sexta-feira, 21 de junho de 2013

# e assim caminha a humanidade (xxi)


Enquanto isso, num despretensioso café expresso com um amigo, ele me conta mais uma da “turma das passeatas”, destes caras pintadas 2.0, versão hi-tech, que, ingênuos, empurram o cavalo troiano do golpe.

Falava da reunião de umas 30 pessoas que tratavam de organizar a primeira “manifestação” (sic) em uma pequena cidade fluminense. Era um microcosmos deste negócio todo.

Para o encontro, o grupo convidou o irmão do meu amigo para documentá-la, na qualidade de jornalista.

E assim seguiu a conversa entre os jovens, na íntegra, sem exageros:

- Então!? Sobre o que vamos protestar? – grita um, abrindo a pauta.

- Pois é, sobre o quê? – todos, em uníssono, emendam.

Ao fundo, por alguns minutos, só grilos e toques de SMS...

- Galera, pô, a gente precisa saber sobre o que vamos gritar e escrever! – esbraveja o líder.

- É!!! O que vamos reivindicar?! Senão não dá, né!! – diz outro, meio preocupado, meio revoltoso.

- Hein, a gente podia falar sobre o preço do ônibus mesmo... – define o organizador, limpando o suor com a manga da sua camisa polo da marca do jacaré.

E a resposta vem na hora, todos juntos vibrando: “Isso!”, “Boa!”, “Fechado!”, "Legal, vou por no Face!"

- É! E fica até mais fácil, já que tá todo mundo falando nisso, né!! – resume o mais gordinho, largando o canudo do milk-shake.

- Então pronto... Ei, mas tem um problema galera! – adverte um deles.

- Qual? – emenda a guria, enquanto fuçava no i-phone.

- Alguém sabe o preço da passagem?

Silêncio geral.

E vai todo mundo com seus smartphones, no Google, procurar saber.

- Parece que é R$ 2,50... Não, acho que não... Peraí... É, é, aqui, R$ 2,65! – diz um, meio sem segurança.

- Não, é R$ 2,50 mesmo! – fala um deles, com a bandeira do brasil simetricamente amarrada no pescoço.

- Cara, mas de que ônibus vocês estão falando?  – confessa um, na lata, pouco antenado.

- Hein, tá errado, tô vendo aqui, achei... é R$ 2,70! – diz outro, com ar de arqueólogo.

Diante da confusão, o líder da tal blusa do jacaré se irrita:

- Hei! Atenção! Assim não dá! A gente precisa saber certo pra escrever nos cartazes, porra! Senão vai sair preços diferentes e vai ficar estranho, parece que a gente não sabe do que ´tá falando!

Outro minuto de silêncio.

E todos caem no riso.



quinta-feira, 20 de junho de 2013

# o ovo da serpente


Não, você não está na Europa dos anos 30, nem nas trevas da América Latina dos anos 70.

Também não está no mundo das arábias com seus ditadores mafiosos de turbantes e diamantes; tampouco no Sudão, na Islândia ou na Grécia pós-modernas e pouco olímpicas.

Por mais globalizado que esteja, você deve estar no Brasil, país hoje pulsando na roda-viva do planeta Terra e no qual um governo, há menos de dois meses e apesar de tantos erros, tinha 65% de aprovação popular, com ótimo ou bom, como as pesquisas demonstravam (v. aqui).

Localizado no tempo e no espaço, pergunte-se: qual o real sentido desta onda que enche ruas, praças, orlas, emails e redes sociais? Claro que ainda tanta coisa não funciona, que um mar de gente está à busca de novos sentidos para a vida, que novos valores estão em jogo sem a melhor participação estatal... Mas, parece, não é bem isso.

Na real, a bandeira concentra-se na "luta contra a corrupção", expressão da moda que vem e vai no balanço do "mar de lama", mas que se trata, sim, de uma velha ideia démodé que sempre causou mais estragos que consertos por conta do seu errado foco.

Disformes e esquisitos, esses protestos, com passeatas e manifestações, parecem os testes de Rorschach: cada um vê neles o que quer e, assim, se revela no que vê – isso até soa meio complexo, mas não é, garanto.

Antes de tudo, porém, registre-se a complexidade de tudo e de todos: cá estamos, afinal, longe de um terreno raso deglutido em coraçõezinhos e 140 caracteres das redes sociais.

Depois, não desprezemos de pronto e por completo as vozes que ecoam em cada esquina mais ou menos periférica e suburbana do país, pois, se tem uma coisa que há milênios provoca nojo e náuseas é o modus operandi das empresas de transporte coletivo país afora: estas empresas de ônibus são mafiosas, canalhas de um "setor" que se caracteriza pelo que de mais perverso há nestas relações públicos-privadas, típicas de uma sociedade patrimonialista.

Depois, claro, até se compreende também dois outros da "ideia em potência", marcados (i) na insatisfação pela ausência de reconhecimento dos cidadãos nas representações políticas e dos trabalhadores nos seus meios e locais de trabalho, bem como (ii) na certa (certíssima!) frustração pelos limites das promessas de ascensão social dos governos petistas, não tocando nos pilares deste neoliberalismo que sufoca, segrega e sucumbe 90% da população, ainda concentrando muita renda e riqueza e, fundamentalmente,  (iii) na marca de um governo que insistiu em repetir modos de (des)funcionamento político e institucional do passado.

Mas isso, vê-se, não é o foco. Seria como se assim pensassem: "olha, não sabemos o que seja, não entendemos o que possa ser, mas, na boa, tem algo nos incomodando..."

Ou seja, incapazes de pretenderem uma utopia ou um sonho revolucionário, traduzem o incômodo assim, numa sopa difusa de gritos e cartazes sem sentido, talvez decifráveis em divãs de psicanalista ou rodas de haxixe, mas que querem mostrar um descontentamento, uma tristeza, uma melancolia por uma broxada astral só reerguida por pílulas azuis de pseudocivismo.

Mas, à margem disso, agora já parece – verdadeiramente!  trazer evidências transformadoras que se sustenta no seguinte clamor pseudo-popular: "tudo contra a política!” e “tudo contra o Estado!” – inclusive o âncora matutino da rádio BandNews assim denomina a coisa, com aplausos gerais...

Ora, por favor, não me venham transformar um protesto legítimo – revisão dos preços e das concessões dos serviços de transporte público e, até, a frustração quase metafísica por um estado de coisas – em uma ação despolitizante contra tudo e todos, afinal, bem se conhece a famosa frase da obra "Il Gattopardo" (Tomasi di Lampedusa): “mude-se tudo, para que tudo permaneça como está”.

Ora, não se vê ninguém a pedir a Reforma Política ou a Reforma Agrária. Ninguém está a falar em se fazer, pra valer, as Reforma Tributária, Previdenciária, dos Meios de Comunicação e do Poder Judiciário, medidas institucionais que redistribuam a grana e o poder, todas absolutamente cruciais para o avanço do país.

Menos ainda, longe passa o pensamento que efetivamente conteste o óbvio: a necessidade  de se transformar a ordem vigente, enterrando o capitalismo e fazendo nascer, a fórceps, outro sistema, outro modelo, outra forma social capaz de unir e incluir e toda uma multidão.

Por quê? Ora, porque se trata, na maioria, de uma turma apolítica, despolitizada e que se cria em chats, nets e quejandos virtuais de discussão, reflexão e estudos, tudo muito volúvel, muito superficial e muito “líquido”, como diria Bauman.

Afora o mesmo pessoal de sempre – aquele que tem horror às mudanças sociais e econômicas efetivamente construídas no país e que representam os eternos 25% da população –, (não) surpreende a profusão de "revoltados on-line" a ajudar a chocar este ovo ou a embalar este cavalo troiano.

Sim, bandeiras, cirandas, plumas e paetês contra a corrupção, "pela paz" e em favor da vida são vertigens sociais e realisticamente inúteis.

Na verdade, o que políticos e endinheirados filhos da puta mais desejam são, justamente, manifestações “contra tudo o que está aí”, “contra a política”, "contra partidos", “contra instituições” etc., tudo sem imiscuir no real e no concreto.

A história recente é sempre farta em exemplos e em nos ensinar, para não nos deixar esquecer: nos anos 60, pré-Golpe, as “filhas de Maria” também queriam um estado democrático e um país melhor – mas sem o Jango (e o povo).

Sim, ironia pura, os reacionários daquela época entupiam as ruas de Rio e São Paulo clamando e marchando por Deus, “pela Tradição, pela Família, pela Liberdade” e, claro, pela Democracia e pelo Brasil-sil-sil.

Naquele golpe, portanto, os clamores também eram belos e justos na sua formosura, com um blá-blá-bla bonitinho (e sempre ordinário).

Porém, a “democracia” deles só servia sem um presidente da República legitimamente eleito, popular e de centro-esquerda, no caso Jango – e o golpe, a reboque da grande mídia, foi questão de minutos.

Logo, qual o efeito político desta marcha, desta onda e destas cartazes atuais? A quem interessa? Quem banca e está por trás disso? Qual o sentido desestabilizador disso tudo (v. aqui)?

Não sejamos tolos: basta ver a redireção tomada pela grande mídia diante dos movimentos, as edições de texto e imagem, as manchetes associativas e as mensagens subliminares de culpa que promovem.

Ora, os "donos do país" já se apropriaram dos caras-pintadas 2.0, a versão high tech de uma turma que nos anos 90 mimetizava o impacto dos “anos rebeldes” da tv e pedia a excomunhão de Fernando Collor por motivos que interessavam muito mais à grande e velha indústria multinacional aqui instalada e a uma boa parte do Congresso frustrado pelos rompantes monarquistas de um arrogante Presidente do que à população em geral. 

A história, inclusive, hoje detalha muito bem isso.

Logo, que insatisfação seria essa de agora, justamente num momento em que o Brasil parece acordar, resgatando a dívida secular com a dignidade de dezenas de milhões de brasileiros e inserindo-se definitivamente como co-protagonista no cenário político e econômico mundial? 

E, mais, num momento em que, mesmo com o insano e diário bombardeio midiático, o atual governo continua a gozar de alta popularidade (ótimo/bom/regular com mais de 70%, segundo as últimas pesquisas) e cujo partido passa a governar a maior cidade da América Latina (São Paulo)?

É óbvio que há muitas e muitas (...) coisas a melhorarem; são, sim, notórias as nossas desgraças sociais, os nossos problemas e deficiências, as nossas carências humanas e estruturais, os nossos desequilíbrios institucionais e a nossa decepção com o freio centrista e conservador do governo federal em várias áreas  sim, o PT atua como o partido da ordem.

Como também há uma "crise de representatividade", que quer redimensionar a via direta do exercício do poder, uma "crise de esperança", que quer mudar a dinâmica política para (re)ver o concreto das relações cotidianas, e uma "crise de futuro", que quer outro norte para a sociedade.

Contudo, mesmo que se vá às ruas na busca deste caminho – ação condicionalmente legítima –, é absolutamente obrigatório o olhar para o presente, para o conquistado e para o que está em jogo, aspectos esquecidos pelos bandos que invadem as nossas ruas e Casas, com suas cabeças ocas ou já bem programadas. 

Atenção: ainda que a pequenos e lentos passos, Brasil está mudando, e isso precisa ficar claro, e isso precisa ser visto – e não enxergado pelas lentes turvas de quem não tem interesses populares, coletivos, cívicos e republicanos.

E isso precisa ser feito por vias efetivamente democráticas, assentadas na militância, na participação, no voto e nos desejos de governo de cada um de nós.

Portanto, minha gente, por maior que seja a inconsistência das posições políticas e a ausência de efetivas propostas e demandas das ruas, do que se vê o resultado será apenas um.

Na marra, será o começo do fim deste governo de centro-esquerda e das pautas conciliatórias  até quando esse papo-furado!?  desta "social-democracia petista", com as consequências mais desgraçadas para a nossa República e para o nosso povo: um mergulho ao abismo cívico-institucional sob a agenda neoliberal de uma gente disposta a tudo.

E neste caso nada surpreendente ou sem querer, exatamente como naquele último golpe militar em que se arregaçou a nossa rarefeita democracia para dar espaço às vontades da elite empresarial, sustentadas pelos interesses da geopolítica estadunidense e reverberadas pelos gritos reacionários da imensa parcela da classe média que sempre curtiu manter no país um exército de escravos. 

Daqui para frente, flertamos com o caos e o terror.



domingo, 16 de junho de 2013

# desiberna (ou, "o meu portão")


Eis-me aqui, de novo, enfim.

E confesso: pelo andar da minha carruagem, 
esperava não mais voltar.

Mas eis que retorno, com uma motivação que poderia ter surgido de tantas e tantas coisas.
O crescimento do benjamin, o gigante ser que a cada dia toma mais conta de mim. O amor maior do mundo pela mulher amada. As saudades angustiantes do cotidiano com minha família ao sul, mas sempre no centro do meu universo. A falta de minha gabriela. A distância mexicana de uma irmã. A paixão pulsante pelo atlético. Os encontros com tanta gente querida nesta minha nova cidade. Os desencontros com tanta gente querida da minha velha urbe. As regatas com meus chapas, as doses com atroveran e os trucos com gavas e luízes. A minha praia, a minha rua, o meu bar, o meu lar. A minha religião, a minha teologia e a minha libertação. As reflexões, os temores, as idéias, a cólera por tudo o que vem e passa no teatro da minha vida. Os tantos e diplomáticos pedidos, de leste a oeste. O vazio e os fins existenciais. A alta do dólar, o alto da compadecida. A baixa do sapateiro e o baixio das bestas. A crise pela minha abstinência de orelha de elefante com chimichurri. O último bolinho de camarão, de siri, de feijão, de chuva. A próxima roda de choro, viva, gigante. As penúltimas lágrimas. O preço do tomate, dos tremoços, do chicabon, das brahmas extras e das caixas de lenço de papel para onde assoo a minha melancólica alma. A massa ruminante e a baba bovina. A classe média ao molho pardo. O branqueamento de capitais e do futebol. A imprensa marrom e golpista. Os smurfs, os backyardigans, as peppas e os tucanos. As febres, as ânsias, os asnos e as antas. Os meus ídolos, as minhas overdoses. O quase 2014, talvez o último ano do resto de nossas vidas...
Enfim, justificativas não faltam.
Nem tempo, pois vinte e quatro horas são suficientes para tudo.
Inclusive para não fazer nada.
E é este nada que voltaremos a materializar aqui, no coletivo divã deste meu sideral espaço virtual.

En garde!


Eu voltei... para este meu portão, por trás do qual estão algumas das minhas histórias, memórias e segredos




quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

# um particular dia da criação

 
O mundo parou.
 
Por um longo instante de vários dias o mundo pareceu-me parado, suspenso.
 
Ao menos em câmera lenta, nele eu levitava.
 
E nele via a vida, e nela tudo não acontecendo, tudo em silência, tudo bisextamente congelado.
 
À mente, em movimento, vinha apenas a realidade passada, do que fomos e fizemos, e a futura, do que seremos e faremos, enquanto todo o presente insistia em permanecer em seu plano quase surreal.
 
Da conjugação entre o nosso desejo familiar-cristão-civilizacional e a sanha imperativa cromossômica, eis que se conformam os aromas de mais elevados sentimentos e matizes e os acordes de mais profundo lirismo e transcendência poética, para, assim, do dia para a noite, chegar a grande boa nova que modifica para sempre as nossas vidas.
 
Foi o nosso dia da (nossa) criação.
 
Daquele momento em diante – ainda que o nascimento pré-entreluz tenha se dado há quatro ou cinco semanas –, o que estava no plano hipotético do planejar e do querer concretizou-se na forma de um vivo projeto de microscópico ser.
 
Na verdade, nessa ainda transição de pulsante energia humana para uma ultraminúscula gente, maior que o júbilo é o caráter fantástico do acontecimento, afinal, mais difícil que conhecer a conformação físico-químico-biológica de todo este nosso desenvolvimento celular, é saber responder de qual plano viemos e do que será imaterialmente formado.
 
Sim, não será um mero mini-mim.
 
Com essa descoberta, um misto da prova genética e fabulosa de Deus, colocamos em marcha um (fiapo de) sentido que a todo instante ameaçará transformar o conjunto desgarrado – e por vezes sem nexo – de episódios a que chamamos "vida" numa narrativa, se não entendível, ao menos finalística.
 
Parece-me que é apenas de agora em diante, embora ainda com ares metafísicos, que passaremos a compreendê-la.
 
Fora dele, já começamos a ter a impressão de que tudo fora dessa nova vida dispõe do peso necessário para ser importante.
 
A nossa própria existência, inclusive, parece pulverizar-se e desatar da gravidade, tudo em prol da maravilhosa epopeia do proto-crescimento que, ao final, em seu estágio já pleno, deverá nos mostrar não sermos aquele que criamos, mas apenas nele estarmos e na vida dele nos reconhecermos.
 
Sim, esta é a razão da nossa multiplicação.
 
Neste nosso caso, saber que o amor humano – em todas as suas faces e, em especial, nas suas vindouras doses de afeto, zelo, doação, privação... – materializa-se na forma de um novo ser humano, faz-nos ter a complexa e dogmaticamente auto-explicativa certeza do divino poder da criação, pelo qual Ele, com a nossa constante contribuição, é capaz de nos deixar, em franco processo de evolução, mais humanos, demasiadamente humanos.
 
Afinal, ainda que não saibamos o que encontraremos neste nosso novo caminho, infinitamente marcado por incertezas, dúvidas e surpresas, a relação que teremos com a nova vida que estamos a gerar será, sempre, de absoluto amor e de incondicional atenção.
 
Tão certos quanto as plurimotivadas lágrimas, alegrias e emoções que doravante (não) haverei de conter.
 
 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

# al/dl


 
Este filho também não fugiu à luta; este filho não abandonará o nosso barco.
E assim veremos que a nossa terra nunca mais será a mesma.
A nossa terra será, enfim, de todos.
Obrigado, Presidente Lula!

 
 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

# eu sou o samba...



fds2 de dezembro, Dia Nacional do Samba.

fdsMas, aqui, na sua terra, natal ou por adoção -- e lá se vai infinita discussão... --, nem precisava.
fdsHoje, por exemplo, programaço no Clube dos Democráticos -- onde desde 1870 (!) faz-se baile de carnaval... --, em homenagem à Cartola e a tantas velhas guardas cariocas. Ou então na Estação Leopoldina, com Arlindo Cruz, Maria Rita e o grupo Bambas de Berço. Ou quem sabe no Centro Cultural Carioca, em cujo salão, desde o começo do século passado (à época como "Dancing Eldorado"), se canta a grande música popular brasileira, hoje com o Pagode da Tia Doca.
fdsMas melhor ainda é neste sábado, com o já clássico "Trem do Samba".
fdsJá a partir das 11 horas, grande show na Central do Brasil, com Wilson Moreira, Nelson Sargento, além das ilustres Velhas Guardas da Portela, Império Serrano, Mangueira, Salgueiro e Vila Isabel e a Bateria do Mestre Faísca.
fdsDepois, três trens (sem tigres tristes) sairão da Central em direção a Oswaldo Cruz (13h30, 14h e 14h30).
fdsChegando em Oswaldo Cruz, três palcos estarão montados para a festa continuar.
fdsNo palco ao lado da via férrea estão confirmadas as apresentações de Noca da Portela, Delcio Carvalho e o Pagode da Tia Doca.
fdsOutro palco da Rua Átila da Silveira será feita uma homenagem ao Cacique de Ramos com Partideiros do Cacique e Sombrinha, além das apresentações de Toninho Gerais, Tia Surica e Zé Luiz do Império.
fdsNo palco da Praça Paulo da Portela, se apresentarão o grupo Descendo a Serra, Ari do Cavaco, as Velhas Guardas do Império Serrano, Salgueiro, Mangueira e Vila Isabel. Neste palco, Marquinhos de Oswaldo Cruz e a Velha Guarda da Portela darão o grande fecho ao evento.
fdsMas calma, não vai ter só show em palco. Durante todo o dia acontecerão rodas de samba pelo bairro, com o Bloco dos Cachaças, o Clube do Samba, o Grupo Galeria da Velha Guarda da Portela, na Carvoaria, na Pirapora etc.
fdsPortanto, a programação é o de menos: o bacana é ficar indo lá-e-cá, passeando, conversando e parando para cantar samba onde estiver mais animado (ou mais melancólico), numa peregrinação que nos fará ouvir Donga, Cartola, Pixinguinha, Noel, Ary, Ataulfo, Adoniran, Nelson, Wilson, Cachaça, Sargento, Geraldo, Vinicius, Candeia, Monarco, Clementina e toda a jovem, ou nem tão jovem assim, nata sambística.
fdsEsse é, também, o Rio de Janeiro...
fds

 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

# medo?

f
dsNuma escala (um pouco) maior, o que acontece aqui no Rio nada mais é do que aquilo que, a todo instante, pinta nas periferias e subúrbios do Brasil, embora em ritmo mais lento, menos intenso e com menos holofotes.
fdsNa região de Colombo ou da Fazenda Rio Grande, na área metropolitana de Curitiba -- aquela cidade autoproclamada (e autoanunciada) como a Estocolmo tropical --, todo dia vê-se dezenas de aberrantes, aterrorizantes e absurdos casos de violência, de selvageria e de criminalidade, mas, não com carros queimando, e sim com corpos queimados, retalhados, decapitados...
fdsE o curioso é que o incessante alarde que se promove hoje, pelas seis da tarde, no Rio de Janeiro, parece partir daquela mesma gente que, nos dois últimos anos, considerou a Gripe H1N1 (a "suína") a oitava praga do Egito (v. aqui, aqui e aqui).
fdsCapitaneada pelas bandeiras da grande mídia, a nossa própria gente dissemina o pânico, o desespero e a solidão.
fdsAqui, ao lado, colegas de trabalho, em poucos minutos, fazem dezenas de ligações para os seus, exigindo que todos agissem como se num estado de sítio, numa terra em transe tomada por zumbis. "Vão para casa!", "Tranquem-se lá!", "Não aceitem doce de estranhos!", pregava um dos mensageiros do apocalipse. O que pensam, ora pois?
fdsSabemos da gravíssima questão do narcotráfico -- v. aqui, aqui, aqui e aqui o que já se faz, de concreto, humano e desenvolvimentista, como alternativa à nossa gente que sofre nas favelas, e aqui e aqui uma das soluções reais para o negócio virar um "negócio" -- e das consequências que advirão da cirúrgica e cada vez mais intensa política pública das UPPs -- como, especialmente, a debandada marginal para os subúrbios e o interior do Rio e a simples alocação dessa força bandida para outros tipos de crimes --, cujas reações organizadas são, sob essa ótica, absolutamente esperadas; porém, mais do que isso, esta sensação de mal-estar e de vulnerabilidade apenas corresponde ao atual estado de coisas em que, encastelados, vivemos.
fdsE mais. Traz à luz outra variável, indireta, encrostada no comportamento de boa parte desta gente, desta midiática sociedade pós-moderna que dá ouvidos (e a alma) aos jornais nacionais e aos datenas, mas que jamais crê nas sérias e competentes autoridades públicas, como assim se mostra o secretário de segurança carioca para o caso presente ("Não entrem, por que não precisa e não se justifica entrar, em pânico!", repetiu ontem doze vezes), e se mostraram o secretário da saúde paranaense e o ministro da saúde para o caso da pseudogripe dita espanhola ("Nada de desespero, pois é menos perigosa e mata muito menos que a gripe comum!", repetiram aos borbotões).
fdsRegize-se: não significa que não desconfiemos que, com o aprofundamento das UPPs e a reestatização da segurança e do espaço públicos, a guerrilha civil-social definitivamente chegará e que se terá que viver, por longos dias, numa mini-Bósnia (v. aqui); porém, o momento ainda não é este.
fdsO Estado prepara-se e, definitivamente, parece que não retroagirá, não se omitirá e não negociará. Porém, tudo planejado e implementado com cautela, parcimônia e responsabilidade.
fdsOra, o Estado não pode disputar quem é mais violento ou brutal, mesmo numa situação de limite, afinal, é muita, muita, muita gente do bem que habita e (sobre)vive nos pobres morros e que está nos tiros cruzados disso tudo, vizinha da escatofagia social e imersa, coagida na lama da bandidagem. As ações, portanto, têm de ser pensadas, sérias, calculadas. Mas tem de, claro, serem "ações".
fdsNas circunstâncias atuais, porém, ao pregar a intolerância humana, o caos urbano, a covardia estatal e as trevas no fim do túnel, caminha-se para uma sociedade cada vez mais reclusa, conservadora, arcaica, alienada e irresponsavelmente social. E, nunca, nunca é um bom caminho.
fdsEsta sensação de agora, portanto, tão animadamente propagada por aquela mesma turma de sempre, parece apenas fazer clarear a tese de Simone de Beauvoir: "a ideologia da direita é o medo".


fds

# razão de ser


fdsVendo o que acontece na baixada fluminense, e aos poucos nos arredores nobres da cidade, pergunto-me: e por que cargas d´água essa gente toda, estes bandos de criminosos, esta podre turma toda que vê o Estado chegar e reocupar o território, realmente não entra para detonar, para realmente aterrorizar, para uma guerra?
fdsPor que ficam só nessa de atear fogo num carro ali, num ônibus acolá? De fazer um arrastão hoje, outro amanhã? O que temem? O que têm a perder? O que os leva a não "quebrarem tudo"?
fdsPorém, não se tenha ilusão: isso irá acontecer. E não como uma mera onda. O narcotráfico não irá se render antes do seu all in.
fdsFeche-se a cortina.
fdsDo mesmo modo, embora na contramão do comportamento acima, e nunca distante da realidade das coisas vistas no mundo extramuros que, por vezes, arriscamos nos meter, surge o enigma presente nas atitudes e no ser de toda aquela gente sofrida, humilhada, destruída, arruinada, vilipendiada pela miséria econômico-social, mas que, diuturnamente, vive dentro da lei, no mundo da ética e... em paz.
fdsE vem à mente, pela enésima vez, aquela velha discussão entre Hobbes e Rousseau, entre o nascer e o tornar-se, entre o homem e o meio, entre o homem-mau e a sociedade-perversa.
fdsDilema que, não fosse a maior premissa dogmática que me acalenta, a cristã, deixar-me-ia pairado sob essa eterna dúvida existencial.
fdsPor quê?


 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

# segundinhas

f
dsNesta segunda-feira, bem a propósito, lê-se no para-choque de um caminhão, sem ter como discordar:
fds"Ser campeão da segunda divisão é igual tirar o filho da cadeia. A gente fica feliz na hora mas depois dá uma vergonha de contar para os outros...''
fdsAqui, pois, as minhas saudações aos tantos e tantos amigos coxas, que de novo saem das trevas e voltam à elite do futebol nacional.
fdsMas, será que agora se sustentam?
fds
 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

# sapos me mordam


fds E, lá fora, vê-se a chuva de 600 bilhões de dólares.
fds Deste último (e já decadente?) império, nada original: simplesmente imita-se o que as potências do Antigo Oriente, Roma e os grandes países coloniais-navegadores (Portugal, Espanha, Inglaterra e Holanda) outrora fizeram, liquidando a sua moeda para (tentar) liquidar a sua gigantesca dívida, que só a interna atinge os estratosféricos 14 trilhões de dólares, cujas cifras nem mais o Tio Patinhas -- muito menos o Tio Sam -- suporta.
fdsComo? Para reduzir a proporção de "ouro" (valor) na cunhagem ("valorização") das moedas, fabricam dinheiro e despejam na praça milhares de milhões de dólares, dólares e mais dólares, a fazer dessa espécie meras notas de um "Banco Imobiliário".
fds Tudo falso, absolutamente falso -- como, a propósito, é bem o american way of life.
fds E os EUA exportam inflação para o mundo inteiro, para reduzir sua gigantesca dívida, pagando os credores com dólares desvalorizados.
fds Mais do que isso, o dólar depreciado faz crescer as exportações norte-americanas e prejudica as nações que exportam para os EUA, cuja predatória prática muito bem remonta à depressão mundial dos anos 30.
fds E, ainda, além de desestabilizar o câmbio e o comércio, o tsunami de moeda estadunidense invade os mercados emergentes, na busca do fácil dinheiro dos viciados cassinos financeiros, cujo efemeridade dos "investimentos" detonam as economias domésticas.
fds Diante de todo o cenário, a chuva de dinheiro certamente se confunde com aquela chuva que dramatiza o final do filme "Magnólia".
fds Afinal, lá e cá fazem todo o sentido.


 
 
 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

# taj mahal


fdsfAfora empreiteiros, políticos e magnatas do business, quem mais quis a Copa do Mundo no Brasil?
fdsfOra, a população, o povo, a sociedade brasileira em sua esmagadora maioria -- e desde já reclamo a minha inclusão na minoria que foi e é contra, como há tempos, à sombra da mangueira imortal, deixamos claro (v. aqui, aqui e aqui).
fdsfPortanto, afora a “nata” envolvida no negócio Copa, quase toda a “malta” brasileira clamou e rezou para que o Brasil fosse a sede em 2014. E mais.
fdsfQuase toda a “malta” exigiu dos seus representantes políticos que a sua cidade, o seu estado e o seu país fosse sede da Copa.
fdsfNas idas e vindas até a eleição brasileira, fretavam-se aviões recheados de colarinhos brancos para alimentar o lobby nacional e os lobos da FIFA.
fdsfEra humilhante ver os nossos representantes pedintes, com malas-pretas à mão.
fdsfE, depois da “vitória”, o político que ousasse não reverenciar Ricardo Teixeira (o todo-poderoso na organização e presidente da CBF) veria alijado o seu Estado do mundo de Oz.
fdsfEra a suprema humilhação federativa.
fdsfE, repita-se, por graça de quem? Ora, da nossa gente, que ainda baba com o fato e que quer (e sempre quis) o mundial no Brasil.
fdsfE agora, José? Quem há de bancar todos os estratosféricos custos que envolvem o evento, dentre eles os palcos dos jogos?
fdsfSendo sede da Copa, já é notória a parcial cessão da soberania nacional à FIFA, que exige o que bem quer. Sem contraprestações.
fdsfE, dentre tantas outras imperiais ordens, destacam-se as absurdas regras relacionadas aos estádios, minimamente detalhados, e sem qualquer razão de ser.
fdsfLogo, como nenhum estádio no Brasil presta -- sob a ótica e os anseios financeiro-corporativos da FIFA --, ou se promove mais ou menos intensas reformas nos poucos aptos que existem ($$), ou se constroem novos ($$$$$$). E o custo disso é, além de inútil, fabuloso.
fdsfAfora os casos das novas construções totalmente patrocinadas (e queridas) pelos Estados -- como são os exóticos e nonsense casos das inúteis babilônias públicas a serem armadas em Cuiabá, Manaus, Brasília e Natal --, três exemplos privados, mas ainda com os mesmos fundamentos, são bem ilustrativos: o Internacional, com a reforma do "Beira-Rio", o Atlético, com a finalização da moderna "Arena da Baixada", e o Corinthians, com a construção do seu "Fielzão".
fdsfNesses casos, os três clubes não têm (e nunca tiveram) interesse algum em arcar com toda a nova infra-estrutura imposta pela FIFA e com todos os encargos exigidos para ser uma sede de Copa.
fdsfA reforma, a finalização e a construção que respectivamente pretendiam eram para atender aos seus interesses, aos interesses dos seus sócios e torcedores, os quais em nada se pareciam com o que a FIFA exige.
fdsfLogo, agora, quem é que deve pagar por isso?
fdsfOra, a população, o povo, o erário, o dinheiro público.
fdsfÉ a própria sociedade, infelizmente, quem deve arcar com os elefantes mais ou menos brancos que se espalharão pelo país.
fdsfÉ a sociedade, repita-se, quem deve arcar com cada regra estúpida, com cada ousadia técnico-estrutural e com toda a deslumbrada vaidade obrigada pela FIFA.
fdsfE nunca os clubes, que não podem ter o ônus privado e particular de algo que o nosso distinto público quis.
fdsfQuae sunt Caesaris, Caesari -- é, assim, o justo.
fds

 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

# enxofre


fdsEntrei, lentamente e sem alarde, com as costas voltadas à parede, no mundo das apostas pela internet. Sem anseios financeiros, sublinhe-se.
fdsUm mundo interessante, impactante e medusicamente envolvente.
fdsDe críquete no Vietnan a torneio de golf num estado estadunidense, de segunda divisão do campeonato holandês de handebol a torneio mundial de ginástica olímpica, está tudo ali, para se apostar e comprar, perder e lucrar, torcer e subornar.
fdsE agora envolvo-me com a literatura e os casos de polícia já expostos por autoridades e pesquisadores europeus. Máfia de magnatas, cartolas e atletas, para todos os gostos e bolsos.
fdsSim, meus caros, depois de saber, conhecer e estudar o que acontece no submundo que faz envolver centenas de bilhões de dólares a cada ano, você nunca mais verá futebol, mesmo o nosso, com os mesmos olhos.
fdsE passe a ter saudades dos cambalachos à boca do vestiários e das negociatas de árbitros em botecos de subúrbio.


fds

# aspas (xxxvi)


fdsDo "Conversa Afiada", do sempre ácido Paulo Henrique Amorim, sobre o imbróglio a envolver a realização das provas do ENEM (v. aqui).
fdsComo diz o sábio, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa...
fds
fdsUma desmoralização arrasadora.
fdsÉ porque 0,04% dos alunos inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta.
fds0,04%! Que horror! Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.
fdsOntem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a “inépcia” do ENEM. A Folha, se entende. Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha [vencedora da licitação], que foi devidamente afastada da concorrência deste ano.
fdsO Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM. Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.
fdsPor que o Estadão, a Folha e o Serra são contra o ENEM? Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o “fracasso” do Governo Lula.
fdsQual é o problema deles com o ENEM ? O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora.
fdsO que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.
fdsAntes – como em São Paulo, hoje – cada “coronel” faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos do Di Gênio.
fdsDe Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes! 30 vezes, amigo navegante. Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje. É sempre assim.
fdsO Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias. O do Lula, que virou “Bolsa Esmola”, segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.
fdsO que é o ENEM? É o passaporte do pobre à universidade pública. É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENEM.
fdsPorque esse negócio de pobre estudar é um problema. Fica com mania de grandeza, de autonomia. Pensa que pode mandar no seu destino. E não acredita mais na fita adesiva do “perito” Molina.
fdsIsso é um perigo. Pobre é para ficar na senzala.
fds50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM. Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM.
fdsEm 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM.
fdsAí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a “faculdade de pobre burro”).
fdsSabe o que aconteceu, amigo navegante? O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos. Quanto pobre!
fdsPara o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES. Vai ser outro horror!
fdsMais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público. Um horror! Tudo público. ENEM, faculdade, financiamento... “Público” quer dizer “de todos”.
fdsAmigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM? Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar.
fdsFoi o Nordeste! Que horror! Já imaginou, amigo navegante?
fdsNordestino pobre com diploma de engenheiro? Nordestina pobre com diploma de médica?
fdsVai faltar pedreiro. Empregada doméstica.
fdsAí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo.

fds


 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

# food stamps


Eis que naquele jornal comunista, o "Wall Street Journal", revelou-se o modus vivendi de mais de 40 milhões de estadunidenses: "food stamps", ou "vale-comida" (v. aqui ou como aqui, já em 2009, aviamos).

Outra exemplar lição para aquele sem número de hipócritas (e idiotas) que ainda menosprezam (ou malham, ou não entendem) programas de proteção social como o nosso "Bolsa-Família".

Comportamento típico de quem acha chique tais ações governamentais na Escandinávia, na França, nos EUA... mas tem "hor-ror" àquelas postas em prática nos países latinos-americanos, como o nosso.

Hoje, na Terra do Tio Sam, o Deus-Mercado esfalece-se, para desespero da classe média, mas, principalmente, dos pobres, a ponto de um grande número de domicílios americanos passar a depender da assistência do governo até para comprar comida, no momento em que a recessão continua a castigar milhões de famílias.

O número dos que recebem o cupom de comida ("food stamp") cresceu em agosto, as crianças tiveram acesso a milhões de almoços gratuitos e quase cinco milhões de mães de baixa renda pediram ajuda ao programa de nutrição governamental para mulheres e crianças.

Foram 42.389.619 os americanos que receberam "food stamps" em agosto, um aumento de 17% em relação a um ano atrás, de acordo com o Departamento de Agricultura, que acompanha as estatísticas; o número cresceu 58,5% desde agosto de 2007, antes do início da recessão.

Lá, o benefício nacional médio por pessoa foi de aproximadamente 135 dólares em agosto; por domicílio, foi de quase 290 dólares.

Hábitos terceiro-mundistas já são cotidianos: filas nos supermercados à meia-noite do primeiro dia do mês, a demonstrar que o benefício não está cobrindo a necessidade das famílias; crianças nas férias a retornar às escolas para tirar proveito da merenda, onde ela estava disponível; restaurantes populares e gratuitos etc.

Assim, o "vale-comida" tornou-se um refúgio para os trabalhadores que perderam emprego, particularmente entre os estadunidenses que já exauriram os benefícios do seguro-desemprego.

E, lembremos: no caso nosso, temos um país em desenvolvimento, com um pobre (ou paupérrimo) Norte-Nordeste, e não um país rico (embora desigual) como os EUA.

Portanto, como diria o grande Eça, cá temos mais um caso de "má-fé cínica ou obtusidade córnea" da nossa gente encastelada.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

# uma roda que funcione


fdsfdsJá antigo, mas ainda excelente e que muito vem a calhar, é o texto do Professor Boaventura de Souza Santos, da Universidade de Coimbra, cujo título "Reinventar a Democracia" é quase auto-explicativo: v. aqui.

 

# aspas (xxxv)



A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, cumpre, ao menos retoricamente, as já preliminares expectativas para o seu governo, e encara de frente, e sem tergiversar, a questão do campo, da terra, dos sem-terra e da reforma agrária (v. aqui):

   "Temos de fazer uma revolução no campo, no sentido de transformar os agricultores em proprietários. Resolver o problema dos sem-terra é criar milhões de pequenos proprietários que farão com que o tecido social no setor rural brasileiro seja mais democrático." 



 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

# sin ternura


fdsNão importa a inclusão social de uma Espanha inteira dentro de uma situação de decência, muito menos uma iminente atuação político-pública que a estenda para mais duas Espanhas.
fdsNa verdade, se depender da grande mídia nacional, o próximo ano do novo Governo será um inferno, razão pela qual é urgente e imperiosa a criação de uma agência e de uma lei que efetivamente regule e regulamente a atuação dos meios de comunicação no Brasil, nos termos previstos pela nossa Constituição e, exemplarmente, nos moldes do implementado na França, com o “Conseil Supérieur de l´Audiovisuel” (v. aqui), e na Argentina, com a “Ley de Medios” (v. aqui).
fdsA presidente Dilma Rousseff, em suma, terá a responsabilidade de garantir à população o direito à comunicação.
fdsE, por isso, além de ambas as medidas citadas, é tão importante a multiplicação exponencial do sistema público de banda larga.
fdsDilma precisa, urgentemente, constatar que a forma de atuação de diversos veículos de rádio e televisão – não vem importar, sob essa ótica, a imprensa escrita (v. aqui) – são indiretos atentados à democracia e, por isso, deve agir desde o primeiro dia de gestão, e não esperar o babante golpe midiático.
fdsE por isso já não entendemos – senão pelo viés maquiavélico (ou da linha paz&amor) – toda a predisposição da presidente eleita, Dilma, com a Rede Globo, veículo que diuturnamente detonou a sua candidatura e o seu governo: na primeira oportunidade após eleita, foi ao Jornal Nacional. Para quê? Por quê?
fdsOra, o Presidente Lula salvou o Governo dele, mas quase não faz a sucessora.
fdsE isso é grave.
fdsE, por isso, um (bom) começo é evitar entrevistas exclusivas, estúdios platinados, páginas amarelas e espaços reservados em jornalões.
fdsE assim colocá-los nos seus devidos lugares.
fdsAlguém, enfim, precisa continuar o que Brizola começou – e que seja ela, oriunda do mesmo PDT.
fdsCaso contrário, muito provavelmente cairá.
fdsAfinal a turma virá babando ódio e veneno...
fds

 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

# pinhão com macaxeira (ou, a surra)


fdsCom o acachapante resultado – 12 milhões de pessoas (ou 12% dos votos), o que é bastante –, alguns energúmenos reacionários já pretendem lançar mão do fascista argumento de que “o Sul é o nosso país”.
fdsE, óbvio, os procuradores desta gente – em especial o tripé Globo-Veja-Folha – já começam a repercutir este funesto comportamento, a enfatizar que, no Sul, Dilma perdeu (ou, como queiram, Serra venceu).
fdsOra, estes mapas pintados de vermelho em cima e de azul embaixo são ilusórios e tão-somente servem para atiçar o latente preconceito desta gente daqui de baixo, autointitulada como protótipo da excelência.
fdsDilma fez quase e mais de 60% dos votos, respectivamente, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, fez quase 50% dos votos no Rio Grande do Sul e mais de 45% dos votos em São Paulo. Derrota mesmo, só no Paraná e em Santa Catarina, este último com a suprema glória de eleger governador e senador do glorioso DEM/PFL/Arena/UDN.
fdsE, num esquisito exercício separatista – bem ao gosto desta desgostosa gente –, se todos os votos do Nordeste fossem descartados, ainda assim Dilma venceria a eleição.
fdsEm suma, repita-se: uma vitória acachapante.
fdsPorém, se os idiotas ainda insistirem com tais atitudes e discursos disjuntivos, e se mesmo com os infindáveis argumentos técnicos, sociais, antropológicos etc. não obtivermos êxito na explanação, incitemo-lhes o êxodo, ou, quem sabe, a ira e a ir em frente.
fdsSim, numa hipotética guerra civil separatista, da surra que levariam despontariam inclusive inúmeros barrigas verdes de bombacha, chapéu-de-couro e peixeira na mão, a enxotar a turma de biltres fascistas.
fdsAfinal, o Brasil deve ser um só.
fdsE para todos.
fds

 

# às feridas, históricas e bem abertas


fdsDilma venceu.
fdsE, com ela, o que mais se espera é o aprofundamento das políticas sociais e o aceleramento das mudanças sociais.
fdsCom ela, aguarda-se que as feridas intocadas pelo Governo Lula, particularmente a reforma agrária, a reconfiguração tributária, a revisão político-eleitoral e a regulamentação dos meios de comunicação, seja finalmente implementadas.
fdsEngana-se, muito, quem não acredita na presidente eleita ou quem a imagina frágil, fantoche ou fanfarrona.
fdsEla, afora tecnicamente habilidosíssima, é, ideológica e cientificamente, muito mais comprometida com os ideais e as teses da esquerda do que o Presidente Lula.
fdsEra, isso, portanto, um dos maiores temores da elite branca, reacionária e conservadora brasileira.
fdsAfinal, em toda transição tem-se um lado de continuidade e outro de ruptura. Assim, se no governo Lula houve a continuidade no projeto macroeconômico e a ruptura do Estado mínimo neoliberal para um Estado minimamente intervencionista e social, com Dilma, muito pouco restará do inefetivo paradigma antigo, devendo ser promovidas substanciais reformas na estruturação do Estado como agente efetivamente intervencionista e social.
fdsLula mudou o rumo e o jeito do país; Dilma, intensificará a velocidade e e a constância desta trajetória. E o Brasil continuará a mudar.
fdsConjugado a este seu perfil, Dilma conseguirá, como nunca antes na história deste país, maioria absoluta no Congresso Nacional, ou seja, Câmara de Deputados e Senado Federal estarão politicamente comprometidos e vinculados ao Governo, conforme bem delineou o resultado das últimas eleições parlamentares.
fdsTal conformação propiciará ao Governo Federal o grande trunfo de poder aprovar leis, emendas, projetos e políticas com facilidade e eficácia, sendo irrelevante o trabalho desestrutural da oposição, cujo boicote às grandes (ou pequenas) ideias não terá o condão de engessar as reformas que o país tanto precisa.
fdsTal situação, portanto, trará muito maior eficácia às ações estatais, o que resultará num governo mais eficiente para a população.
fdsE, assim, após os “demos” terem sido devidamente exorcizados nestas eleições – fora, claro, no estranho Estado de Santa Catarina... –, nas próximas, ao final destes quatro anos, o Brasil certamente verá a extinção dos “tucanos”.
fdsE todos, e não mais apenas os 5% brancos, limpos e cheirosos encastelados, passarão a viver felizes para... hoje.
fds