levantamentos, a Escandinávia é praticamente imbatível.

E por aqui alguém fala nela? A grande mídia se debruça sobre isso? E a nossa política? E os donos do poder? E a turma da grana? E a classe média?

Não. Para quase toda esta gente, o modelo, o paradigma e o fim é os Estados Unidos da América. Por quê?  

Ora, porque lá como aqui, o vale-tudo é permitido, a falácia da "meritocracia" hipnotiza todos e o ter supera tudo, diz tudo e vale por tudo. 

Porque lá como aqui a desigualdade é aceita como lógica do sistema, o Estado é proibido como um mal patológico e o mercado é louvado como um ser mitológico; o consumo é supra-humano, políticas sociais são desumanas e o umbigo é o ser humano.

Porque lá como aqui, educação, saúde, segurança, transporte, energia, a água... a vida deve ser privatizada, vendida, comprada, mercantilizada, se quiser alçar voo. 

Porque lá como aqui, impera a sociedade de vencedores e vencidos, de bem-nascidos e mal-nascidos, de encastelados e periféricos, e cada qual deve se suportar e se convencer desta efeméride. 

Ora, não agrada aos nossos "donos do poder" que um Estado seja a cabeça pensante e organizadora da realidade nacional, que uma sociedade se reveja, se refaça e se reconstrua para socializar o bem-estar.

E como na Escandinávia a educação é exclusivamente pública, a saúde é eminentemente pública, o mercado participa no que deve participar, a desigualdade alcança níveis monásticos, todos pagam tributos e os ricos pagam mais tributos que todos e todos vêm (quase) tudo funcionar, todos defendem e compartilham da res publica e, fundamentalmente, todos se veem como cidadãos.

E já aqui este grande segredo: mesmo sob monarquias, estes países conseguem estabelecer que a virtù está também nos seus cidadãos, e assim adorar um dos máximos princípios – ou "molas", como ilustra Bobbio – que movem as repúblicas.

Por fim, e por tudo, todos acreditam no Estado.

Estado que aqui é motivo de chacota, asco e ódio – e por culpa dele próprio, mas que infelizmente apenas reflete o jeito da maioria da nossa gente.



quarta-feira, 9 de abril de 2014

# anotem as placas (ou, "a lânguida decadência do nosso futebol")


O Brasil, com dinheiro e sem inspiração, está a praticar um futebol que pode ser considerado um dos mais feios e vazios do planeta – não disse pior, disse "feio" e "vazio".

E não falo apenas em comparação ao desbunde daquele praticado no Velho Mundo, com a reunião de astros e esquemas de máxima grandeza.

Comparo-o ao que tenho vista em nuestra América – Argentina, Colômbia, Chile e Uruguai têm suas seleções jogado mais do que nós , e nestes jogos do maior campeonato da Terra (v. aqui), cujos clubes hermanos mostram um futebol  em suas partes tática, técnica, física e mental – superior ao nosso. 

Ontem, por acaso, foi apenas mais uma prova, como também já tinha sido na terça-feira e em toda a competição latino-americana.

Com jogadores caros e de nível barato, Atlético, Flamengo e Botafogo, por exemplo, levaram um banho.

Argentinos, mexicanos e até bolivianos mostram-se muito melhor preparados, com um padrão e sistema de jogo absolutamente superiores e, até, muito mais técnica.

O condicionamento físico de Flamengo e Botafogo deu pena. Antes mesmo da metade do segundo tempo, a grande maioria sofria para caminhar, olhando a banda de mexicanos e argentinos passar. 

Culpa, claro, de um futebol brasileiro que ainda se importa com os torneios estaduais, os quais impedem uma pré-temporada e uma preparação adequada – imagine que, já no começo de um moribundo janeiro, os grandes clubes obrigam seus atletas a estarem competindo, vagando pelos campos de pelada interior adentro. Ademais, tal qual aqueles nossos criativos japoneses, lembremo-nos que, historicamente, os nossos jogadores são menos atletas do que os jogadores dos outros, 

Em termos táticos, os brasileiros são medíocres e andam sofríveis. Não há nada, nada pensado, treinado, armado, engenhado. Nenhuma alteração, nenhuma variação e nenhum ensaio. É o trivial, o básico e o bumba-meu-boi, resgatando o futebol europeu de priscas eras, baseado no chuveirinho e na correira desenfreada.

Culpa, claro, da má preparação dos nossos profissionais, do descaso com o estudo e a estratégia do jogo e das atitudes de quem ali à beira do campo pensa saber tudo – e por isso ignora o óbvio ululante  ou sabe que não pensa em nada – e por isso insiste só nas obviedades.

E, tecnicamente, o jogador brasileiro tem a cada ano piorado. Os três times eliminados desta Libertadores são apenas o corolário desta fase horrorosa dos nossos jogadores, que não conseguem trocar três ou quatro passes, que vivem de chutões e de bolas paradas e que desconhecem qualquer sentido de organização e coletividade. 

Culpa, claro, da má formação técnica, da falta de preparo nas categorias de base, da insistência em confundir "habilidade" com "técnica" e do desprezo com que sempre encaram qualquer conformação plural, ainda a pensar que resolvem tudo a hora que bem queiram e, ignorando o football association, não admitindo a nossa flagrante escassez de didis, niltons, gersons, rivelinos e zicos.

Não, o futebol brasileiro há tempos já não tem esta moral e esta profusão de individualidades geniais.

A eliminação precoce de metade dos times brasileiros no torneio, marcada por um atropelamento físico, tático e técnico dos adversários, é apenas mais uma prova disso.

Talvez esta Copa do Mundo poderá nos fazer enxergar isso em definitivo.

E do pior jeito possível.


# bala na agulha


Quem mais mata no mundo, manda mais?

China e EUA encabeçam listas de comandos político, econômico, produtivo e, também, de extermínio legalizado.

Já, já aparecerão estudos que ligam poder, grana e eficiência pública à matança estatal... (v. aqui).




terça-feira, 8 de abril de 2014

# atleticania (xiv)


Teto retrátil, mármore nas pias dos lavatórios, ultra-led 3d na fachada, cadeiras com assento reflex, sistema de som acústico surround, jogadores que falam outras línguas ou técnicos que falam a língua do pê...

Eis o sentido da vida para o mandatário do Atlético, o Petraglia.

O rubro-negro não sofreu a desclassificação do maior campeonato do planeta (v. aqui) ontem, para o hipossuficiente e rarefeito time boliviano.

Não sou de chorar leite derramado, mas o Atlético mostrou para o que vinha desde que Petraglia, por birra, orgulho e preconceito, desmantelou e jogou no lixo toda uma estrutura construída, ainda que por muito acaso, em 2013.

E não estou falando aqui de uma "laranja mecânica", de um "carrossel húngaro", de super-heróis ou de grandes ídolos da humanidade, cujo desarranjo para ir à grande Europa ou aos petrodólares seria inevitável; tão-pouco me refiro a algumas espécies raras, deslumbrantes e que solucionariam todos os nossos problemas de time, como aqui já dissemos.

Acontece que Petraglia, por razões absolutamente vãs, resolveu, numa manhã qualquer, ao olhar para o espelho, o espelho dele, que aquilo tudo deveria ruir.

E dispensou Vágner Mancini e Moraci Santanna do comando técnico – e que ótimo trabalho faziam! , e mandou o experiente Luiz Alberto às favas 
– e que outro zagueiro há no elenco além do bravo Manoel? , e fez pouco caso do Bruno Silva – e que falta nos fez um volante! , e desdenhou do Éverton – e quem correu e jogou no nosso meio-campo? – e tripudiou em cima de Paulo Baier, escolhido o melhor armador do Brasileirão de 2013 e grão-responsável por fazer Marcelo e Éderson jogar o que jogaram.

Tínhamos, pois, um esqueleto, fora e dentro de campo.

Mas não, Petraglia preferiu especular, sempre pensando em negócios aparentes antes de pensar no futebol, e sempre achando feio o que não era dele ou da ideia dele.

E aí trouxe este Calma Cocada, o sujeito espanhol sem a mínima noção do que deve fazer e que se diz treinador – na verdade um empresário e intermediário da vinda da seleção da Espanha para o nosso CT, na Copa – , e aí disseminou o factóide Adriano, e aí inventou uns dois ou três gringos, e aí flertou com uma meia dúzia de pestes bubônicas, e aí fez jogar uma trupe que há anos não nos serve...

Ora, repitamos: de um time que entra em campo – como titulares por toda a Libertadores – com Suéliton, Cleberson, João Paulo e Mirabaje, se espera o quê (v. aqui)?

De um time que se (in)digna a colocar em jogo múmias como Dráusio, Bruno Mendes, 
Paulinho, Coutinho, Fran Mérida e outras coisas desse naipe, o que se deve esperar?

De um time que arrisca queimar uma grande safra, não enxergando que os ótimos Marcos Guilherme, Mosquito e Nathan, com seus 18 anos, não podem resolver agora a nossa vida, se imagina o quê?

E isso nada tem a ver com o fato de que continuamos querendo (e bendizendo) o nosso grandioso Joaquim Américo, o belo CT do Caju e um honroso histórico contábil-financeiro.

Porque, na verdade, isto não se dissocia do fato de que o Atlético precisa é rever os seus conceitos, precisa voltar a trabalhar com o futebol e pelo futebol e precisa parar de ser tratado de acordo com os rompantes histéricos e histriônicos do seu mandatário.

Sim, ele deve parar de achar que deslumbra a nossa gente rubro-negra com penduricalhos, objetos brilhantes e coisinhas que fazem barulho.


Afinal, ainda que Petraglia pense ser um pajé, nós não somos índios.



sexta-feira, 4 de abril de 2014

# ensaio sobre a loucura


É sabida a minha ideia em relação à máscara deste Estado-regulador (v. aquipor exemplo).

Porém, no exato momento em que a Agência Nacional de Saúde (ANS) passa a tomar (mínimas) medidas no sentido de obrigar as operadoras de planos de saúde a oferecer um (minimamente) razoável atendimento aos consumidores, eis que a doce Câmara dos Deputados entra na jogada e lança os seus tamancos na engrenagem do processo, a encaminhar uma medida que beneficia, exclusivamente, os senhores do negócio.

E, pior, com o apoio do Poder Executivo, pois o ardil foi referendado pelos líderes do Governo.

Em suma, o que se pretende? Reduzir o valor (e a quantidade) das multas aplicadas pela ANS em caso de infração das operadoras.


E como se fará isso? Por meio da inserção em uma medida provisória que tramita com assunto absolutamente estranho: a tributação de empresas no exterior.  E se levam a sério (v. aqui).


Bem, hoje as operadoras pagam multas que variam de R$ 5 mil a R$ 1 milhão por infração cometida multiplicada pelo número de ocorrências.

Com a nova lei, na prática, a operadora que cometer de duas a 50 infrações da mesma natureza, terá pena equivalente a duas infrações; de 51 a 100, a pena será como se fossem quatro infrações; e assim por diante, até um número superior a 1.000 multas, cuja pena será como se tivesse cometido vinte infrações do maior valor. 

Um exemplo: hoje, caso negue indevidamente a realização de um procedimento – o que não é raro , a operadora receberá uma multa de R$ 80 mil, sendo que a pena é aumentada proporcionalmente ao número de infrações. Com a esdrúxula medida, isso mudará: a operadora que negar de dois a 50 (!) procedimentos, receberá a mesma multa, de R$ 160 mil (R$ 80 mil multiplicado por dois).

Ora, poucos neurônios são capazes de mostrar que, além de reduzir substancialmente o valor total das multas aplicadas  fomentando cada vez mais o descaso das operadoras com seus serviços , esta mudança prejudica a própria política do governo de melhorar a qualidade no atendimento.

Isto tudo sem falar que cobrar não significa receber... Sim, as operadoras contam ainda com a máxima prerrogativa de desprezarem a cobrança administrativa e se lambuzarem com a conveniente morosidade do Poder Judiciário, que ao cabo deixam-nas livres e leves até uma logrativa prescrição do débito ou um afortunado perdão fiscal.


A justificativa dos nobres deputados para a medida?

Ah, neste ritmo de multas se está a onerar demais as operadoras, está tudo muito "exagerado". Ah, como está se inviabiliza o funcionamento delas, e isso prejudica os negócios, e isso não é sadio para o mercado.

É sério:  laissez-faire, laissez-passer, em estado bruto e duzentos e cinquenta anos atrasado, para decepção dos fisiocratas.

Como se receber multa por mal prestar o serviço fosse um ato falho do Estado, e como se prestar mal o serviço fizesse parte dos "serviços" e do "jogo do mercado" regulado pelo Estado.

Por isso, esta construção normativa soprada pelas operadoras de planos de saúde muito se assemelha àquela ideia dos muros da Paris de 1968: "seja realista, peça o impossível"

Ora, ciente de que tal escárnio não avançará, qualquer coisa que esta turma da Câmara consiga para minimizar o problema das operadoras será um ganho... e voilá, obtém-se o "possível", cumprindo-se o tal do jogo público-privado e a inexorável via de mão-dupla desta democracia representativa. 


E, para tornar tudo ainda mais surreal e impudente, a validade de tal medida normativa terá validade até 31 de dezembro.

Claro que o fato de ser ano eleitoral é mera coincidência.

Afinal, os deputados estão mesmo apenas pensando nas agruras do cândido mundo empresarial e num modo de minimizar esta sanha fiscalizatória estatal sobre os anjos que melodicamente tocam as suas harpas para ao bem-estar do consumidor e os seus planos de saúde.


Enfim, pergunto: financiamento público de campanhas e restrição de dinheiro privado? 

Não, não... isso é coisa destes socialistas radicais e barbudos.


segunda-feira, 31 de março de 2014

# o baú da verdade sufocada


E os jornalões estampam nas manchetes os 50 anos do Golpe que ajudaram a dar.

Como diria Eça de Queirós, trata-se de má-fé cínica ou obtusidade córnea.

Todavia, bem se sabe que obtusa esta massa não é.

Logo, é cinismo de uma gente que ousa tratar os vinte e um anos de trevas (1964/1985) como um "escorregão", um "vacilo", tal qual, no seu íntimo, devem conceituar os anos todos de escravidão e de casas-grandes país adentro, por exemplo

E, pior, de uma gente que acredita que o obsequioso silêncio do Executivo, a claudicante atuação do Legislativo e os salomônicos passos de siri do Poder Judiciário acerca dos crimes promovidos pelo Estado ditatorial brasileiro são meras contingências do "pacto republicano" (sic), indispensável para a retomada da nossa ordem democrática.

Logo, a mando dos militares e da elite burguesa de plantão – os senhores do golpe civil-militar e daquela ditadura –, os grupos midiáticos defendem, com a sutileza que lhes convém, a perenização do acordo, cujas rédeas nos acorrentam ao passado de reticentes sombras.

Ora, o Brasil precisa, sim, exumar aquele período, abrir as valas hermeticamente fechadas dos esgotos dos nossos anos de deteriorada existência institucional para fazer exalar o cheiro daquela democracia torturada, morta e sepultada.

Ainda, a torta e viciada "Lei de Anistia" não pode continuar servindo de impeditivo à cicatrização de todas as feridas que aqueles funestos anos provocaram, sob uma interpretação convenientemente poética do STF (v. aqui).

Aprovada em 1979 por um Congresso desnacionalizado, a funcionar como fantoche de civis e milicos nauseabundos, a Lei de Anistia continua a impedir o julgamento de acusados de crimes cometidos durante o período ditatorial (tortura, sequestro, assassinato etc.), o que, para variar, confirma a nossa tradicional reputação de país da impunidade.

É claro que mudar a tal Lei é mais simples do que parece, como inclusive a maioria na América Latina já fez – tal qual os países europeus acometidos pelos regimes fascistas pós-Guerra , razão pela qual apenas o nosso espírito de "homem cordial", para dizer o mínimo, pode justificar a primeira decisão do STF (em 2010) de não revisar a lei, passando por cima de qualquer ordem justa e moral e tergiversando, como se rancor ou revanche estivem na pauta jurídica.

Não custa lembrar: a Corte Interamericana de Direitos Humanos, a se manifestar sobre a "Guerrilha do Araguaia", decidiu que o Estado brasileiro deve processar (e punir) os responsáveis por violações aos direitos humanos durante a ditadura  ora, não se exige superpoderes exegéticos para entender que a sentença desse órgão internacional é extensiva a todos os crimes cometidos durante a ditadura.

Assim, deve o Governo brasileiro, por intermédio da "Comissão da Verdade", deixar de ter um atuação de bom menino, de politicamente (in)correto, de transmissora de mensagens e campanhas de paz&amor, para definitivamente, encampar um projeto de lei que revise, altere e acabe com a nefasta Lei de Anistia.

Chega de filminhos sobre aqueles anos, chega de discursos lacrimejantes sobre aquela época e chega de passar a mão na cabeça de quem tanto nos negou o sangue forte da liberdade e da igualdade. 

Enfrente-se o Congresso, seus barões e seus canhões; arroste-se os Tribunais e toda a sociedade conservadora que diuturnamente ultraja o progresso (e que sonha com milicos e salazares, como este português fascista que encontrei aqui); e, finalmente, se exponha à sociedade os retratos de quem não quer resolver este nosso passado de chumbo.

Afinal, é evidente que passar a limpo a nossa história exige preencher esta lacuna, urgentemente, abrindo o baú para se resgatar a verdade tanto sufocada e promover o processo e a condenação de todas aquelas pessoas ligadas ao lado canalha da força golpista.

Ainda que nas respectivas testas já se possa colar, desde sempre, a dívida moral que elas têm com o Brasil. 


quarta-feira, 26 de março de 2014

# atleticania (xiii)


O Atlético jogará 40 dias e 40 noites e não ganhará dos argentinos do Vélez Sarsfield, poderia assim descrever um personagem bíblico.

Mas não sejamos injustos: o rubro-negro não jogou mal.

Afinal, um time que cria ao acaso e joga no lixo quatro reluzentes, absolutamente reluzentes, chances de gol, afora tantas outras menos claras, não pode assim ser criticado.

Porém, por outro lado, jamais poderá querer sair vivo da batalha assim desperdiçada, ainda mais contra um adversário tão bem selado, registrado e carimbado em Copas Libertadores da América, com bons atletas e um bom esquema.

Acontece que uma coisa é não ter jogado mal, em uma singela evolução tática – méritos, se possível, ao nosso técnico, que parou com pirofagias para tentar construir o óbvio com a mão-de-obra disponível , outra coisa é ter jogadores ruins e que sempre jogarão mal, fiéis merecedores do ocaso eterno.

E isso tudo é meio lógica, é meio matemática, e por isso não se venha querer falar em sorte.

Repitamos, pois, o que aqui e aqui dissemos: o que esperar de um time que se apresenta com Suéliton, Cleberson, Dráusio, João Paulo, Paulinho, Mirabaje e, agora, este Bruno Mendes, senão o absoluto fracasso, o nada, o zero, tudo arredondado em números nada complexos? E, para tornar tudo ainda mais caótico, numa noite em que Weverton e Éderson não estavam nada bem...

Bem, hoje, Dia Estadual do Clube Atlético Paranaense (v. aqui), é o nosso aniversário de 90 anos.

E como de polacos nosso povo curitibano também é feito, acredito que a festa não durará somente 1 dia.

Portanto, amanhã à noite, na outra partida do nosso grupo, prevejo que os bolivianos viajarão e, contra o vento peruano, não ganharão.

Será o nosso presente, de novo oferecido por aquele grande amigo, o Sr. Imponderável de Almeida (v. aqui).


domingo, 23 de março de 2014

# atleticania (xii)


Hobbes dizia que a racionalidade está a serviço das paixões – e eu, pois, entre paixão e razão, sou mesmo um inveterado apaixonado.

Enquanto um canal apresentava o maior clássico do mundo globalizado, outro transmitia o time do coração no burlesco torneio estadual.

Enquanto Real Madrid e Barcelona desfilavam os maiores jogadores do planeta, um renascido Paraná Clube  um morto-vivo que acabou como líder da primeira fase da gigante liga regional  enfrentava o Atlético e o seu time de pós-adolescentes.

Enquanto em Madrid tudo tinha as credenciais de um espetáculo de gala, em Curitiba a disputa na Vila Capanema  de torcida única e às moscas  era feia, quase marginalizada. Além disso, era mal narrada e toscamente comentada, tudo sob a névoa cinza da cidade. E, pra completar, o horroroso uniforme do Paraná, a cara sofrida dos seus atletas sem salário há meses e um técnico de cachecol num ar subtropical.

Mesmo assim, meus senhores, não tive dúvida: na tv, acompanhei o meu time.

E não pelo jogo, que pouco valia, e não pelo torneio, que nada vale, tão-pouco pelas joias em potencial que se apresentam com o manto rubro-negro, que são poucas  era, sim, pelo meu clube e seu jogo eliminatório.

É claro que o Atlético não entra num campeonato para perder; o Atlético, apenas, dá o devido valor a ele, neste caso mandando a campo uma piazada e sob outra perspectiva, fazendo desse "Ruralzão" uma simples e eficaz "peneira", uma serra pelada em busca de algum ouro bruto encravado nos treinos do CT do Caju.

O objetivo, portanto, é este  e talvez quem ainda não entenda isso é porque consegue ver algum sentido nestes jogos regionais, uma via sacra descabida e despropositada para um ideal de profissionalismo e de alto nível que o futebol exige. 

Ganhar, claro que sempre é bom, mas nesta coisa aqui o foco é outro.

Embora ter ganho de um Paraná Clube, mesmo sob as lentes de jogadores na fase juvenil da vida, seja sempre obrigação.

No final, ficou aquela sensação de que vi um filme B de terror: em um panorama trash, o mocinho mata os zumbis e sai de cena aos risos.

E, ao fundo, aquele som chocho e esganiçado de um punhado de gralhas-azuis.


quinta-feira, 20 de março de 2014

# aspas (xli)

 
João Pedro Stédile, um dos maiores nomes mundiais na questão da terra e da reforma agrária e um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina – v. aqui –, afirma não ser a Copa do Mundo no Brasil o momento para mobilizações, por mais razão que tenham os protestos contra os gastos para a organização do torneio e pela presença da FIFA.
 
Para ele, é importante as manifestações o quanto antes, e o pior momento seria justamente durante a competição – afinal, o inimigo é outro:
 
   "As mobilizações, mais do que bem-vindas, são necessárias, para seguirmos mudando o país, para termos mais o Estado a serviço do povo. Mais recursos para a educação, saúde.
   Nenhuma mudança social ocorreu, na história da humanidade, sem que tenha havido mobilização popular. 
   Em relação ao calendário, torço para que as mobilizações de rua comecem logo, pois no período da realização da Copa vai confundir a cabeça do povo, que quer ver a Copa e pode reduzir as mobilizações como se fossem apenas protesto pelo dinheiro gasto nas obras.  
   (...) Acho que Copa é que nem carnaval. Alguém vai marcar mobilização durante o carnaval?
   É besteira politizar certos períodos (...) O dinheiro que foi gasto nos estádios, em torno de 8 bilhões, claro que poderiam ser melhor aplicados, porém, eles representam apenas duas semanas do volume de recursos que o governo passa para os bancos. Então, a cada duas semanas temos uma Copa do tesouro nacional para os bancos.
   E esses são os nossos inimigos principais, que precisamos denunciá-los e derrotá-los, dentro e fora do governo" (v. aqui e aqui).


terça-feira, 18 de março de 2014

# quando a alma não se apequena



Há momentos na vida em que se aprende como nunca.

São lições de gratidão, de dedicação, de amizade, de humildade e de sabedoria que em nós se perenizam.

E esta noite de terça-feira  como convidado para estar na "Academia Brasileira de Letras Jurídicas", em sessão solene para a posse do paranaense Luiz Edson Fachin como mais novo "acadêmico" (cadeira nº 10, de Rui Barbosa) e para as condecorações de membro honorário ao português António José Avelãs Nunes  foi um desses momentos, tamanha a grandeza dos discursos por ambos proferidos na cerimônia.

Prof. Avelãs, da Universidade de Coimbra, é uma das maiores vozes de uma outra Europa,  hoje esvaziada do pensamento crítico, social e humano. É um dos maiores jus-economistas portugueses, intelecto eminente da Economia Política e um trilhar político-científico que faz invejar a sua nacionalidade (e me honrar com sua amizade).

Prof. Fachin, da Universidade Federal do Paraná, é um dos grandes orgulhos do meu Estado, árido de expoentes nacionais. É um dos maiores juristas pátrios, mente brilhante do novo Direito Civil e com uma trajetória acadêmico-intelectual que faz galhardear a conterraneidade (e que tive o prazer de conhecer).

Mas não são estes atributos o que mais importa, como aqui já se poderia confirmar.

Títulos, prêmios, cátedras, livros, tudo fica à margem de quem são, do que fazem e de como fazem.

Sim, porque estes dois senhores, mais do que singulares pensadores do Direito, são grandes homens, plurais e que idealizam o coletivo.

Hoje, vendo-lhes nas suas narrativas apaixonadas  daquelas que vêm da pura alma do bem-fazer e do bem-viver e de quem têm a ética como prumo e o social como horizonte , recrudesce o nosso sentimento de que a vida deve ser simples e vale simplesmente por isso.

Não por acaso, ao trazerem da memória o valor das suas origens, o conteúdo afetivo dos que sempre o cercaram, e, principalmente, o papel dos respectivos pais em suas histórias e em suas formações, as palavras vieram esculpidas em lágrimas, absolutamente sinceras, caídas com o orgulho de quem ali chegou de pé e pelas meritórias mãos do afago materno e do suor paterno.

Vê-los se declararem às ciências humanas, à humanidade e à família foi daquelas provas de que é no navegar destes homens que o mundo merece seguir.

Um navegar simples, cuja bússola é o amor.



domingo, 16 de março de 2014

# segundo domingo


É tempo de caminhar.

Caminhar em silêncios, em jejuns, em reflexões.

É tempo de peregrinar do homem velho para o homem novo, de sair do cômodo espaço neutro, de reafirmar com os nossos atos as promessas diuturnamente feitas.

É tempo de atitudes.

E ano a ano o momento quaresmal chega para que acreditemos nesta mudança, nesta renovação e no poder máximo de renascimento.

É a nossa via sacra, cujo sentido de dor, de sofrimento e de penitência bate em nossos olhos, ou em nosso interior, a toda hora em que se escancara a injustiça e o desespero alheios.

Mas não nos apeguemos ao mero sentido disso – e passemos a agir, tomando as nossas cruzes para, à luz da fé e resistindo ao desespero e às tentações, aprender a ser como Ele é.

Sim, não é fácil enfrentar um tempo cujo templo é marcado pelo mercado, por propostas estimulantes de ebrioso consumo com requintes de crueldade e esbanjamento nas quais, exclusivamente, se acredita ser

Há uma insaciável febre do inferno em fel de ter, como alter ego da autoafirmação (espelho, espelho meu) e da vitrine social (o meu espelho), induzida pela força pertinaz da mídia e a sua doutrina onisciente do certo e do errado, que elitiza os comportamentos, enrijece a sociedade e exulta o individualismo. 

Um apego exagerado que faz enxergar o vazio da vida, criando um fosso entre espécies de seres humanos, num abismo sem fronteiras e em nosso quintal (v. aqui).

Dividir, repartir, partilhar, comungar. 

Deixemos de nos refugiar em desculpas, e na desculpabilização do dinheiro, que confortavelmente nos alienam em redomas intocáveis e acortinadas para, então, ver sobrar paz, saúde e felicidade. 

E alcancemos este sonho de mundo: uma imensa mesa, em torno da qual todos se sentarão, numa mesma altura, num mesmo propósito – e, nas palavras de Paulo, "esperança não decepciona" (Rm 5,5), deve dar sabor para a vida, coragem para a luta e determinação para vencer. 

Afinal, por que será que nos custa tanto aceitar o Evangelho e entrar nesse reino?


sexta-feira, 14 de março de 2014

# atleticania (xi)


Não há exagero algum, meus senhores: ao lado da mulher barbada do Circo Vostok, na noite de hoje se viu uma das coisas mais feias desta vida.
 
Os noventa minutos da vitória do Atlético, fora de casa, com gol contra, contra este time do Peru, foi daquelas apresentações de circo dos horrores, daqueles eventos clandestinos proibidos para menores, daquelas imagens de esquinas escuras de centro com damas rampeiras de quinta, daquelas cenas de documentário do Discovery em que magras e decadentes hienas destroçam os restos de gnus fazendo explodir sangue e vísceras na tela da tv.

Um cenário de provocar medo.


Mas, além disso, ao empurrar ladeira abaixo um bando de borrachos, o Atlético  de novo com três das suas máximas feridas em campo e com o Calma Cocada no banco (v. aqui causou pena e fúria.
 
Pena, porque até se percebia no semblante esforçado de alguns a tentativa de tentar bater uma bola com dignidade; e fúria. porque tantos outros desprezavam o óbvio ululante exigido para uma partida de Copa Libertadores da América (v. aqui).

Ora, o que a legião de Suéliton, Cléberson, Deivid, João Paulo, Paulinho, Bruno Mendes, Éderson, Coutinho e, claro, Mirabaje, errou no jogo de hoje, em doses industriais, não é digno da nossas cores e do esporte profissional. 

Múmias paralíticas, peças frágeis, ínguas modorrentas, um amontoado inapto que, a jogar contra uma brisa seca, suave e inofensiva, parecia se esmerar para deixar tudo zero a zero. 

Um jogo em que, sem muitos esforços, um onze qualquer ganharia por meia dúzia, seguiu amargo e melancólico até o final, num deserto de lambanças, de torpeza e de ingratidão à bola, tudo sob os olhares nervosos de todos os fantasmas incas que habitam aquele estádio, o maior da América do Sul. 
 
Ainda que neste período quaresmal, qualquer, repito, qualquer time não teria piedade e misericórdia para atropelar, sem dó, aquele grupo fantasiado de jogadores, uma verdadeira trupe de lhamas virgens que entrou em campo apenas por questões de formalidade contratual e que, num misto confuso de inépcia e infortuna, não conseguia acertar dois – dois (!) – míseros lances consecutivos. 
 
Foi, meus senhores, uma vergonha, um ultraje ao futebol o que se viu na noite desta quinta-feira em Lima, capital peruana.

O rubro-negro não jogou absolutamente nada, em um jogo que só ele jogou.
 
Por isso, do jeito que foi, se minimamente justo, deveria o Atlético devolver estes três pontos.
 
Afinal, ao menos assim ficaria em paz com os deuses do futebol, que não costumam perdoar traições.


quarta-feira, 12 de março de 2014

# acode, acode, acode


E, que coisa, uma parte da parte da parte de uma pequena parte de parte do castelinho brasileiro resolve desenterrar a cretina "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", um dos berços esplêndidos do Golpe que levou o país às trevas, e ir às ruas (v. aqui e, acreditem se quiser, aqui).

Nesta linha, agora a imaginação vai um pouco menos longe para clamar, sim, por "marchas" muito mais dignas, mais honestas e mais verossímeis...

Marcha da Família Flintstone com Barney pela Permanência na Idade da Pedra.

Marcha da Família Trapo com Ronald Golias pela Avacalhação Geral da Nação.

Marcha da Família com Deus e o Diabo na Terra do Sol.

Marcha da Fat Family com Coxinhas pelo Catupiry.

Marcha da Grande Família com o Agostinho num Táxi pelo Méier.

Marcha da Famiglia Mancini com Ravioli al Pesto pela Emilia-Romagna.

Marcha da Família Addams com a Mãozinha pelo Retorno do Tio Fester.


Marcha da Família Lima com Todo Mundo Tocando Violino pelas Nuvens de Algodão.

Marcha da Família Walton com Boa Noite, John Boy!

Marcha da Família Dinossauro, não é a Mamãe, pelos Homoafetivos.

Marcha da Família por Deus, pela Pátria e pela Coca-Cola.

E, por fim, a "Marcha da Família Soldado", com cabeças de papel, avisando que quem não marchar direito vai preso pro quartel.

Afinal, para esta gente, não há outra engrenagem senão a marcha à ré.

E uma única direção: para longe da democracia.