terça-feira, 5 de outubro de 2010

# navegar é preciso



fds As medidas anunciadas recentemente em Cuba não significarão o fim do socialismo, e não se tratam, em absoluto, de mera conveniência midiático-política.

fds Muito mais que uma forma ou um sistema sócio-político-econômico – e muito menos que uma mera utopia mecanicista –, o socialismo é um valor. E, por isso, já enraizada numa sociedade que há 50 anos vê-se construída sobre pilares éticos e principiológicos, públicos e privados, comunitários e particulares, bastante diferentes daqueles sob os quais as sociedades capitalistas – auto-afirmadas evoluídas – firmam-se.

fds Tratá-lo um ser humano como um ser político e coletivo por natureza, reafirmá-lo como livre e igual e fazê-lo fraterno e solidário, foi, senão os maiores, os grandes méritos da revolução e da reconstrução do Estado e da sociedade cubanos.

fds Tanto para aqueles que pensam Cuba como uma falida e falsa ilusão, como para aqueles que zombam por pretenderem-na o protótipo imaculado do paraíso, neste nosso sideral espaço virtual já nos debruçamos e pusemos a nu os gravíssimos erros de tais concepções (v. aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).
 
fds Ora, acreditar numa ou noutra definição, absoluta, é, antes de tudo, ser uma besta quadrada, pois, como tudo que transcende o dogmático, Cuba tem erros e acertos, é exemplo e mau-exemplo, é êxito e fracasso.

fds As propostas e as medidas de despedir meio milhão de trabalhadores estatais, de incentivar as pequenas iniciativas privadas, as cooperativas e os trabalhos autônomos, de absorver as evoluções tecnológicas, de reduzir ou eliminar gratuidades e subsídios indiscriminados, de ampliar o mercado interno, de promover o arrendamento de terras e de pequenos estabelecimentos a seus trabalhadores, de potencializar os seus recursos humanos altamente qualificados, de coprotagonizar as técnicas tributárias e monetárias, e de flexibilizar o trânsito de cidadãos. A grande meta – tardia, sublinhe-se – de tais políticas é recuperar a sustentabilidade e a eficiência da economia cubana, que vem se deteriorando aceleradamente desde a franca recuperação pós-Período Especial – como se denomina a época que se seguiu à queda da União Soviética – e, em especial, normalizar os efeitos causados pela hipertrofia do sistema comunista como projeto socialista.

fds Tais idéias – idéias postas em prática –, em nada, porém, se confundem com a perda do poder estatal, com a perda da propriedade pública sobre os meios de produção fundamentais e, principalmente, com a perda dos valores socialistas, tão impregnados na sociedade e tão cruciais para as políticas públicas do país.

fds E, por isso, tais transformações têm no protagonismo popular pluripartite (forças populares, sociais, sindicais, estatais etc.) o seu foco e a sua força causal, e não no tecnocracismo que despreza o consenso real e os interesses legítimos dos diversos atores sociais – bem distante, portanto, do que se costuma observar nas ditas "democracias ocidentais".

fds Nunca a definitiva solução ou a cega negação, o socialismo assente no comunismo cubano é um caminho, um caminho de todos e um camiño muito mais justo, sempre sob a inolvidável máxima que exige “de cada um segundo as suas capacidades e a cada um segundo as suas necessidades”...



 

domingo, 3 de outubro de 2010

# com que roupa?


fds Do total, 27% dos eleitores abstiveram-se, anularam ou alvejaram os seus votos. É, pois, um número bastante considerável.
fds Do que restou, nunca antes na história deste país a coligação centro-esquerda tão bem elegeu tanta gente, e nunca a bancada centro-direita viu-se em tão maus lençóis, a perder em redutos dantes intocáveis, em especial nas regiões mais pobres do país, outrora um paraíso dos coronéis burgueses, dos latifundiários escravocratas e das aristocráticas famílias.
fds No âmbito estadual, salvo a eleição de Alckmin para o Governo e de Aloysio Nunes para o Senado paulistas e num ou noutro caso Norte-Nordeste afora, a tropa de elite (branca) demo-tucana não pode comemorar, pois, dos outros grandes agentes estaduais, Aécio (e o seu governador) em Minas e Beto no Paraná ainda não podem ser considerados pertencentes ao lado sujo da força oposicionista nacional, vez que (ainda) não cooptados pela direita reacionária (e antidemocrática), como assim foi José Serra, um dos últimos destes moicanos.
fds Portanto, e ainda que só por isso, Lula e o seu governo foi um bem-vindo fenômeno para a república brasileira, vencendo na maior parte dos Estados e já com maioria no Senado Federal e na Câmara de Deputados. E por que isso ocorreu? Ora, porque o Brasil mudou, melhorou, tornou-se menos injusto, menos desigual e menos ordinário.
fds Além do expressivo número de ausentes, brancos e nulos – que poderá sim ter influência no pleito –, foi, claro, o “epifenômeno” Marina (v. aqui) – que será tão duradouro quanto o cometa Halley – que decisivamente influenciou no resultado de não-vitória de Dilma no 1º turno. Mas, sublinhe-se, não por ela, mas pelo coisificado espectro que se criou em torno dela.
fds Para onde vão e o que quiseram os milhões que nela votaram, porém, não se sabe, pois desse bolo vê-se um emaranhado complexo de tendências, gostos e desgostos: verdejantes, evangélicos, centro-esquerdistas light, antipetistas, anti-serristas, tucanos frustrados, demos quase convertidos, artistas, anárquicos alienados... uma sopa indigesta que representa tudo (e todos), menos, por favor, uma “onda ecológica”, o “futuro” ou coisas do gênero – prove-se, também, com a inexpressiva votação do PV país afora.
fds Marina Silva, a candidata global da inflamada direita-evangélica-eco-capitalista – como bem definiu Plínio de Arruda Sampaio –, fez dos seus votos um esdrúxulo e insosso patê conservador, a arrebanhar um contingente cuja maior parte gaba-se de ser considerada neoconservadora, ou, como queiram (e gostam), “neo-alguma coisa”. Sim, está na moda, é chique, é descolado ser “neo”, seja lá o que lhe complemente. Ser “neo”, creem, é avant-garde.
fds Como não se trata, portanto, de voto ideológico-partidário – muito pelo contrário, posto que muito mais relacionado à costumeira alienação ou acomodação, convenientes ou não, da classe média-alta brasileira, a qual não se importará com o que Marina decidir –, resta difícil saber para onde migrará este eleitorado, decisivo para o futuro do país.
fds Porém, no que tange à “líder” do movimento – não obstante se duvide do quão importante será a sua escolha perante seus eleitores –, pelo seu recentíssimo passado de simbólica bandeira petista e integrante do Governo, muito mais lógico (e honesto) seria Marina migrar para a esquerda e apoiar o projeto do PT, com Dilma Roussef, ao invés de ficar na tosca sombra da “abstenção” ou, muito pior, debandar para o lado negro da força e se juntar àquelas coisas do ultrapassado ardil demo-tucano.
fds Todavia, a verdade é que quaisquer trinta moedas no bolso ou meros quinze minutos à luz são capazes de fazer muitas (e muitas, e muitas) cabeças – então voltadas para o bem e para o interesse público – se reprogramarem, se readequarem e mudarem de time, não importando o que se faz e o que se fez, nem para quem e nem para quê. Tudo, doravante, num medúsico e doce balanço a caminho do mal.
fds A eleição neste 2º turno, meus amigos, poderá ser a (pen)última tão ideologicamente dividida entre dois projetos, entre dois programas, entre dois caminhos.
fds E, portanto, o contínuo progresso ou o amargo retrocesso do Brasil está nas mãos de, pelo menos, 20 milhões de indecisas pessoas.
fds
 

sábado, 2 de outubro de 2010

# e assim caminha a humanidade (xx)

fds Enquanto isso, num despretensioso fim de noite, coloca-se à mesa o tema trabalho, em especial três das suas subtemáticas: a sociologia, a economia e o direito do trabalho.
fds Excelente e profunda discussão, até que o colega de gravata amarela, gel gasto e pose, com ares pseudocientíficos – que tentavam camuflar os interesses realmente defendidos – sai do obsequioso silêncio e dispara, crente em estar abafando:
fds - “Hein, mas a iniciativa privada não é que é contra a redução da jornada, mas... veja, tem aí as negociações coletivas, bem capazes de regular isso... o problema é que isso ai aumentar o custo geral do trabalho e dos produtos, vai estancar investimentos e o crescimento e vai diminuir postos de trabalho, pois os empresários irão trocar gente por máquina...”
fds E segue aquela cantilena típica de quem está del otro lado del rio, para então finalizar, com pompa e circunstância:
fds - “Na Europa, berço de tudo isso (sic), mesmo o países que foram para esse caminho tiveram que rever a redução de jornada, pois não deu certo”. E ali, naquele ambiente, só se passa a ouvir o peculiar sibilo de grilos e cigarras, até que o agudo e contínuo som é interrompido por uma nova conversa. Mas agora já sobre a Larissa Riquelme.
fds Ora, ora, não adianta: a grande solução que essa turma tem para os problemas relacionados ao Trabalho sempre se concentram sob a ótica do capital (e da sua acumulação e multiplicação), razão pela qual a ideia de redução da jornada (e de qualquer outra que atenda ao trabalho e ao trabalhador) é vista como uma praga.
fds “Modelos liberais de contratação”, “diminuição de encargos sociais”, “negociações coletivas”, “ultraqualificação”, blá-blá-blá... nada que verdadeiramente esteja no cerne do problema. E, diante das tantas questões que à matéria relacionam-se, voltemos ao tópico em tela, microcondição para a evolução do quadro sócio-laboral.
fds Sabe-se bem que as razões pelas quais há resistência dos empresários em aceitá-la são de dois matizes, econômicos e ideológicos. Não generalizaremos, apenas refletiremos a regra.
fds O capital sempre (e sempre) busca reduzir o custo da força de trabalho ao mínimo, além de manter o controle sobre as condições de oferta, de contratação e de remuneração.
fds Hoje, e sempre (e sempre), quer-se utilizar o trabalhador com o maior tempo e o menor custo possível; assiste-se a um processo de intensificação de plano de metas&objetivos, da exigência por maximização das qualificações profissionais e de pressão e assédio que precariza o trabalho e prejudica, física e moralmente, o trabalho. Logo, só por uma questão de saúde pública, a redução já se mostraria imprescindível.
fds Com a terceira revolução industrial, que aqui tardiamente chegou, as indústrias – como nunca antes na história deste país – obtiveram ganhos de produtividade incríveis, mas que não foram redistribuídos para a sociedade, bem diferente do que ocorreu na Europa – e é aqui que o caro colega tanto se enganou, a merecer o solitário eco das felizes cigarras, pois é menos verdade o que afirmou.
fds No Velho Mundo, as políticas de redução da jornada de trabalho iniciaram-se no final do século XIX – especialmente como consequência do ideário socialista, utópico e científico, e das manifestações populares – e foram até o início dos últimos anos 80, com a chegada do neoliberalismo, cujo modelo foi o paraíso corporativo e o martírio dos trabalhadores.
fds Desde então, apesar da concentrada e ativa ação sindical-operário-popular, setores empresariais aliados com governos de centro-direita têm conseguido sim alterar as leis nacionais e incluir regras que admitam a ampliação da jornada via negociações coletivas – como exaltou o colega porta-voz industrial; porém, o que esquece (ou não sabe), é que esses países europeus que passam a admitir a majoração da jornada, mui diferente daqui, afora já disporem de um welfare state – em crise, mas ainda capaz de (re)distribuir os dividendos sociais –, já conformam uma jornada de trabalho bem inferior, que costuma não passar das 38 horas semanais.
fds Aqui, portanto, já no mesmo ritmo feliz e cantante das cigarras que embalava aquela conversa, uma medida como esta, de reduzir a jornada, apenas visa a contribuir, continuamente, para que todas as formigas também tenham a condição de gozar e cantar a vida, com justo lazer e com certo trabalho.
fds

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

# aspas (xxxiv)


fds Leonardo Boff é magnífico em seus textos e conversas.
fds E a "Teologia da Libertação", que ajudou a construir com diversos outros católicos e teólogos latino-americanos, é ainda mais magnífica, pois é a que (talvez) melhor materialize o ideário cristão e uma daquelas que (talvez) melhor interprete a nossa Bíblia Sagrada.
fds Isso, pois, são fatos que a história posta insiste em negar, tergiversar e omitir. Tal como é posta a histórica relação dos donos do poder com a grande mídia nativa.
fds Assim, este texto do filósofo vem de novo (tentar) abrir os olhos dos ainda brancamente cegos. E sobre o assunto nada mais precisa ser dito (v. aqui).

fds Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.
fds Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
fds Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.
fds Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.
fds Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.
fds Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma),
“a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo - Jeca Tatu; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”
.
fds Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.
fds Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e para
“fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”
, frase tão distorcida por essa mídia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.
fds O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa se fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.
fds Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituídas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.
fds O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
fds O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocolonial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?
fds Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.


 
fds

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

# o epifenômeno verde

fdsDantes uma mera eco-fundamentalista neandertal, eis que a grande mídia (e a classe pequeno-burguesa) descobre Marina Silva e faz dela a evolução da espécie política e a nova “queridinha do Brasil”.
fdsMas, convenhamos, não há nenhuma surpresa nesse fato: há quatro anos, até em Heloísa Helena o Grupo Globo-Folha-Abril depositou as esperanças de conter Lula; porém, agora, a coisa vem esverdeada, com um sorriso fransciscano e ares de mico-leão-dourado.
fdsMarina, frustrada pelo fato de o Presidente da República ter preterido-a em relação à Dilma como candidata presidencial, e, em especial, balançada diante do antigo e insistente assédio dos verdes, enxergou a oportunidade de, numa atitude egóica (como diria um amigo meu...), finalmente sair do ostracismo e despontar para os holofotes platinados e midiáticos globais. Há alguns meses, portanto, ela saiu do PT (e do Governo) para não entrar para a história.
fdsSabe-se, claro, que no Brasil os verdes já não fedem nem cheiram o orgânico sabor de um partido alternativo e independente. Foi-se aquele tempo. O real foco, agora, é outro, menos sócio-filosófico-ideológico-antropológico-ecológico. Nestes nossos tempos, os verdes olorizam-se pelo aroma prosecco das cheias “taças” que desfilam sobre as mesas enfeitadas da malta pequeno-burguesa e já nem bem se lembram mais. É, segundo eles, a lógica darwinização.
fdsHoje, capitaneados pelo neo-tucano-de-plumagem-esmeraldina Gabeira, os verdes vêm insistir, com Marina, naquela cantilena da "terceira via" (A. Giddens), uma ladainha que fantasia ao mostrar que há outro caminho para além da direita e da esquerda. Ora, ora... e um parêntesis: se não vou para lá e nem para cá – ainda que mais ou menos próximo das extremas e do centro –, fico no meio e, então, passo a ser um conservador (e, pois, da direita, que é quem luta por, no mínimo, manter o status quo, afastar reformas e estancar mudanças). E é desse jogo que as famiglias nacionais gostam, e é dos seus resultados que são dependentes.
fdsE, assim, eis que a grande mídia – grã-porta-voz dos interesses desses suseranos tupiniquins e eco dessa nossa elite branca – nela vê a única (e última) esperança de derrotar a famigerada Hidra que, de chapeuzinho do MST e vestida de vermelho, virá com as suas cabeças e o seu hálito venenoso matar e comer as criancinhas do nosso Brasil varonil.
fdsSim! Agora, só a Senhora-do-Capuz-Verde será capaz de levar o prélio (e Serra) para um segundo turno, momento em que se tentará, a todo custo, promover a reviravolta eleitoral e devolver a ordem num país que, veja só, bem progride (v. aqui).
fdsAfinal, como o candidato da direita (v. aqui) não conseguirá ultrapassar a barreira dos 30%, somente esta exótica nova musa será capaz de convencer a classe média-alta, os prosélitos do TFP (“tradição, família e propriedade”) e a turma dos demais alienados e descolados, de que o projeto Lula – o Menino-do-Dedo-Vermelho – não pode seguir em frente.
fdsMas, digo aos meus, não tenhamos "medo" (ou o anti-medo), pois, ainda assim, mesmo que essa gente toda resolva sair do “nulo”, do “branco”, da "indecisão" ou da “abstenção” – vez que, definitivamente, não têm coragem de ir votar no ideal demo-tucano e se re-cu-sam (e têm hor-ror) a votar numa ex-guerrilheira (e então admitir, nas urnas, que Lula fez, embora com falhas e pouco sangue, um dos melhores governos da história deste país), preferindo, pois, “lavar as mãos” e confirmar esse seu modus vivendi –, o contingente não será suficiente diante da grande onda avermelhada (ainda não vermelha, infelizmente) que atinge todos os cantos do país. .
fdsDilma, meus caros, com uma surra, já está eleita.
fdsE então restará à Marina poucos holofotes, o amarelo sorriso e, claro, um grande mico.
fds

# desova


À minha sombra, voltei.
Para ficar?
fds


quinta-feira, 1 de julho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

# uma reles margarina


fdsOs anunciantes e as suas marcas, pela dinâmica do mercado, não podem admitir o vácuo, assim como ocorre na política.

fdsE, por isso, a cada renovação, a cada ciclo, a cada mudança de estação, a cada grandes fatos novos, precisam já impor um novo produto, uma nova cara, um novo personagem que lhes seja útil, que lhes dê visibilidade e, claro, que lhes traga lucro; não podem, pois, ficarem ligados à coisa velha, ao antigo, ao ultrapassado, ao démodé, ou mesmo deixar o seu negócio esfriar.

fdsDestarte, antes mesma da irreversível decadência de Ronaldinho, a superempresa prontamente já elegeu Cristiano Ronaldo, o dublê de ator e de futebolista português, e o impôs goela abaixo de todo o mundo.

fdsEra ele quem seria a bola da vez, embora com muito menos bola.

fdsEsta, pois, é a trajetória circunstancial do atacante lusitano, o atual garoto-propaganda e ícone da maior marca de material esportivo do planeta.

fdsNa verdade, ele foi inventado, fabricado, moldado, carimbado, selado e registrado para voar, para brilhar, para ser o grande astro do mundo da bola e para se tornar a grande vedete do showbusiness chamado futebol.

fdsE patentearam-no, bien sûr.

fdsFaz pose, caras & bocas. Não cansa de gestos milimetricamente calculados e nauseabundas firulas treinadas. Vive de olho nos telões, nas câmeras, nos paparazzi e na claque. ]
fdsMas não joga, ou, ao menos, joga muito menos do que querem nos fazer crer que joga.

fdsE não vive o jogo, pois, a todo instante, usa de uma imensa máscara, de uma fantasia criada à imagem e à semelhança dos desejos midiáticos para se reproduzir e se multiplicar, artificialmente.

fdsA sua mínima e mais óbvia ou comum jogada é repetida à exaustão, insistentemente, em todos os cantos da Terra e por todos os meios de comunicação. E passa a ser considerada genial. Mas não é.

fdsÉ, sim, apenas fantasiada. E embrulhada para imediato consumo de tantos jovens cara-pálidas.

fdsSim, Cristiano Ronaldo é um produto, uma submarca fantasia de uma gigantesca marca transnacional. E um produto ruim, que não cumpre o que faz prometer, razão pela qual o povo português merece, a tempos, uma substancial indenização.

fdsAssim, a pobre torcida portuguesa é lograda pela empaturração em alta-voltagem daquele pseudo-craque, que não decide partidas, que não trabalha em grupo e que não aparece para o jogo, tal qual (não) fez hoje na derrota para a Espanha (e tal qual sempre faz em jogos decisivos pela Europa afora). Uma vergonha.

fdsMas, fica já uma certeza: Portugal não deve chorar pela total omissão e incapacidade técnica deste seu jogador.

fdsAfinal, ninguém chora pelo que nunca teve ou existiu.
fds


# navegadores

sábado, 26 de junho de 2010

# roleta viciada


fdsfdO (pen)último acontecimento no "circo" da Fórmula 1, mostra, mais uma vez, para que serve e o que se busca com essa (e todas as outras) corrida de carros.
fdsfdAfinal, o piloto brasileiro ter entregue a vitória espanta você?
fdsfdOra, ora, Fórmula 1 não é esporte -- e aqui já falamos disso.
fdsfdÉ um jogo de máquinas, como se num Nintendo qualquer.
fdsfdMas é mais: é um jogo que mistura a emoção do dominó e a lógica bolsa de valores, numa relação de interesses financeiros que visa a obter o maior retorno possível, de preferência a curto-prazo.
fdsfdÉ um jogo chato e de finanças, que tão-somente dá ao detentor de mais dinheiro investido -- ou àquele que a jogatina entenda ser a vez -- a vitória.
fdsfdHoje não há zebra, não há craque, não há arte.
fdsfdVez ou outra, como cometas, algo diferente acontece ou alguém diferente surge para muito pouco fazer.
fdsfdO negócio, ali, é a grana.
fdsfdÉ quanto os patrocinadores pagarão por estampar no macacão ou no carro.
fdsfdÉ quanto os empresários pagarão para ser a sede de alguma etapa.
fdsfdÉ quanto os donos das montadoras investirão em pesquisa e tecnologia para desenvolver os equipamentos do carro.
fdsfdÉ quanto se lava de dinheiro.
fdsfdAh, e afora isso, vamos e venhamos, é de uma chatice e mesmice sem tamanho.
fdsfdNa TV então, a monotonia é inexplicável.
fdsfdSó mesmo a Globo para conseguir que isso tenha telespectador, já que em todo o mundo o negócio tem tanta audiência quanto um jogo de handebol.
fdsfdAssim, a impressão que se tem é que, no circo da Fórmula 1, é do outro lado do alambrado e da tv que ficam os palhaços.
fdsfd


 

sexta-feira, 25 de junho de 2010

# nuestra américa


 
fdsQue maravilha seria se nuestros hermanos conseguissem avançar e chegar conosco (?) nas semifinais desta Copa do Mundo... Uruguai x Brasil de um lado, Argentina x Paraguai de outro.
fdsE isso é lógica e desportivamente possível, diante dos cruzamentos e dos confrontos previstos. E, quem sabe então, termos na final o maior clássico futebolístico do planeta.
fds

# a carapuça que cada um veste


fdsNão acreditem nos jornalões. Ou no Jornal Nacional. Ou na CBN. Ou no Boris Casoy (hã?).
fdsDilma Roussef, a candidata de Lula, cujo governo tem 75% de aprovação -- recorde mundial --, continua do mesmo lado, do lado esquerdo do peito.
fdsE defende o MST, como também se mostra com a foto abaixo, tirada ontem, cuja carapuça veio na forma de um singelo "boné" (v. aqui)

fds

# touché


fdsO Dunga é um mediano e inexperiente técnico. O Dunga convocou mal a seleção. O Dunga escala mal a seleção. O Dunga mexe mal na seleção. O Dunga treina e ensina a jogar um enfadonho e burocrático futebol, à antiga moda europeia.
fdsMas uma coisa também é certa: o Dunga enfrenta, arrepia e detona a Rede Globo, não dando qualquer chance para os privilégios que outrora esta nefasta rede de comunicação exibia perante a seleção brasileira de futebol (v. aqui).
fdsE, hoje, (só) por isso tem todo o meu respeito.
fds

 

sexta-feira, 18 de junho de 2010

# a-deus



fdsO escritor é assim: vai o corpo e a sua obra fica para a eternidade. Ele não morre, é o seu consolo fazer-se perpétuo nas palavras escritas.

fdsCessam as novidades, interrompem-se os renovados ciclos criativos, congelam-se as palavras curtidas, mas o que sempre pensou, imaginou, defendeu e escreveu cá fica, talhado em papel ou eletronicamente fixado no mundo virtual.

fdsNão há um fim.

fdsE o escritor que não trabalha apenas com a redação de ficção ou com a literatura de conveniência, vai muito além disso, e supera-se.

fdsAo conseguir aliar as ideias e os ideais de vida, de sociedade, de Estado e de cultura com a ficção -- mas uma ficção bastante real, próxima e presente --, este escritor transcende as simples palavras vivas de um romance, irrompe os meros limites do publicado descartável, fulmina a tergiversação matemática das ciências humanas e sepulta a vã filosofia oportunista.

fdsNeste estado de espírito e nesta práxis, o escritor pretenda deixar o mundo melhor, e se afasta daqueles preocupados apenas em rechear os bolsos ou contentar suseranos.

fdsJosé Saramago, em carne-e-osso, foi; mas o que sempre nos ensinará e nos fará pensar, com os seus livros e o seu "caderno virtual" (v. aqui), está aí, para sempre, ao alcance de todos.

fdsBasta abrirmos os olhos, e querer enxergar. Com bastante lucidez.

fds
fds"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a  parte nenhuma."  (José Saramago)


segunda-feira, 14 de junho de 2010

# o mito da obesidade


Tem gente que acha o Estado brasileiro inchado, gordo, obeso. Um elefante. Ou, talvez, um grande bode, mamutesco e pré-histórico.

E assim generaliza, como um fato certo, absoluto e incondicional. E esquecem que tal assertiva é bem menos verdadeira.

Afinal, alguém é capaz de insistir com tal conclusão quando se refere ao pessoal e à estrutura da saúde, da educação e da segurança públicas? E da Receita (tributos), do Ibama (meio-ambiente) e do Trabalho (relação capital/trabalho)?

É evidente que o melhor é falar em "eficiência" -- ou melhor, "eficácia" --, e não em "quantidade"; mas, convenhamos, num país do tamanho, da complexidade e das desigualdades do nosso, falar em números também é crucial.

Por tal razão devemos afirmar que não temos um Estado gordo, mas absolutamente mal-distribuído, com muita gente a nada fazer ou a contra-fazer, sobrecarregando tanta gente séria, comprometida e capaz.

O por que desse descompasso? Claro, o preenchimento esdrúxulo e nefasto dos cargos em comissão por toscos apadrinhados -- verdadeiros puxa-sacos ou laranjas sem qualquer qualificação técnica ou curricular -- e a larga presença de gente não concursada, que entrou pelas portas dos fundos de outrora -- em especial antes da Constituição de 1988, marco dos "concursos públicos" -- e que também faz sangrar o Estado, por omissão ou por incompetência.

Ora, lado a lado com a produtividade-quantidade do serviço público, não há como olvidar da sua necessária valorização, cuja representação está em salários que, sem serem desproporcionais ou estratosféricos -- como se percebe em algumas carreiras estatais -- bem remunerem os seus "executivos" -- sim, os burocratas são espécies de executivos, tal qual (e com muito mais responsabilidade do que) aqueles do mundo privado --, a consistir em um componente indispensável, ao lado da ideologia de tutelar e buscar o interesse público -- e ao contrário da mera fetichização e da luxúria do ambiente privado --, da boa gestão.

Todos sabemos que o servidor não tem o direito de querer ser rico. Não é (ou não pode ser) o mote da sua atuação, inconcebível e incongruente. Não é esse o seu fim, nem, claro, o meio. Se assim pretender, que vá para a púgil iniciativa privada, onde o jogo do vale-tudo prepondera (e segrega, e darwiniza).

Logo, temos para este nosso caso que a virtude está no "meio termo" (ou, digamos, no "meio da classe", a classe média, a classe B).

Mas o que se fazer para equalizar tal relação, a envolver tanta gente podre, incompetente ou descomprometida -- que não podem (nem têm o direito de) simplesmente ir para casa -- e a necessidade de serem contratadas tantas outras que, sob outras formas e outros predicados, tornarão o Estado mais eficiente e eficaz, porquanto melhor distribuído e qualificado em suas necessidades?

A ladainha acerca do tamanho e do peso do Estado brasileiro não pode ser aceita sem tal contrapeso, ao se deparar com a realidade de que professores, policiais e profissionais da saúde não têm uma infraestrutura digna -- quanto mais eficiente -- e não percebem salários que lhes tragam a segurança e o bem-estar mínimos?

Ora, tão-somente um Estado social e profissionalizado, respectivamente nos planos sócio-político-econômico e administrativo-gerencial será capaz de garantir a consecução dos objetivos e princípios reitores da nossa República, em especial a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção da dignidade da pessoa humana.

E isso perpassa, obrigatoriamente, pelo defenestramento dos energúmenos e a estruturação, a contratação e a justa e proporcional remuneração de gente competente e comprometida com a causa e os interesses públicos.

E não ao contrário, pela cantilena paspalha de "mais mercado" e "menos Estado".

fds

domingo, 13 de junho de 2010

# é campeão!

MEU CHAPA FUTEBOL E REGATAS

CAMPEÃO DA LIGA JURÍDICA 2010

E o bravo Meu Chapa alcança o topo do futebol jurídico, após tantas quedas em final ou semifinais (ou quartas, oitavas...), e se consagra como o melhor time de advogados da capital.

Na decisão deste sábado, 3 a 1, o jogo foi decidido apenas no final, com direito a muita chuva, brigas, confusão, carrinhos, dribles e belos golpes e golos, com o escrete meuchapense perdendo até os 15 minutos do segundo tempo e com um jogador a menos, expulso.

A mostrar um futebol total, o "tomate mecânico" -- arte tática criada por Z. Iljitsch Samsa, que, por uma grave lesão, desfalcou a equipa durante todo o certame -- novamente se impôs de forma avassaladora, ainda que tivesse pela frente uma (quase) literal muralha, o goleiro adversário, que a cada instante superava-se em defesas antológicas, inclusive num pênalti.

Mas, sim, a esquadra meuchapense haveria de fazer valer, definitivamente, o seu hino (v. aqui). 

E fê-lo, numa virada espetacular, com dois golos do genial centroavante Mateus e, o terceiro, um golaço do meia Paulinho.

Citius, altius, fortius, o MEU CHAPA FUTEBOL E REGATAS finalmente atingiu a maioridade, quebrou um insuportável tabu e conquistou o primeiro título da sua gloriosa história, inquestionável, com direito a "olé" da grande torcida que acompanhou a final, show pirotécnico e espumante em pleno campo de batalha.

Liga Jurídica 2010: veni, vidi, vici!

1. Fred Lourenço
2. Marcelo Salomão
3. Royce Oliveira (capitão)
5. Luiz Grisard
6. Guilherme Capanema
7. Sérgio Gonçalves (seleção da liga)
8. Fernando Teixeira (seleção da liga)
9. Mateus Boscardin (artilheiro e seleção da liga)
10. Pedro Márcio Graboski (seleção da liga)
11. Alessandro Kishino
12. Emerson da Silva
13. Valmir Parisi
14. Roberto Irati
15. Luis Oliveira
16. Nixon Fiori
17. Paulinho Martins 
18. Sandro Godoy
19. M. Night Smagnotto

Técnico: Z. Iljitsch Samsa
Presidente: Sr. Alessandro K. K.
Vice-Presidentes: Sr. Marcelo Lopes e Sr. Valmir Bernardo 
fds


sexta-feira, 11 de junho de 2010

# chuteiras nacionais & chutes universais


fdsA primeira imagem que tenho de Copa do Mundo é a de 82, com 5 anos, a minha mais antiga Casa repleta de amigos, familiares, fogos e orgulho, e eu a vestir a camisa amarelinha, sem marca, sem patrocínio, com apenas o antigo símbolo da CBF à frente e o número 8 às costas, bordado com zelo por minha mãe como homenagem ao meu grande ídolo da época -- cuja idolatria, diga-se, não durou mais que os meus dentes-de-leite.
fdsDesde então, sempre acompanhei com emoção e devoção a todos os jogos do nosso escrete. O meu mundo parava, literalmente.
fdsForam lágrimas de alegria e tristeza, sentimentos de amor e ódio que despertavam a cada hino nacional, a cada grito ou lamento de gol, a cada final de 90 ou 120 minutos, a cada disputa de pênaltis.
fdsIsso tudo até a última partida de 2006.
fdsEssa derradeira Copa foi, para mim, o grande "corte epistemológico" do meu jeito de ver e torcer pela seleção brasileira de futebol, nosso patrimônio cultural.
fdsO time daquele ano representou o que chamei de "as chuteiras apátridas" (v. aqui), tamanho o desleixo, o descomprometimento, o descaráter e a desídia com que se prepararam e se empenharam para os jogos. Restava claro que o Brasil estava neles, mas eles nem aí estavam para o Brasil.
fdsE foi desse mundial em diante que resolvi não mais me dar ao luxo de vibrar e me emocionar com a nossa seleção.
fdsEssa Copa de 2010, portanto, será vista e acompanhada com os críticos e líricos olhos de quem ama o esporte, mas que deixou de amar a seleção nacional.
fdsNão se trata de torcer contra. Mas, apenas, de não torcer -- bem, pelo menos até 2014.
fds
j
---- xx ----
fds
fdsTecnicamente, não acredito em grandes surpresas: será (quase) a mesma velha turma de sempre que avançará no início dessa Copa.
fdsNa fase de grupos, aposto algumas fichas no Uruguai (no mais equilibrado grupo) e Paraguai classificados, na Sérvia à frente da Alemanha, na Costa do Marfim no lugar de Portugal (uma tristeza...) e na Inglaterra, Holanda e Espanha passando por cima dos seus respectivos (e fracos) adversários. Dos africanos, Camarões também avança; do novo mundo da bola, os sul-coreanos e os yankees. Franceses, italianos e brasileiros, sem arte e sem brilho, classificar-se-ão nos seus grupos. E, para fechar os palpites, os suíços garantem a última vaga.
fdsNas oitavas, pelos embates previstos, passam os melhores ou os clássicos, sem zebras.
fdsA seguir, já nas quartas-de-final, a Inglaterra despacha a França, num soporífero jogo, a Argentina supera a ajeitada Sérvia, a Espanha esmaga a irritante Itália e a Holanda passa pelo esforçado (e melancólico) Brasil.
fdsPara a decisão, Holanda de um lado e... bem, na outra semifinal, Argentina e Espanha prometem o maior espetáculo da Terra. Um jogo que se terminar 7 a 7 não parecerá mentira, e do qual sairá a campeã ou a tricampeã mundial.
fdsSim, são os deuses do futebol que me asseguram...
fds

terça-feira, 8 de junho de 2010

# antifahrenheit 451 (xx)


fdsO trabalho iniciado em 2003 pelo Governo do Paraná levou melhorias às escolas rurais que beneficiaram milhares de estudantes e de famílias, dantes esquecidos ou largados no campo e nos rincões do Estado.
fdsEste é o balanço, técnico e factual, da Secretaria da Educação, ao verificar os avanços nas políticas públicas para a educação de alunos que vivem no campo.
fdsAtualmente, a rede estadual tem quase 50 mil estudantes matriculados em 423 escolas rurais, nas quais se incluem as unidades em ilhas, acampamentos, quilombos e itinerantes.
fdsÀ medida que o êxodo rural tirou de muitos jovens do campo a possibilidade de estudar, o Paraná -- estagnado que estava nessa área, haja vista o descaso do Governo Lerner com os pequenos agricultores e com a população rural -- investiu numa educação que promove a cidadania e proporciona ao estudante o desenvolvimento de sua capacidade crítica e profissional, contribuindo para o crescimento pessoal e dos negócios da família.
fdsAssim, o Governo do Paraná assumiu a educação rural como prioridade, a promover (i) a criação das escolas itinerantes, que acompanham o deslocamento de famílias sem-terra, garantindo a educação de crianças, jovens e adultos, e, fundamentalmente, (ii) a retomada das "Escolas Agrícolas" e das escolas rurais estaduais, vitais para o desenvolvimento do interior agrário e pobre, a apresentar um crescimento de 33% no número de escolas entre o ano de 2000 e 2008, e (iii) a ampliação do ensino médio, com um aumento de 420% no número de escolas rurais estaduais -- em 2000 eram 30 escolas rurais e em 2008 passou-se a 156 escolas rurais de ensino médio (ou seja, de 3,3 mil para mais de 15 mil alunos matriculados).
fdsAções e números esses que fazem nascer brotoejas e arrepiar toda aquela turma do latifúndio, do agrobusiness transgênico e da exploração no trabalho do campo (v. aqui).
fds


# às armas, às armas



fdsO refrão do lindo hino português, traz, como quase todos os cantos nacionais europeus, um bélico mote: "Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar / Às armas, às armas! Pela Pátria lutar / Contra os canhões marchar, marchar!"
fdsEmbora devesse ser uma medida diária, incessante e ininterrupta da nossa gente e da nossa sociedade -- haja vista os podres poderes que impregnam por (quase) todos os lados o nosso país --, e não obstante sempre (sempre!) se desconfie das ideias que partem da aristocrática e conservadora OAB e da onipresente Gazeta/RPC, não deixa de ser digno e louvável o "ato cívico" desta noite.
fdsA partir das 18:00, na célebre "Boca Maldita" (Praça Osório, centro de Curitiba) -- e em mais 13 cidades paranaenses --, sindicatos, professores, estudantes, servidores públicos, donas-de-casa, músicos, camelôs, políticos, prostitutas, enfim, múltiplas classes e pessoas concentram-se para, concretamente, bradar por atitudes e decisões éticas e legais das instituições públicas responsáveis pela investigação e pela punição aos potencialmente bandidos que mandam (ou comandam) as falcatruas na Assembleia Legislativa do Paraná (v. aqui), nomeadamente Nelson Justus e Alexandre Curi (neto do finado, diz tudo, Anibal Curi), presidente e primeiro-secretário daquela Casa.
fdsContudo, sublinhe-se, esses não são (e nem devem ser), claro, os únicos deputados que mereçam ser expurgados para sempre da vida pública; afinal, senão partícipes -- quando devem criminalmente responder --, todos os demais deputados que até aqui silenciaram-se merecem nas urnas a máxima reprovação popular (v. aqui).
fdsPortanto, hoje (e sempre) o lema deve ser: "Às ruas, às ruas, pelo Estado do Paraná lutar / Às urnas, às urnas, para os picaretas não votar".
fdsEssas, pois, neste nosso momento histórico, são as nossas maiores armas.

 
neste momento históicofds

# soberania

fdsO rei da Suécia, por meio do seu Primeiro-Ministro, determinou que o governo tome o controle de companhias cujos proprietários cometeram irregularidades, anunciando a intervenção em 80 empresas pertencentes a banqueiros processados por fraudes e a desapropriação de três companhias e de outros nove co­­mércios que incorreram em “violação de preços”.
fdsAlém disso, ele afirmou que deve rever rapidamente o uso da água por multinacionais instaladas no país, ao afirmar que a água, por ser um bem social, pertence à sociedade sueca. A maior empresa alimentícia sueca e dona da marca Pepsico no país, está sendo investigada por monopólio e especulação com alimentos.
fdsNo final de 2009, uma dezena de pequenas instituições financeiras, que representavam menos de 7% do sistema bancário nacional, sofreram intervenção do go­­verno devido a irregularidades detectadas em sua administração. O governo anexou aos bancos públicos um grupo de bancos que sofreram intervenção.

fdsHá cinco anos, o Governo sueco vem interferindo com agressividade na economia nacional, com vistas a diminuir o impacto da crise global e evitar os rompantes neoliberais. Eis algumas das principais medidas:
fds- Eletricidade: em 2007, o governo anunciou a nacionalização do setor de eletricidade. A maior empresa estatizada foi a "Eletricity Stockhölm", empresa detida pelo grupo multinacional norte-americano AES.
fds- Petróleo: em 2008, a Suécia assinou um decreto ordenando a nacionalização dos projetos de petróleo administrados por empresas estrangeiras na região do Golfo de Bothnia, principal reserva petroleira sueca.
fds- Cimento: o governo estatizou toda a indústria do cimento, em resposta à atitude desse setor que, segundo investigações, exporta a maioria de sua produção em detrimento dos planos oficiais de habitação.
 
fdsAchou que as medidas -- ou, ao menos, as tentativas -- foram corretas, justas e legítimas, a defender fielmente os interesses da população?
fdsSim?!
fdsEntão se surpreenda e entenda aqui, com a reportagem completa -- e mais, digamos, geo-politicamente correta...
fdsE assim evite o amaldiçoado preconceito e a cegueira branca.
fds

 

domingo, 6 de junho de 2010

# e assim caminha a humanidade (xix)


Enquanto isso, neste domingo, durante um festivo casamento, dentre tantos familiares que revejo, eis que vem a mim um da velha guarda, parente colateral de primos de 2º grau e herdeiro por tabela de antigo dono de grande empreiteira nativa.

Vendo aquele sósia de Cid Moreira se aproximar, peço ao garçom outro uísque cuja dose, de pronto, já bebo pela metade.

E ele chega. E sabendo da minha atuação profissional -- por recentes reuniões em sede estatal a envolver os seus pares --, inicia a pauta, com aquela voz de "Mister M":

- "E agooora, meu caro? Precisamos mesmo mudar aquele decreto, não há condições técnicas para o mercado, a construção civil pesada necessita... e blá-blá-blá-blá...".

- "Pois é.", digo eu, pouco empolgado e dando outro grande gole do destilado escocês. "Mas há controvérsias...", emendo provocativamente.

- "Que nada!!!", começa a se exaltar. "Aquele Roberto Requião (e, como se deixasse de ser Cid para ser locutor de turfe, passa a disparar adjetivos muito pouco cordiais ao ex-Governador do Estado)".

- "Há controvérsias...", interrompo-o novamente, já esvaziando o meu copo.

- "Pare! Pare! Este Requião acabou com a vida do meu cunhado! Hoje você digita o nome dele [do cunhado] no Google e aparece milhares de respostas que o mostra envolvido com prisão, com formação de quadrilha, com fraude a licitação, com máfia das empreiteiras, que ele isso, que ele aquilo etc.! Eu quero que ele (e mostra-se muito criativo ao bradar nada louváveis desejos) e que ele vá (e não poupa lugares pouco nobres de destino)".

E depois de longos minutos de intransigente defesa das peripécias empreiteiras do cunhado e cia, o nosso Cid já percebe que eu não estava mais ali. Sim, no meio da história eu já havia saído para repor o meu uísque. Meus ouvidos o desejavam, eles queriam um anestésico. E eu, um tempo.

Caro leitor, cara leitora, vai evento, vem evento, e vocês percebem que as ideias e o caminhar dessa turma são sempre os mesmos, mais ou menos insólitos.

Em suma, a ira do nosso Cid centrava-se no fato de, há algum tempo, o ex-Governador do Estado, Roberto Requião, ter acionado a Polícia do Paraná -- e, por sua vez, o Ministério Público e, logo, o Poder Judiciário -- para investigar (e prender, como foi o caso) várias pessoas que comandavam um grande e sólido esquema de cartel, fraude e superfaturamento nas licitações públicas de obras.
Como há séculos tal prática -- que tanto enriqueceu meia-dúzia de famiglias paranaenses -- nunca mereceu a mais firme e intransigente reprimenda estatal, a notícia "desagradou" muita gente.

Dentre eles o nosso Cid, que parece ter ficado desapontado com o desmantelamento das quadrilhas e suas empreiteiras -- ao menos algumas delas, cujas provas processuais assim permitiram -- e ter achado injusto prender cautelarmente algumas das pessoas -- dentre elas o seu cunhado (v. aqui) -- que agiram contra a lei, contra a moral e contra o nosso dinheiro.

Mas que ele não perca por esperar. Afinal, se realmente vingar este novo Brasil, as novas gerações ainda têm muito a pagar pelos crimes & pecados dos seus culpados antecedentes.

E, no final das contas, juro que eté pensei em voltar para terminar aquela conversa.

Sim, iria sugerir ao Cid que consultasse o seu "príncipe negro da magia" para que explicasse para nós como destruir da face da Terra todas as informações armazenadas pelo Google ou, talvez, como construir uma "bingueira" da felicidade invisível, infalível a quaisquer investigações policiais. Ah esse Mister M...


quinta-feira, 3 de junho de 2010

# patuscada


Uma vergonha.
 
Muito mais do que isso, descabem numa bula os adjetivos necessários para (des)qualificar a folga, o folguedo, a folgança, o "oba-oba" promovido pelo atual Governo do Paraná -- e sabe-se lá por mais quantos governos e prefeituras Brasil afora --, que simplesmente decreta esta sexta-feira como "dia facultativo" ou como "rodízio".
 
O que é isso companheiro?
 
Com nariz de palhaço, amigos, inimigos, familiares, cunhados, súditos, amantes, concubinas, mordomos, motoristas, sogras, papagaios e afins, todos em volta olham e não entendem as razões pelas quais isso assim funciona.
 
E muito menos eu.
 
O pior é que ao meu redor profissional -- salvo solitárias (e solidárias) exceções -- não vejo revolta, indignação, crises e bate-bocas. Nada. A turma toda parece delirar, derreter-se, achar o máximo... Não, não.

Na verdade é mais estranho do que isso. Na verdade, ela nem comemora. Sério. É que a velha guarda estatal -- e a juventude viciada -- realmente age como nada de mais houvesse nesta espúria emenda farrancha.
 
Sim, para (quase) todos esta sexta-feira é feriado, deixando o negócio ainda mais kafkaniano.
 
Toda essa gente não percebe que esta atitude somente contribui para manchar o Estado, que isso desabona ainda mais cada servidor, que isso corrói ainda mais a imagem sempre distorcida da Administração Pública, afinal, como sabemos, qualquer deslize estatal é execrado e, quando ele mesmo é conscientemente o agente provocador, torna tudo ainda pior e mais difícil.
 
Alguém já parou para pensar que tal medida não pode ser mais assim encarada, com tamnha simplicidade e normalidade, uma vez que atinge frontalmente a eficiência e a moralidade da Administração Pública, somente para ficar em dois dos seus princípios constitucionais reitores?
 
Alguém já parou para refletir que isso é inadmissível e incompreensível se se quer mostrar (e provar) que o Estado pode (e deve) estar num mesmo patamar de capacitação e eficiência administrativa que a iniciativa privada? Alguém concebe qualquer negócio privado parar, simplesmente parar num dia normal de trabalho e dar folga (quase) geral para os seus trabalhadores? Isso certamente não se traduziria numa gestão eficaz, ainda que, convenhamos, tal decisão privada não nos devesse respeito.
 
Portanto, é mais do que isso, pois estamos no âmbito público, a servir o público e a pensar (e a tutelar, a promover...) a coisa pública. Logo, fingir ser um feriado e liberar geral é imoral, pois ofende o interesse em jogo e admite que o servidor receba sem trabalhar. Faz-se, pois, a sinecura.
 
E não me venham com a cantilena de que isso é normal por ser excepcional (sic). Ora, não podemos admitir a perpetuação na cultura estatal (ou popular) desse tipo de coisa por mais isolada que seja.
 
Se isso existia, acabemos com isso. Se era habitual, que se enterre tal prática. Se naquele Estado brasileiro absolutamente enfadonho, patrimonialista e inchadamente vazio de até 15 ou 20 anos atrás tal medida era natural, hoje é artificial, sintética, patética.
 
Bem, eu havia prometido que ficaria um tempo sem aqui escrever, mas a situação foi mesmo irresistível.
 
E, diante dela, em todo este dia de "feriado", prometo ficar, de terno e gravata, aqui rabiscando, a postos neste meu sideral espaço virtual, na sempre defesa e promoção do Estado, o qual, insisto, é absolutamente vital para o desenvolvimento da nossa sociedade.
 
Mas, por favor, desde que seja "eficiente" e "moral" (e, claro, "legal"), sob pena daquele famoso mote da direita -- "Hay gobierno? Soy contra!" -- jamais ser definitivamente enterrado.