terça-feira, 15 de setembro de 2009

# 10 reais

fdsfds Explico. E mais, ofereço uma alternativa ideia à mais nova ação da nossa Fundação que visa a angariar fundos para o orfanato "Lar André Valério Correa", o qual é mantido com o cooperação financeira e laboral de tantos familiares e amigos.
fdsfds Essa ação, intitulada "Quem Ama, Abraça!", tem o apoio da COPEL -- empresa pública parananese de energia -- e intenta arrebanhar pessoas que desejem doar de R$ 10 a R$ 150, mediante o débito na fatura da conta de luz.
fdsfds Tinha cá para mim, que agora sim, conseguiria enfim, facilmente, ser um bom pastor de, ao menos, 100 (cem) ovelhas.
fdsfds Ora, ora... Eis que, pasmem, passados 30 dias do início da campanha e depois de quase 500 (quinhentos!) contatos realizados, via email, telefone ou mesmo no tète-a-tète, obtive, até agora, menos de 20 (vinte) autorizações de débito. Uma vergonha.
fdsfds Uma vergonha tendo em vista que, como todas as minhas relações fraternais, laborais e sociais, vivem na surrealidade casteleira -- distante, portanto, geográfica e intimamente da maioria da nossa população, que, extramuros, vive a realidade de um país pobre e desigual como o Brasil --, relés R$ 10 a ninguém, absolutamente a ninguém, faria falta.
fdsfds Estes R$ 10 representam, veja bem amigo leitor: 1/2 quilo de picanha, 1 pote de sorvete, 2 sanduíches, 3 barras de chocolate, 4 papinhas da Nestlé ou 5 cervejas long neck. Será que abrir mão de alguma dessas coisas por mês faria falta para a encastelada burguesia que me roda? Não, obviamente. E por isso que explico e sugiro o que fazer, alternativa e, depois, utopicamente (isso, claro, se a doação em si não seja querida em razão da não concordância com o projeto ou de não simpatia com a Fundação, o que já é outra história... mas, voltemos à minha tese maior).
fdsfds O negócio de se deixar à pessoa a escolha de um débito a variar de R$ 10 a "x" reais parece espantá-las, infelizmente. Pelo seguinte: como dá-se toda essa margem de doação -- de 10$ a 150$ -- e como se começa com um valor (bastante) simples -- embora (bastante) válido! --, as pessoas ficam constrangidas em pagar um valor que considera (ou que "a" Fundação ou quem arrecada possa considerar) pequeno (ou bastante simples para os padrões da dita cuja).
fdsfds As pessoas ficam com vergonha de mostrar que só podem doar R$ 10 ou ficam paradoxalmente contrangidas de mostrar que só querem doar isso. E então preferem não doar nada, ficando quietas, escondidas e pulverizadas na multidão que nada doa e que nada finge saber.
fdsfds Ela pensa que, se não pode doar -- e então mostrar que pode doar -- "x" reais, ou algo próximo, é melhor não dar nada, pois, repito, fica constrangida por não poder (ou por não querer) doar mais do que os R$ 10 ou R$ 20, que é o mínimo. Em suma, admitir uma "margem" de doação faz expressar na pessoa conflitos internos, que a deixa numa posição delicada.
fdsfds Por isso, acredito que a campanha teria maior êxito se focasse num número fixo, ainda que de R$ 10, sem distinguir, a priori (!), ninguém. Assim, atingir-se-ia a maioria, sem problemas; e, depois, caso a caso, a cada recolhimento da ficha de "autorização de débito" preenchida, o responsável, diante do conhecido doador (amigo, parente, sogra, vizinho etc.) e já conhecendo a capacidade contributiva do sujeito, lembrá-lo-ia que, se quisesse, poderia doar (muito) mais -- ou seja, na hora H dir-se-ia que a doação poderia ser de qualquer valor.
fdsfds Enfim, diante do pífio resultado que obtive nestes 30 dias, com 500 contatos e menos de 20 êxitos, ou a estratégia de ação foi errada ou, infeliz e cruelmente, essa nossa terra, nesse sistema, parece mesmo não ter jeito, tamanho o egoísmo, o individualismo, a mesquinhez e o egocentrismo capitalista-marginal das pessoas.
fds