UM ESPAÇO LÍRICO-SIDERAL SOBRE TURFE, UTOPIA, LIVROS, LEIS, NÓS, MARX, FILMES, POEMAS, TORRONES, DRONES, DEUS, DESTILARIAS, EGO, GOLS, FAROESTE, FAZ-DE-CONTA, METAFÍSICA E A VIDA, COMO ELA É...
sábado, 17 de outubro de 2009
# atleticanas (xxxi)
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
# aspas (xxv)
Na contramão dos urubus de plantão, das ratazanas de sempre e das bestas que enxergam a maior política de transferência condicional de renda do mundo como esmola, como bolsa-vagabundo, como ineficiente, como bolsa-preguiça ou como compra de voto, abaixo há a última notícia trazida pela "BBC Brasil" (v. aqui).
Todavia, certamente isso não interessa aos topetudos urubus, às enfeitadas ratazanas e às gordas ou esbeltas bestas que enxergam esse programa (e o nosso problema da fome) como coisa de gentalha, algo no qual o Estado não deveria se imiscuir, coisa a ser resolvida pela libertina liberalidade do mercado.
Preocupação como essa? Ora, pensa aquela fauna, isso é coisa daquela gente barbada que não quer simplesmente comer. Quer comer criancinha.
A lista foi elaborada a partir de pesquisas sobre as políticas sociais contra a fome em governos de 50 países. A partir da análise, a ONG preparou dois rankings – um com os países em desenvolvimento, onde o Brasil aparece em 1º lugar, e o outro com os países desenvolvidos, liderado por Luxemburgo. (...)
Segundo a diretora de políticas da Action Aid, Anne Jellema, 'é o papel do Estado e não o nível de riqueza que determina o progresso em relação à fome'. O documento elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais para lidar com o problema da fome no país e destaca os programas Bolsa Família e Fome Zero.
Diz o Relatório que 'o Fome Zero lançou um pacote impressionante de políticas para lidar com a fome – incluindo transferências de dinheiro, bancos de alimentação e cozinhas comunitárias –, atingindo mais de 44 milhões de brasileiros famintos e ajudando a reduzir a subnutrição infantil em 73%'.
A ONG afirma ainda que o Brasil é 'exemplar' no exercício do direito ao alimento e cita a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan 2006) e o Ministério do Combate à Fome como medidas de que exemplificam que o direito à alimentação está sendo cada vez mais reconhecido como direito fundamental.
Apesar do aspecto positivo, a ONG afirma que o Brasil ainda tem áreas em que pode melhorar e cita o desafio de incluir os trabalhadores sem terra e pequenos agricultores nos progrmas sociais de alimentação."
# atleticanas (xxx)
Sim, é o time que menos sofreu gols e deixa para trás uma média, a.L., de quase dois gols contra por jogo, passando a ter o melhor desempenho dentre todos da Série A.
Enquanto isso, continuamos com o segundo pior ataque do campeonato, condição que nada mudou com o novo comandante.
Diante disso, como jogar contra o rebaixado em potencial Santo André? Digo na lata: num 4-4-2, no mesmo ferrolho à italiana que se mostra exitoso, afinal, nesse tão nivelado campeonato, o empate contra um concorrente direto -- seja onde for! -- é um negócio muito melhor para nós, que estamos sete pontos à frente, do que para eles, razão pela qual o time paulista se obrigará a, minimamente, sair para o jogo.
E então será como tirar doce da mão de criança.
NOTA EXPLICATIVA: uma coisa é jogar como timinho, que apenas sonha em arrancar 1 ponto e para isso fica cagado lá atrás, sem pensar, sem agir, sem nada, e que joga feio em si, como fim; outra coisa, muito diferente, é ter consciência técnico-tática e armar a equipe à italiana -- no 4-4-2 ou num outro que se tem inventado, a misturar várzea e catenaccio --, com elenco, regulamento e tabela embaixo do braço e que joga o feio como meio. E é nessa segunda forma de jogar que atua o Atlético de Antônio Lopes, como único jeito possível.
fds
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
# antifahrenheit 451 (xvi)
fdsCom taxas de juros bem abaixo dos de mercado, as novas linhas de financiamento são voltadas para micro e pequenas empresas e têm como mote a geração e manutenção de empregos.
fdsPara o Probem, por exemplo, o Estado destinou recursos que têm subvenção de 5% ao ano e que significam a diminuição da taxa de juros de 12,9% para 7,9% ao ano. O crédito vale para empresas que efetivamente realizarem os investimentos previstos, mantiverem empregos e pagarem em dia as parcelas do empréstimo. O programa garante financiamento de R$ 10 mil a R$ 300 mil a empreendimentos com faturamento anual de até R$ 2,4 milhões, contribuintes de ICMS e enquadrados no Simples Nacional.
fdsJá para empreendedores informais e formais, de micro e pequeno portes, o "Banco Social" oferece três linhas de microcrédito: (i) empresas que estão começando as atividades podem emprestar entre R$ 300,00 e R$ 2 mil.; (ii) empreendimentos com até seis meses de funcionamento têm crédito de até R$ 5 mil; e (iii) empreendimentos formalizados conseguem até R$ 10 mil para ampliar um negócio. Neste primeiro momento, a taxa de juros mensais é de apenas 0,95% e o governador já determinou que este índice seja diminuído para 0,56% ao mês.
fdsEssa grande ação, portanto, não tem por fim financiar bens, mas visa a suprir o grande problema da maioria dos micro e pequeno empresários: emprestar dinheiro para compra de equipamentos e para capital de giro.
fdsÉ, portanto, o "microcrédito" que, ao lado da "agricultura familiar" e dos "cursos técnico-profissionalizantes", consistem na grande alavanca para o desenvolvimento e crescimento de renda da nossa gente.
fds
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
# cem coxas e um goleiro
Era 1985 e eu, de muita tenra idade, já era capaz de entender e saber o jogo, mas não o mundo-homem. Naquele, uma final de campeonato brasileiro, a inocente infância ainda impedia de, imaculada por quaisquer dos pecados capitais, sofrer na torcida pela desgraça da equipe que ali vestia verde-e-branco.
E eis que naquela noite e naquele palco, do primeiro ao 120° minuto da partida, pude acompanhar uma das mais espetaculares partidas feitas por um jogador em toda a minha vida.
Talvez motivado pelo recente passado em que ele esteve no amado clube, os meus olhos viam incrédulos um sujeito ter uma atuação fenomenal, deslumbrante, soberba.
A pegar tudo -- ou quase tudo, pois um estranho e despretensioso chute acabou entrando --, tornou-se o grande responsável pelo resultado final daquele jogo, cujo épico desempenho mostrava-se digno de lhe valer uma placa, um busto, uma estátua, afinal, não apenas gols deveriam merecê-los, mas a sua antítese, pela magnânima arte, também é-lhes credor.
Mais do que isso: parecia a encarnação de alguma divindade abençoada pelos supremos deuses das metas. Por cima, por baixo, ao longe, de perto, à direita, da esquerda, pelo centro, por trás, pela frente... os milagres deslumbravam a mim e a todo o estádio que contra ele torcia. Já era um mito eterno, impávido e colosso.
Num dos grandes goleiros que vi jogar, Rafael Camarota, as minhas homenagens aos coxas, neste pouco pródigo ano de centenário.
# pecados da bola
fdsA luxúria, contida pelo impotente prazer de não ter conseguido ver a insubstituível Argentina agonizando pelo risco da desclassificação.
fdsA gula da cúpula da FIFA, que para não perder os seus votos e a suas perenes bocas na máxima entidade do futebol, toscamente reconstrói o mapa -múndi da bola de forma a alijar da Copa tantas boas seleções europeias em prol de mais vagas para as seleções da Concaf, Ásia e África.
fdsA preguiça dos jogadores da seleção brasileira de futebol, ainda que a jogar na mesosfera.
fdsA avareza de Internacional e, principalmente, Goiás, que, diante de sucessivos fracassos e decepções, parecem poupar competência e dedicação e desprezar o título brasileiro.
fdsA ira dos coxinhas, recôndita, diante de mais um retumbante fracasso num ano sem ter nada, quando perde em casa para um time de bairro na antevéspera do centenário aniversário.
fdsE a vaidade (ou orgulho) que me acomete ao ver a inteligência, a perspicácia e a liderança de Antônio Lopes e Paulo Baier, dois grandes homens que comandam, dentro e fora do campo, o Clube Atlético Paranaense.
# se outrora...
Claro que Manuel Zelaya não é alguém capaz de, minimamente, se comparar a Salvador Allende, a gigante torre chilena que sofreu um dos mais trágicos golpes da nuestra América Latina, um golpe que buscou acabar com o governo socialista -- o primeiro marxista na América do Sul -- que, pelo retumbante sucesso -- não obstante as enormes dificuldades --, já (re)contaminava todo um continente.
Porém, ao ver o que se passa em Honduras, a lembrança, amarga e memorável, daquele 11 de setembro de 1973 é inevitável -- como aqui já nos manifestamos. Intervenções externas para o bem -- como as diretamente impetradas pelo Brasil e pelos organismos internacionais --, felizmente não deixam mais a desgraça daquela história se repetir.
E assim, com os vídeos abaixo, você poderá ter uma noção do que poderia, se noutra época, ter ocorrido em Honduras.
Mostram o último pronunciamento de Salvador Allende, ao vivo para a Radio Magallanes, a poucos instantes da sua morte, de dentro do Palacio de La Moneda, o qual já era alvo de intensos bombardeios por parte dos golpistas (militares a mando da direita nativa e da CIA).
No discurso, Allende despedia-se do povo chileno e deixava as suas últimas lições para que não se deixasse de lutar por uma sociedade justa, igualitária e fraterna e um país soberano e livre.
¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!
Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición”.
sábado, 10 de outubro de 2009
# estação primeira
"MANGUEIRA É MÚSICA DO BRASIL"
MEU CORAÇÃO, É VERDE E ROSA / DESCENDO O MORRO, EU VOU / A MÚSICA, ALEGRIA DO POVO / CHEGOU, A MANGUEIRA CHEGOU.
“VAI PASSAR” / NESSA AVENIDA MAIS UM SAMBA POPULAR / MANGUEIRA ATÉ “PARECE UM CÉU NO CHÃO” / É MÚSICA VESTIDA DE EMOÇÃO / COM NOTAS E ACORDES REFLETIU / EM SUAS CORES O ORGULHO DO BRASIL / NAS ONDAS DO RÁDIO, / DE NORTE A SUL VIAJEI COM A MELODIA... / VAI, MINHA INSPIRAÇÃO / “NUM DOCE BALANÇO A CAMINHO DO MAR” / VEM ME TRAZER A CANÇÃO / PRO MUNDO SE ENCANTAR.
“CORRA E OLHE O CÉU” EM VERDE E ROSA / BRILHAM AS ESTRELAS IMORTAIS / “BATE OUTRA VEZ” UMA SAUDADE / LEMBRO DOS ANTIGOS CARNAVAIS.
UM VERSO ME LEVOU / DO ROCK À JOVEM GUARDA / FUI “CAMINHANDO E CANTANDO” AO LUAR / “COM A TROPICÁLIA NO OLHAR” / ATRÁS DO TRIO EU QUERO VER / O BAILE COMEÇAR E A NOITE ADORMECER / “O SOL NASCERÁ”, AS CORTINAS IRÃO SE FECHAR / “FOLHAS SECAS” VIRÃO E O SHOW VAI CONTINUAR.
MEU CORAÇÃO, É VERDE E ROSA / DESCENDO O MORRO, EU VOU / A MÚSICA, ALEGRIA DO POVO / CHEGOU, A MANGUEIRA CHEGOU.
fdsfds
# lusitanas

Agora, "às armas, às armas!", como brada o hino nacional.
"Esta noite, frente à Hungria, só a vitória fará Portugal continuar nas contas do Mundial. Seria ouro sobre azul a Suécia derrapar na Dinamarca. Já não há espaço para muitas contas num contexto em que Portugal se encontra dependente de si e dos outros. É sina nossa, ou pelo menos assim parece. Deixemo-nos, pois, de conjecturas, de aritméticas ou de probabilidades - neste tudo ou nada em que caímos temos é de ganhar à Hungria. O resto são cantigas. E para isso, como diz Carlos Queiroz [treinador português], Portugal tem de atacar, atacar e... atacar. O Grupo 1 tem a Dinamarca na frente com 18 pontos e com mais dois jogos por disputar, em casa e frente à Suécia (hoje) e contra a Hungria (14 deste mês). Ou seja, os dinamarqueses apenas têm de somar mais dois pontos para conseguirem o apuramento e têm a seu favor o factor casa. A Suécia joga na Dinamarca e tal como Portugal é obrigada a fazer contas e mais contas. Se perderem e Portugal ganhar os suecos têm vida complicada e são ultrapassados, passando a equipa das quinas para a segunda posição do grupo. Se a Suécia empatar e Portugal vencer (nem se fala na possibilidade de um empate luso!) o segundo lugar vai depender do número de golos de cada selecção e lá vêm as contas à baila. [...] Mas para quê pensar tanto? Agora, o que vale a Portugal é vencer, somar seis pontos nos dois jogos que lhe faltam disputar [o último jogo é contra a fraca Malta] e esperar que a sorte esteja do seu lado e não favoreça os suecos, especialmente estes. E se ficarmos em segundo lugar no grupo, lá vem o play-off, em que seremos um dos oito que tudo farão para ir à África do Sul. Até lá convém vencer e convencer, se for caso disso. Para Portugal começa hoje, às 20:45h [16:45, horário do Brasil, pelo canal Sportv 2], no Estádio da Luz, a corrida ao ouro. É a corrida do tudo ou nada!" (v. aqui)
# onze canários
fdAinda repercutem as nossas bulas "reis & magos" (v. aqui) e "58 vs. 70" (v. aqui), à medida que muitos emails contestam, viajam, xingam, concordam, sugerem e, finalmente, pedem a minha seleção amarelinha.
fdNa linha do que lá se expôs, devo indicar uma que mistura o que vi, o que não vi e o que vivi, num esquema 3-2-5, a merecer um asterisco*.
fdE então me conte: quantos zagueiros, laterais e volantes o time adversário precisaria ter para marcar a minha linha de frente?
fdAdemais, estamos a falar da Seleção Brasileira de Futebol, genial, brilhante e atacante, que não pode se limitar a conformação táticas e ideias defensivas.
fd(2) Djalma Santos, (3) Lúcio* e (6) Nilton Santos;
fd(4) Didi e (5) Gérson;
fd(7) Garrincha, (8) Ronaldo, (9) Romário, (10) Pelé e (11) Rivelino.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
# papo nascente
fds
fds1) Para o senhor, o que é acesso à justiça?
fdsPodemos conceber o acesso à justiça sob dois aspectos: stricto sensu e lato sensu. Sob a primeira ótica, a própria Constituição da República já prevê em alguns dos seus tantos dispositivos alguns aspectos formais e materiais deste sentido, a pretender consagrar um imaculado acesso à justiça judiciária (art. 5°, LXXIV, art. 115, art. 125, entre outros); logo, pretende-se assegurar que ninguém será afastado da busca dos seus direitos, inclusive a prever a gratuidade da justiça, a Defensoria Pública no âmbito da União e dos Estados e, no âmbito das justiças comum, federal e trabalhista, a descentralização dos tribunais. Lato sensu, pode-se entender como acesso à justiça a possibilidade de todo e qualquer cidadão efetivamente ter concretizado ou buscar a concretização dos seus direitos e das suas garantias fundamentais consagradas na nossa Carta Maior.
fds
fds2) Quais são os principais obstáculos ao acesso à justiça no Brasil?
fdsCabe expor fatores das mais diversas ordens: legais, com uma enfadonha legislação processual, sócio-culturais, com a ignorância e a (in)consciência do povo e com o descrédito e o temor do mesmo pela atuação do Judiciário, e institucional- econômicas, com uma estrutura de serviços de acesso a justiça turva e capenga, com as altas custas judiciais (e periciais, e cartorárias, e advocatícias...) para quem fica entre o pobre e o rico, e o alto custo para ir ao Judiciário, no caso das populações afastadas dos grandes centros.fdsAssim, exponencialmente, os maiores obstáculos residem justamente na consecução material desse acesso à justiça, como por sinal geralmente acontece com as constituições programáticas, e que não poderiam ser diferentes num país tão desigual e tão pobre sob o ponto de vista educacional-escolar como o nosso. Assim, a estes dois aspectos – cernes do nosso atraso e do nosso subdesenvolvimento – assomam-se a estrutura do nosso Judiciário – bastante custosa para grande parte do povo –, a desconfiança da população perante o seu funcionamento e o descrédito da mesma em relação ao longo tempo para a decisão definitiva das demandas, variáveis que, mais do que obstáculos ao acesso à justiçã, funcionam como repelentes.fdsOutrossim, não se pode olvidar dos parcos investimentos feitos nas nossas defensorias públicas e da pouca atenção dada pela OAB em trabalhos relacionados à advocacia dativa.
fdsfds3) O que pode falar sobre a assistência judiciária gratuita e a defensoria pública no Brasil?
fdsPrecisa-se avançar ainda muito. Não basta liberar o jurisdicionado pobre das custas judiciais ou a ele oferecer uma defensoria pública, infelizmente, desaparelhada. A maior necessidade é permitir que todo cidadão, independentemente do seu status social, tenha na prática as mesmas garantias recursais oferecidas ao cidadão rico, que consegue, pelo capital, manter dúzias de advogados trabalhando incessantemente na busca de brechas processuais. Para isso é vital que o Estado – no âmbito de todos os entes federados –invista, mais e mais, numa Defensoria Pública capaz de atender essa demanda e efetivamente honrar o seu papel, hoje limitado e (quase) esquecido pelo erário.
fdsfds4) Como observa a eficiência do poder judiciário face ao tempo para resolução dos conflitos, linguagem utilizada e custas judiciais?
fdsNeste ponto se observam muitas mudanças e avanços.; entretanto, é evidente que no tocante ao tempo para a definitiva resolução dos conflitos não estamos num nível minimamente satisfatório. Mas isso não é privilégio do Brasil, pois na Europa, conforme último trabalho realizado pelo Comitê de Justiça da União Europeia, o tempo média para a conclusão dos processos judiciais ultrapassa 10 anos, quando chegam nas supremas cortes nacionais. Porém, lá o problema não tem as mesmas raízes: aqui, embora alçado pela EC 45/2004 como direito e garantia fundamental, a (des)confirmação de um processo célere e com uma duração razoável praticamente contradiz-se pela insustentável manutenção das (quase) infinitas brechas recursais proporcionadas pelos nossos processos civil e penal, que clamam por uma urgente reforma, a atingir diretamente o caos da lentidão das decisões.fdsA pergunta que fica é se acelerar todo o trâmite judicial e obter respostas muito mais rápidas do Judiciário interessa às tropas de elite burguesa e política, aos donos do poder da nossa República que invariavelmente são partes de tantos processos penais, a maior parte relacionados a crimes tributários, financeiros, eleitorais ou contra a Administração Pública.fd No que tange às custas judiciais e à linguagem utilizada pelos nossos operadores do Direito, acredito que a evolutiva mudança mostra-se mais visível. No primeiro caso, pela própria facilidade que a lei confere àqueles que, bastando declararem-se pobres, são isentos de quaisquer custas; e, no segundo, pelos textos decisórios de alguns magistrados – que (muito bem) conseguem aliar as inteligências jurídica, literária e emocional nos seus julgados, tornando a decisão acessível e didática para todos os jurisdicionado – e pela linguagem que vem sendo utilizada por juízes, promotores e delegados, em especial nas audiências e nas entrevistas coletivas, a qual, com cada vez mais frequência, vem se mostrando mais próxima dos cidadãos.
fds
fds5) O Sr. vivenciou alguma experiência que possa contribuir na questão do acesso à justiça?
fdsA todo instante, reflexamente ou não, deparamo-nos com casos destes, que antecipam a injustiça, causam o desgosto pelo Direito e catalisam a ira e outros mais nefastos sentimentos humanos, a culminar no recrudescimento de uma sociedade cada vez mais individualista, pois, uma vez que incapaz de ver a sua busca pela justiça atendida, acredita que aquelas desumanas concepções de relações sociais, assentes na exortação ao eu – lei de talião, anarquismo, leis da sociedade do espetáculo etc. –, são as melhores a serem seguidas, provocando a eternização do caos social.fdsNa verdade, quando vemos pessoas a morrer em filas de hospitais, sem acesso à saúde, quando vemos crianças e jovens sem escola e sem acesso à educação, quando vemos professores e policiais mal remunerados, sem acesso a um salário constitucionalmente mínimo, quando vemos crianças, jovens, adultos e idosos a cavoucar em lixos, a mendigar em esquinas, a dormir sob marquises e a clamar por um prato de comida, sem acesso, portanto, a uma vida digna, vemos ser afrontada a questão do acesso, humano e divino, à justiça.fds
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
# atleticanas (xxix)
fds
"Consta nos astros, nos signos, nas búzios, eu li num anúncio e 'tá lá no Evangelho (...)" que de hoje até o final do Campeonato o Atlético não fará mais do que 20 pontos. Na verdade, com mais 10 jogos, metade fora, cravo 19 -- gre (1), int (1), s.and (3), cox (3), san (3), ava (3), goi (1), flu (0), cru (1), bot (1), bar (3) --; por isso, tenho cá pra mim que agora sim não devemos abrir mão do seguinte estratagema: (i) nos jogos contra os times de baixo, seja em casa ou fora, jogar atrás, sólidos, em bloco, fechados e traiçoeiros, com o brocardo "defesa-e-contra-ataque" embaixo do braço; e, (ii) nos jogos contra o grupo de cima, lá ou cá, arriscar, jogar pra frente, a atacar, a dar show, como kamikazes num telecatch.
Explico: nos confrontos diretos, como somos praticamente o primeiro dos últimos, o empate num jogo jogado para não perder é um grande negócio, pois segura lá embaixo os mais coitados, evita grandes percalços, anula a tragédia da derrota de seis pontos; já nos confrontos contra os Golias, arriscar e buscar a vitória não tem um preço alto, pois, no máximo, se deixaria de ganhar um ponto, o que (quase) não é grandes coisas.
E no final? Uma reles vaga na Sul-Americana. E lambamos os beiços. Aleluia, aleluia.
fds
# e lá foram os parvos patetas (patoaquipatoacolá...)
fdEnxergaram-se para enfim parar com a estupidez que fazia atemorizar urbi et orbi? Desistiram da busca encapsulada por um imaginário vácuo? Ou simplesmente arrefeçaram porque agora se assustam com os novos assuntos da nossa mídia?
fdAfinal, pode ter certeza amigo leitor: aquela turminha que cretinamente espalhava o pânico pela "nova" gripe é a mesma que, diuturnamente, se assusta com (e crê em) tudo que a grande mídia anuncia.
fdE acha o máximo, em todos os sentidos.
# conceitos e convenientes preconceitos
fdNo clássico “Dicionário de Política”, organizado por Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino, o adjetivo "autoritário" refere-se aos “regimes que privilegiam a autoridade governamental e diminuem de forma mais ou menos radical o consenso, concentrando o poder político nas mãos de uma só pessoa ou de um só órgão e colocando em posição secundária as instituições representativas”.
fdAdemais, ainda afirmam os autores que “[o]s regimes autoritários se caracterizam pela ausência de Parlamento e de eleições populares ou quando tais instituições existem pelo seu caráter meramente cerimonial e ainda pelo indiscutível predomínio do Executivo. (...) A oposição política é suprimida ou obstruída. O pluralismo partidário é proibido ou reduzido a um simulacro”.
fdOu seja, tais conceitos e adjetivos enquadram-se, em absoluto, nos atuais regimes da Venezuela, do Equador, da Bolívia, da Argentina, do Paraguai, de El Salvador, de Honduras e de outros países latino-americanos que avançam na contra-mão do pensée unique global, à medida que nestes Estados: (i) o Parlamento e o Judiciário (independentemente) funcionam; (ii) a oposição política é muito (e inapropriadamente) ativa; (iii) o pluralismo partidário é manifesto; e, principalmente, (iv) são periodicamente realizadas eleições democráticas, inclusive com acompanhamento ou fiscalização de organismos multilaterais.
fdAgora, entretanto, a grande mídia, a reboque da nossa direita e dos donos do poder, quer insistentemente definir que os tantos governos vanguardistas da América Latina são regimes “autoritários”, nos quais se tentam implantar legislações "autoritárias", perspectivas "antidemocráticas” e políticas "populistas".
fdPor quê? Elementar, meu caro Watson.
fd
# atleticanas (xxviii)
fdsPois bem, desde o início do ano já clamávamos por isso (v. aqui e aqui), em razão de um único fator: não temos jogadores para desempenhar as funções que o esquema antigo exige. No esquema 3-5-2 há quatro peças fundamentais, sem as quais ele afunda: o zagueiro da sobra (líbero), os dois alas e, principalmente, o segundo homem de meio-campo. E o Atlético não os tem, a deixar o time à deriva, vulnerável e desequilibrado.
fdsAfora isso, a mentalidade e o posicionamento para o jogo de hoje à noite não podem ser alterados pelo simples motivo de se jogar em casa, na Arena lotada, afinal, já temos um plano tático-estratégico que não pode prescindir da eficiente e confiável fórmula defesa-e-contra-ataque.
fdsSer retranqueiro e covarde é uma coisa; ser defensivo e inteligente é outra. E, doravante, não podemos teimar em sermos ofensivamente idiotas.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
# 24 frames por segundo

Em 2005 foi inaugurada a Escola Superior Sulamericana de Cinema e TV do Paraná – CINETVPR, a qual criou o 1º. Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino.
Assim, a dar continuidade a este consolidado prêmio, de 5 a 11 de Outubro, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba/PR, acontecerá o "4° Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino".
Participando do festival de 2009 estarão concorrendo 06 (seis) filmes de longa metragem nacionais e 05 (cinco) filmes de países latinos - Itália, Moçambique, México, Bolívia, Argentina. Entre os filmes de curta metragem concorrem 09 (nove) nacionais e 03 (três) espanhóis.
A grande ideia deste Festival é propiciar aos participantes e ao público em geral, momento de reflexão com espaço para ponderar sobre as obras que serão apresentadas permitindo através de palestras, oficinas, debates, seminários e encontros, ocasião pródiga para despertar a criatividade, por se considerar que a inovação na criação, e consequentemente a descoberta de novos caminhos, seja o componente primordial para a abertura do mercado. Nesse ano haverá diversas oportunidades para fortalecer essa opinião através da "Mostra Leon Hirszman" (4 filmes), da "Mostra Pietro Germi" (5 filmes), da "Mostra Eros Inteligente" (15 filmes) todas seguidas de debates e o "Seminário Chris Marker" ministrato pelo autor Robert Grelier, com apresentação de importantes obras desse ícone do documentário mundial, atividades essas que permitirão, a todos, análises críticas e criativas.
Pode-se constatar claramente o crescimento da produção paranaense de cinema ao ponto de, a partir deste ano, ser instituída no festival,a "Mostra Paranaense de Cinema", na qual concorrem 10 filmes, entre curtas e longas metragens.
Essa mostra, inclusive, contará com a participação selecionada (e já premiada) de uma grande curta-metragem, "Balada da Cruz Machado", com roteiro e direção do cineasta e bacharel Terence Keller, e que estreou vitoriosa no primeiro semestre deste ano. O filme? Um "mergulho em uma rua de não ir a parte alguma", que vale a pena conferir. (v. aqui)
# x' da questão
fdsE por isso a minha dúvida sobre a decisão do Brasil dispor-se a ser -- e eleger-se como -- sede das próximas Olimpíadas (v. aqui).
fdsUma pessoa que deve dinheiro e que não tem estrutura e nem recursos (i) para manter-se nas condições essenciais e básicas de vida ou (ii) para pagar os seus credores, teria o direito de fazer uma grandiosa festa de final de ano?
fdsE, no nosso caso, um país que deve (e não tem) estrutura e nem dinheiro para investir em políticas públicas fundamentais -- segurança, educação, moradia e saúde --, teria o direito de realizar os jogos olímpicos, a grande festa do esporte mundial? Em ambos os casos, creio sinceramente que não.
fdsAfora isso, claro, acho o máximo ver o Rio de Janeiro no centro do mundo, ver essa maravilhosa cidade do meu país sede das Olimpíadas e anfitriã do mundo e ver que a nossa gente é capaz de reunir e mostrar os seus valores.
fdsAfinal, sou um nacionalista.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
# 58 vs. 70
fds 2. Lateral direito: Djalma Santos, apesar de ter participado apenas da final -- pois ficou na reserva em todos os demais jogos --, foi titularíssimo dali em diante (e por mais duas Copas!) e Carlos Alberto foram os maiores do mundo na posição. Mas Djalma ganha por meio palmo.
fds 3. Beque central: Bellini e Brito. Ambos eram muito parecidos, mais voluntariosos que habilidosos, embora muito competentes. Bellini foi capitão de fato -- embora Brito também o fosse, mas sem braçadeira -- e tecnicamente melhor.
fds 4. Quarto zagueiro: Orlando e Piazza. Apesar deste ter muito mais classe que aquele, jogava fora de posição e não foi tão bem. Empate.
fds 6. Lateral esquerdo: Nilton Santos. Indiscutível e incomparável.
fds 8. Armador: Didi e Gerson. Ambos os comandantes dos dois times, ambos compositores impecáveis da bola, ambos modernos e artistas. Tem dias que acho que Didi foi melhor, noutros Gerson. Preferia ter os dois. Não dá? Não sei.
fds 10. Ponta-de-lança: Pelé em ambas. Numa, citius; noutra, fortius. Na primeira, genial; na segunda, gênio. Empate.
fds 7. Ponta-direita: Garrincha e Jairzinho. Apesar de Jairzinho ter sido um dos melhores jogadores da Copa de 70, Mané só vinha atrás de Pelé.
fds 9. Centroavante: Vavá e Tostão. Em 70, o craque Tostão jogou fora da sua posição real (ponta-de-lança), enquanto Vavá foi o matador, o artilheiro e o homem de referência na área. Foi inapelável quando o assunto era fazer gol. Empate, por justiça, embora preferisse o mineiro.
fds Portanto, salvo na ponta-esquerda, em nenhuma outra posição o escrete de 70 supera a Seleção Brasileira de 58.
# reeleições: sem faz-de-contas
fds Quem foi que disse que a democracia pressupõe alternância no poder?
fds Ora, se é assim, qual o problema das reeleições? Medo de manipulação e uso da máquina em prol do mandante vigente? Ora, isso já se faz -- em todos os cantos do mundo! --, direta ou indiretamente, via a propaganda ou as ações políticas em prol dos candidatos dos respectivos governos!
fds Por que, portanto, a crítica tão ácido e cega às reeleições, ainda mais num país que mostra um Presidente da República -- mesmo diante de todas as criações que se imaginam em pesquisas – com um índice de popularidade (e de aprovação) perto dos 85%?
fds O resto é história -- ou parte da abençoada "(pseudo)democracia liberal".
sábado, 3 de outubro de 2009
# atleticanas (xxvii)
fds Sim, somente assim se poderia entender esse nosso novo Gênesis, tão quase perfeito o time se mostrou.
fds Como só a mão divina é capaz, promoveu o dia da criação. E disse: haja luz! E o Corinthians padeceu nas trevas.
fds Frutificou e multiplicou a capacidade técnica, física e tática dos seus homens: citius, altius e fortius. E assim foi.
fds E fez um ataque e uma defesa. Naquele, postou à moderna moda antiga Wesley, Marcinho e Wallyson; nesta, numa linha de quatro, Nei, Manuel, Rodolpho e Márcio Azevedo. E viu Lopes que isso era bom.
fds E assim disse: haja um firmamento entre defesa e ataque. E assim se fez, com Valência e Rafael Miranda, brilhantes.
fds E, por fim, de um já acumulado sopro, fez Paulo Baier, para servir de luminar para tudo governar e para separar a luz das trevas. E assim foi.
fds E viu Lopes tudo quanto fizera, e eis que era muito bom.
fds E foi a noite.
fds E foi a vigésima sétima rodada do Campeonato Brasileiro.
fds
# estudos de direito público
fdsDivulgo-lhes a extensa obra "Estudos de Direito Público", publicada e coordenada pelo CEPEJUS, a qual é coassinada pelo editor deste blog e por outros mestres e doutores do Brasil, de Portugal e da Espanha.
fdsEm breve o livro poderá ser encontrado nas melhores casas do ramo de todo o país e nas inúmeras livrarias virtuais; por ora, entretanto, e a preço promocional, ele poderá ser encomendado em http://www.cepejus.com.br/index.php?conteudo=form&canal_id=10.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009
# x da questão
fffffdsTal qual em relação à Copa, nas ruas a imprensa vem com a enfadonha pergunta: “Você gostaria de ver as Olimpíadas no Rio?”.
fffffdsOra, essa pergunta é cretina, pois seria o mesmo que perguntar: “Você gostaria de ver a paz no mundo?".
fffffdsQuem não gostaria de ver e encontrar pessoas do mundo todo, espalhadas pelas nossas ruas, bares e praças?
fffffdsTodavia, o que essa mídia não quer esclarecer e mostrar é o outro lado disso tudo, como aqui já expusemos.
fffffdsNas primeiras lições de Economia se aprende que, virtualmente, todos os gastos ou alocações têm um “custo de oportunidade”.
fffffdsE é isso que entra em jogo, seja o dinheiro público -- o que é bem pior -- ou privado.
fffffdsLogo, a pergunta correta seria: